« O Banco do Tempo | Entrada | A chaleira fumegante »

julho 28, 2005

O post (para mim) necessário

Não sei lidar com estas situações. Reconheço e, para que não restem dúvidas, deixo-o aqui, publicamente, expresso. Sempre tomei opções difíceis na minha vida pessoal. Tenho posições claras em relação a muitas coisas. Luto incansavelmente pelo que considero justo. Entrego-me apaixonadamente a tudo em que acredito. Mas não sei lidar com estas situações.
Sei que era altura de ser clara. Mas, sem saber como, duma forma que não consigo controlar nem alterar, salto de mim, ponho-me na posição dos outros, de cada um dos outros e de todos os outros, procuro justificação e explicação, procuro desesperadamente entender (desculpabilizar?) o outro, os outros e não sai nada.
Consigo ser duríssima quando luto por causas, não consigo ser clara quando lido com pessoas. Pertenço, seguramente, àquela velha escola, em que tudo se tende a explicar. Não se mente porque se é mentiroso. Não se rouba porque se nasce ladrão. Vou lá longe, vasculho, procuro, interrogo-me e, a maioria das vezes, não consigo julgar.
Creio que seria capaz de enfrentar um touro para salvar um amigo. Fujo desesperada e incontrolavelmente duma lagartixa que se me atravessa no caminho.
Sou cobarde? Sou incoerente? Sou dúbia? Sou inconsequente? Ou procuro, desesperadamente, ser completamente justa e a justiça completa não existe? Ou teimo em sonhar com um mundo em que as pessoas não mentem, não são arrogantes, não deturpam, não são injustas, não fingem? Sou tudo isso, talvez. Serei, aqui, num blog, em que não nos conhecemos, não nos tocamos, não nos olhamos, em que, apenas, as palavras contam, o que vocês acharem que eu sou.
Nada do que transparecer destas palavras e da ausência de outras, muda o facto em si. Gostaria muito de já ter aprendido. Já tenho idade e vivências mais que suficientes para isso, mas não sei lidar com estas situações. Lamento. Não vos peço desculpa por esta incapacidade. Faço-o diariamente a mim própria. E nunca aceito as desculpas.
Vou sair. Beber um café, ver o Tejo, passar mais uma vez pelos sem abrigo do Martim Moniz, depois, almoçar com amigos. Ao fim da tarde, possivelmente, ter uma reunião para discutir possíveis respostas aos problemas dos trabalhadores portugueses. Enfim, vou olhar. Com estas situações eu sei lidar.

Afixado por Isabel em 28 de julho de 2005, às 09:25

Afixadelas

Entendo-te tão bem, Isabel...
É duro sobretudo qdo se conhecem algumas pessoas e há coisas q me soam duríssimas nestes últimos posts; é da m/ natureza tentar pacificar e por isso comprei algumas guerras, q ironia); por outro lado reajo tb c/ sangue quente e alguma impulsividadade. E só depois penso.
Este mundo paralelo é igual ao outro, só q aqui não há rostos, nem vozes...e ao mesmo tempo sinto q posso tocar e ser tocada por algumas pessoas. E posso estar enganada, mas isso, olha, tanto aqui como lá fora.
E chega de testamento.
Vou trabalhar mas é! E tal e coisa e q as coisas não sejam apenas herméticas (mas tb não demasiado visíveis, o tal equiíbrio feito de desequilíbrios como há pouco escrevi no 100nada).
Ora, não foi nada cmg e desconheço a maior parte da novela, a desenrolar em vários blogs, e q se lixe!

Acho q esta foi a frase mais sensata, aposto q há-de haver alguém a concordar cmg e c/ razão.
(qual é o emoticon para a ironia?)

Até!.

Afixado por vague em 28 de julho de 2005, às 09:46

Ah! e tb penso antes. Muitas X's. Nada é impensado totalm/. Razão e emoção integradas - isso sim, seria o ideal, é o meu, pelo menos.
Fui.

Afixado por vague em 28 de julho de 2005, às 09:49

Isabel,

Sinto-me como tu.
Tenho estado nos últimos dias afundado em mil merdas que me mantiveram mais afastado do Afixe do que o normal.
Por isso, fui apanhado de surpresa com tudo isto, e sinceramente, ainda estou a tentar perceber o que se passou. Como estou tão a leste de algumas coisas que se passaram sem eu me aperceber, se calhar mais vale eu estar calado.
Um bom dia para ti!

