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agosto 07, 2005

Teve que ser...

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Durante muito tempo adiei a conversa que tinhamos que ter. Fui adiando, não só por ter medo da resposta, mas, sobretudo, por não ter a certeza se te provocaria alguma dor. Acredita, meu amor, que não somos capazes de, conscientemente, nos arriscarmos a provocar sofrimento aos nossos filhos.
Ontem, aproveitando o fim de tarde, com o mar a molhar-nos os pés e o Sol a ser, finalmente, piedoso para a nossa pele, naquele infindável passeio à beira mar, “quando não aguentares mais eu levo-te às cavalitas”, tinhas-me dito ao deixarmos os nossos amigos, ganhei, enfim, coragem.
Quando me pegaste na mão “Antes que o mar te leve, que tu já estás um bocadito cota e o mar, aqui, puxa muito”, à pergunta, tantas vezes adiada, respondeste calmamente “ Não, Mãe, não sinto. Eu sou muito feliz contigo. E agora chega de palermices...Vamos mas é fazer a corrida que prometeste”. Desculpa ter insistido. Mas, agora, que tinha finalmente, “saído”, agora que és um homem, agora que, como dizes, sou mais amiga que mãe, senti que não poderia deixar de aproveitar a oportunidade.
Apertaste-me a mão com força e perguntaste se queria que escrevesses na areia.”O mar, depois, leva…”, disse. “Só o que nós queremos que ele leve”, respondeste.
Fiquei com o coração mais quente. E compreendi que, afinal, não tinha adiado a pergunta. Só a poderia ter feito, agora. Ali. Na praia. Ao pôr do Sol e ao pé do Mar.

Afixado por Isabel em 7 de agosto de 2005, às 19:29

Afixadelas

(de lágrimas nos olhos) Isabel, pode ele até achar que és agora mais amiga que mãe, mas isto só prova que és (e foste sempre) a Mãe dele. Mãe a dobrar. Um grande beijinho.

Afixado por catarina em 7 de agosto de 2005, às 21:58

Como já "cá" cheguei, e não resisto a vir espreitar 0 "nosso menino" como diz o nosso comum amigo, também não resisto em deixar umas palavras.
Tal como diz a Catarina, a resposta deu-te o teu filho: com uma mãe dessas, ele tem de se sentir feliz. Se assim não fosse, durante 15 anos já tinhas a resposta à pergunta que só agora fizeste. Não te culpabilizes minha amiga. O teu filho é feliz. Muito mais do que outros que eu bem conheço.

Afixado por Emiéle em 7 de agosto de 2005, às 23:04

Catarina, talvez, algumas vezes, as dúvidas sejam muito mais nossas do que deles. E os medos. A incerteza se se fez tudo o que podiamos ter feito.E que eles tinham direito a esperar que fizessemos. Soube bem o passeio à beira mar.
Não sei se ele precisava da pergunta. Eu precisava da resposta.Creio que ele não sofreu com a pergunta.E compreendeu que eu precisava da resposta. São asssim os amigos, não é?

Para ti, também, Catarina.

Afixado por isabel em 7 de agosto de 2005, às 23:09

Émièle, só agora tive direito ao computador...tá bem que me leva ás cavalitas e me puxa do mar se ele estiver bravo...mas o computador já tem o horário feito...por isso vejo com alegria que já te instalaste, amiga.
Não são culpas, creio. São dúvidas. Muitas.Mas sei que tens razão, se a resposta fosse outra em quinze anos eu já tinha sabido. Afinal, nós sabemos tanta coisa deles, mesmo sem perguntar...

Afixado por isabel em 7 de agosto de 2005, às 23:15

Eu tenho um segredo para a minha mãe. Somos grandes amigos, mas nunca lhe contei. Porém, tenho quase a certeza que ela sabe e nunca fez essa pergunta.
Elogio a tua actitude, Isabel.

Afixado por Zoick em 8 de agosto de 2005, às 11:11

Zoick, aqui não se trata dum segredo do meu filho. Apenas(?)de dúvidas de mãe.
Se soubesse ou sentisse que o João Pedro tinha um segredo? Se lhe perguntava? Não sei.Talvez sim. Porque ele é, por mais amigos que sejamos, meu filho. Se bem que aos meus amigos, às pessoas de quem gosto normalmente não sou capaz de fazer perguntas. Acho sempre que os amigos nos dão as respostas sem termos que fazer perguntas.Quando acharem que é o momento. Se acharem que é o momento. Soa-me sempre a interferência...ou tenho medo que lhes soe a eles...algumas vezes me arrependi. Até porque às vezes as pessoas confundem o não querer interferir com deinteresse. Mesmo que nos conheçam bem.Sei lá, as relações entre as pessoas, não são coisas fáceis...

Afixado por isabel em 8 de agosto de 2005, às 13:16

Não o são, realmente, Isabel. E não existe, em sitio nenhum, um manual de relações pessoas, embora hajam alguns cursos, por aí, que tentam dar umas dicas.

Afixado por Zoick em 8 de agosto de 2005, às 15:39

Cada pessoa é uma pessoa, cada relação uma relação, cada amigo um amigo...devem servir para tão pouco as dicas dos cursos...
Mas, secalhar, ainda bem. Que piada teria a vida se viesse com manual de instruções?

Afixado por isabel em 8 de agosto de 2005, às 16:16

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