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junho 29, 2005

Preocupações

Vendo o que se passa à nossa volta e ouvindo muito o que se diz por aí ( por todo o lado – transportes públicos, bancas de jornais, supermercados, lojas de 300 ) tenho sentido que há motivos de preocupação. Muitos.
Hoje li o Rui Tavares e encontrei essas minhas preocupações lá reflectidas.
Que “isto” anda muito mal, não é novidade. Anda muito mal há tanto tempo que até parece que já devíamos estar habituados. Que a onda de contestação tem a sua razão, também a entendo. [ É certo, contudo, que começar-se uma contestação logo por uma greve dá sempre para pensar que se gastam todos os cartuchos na primeira batalha. Parece-me existir muito pouca criatividade nas formas de luta. ] Mas tem-me custado muito ver as pequenas lutas entre quem deveria estar do mesmo lado da barricada. É, como ele diz, ver os desempregados contra os imigrantes, reformados contra quem ganha um pouco mais, trabalhadores a espreitar a folha do colega e compará-la com a sua, meus caros é triste de se ver.
E vale tudo, até espalhar notícias que nem são verdadeiras, mas pensa-se sempre que “não há fumo sem fogo” e na volta alguém a aceita como boa.
É um mundo-cão este, onde cada um está contra todos.
Ando muito desanimada.

Afixado por Emiéle em 29 de junho de 2005, às 15:48

Afixadelas

Emiéle, Tens toda a razão quando achas que se gastam os cartuchos todos na 1ª Batalha. A greve é a última e suprema forma de luta. Até lá há um caminho que deve ser percorrido. Falo assim, porque sou um delegado sindical, que é completamente contra esta forma de fazer sindicalismo. Aliás tal oposição tem-me valido muita reprovação e sectarismo por parte das estruturas dirigentes da CGTP.
Em 1º lugar deveria ser feita uma campanha de sensibilização á opinião pública, sindicalizados ou não, empregados por conta de outrem ou por conta própria, pois é impensável fazer uma paralisação do país sem os lojistas, vendedores, pequenos empresários. São estes que conjuntamente criam riqueza par o país e o desenvolvem e sofrem ao mesmo ritmo que os "trabalhadores". Passada esta fase deve ser mantida uma postura de força para tentar pressionar o Governo a mudar. Se possível for envolver os movimentos sociais de modo a que a plataforma seja o mais global possível. É pena que certa esquerda tenha feito adoecer irremediavelmente o movimentos dos foruns sociais que era a plataforma ideal para se manter a tensão necessária para que o governo percebesse que o sociedade não está a dormir.
Se perante a contestação e tensão nada acontecesse e como a população no seu todo estava efectivamente ganha para a luta então sim se poderia fazer uma greve que causasse mossa, que fosse mesmo geral e por tempo indeterminado.

Afixado por Daniel Arruda em 29 de junho de 2005, às 16:09

Daniel, obrigada pela tua opinião, que reforça a minha. Não sei bem como dizer isto, mas tenho demasiado respeito pela greve para a usar levianamente. E tenho muita pena quando vejo atitudes que são do tipo "se aqueles fazem, eu também quero fazer!" Até parece que se perde de vista o fim que se pretende atingir, fica a ser um braço-de-ferro a ver quem tem mais força.
E faz muita impressão ver "nivelar por baixo". Muitas vezes os sindicatos quando rejeitam tudo, como se costuma dizer "deitam fora o bebé com a água do banho".
Mas ver por ex. o desempregado contra o imigrante, faz-me doer o coração.

Afixado por Emiéle em 29 de junho de 2005, às 17:21

Emiéle, concordo completamente com o que dizes. É triste ver trabalhadores contra trabalhadores, desempregados contra quem tem emprego.
A banalização da Greve é um facto. Faz parte duma agenda politica e não há que tentar escamotear esse facto.
Tenho andado com muita falta de disponibilidade para fazer posts sérios. Ainda bem que cá estás. Vou tentar fazer um, a partir do que dizes tu e o Daniel. É que também conheço bem os Sindicatos que temos. E, sem querer, cofundir quem é o "inimigo", creio que começa a ser altura de chamar as coisas pelos nomes.

Afixado por isabel em 29 de junho de 2005, às 19:06

Casa onde não há pão todos ladram e ninguém tem razão
Infelizmente, estamos condenados às greves, seja qual for o governo e haja ou não razão. Interessa é desestabilizar, é tudo. A Greve já não é o que era...

