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julho 31, 2005

Álcool

Ontem, depois do almoço, recebi um telefonema.
Quando, um bom bocado depois, desliguei o telefone, lembrei-me como num relâmpago de um post que a Isabel tinha deixado no Afixe há uns tempos. Chamava-se Enteados da Vida .
Como ninguém é igual a ninguém, a história que ela contou e a que eu ouvi não são iguais. Mas têm um padrão tão semelhante que arrepia.
A que eu ouvi é muito mais soft. Mas… alguma balança pode pesar o sofrimento?
Se digo que o padrão é parecido é porque tal como no caso do “enteado” também conheci o meu amigo muito jovem e era um belo rapaz. Sedutor e sabendo que o era, artista, falando fluentemente francês e inglês, vindo de uma família com algum dinheiro, teria tudo para o sucesso.
Foi para fora, onde esteve mais de 10 anos sem voltar a Portugal. Será lá que começou a beber. Mas ao voltar, com um curso superior tirado numa Universidade de renome, vários amores pelo caminho, ainda tinha uma vida cheia de possibilidades à sua frente.
Passaram-se muitos anos sempre em plano inclinado, sempre a descer, sempre com a garrafa à sua frente. Ontem ao telefone, a voz estava entaramelada, a conversa foi muito penosa porque eu tinha dificuldade em o entender, mas o fundamental chegou-me: vai iniciar a sua segunda cura de desintoxicação. A primeira não resultou, ao sair recomeçou de um modo talvez mais compulsivo ainda. Desta vez, com internamento, e assustado como senti que estava, talvez tenha mais hipóteses. Fez-me uma pena imensa ouvi-lo pedir “Não digas a mais ninguém. Só contei ao M. e a ti. É que tenho vergonha…”
E eu também tive. Pelo que a vida pode fazer. Pelo que nós fazemos a nós próprios. E afinal problemas que ontem nos pareciam importantes, de repente tornam-se tão relativos.

Afixado por Emiéle em 31 de julho de 2005, às 11:23

Afixadelas

EMIÉLE, infelizmente existem muitos casos desses e, imaginarmos nós, o que leva uma pessoa desse nível e instrução a enveredar por um caminho desses! O alcool é como a droga, só leva o consumidor dessas substâncias ao fundo do poço.
Resta-nos, desejar que ele faça a desintoxicação necessária e depois uma mão amiga que o encaminhe. Enquanto há vida, não podemos perder a esperança!

Afixado por soslayo em 31 de julho de 2005, às 11:29

Pois, Soslayo, o alcool é uma droga, mas é uma droga social e aceite. É esse o perigo. Porque afinal o tomar-se um copo de vinho a acompanhar uma refeição está bem, é normal, o vinho tem qualidades. O complicado é saber o que é o nosso limite, saber onde termina um consumo bom e normal e começa um vício.
Também estou a desejar com muita força que desta vez resulte.

Afixado por Emiéle em 31 de julho de 2005, às 12:30

Emiéle, infelizmente o alcool não é reconhecido na sociedade como droga, embora seja das que em Portugal mais vítimas faz, ao contrário de outras que são ilegais.
Infelizmente também poucos sabem o que é conviver com alguém alcoolico, porque perante a sociedade essa pessoa é normal. Pouco sabem o sofrimento que é para um filho e uma esposa ter de conviver com as mudanças de humor, as depressões e as euforias de quem bebe. Infelizmente eu sei.

A amizade e amor que temos ás pessoas superam tudo, mas as marcas ficam para uma vida e não são apagáveis. As pessoas vão e a vida continua costuma dizer-se mas nestes casos há sempre uma vida paralela que nos acompanha para todo lado onde vamos e em tudo o que fazemos.

Obrigado por esta posta.

Afixado por Daniel Arruda em 31 de julho de 2005, às 14:31

Sabem o que me chocou também? É que andei á procura de "um boneco" para ilustrar esta história verdadeira. E só encontrei coisas a gozar. Tão a ver, não é, que piada que tem um bêbado...!! Era a ideia. Eu ainda entendia que aparecesse uma coisa ou outra como graça, mas era a esmagadora maioria.

Afixado por Emiéle em 31 de julho de 2005, às 15:22

Que estranho, ainda anteontem uma amiga minha me contou que tinha ido tratar do internamento de um amigo comum pelo mesmo problema. Esta deve ser uma altura do ano complicada - ou será apenas coincidência. E é também uma pessoa cheia de capacidades e encantos.

