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setembro 07, 2005

Portugal e Noruega – separados à nascença?

"Segundo o relatório do Desenvolvimento Humano da ONU, a Noruega é o país que apresenta a maior igualdade entre sexos, menos pobreza e desigualdades sociais, 97 por cento da população pertence à classe média.
Este país possui também a única economia da OCDE que não atravessou uma recessão e continua a viver praticamente em pleno emprego.
A Noruega é dotada de enormes recursos naturais que incluem reservas de petróleo, gás natural, peixe, minério, madeira e água potável.

PORTUGALNORUEGA

A força de trabalho é também altamente qualificada e especializada, generosos programas de educação, de assistência e segurança social.
O país é o terceiro maior exportador mundial de petróleo e o segundo de gás natural, com reservas conhecidas para 200 anos.
O Estado norueguês dá lucros fenomenais, o excedente estatal vai nos 30 por cento, equivalente a mais de um terço do Orçamento de Estado português.
A Noruega que se recusa a aderir à União Europeia é também o único país do hemisfério ocidental sem dívida externa.
As reservas monetárias e financeiras ascendem a um valor que daria para pagar hoje todas as despesas do Estado português durante os próximos 26 meses."

[TSF] [Relatório do Desenvolvimento Humano - 2005 - PNUD]

Afixado por afixe em 7 de setembro de 2005, às 20:48

Afixadelas

A Noruega é um "case study" interessantíssimo.
Sendo um país que conserva alguma ruralidade, consegue ser o mais desenvolvido do mundo, em diversos parâmetros diferentes e em áreas diversas, incluindo a preservação do ambiente.
Conheço-a bem, não apenas por ser casado com uma semi-norueguesa, mas porque na área da Saúde das Crianças e dos Adolescentes (e das Famílias) ter sido sempre o lider mundial e um exemplo a copiar (e a invejar).
Foi o primeiro país a ter um Ombudsman (Provedor) para as Crianças (veio a Portugal diversas vezes mas os políticos de então pouco se interessaram pela sua actividade, a não ser a Drª Maria Barroso) e esse lugar tornou possível uma velha ambição de muitos de nós: políticas integradas para a infância e para a família.
Desafiando os que as feministas e as mulheres dos partidos dizem (ou têm medo de dizer, numa das maiores cobardias concertadas da sociedade portuguesa, que inclui sindicatos, Igreja, e muitas outras coisas), na Noruega mostrou-se ser compatível a dignificação pessoal, social, laboral e profissional da mulher com a sua função maternal, mostrando que o conflito de interesses entre a Mãe e a Mulher pode ser derimido.
Não há nenhum país onde as mulheres possam ficar tanto tempo com os filhos, após o nascimento, com o ordenado integral. Por outro lado, não há nenhum país do mundo onde as mulheres tenham tanto poder efectivo (e afectivo). No Governo, no parlamento, nas direcções-gerais, nos polos de decisão. Elas não são as secretárias do director, elas são as directoras! É um país "paritário" e "paridário"...
A Noruega não tem praticamente auto-estradas nem TGV. Por opção. "Longe é longe", dizem, e quem quiser ir de Oslo a Trondheim ou a Tromso, das duas uma: ou tem pressa e paga a pressa, metendo-se num avião, ou vai com tempo numa "viagem da vida", porque os ritmos humanos são para respeitar, os fjordes estão lá para serem percorridos, as curvas são fenómenos normais da natureza, e a neve e gelo em pleno Verão (como já apanhei mais de uma vez), alternando com o sol e a água do mar a 23ºC, são a realidade plurifacetada da vida.
O dinheiro que têm e que daria para esburacar e "viadutar" todo o País foi aplicado em benefícios sociais e na redução das desigualdades, como ponto de partida para justiça social, diminuição da agressividade e incremento do espírito solidário.
Como resultado das políticas para a infância, a taxa de natalidade tem aumentado muito e, noutro registo, por exemplo, as televisões fizeram um acordo de cavalheiros (que cumprem!), patrocinado pelo Ombudsman das Crianças, para se dosearem a violência e a estupidez nos conteúdos das suas emissões à hora das crianças.
Quando o nosso PM fala em imitar os nórdicos, dá vontade de rir o nada que se faz para rumar nessa direcção.
A vida é feita de opções. Com todos os seus defeitos e idiossincrasias, muitas delas herdadas da luta pela sobrevivência que os obrigou a estratégias comunitárias e solidárias, os noruegueses-cidadãos e os noruegueses-políticos souberam fazer as opções mais correctas visando o bem estar da maioria. Querem visitar a Democracia na sua expressão mais completa? A TAP tem viagens directas para lá - e vale a pena ver e conhecer o que, não apenas é o país mais desenvolvido do mundo, como um dos países mais bonitos do mundo.
Skol kjara meg. Jeg elske Norge!
Mário

Afixado por Mário Cordeiro em 7 de setembro de 2005, às 22:26

Fantástico comentário. Já valeu a pena ter-me lembrado de fazer o post, só para ser digno deste comentário. Bem haja, Mário.

Afixado por monty em 7 de setembro de 2005, às 22:33

Que tal trocarmos de população por 100 anos? A ver que faziam eles disto e quanto tempo demorávamos nós a destruir tudo aquilo.

Afixado por monty em 7 de setembro de 2005, às 22:35

A Noruega é uma monarquia, não é? ...mais palavras para quê?

Afixado por maria da fonte em 7 de setembro de 2005, às 23:06

Pena o clima ser um bocado inóspito para nós, tugas habituados ao sol, porque senão...