Afixado por bluegift em 29 de junho de 2005, às 19:44

COM TODO O RESPEITO PELA DIVERSAS OPINIÕES AQUI POSTAS!

a FILOSOFIA é a arte de filosofar. Para cada filosofo um prisma será apresentado. Ou então não seria «indagação racional sobre o mundo e o homem, com o propósito de encontrar a sua explicação última». Cada cabeça, cada setença. Mas há um pormenor; é que desde os tempos do Governo Guterres, que o actual primeiro-ministro mostrou a sua perseverança em relação aos assunto que tem em mão. Lembram-se da co-incineração? Ele mostrou que era determinado nos seus pontos de vista, tanto que até hoje as defende. Depois já mostrou que não é homem de palavra (isso já não existe) e por outro lado, falando português claro: o zé-povinho está farto e já não vão em conversas de ninguém. Querem ter uma prova? Aguardem as autárquicas!

Afixado por soslayo em 29 de junho de 2005, às 21:07

E o que aconteceu com os professores vem nessa linha: os sindicatos conseguiram pôr mais professores contra professores do que contra o governo... Realmente é triste e lamentável!

Afixado por saltapocinhas em 29 de junho de 2005, às 21:28

é isso, Saltapocinhas, é o que me preocupa. E quando são as dos transportes, as empresas que já têm o dinheiro dos passes não se ralam nada, mas os trabalhadores ficam mal vistos pelos outros trabalhadores, etc..
Havia que descobrir outras formas.

Afixado por Emiéle em 29 de junho de 2005, às 21:59

Já há algum tempo que deixei de acreditar em gupos ou pessoas abstractamente. Acredito em algumas (muito poucas) pessoas, porque já me deram provas de confiança. De resto estamos cada vez mais a caminhar para uma situação de salve-se quem puder e esmifra-se tudo para conseguir mais alguns tostões.
Os sindicatos existem apenas para se perpetuarem como estruturas de poder e não para dar uma mão aos trabalhadores, afinal o objectivo da sua criação.

Não fico desanimado porque não espero outra coisa das pessoas, e provávelmente ainda piorará mais.

Afixado por Mário em 29 de junho de 2005, às 22:09

COM OS PROFESSORES A SEREM AMEAÇADOS COM PROCESSOS DISCIPLINARES, QUEM É QUE ARRISCAVA?

O governo mandou recolher os nomes dos professores que fizeram greve! Com essa medida jogou professores contra professores ficando eles (o governo) de fora. Os métodos não são democráticos. Depois vieram as pressões dos papás porque não podiam ir para férias, no caso dos exâmes serem adiados. É o que eu quero dizer na posta acima. Sócrates na oposição era contra os exâmes do 9.º ano, agora é a favor! não é trapalhão como todos os outros que o antecederam?

Afixado por soslayo em 29 de junho de 2005, às 22:52

então emiéle só concordas comigo no barnabé ?

Afixado por Real em 29 de junho de 2005, às 23:07

Então não tem graça?!
Temos de ir a casa do vizinho para encontrar um acordo!!!
:))

Afixado por Emiéle em 29 de junho de 2005, às 23:21

É verdade, Emièle, é muito chocante, triste e perigoso o que se está a passar, por iniciativa do Governo socialista.
É chocante ver trabalhadores a aplaudirem as iniciativas do Governo que atacam os direitos (sim, direitos, não "privilégios") da função pública.
É triste ver que os trabalhadores do sector privado, em vez de exigirem para si próprios a reforma aos 60 anos, um regime de saúde igual ao da ADSE, um tempo de trabalho de 36 anos para a reforma, prefiram aplaudir o Governo que diz que isso são "privilégios" da função pública!
É triste, perigoso e chocante ver, como há dias vi, no programa da RTP "Prós e Contras", sem qualquer representação dos trabalhadores e com apenas quatro economistas convidados, dois deles do pior que tem havido contra a função pública (Silva Lopes e Medina Carreira), uma assistência rendida à pior face da demagogia barata, que é alguém daquela tribuna repetidamente dizer que tudo está mal sem apontar qualquer solução socialmente aceitável, ao aplaudir Medina Carreira quando este se manifestou contra as manifestações e greves, invocando a existência de desemprego!
Ou seja, quando só faltou e esse senhor defender demagogicamente que a solução para Portugal é começar a pagar os mesmos salários (+- 1,5 euro por dia) que são praticados na China ... é freneticamente aplaudido, algo vai mesmo muito, muito mal!
É verdade Emièle, isto está mesmo a ficar muito triste e perigoso!

