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agosto 31, 2005
BlogDay2005
As minhas recomendações BlogDay2005:
- In-cool-2-much
- umblogsobrekleist;
- Casmurro;
- Pombo Incontinente & Piriquita Indigente ;
- Galeria dos Horrores
Afixado por afixe às 23:03 | Afixadelas (0)
Títulos para posts
Rosas para Soares - claro que nós é só a brincar;
Rosas para Soares - não há que ser nem parecer;
Rosas para Soares - será que a esta posso bater palmas?;
Rosas para Soares - porque é que me escolheram a mim?;
Rosas para Soares - isto elimina-me da corrida! Raios!;
Rosas para Soares - já não há decência;
Rosas para Soares - o nosso campeonato é outro;
Rosas para Soares - mal por mal deixamos já um ovo nesta cesta;
Rosas para Soares - pode ser que as contas te saiam furadas e te lixes;
Rosas para Soares - um presente envenenado?
Afixado por afixe às 21:56 | Afixadelas (0)
Soares já foi fixe
Ouvi atentamente, parte na rádio, parte na televisão, a entrevista de Mário Soares ao emprego a que, na flor da idade, se vem agora candidatar. Enquanto ouvia na rádio, e até ser elucidado que os vazios de som eram problemas do microfone, cheguei a temer seriamente pelo futuro desta candidatura.
Pagode à parte, fiquei seriamente preocupado!
Previamente: fiquei arrepiado com um tipo de sorriso na face do Infante João Soares, espécie de trejeito que que não consigo aqui descrever, mas que me fez pensar em alguém que está a pensar “I’m next”, e que me colocou os genes Republicanos aos saltos.
Pagode à parte, fiquei seriamente preocupado! (parte II)
Desde logo, porque não percebi exactamente a que cargo se pretende o senhor candidatar, sendo certo que acerca da figura do Presidente da República, e no que tange ao papel a desempenhar por tão distinta figura, não se ouviu uma única palavra de jeito, para além das banalidades de circunstância: "magistratura de influências", patati-patatá.
Um coisa ele deixou bem clara, é o candidato do vazio. Só avança porque mais ninguém da área da esquerda, digno de relevo, na óptica dele, se adiantou. E imbuído de uma espécie de espírito patriótico-sebastianista, de carácter decadentista e saudosista, empurrado pelo vácuo, resolveu, ele próprio, avançar.
Discurso perigoso aqui e acolá, falacioso q.b., apontando os problemas da pátria, sem esclarecer os pobres de espírito que jamais a solução dos mesmos passará por um presidente que, neste tipo de sistema, pouco mais faz que murmurar (flagrantes santanistas não aparecem todos os dias).
Discurso que deve ter preocupado José Sócrates, uma vez que o cargo em disputa parecia ser, ali, o de Primeiro-ministro e não o da espécie de Rainha de Inglaterra que em Portugal é corporizado pelo PR.
Se a idade do candidato já me suscitava dúvidas, e quanto a isto nem os 81 anos de Norton de Matos em 1949 lhe podem valer, o discurso do candidato e o acervo de banalidades que o obrigaram a dizer (provavelmente o sistema, provavelmente Dias da Cunha) preocupam-me muito mais.
É um candidato dum tempo que já não é o nosso. As ameaças à democracia não vêm agora das Berettas a que ele está habituado, sejam as dos fascistas, sejam as dos comunistas.
Em suma, a candidatura de Mário Soares, espécie de vingança contra o país por haver permitido que Paulo Portas não tenha reconduzido Maria Barroso na presidência da Cruz Vermelha Portuguesa, só agudiza a minha preocupação sobre a irreversibilidade da crise em que o país está afundado. Uma última palavra para dizer o óbvio: as expressões "Ousar Vencer" e "Unir os Portugueses" não querem dizer absolutamente nada.
Voto Cavaco, obviamente. Por tudo e mais umas botas, mas particularmente porque penso que este poderá exercer o mandato por forma a alertar o vácuo pensador da necessidade de consolidar a República via avanço para um sistema presidencialista, em quê Deus-Pare-de-Salvar-a-Rainha, num chove não molha para inglês ver, que só serve para renovar os aventais de plástico de campanha das carpideiras portuguesas.
Termino com as sábias palavras do candidato antes de o ser, acerca da hipótese ora tornada realidade: "Eu acho que isso seria um erro brutal! Não pode ser!"
Efectivamente! Sendo certo que o facto de a esquerda não ter desencantado um outro candidato à altura não torna o erro menos brutal - lógica pura...
Afixado por afixe às 19:56 | Afixadelas (18)
À porta do Altis

A UNIÃO FAZ A FORÇA

Contra o plebeu Cavaco. A Bem da Nação.
Afixado por Gibel às 19:32 | Afixadelas (5)
Afinal, eu é que sou o candidato, ó poeta!
"Não tem sentido, isso seria uma coisa sem sentido" - Mário Soares, aqui há uns meses, sobre a sua própria candidatura.
"Claro que se o Manuel Alegre avançar terá o meu apoio" - Mário Soares, aqui há uns meses, sobre a candidatura de Manuel Alegre.
Afixado por afixe às 15:01 | Afixadelas (7)
Lição de álgebra aplicada e lógica invertida.
Na vida, o quadrado da hipotenusa nunca é igual à soma dos quadrados dos catetos.
Logo, a vida é um triângulo esquisito.
Afixado por M. Butterfly às 13:11 | Afixadelas (5)
Interlúdio...
Como desde logo avisei o Monty e o Gibel, vou agora passar (ossos do ofício) uns meses em Israel e/ou por ali – sim, é verdade, a viagem é paga por muitos de vocês, contribuintes (e eu agradeço). Não faço ideia das condições que por lá vou encontrar e, portanto, não me posso comprometer, para gáudio de muitos e desespero de alguns, com qualquer tipo de periodicidade de postagem. Para já, e até ver, se bem imagino o sítio onde me vão colocar, a minha frequência no Afixe vai ser igual à de quem bate à porta que infra vos apresento (BATAM à PORTA, CARAMBA, QUE ME DEU IMENSO TRABALHO DESCOBRIR ESTE TRUQUE). Porém, assim que tiver oportunidade, estarei com vocês, em directo, da Cisjordânia (valha-me Deus) ou alhures (queira Deus)!
Até mais ver...
António Albino Aiello
Afixado por às 03:18 | Afixadelas (3)
O Dhikr...
... é uma prática islâmica, mais concretamente sufi, de oração repetitiva e ritmada. O dhikr consiste na repetição sincronizada, feita por várias pessoas em simultâneo, do nome de Allah ou de uma das suas variantes.
Escutar a recitação de um dhikr é uma experiência única. Dos poucos que ouvi, gostei especialmente deste, que se chama Dhikr Kalwati (aqui dirigido pelo shaik Nazim, da tariqah Naqshbandi). Nesta gravação escutamos, durante muito tempo, a repetição da palavra allah em escalas descendentes.
O dhikr, mesmo sendo uma prática sufi (e portanto inserida na tradição islâmica) é perfeitamente análogo aos mantras hindus e a outras orações de tipo ritmado que se encontram em várias tradições espirituais pelo Mundo fora.
No cristianismo oriental, de tradição ortodoxa, encontramos algo de semelhante na prática do hesicasmo, a repetição ritmada do nome de Jesus. De forma mais ou menos ostinata, encontramos em quase todas as religiões conhecidas algum tipo de oração repetitiva. A prática da oração repetitiva é vista por muitos ateus e agnósticos como uma forma de inebriar massas de crentes ignorantes. Uma tal opinião é, ela mesmo, uma grosseira manifestação de ignorância. O que já é mais espantoso e grave é encontrar, nos dias que correm, crentes que minimizam a importância da oração (o que sucede muito no catolicismo moderno), ou que parecem não dar qualquer relevo a orações repetitivas ou ritmadas, sinal de que já lhes escapa o sentido profundo da importância do ritmo e do som na actividade espiritual.
Sigamos Guénon:
«(...) a [repetição da] palavra dhikr, que, no esoterismo islâmico se aplica a fórmulas ritmadas que correspondem exactamente aos mantras hindus, (...) tem por objectivo produzir uma harmonização de diversos elementos do ser, e de determinar as vibrações susceptíveis, pela sua repercussão através da série de estados, em hierarquia indefinida, de abrir uma comunicação com os estados superiores, o que aliás, de forma geral, é a razão essencial e primordial de todos os ritos» - René Guénon, La Langue des Oiseaux, artigo publicado em Le Voile d'Isis, Novembro de 1931.
Afixado por Bernardo Motta às 01:17 | Afixadelas (15)
agosto 30, 2005
Só cá faltava este
Coitado do Veiga. Tanto trabalhinho para arranjar um jogadorzeco a ver se os sócios param de o arreliar a ele e ao Treinador, e na mesma data o Afixe fecha a contratação do promissor e acutilante Jon. Ah Veiguita, lá se foi o protagonismo (se quiserem acentuar o 1º "o" à Jaime Gama, estão à vontade). Em comparação com o autor destas sábias palavras, o Karakoiso é lá transferência que se mostre!
Acho que é da praxe haver apresentação e tudo e tudo....eu sou o Jon, e até ver é informação mais do que suficiente a meu respeito.
Vinha eu cheio de ganas de fazer 1 entrada elefantesca a partir a porcelaninha toda e deparo com um cenário escaqueirado, que faz a passagem do (da ?) Katrina em Biloxi parecer 1 sopradela de pita nas velas do bolo no seu sweet sixteen... (cocktail de parábola e aliteração, que é mesmo só pra verem o domínio das figuras estilísticas). Nem dá vontade de maltratar ninguem. Adiante !!
Parece que a partir de agora é suposto eu ter muitas opiniões controversas e mandar bitaites pertinentes à propósito de tudo e todos. Bem podem encostar essas peidolas à cadeira e esperar sentados. (Ler blogs em pé também é um bocado estúpido). Não esperem grande produtividade nem Eurekas virtuais, que daqui não deve sair nada de jeito e é da maneira que ninguem fica decepcionado.
Atendendo a que o clima por aqui aparenta não estar para grandes graças, dou por terminada a minha primeira vez, com a convicção de ter contribuido significativamente para o apaziguamento da inquietude que em tão delicado momento corrói a confiança dos nossos fregueses na manutenção do nível a que o Afixe a todos habituou. Comigo a aphixar, é certinho que isto não dura muito tempo.
Só mesmo para acabar e sem me querer alimentar desavenças alheias, aquela de expulsar o Monty era capaz de não ser má ideia...
Afixado por Jon às 22:51 | Afixadelas (3)
Posto de Escuta