Afixado por Bernardo em 28 de julho de 2005, às 10:12

Já somos três!
Bom dia!!

Afixado por M. em 28 de julho de 2005, às 10:16

Quando lidamos com abstracções é fácil ser justo e racional. Quando lidamos com pessoas (amigos, conhecidos, relações de trabalho, familia) e somos ou são injustos é o diabo. Marca a fogo e fica a ferida.

Afixado por Mário em 28 de julho de 2005, às 12:05

Isabel,
não sei responder às questões que colocas porque se calhar também fui educada na velha escola de lutar por causas e procurar ver o melhor que há em cada pessoa, esquecendo o resto.

Mas se queres que te diga, after all these years continuo a pensar que as pessoas são o melhor da vida.

Afixado por maria árvore em 28 de julho de 2005, às 12:11

Apropriado, sensato, sincero e lúcido.

Afixado por Explícito em 28 de julho de 2005, às 12:35

E a bold! Explícito à Presidência!

Isabelinha, estás à rasquinha, amiga? ;)
Já devias saber que os paninhos na minha mão arrefecem depressa. Deixa lá que eu assumo este papel que tão bem se me encaixa. Tu ficas para outras guerras, que estas, a mim, não me incomodam. E siga para bingo. Que tal convidar o nosso maior leitor, o Explícito? É que temos que ser doze ou isto explode em 24 horas.

Afixado por Monty em 28 de julho de 2005, às 12:42

Se vos dissesse que o almoço soube exactamente a um almoço entre amigos, estaria a faltar à verdade.
A vida continua, isto é apenas um blog. A vida continua lá fora e isto é apenas um blog.
Está tudo igual, lá fora, e isto é apenas um blog...Ok, reconheço. Nem comigo própria, às vezes, sou convincente!!!!

Monty, à rasquinha não será o termo. Dolorosamente desconfortável, seguramente. Não sou só eu que te conheço, tu também me conheces a mim. Paciência. Ou ainda bem?

Afixado por isabel em 28 de julho de 2005, às 15:57

O assunto é sérioo e eu não quis ser mal interpretado, e como contigo posso dar-me a esse luxo sem ficares chateada comigo coementei no meu sitio, de uma forma mais global.

Afixado por Daniel Arruda em 28 de julho de 2005, às 20:45

Vão ver o post/"coementário" do Arruda, rapaziada, é um must!

Afixado por monty em 28 de julho de 2005, às 21:51

Um pouco atrasada, mas há dias assim, queria deixar por aqui por um lado um sentimento semelhante ao da Isabel. Estas cenas deixam-me com uma terrível falta de jeito e sem saber porque ponta pegar. Quando entram emoções pessoais tão fortes fico um pouco envergonhada. E este é mesmo um novelo demasiado emaranhado para conseguir uma imagem clara. Mas, o mais importante, é que pelo que li aí pelos comentários pareceu-me que houve quem imaginasse que o Monty chaleira fumegante tomou esta decisão sem nos consultar. É completamente falso. Para me conseguir contactar até bem se esforçou que eu ontem estava “incontactável”… E também tenho conhecimento de que procurou ouvir a opinião de todos. Seria muito desleal se eu não viesse aqui dizê-lo. Uma coisa é o estilo usado, que foi o dele e por isso o post está assinado, outra é a questão em si e nessa ele esteve muito acompanhado. Podem acreditar.

Afixado por Emiéle em 28 de julho de 2005, às 22:56

Monty, já alguém te disse que quando tentas ser irónico ficas com ar de parvo???
Sabes há pessoas que nascem para a ironia, olha, os gatos por exemplo. Mas tu não és um gato, és um leão e um leão não é irónico, é duro, implacável e cruel. Sob pena de parecer capado e aí nem leão nem gato. É um rato, um ratito.

Sabes, tu quando queres ser irónico fazes as mesmas figuras do Alberto João. Só que esse já aprendeu e deixou de se-lo, agora é sempre a sério. Está na hora de também aprenderes. És sufecientemente inteligente para isso. Calculo que sim.

Um abraço fraterno para ti Montyzinho

Afixado por Daniel Arruda em 29 de julho de 2005, às 07:11

BlogRating online