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agosto 20, 2005
Era apenas isto que eu queria...

Ontem à noite saí para jantar fora. A intenção era ir à Trindade comer um daqueles bifes óptimos para a saúde com muito molho, onde se pode comer muito pão e beber muita cerveja. Quando chegámos à minha cervejaria (e, apesar do serviço que muitas vezes é muito pouco profissional e nada amistoso, aquela é a minha cervejaria) estava completamente cheia, com uma fila que saía da porta.
Uma das minhas amigas mais impacientes e a quem doía um pé, propôs que fossemos a outro lado.
Rumámos para o Bota Alta. Que estava cheio e com uma fila até à porta do vizinho.
A minha amiga disse que o pé não parava de doer e que há anos costumava frequentar um restaurante onde se servia uma paella muito boa.
O meu filho e a filha dessa amiga que nos acompanhavam estavam a começar a ficar algo impacientes com fome e decidimos aceitar a sugestão da paella.
Quando entrámos à porta começou o filme de terror.
Em cima do balcão, dentro duma fruteira (?) três bananas com ar de sofrerem de doença incurável, não paravam de me olhar. Chamei a atenção, aos meus amigos, para o aspecto das ditas, ainda antes de chegar a ementa, mas recebi um coro de e entãos.
Fiquei caladinha. Quando a ementa chegou o sr. disse-nos que a Paella levaria mais de uma hora a fazer. Olhámos uns para os outros e decidimos pedir outra coisa. Como tem tudo a ver com paella, eu e o João Pedro pedimos uma carne de porco à alentejana.
Entretanto já tinha chegada a sangria. Nunca tinha visto grãos de café numa sangria mas alguém me disse que era sofisticado (!!??).
Quando os pratos começaram a chegar, começou a ficar tudo um bocadinho para o amarelo. O que era aquela coisa que acompanhava as costeletas, perguntava um. Onde á que andam as batatas das iscas, questionava-se o outro.
O meu prato demorava e, entretanto, eu não conseguia tirar os olhos duma "mousse de chocolate" que estava dentro duma taça. O ar de cimento era-me familiar, apesar de não lhe reconhecer a cor.
Quando, finalmente, a carne de porco à Alentejana chegou, foi o fim. Aquilo sabia a um sabor novo, esquisito, enjoativo. O meu filho olhava para mim e encolhia os ombros. Dei a toda a gente a provar até que alguém disse "Isto é erva doce…!!!" Erva doce? Na minha carne à Alentejana? Mas, o pior, ainda nos estava reservado. Em vez de amêijoas aquela coisa vinha acompanhada de três mexilhões. Ok, pensei, se estive quatro dias na Bélgica e sobrevivi, devo aguentar estes. Mandei-me para o primeiro mexilhão. Não abria. Pedi reforços. Não abria. Finalmente um colega mais forte e encorpado abriu o gajo. Que estava cru. Completamente cru...os outros, pedi para não tentarem.
Chamei a menina que nos servia e perguntei-lhe que prato era aquele. Entretanto o meu filho só dizia "Mãe, tem calma" e eu dizia "Claro que tenho..." A sra. respondeu "O que a sra pediu" "OK, mas o nome" "Carne de porco à Alentejana" "Isto é carne de porco à Alentejana? onde é que estão as amêijoas? E os coentros?" "Aqui...ah, tem razão, são mexilhões" "E estão crus!" "Ah, tem razão e estão crus..." " E os coentros?" "Nunca usanos coentros...""E está doce…" "Ah, mas isso é normal, a cozinheira é estrangeira e gosta de pôr erva doce e canela nos pratos...".
A menina afastou-se, sem me perguntar se queria trocar por outra coisa, sem um pedido de desculpas, uma palavra. Perguntei ao João Pedro se conseguia comer aquela mistela. Disse-me que achava que não.
Fim da história: pela primeira vez na minha vida, agora com esta provecta idade, decidi sair dum restaurante sem comer nem pagar a conta. Chamei a menina, de novo, e disse-lhe que queria pagar a coca cola , o queijo e o pão. "E o resto?" perguntou. "Arranja-me carne de porco à Alentejana?".
Combinei com os meus amigos que nos encontraríamos um pouco mais tarde e fui com o João Pedro comer duas tostas mistas cada um, ele bebeu coca-cola e eu imperial. Tivemos direito a esplanada e tudo. Quando nos encontrámos, mais tarde, os meus amigos vinham todos com ar de doentes. Nós os dois estávamos satisfeitos e felizes. Recebi uma chamada há pouco dum deles que diz que está mal dos intestinos. Respondi-lhe que é o resultado de não saberem ser intolerantes. Nestas coisas, as únicas assevero-vos, eu sou. Aprendi a ser. Não saio de casa para jantar fora para me darem carne de porco à Alentejana doce e com mexilhões crus. Não pactuo com faltas de qualidade e de profissionalismo, nem com espertezas saloias. Há unos anos, deveria andar aqui, hoje, a correr para a casa de banho. Hoje estou aqui satisfeitíssima com as tostas mistas.
Não me lembro o nome do maldito restaurante. Sei que fica no Príncipe Real e que diz que é especializado (???) em paella. Pela vossa rica saúde, não entrem.
Afixado por Isabel em 20 de agosto de 2005, às 11:54
Afixadelas
"Quando chagámos a minha cervejaria".
É bom ver um cliente que sabe o que vai fazer à sua cervejaria favorita.
Eh! Eh! Eh!
Afixado por Santa Cita em 20 de agosto de 2005, às 13:03
Foi apenas falta de pontaria...que gaita, ainda só é meio dia...se soubesses os que já emendei, depois de publicado...Sábado, fim-de-semana, calor...obrigado.
Tenho que lá ir emendar...não ficas triste, pois não...é chato andar a chagar cervejarias...
Afixado por isabel em 20 de agosto de 2005, às 13:15
Não se diz meio-dia.
Isso é só de semana!
Em férias ou fim-de-semana diz-se doze horas da madrugada!
Afixado por Santa Cita em 20 de agosto de 2005, às 14:13
Ok, com esta venceste-me...
são quinze horas e trinta e seis minutos da madrugada e acabei agora de almoçar...não tinha canela, nem mexilhões crus...a partir de agora, achas que já posso começar a falar em 4 da tarde, 16 horas...ou será melhor que me quede (ist'é p'ra saberes...) por aqui...e vá dormir a sesta???
Afixado por isabel em 20 de agosto de 2005, às 15:29
Tadinha, Isabel. Tadinha, tadinha.
Ia para te contar o meu almoço no Marvão, que foi sensacional, o conteúdo do prato e a vista do restaurante, mas agora já nem digo nada...
Mas para mim a atitude tem de ser essa; porta fora sem pagar. E eles tinham de ter livro de reclamações, que também ajuda a desabafar!!!
Porque a malta vai aceitando tudo, e deixa de haver limites.
Afixado por Emiéle em 21 de agosto de 2005, às 22:17