Christophorus, ópera em dois actos de Franz Schreker, que o III Reich mimou com o adjectivo de compositor "degenerado", apesar de unir a opulência Wagneriana com a inspiração folk de Brahms. Também há um toque sincero de cromatismo Wolfiano mas não quero maçar os leitores com estas divagações...vou só aumentar o som.
António Albino Aiello
Afixado por às 22:50 | Afixadelas (2)
O AFIXE FEITO PELOS LEITORES DO ABRUPTO: MONTY PÓCHILE!
Eu faço parte do vasto grupo de comentadores do Abrupto que quer fazer o Afixe. Sempre quis ter um blogue muito visitado e tentei comprar o Abrupto, que é, segundo o Querido, como o Maistre o chama, e apesar de tudo, "um blogue influente (...)" que "(...) tem capacidade de aglutinar energias, como se viu recentemente no caso Ota". Porém, o Abrupto tem os comentários fechados e eu não os sei abrir. Não gosto de blogues sem comentários, porque, de alguma forma, acho que se um gajo comentar muito, muito e mais ainda, o blogue passa a ser nosso. Aqui o Afixe, no qual comento assiduamente desde que me lembro de ser gente, com o nick “Rosa Profunda, Ó Minha Flor Doirada”, é o local indicado para vir a ser só meu, só meu. Muéééé! Ora, graças à quantidade enorme de comentários que já por aqui fiz, possuo, seguramente, 1 não-sei-quantos-avos do blogue e, assim sendo, declaro, por unanimidade, a expulsão do terrorista Monty. Já me perguntei várias vezes, e como não confio em mim, cheguei a impor o voto secreto, e a decisão foi clara: o Monty deve sair. Porém, e embora já o tenha informado desta minha decisão, o gajo recusa-se a sair. Que fazer, Maria, perdão, Aiello?
(David Arroios de Castro e Cunha)
Cito um post de um leitor do Abrupto aqui no Afixe.
E muitos perguntarão: Sendo assim, porque não vai a Sevilha dar uma volta de Caleche? Ou, já agora, porque não vende a sua participação neste blogue? Não está explícita no post, mas a resposta é simples: Porque não consegue. Como diz Pacheco, o Pereira, “Pode aparecer-lhe um promitente interessado em lá se instalar e adquirir courelas adjacentes a outros fragmentados proprietários, de modo a obter uma área mínima viável” em termos expulsão do mau em que o Monty se transformou. E acrescenta Pacheco, o Pereira ”Mas então uma fiada de óbices, desacertos de registos e matrizes, requisitos notariais, bitolas de conservadores e ajudantes, enquadramentos legais contraditórios se juntarão ás dificuldades de entendimento dos detentores dos avos, herdeiros e procuradores... quando se encontram.”. Entendo que seja descoroçoante ver um gajo entrar por aqui, assim como o Monty fez (o gajo só cá está há praticamente pouco mais de 16 meses, a dar o coiro, diariamente, pelo blogue, a procupar-se, duas, às vezes três vezes por dia, com a administração do que não se vê) e a destruir o blogue desta forma impiedosa. Eu proponho que se faça uma petição online para expulsar o Monty do Afixe e mandá-lo, sei lá, para um país Muçulmano, tipo Chile, obrigá-lo a comer chamuças até-até e depois mandá-lo para o metro de Londres a dar traques até ser assassinado com oito balas na cabeça. E não se esqueçam: O António Albino Aiello tem sempre razão!
Ah, já agora, e porque sempre quis dizer isto: "O Bóbi não tem por isso qualquer valor como cão" e mais: "sobre essa questão não posso tecer comentários"
(P.S.- O desenhito do tarolas a apontar com o fura-bolos para a testa é dum leitor do Afixe que deseja manter o anonimato)
António Albino Aiello
Afixado por às 16:56 | Afixadelas (2)
Miguel ameaça entrar para o Afixe
Segundo Aiello pôde apurar, Miguel, ex-jogador do Benfica, actualmente no Valência, ameaça entrar para o blogue se o ambiente não melhorar. Caso Miguel concretize a sua ameaça, Aiello deixaria de ser o membro mais novo, o que muito lhe agradaria – ainda há pouco Aiello deu um estalo num homofóbico que o apelidou de membro mais novo (reparem na alusão subtil e propositada do estalo ao homofóbico - o que faz de Aiello um gajo que dá estalos a homofóbicos, é fixe, né?)
O mail do Miguel foi deveras surreal, confessa Aiello, mas, de uma forma geral, são giros os bastidores do Afixe. Ontem, um velho amigo do Monty e do Gibel, e, mais que tudo, amigo do Afixe, mas que ainda não revelou se quer ou não manter o anonimato, apanhou-os neste preparos...
Parece que estavam a discutir de haviam ou não de linkar este site.
Eu, quer dizer, Aiello, que entrou ontem, está a divertir-se à brava, como devem imaginar. O pessoal tem-no incentivado muito, não se deu por qualquer comentário depreciativo por parte dos comentadores, que mandam imensas postas de pescada, como se tivessem quotas cá na casa – se calhar até têm e ninguém disse nada a Aiello – e o saldo é bem positivo. Pelo menos ainda ninguém bateu em Aiello.
Aiello rests! (quisto de falar à jogador de futebol cansa, e ainda tenho de ler as centenas de cartas dos leitores para a rubrica “O AFIXE FEITO PELOS LEITORES DO ABRUPTO”)
António Albino Aiello
Afixado por às 14:38 | Afixadelas (1)
AB©ity
Num blogue perto de si...

Susana Plain, era a morena fatal de AB©ity. Trocava promessas por valores sólidos. Intriguista, oportunista e perigosa, eram alguns dos adjectivos que lhe assentavam que nem uma luva. "Web-C" Dário, há muito que a observava. Diz-se em AB©ity, que em tempos tiveram um "caso". Bem,...isso foi no tempo em que as letras falavam. AB©ity, estreia a 25 de Setembro, num blog perto de si.
Afixado por afixe às 11:00 | Afixadelas (0)
O AFIXE FEITO PELOS LEITORES DO ABRUPTO
Brevemente...
António Albino Aiello
Afixado por às 10:55 | Afixadelas (0)
Asas
Prometo (que é como quem diz: Juro) que vOs compeNsarei pelas saídas anunciadas. Sendo certo que ninguém pode substituir a Isabel, já o outro...
Entretanto, já temos vencedora para o Prémio "é desta que o Afixe vai ao buraco". Chama-se ana azul rosa nocturna (acho que não é nick) e foram delas as sábias palavras para o Aiello: "conseguiste lixar o blog, lindo funeral!!!!" . O prémio é: um homem! Isso mesmo! Um homem para te acalmar!
PS - Depois desta pausa, volta amanhã o Afixe em emissão regular. Saia quem sair!
Afixado por afixe às 00:55 | Afixadelas (16)
agosto 29, 2005
Eu também hei-de sair...
E quando isso acontecer hei-de ir para aqui, para esta "coisa", na Quarteira (notem a Mona Lisa Loira).
E depois hei-de vos cobrar bilhetes a todos, para me verem bater com a caneca nas grades. Entretanto, estou estupefacto pelo facto de ainda ninguém ter aparecido a dizer que é desta que o Afixe vai ao buraco! Alvíssaras para o primeiro, que fica sempre bem em qualquer crise - para mais tarde recordar...
PS - Esqueci-me de dizer que esta foto não é do Sharkinho!
Afixado por afixe às 23:45 | Afixadelas (2)
O FIM ANUNCIADO
Da minha participação neste blogue confirma-se hoje.
Obrigado pelo tempo que me concederam.
Um abraço do tubarão.
Afixado por sharkinho às 23:18 | Afixadelas (8)
Até sempre
Há momentos para tudo na nossa vida. Momentos para sair com os amigos. Momentos para dançar com os nossos filhos. Momentos para nos rirmos. Momentos para chorarmos. Momentos para ser dura. Momentos para ser terna. Momentos para optar. Momentos para lutar por causas e outros, apenas (?), para lutar por afectos. E para vivê-los.
E momentos para fazer posts. Ou para não fazer.
Há momentos em que nos sentimos em casa. E momentos em que uma casa deixa de ser a NOSSA casa.
Gostei muito dos meses que aqui passei. Vim por um convite do Monty e conheci aqui pessoas fantasticas. Criei laços. Fiz amigos. Que quero manter. Mas, neste momento, não sinto que esta seja a minha casa. Os motivos, sabem-nos quem os deve saber: os meus colegas aphixadores. O respeito que os meus leitores e comentadores me merecem nunca permitiria que esses motivos viessem parar à praça pública.
Tenho uma campanha eleitoral para fazer, tenho amigos para encontrar, o meu filho para amar, paixões para curtir, vida para viver. Com a mesma força e entrega que o fiz, aqui dentro, nos últimos meses, está na hora de fazê-lo lá fora. É tempo de mudar de ares. Há valores muito mais altos que um Blog. Mesmo que esse Blog seja o Afixe. Até sempre. A gente encontra-se por aí.
Afixado por Isabel às 17:35 | Afixadelas (26)
OS DEZ MANDAMENTOS DA BLOGSFERA

1- Há que linkar, linkar sempre. Começando pelo óbvio mas sem grandes hipóteses de retorno, como o Pacheco, e acabando em malta simpática que até costuma dar troco a qualquer indigente que lhes bata à porta. Linkar e citar muito dá-nos a ilusão de que um dia, um dia, alguém com "nome" há-de reparar no nosso imenso talento e retribuir o favor.
2- Acima de tudo, muito cuidado com o nick que se escolhe. Usar o próprio nome pode ser coisa de gajo com tomates, mas não se compara a tretas eminentemente poéticas como "Luna", "Anazul" ou "Rosa Nocturna". Agora uma merda como "António Albino Aiello"… francamente: nomes cacofónicos e pindéricos destes é que não.
3- Nunca se contradiz os malucos. Na mesma onda de rosada tolerância, temos de fazer de conta que a bichice é um estilo de vida que até recomendaríamos aos nosso filhos.
4- Nunca se contradiz gajos convencidos que são o novo Fernando Pessoa. É mesmo de bom tom concordar com os alucinados que encontram naquelas cretinices salpicadas de advérbios de modo e de verbos mal conjugados textos "arrepiantes", "fantásticos", "de tirar o fôlego" e patacoadas similares.
5- A política só nos deixa dois nichos na blogosfera: ou temos posições definidas e coerentes ou fingimos que estamos acima desses temas rascas e tão pouco poéticos. Citar notícias ou criticar o Cavaco não é digno de um blogger distinto. Mas se tivermos mesmo de escolher um lado, a Direita é o que está a dar nos dias que correm.
6- Não é preciso ter algo a dizer para postar. Quem acredita no oposto nunca chegará a lado nenhum na blogosfera. Aliás, não faltam por aí blogues de sucesso a demonstrar a validade deste Mandamento.
7- Tal como a paneleirofobia é um claro no-no, dizer mal dos judeus assassinos que governam Israel ou dos ladrões árabes que enterram a Palestina também não é grande estratégia de sobrevivência. O mesmo vale para críticas à ICAR, aos Moons, ao PCP, à IURD, etc. Devemos ser tolerantes, sobretudo com os maiores crápulas deste lado da galáxia: os chefes das religiões organizadas.
8- Devemos sempre fazer de conta que esta senhora não é totalmente desinteressante e que excêntricos como este senhor têm montes de pilhéria. Claro que todos são muuuito mais substanciais do que aparentam; se não lhes achamos piadinha nenhuma, o defeito só pode ser nosso.
9- É imperativo fazer de conta que a blogosfera não está claramente dividida em 3 escalões: a Superliga, onde navegam os blogues muito citados pelos media, por vezes contendo opiniões novas e relevantes; a divisão de Honra, onde circula malta que até escreve bem e tem ideias no sítio mas ainda carece de "nome" q.b. ; as Distritais, onde se acumulam trastes pseudo-poéticos em aterros sanitários cheios de ridículos recadinhos para os amigos e de opiniões bacocas que não interessam nem aos autores.
10- O António Albino Aiello tem sempre razão.
António Albino Aiello
Afixado por às 16:17 | Afixadelas (25)
Passagens
Existem várias teorias sobre o momento em que uma pessoa afectua a passagem para a idade adulta e provavelmente cada um terá a sua e assinalará esse momento para si próprio de acordo com ela.
Para mim, o que foi marcante foi o momento em que percebi que a idade adulta não existe.
Não existe nenhum momento mágico em que deixamos de ser crianças e passamos a ser adultos, nenhuma epifania pela qual subitamente compreendemos o mundo de forma diferente, em que deixamos de ter dúvidas.
Ou seja, senti que me tornava adulta (de acordo com os meus padrões anteriores), quando percebi que nunca ia deixar de ser uma criança (pelos meus novos padrões). E quando isso deixou de me incomodar – esse é que foi o momento fundamental.
Isto posto assim parece confuso, paradoxal até, mas garanto-vos que faz perfeito sentido.
Afixado por M. Butterfly às 16:03 | Afixadelas (5)
Até sexta-feira !
Vou de novo de passeio.
É a segunda vez, nestas férias. : )
Como vou passear, durante uns 3 ou 4 dias não faço a menor ideia se terei tempo para passar pelo Afixe ou não. Logo se vê.
Mas estou muuuito bem disposta. Vão-me saber lindamente estes dias, junto de pessoas muito, muito amigas, mas com quem estou só de ano a ano. E mais uma vez, vou andar pelo Alto Alentejo.
Vamos ver se consigo dar um saltinho cá, de vez em quando.
Mas na dúvida: Até sexta!!
Afixado por Emiéle às 09:42 | Afixadelas (5)
My name is Alho. Tóni Albinalho.
Sem paciência nenhuma para estas tretas de blogues, mas no meio de uma bebedeira com os meus amigos dos escuteiros e do MCE, Gibel e Monty (a atenção com que eu vou ter que estar para os chamar por estes nomes apaneleirados - eles não se chamam assim, sabiam? - que cena é esta dos nicks?), dizia, bebedeira, há mais de um ano, tá-tá-tá-blogue-ok-vamos-a-isso-quéqué-um-blogue?
Depois, mudei de poiso e fiquei sem net. Nestas férias, em pleno alambazanço e novamente com os copos, perguntei ao Monty (maricón) se o convite estava de pé. Que sim, pois claro, então não (um bocado a medo, se bem o conheço). Na altura, há mais de um ano, não era para ser tanta gente a articular e o blogue era para ter só 100 visitas ou iria implodir. Vejo agora o monstro que criaram.
Amigos aphixadores (com ph e tudo), não levem a mal esta intromissão naquilo que é vosso. Ao menor deslize ponham-me a andar - de resto, segundo me foi dado a saber, não seria a primeira vez (erro de casting, Monty e Gibel, né? Não era para dizer, ó porra!).
Bem, até me porem com dono, que parece que este blogue é um stress com o Monty por cá, vou tentar partir a puta da loucinha toda (o gajo acabou de me mandar agorinha mesmo a password e vou proveitar até ele a mudar). Ando algures entre o fascismo beato e o comunismo religioso (qualquer coisa está bem, desde que seja eu a mandar). Não tenho metade da paciência do pateta do Monty ou do coração mole do Gibel para aturar gente medíocre.
Entretanto, estive esta semana a ler estes vossos mais de 5.000 textos (assim por alto, compreendam - li apenas 5 ou 6) e já deu para tirar o retrato a alguns. Do pouco que li, gostei bastante dos textos pré-provocadores do João Garcez, dos dibujos da Madge e do Su Doku da Susana (embora o primeiro pareça um bocado comuna sentimentalão, e até gago - segundo pude saber, curto o estilo do incréu). Quanto aos restantes, espero vir a conhecer-vos melhor.
Quanto aos leitores: não vos conheço e não espero nada de vós. Assim sendo, façam como entenderem. Comentem, não comentem, que a malta há-de entender-se. O Monty, que parece que é o webmaster aqui do sítio, disse-me para escolher um dibujo para me retratar e fez imensa questão em não revelar mis reais fuças. Mostrou-me o Derek da Madge, garantiu que ela não se importava e foi amor à primeira vista (aqui para nós, é a minha cara chapada - I mean it, Madge!).
Até já...
PS – Tenho alguma (pouca) formação informática e deixem-me que vos diga: os templates do Afixe são a maior confusão que já vi. Cabecinha do Monty, né? Tal e qual as folhas de Excel do gajo. Qualquer dia a cena explode, de tanta invenção. Vou tentar ajudar.
António Albino Aiello
Afixado por às 01:48 | Afixadelas (15)
Aviso supérfluo
Serve o presente aviso, que, ainda assim, considero supérfluo, para alertar que as férias, que de resto ainda não acabaram e apenas me aproximaram, nesta segunda fase, de um PC, em nada alteraram a forma como vejo este blogue. Em suma, "meus caros amigos", estou de volta e, para mal dos vossos pecados, ainda com pior feitio! O Afixe que, no dia 12 de Abril de 2004, aqui se inventou, não esquece o que é e para que serve.
Assuntos para os próximos tempos: "A morte da Democracia", "Portugal por Olivença - uma boa troca", "Cavaco à Presidência - do mal o menos", "Cada vez gosto menos de pessoas" e "Não estou para vos aturar".
Outra coisa: vai entrar um gajo novo cá para casa. O tipo que se apresente.
Afixado por afixe às 00:10 | Afixadelas (2)
agosto 28, 2005
Ao abrir o correio do Afixe...
... deparei-me com este pedido. João Garcez, só pode ser para ti. Vê lá se encaminhas o "nacional" e lhe arranjas o tal do pedregulho.
"eu antonio ribeiro de nacionalidade portuguesa venho por este meio saber se e possivel me conseguir uma pedra que tem de nome pedra ematilla e serve para tracar circulos magicos e para rituais e magia negra . so conheco com este nome era para eu fazer um pacto com lucifago para obter riquezas.encontro-me desempregado e com problemas financeiros. ca em portugal nao consigo tem sido dificil . pedia que me ajudasse . espero resposta logo que seja possivel antonio ribeiro."
Afixado por afixe às 23:03 | Afixadelas (0)
Perplexidade
Tenho uma dúvida. Uma grande dúvida, até.
Todos dizem que as campanhas eleitorais saem caras. São panfletos, tarjetas, desdobráveis, cartazes, outdoors… E tudo isso com o apoio, imagino eu, de especialistas em publicidade, que se fazem pagar bem e devem ser eficientes em vender a mensagem que os candidatos querem passar.
Ontem, dei uma volta pelos arredores de Lisboa, aqui pelo eixo Sintra – Cascais, e fui reparando nos cartazes que polvilhavam o caminho. Lá quanto ao facto de não terem grande imaginação na mensagem que exprimiam, não é coisa que me espante. Acontece cada vez mais. Mas porque é que a equipe que escolhe o texto não colabora com a que selecciona as imagens? É que, só por uma completa distracção, é que se pode mostrar uma foto de um senhor de cabelos todos brancos e rosto a condizer, arranjadinho de fato e gravata, e por baixo “Determinação!”, “Energia”, “Força!”, ou aqui em Sintra, ver-se a cara do João Soares com o seu habitual ar enjoado de quem comeu qualquer coisa que não lhe assentou bem e por baixo “Entusiasmo”. A sério! Está lá escrito: Entusiasmo! Vê-se logo que é mesmo isso que nos sugere aquela expressão.
É que as palavras de ordem estão bem. As fotos também. O que não joga é uma coisa com a outra…
Afixado por Emiéle às 19:16 | Afixadelas (10)
Alive

