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agosto 09, 2005
Para um amigo ausente

Só agora olhei o calendário. Já passa muito da meia noite, eu sei.
Custava-te a descer as rochas. Cansavas-te a percorrer o areal. Naquele ano, percorremos a costa alentejana num Diane castanho. Tinhamos acabado de nos encontrar. Ainda acreditávamos que poderiamos nunca nos perder. Até tu acreditavas que querias viver.
Acampámos, ali, bem juntinho à praia. Durante aqueles dias enormes e aquelas noites ventosas do fim de Junho, vivemo-nos.
Nunca se deve voltar aos lugares onde se foi feliz, dizia o poema. Os poetas são uns fingidores.
Hei-de voltar à Carrapateira.
Seguramente não iriamos à Carrapateira juntos, hoje. Mas queria tanto que tu lá pudesses estar. Talvez por ser 9 de Agosto.
Parabéns, meu amigo. Não é todos os dias que se faz cinquenta anos. Mesmo estando longe.
Afixado por Isabel em 9 de agosto de 2005, às 14:31
