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julho 25, 2005
GORA MONTY!
Um denodado labor missionário embebido no imperativo cívico de derramar um pouco de luz pelas brumas nigérrimas da incultura popular. Por vezes, arco com tarefas assim.
O Monty, quando me rogou – com a humildade estatutariamente exigida – que lhe mostrasse algo do mundo civilizado, tinha em mente uma excursão ao Colombo. Que lhe tinham contado que aquilo era um mundo, que até se vendiam lá livros, sei lá; um manancial de referências miríficas tornava imperativa a visita.
Com a necessária firmeza, temperada por alguma ternura, neguei-me a semelhante desiderato. Não. Almejaríamos paragens mais distantes, horizontes um pouco mais vastos, mesmo que tivéssemos de prescindir do simpático serviço Mr. Parking. Vai daí, apontei o norte desta viagem ao País Basco.
Como bom rústico chauvinista, o Monty sacou logo do responso costumeiro: "mas os espanhóis são antipáticos e não há lá nada para ver e é tudo caro e não me entendo com isso das línguas dos estrangeiros". "Não temas, carente alma", sussurrei-lhe aos ouvidos trémulos, "eu estarei lá para te guiar".
E assim foi. De céptico ferrenho, ele transformou-se no basco honorário e militante que agora nestas páginas testemunha as muitas maravilhas vistas, os incontáveis momentos de enriquecimento cultural e espiritual.
Pasmem, incréus: até sumiu o reaccionarismo que sempre acompanha o ascenso da ignorância à categoria de "opinião". Já é outra a música desde que ele leu uma notícia a dar conta de julgamentos por "enaltecimiento de ETA" e soube que não são apenas os bombistas a sofrer as arbitrariedades, torturas e ilegalidades que Espanha tem por indispensáveis no combate ao terrorismo.
Ainda o veremos por essas esquinas e vielas de passa-montanhas e tinta de spray fluente em Basco…
É como vêem, pequenos leitores: as viagens enriquecem-nos e mudam até o mais empedernido dos ermitas.
Afixado por João Garcez em 25 de julho de 2005, às 20:58
Afixadelas
Sabes bem que não era ao Colombo que eu queria ir, mas ao Parque das Nações, que ouvi dizer que houve lá uma feira muito importante. Mas tu logo me assustaste com aquelas cenas de se chegarem a juntar mais de 50 pessoas, coisa a que aqui nas berças não estou habituado.
Quanto ao que dizes, é tudo verdade. Só não percebo porque omitiste aquela parte de insistires em andar sempre de mão dada comigo, para que não me perdesse!
Gora mi amigo de petxuga!
(só um pormenor, dos cerca de 2.000 km que fizémos tive que guiar cerca de 99% do tempo, que o raio do cota andava sempre de barriguinha doente. E as vezes que me obrigou a entrar em farmácias a pedir-lhe medicamentos para as maleitas? Até aftas teve. Pobre Cidália, que já ganhou o céu!)
Afixado por monty em 25 de julho de 2005, às 20:42
Ganda Monty....
Atrevo-me a perguntar: Serás Aquariano?
Como diriam os velhos colonos "Hammer & Canos": Go west,young man.
Abraços
PS: Teaser from ABCity in http://contra-indicado.blogspot.com/
Sorry a pub....Saberás porquê....
Afixado por NeonFred em 25 de julho de 2005, às 20:59
Carneiro, pá, não se vê logo?
Pub as much as you want, mámén! Aqui os teus amigos Dários tem sempre espaço, como já lhes disse! Diz-lhes que faço questão de ter o Afixe na 1ª linha da ABCity.
Afixado por monty em 25 de julho de 2005, às 21:10
Um Carneiro, dos a sério...acredito piamente no João: ainda te hei-de ver de pincel em punho...
João não desistas, leva-o mais vezes de férias. Mssmo que o faças meter as farmácias no roteiro das viagens.
Afixado por isabel em 25 de julho de 2005, às 22:03
João, essa vocação pedagógico-didactica ( pode dizer-se assim? soa bem? ) só te enobrece, homem. Ver o nosso Montyzinho abrir os seus olhinhos para a vida, é um enlevo de qualquer alma bem formada. Vê-lo ultrapassar Colombo, Parque das Nações, quiçá Arrábida Shopping, ou outro monumento do mesmo teor, enche-nos a alma de júbilo. Aliás, as imagens do Guggenheim que não resistiu a partilhar connosco assim que voltou a pisar este pátrio solo, foi uma elucidativa amostra da sua abertura de espírito.
Bem hajas, João, e não desistas de trilhar este caminho do esclarecimento e abertura de espíritos. Aliás vê-se logo que o rapaz vem completamente diferente! :))
PS- E não há boinas para mais ninguém? Que raio de viajantes que não trazem recuerdos? Eu queria uma boina!!!
Afixado por Emiéle em 25 de julho de 2005, às 22:55
Obrigada João, por este relato mas, sobretudo, por teres cultivado o Monty, que agora até já ultrapassou a fase José de Guimarães para passar a gostar de Richard Serra e Louise Bourgeois. E ainda mais por voltares a usar a palavra "incréus".
Afixado por susana em 25 de julho de 2005, às 23:31
Olhó dentinho das meninas a cair...
Susana:
O JG tem uma avença com a priberam. Este ano está a trabalhar a palavra incréu!
Afixado por monty em 25 de julho de 2005, às 23:57
Curioso, de todas as viagens que conheço a Euskadi o resultado final é sempre o mesmo...
Afixado por filinto em 26 de julho de 2005, às 00:33