"Gracias a la vida que me ha dado tanto."
Há duas noites que me deito a cantarolar esta canção da Violeta Parra.
Há duas noites, que tenho passado horas e ver o Live 8 com o meu filho. Que temos dançado a mesma música, cantado as mesmas letras. Que eu lhe "apresento" os meus e ele os dele. Que nos deliciamos por tantos meus serem dele e tantos dele, eu descobrir que podem ser meus.
Hoje será a terceira noite de maratona. Está combinado que durmo a sesta à tarde para poder estar mais uma vez levantada até às cinco horas da manhã...é que amanhã é dia de trabalho!!!
Há duas noites que nos emocionamos com as imagens de fome e de tragédia. E que nos revoltamos com elas.
E eu que nem sabia que o meu amigo conhecia a história toda do Nelson Mandela, até ontem, quando o ouvimos ler um discurso na África do Sul. Nem que eu gostava tanto de Bon Jovi...
Continuo a cantarolar a letra da canção da Violeta Parra. O meu companheiro de noitadas ainda dorme. Está a preparar-se para esta noite. Saí do quarto, agorinha mesmo. Deve ter pressentido a minha presença porque antes de se virar para o outro lado abriu os olhos e sorriu.
"Gracias a la vida que me ha dado tanto...Cuando miro el fondo de tus ojos claros."
Afixado por Isabel às 12:37 | Afixadelas (7)
Contribuição

O homem quer ser independente. O homem fala em nome dele e, portanto, não precisa de demasiado espaço. Por razões de Orçamento, de sanidade mental e de preservação do bom estado do nosso aparelho auditivo, nós agradecemos que o homem queira ser independente.
Pelo que dá para ver, esta ilha parece, mesmo, deserta. Não nos arriscamos, portanto, a que apareça uma queixa num Tribunal Internacional qualquer, por obrigarmos quem quer que seja a coabitar com o homem.
Talvez seja necessário pagar alguma coisa mas, bem divididinho por todos, não custa nada.
Acho que é nosso dever contribuir para o bem-estar do homem. E para o nosso. Podem começar a enviar as vossas contribuições para o Afixe. Está também aberto concurso para a concepção da bandeira, que deverá ter a cara do homem e do hino que deverá conter, pelo menos, trinta e oito vezes a palavra jardim. Gostaríamos de proporcionar ao homem um Natal feliz. Aguardamos a vossa colaboração. Rápida, portanto.
Nota: A mais pequenina é o Bónus, no caso de haver mais alguém que o queira acompanhar, mas não tenha a certeza se o consegue aturar.
Afixado por Isabel às 11:59 | Afixadelas (2)
Pudor
Ontem tinha visto a notícia na tv e hoje consegui encontrá-la para mostrar a quem tal tenha escapado. É que isto de imoralidade não se pense que é por todo o lado. Felizmente que ainda há quem vele pelos bons costumes e ponha um freio ao desenfreado galope da falta de vergonha!
É o que se passa em Mirandela.
Uma descarada de uma pintora, deve o desplante de incluir numa exposição da sua pintura, dois quadros de nus. De nus! Pelo que a tv mostrou, num deles via-se por detrás, dois torsos humanos enlaçados. Enlaçados. Um abraço, estão a ver?! E no outro quadro, um corpo de mulher segurando uma romã.
É claro que a senhora vereadora da cultura ( ? ) educação ( ? ) passou por ali e ficou estarrecida !!! Não esteve de modas, nem teve tempo para falar com a pintora, chamou de imediato alguém e mandou retirar os quadros ofensivos.
Parece que a autora quando ali entrou e não viu as pinturas ainda pensou que tivessem sido roubadas… Qual quê!? Tinha sido a moral e bons costumes que tinha cortado a direito, porque isso de poucas vergonhas não se admite em Mirandela.
A história continuou porque a pintora disse que ficavam todos ou nenhum, e voltou a colocar os quadros. E de novo eles foram removidos sem dar cavaco à autora .
Tanto quanto sei desta telenovela, a senhora vereadora foi para férias e portanto não se explica, e a pintora perante isto, encerrou a exposição.
E tudo por uma romã que, declarava a pintora, é um símbolo erótico.
Afixado por Emiéle às 11:23 | Afixadelas (8)
Menos acidentes na estrada
Pelo menos é o que nos dizem as estatísticas da GNR . Em relação ao mesmo período do ano passado houve menos acidentes e menos mortos.
Essa é a boa notícia.
Claro que a notícia se torna menos boa quando se pergunta “o que quer dizer MENOS ?”
Porque “menos” parece ser “menos 5899 desastres” e se isto são 8 % imagine-se o universo de onde provêm a estatística! ( 67.000 acidentes ) É muito acidente!
Mas, enfim, voltemos ao início, e à boa notícia que é: diminuíram!
Pelos números que apresentam, parece que a má hora para andar na rua é durante a madrugada dos fins-de-semana.
O costume, que começa a ser moda “lá fora”, de a chave do carro ficar na posse do elemento do grupo que não bebe, seria bom começar a ser também moda “cá dentro”. Pode ser que os números ainda diminuissem mais. Mesmo muuuuito mais, era o que se desejava.
Afixado por Emiéle às 10:47 | Afixadelas (3)
Boa noite!

Junto-me à campanha meritória da Émiéle de nos acordar bem-dispostos, tentando encontrar forma de contribuir para vos adormecer aconchegadinhos. Boa noite!
Afixado por Isabel às 00:26 | Afixadelas (2)
agosto 27, 2005
Alternativo? Ou complementar?
Quanto mais avançamos pelo novo milénio mais se verifica a tendência para um interessante duelo no campo da saúde: os medicamentos “de farmácia” versus os medicamentos “de ervanária”. Por todo o lado encontramos lojas, boutiques, ou zonas reservadas em grandes superfícies, para os “produtos naturais”. Até na aldeia onde estou, a merceariazinha onde me abasteço, tem agora uma razoável secção cheia de chás, caixinhas, pós, e produtos orientais de nomes estranhos. Muito “politicamente correcto” esse novo escaparate substituiu a zona do tabaco que ficou meio escondida.
Li esta manhã que se tinha atirado mais uma pedra nesta guerra, e uma revista científica provara que o sucesso das drogas-não-científicas se deve à crença dos seus utilizadores
A verdade é que os placebos funcionam. Isso também está provado. Portanto se um placebo tem sucesso porque quem o toma acredita que vai funcionar, é lógico que os outros produtos “alternativos” também o tenham. É um princípio idêntico.
É verdade que são produtos sem controlo científico . Isso é sabido, mas quem os toma não vai ao engano, sabe isso muito bem. Os defensores das medicinas alternativas não as querem avaliar pelos mesmos padrões, têm outras medidas.
E o certo é, eu pelo menos acredito, que é exactamente na força da crença que o doente tem quanto ao medicamento que toma que está o segredo do êxito de grande parte dos tratamentos. Até mesmo os convencionais. A fé na eficácia do que se está a usar é uma alavanca fortíssima. Por outro lado, uma droga eficaz, se for tomada por alguém que desistiu de viver, que não quer lutar pela sua saúde, muitas vezes inexplicavelmente não funciona…
“Há mais coisas no céu e na terra, Horácio…”
Afixado por Emiéle às 15:52 | Afixadelas (6)
A Cegonha