A propósito, o Mário, que teceu um excelente comentário que complementa na perfeição o post, não saberá em que condições vivem os emigrantes que optaram por fazer vida naquele país.
É que da maneira que isto está e com as núvens negras que se avizinham talvez não seja má idéia irmos pensando e dar de frosques.

Afixado por o Vizinho em 8 de setembro de 2005, às 00:50

verdadeiramente os portugueses não quereriam trocar com os noruegueses, é muita civilização para o nosso gosto, talvez com os suecos, assim podiamos sempre invejar a riqueza dos noruegueses

Afixado por Real em 8 de setembro de 2005, às 01:47

As estatísticas são o que são. A Noruega tem os melhores índices de todo o mundo. Sem discussão.
São hoje o Koweit da Europa.
Mas o que é que fizeram para terem ou para merecerem ter todas as mais importantes riquezas naturais, de que o mundo precisa, e está pronto a pagar acima, muito acima, do seu custo de produção?
Tiveram Inquisição durante 500 anos?
Quantas terras colonizaram?
Tiveram uma descolonização?
Quantos emigrantes têm espalhados pelo mundo?
Quantos imigrantes acolheram, sem habilitações literárias ou profissionais?
Há muito que dispôem de inesgotável energia hídrica.
Têm tido uma sorte quase inexplicável visto que -eu conheço a Noruega e os norueguese - não são super homens nem super dotados. São gente grande e normal. Uns mais bêbados que outros, mas normal.
E agora, com tanto dinheiro que pensam não acabar, e que não querem partilhar com mais ninguém. É uma forma de normalidade, essa, de se sentirem ricos e cheios de si!
As comparações com Portugal são absurdas e comprovam à saciedade que provêm sempre dos que não gostam nem deste País nem dos portugueses e pouco ou nada fazem, ao seu redor, para melhorar esta terra.
Empenham-se no seu local de trabalho, ou fazem o mínimo?
Envolvem-se na assistência à família, aos excluídos e, ou conhecem Portugal?
Já foram aos Açores ver o Portugal dos séculos passados? Ainda está em palco. A não perder!
Antes de haver Carlos Lopes e Rosa Mota, antes do Fernando Pessoa e do Manoel de Oliveira, do Sisa e do Nobel da Literatura o que é que fizeram para melhorar este País e para gostarem um pouco dele?
A autoflagelação tem limites.
Dizer mal de tudo é fácil e não paga imposto.
E, principalmente, desresponsabiliza subliminarmente de qualquer culpa.
É uma ladainha. A Espanha é melhor, a Europa é melhor. Os USA eram melhores antes do Katrina, agora não sei! Até para alguns, a URSS era melhor!
Tenham paciência e façam alguma coisa pelo País!
Obriguem os filhos a ter disciplina, a respeitarem os professores, a estudar. A ter boas notas! Paguem os vossos impostos e peçam recibo. Não metam atestados falsos de doenças falsas. Combatam a burocracia e escrevam nos livros de reclamações.
Não garanto que o petróleo jorre, mas sempre ajuda um bocado!
Obrigado. Tak!

Afixado por MFerrer em 8 de setembro de 2005, às 15:26

MFerrer:

Já tive um discurso parecido com esse. Entretanto, cansei-me. Cansei-me de ser dos poucos, numa choldra ingovernável, de vigaristas e lambões.

Cansei-me de Portugal e dos portugueses. Cansei-me de espiolhar à procura de virtudes num país que só o é por um qualquer devaneio da história, que devia ter seguido em frente e virou num atalho qualquer.

Cansei-me de defender um nome e uma bandeira, porque isso pouco interessa, se do lado de lá da fronteira se vive bem melhor.

Porque, se não me engano, um país também deve servir para isso, não? Para proporcionar condições de vida a quem nele habita.

Dizes dos Noruegueses: “Têm tido uma sorte quase inexplicável visto que - eu conheço a Noruega e os noruegueses - não são super homens nem super dotados. São gente grande e normal. Uns mais bêbados que outros, mas normal.”

Espero mesmo que não acredites que a Noruega é o que é devido a uma “sorte quase inexplicável”. Isso abona pouco em favor da tua tese.

Neste pressuposto, não me importo que Portugal se perca. Desde os que os que ora o habitam e os que destes hão-de vir possam vir a viver num local bem melhor do este. Afinal, que mais há a esperar de um povo que só une esforços para inglês ver (Euro, Expo)? Gente medíocre gera dirigentes medíocres e depois tudo se transforma numa bola de neve. Mais gente medíocre, cansada de ser sugada até ao tutano, a pensar apenas no seu umbigo, a gerar governantes ainda mais medíocres.

E tem sido assim desde sempre, só com uma “sorte quase inexplicável” é que isto ainda se mantém de pé.

O teu esforço é de glorificar, mas temo que seja vão. Sinto dizer-te que não vale a pena, venha quem vier esta pocilga não se vai reorientar. Somos muito poucos a querer fazer esse esforço.

Ser como tu, pensar como tu, faz mal à saúde. Todos os dias, todas as horas, atentados à saúde física e mental de quem tenha dois dedos de testa, e onde bastaria que coubesse alguma decência, são perpetrados.

Enfim, uma dor d’alma. Cansei. Vou ignorar. Vou lutar por mim e pelos meus, esperando que Portugal tenha sido só um pesadelo.

Afixado por Monty em 8 de setembro de 2005, às 17:39

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