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julho 12, 2005

(...)

Às vezes ponho-me a pensar e acabo por não pensar nada, que o meu curso de pensamentos é demasiado aleatório.
E depois há outros dias em que não penso em nada, até porque não estou em condições para isso, sinto o cérebro parado no meio do nevoeiro, e é nessas alturas que me parece que sinto, mais do que penso, alguma coisa importante, com significado, que não devia esquecer.
Mas mal penso isto o pensamento, ou a intuição dele, já se foi.
E a única coisa que fica é a recordação do pensamento e a impressão das sensações despertadas pelo que me rodeava no momento.
Deste fim-de-semana guardo um pôr do sol sobre o lago, com um daqueles céus enevoados que dão à água uma tonalidade meio metálica, brilhante e sombria, que me deprime e me enche o peito de ar, numa inspiração mais profunda, ao longe as montanhas ainda cobertas de neve, o ferry a chegar, dois ou três cisnes lá em baixo, ao pé da água. Mais uma quantidade de pensamentos inúteis, desses nunca me esqueço. E a sensação de que ele, o pensamento importante, está mesmo, mesmo ali, se me esforçar um bocadinho, se me concentrar, chego lá.
E agora acabo de me aperceber que a maior parte das minhas memórias, daquelas que ficam, são assim.
Uma espécie de coito interrompido.

Afixado por M. Butterfly em 12 de julho de 2005, às 09:10

Afixadelas

Bonito, M. Butterfly, um post que sabe bem ler.
Mas olha que não é bem "pensar" é antes "sentir". O que tu escreveste foi sobre sentimentos, ou a força dos sentidos.
Mas gostei de começar o dia assim.

Afixado por Zorro em 12 de julho de 2005, às 10:23

Obrigada, Zorro! ; )
Olha que eu nem sei bem se é pensar ou sentir. As duas coisas estão demasiado ligadas em mim para que eu as consiga distinguir muito bem. Qual domina num certo momento, qual influencia o outro, qual determinou uma determinada decisão... Muito difícil...

Afixado por M. em 12 de julho de 2005, às 10:45

Percebo bem o que queres dizer; eu também não consegui ainda discernir se aquilo que neste momento me ocupa é o que o teu post me faz pensar ou aquilo que me faz sentir. :-)

Afixado por susana em 12 de julho de 2005, às 13:30

Susana,
: )
A melhor parte é que acho que não importa.

Afixado por M. em 12 de julho de 2005, às 13:45

Pois, também acho: a emoção pode estar muito perto da sensação mas, para todos os efeitos, o sentimento faz parte do pensamento.:)

Afixado por susana em 12 de julho de 2005, às 13:49

Escreves tão bem, M. Tens um dom verdadeiro de conseguir descrever o que é difuso numa prosa poética que é um prazer ler (mesmo que o conteúdo deixe uma réstea de angústia).

Afixado por catarina em 12 de julho de 2005, às 14:05

Impossível separá-los, Susana. : )

Catarina,
um elogio assim, vindo de ti, até me deixa confusa...
Logo tu, a minha "ídola" da blogosfera! : )
Obrigada!

Afixado por M. em 12 de julho de 2005, às 14:27

M,desde que li o teu post que ando á procura do que me apetece dizer-te...creio que as palavras estão ali, mais ou menos no mesmo local, do pensamento importante.
Se me concentrasse...mas, então, arriscar-me-ia a perder o prazer...de te ler. Não arrisco.

Afixado por isabel em 12 de julho de 2005, às 14:37

Isabel,
: )

Afixado por M. em 12 de julho de 2005, às 14:49

Pois é, eu bem disse já, que vale a pena esperar pelos teus posts. Cá eu escrevo ao quilo, e depois não tenho este resultado...
Fico invejosa, M.
Vou reprogramar-me!
:)

Afixado por Emiéle em 12 de julho de 2005, às 15:14

Émiéle, só tu, rapariga!
LOL!
Não te ponhas com ideias, que nós queremos a nossa Émiéle exactamente como é!
Onde é que já se viu, reprogramar-se...

Afixado por M. em 12 de julho de 2005, às 16:20

Aquilo era garganta, que nessas coisas de "programas" o verbo não pode ser reflexo. Sou uma totó. Tinha de pedir ajuda ao compilador do Jorge Morais.

Afixado por Emiéle em 12 de julho de 2005, às 16:50

Emiéle,
reprograma-te primeiro, só depois é que podes ser compilada. Isto se a for uma linguagem que produz um código executável. Também podes reprogramar-te numa linguagem intepretável como o Prolog, que é interpretada durante a execução, evitando o processo de compilação (precisas apenas de um interpretador de Prolog). Podes ainda reprogramar-te numa linguagem Assembly, o que faz com que só precises ser assemblada (é um processo bastante mais rápido do que a compilação).

M.,
também sou como a Emiéle, não resisto aos teus posts.

Aliás, dos post femininos só não gosto dos da Gibel (ainda não percebi porque é que toda a gente diz o Gibel, será que pensam que... não pode ser...)

Afixado por Jorge Morais em 12 de julho de 2005, às 18:16

Pedimos desculpa pela interrupção. O programa segue dentro de momentos?

Afixado por sharkinho em 12 de julho de 2005, às 19:40

(Eu sei que o meu comentário acima não dá para perceber, mas achei que podia recorrer ao audiovisual para exprimir o meu ponto de vista...) :)

Afixado por sharkinho em 12 de julho de 2005, às 19:42

E olha que foi bem expresso (tipo visão optimista).

Afixado por susana em 13 de julho de 2005, às 02:37

Jorge, obrigada.
Mas olha lá, andas a candidatar-te a um segundo round de luta na lama?

Sharkinho,
segue sempre. Aliás, o problema é precisamente que não chega a finalizar... ; )

Afixado por M. em 13 de julho de 2005, às 10:54

Mas isso não é uma espécie de coito ininterrupto? :)

Afixado por sharkinho em 13 de julho de 2005, às 11:58

(Quando era puto e jogava às escondidas era sempre o primeiro a chegar ao coito - um, dois, três, tou livre!)

Afixado por sharkinho em 13 de julho de 2005, às 11:59

Demasiado coito não fará a pessoa sentir-se uma coitada?

Afixado por sharkinho em 13 de julho de 2005, às 12:01

Sharkinho,
nunca tinha pensado nisso...
Se calhar a minha vida é bem mais interessante do que eu sempre pensei. ; )

(Ainda bem que cresceste, pá!)

Demasiado coito só fará uma pessoa sentir-se uma coitada se o coito não for de boa qualidade...

Afixado por M. em 13 de julho de 2005, às 12:24

Sharky, isso não é pouco coito? A coitada, quero dizer?

( E isso era bom, não?)

Afixado por isabel em 13 de julho de 2005, às 12:24

Belíssimo texto. :)

Afixado por Gejfin em 13 de julho de 2005, às 13:50

Luta na lama, com a Gibel? Não, ela não gosta de estragar as unhas...

Afixado por Jorge Morais em 13 de julho de 2005, às 14:40

Pois, Isabel, acho que o nosso Shark confundiu um bocado as coisas...
(Agora essa, não percebi... O que é que era bom? Chegar ao coito?)

Gejfin,
Obrigada!!

Jorge, fico encantada com a nobreza dos teus sentimentos...

Afixado por M. em 13 de julho de 2005, às 15:30

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