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setembro 30, 2005
O país, o país...quer ir ao Haiti

Lembrei-me deste personagem, por causa daquele post selvaticamente cafajeste (kórrôr Gibel !! Shame on U). Achei irónico que a novel governadora daquela coisa que fica entre os States e o Alaska, tenha nascido em Port-au-Prince, tal como o Papa. Não, não é esse, estou a falar do Doc! Depois e por coincidência, na Visão de hoje, podemos apreciar o ar tranquilo, de um qualquer agente militar haitiano, entalando amigavelmente com a sola do botim, o queixo de um malfeitor local contra o vidro da ramona.
Por último, confesso que pensar no Papa Doc me ajuda a recordar, que a nossa classe política ainda não atingiu o fundo do fundo, embora esgravate afincadamente por lá chegar.
Por forma a acelerar tal processo evitando perdas de tempo adicionais, e atendendo a que o princípio parece agradar ao eleitorado nacional, aqui vão algumas sugestões inspiradas na criatividade do tal Papa Doc, aka François Duvalier:
Na parte de roubar descarada e indisfarçadamente tudo e todos, não há muito a ensinar aos nossos edis, passados e/ou futuros. Não obstante, deve ser realçado o patamar de locupletamento indevido atingido pelo cleptocrata Duvalier. Porquê contentarem-se com míseros desvios de fundos europeus de desenvolvimento regional para aquisição de praticantes de futebol de origem misteriosa, ou insignificantes concessões de pequenos privilégios aos diligentes industriais que gentilmente sustentam o vosso processo de candidatura ? Ok, concedo que tornar o vosso município, o mais pobre da metade ocidental do planeta, como Duvalier fez ao seu país é capaz de ser pedir demasiado, mas há que subir a fasquia. Quanto à técnica, os tugó-autarcas já dominam o método: utilização de conta bancária helvética de um familiar próximo.
O ponto onde ainda é longa a distância a percorrer por vós, ó dirigentes locais portugas é o das forças para-militares apoiantes. Dá vontade de rir a insipiência das inofensivas milícias, que por cá vamos tendo à escala local, encarregues de animadas recepções a inimigos políticos, comparada com os Tonton Macoute, (nome de espírito "maligno" da religião (?) voodoo), rapaziada reunida por Duvalier para tratar da saúde a todos aqueles que irritassem ou pudessem vir a aborrecer o Sr. Ditador.

O impacto do aparecimento em público é outra das características em que os presidentes municipais e aspirantes a, cá do burgo, necessitam de reciclagem urgente. Papa Doc conquistava pelo medo, a analfabeta população local, trajando à Baron Samedi (Deus dos mortos do voodoo). A Fatinha procurou seguir a tendência, com o mítico Felgueiras hair-style com armação, e que terá sido determinante em anteriores conquistas do poder, mas inflectiu recentemente a estratégia, o que aparentemente, não lhe retirou apoio popular.
Apesar das lacunas apontadas ao panorama nacional, a perspectiva é optimista quanto ao sucesso da caminhada rumo à Duvalieriziação. Para efeitos de conquista de poder, talvez o post seja tardio, atenta a proximidade do dia de ir à urna, mas se no próximo fim-de-semana se confirmarem as desgraças anunciadas, não estranhem se sentirem ranger a placa continental, é só o agravar do movimento tectónico em direcção ao Haiti de Papa Doc.
Afixado por Jon em 30 de setembro de 2005, às 01:27
Afixadelas
Olha que um dos candidatos que para aí anda já tyem um curriculum deveras impressionante. Dizem até que em idos tempos e tal...(fica para outra altura).
Ganda post meu. São poucos, mas bons! ;)
Afixado por Monty em 30 de setembro de 2005, às 11:33
Na verdade a biografia de "papa doc" serve de permanente inspiração à condução presidencial desse outro "presidente ilhéu": João Jardim...
Afixado por Rui Martins em 30 de setembro de 2005, às 17:10