Quando, recentemente, dei um passeio pelo centro/sul do país chamou-me a atenção os ninhos de cegonha. Íamos ao longo da estrada e eu a ver – “olha um ninho de cegonha!... espera, ali tá outro…! Olha mais! Outro!... e outro..” Era uma fiada enorme. Quase lhe perdi a conta.
Vejo agora que nos últimos 20 anos aumentou cinco vezes o número de ninhos de cegonhas!
É uma ave simpática, que traz os bebés, acto bastante meritório. Mas achei muito curioso que a base da sua alimentação fosse o lagostim-vermelho-da-luisiana. Nunca tinha ouvido falar do lagostim-vermelho-da-luisiana !!! Nem nunca comi o lagostim-vermelho-da-luisiana. Vocês conhecem?! Deve haver muito no Alentejo. Devem fazer migas de lagostim-vermelho-da-luisiana...
Devia ter pedido à cegonha, na viagem de Paris para cá, que me desse um bocadinho do seu pequeno-almoço. Simpáticas como parecem ser, devia ter concordado.
O que um bebé perde por desconhecimento do mundo!
Afixado por Emiéle às 12:31 | Afixadelas (2)
Notas de 500 euros

Achei muito engraçada uma notícia dizendo que
Comerciantes franceses recusam notas de 200 e 500 €
Realmente o custo de vida é mesmo diferente. Cá, já tenho visto franzir o nariz a pagamentos com notas 10 vezes inferiores… Para ser mesmo franca, eu, por mim, nunca tive nenhuma na mão. Quinhentos euros?! O salário de tanta gente.
E, com franqueza, em época do dinheiro de plástico não se entende lá muito bem para que é que se anda com quantias dessas na carteira.
Fez-me lembrar uma história que li em tempos, ( creio que depois até se fez um filme ) de um homem que tinha uma nota, dessas que ninguém quer trocar, é à custa dela vai vivendo de crédito – porque quem tem tanto dinheiro tem de ser rico, e vale a pena facilitar-lhe a vida. A história era engraçada, e ilustrava a velha convicção de que dinheiro puxa dinheiro, ou de que é mais fácil um rico ter crédito do que um pobre. ( e afinal quem precisa do crédito é o pobre, é claro ) mas imagino que hoje não funcionava.
A desconfiança, como ilustra esta notícia dos comerciantes franceses, não o deixava ir longe.
O sucedâneo será o cartão doirado, ou platinado, ou de diamante ou lá como se chama aos super-créditos…
Afixado por Emiéle às 10:27 | Afixadelas (3)
O “mensalão” português..?
Certo. Este tipo de notícias , antes de eleições autárquicas, pode servir de arma de ataque. Pode. Mas o povo costuma dizer que “quem não deve não teme”.
E ainda por cima ninguém vai estranhar porque não é surpresa nenhuma. Essa ligação entre licenciamento de obras, construtores, e autarquias é voz corrente. Tem aliás alguma graça, que quase cada autarca deste país, dizendo-se sempre limpíssimo, que nem anúncio de detergente, aponta de imediato o dedo à autarquia vizinha, governada por outro partido.
São sempre “os outros” como os meninos pequeninos, apanhados com o dedo no frasco da compota. Foi o irmão que comeu o que ali falta, ele só tinha metido o dedo quando a mãe abriu a porta…
Vamos ver como fica esta história.
O que Paulo Morais tem a dizer e se finalmente se pode começar a fazer a barrela.
Duvido.

Afixado por Emiéle às 09:58 | Afixadelas (0)
Optimismo
Nem sempre será possível, mas vou tentar que em cada dia, o primeiro post que aqui escrevo seja com uma boa notícia.
Ontem foi fácil e hoje encontrei logo outra notícia agradável:
Um grupo de 7 jovens portugueses subiu o Quilimanjaro.
Não seria uma notícia por aí além não fora o caso de serem diabéticos.
Como a diabetes é uma doença crónica, que pode surgir na infância, e com a qual se tem de aprender a viver, esta história é muito interessante. Porque existe a ideia de que a doença é incapacitante. Que quem sofre dela terá de fazer uma vida diferente e não poderá fazer esforços. E a verdade é que em Portugal já vamos em 20.000!
O que se provou com esta experiência de escalada e alpinismo, é que essa ideia não está certa. Tem de haver cuidados, sem dúvida. Tem de haver grande vigilância. Mas segundo a frase do responsável que acompanhou o grupo "O jovem diabético pode fazer tudo, desde que aprenda a gerir a sua doença".
É uma boa notícia.
Afixado por Emiéle às 09:54 | Afixadelas (5)
Nascer de Sol

Às vezes, saímos de casa calmamente. Temos algumas horas só para nós. Algumas compras para fazer. Talvez até dê para comprar um CD. Ou um livro. Ou uma TShirt para o Outono, que as montras já estão cheias de coisas da próxima estação.
Podemos parar para beber um café e comer um bolo cheio de chocolate, óptimo para manter a linha. Temos que fazer tempo para ir buscar o nosso filho que está numa festa de aniversário.
Às vezes, temos que sair de casa e arranjar forma de ocupar as próximas três horas. Saímos com tempo para tudo, pensamos. Apenas não planeamos que entre uma montra e a outra, enquanto tomamos o café e nos deliciamos com o chocolate do bolo, nos aparece o passado.
O passado vê-nos e, espanto, dirige-se a nós. Não podemos fugir, não vamos deixar o bolo de chocolate nem o café a meio. O passado fala e nós não lhe reconhecemos a voz. Olha-nos e não lhe reconhecemos o olhar. Conta-nos uma estória que deverá ter começado na altura em que o passado passou a passado e que parece que acabou agora, poucos dias antes de encontrarmos o passado enquanto tomamos a bica. Deduzimos, pelo tom de voz do passado, que para ele a estória deverá ter agá, mas não o conseguimos encaixar. Ainda paramos o garfo do bolo a meio caminho entre o prato e a boca, mas nada a fazer, o agá não entra. O passado pergunta-nos se nos podemos voltar a encontrar. Talvez jantar. Afinal, diz o passado, o presente foi bom de se viver. Também teve agá, repete-nos insistentemente. Nós, parece que nos lembramos que sim, mas não conseguimos ter a certeza. Já não. Olhamos o passado. Continuamos sem lhe reconhecer o olhar. Que coisa chata! Bebemos o resto do café. Comemos a última garfada de bolo de chocolate e, antes de pegarmos na mala, dizemos-lhe calmamente que não faz bem à saúde sair com o passado. Nem à alma. E que foi um prazer vê-lo. Passado. Ele diz que vai insistir. Nós sorrimos. Quando chegamos a casa ainda vamos à janela. Daí a nada está a nascer o Sol.
Afixado por Isabel às 01:32 | Afixadelas (10)
agosto 26, 2005
Sexta Feira...estava a ver que não!!!!!!!

Afixado por Isabel às 18:56 | Afixadelas (5)
A MINHA CONVERSÃO (2)
Sim, irmãos; sei que estou em falta. Depois dos primeiros anúncios, tinha ficado de vos revelar ontem os surpreendentes e maravilhosos detalhes da minha súbita conversão. Mas os afazeres aqui no mosteiro ocupam-me a alma e ajoujam-me o alquebrado corpo. Sim; apesar de ter escalado uma série de degraus espirituais de uma só vez, ainda continuo meramente humano (um problema técnico que em breve, com a ajuda do irmão Bernardo, por certo ultrapassarei).
Vou agora desvendar os passos gloriosos que conduziram à minha conversão; esperando que iluminem também as vossas tristes existências, caros leitores.
Como vimos no último episódio, andava eu em busca de uma teoria cosmogónica completa, ontologicamente correcta e metafisicamente inatacável. Estudei com atenção reverente os textos sagrados do Unicórnio Cor-de-Rosa Invisível; avancei até aos arcanos iniciáticos da Igreja de Bob, passando, claro está, pelo límpido pensamento de René Guénon. Mas algo continuava a faltar; a minha alma não se satisfazia com tão pouco, a centelha do Senhor não brilhava com plenitude em tais recantos.
E eis senão quando dou de caras com a Igreja Unida do Monstro Voador de Espaguete; os Pastafarianos.
O seu Profeta, Bobby Henderson, sentiu a Inspiração para criar esta abençoada Igreja quando soube que o Kansas School Board aprovara o ensino do Criacionismo nas aulas de Ciência (sob a designação hip de "Intelligent Design"), para alegria do Grande Apóstata, George Bush. Aí viu logo o rumo a seguir: escrever a este organismo exigindo que todas as teorias capazes de explicar a Evolução sem recorrer a qualquer prova física ou raciocínio apurado tivessem igual acolhimento oficial. Começando pela sua, que postula que o Universo (e Todas as Coisas Que o Habitam) foi criado por um enorme Monstro Voador composto por Espaguete e Almôndegas.
Os argumentos em favor desta cosmovisão eram esmagadores. Admirável, por exemplo, a forma como o empirismo da ciência é demolido sem apelo: "He built the world to make us think the earth is older than it really is. For example, a scientist may perform a carbon-dating process on an artifact. (...) But what our scientist does not realize is that every time he makes a measurement, the Flying Spaghetti Monster is there changing the results with His Noodly Appendage. We have numerous texts that describe in detail how this can be possible and the reasons why He does this." A arte sacra que esta Fé já inspirou tem todas as marcas do Autêntico, como este maravilhoso desenho, que nos mostra a Santa Massa a criar um monte, algumas árvores de bom porte e um anão.
Ainda por cima, o Céu desta Igreja deixa a um canto as alucinações da concorrência, mesmo aquelas que incluem 40 ou 50 virgens para cada recém-chegado. Atenção à Boa-Nova: o Paraíso, afinal, oferece-nos um Vulcão de Cerveja e uma Fábrica de Strippers!
Não se riam, incréus malditos; olhem que, bem vistas as coisas, a minha religião não é assim muito mais ridícula que a vossa. Prova disto, caso ainda fosse necessária, está no desafio que foi lançado por estes homens de Fé: ele pagam 250.000 dólares ao primeiro que provar que Jesus Cristo não é filho do Monstro Voador de Espaguete (isto em resposta a um conhecido desafio que recompensa quem conseguir provar que a Teoria da Evolução é verdadeira).
E mesmo os campeões do materialismo, os odiados cientistas, já se renderam à Suprema Lógica do Pastafarianismo. Por exemplo, Stephen D. Unwin, cientista e autor, expressou o seu entusiasmo num mail enviado ao nosso Profeta: "se o sobrenatural for necessário, a família teológica das massas parece ser a mais plausível, e sem dúvida a mais saborosa com queijo". E que dizer das fotografias astronómicas em que a Sua Silhueta é claramente visível? Esclarecedor. Definitivo.
Tenho de sair, que o sino do mosteiro está a tocar para o lanche de massa putanesca. Bem; julgo que já vos deixo com alimento espiritual para digerir durante todo o fim-de-semana. Depois, podem falar comigo para tratar da vossa inscrição na Igreja Unida do Monstro Voador de Espaguete, assim como da petição a favor do meu iminente ascenso a Cardeal Supremo.
Até lá, que a Massa esteja convosco.
Afixado por João Garcez às 16:58 | Afixadelas (9)
Uma Opinião
Acabei de ler no DN um artigo de opinião de João Miguel Tavares
Interessante.
«Com uma demissão, uma nomeação e um safari, José Sócrates deitou pela janela fora, num piscar de olhos, todo o estado de graça que tanto se esforçara por conquistar»
Mais adiante escreve: « nos primeiros meses de Governo parecia bem preparado, tinha uma equipa que falava pouco, apresentou boas iniciativas, fez intervenções de qualidade na Assembleia da República. Mas, de repente, foi o descalabro - como se, algures entre a demissão de Campos e Cunha e a nomeação de Armando Vara, tivesse sido infectado por esse vírus que anda à solta pelos jardins de S. Bento e que é capaz de transformar numa aberração política a mais esforçada das almas»
Vale a pena dar uma vista de olhos pelo artigo.
Afixado por Emiéle às 10:44 | Afixadelas (3)
Médio Oriente
Voltamos à mesma. Retaliação?
Não interessa se é “crime brutal” se, como dizem os defensores, “retaliação”.
Vai dar ao mesmo.
A pena de Talião não vai dar a lado nenhum.
Será que a espiral é mesmo imparável?!
Pobre, pobre Palestina.