Afixado por susana em 31 de julho de 2005, às 16:12

O flagelo do álcool será sempre uma constante, em qualquer sociedade do nosso mundo. Infelizmente, a química envolta no cérebro é talvez dos perigos mais temíveis. Muitos erros se cometem à custa de irreflexões, devido ao álcool. A capacidade de ultrapassar e abdicar dos desejos mais fortes em nós é, deveras, difícil. Tanto pela respectiva química, que influencia todas as nossas acções, como também os nossos "feitios"(entenda-se defeitos), responsáveis pela nossa perdição. Sabemos de antemão, que quem não tem vontade de abdicar de certos prazeres, muito dificilmente ultrapassa certos entraves na vida. São tão influênciáveis que só utilizando contra-medidas, passando pelos químicos opostos, não chega. Na minha opinião, e porque vivo esse mesmo problema com o meu pai, só não consegue quem não quer. Por outras palavras, se não se lutar afincamente com esse desejo de beber, sem recorrer a tratamentos, não será com medicamentos que o "vício" desaparecerá. Os medicamentos apenas servem de ajuda à luta, mas a luta começa na nossa mente, no que existe de mais profundo em nós, e que nada à superfície lhe "toca", falo dos nossos desejos íntimos. O teu amigo voltará sempre à bebida se não resolver agir em conformidade, de nunca mais tocar no álcool. Nós apenas, amigos e parentes, podemos mostrar-lhes o outro lado do prazer de viver. Está em nós mostrar-lhes outros caminhos, outros horizontes. A vida não é perfeita, e sem luta, sem querer, sem determinação, sem abrirmos os olhos para as alternativas existentes, não serão os químicos que resolverão os problemas das pessoas. É um erro pensar de outra forma.
Apenas desejo, do fundo do meu coração, boa sorte e força para o teu amigo!

Carpe Diem

Afixado por David em 31 de julho de 2005, às 20:40

Olha que não sei, David, não sei dizer que força interior ele terá. Receio que não seja muita. E faz-me muito dó.

Afixado por Emiéle em 31 de julho de 2005, às 22:30

O flagelo do álcool será sempre uma constante, em qualquer sociedade do nosso mundo. Infelizmente, a química envolta no cérebro é talvez dos perigos mais temíveis. Muitos erros se cometem à custa de irreflexões, devido ao álcool. A capacidade de ultrapassar e abdicar dos desejos mais fortes em nós é, deveras, difícil. Tanto pela respectiva química, que influencia todas as nossas acções, como também os nossos "feitios"(entenda-se defeitos), responsáveis pela nossa perdição. Sabemos de antemão, que quem não tem vontade de abdicar de certos prazeres, muito dificilmente ultrapassa certos entraves na vida. São tão influênciáveis que só utilizando contra-medidas, passando pelos químicos opostos, não chega. Na minha opinião, e porque vivo esse mesmo problema com o meu pai, só não consegue quem não quer. Por outras palavras, se não se lutar afincamente com esse desejo de beber, sem recorrer a tratamentos, não será com medicamentos que o "vício" desaparecerá. Os medicamentos apenas servem de ajuda à luta, mas a luta começa na nossa mente, no que existe de mais profundo em nós, e que nada à superfície lhe "toca", falo dos nossos desejos íntimos. O teu amigo voltará sempre à bebida se não resolver agir em conformidade, de nunca mais tocar no álcool. Nós apenas, amigos e parentes, podemos mostrar-lhes o outro lado do prazer de viver. Está em nós mostrar-lhes outros caminhos, outros horizontes. A vida não é perfeita, e sem luta, sem querer, sem determinação, sem abrirmos os olhos para as alternativas existentes, não serão os químicos que resolverão os problemas das pessoas. É um erro pensar de outra forma.
Apenas desejo, do fundo do meu coração, boa sorte e força para o teu amigo!

Carpe Diem

Afixado por David em 31 de julho de 2005, às 22:37

Vivi esse pesadelo. Aliado a outros pesadelos, que, ainda o torna, se possível, mais pesadelo.
Os anos passam, a vida continua, acabamos, até, por achar que fizemos tudo...mas olhar aquela fotografia dói.Dói muito. Como diz o Daniel, para sempre.

Também eu, desejo que o teu amigo volte a aproveitar o Dia e a vida.

Afixado por isabel em 31 de julho de 2005, às 23:35

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