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agosto 23, 2005
Desemprego
O desemprego é das tais hidras com muitas cabeças, e há a tendência a sentir que a cabeça que morde mais é aquela que conhecemos de perto. Há o desemprego para onde se é arrastado porque a empresa faliu ou decidiu mudar-se para outras paragens e, trabalhadores em plena maturidade, com família, com encargos, vêm-se de repente a viver um pesadelo de não saber como vão pagar a renda da casa, ou as refeições dos filhos. Há também o desemprego dos mais idosos, que muitas vezes são despedidos porque já não rendem tanto, ou a firma muda de donos, e não conseguem arranjar ocupação - os novos patrões consideram que eles são muito velhos. E é quando mais precisam de ganhar alguma coisa, porque muitas vezes já andam doentes, e só em farmácia é um balúrdio.
Mas temos também o desemprego jovem.
É um dos mais aligeirados, porque não tem a carga destes que acabei de citar. Mas terá outros sinais também muito maus! É o estrear a sua vida de adulto com um fracasso. É o terminar uma formação, muitas vezes com dificuldades, e ver o deserto à sua frente. É o habituar-se a “não fazer nada” ou a recorrer a expedientes. É o ter andado a estudar, muitas vezes entrando em áreas onde o acesso era difícil, para depois recorrer a empregos temporários com funções que não têm nada a ver com a sua formação.
E depois, se reclama, ouvir a frase que parece um eco, “se fosses só tu” e isto acompanhado de um encolher de ombros. Como quem diz, “é uma fatalidade, mas conforma-te, porque há muitos no mesmo caso”
Lá isso há! Em Portugal está acompanhado por 16% dos desempregados. Grande companhia.
Afixado por Emiéle em 23 de agosto de 2005, às 10:39
Afixadelas
Belo texto, "linda" foto fj.
Afixado por FJ em 23 de agosto de 2005, às 11:03
Obrigada, FJ.
Os meus posts mais engagés assustam um bocado os comentadores... Sem ti ficavam em branco. Mas a verdade é que há assuntos que me preocupam, e não posso deixar de o dizer.
Afixado por Emiéle em 23 de agosto de 2005, às 13:41
Òh EMIÉLE, que ingratidão! Estou sempre muito atento ao que escreve! E sobre essa problemática do desemprego tenho-o na minha própria casa, porque tenho uma filha que ainda estuda mas, um filho que está efectivamente desempregado e não se vislumbra solução a curto prazo. Ainda bem que ele tem os pais que enquanto andam por cá lhes vão dando de comer e vestir!
Afixado por soslayo em 23 de agosto de 2005, às 14:49
Soslayo, cheínho de razão!!!
Fui mesmo uma ingrata! :(
Tenho até, em conversa com a Isabel, dito que mesmo que ninguém ligue ao que escrevemos, temos sempre o Soslayo a dar-nos apoio... É verdade, sim senhor!!!
E eu também estou mais sensibilizada a esse problema da dificuldade do 1º emprego por ter um familiar a debater-se com ele. É uma situação tramada, porque não se pode estar toda a vida dependente dos pais... E desmoraliza muito, para além de tudo.
Afixado por Emiéle em 23 de agosto de 2005, às 15:14
eu estive desmpregada um ano... cheguei a trabalhar de graça. tava tão farta de estar em casa que um dia peguei no curriculo e no diploma e, em vez de procurar trabalho, fui dar explicações a miudos carenciados.
não há nada pior do que sentirmos que a sociedade não precisa de nós para nada. sem trabalho dou em doida e os meus pais já não me podiam aturar.
adorei o trabalho com os putos e o currículo ficou muito mais bonito :)
Afixado por zuja em 23 de agosto de 2005, às 17:41
Zuja, a tua frase diz tudo: «não há nada pior do que sentirmos que a sociedade não precisa de nós para nada»
Acho que está tudo dito! Para além do problema económico, é essa sensação de "rejeição social": Então, afinal...não precisam de mim...?
Disseste-o muito bem.
É isso mesmo.
Afixado por Emiéle em 23 de agosto de 2005, às 19:49
