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julho 28, 2005
A chaleira fumegante
Ontem, a chaleira lá voltou a descolar. Confesso que fico sempre arrepiado, com o estomago colado às costas, cada vez que a chaleira levanta voo. Ou melhor, usando uma linguagem mais realista, cada vez que ateiam o rastilho à chaleira.
Digo-vos que é preciso uma coragem brutal para entrar na chaleira com a plena consciência de estar em cima de triliões de hidrogéneo líquefeito. E de saber que, na descolagem, alguém pega o lume a esse mesmo hidrogéneo. Livra!
Pois bem, ontem, quando acontecia a descolagem dei por mim a fazer a típica piada negra, do género, "quantas telhas é que saltarão desta vez?". O humor negro tem destas coisas: às vezes acerta. E não é que voltou a acontecer algo de estranho?
O lançamento do vaivém Discovery, ontem, ficou marcado pela perda de pelo menos duas peças. O primeiro objecto teria cerca de quatro centímetros e parece ter caído das telhas térmicas, por cima da porta do trem de aterragem, no nariz do vaivém. Ainda não se sabe se foi apenas a cobertura da telha que caiu ou se esta sofreu estragos. É importante que estes painéis térmicos estejam em bom estado durante a reentrada na atmosfera - foi isso que esteve na origem do acidente do Columbia. O segundo objecto não está identificado, mas parece não ter tocado no vaivém. As gravações mostram um objecto a cair quando o Discovery largou os foguetões que impulsionam a subida., retirado do Público online.
Todos sabemos que a grande vantagem do Space Shuttle é o facto de ser reutilizável. Todos sabemos o fantástico que isso é em termos de custos e despesas orçamentais. Mas parece que não se está a dar o devido valor aos sete amigos que vão dentro da chaleira.
Parece-me que não há restrições orçamentais que justifiquem a reutilização de um veículo com provas dadas de falta de segurança, e cujo currículo negro já desfez em pedaços 14 astronautas.
Se eu fosse familiar de algum dos astronautas mortos, ou familiar destes pobres coitados que subiram ontem na chaleira, eu ficava indignado com isto.
Sinceramente, e imaginando toda a complexidade que uma coisa destas envolve, acho que isto já é demais. Não há desculpas para uma coisa destas, sabendo de tudo o que já aconteceu no passado. Espero que encerrem de vez a utilização deste veículo maldito.
Ao que parece, por agora, os astronautas estão a salvo na Estação Espacial. Mas rezo para que tudo corra bem na reentrada, porque francamente não gostava de estar na pele deles. São homens e mulheres de fibra, com muito mais categoria do que os burocratas e tecnocratas que, sentadinhos nas suas cadeiras da NASA, dão prioridade aos dólares...
Afixado por Bernardo Motta em 28 de julho de 2005, às 11:24
Afixadelas
"Ontem, a chaleira lá voltou a descolar. Confesso que fico sempre arrepiado, com o estomago colado às costas, cada vez que a chaleira levanta voo. Ou melhor, usando uma linguagem mais realista, cada vez que ateiam o rastilho à chaleira."
Isto é comigo, pá? ;) Nunca me tinham chamado chaleira!
Afixado por Monty em 28 de julho de 2005, às 12:01
Chiça Monty, para seres tu, eu tinha que ser o Rei da Metáfora!
Afixado por Bernardo em 28 de julho de 2005, às 12:05
;) Assenta-me na perfeição, hehe!
Confessa lá, assenta ou não assenta?
Afixado por Monty em 28 de julho de 2005, às 12:08
Agora deixaste-me baralhado, pá...
"Confessa lá, assenta ou não assenta?"
Se és fumegante ou não, isso é discutível. O nosso amigo Garcês fumega mais, vindo de onde ele vem...
Agora, chaleira?
Porque é que te sentes chaleira?
É porque quando ferves te salta a tampa?
Sim, talvez assim te sirva, mas...
... no que toca ao carácter "reutilizável" do Space Shuttle, acho que a metáfora é-te muito prejudicial, pá...
Afixado por Bernardo em 28 de julho de 2005, às 13:26
A tecnologia do Shuttle data da década de 70! É incrível como é que a única superpotência do mundo ainda utiliza os shuttles e não tem um meio alternativo de lançamento como o Soyuz ou a versão chinesa (Shenyang).
A tecnologia espacial americana é tão obsoleta que se torna ridícula para quem como os EUA se julga na "crista da onda" tecnológica. A Europa (ESA) e a Rússia movimentam verbas astronómicamente inferiores, mas gerem-nas com muito maior eficiência, especialmente a depauperada Rússia...
Afixado por Rui Martins em 28 de julho de 2005, às 18:16
A tecnologia do Shuttle data da década de 70! É incrível como é que a única superpotência do mundo ainda utiliza os shuttles e não tem um meio alternativo de lançamento como o Soyuz ou a versão chinesa (Shenyang).
A tecnologia espacial americana é tão obsoleta que se torna ridícula para quem como os EUA se julga na "crista da onda" tecnológica. A Europa (ESA) e a Rússia movimentam verbas astronómicamente inferiores, mas gerem-nas com muito maior eficiência, especialmente a depauperada Rússia...
Afixado por Rui Martins em 28 de julho de 2005, às 18:17
A tecnologia do Shuttle data da década de 70! É incrível como é que a única superpotência do mundo ainda utiliza os shuttles e não tem um meio alternativo de lançamento como o Soyuz ou a versão chinesa (Shenyang).
A tecnologia espacial americana é tão obsoleta que se torna ridícula para quem como os EUA se julga na "crista da onda" tecnológica. A Europa (ESA) e a Rússia movimentam verbas astronómicamente inferiores, mas gerem-nas com muito maior eficiência, especialmente a depauperada Rússia...
Afixado por Rui Martins em 28 de julho de 2005, às 18:17
Exacto, Rui Martins!
E não é assustador, isto?
E não sou eu quem vai lá para cima numa caranguejola do tempo da Maria Cachucha!
É caso para pensar, Rui, se a NASA não andará a gastar mais dinheiro com o pessoal de terra, em vez de o gastar numa nova nave!
Afixado por Bernardo em 28 de julho de 2005, às 19:06