Afixado por Emiéle às 10:33 | Afixadelas (0)
Reformar
Reformar é preciso. Muito preciso!
A reforma da A.P. é anunciada há anos por todos os governos e toda a gente está de acordo em que é fundamental. Tornar os serviços menos burocratizados, alterar as chefias de moda ao funcionarem por outros moldes, avaliar correctamente o desempenho, motivar os trabalhadores a renderem a 100 %, utilizar correctamente os recursos que existem, etc.
Pronto. Começou a reformar-se.
Por o ponto muito importante e que vai alterar completamente o desempenho dos trabalhadores da A.P.
Alterou-se a idade da reforma.
Óptimo.
Assim até se vai trabalhar com mais gosto, como há mais anos à frente até se poder descansar, agora é arregaçar as mangas e toca a trabalhar!
Depois, com calma, logo se pensa nos outros pontos de forma a tornar os serviços mais funcionais e desburocratizados, e colocar as pessoas certas nos locais certos. Isso fica para depois.
Uma parte importante já está!
Afixado por Emiéle às 10:13 | Afixadelas (6)
Quem…? Eu?
Tinha decidido não voltar a tocar no senhor.
Sei que tem os seus muitos admiradores, o populismo por algum motivo existe e vale a pena. E, não faço a menor ideia, se o que diz a sua concorrente oficial do partido é certo, e nem todas as obras de que se gaba de serem suas não o eram. A verdade é que, pelo que tenho ouvido, a sua sucessora na chefia da autarquia não lhe chega aos calcanhares…
Mas que no debate do SIC-Notícias, ( onde não esteve a CDU )Isaltino afirme desconhecer a razão pela qual é arguido, parece estranho.
Poderia dizer que é falso. Pode afirma-se inocente. Mas dizer que não sabe do que o acusam, é muito estranho.
Kafquiano, no mínimo.
Afixado por Emiéle às 09:55 | Afixadelas (2)
A outra face
A Europa “desenvolvida”. A Europa do Concorde e das viagens espaciais. A Europa do desenvolvimento industrial. A Europa do “desenvolvimento” económico, pode acabar na fronteira de Vilar Formoso. Mas, a Europa do Mercado Comum, a Europa do neoliberalismo desenfreado, a Europa da imigração sem direitos, a Europa do desemprego, a Europa das casas degradadas, a Europa do agravamento das diferenças sociais, não tem fronteiras e ultrapassa a fronteira.
Ontem em Paris, num prédio degradado ocupado por famílias africanas, pelo menos dezassete pessoas que viviam em condições miseráveis, entre as quais um bebé de meses, morreram num incêndio.
Ontem, em Paris, num prédio degradado ocupado por famílias africanas a Europa voltou a mostrar a outra face. Em França, o berço da Igualdade.
Afixado por Isabel às 09:48 | Afixadelas (3)
Boa Notícia
Tinha decidido começar hoje com qualquer coisa de simpático.
Bolas, é que nem parece, mas eu até sou uma pessoa com fama de optimista! De modo que abri os jornais esta manhã com essa intenção. E encontrei.
Entre 250 cientistas de todo o mundo, que são citados em artigos das suas especialidades, encontram-se três cientistas portugueses.
António Damásio, António Coutinho, e Carlos Duarte. É certo que só António Coutinho, que dirige o Instituto Gulbenkian de Ciência, vive em Portugal, os outros adquiriram fama “lá fora”, mas são portugueses!
E segundo diz outro cientista, Sobrinho Simões, "As citações são mais importantes do que os artigos científicos publicados" , o que faz sentido, porque a citação é o reconhecimento público pelos seus pares.
Numa lista mundial, haver 3 portugueses entre 250, é motivo de orgulho.
Esta é a boa notícia.
Já se pode começar o dia, e olhar para as outras.
Afixado por Emiéle às 09:39 | Afixadelas (5)
agosto 25, 2005
Boa Noite
O Afixe esteve hoje um bocado para o inquieto e crítico. :)
Deixo agora esta imagem de tranquilidade para desejar uns bons sonhos.
Até amanhã.

Afixado por Emiéle às 23:09 | Afixadelas (2)
"Mundo de sombras" ( ou "Para além do espelho" )
Hoje fui fazer uma visita.
A uma pessoa que estimo muito, e está num local desagradável. Quando agora me sentei em frente do teclado para começar a escrever, veio-me à ideia um post que a Isabel escreveu há pouco tempo. Ela levou-nos a pensar na relatividade do valor que as coisas têm – de um momento para o outro, damos conta que o mais importante de tudo é a Vida. Mas, para além desse valor básico, temos outros também de um valor incalculável, como a saúde, e neste caso, a saúde mental.
A pessoa que fui visitar, com uma depressão muito grave, está numa clínica psiquiátrica. Enquanto a ia procurando, cruzei-me com muita gente. Algumas pessoas com aspecto abatido, que me cumprimentavam discretamente, com um olhar que me fazia sentir que “estavam do lado de cá”. Mas outros, muitos, vinham conversar comigo. Muitos deles risonhos. Outros zangados. Outros queixosos. Mas quase todos esses, os que procuravam falar comigo, não viviam no meu mundo. O deles tinha outra lógica. As histórias que me contavam só faziam sentido para quem as contava, para mim não tinham nexo. Ia tendo a clara sensação de que, através dos seus olhos, eles não viam o mesmo que eu estava a ver. E é isso que se torna assustador. Como uns extraterrestres, como alguém que vem de um outro mundo e sente este estranho e hostil.
Quando saí, ainda perturbada, sentia-me dentro de um caleidoscópio. Aparentemente, basta uma pequena agitação para que a fantasia seja realidade, ou a inversa. Eu tenho a certeza da realidade do meu mundo. Pois é, mas eles também. Se calhar a diferença é que “nós” somos muitos mais. Afinal, cada um deles tem apenas o seu mundo. Pequeno, porque é só do seu tamanho. E por isso se sente tão só. E por isso procura a companhia de quem passa por ele. E nós passamos depressa, a sacudi-los, a fugir ao contacto, com algum medo até.
Porque afinal os extraterrestres assustam, não é?

Afixado por Emiéle às 21:59 | Afixadelas (5)
Interrogação
"Vi muita tristeza nas pessoas, mas descobri, entre o fumo, um país ao qual quero voltar", afirmou o piloto francês de um dos aviões que vieram ajudar Portugal a combater os incêndios.
Será que esta convicção toda pode ter a ver com o facto de só cá ter estado quatro dias?
Afixado por Isabel às 20:17 | Afixadelas (4)
Desculpem-me...

Desculpem. Desculpem todos. Os leitores do Afixe. Os comentadores do Afixe. O Primeiro Ministro. Os Ministros. Os Secretários de Estado. O Governo. O País.
Desculpem por ter andado para aqui a insinuar que não se passa nada . Por já ter, até, insinuado que o Governo meteu férias prolongadas. Desculpem. Juro que não torno. Nunca mais.
O Governo vai aprovar hoje em Conselho de Ministros, o aumento para os 65 anos, da idade de reforma para os funcionários públicos, a partir de Janeiro de 2006. Mais, como prova da minha total parcialidade e das minhas calúnias, o Governo vai aprovar hoje em Conselho de Ministros, o aumento dos anos de desconto, de 36 para 40, para os funcionários públicos, a partir de Janeiro de 2006.
Desculpem-me todos. Afinal eles existem. E tomam medidas.Temos todos que lhes estar agradecidos. Nada como um Governo forte para aumentar a idade de reforma . É, apenas disto, que o País precisa. De poupar dinheiro e de retirar direitos. Quem é que se vai preocupar com o facto de haver não sei quantos helicópteros parados, comprados, presumo que pagos, a pagarem mensalmente a deslocação de um técnico estrangeiro para manutenção e que ainda ninguém se lembrou de requesitar para combater os fogos? Quem é que no Governo tem tempo para estas ninharias? Coisas sem importãncia. Bagatelas. O Goveno está cá para Governar. Só toma medidas importantes. Aumentar a idade da reforma é uma medida importante. Declaro-me culpada. Desculpem-me.
Afixado por Isabel às 10:19 | Afixadelas (27)
Céu de nuvens escuras

Hoje acordei com chuva.
Se alguma vez me dissessem que ia ficar contente por, em plenas férias de verão, ver chover, pensaria que estavam a brincar comigo.
É certo que me estraga os planos que tinha para hoje. Vou ter de ficar debaixo de telha. Não vou aproveitar o ar livre de que gosto tanto. E, se for para continuar, não sei se vai alterar os planos que tenho para o resto das férias.
Mas, que alívio!
Ver os campos molhados, imaginar que assim será muito mais difícil o prolongamento das desgraças a que temos assistido nos últimos tempos, faz encarar como um excelente presente esta chuva que vejo cair.
Bem vinda!
Afixado por Emiéle às 09:47 | Afixadelas (6)
agosto 24, 2005
Os meus discos

Andei a dar uma vista de olhos pelos meus posts anteriores. Parei um pouco nos posts que fiz com o titulo: Os meus discos. E fiquei em estado de choque. Literalmente. Nem uma voz de mulher. Uminha. Mesmo que fizesse parte de uma banda, qualquer coisita. Algo que justificasse o facto de uma gaja de esquerda que se preze, ter que ter uma costela feminista.
Andei a dar volta aos CDs cá de casa. Há lá algumas mulheres. Umas integradas nos CDs de Música Celta, por exemplo (e que vozes têm as mulheres dos cantares celtas), há a Dulce Pontes, a Amália, a Marisa, a Cesária, a Edith Piaf, a Mafalda Veiga...são mulheres que ouço e que gosto de ouvir. Mas não há lá o meu disco.
Já muito desesperada, quase a achar que tinha que rever uma porrada de conceitos, descobri uma mulher. Não resolvi o problema do disco, porque, daquele disco, eu tenho, essencialmente, duas canções. O resto, acho que nunca ouvi com ouvidos de ver...mas são duas canções lindas, que falam de amor, de perda de amor, de paixões e de entregas, de encontros e de partidas. Que têm ainda a vantagem suprema de me fazerem lembrar os filmes do Almodôvar. São canções a rosa, preto e escarlate..."Piensa en mi" e "Un año di amor", do álbum A contraluz de Luz Casal.
Porque já que tenho fama (não é Sharky?) que tenha o prazer de ter o proveito.
Piensa en mi, cuando sufras
Cuando llores tambien, piensa en mi
Cuando quieras quitarme la vida
Para nada, para nada me sirve sin ti.
Ok, um bocadinho lamechas e meloso (que niguém se atreva a sugerir pimba...) mas lá que é uma coisinha linda de se cantar (e de se dizer...mas aí...), lá isso é. E aquela música que nos embala? Ai aquela música...ideal para Verões quentes.
Afixado por Isabel às 20:10 | Afixadelas (13)
Mulher
Passei hoje uma bela manhã, ocupada naquilo que qualquer membro do género masculino diria num "certo tom": mulheres…
É. Tal e qual.
Aproveitei estar completamente sozinha, para ir com calma trocar um pequeno electrodoméstico à loja que mo tinha vendido, e “já que estava ali”, fiquei a flanar. Completamente senhora do meu tempo, o que é um luxo enorme. Sem ter que pensar que a pessoa que me acompanha se está a aborrecer, ou tem fome, ou tem um compromisso. Não senhora! Podia gastar o meu tempo como me desse na cabeça.
Depois de resolver o problema do electrodoméstico e o ir deixar ao carro para não incomodar, parei a beber um café e ler o jornal o tempo que me apeteceu. Entrei num pronto-a-vestir a ver as novidades e experimentar uma coisa ou outra. Entrei na Fnac numa-loja-que-vende-livros-e-discos :), onde folheei uns tantos, ouvi umas músicas, e me tentei com as inevitáveis compras. Entrei em várias lojas de decoração de casa. Fui comer um gelado. Voltei atrás e sempre fui comprar aqueles copos tão bonitos ( afinal, se estavam em saldo..). Ajudei uma senhora que estava indecisa sobre uma compra e me pediu a opinião. Dei uma olhadela pelo que ia nos cinemas, confirmando as horas das sessões, para quando lá voltasse. Sentei-me a fazer uma lista de coisas que daria jeito levar dali, e “já agora” passei pelo supermercado. Ainda fui outra vez experimentar uma saia que me tinha ficado debaixo de olho – ná, não gostei! Mas ao lado vendiam bijouterias e lá foram uns brincos…
Mas que sensação é esta no estômago?! Oh diabo, são 2 e meia, vou sentar-me a almoçar. Com todo o sossego.
Bela manhã!!!
Afixado por Emiéle às 18:57 | Afixadelas (4)
A MINHA CONVERSÃO (1)

