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agosto 11, 2005
Poesia no feminino - I

Acho estimulantes aa discussões sobre se há uma maneira feminina e outra masculina de estar na vida. Estou, claramente, do lado dos que acreditam que sim. Que não estamos, sonhamos, vivemos e sentimos da mesma forma.
Claro que temos sonhos e objectivos comuns. Somos seres humanos. Claro que amamos e nos apaixonamos. Somos seres humanos. Claro que choramos. Somos seres humanos. Mas não creio que o façamos da mesma forma. Com a mesma forma. E acho uma maravilha que assim seja.
No entanto, já não acho tão discutível que haja uma escrita feminina. Sobretudo, uma poesia feminina. Aqui, confesso, sou bem mais categórica. Há. Acredito que haja. E dificilmente me conseguirão convencer do contrário.
Há dias, numa das minhas habituais peregrinações pela FNAC (confesso que é a única ”grande superfície” que me faz trair com prazer as lojas de bairro), descobri uma colectânea de poemas, compilados por José Fanha e José Jorge Letria com o nome “Cem Poemas Portugueses no Feminino”.
Dessa recolha, já aqui publiquei o corpo de Maria Teresa Horta.
Porque gosto de poesia e acredito que o que dá verdadeiro sabor à vida é a alegria da diferença, aqui irão ficar mais alguns.
dá-me vinho meu amor
dá-me vinho
vinho pela tua boca
deita-me junto ao rio
abraça-me contra a terra
abraça-me dentro de água
mas dá-me vinho
dá-me
sem parar
hoje quero ser tua
da maneira mais louca
Lua cheia - Y.K.Centeno
Afixado por Isabel em 11 de agosto de 2005, às 10:41
