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agosto 19, 2005

Volta!

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Nunca nos entendemos. Nunca entendeste a minha loucura, eu nunca entendi a tua passividade. Nunca entendeste as minhas paixões, eu nunca entendi nunca te ver apaixonada. Talvez, quando o teu neto nasceu, tivesse visto laivos de paixão no teu olhar, mas sempre te preocupaste tanto com tudo, que nunca te sobrou muito tempo para que, mesmo então, os teus olhos brilhassem
Talvez bastasse um gesto. Mas eu não sei o gesto.
Nunca nos entendemos. Quando te falava de voar, respondias-me que estavas demasiado cansada para andar. Dantes, há muito tempo, ainda nos entendiamos a fazer bolos – lembras-te das bolachas de manteiga? E da torta de chocolate? Com o tempo, começaste a dizer que o forno não funciona bem.
Talvez bastasse uma palavra, mas eu não sei a palavra.
Nunca nos entendemos no tempo. Quando havia um dia de Sol, dizias sempre que a aragem indicava que vinha aí chuva, quando chovia, eu dizia-te sempre que aquela nuvem branca lá ao longe, por cima de Santarém, anunciava que o Sol estava a chegar. Nem no outro tempo. Quando eu dizia que era tarde tu dizias que era cedo. Quando eu dizia que tinha tempo, tu dizias que eu nunca tinha pressa para nada.
Hoje, sinto que terei que encontrar a forma. De te trazer de volta. Não quero acreditar que seja tarde. Mas não sei o que fazer para ainda ir a tempo.
Ontem, à noite, aproveitando o facto do teu marido e do teu neto andarem a passear, disse-te que precisava de ti. Mais uma vez não nos entendemos. Perguntaste-me para quê e eu não soube responder. Nunca entendeste que nunca há um para quê quando preciso das pessoas. Nunca entendeste que só te saberia responder se me perguntasses porquê. Ontem repeti-o três vezes na esperança que fizesses a pergunta.
Pergunta-me porquê, por favor. Para poder dizer que é porque te amo. E para poder voltar a rapar a tigela da massa da torta de chocolate.

Afixado por Isabel em 19 de agosto de 2005, às 09:36

Afixadelas

ISABEL, há pessoas assim que não se deixam ajudar! Estão como que, desiludidas com a vida e com tudo o que lhes cercam.

Afixado por soslayo em 19 de agosto de 2005, às 11:15

Pois é Soslayo, sentimo-nos tão impotentes...e tristes. Sobretudo quando sabemos que só há uma. E que não a queremos perder.
Mas eu sei que hei-de encontrar a palavra. E o gesto.

Afixado por isabel em 19 de agosto de 2005, às 11:32

Amiga, Diz nem que não encontres as palavras, o momento e o gesto certo. Diz porque amanhã pode ser tarde. Não queiras ter pesadelos a meio da noite porque encontraste a palavra e o gesto mas já não tens quem amas.

Eu hoje tenho todas as palavras, já esgotei todos os gestos e só tenho uma pedra marmore em forma de coração para onde falar. Deixei de abrir albuns de fotografia porque não posso dizer o que deveria ter dito há alguns anos atrás e porque recordo momentos que não foram vividos na plenitude porque havia uma parede estúpida que me impedia de dizer e de ouvir uma palavra bonita.

Diz mesmo que pareça forçado. Repete-o até que a parede se desfaça em mil pedaços e que a outra pessoa te oiça. Mesmo que a principio não comuniques, continua a falar. A comunicação virá.

Desculpa por te ocupar o espaço com estas lamechices mas sei o que vivi e vivo e aos amigos nunca se deseja nada de mal.
*

Afixado por Daniel Arruda em 19 de agosto de 2005, às 13:10

Daniel, desculpar?
Obrigado pelas tuas palavras. E pela amizade.
Um abraço, do tamanho do bem que me fez lê-las.

Afixado por isabel em 19 de agosto de 2005, às 14:18

Querias a minha posta emprestada? Troco-a de bom grado por esta, colega. E saio a ganhar muito com o negócio.

Afixado por sharkinho em 19 de agosto de 2005, às 16:51

Não esperes que te adivinhem, minha querida, nem no significado do que dizes nem na natureza do que queres ouvir. Se nunca se entenderam, não podes esperar que isso vá acontecer agora sem uma mudança no modo, que vais ter que ser tu a protagonizar. Não percas a oportunidade. Nem duvides que ela também te ame, mesmo sem te entender. Coragem.

Afixado por susana em 19 de agosto de 2005, às 17:08

sharky, ficávamos os dois a ganhar, então.
De qualquer forma já to pedi emprestado...e já o "dei". Em palavras.São mais fáceis que as que me faltam aqui...

Eu sei, Susana. O meu medo é o tempo. Nunca tivemos a mesma noção de tempo.

Afixado por isabel em 19 de agosto de 2005, às 17:37

Senti este texto na pele.Espero que te tenhas sentido mais aliviada pelo simples facto de o conseguires escrever.Bom post parabéns:)

Afixado por patrícia em 19 de agosto de 2005, às 17:38

Obrigado, Patrícia.
Foi para procurar algum alívio que o escrevi, sim. E consegui...assim fossem possíveis de encontrar, os gestos e as palavras.

Afixado por isabel em 19 de agosto de 2005, às 17:54

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