Como já vos confessei ontem, há muito que a minha alma errava por este mundo afora, sequiosa de sabedoria, faminta de elevação espiritual. Graças à sabedoria de ilustres criacionistas, descobri que a Ciência é um beco sem saída fechado no empirismo mais soturno. Não é, de todo, a porta para a iluminação que eu imaginava. E agora?
Assim começou a minha Demanda Espiritual. A minha busca para lá dos limites da ciência moderna, em busca de Metafísica, Hermenêutica, Arquétipos e outras coisas importantes com montes de sílabas. Mas, no meio de tanta e tão variada oferta, como reconhecer a Verdade, como distinguir o Rosto luminoso do Único Deus? Estabeleci a priori meia dúzia de exigências básicas:
1- A Religião eleita tem de responder cabalmente à minha necessidade de encontrar uma Origem para Todas as Coisas, desmentindo a maldita teoria da evolução
2- tem de encerrar uma cosmologia coerente, o que já se sabe que é meio caminho andado para ser verdadeira
3- tem de explicar de forma agradável a balbúrdia que a árvore genealógica da bicharada aparenta ser
4- apesar de se tratar de acontecimentos sem testemunhas, deve apresentar-me uma narração escrita das Primeiras Coisas. De preferência em volumes encadernados a couro satisfatoriamente épicos, misteriosos e espirituais
5- vou passar muito tempo no Além. Assim sendo, convém que a religião a escolher descreva adequadamente tais paragens e que estas sejam bem aprazíveis
6- era porreiro aderir a uma Igreja jovem. Em organizações vetustas como o Catolicismo, os bons lugares (de apóstolos e santos principais) já estão todos tapados e a lista de espera para novas vagas é enorme.
Bem. Estão a chamar-me para as orações diárias. Amanhã, voltarei. E partilharei então convosco a teofania que mudou a minha vida. Atenção: Ele vai mudar também as vossas vidas!
Afixado por João Garcez às 17:02 | Afixadelas (9)
Engates
Mais CONVERSAS DE OBJECTOS , e desta vez são duas (como estamos de férias):

ou outra visão

Afixado por Emiéle às 15:07 | Afixadelas (0)
Perdi 24 horas...
Ontem não liguei a televisão. Só agora é que cheguei à empresa e ouvi notícias. De vez em quando faz bem parar. Desligar um pouco. Esquecer os incêndios. Esquecer as imagens que todos os dias nos entram casa adentro. Esquecer a nossa revolta e esquecer a nossa incapacidade. Há dias em que sabe bem esquecer tudo menos o prazer de se estar vivo. Soube bem um dia assim.
Só que...só que, depois, como tudo na vida não há nada que seja 100% positivo. E nem é por ter que voltar à terra e por isso custar sempre um bocadito. É porque, finalmente, há neste país, uma notícia digna desse nome, acontece uma coisa inesperada, uma novidade, algo porque há muito ansiávamos e que há muito aguardávamos, um acontecimento que nos vai tirar da letargia, que nos dá ganas de sair à rua e de festejar. Finalmente, neste país, acontece algo assim, e eu só sei quase 24 horas depois. Eu sei que foi bom ter estado fora. Fez-me bem. Passei umas horas que não vou esquecer. Mas não consigo evitar uma certa mágoazinha por só saber hoje. Agora. Acabei de perder quase 24 horas de futuro. Foi por uma boa causa, mas custa.
O que vale é que ainda tenho mais uns meses para aproveitar a novidade, para me sentir recompensada por meses de falta de motivos de interesse, de falta de coisas novas.
Vou pensar duas vezes antes da próxima vez em que me decidir ausentar tão radicalmente.
Jerónimo de Sousa é o candidato do PCP às próximas eleições presidenciais. E, de repente, tudo volta a fazer sentido.
Afixado por Isabel às 14:56 | Afixadelas (11)
...e chuvas
A natureza anda descontrolada. Enquanto na nossa terra é o que se vê, com o país a arder depois de uma terrível seca, por outros lados é de excesso de água que se queixam. Chuvas torrenciais por todo o lado.
Suiça, Alemanha, Bulgária, Croácia, Áustria sofrem de enormes inundações e decretam calamidade.
Mas não só. Na África, do norte e centro, já se contam muitos mortos entre as vítimas destas enxurradas; na China fala-se em quase 50 mortos e a Índia com a monção, o número assustador é de 400.
Água a mais nuns sítios e uma seca tão grande noutros.
Afixado por Emiéle às 10:12 | Afixadelas (6)
Fogos...
Chegou a ajuda internacional.
Holanda, Alemanha, França, Itália e Espanha acorreram ao nosso apelo.
Claro que a nossa terra é como é. Pode ser um fait-divers com pouco valor, mas é significativo: 3 bombeiros franceses vieram voluntariamente, abdicando das suas férias, mas tiveram de esperar horas e horas pela formalização dos seguros até começar a actuar . "Eles vieram ansiosos para colaborar. Estavam em pulgas para seguir para o terreno, mas nunca mais chegava a autorização”
Por outro lado, da parte alemã podemos receber lições: Eles são «simultaneamente polícias, bombeiros e pilotos» e de grande competência e eficiência. E trazem o que necessitam, como «três Puma SA 330 com uma autonomia de combustível na ordem dos 90 minutos, e um balde com capacidade de 1600 litros de água», e contudo estranharam a dimensão dos nossos fogos, porque estão apenas habituados a combater fogos de médias dimensões.
Possivelmente nunca os deixam chegar tão longe, atacam-nos a tempo…
Afixado por Emiéle às 10:04 | Afixadelas (11)
agosto 23, 2005
“Meu amo e senhor”
Acabei de ler ontem um livro que não sei bem como lhe chamar. Romance? Biografia? Testemunho? Talvez lhe chame um “romance de férias”. Não se pode dizer que esteja bem escrito, e tem pontos onde é criticável sem dúvida, mas posso dizer que é interessante.
My Feudal Lord de Tehmina Durrani, uma paquistanesa, mulher de um líder famoso – O Leão do Punjabe, Mustapha Khar. Ela conta a história da sua vida, vida que foi um romance complicado como mulher de classe alta que, embora fiel muçulmana é muito influenciada pela civilização ocidental. Mas não é fácil de conciliar, por um lado os seus desejos de independência e por outro a submissão às leis muçulmanas que, como é sabido, anulam a vontade da mulher em função do marido ou pai.
Torna-se interessante o romance porque, apesar de escrito como biografia e a maioria das 500 páginas tratarem da história pessoal de Tehmina, vamos assistindo ao longo dos cerca de 20 anos que dura a narrativa, às convulsões da república paquistanesa, de Bhutto, ao General Zia, a Benazir Bhutto. Os golpes e contra-golpes, as intrigas, as traições, as jogadas complicadas desta cena política, se não são verdade podiam sê-lo…
E a própria protagonista, intervém de um modo muito activo na cena política, porque se entusiasma com a luta do seu marido, ou aquilo que ela imagina que seja essa luta. Torna-se um pouco cansativo, a perpétua montanha russa que é a sua relação conjugal: de uma enorme paixão que a faz deixar o seu primeiro marido, à desilusão da vida com um homem brutal que a espanca, maltrata e atraiçoa, mas depois se desculpa, e… ela aceita as desculpas! E isso ao longo de todo o romance, uma relação quase sado-maso, porque a história repete-se vezes sem conta – agressão, perdão, agressão, perdão, agressão, perdão. O romance termina com o seu divórcio e libertação e a publicação deste romance, ridicularizado pelo ex-marido. Contudo, à sua afirmação desdenhosa de que ela não tem identidade e só é conhecida como a ex-mulher de Mustapha Khar, ela consegue responder-lhe que quem sabe se ele não virá a ser conhecido como o ex-marido de Tehmina Durrani. Parece ter finalmente crescido.
Afixado por Emiéle às 19:44 | Afixadelas (8)
É mesmo 100 % !
Estamos sempre a aprender.
Acabo de receber uma nova informação:
Lavei agora uma t-shirt, à mão porque era só uma e onde estou não há cá máquinas. Depois de seca, fui passá-la a ferro. Tudo normal. Mas, como sou mais ou menos cuidadosa, fui ver a etiqueta, ainda assim aquilo exigisse algum cuidado especial.
Oh, surpresa! Oh, espanto! Oh, assombro!
Coisa raramente vista: aquela camisola declarava que era feita por 100 % … outras fibras!
Exactamente. Cem por cento de outras fibras.
Fiquei esclarecida.
Afixado por Emiéle às 15:49 | Afixadelas (4)
Comunicado
Venho por este meio comunicar a V. Exas que hoje não me apetece escrever.
Apetece-me:
Namorar.
Ir para a praia.
Dormir.
Namorar.
Ir para a praia namorar.
Dormir depois de namorar.
Namorar depois de dormir.
Namorar.
Fazer um picnic no campo, debaixo duma árvore (ainda há?, ok...hoje não me apetece...)
Namorar.
Namorar enquanto faço um picnic debaixo da árvore (ainda há? porra, cala-te...)
Venho por este meio comunicar a V.Exas que volto mais tarde. De preferência depois de namorar. Obrigado.
Afixado por Isabel às 12:53 | Afixadelas (7)
ALELUIA, IRMÃOS! EU VI A LUZ!