Afixado por olho vivo em 30 de junho de 2005, às 00:19

É verdade, Emièle, é muito chocante, triste e perigoso o que se está a passar, por iniciativa do Governo socialista.
É chocante ver trabalhadores a aplaudirem as iniciativas do Governo que atacam os direitos (sim, direitos, não "privilégios") da função pública.
É triste ver que os trabalhadores do sector privado, em vez de exigirem para si próprios a reforma aos 60 anos, um regime de saúde igual ao da ADSE, um tempo de trabalho de 36 anos para a reforma, prefiram aplaudir o Governo que diz que isso são "privilégios" da função pública!
É triste, perigoso e chocante ver, como há dias vi, no programa da RTP "Prós e Contras", sem qualquer representação dos trabalhadores e com apenas quatro economistas convidados, dois deles do pior que tem havido contra a função pública (Silva Lopes e Medina Carreira), uma assistência rendida à pior face da demagogia barata, que é alguém daquela tribuna repetidamente dizer que tudo está mal sem apontar qualquer solução socialmente aceitável, ao aplaudir Medina Carreira quando este se manifestou contra as manifestações e greves, invocando a existência de desemprego!
Ou seja, quando só faltou e esse senhor defender demagogicamente que a solução para Portugal é começar a pagar os mesmos salários (+- 1,5 euro por dia) que são praticados na China ... é freneticamente aplaudido, algo vai mesmo muito, muito mal!
É verdade Emièle, isto está mesmo a ficar muito triste e perigoso!

Afixado por olho vivo em 30 de junho de 2005, às 00:21

Olho Vivo,

Sou totalmente a favor da Greve quando ela é pertinente e não agrava o descalabro em que se encontra o país.
As pessoas estão apenas preocupadas consigo próprias e literalmente a lixar para o país, essa é que é a verdade. É preciso acabar com os privilégios de TODOS a começar pela classe política e pelos gestores de topo (que na maioria não produzem nada, e ganham tanto ou mais que os europeus), e isso já está e deve continuar a ser feito. Mas, por outro lado, o país não está em situação de continuar a pagar os gastos estapafúrdios a que a população portuguesa se habituou nos últimos anos. É dos países que conheço o que mais dinheiro gasta em MERDAS!
A idade da reforma está a aumentar em todos os países, porque é que só em Portugal é que devia ser diferente?
Os meus amigos em Portugal, passam a vida a queixar-se da vida, e que ganham pouco, e ai a crise etc. etc.. Mas em comparação com os meus amigos estrangeiros mais ricos, fazem mais viagens ao estrangeiro, mudam mais depressa de carro, comem fora muito mais vezes, compram o último modelo de telemóvel, mudam de casa, enfim, fazem uma vida muito mais dispendiosa que os colegas europeus que ganham mais!!!
Então como é? E se acabassem com a vaidade e a vida artificial que levam e começassem a viver mais em família, em casa, livrinho, música, bricolage, passeio a pé pelo bairro, com mais qualidade, viver com mais mais humildade e para a comunidade? Era uma boa ideia, não era?

Tenham paciência, mas essa mentalidade de esbanjamento frenético tem que mudar.


Afixado por bluegift em 30 de junho de 2005, às 09:16

Pois é bluegift (que não deixa rasto), podíamos todos ir viver em tendas para a serra da Lousã, seria ecológico.

Afixado por Mário em 30 de junho de 2005, às 14:05

Mário, se não deixo rasto para os comentadores a culpa é do sistema, mas se queres o meu email aí vai: thebluegift@sapo.pt

Há quem não se importe de viver em tendas nem na serra da Lousã, mas não há dúvida que viveriamos todos muito melhor na Quinta do Lago. Porque não? Somos todos filhos de Deus, não é verdade? Temos é que começar a procurar uns furinhos de petróleo e umas minazinhas de diamantes que aguentem o delírio... e mesmo assim...

Afixado por bluegift em 30 de junho de 2005, às 22:16

Olha Mário, achando eu que o nosso nível de vida é miserável, a verdade é que concordo com a Bluegift quando comparo com outros países com muito melhores condições do que o nosso. Alguma coisa está mal na cabeça da nossa gente. Quanto a dinheiro que se gasta de um modo absurdo, tem uma explicação é o estímulo ao crédito. Toda a gente anda super-endividada. Recebe-se um ordenado e quase se imediato começa-se a gastar a "conta-ordenado". Isto é vulgar. E a verdade é que a Blue tem razão: a Dinamarca p.e. tem uma incomparável melhor qualidade de vida, e contudo sou amiga de 2 investigadores que andam de bicicleta e não têm carro, não têm telemóvel, e se passam pelo Pub ao vir para casa, a verdade é que um jantar fóra é uma festa que só acontece de tantos em tantos meses. Mas a minha mulher-a-dias ( cá em Portugal, é claro ) tem 2 telemóveis, vai para as casas onde trabalha do seu automóvel e compra tudo o que vê anunciado na TV. Temos de repensar muitas coisas!

Afixado por Emiéle em 30 de junho de 2005, às 22:38

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