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julho 30, 2005
A Natureza Humana
A “natureza humana” não é tão igual a si mesma como tem fama. Há muitos comportamentos e atitudes que dependem da época ou do local. Comportamentos vulgares na idade média seriam hoje estranhíssimos, ou atitudes normais em sociedades orientais não são aceitáveis no ocidente.
Um exemplo frequente é o modo, influenciado pela nossa cultura judaico-cristã, de olhar para um vencido ou alguém que caiu em desgraça. Enquanto lá nos Orientes a atitude é altaneira, “perdeu é porque é fraco, viva o vencedor”, isso na nossa cultura choca-nos muito. Abala-nos no mais profundo de nós, e tanto que caímos no outro extremo – “se perdeu é uma vítima, um mártir, merece a nossa eterna admiração”.
Eu entendo que são valores muito antigos, bebidos com o leite materno, e é difícil racionalizar nesta campo. Mas é o que pessoas adultas, responsáveis, inteligentes deveriam ser capazes de fazer – não ir atrás de emoções primárias e pensar. Independentemente de estar na mó de cima ou na debaixo, tinha razão? Estava certo?
O Expresso traz hoje na coluna de Nicolau Santos um texto De Vilão a Herói onde, por outras palavras, se foca este tema. «Basta que alguém que num dia é poderoso, no dia seguinte esteja na mó de baixo, para que toda a avaliação passe da crítica feroz ao elogio suave». E isto não tem a ver com a natureza do povo português, porque é mais geral ( apesar de, por cá, as coisas serem ainda mais intensas ). O que se pode repensar daquele artigo é como é volúvel a nossa opinião e influenciável por questões laterais que têm mais a ver com emoções do que com a razão.
Afixado por Emiéle em 30 de julho de 2005, às 09:51