Aproveitando estes dias estivais em que a canícula desencoraja o trabalho, segui os santos conselhos do irmão Bernardo. E em abençoada hora o fiz. Abri o meu espírito ao Transcendente. Olhei para lá do empirismo que limita a Ciência a que prestava vassalagem ilimitada.
E vi. Vi e soube que se uma verdade religiosa entra em contradição com uma verdade científica, a primeira, por via da sua imanente proximidade do Divino, tem de estar certa. Em potência, o meu espírito, até aqui supostamente ateu, já era o de um fervoroso crente. Como bem tinha notado a minha namorada já há uns anos, eu era apenas um peregrino desorientado, ainda em busca do altar certo. Eu não conseguia discernir a Verdade, quando ela andava mesmo debaixo do meu nariz empinado, sempre tão orgulhoso da sua suposta sabedoria.
Agora, eis que chega o momento da teofania, do desdobramento das potencialidades que a minha alma encerra. Abracei a metafísica, reneguei a minha visão redutora do Universo, não mais me quedarei por uma weltanschauung simplória e puramente materialista. Não; a minha cosmovisão agora é outra. Mais luminosa. Mais pura. Também isto faz parte dos arquétipos que o intelecto divino concebeu, dando forma à substância, na proporção e na medida de cada criatura. Aleluia!
Em suma: descobri o Senhor. E, a partir deste dia de Glória, cientista algum me poderá convencer de que a Sua obra não é coetânea com o próprio tempo e o próprio espaço. Em breve, irmãos e irmãs, em breve vos darei mais novas desta mudança maravilhosa.
Afixado por João Garcez às 12:36 | Afixadelas (9)
Desemprego
O desemprego é das tais hidras com muitas cabeças, e há a tendência a sentir que a cabeça que morde mais é aquela que conhecemos de perto. Há o desemprego para onde se é arrastado porque a empresa faliu ou decidiu mudar-se para outras paragens e, trabalhadores em plena maturidade, com família, com encargos, vêm-se de repente a viver um pesadelo de não saber como vão pagar a renda da casa, ou as refeições dos filhos. Há também o desemprego dos mais idosos, que muitas vezes são despedidos porque já não rendem tanto, ou a firma muda de donos, e não conseguem arranjar ocupação - os novos patrões consideram que eles são muito velhos. E é quando mais precisam de ganhar alguma coisa, porque muitas vezes já andam doentes, e só em farmácia é um balúrdio.
Mas temos também o desemprego jovem.
É um dos mais aligeirados, porque não tem a carga destes que acabei de citar. Mas terá outros sinais também muito maus! É o estrear a sua vida de adulto com um fracasso. É o terminar uma formação, muitas vezes com dificuldades, e ver o deserto à sua frente. É o habituar-se a “não fazer nada” ou a recorrer a expedientes. É o ter andado a estudar, muitas vezes entrando em áreas onde o acesso era difícil, para depois recorrer a empregos temporários com funções que não têm nada a ver com a sua formação.
E depois, se reclama, ouvir a frase que parece um eco, “se fosses só tu” e isto acompanhado de um encolher de ombros. Como quem diz, “é uma fatalidade, mas conforma-te, porque há muitos no mesmo caso”
Lá isso há! Em Portugal está acompanhado por 16% dos desempregados. Grande companhia.
Afixado por Emiéle às 10:39 | Afixadelas (6)
A Saúde ao domicílio
Vi ontem no telejornal e reencontro a notícia escrita: vai implementar-se um novo modo de atendimento a doentes idosos e crónicos que consiste em evitar que o doente se desloque ao hospital e seja a equipa médica a deslocar-se a casa do doente.
Fiquei pasmada.
Não porque a teoria não seja boa. É óptima, até. Em vez de o doente passar horas à espera numa sala, sentado numa cadeira de plástico, a aborrecer-se, a ser possivelmente contaminado por outros doentes com outras maleitas, é mil vezes melhor esperar no conforto da sua casa que o venham tratar. Excelente.
O que me deita espantada é a dúvida de como isso vai ser feito…?
Se já há poucos técnicos para atender os doentes nos próprios centros de saúde e urgências, como é que se vai fazer o milagre da multiplicação dos peixes, e “inventar” enfermeiros e médicos que ainda vão perder tempo em deslocações? Que a medida, em teoria é correcta, não tenho dúvida. A minha enorme dúvida é - com que meios humanos se pensa incrementá-la?
Vamos ver. Não quero deitar abaixo antes de dar tempo à medida se pôr de pé mas, por enquanto, tenho as maiores dúvidas nos seus resultados e receio que os tais idosos não venham a ser atendidos, nem nos hospitais nem em casa.
Afixado por Emiéle às 10:19 | Afixadelas (3)
Assustador
É impossível para quem não viva numa torre de marfim, pensar em notícias sem vir em primeiro lugar o pesadelo dos incêndios. Não quero hoje falar de culpas ou responsabilidades, ou prevenção, ou socorro, ou no que “devia ser feito”. É que até já nem sei nada! Oiço tanta coisa, e todos parecem saber tanto, que me parece que esta nossa terra se transforma num instante do país dos treinadores de sofá para os bombeiros de sofá. Tenho a sensação de que todos sabem o que se deve fazer ou o que se devia ter feito.
Eu confesso que já não sei nada.
Sinto-me completamente horrorizada. Da catástrofe que estava a ser, o arderem desde há anos para cá, grande parte das nossas zonas arborizadas, chegamos a onde nunca se tinha chegado: os incêndios atingirem povoações e até já cidades, grandes cidades mesmo. Abrantes, Coimbra, fala-se em Santarém, será que li Porto…?
Nunca imaginei assistir a semelhante espectáculo. E tenho de dizer que sinto medo. Como ter montado um cavalo que tomou o freio nos dentes e vai para onde quer sem ninguém o conseguir impedir.
Medo. E um profundo desgosto.
Afixado por Emiéle às 09:49 | Afixadelas (13)
agosto 22, 2005
O Baloiço
Hoje, depois de um post-desabafo e um post-resposta de duas colegas de blog, dei comigo a reflectir como a experiência de cada um de nós, por definição é tão difícil de transmitir. Porque é nossa, pessoal. Mesmo quando queremos sentir pelos outros, somos sempre nós que estamos ali.
Vivi estes meus últimos 3 dias de férias junto a uma amiga. Uma rapariga fantástica, cheia de qualidades, e muito diferente de mim em muitas coisas – apesar de surpreendentemente semelhante noutras… Entre muitos e muitos assuntos de conversa, falámos das recordações de férias. As famosas férias “na terra”, porque todos temos “terra”, mesmo os que, como nós as duas, somos de Lisboa: é a terra dos pais, ou até dos avós. E eu contava a recordação, felicíssima, que guardava dessas famosas férias da infância. Para a minha amiga, nada disso. Era um tempo de opressão, numa aldeia muito pequena e preconceituosa, onde uma menina não podia fazer certas coisas porque não era bonito. Experiências e recordações posso dizer que opostas. Para mim era uma festa a ausência de electricidade e os candeeiros de petróleo, sentia como se vivesse no tempo dos reis, só faltavam as saias de balão. Que divertido! Para ela era uma seca as noites sem nada para fazer, nem televisão, nem convívio - “porque era uma menina”.
Em determinado momento do nosso passeio, creio que em Marvão, passamos por um largo com uns baloiços pendurados. Ela saltou para um, e desafiou-me a ver quem baloiçava mais alto. Hesitei. Se calhar já não sei dar balanço… Aos anos que não brinco assim.
Mas atrevi-me. Afinal não tinha perdido o jeito. Começámos a cortar o ar, no meio de risota. De repente a vida começou a rebobinar depressa, depressa, e eu senti-me de novo com 7 anos, num baloiço improvisado, na quinta da minha tia-avó, lá no Alentejo. Se fechasse os olhos ainda podia imaginar que tinha por detrás o meu primo Tó, que, se me apanhava distraída, dava-me um forte empurrão de modo que o baloiço quase tocava as traves do alpendre. Depois eu vingava-me, está visto.
Mas são momentos que se mantêm vivos ao longo dos anos. Momentos meus. Pessoais. Intransmissíveis. E muito felizes.

Afixado por Emiéle às 19:10 | Afixadelas (8)
SE ELE O DIZ…

O papa Bento XVI veio queixar-se publicamente do pouco empenho que a sua Entidade Patronal anda a dedicar ao bem-estar cá da malta.
"Em numerosas partes do mundo existe hoje um estranho esquecimento de Deus", afirmou ele. Essas "partes" devem incluir o sudoeste asiático, ainda a penar os efeitos do tsunami, África, ainda e sempre condenada à fome, e mesmo Portugal, onde tudo arde e nada de jeito cresce.
É um bocadito feio pôr a boca no trombone e chamar assim "esquecido" ao patrão; mas louva-se o desassombro, de qualquer forma.
Afixado por João Garcez às 17:18 | Afixadelas (14)
Uma pequena resposta a um post da M

Dum lado tens uma montanha escarpada. Do outro tens o abismo.
Entre a montanha e o abismo tens um caminho. Um caminho estreito. Não tens escolha. Tens que o seguir. A curva apertada impede-te de ver para lá dela. Mas só até lá chegares. Quando lá chegares possivelmente encontrrás uma nova curva, mas terás andado mais uns passos. De vez em quando as curvas e as contracurvas do caminho tornam-se monótonas, sempre iguais e ficas cansada. Entediada. Mas sabes que não podes subir a encosta nem descer para o abismo. Não podes voltar para trás, porque já chegaste aqui. Algumas vezes apetece-te parar e desistir, mas a curiosidade do que está para lá da curva e, depois, da contracurva, impelem-te a seguir. Obrigam-te a não parar.
No fim do caminho sabes que algo te esperará. Nem que seja a sensação que fizeste o caminho.
E que não podias ter parado, porque querias saber o que encontravas para lá da curva.
Há uns tempos, numa dessas alturas, em que não encontrava força para ultrapassar a curva, em que me cansava de saber que a seguir a essa encontraria uma outra e outra, fiz aqui um post com uma cadeira vazia. Pensava eu que seria o que iria encontrar no fim do caminho. E doía. Afinal no fim do caminho estreito entre as rochas e o abismo, encontrei vida. Acredita. Depois das curvas apertadas, há vida. Basta resistir à vontade de parar.
Afixado por Isabel às 11:57 | Afixadelas (16)
Namoro, química e física
Estamos sempre a aprender.
Não encontrei o acesso a este estudo ( ? ? ) , mas deixa-me a pensar.
Como?
“Comportamento do átomo em queda”???
Portanto, segundo estes senhores, a velha ideia de que o amor seria uma questão de química, está ultrapassada. Agora a última palavra é o modelo atómico. As pessoas sós procuram companheiro ( bem, isso não será novidade ) mas o melhor é que se «procure menos e deixar que os outros venham ao seu encontro»É uma ideia. Muito cómoda. Cómoda demais, parece-me a mim, se todos adoptarem este modelo, quem é que vai ao encontro de quem…?
Ná. Não me convence mesmo nada.
Nem química nem física, o mundo dos afectos é outra coisa.
Afixado por Emiéle às 11:09 | Afixadelas (4)
Sorrisos
Estudar sorrisos. O que é aqui referido deve ter dado uma trabalheira, apesar de me parecer agradável. Analisar os sorrisos é uma matéria que “me sorri”. Pelo menos na aparência. O investigador andou a estudar cem mil fotografias publicadas na nossa imprensa e deu para concluir que andamos a sorrir menos. Pudera! Mas há quem pense que temos motivos para rir?
“A expressividade do sorriso - estudo de caso em jornais portugueses”, chama-se a investigação e foi dito à Lusa que as expressões foram classificadas em 4 categorias: sorriso largo, superior, fechado e a face neutra.
E a expressão preocupada, ou até carrancuda? Não se encontrou?
Foi engraçado verificar que os maiores sorrisos foram encontrados em crianças. Natural. Ainda andam por cá cheios de inocência
Afixado por Emiéle às 10:58 | Afixadelas (2)
A coisa mais chata da vida...
... é não estar à espera de nada.
Afixado por M. Butterfly às 09:50 | Afixadelas (6)
Anomalia?
Há mais de um mês, cada vez que abro os jornais on line, os títulos são sempre iguais: Quarenta fogos por controlar, cinquenta fogos deflagraram ontem em todo o país, o concelho de Pampilhosa da Serra continua a arder e Viana do Castelo e antes Arganil e Abrantes e antes Mafra.
Há mais de um mês.
Ontem, o primeiro ministro, recém chegado de férias, logo acompanhado pelo Ministro António Costa (ou seria ao contrário?) dizia que a ajuda internacional só foi solicitada agora porque só agora foi necessária. Não se pode abusar destes pedidos, por dá cá aquela palha e só neste momento o número de incêndios foi considerado “anómalo”. Fui confirmar ao dicionário e anómalo significa irregular, que é contrário à ordem natural. Deduzo que, desde há mais de um mês para cá, os títulos dos jornais online e as aberturas dos telejornais, falavam de coisas regulares, conforme a ordem natural. O país está a arder há um mês, mas o Sr. Ministro e o Sr. Primeiro Ministro dizem que é natural. Valha-nos isso para continuarmos a suportar as imagens que diariamente nos entram pela casa adentro. E o fumo. E a não ver o Sol, escondido no céu “naturalmente” cinzento.
Hoje começam a chegar os meios aéreos que o Governo solicitou. Não eram necessários mais cedo, disse Sócrates e António Costa. Afinal, devem ter razão. Ainda há país para arder.
Naturalmente.
Afixado por Isabel às 09:34 | Afixadelas (4)
agosto 21, 2005
Regresso das mini-férias
Voltei.
Cansada e consolada. Com a base em Castelo Branco, fui correndo a região à volta e para baixo, até Ponte de Sôr. Não será muito olhando para o mapa, mas se contar com os caminhos secundários que percorremos, foram muitos quilómetros… Porque parei em muitos e muitos sítios para saborear bem aquilo que via.
Comecei por ir ver as estrelas e a lua a Belmonte. Isto sexta à noite porque tinham montado lá um telescópio “à séria,” e a lua cheia parecia estar mesmo ali, à distância da nossa mão. Lindíssimo o céu no campo. Aprendi que podemos ver 88 constelações…e eu só me lembrava das 12 do zodíaco, mais as Ursas. Meus Deus, o que eu não sei!!! Marte, só aparece no céu depois da 1 da manhã, mas antes disso além de Vénus, Júpiter também brilhava imenso. Tudo isto em Belmonte.
E, nos outros dias, começamos a descer. Tenho muito para relembrar! A vista magnífica do alto de Castelo de Vide. E um almoço excelente, saboreando outra perspectiva, essa famosíssima em todo o lado, da vista do cimo de Marvão. E o Alentejo por ali fora, Alter do Chão com os cavalos, Ponte de Sôr ( sem viva alma às 3 da tarde, que os alentejanos não são loucos como estes viajantes…) o Crato, Nisa, Portalegre,...eu sei lá. Um passeio fantástico, que me carregou as baterias de energia e sossego.
Como a frase que vi muitas vezes escrita por lá :
Alentejo, onde o tempo é tempo.

Afixado por Emiéle às 22:46 | Afixadelas (4)
Tipicamente...

Acho que me apaixonei nos Amigos de Alex. Ao longo dos anos, fui devorando todos os filmes. Diziam-me os amigos, dizia a crítica que ele é sempre igual. Tem sempre os mesmos tiques, os mesmos gestos, o mesmo sorriso e o mesmo olhar. No cinema, parece-me que tenho gostos diferentes aos da vida. Gosto de actores (engraçado, só me lembro de homens) que sejam sempre iguais. Prefiro o Jack Nicholson ao Roberto de Niro, por exemplo. E não me digam que não se pode fazer este tipo de comparações, porque me apetece e pronto. Parece que, quando vou ver um filme destes actores são os gestos sempre iguais que procuro. Não vou, essencialmente, para ver um filme. Vou para matar saudades.
Vi as Noites Escaldantes, O Beijo da Mulher Aranha, os Filhos dum Deus Menor, o Turista Acidental, a Alice, a Edição Especial, o Mistério de Gorki Park, o Até ao fim do Mundo, as Viagens Alucinantes, dezenas de vezes. Sem nunca me cansar do sorriso, do ar desajeitado, do olhar perdido.
Perdi a conta às vezes que vi os Amigos de Alex e o Fumo. O ar de perdido, de coitadinho, de quem pede uma festinha na cabeça, de quem não sabe por onde nem para onde vai, ainda me dá volta à cabeça.
Parece que anda com problemas graves com o álcool, que está cada vez mais igual, que está gordo, que quase não filma, que está velho. E eu continuo aqui cheiinha de saudades. E com vontade de lhe fazer aquela festinha na cabeça, que o fizesse sorrir daquela maneira desajeitada, que usava quando a Geena Davis lhe ensinava a passear o cão ou a Kathleen Turner o convencia a matar o marido. Isto para não falar naquele arzinho que fazia quando a namorada do Kevin Costner, ou seja do Alex (deve ser porque, no fim do filme, acaba por ficar com ele, na casa do quintal, que sempre me recusei a decorar-lhe o nome...) recentemente passado para os anjinhos por conta própria, lhe pegava na mão para o levar para o escuro.
Com esta imagem de indefeso, quem é que tem tempo para reparar naqueles pormenores todos que a crítica usa para lhe chingar o juízo? Quem é que pode resistir e não continuar embevecida, estes anos todos depois daquela busca desesperada no porta-luvas do automóvel, no caminho do funeral?
Desculpem o desabafo, mas sou capaz de, esta tarde quente, ir ver pela 23º vez o funeral do dito, a amiga que empresta o marido à amiga para tentar fazer a criancinha, a amiga que volta a dar uma voltinha com o amigo para reviver os tempos antes de casar com um chato, o amigo que tenta entrar no carro pela janela como faz nos filmes...para poder encontrar aquele arzinho infeliz a enrolar um charro. A gente não manda na vontade. Ponto final. Viva o meu Williamzinho. Como diz um amigo, tipicamente “gaja”. Com aspas. Ou sem elas? Sei lá...vou pegar no DVD. Que eu, nestas coisas ( e noutras que não vêm para o caso, mas os amigos conhecem bem...) gosto muito de ser típica.
Afixado por Isabel às 13:37 | Afixadelas (9)
Deixa-me cá ver...
... o que raio será isto..????

Afixado por Emiéle às 12:14 | Afixadelas (2)
agosto 20, 2005
Ando a passear
E a rever a minha terra.
Já ando confusa, porque não sei se gosto mais

disto ou

disto...
De TUDO é claro!!!
Afixado por Emiéle às 19:19 | Afixadelas (1)
Deixem-me respirar!!!!

- Quem? Nunca ouvi falar...
- Vais ver que gostas. Não sejas chata...leva e lê...
- Mas é japonesa?
- Achas? Já viste o título? Chinesa, "miga". Vá leva, Lês no fim-de-semana e trazes Segunda...
- E tu achas que eu vou ler isto no fim-de-semana? Tenho mais que fazer...
- Cala-te e pega no livro!!!
Tive que vir respirar. Já é a segunda vez que tenho que vir respirar. Faz demasiado calor. Agora vou lá voltar. Até logo!
Afixado por Isabel às 17:54 | Afixadelas (2)
Uma fábula

Poderia parar e imaginar que me ocupavam a minha casa. Destruíam tudo o que encontravam. Não queriam nada que os fizesse recordarem-me.
Anos depois, em nome de interesses que não os meus, em nome de justiça que não a de me devolverem a casa que era minha, abandonavam o local onde fora a minha casa. Antes, destruíam tudo. Assim, não poderia lá voltar a viver. Assim, teria que encontrar força para tudo reconstruir. Que eles sabiam que eu não tinha.
Poderia falar da casa da minha irmã que tinha sido ocupada quando a minha e que não lhe seria devolvida. Poderia falar no dinheiro que receberiam para deixar a minha casa. E que continuariam a receber, mesmo que a deixassem em cacos.
Poderia falar...mas, ao buscar uma foto no Google, dei-me com o Cordeiro e o Lobo, de La Fontaine.
Ainda não encontrei a fotografia que procurava. Uma que falasse de Paz.
Fica a fábula.
Na água limpa de um regato, matava a sede um cordeiro,
quando, saindo do mato, veio um lobo carniceiro.
Tinha a barriga vazia, não comera o dia inteiro.
- Como tu ousas sujar a água que estou bebendo? – rosnou o Lobo a antegozar o almoço. - Fica sabendo que caro me vais pagar!
- Senhor – falou o Cordeiro – encareço à Vossa Alteza que me dsculpeis mas acho que vos enganais: bebendo, quase dez braças abaixo
de vós, nesta correnteza, não posso sujar-vos a água.
- Não importa. Guardo mágoa de ti, que no ano passado,me destrataste, fingido!
- Mas eu nem tinha nascido.
- Pois então foi teu irmão.
- Não tenho irmão, Excelência.
- Chega de argumentação. Estou perdendo a paciência!
- Não vos zangueis, desculpai!
- Não foi teu irmão? Foi o teu pai ou senão foi teu avô.
Disse o Lobo carniceiro. E o Cordeiro devorou.
Afixado por Isabel às 17:07 | Afixadelas (1)
"Bolinhas" e "Bolacha Americana", apareçam!
Enfiado numa quente e aconchegante barraquinha da PT, interrompo estas minhas férias para fazer um apelo: Se alguém vir por aí duas crianças que parecem acudir pelos nomes de "Bolinhas" e "Bolacha Americana", façam o favor de as levar ao senhor guarda mais próximo - é que os familiares não cessam de as procurar, de maneira já algo descoroçoante para as minhas férias, por todas as praias do Algarve que eu tenho frequentando nos últimos dias. E eu, embora perceba o desespero da família, já estou farto de os ouvir. Por favor, putos, apareçam. Pelo bem do turismo algarvio.
Afixado por afixe às 16:00 | Afixadelas (2)
Tou como quero!!!
E mais uma cervejinha !

Afixado por Emiéle às 15:21 | Afixadelas (5)
Era apenas isto que eu queria...

Ontem à noite saí para jantar fora. A intenção era ir à Trindade comer um daqueles bifes óptimos para a saúde com muito molho, onde se pode comer muito pão e beber muita cerveja. Quando chegámos à minha cervejaria (e, apesar do serviço que muitas vezes é muito pouco profissional e nada amistoso, aquela é a minha cervejaria) estava completamente cheia, com uma fila que saía da porta.
Uma das minhas amigas mais impacientes e a quem doía um pé, propôs que fossemos a outro lado.
Rumámos para o Bota Alta. Que estava cheio e com uma fila até à porta do vizinho.
A minha amiga disse que o pé não parava de doer e que há anos costumava frequentar um restaurante onde se servia uma paella muito boa.
O meu filho e a filha dessa amiga que nos acompanhavam estavam a começar a ficar algo impacientes com fome e decidimos aceitar a sugestão da paella.
Quando entrámos à porta começou o filme de terror.
Em cima do balcão, dentro duma fruteira (?) três bananas com ar de sofrerem de doença incurável, não paravam de me olhar. Chamei a atenção, aos meus amigos, para o aspecto das ditas, ainda antes de chegar a ementa, mas recebi um coro de e entãos.
Fiquei caladinha. Quando a ementa chegou o sr. disse-nos que a Paella levaria mais de uma hora a fazer. Olhámos uns para os outros e decidimos pedir outra coisa. Como tem tudo a ver com paella, eu e o João Pedro pedimos uma carne de porco à alentejana.
Entretanto já tinha chegada a sangria. Nunca tinha visto grãos de café numa sangria mas alguém me disse que era sofisticado (!!??).
Quando os pratos começaram a chegar, começou a ficar tudo um bocadinho para o amarelo. O que era aquela coisa que acompanhava as costeletas, perguntava um. Onde á que andam as batatas das iscas, questionava-se o outro.
O meu prato demorava e, entretanto, eu não conseguia tirar os olhos duma "mousse de chocolate" que estava dentro duma taça. O ar de cimento era-me familiar, apesar de não lhe reconhecer a cor.
Quando, finalmente, a carne de porco à Alentejana chegou, foi o fim. Aquilo sabia a um sabor novo, esquisito, enjoativo. O meu filho olhava para mim e encolhia os ombros. Dei a toda a gente a provar até que alguém disse "Isto é erva doce…!!!" Erva doce? Na minha carne à Alentejana? Mas, o pior, ainda nos estava reservado. Em vez de amêijoas aquela coisa vinha acompanhada de três mexilhões. Ok, pensei, se estive quatro dias na Bélgica e sobrevivi, devo aguentar estes. Mandei-me para o primeiro mexilhão. Não abria. Pedi reforços. Não abria. Finalmente um colega mais forte e encorpado abriu o gajo. Que estava cru. Completamente cru...os outros, pedi para não tentarem.
Chamei a menina que nos servia e perguntei-lhe que prato era aquele. Entretanto o meu filho só dizia "Mãe, tem calma" e eu dizia "Claro que tenho..." A sra. respondeu "O que a sra pediu" "OK, mas o nome" "Carne de porco à Alentejana" "Isto é carne de porco à Alentejana? onde é que estão as amêijoas? E os coentros?" "Aqui...ah, tem razão, são mexilhões" "E estão crus!" "Ah, tem razão e estão crus..." " E os coentros?" "Nunca usanos coentros...""E está doce…" "Ah, mas isso é normal, a cozinheira é estrangeira e gosta de pôr erva doce e canela nos pratos...".
A menina afastou-se, sem me perguntar se queria trocar por outra coisa, sem um pedido de desculpas, uma palavra. Perguntei ao João Pedro se conseguia comer aquela mistela. Disse-me que achava que não.
Fim da história: pela primeira vez na minha vida, agora com esta provecta idade, decidi sair dum restaurante sem comer nem pagar a conta. Chamei a menina, de novo, e disse-lhe que queria pagar a coca cola , o queijo e o pão. "E o resto?" perguntou. "Arranja-me carne de porco à Alentejana?".
Combinei com os meus amigos que nos encontraríamos um pouco mais tarde e fui com o João Pedro comer duas tostas mistas cada um, ele bebeu coca-cola e eu imperial. Tivemos direito a esplanada e tudo. Quando nos encontrámos, mais tarde, os meus amigos vinham todos com ar de doentes. Nós os dois estávamos satisfeitos e felizes. Recebi uma chamada há pouco dum deles que diz que está mal dos intestinos. Respondi-lhe que é o resultado de não saberem ser intolerantes. Nestas coisas, as únicas assevero-vos, eu sou. Aprendi a ser. Não saio de casa para jantar fora para me darem carne de porco à Alentejana doce e com mexilhões crus. Não pactuo com faltas de qualidade e de profissionalismo, nem com espertezas saloias. Há unos anos, deveria andar aqui, hoje, a correr para a casa de banho. Hoje estou aqui satisfeitíssima com as tostas mistas.
Não me lembro o nome do maldito restaurante. Sei que fica no Príncipe Real e que diz que é especializado (???) em paella. Pela vossa rica saúde, não entrem.
Afixado por Isabel às 11:54 | Afixadelas (5)
agosto 19, 2005
"Chá frio de flores egípcias”.
Parece inacreditável, mas é verdade. Foi necessário vir até ao interior do país para chegar a este requinte.
Estou em Castelo Branco.
É uma terra que já começo a conhecer um bocadinho, embora ainda superficialmente. É apenas a quarta ou quinta vez que cá venho, e de todas elas tenho ficado surpreendida.
Desta vez foi o lanche que me surpreendeu.
Está calor como se pode calcular. Todo o país está quente e esta zona por maioria de razão. Fui lanchar e...
Imaginam o que bebi ? Num café muito agradável, apresentaram-me uma "Carta de Chás" com 34 variedade!!! TRINTA E QUATRO ! Acabei por escolher uma bebida refrescante chamada, muito sofisticadamente, “Chá-fresco-de-flores-egípcias”
Siiiim!
Em Castelo Branco. Amanhã vou provar "sonhos orientais".
Num simples ( ??!? )requintado café.
Vi-va-o-in-te-ri-or!
Qualidade de vida, heim?

