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setembro 14, 2005
Soares porquê?
Isto era uma resposta a uma afixadela ao post do Costa Pereira sobre o MASP (onde cita o artigo de Vasco Pulido Valente, que recomendo). Na dita afixadela, uma tal de Maria da Fonte interpela-me. Posto a responder-lhe, vi que o texto era demasiado longo e, em formato de comentário, tornar-se-ia ilegível. Aqui vai, portanto, esperando que não se torne ilegível por outros motivos, vide as limitações deste vosso amigo.
Diz Maria da Fonte: «Nem ele (Soares) sabe bem porque se candidata»
Olhe que sabe, sôtora, olhe que sabe... quanto mais não seja, Soares avançou por não suportar a ideia de ver a passadeira vermelha estendida a Cavaco e a esquerda a conformar-se com uma candidatura de Alegre ou outro qualquer, destinada a perder. Não é a melhor motivação para uma candidatura presidencial, mas não sei sequer se foi a principal. Há outras e o discurso de apresentação, se não foi brilhante, apontou algumas e boas. A supracita, só não vê quem não quer.
Pergunta Maria da Fonte: «Será por ser um bocadinho torcido ou pelas ‘torcidades’ que ele fez ao Dr. Alegre?»
Quem é um bocadinho torcido? O Mário Soares ou eu? A pergunta assim parece... torcida, mas respondo-lhe já que acho que, salvo as devidas distâncias, um e outro devemos ter um certo grau de «torcedura», como qualquer pessoa normal. Já quanto a Manuel Alegre (que, não é que isso importe, mas não tem «Dr.»), há versões demasiado contraditórias da história, a começar pela(s) do próprio poeta, cujas intervenções líricas – e algumas políticas, que não as últimas – muito aprecio. Quanto ao que aqui nos traz, Alegre começou por dizer que não foi avisado da candidatura de Soares antes da declaração de Sócrates ao «Jornal de Notícias». Esta semana já admitiu ter sido contactado antes para um almoço. Em que ficamos?
Exorta Maria da Fonte: «Diga lá porquê»
Voto em Mário Soares porque se enganou muitas vezes no acessório, mas poucas no essencial. Porque combateu a ditadura fascista do Estado Novo e a tentativa de ditadura comunista do PREC. Porque foi estupenda a campanha que fez junto de dirigentes europeus e americanos nos primórdios da nossa democracia. Porque eliminou, na primeira volta de 1986, o projecto pouco realista de Pintasilgo e a candidatura inquinada de Zenha, utilizado pelo oportunista Eanes. Porque foi um excelente Presidente da República, que soube interpretar e aplicar os seus poderes – julgo que não devem ser alterados – e esteve à altura em momentos-chave (decidiu bem ao não nomear de um Governo PS-PRD em 1987, convocando eleições e abrindo a porta à primeira maioria absoluta de Cavaco; decidiu bem ao não dissolver a Assembleia da República de maioria laranja nos anos 90, apesar de muitas pressões nesse sentido). Porque estabeleceu uma relação extraordinária com o povo português e soube auscultar-lhe as preocupações e as perplexidades. Porque instituiu as Presidências Abertas, em que, sem se sobrepor ao Governo, pôs a nu situações que o «oásis» cavaquista parecia não querer ver.
Mas, sobretudo, voto em Mário Soares por pensar que ele pode ser de novo um excelente Presidente da República. Respeitará a fronteira entre os seus poderes e os do Governo – este ou outro –, sem contudo cair na sonolência do primeiro mandato de Jorge Sampaio, que tinha o dever de ter falado mais durante as bacoradas guterristas (limianas, totonegociais e outras). Soares fará por transmitir ao país o seu proverbial optimismo (que a economia também dele precisa, mais do que megalomanias como o aeroporto da Ota) e é um melhor embaixador do que Cavaco, quanto mais não seja pelo prestígio de que goza no estrangeiro (cf. artigo do «Financial Times», não propriamente um jornal de extrema-esquerda, publicado também no «Courrier Internacional» português). E está como ninguém em sintonia com o país.
É ideal Mário Soares voltar a Belém? Não. Pessoalmente, preferia que houvesse alguém mais novo no lado esquerdo do panorama político com perfil presidenciável e hipóteses de ganhar (coisas que Soares tem). Não digo isto por causa da idade de Soares (concordo com Pacheco Pereira, é o argumento mais estúpido que se pode usar e o homem está óptimo, lúcido, arguto e cheio de energia), mas pela saudável renovação da democracia. Ora, nesse ponto, há que recordar que Cavaco não foi Presidente, mas até já concorreu a Belém e, em termos políticos, é da mesma época que Soares, embora tenha chegado mais tarde (nota de humor: onde é que o senhor professor estava no 25 de Abril?…, atenção que eu disse de humor!!!). Foi um primeiro-ministro globalmente bem sucedido, provavelmente o mais bem sucedido dos que tivemos, mas o seu modelo depressa se esgotou e ele, ao adivinhar isso, saiu. O mito do rigor nas finanças já foi quebrado e o «monstro» que tanto tem verberado também foi concebido com genes seus.
E à esquerda? Apareceu alguém mais novo e capaz de ganhar as eleições? Guterres podia ganhá-las em circunstâncias que não as actuais, mas não com o meu voto, e além disso foi para a ONU. Vitorino também podia ter hipóteses e nele votaria, mas prefere esperar e falta-lhe algum currículo. Freitas não me serve. De Alegre já falei, e por boa que tenha sido (foi) uma parte do seu discurso no célebre jantar de Viseu, candidaturas resignadas à derrota honrosa não me servem. Não tinha hipótese, e isto pesa mais do que quaisquer «torcidades» reais ou imaginárias.
Outros nomes podiam ser mencionados, mas não apareceram! Pelo que a escolha para Belém é entre Soares e Cavaco. Sem complexos, prefiro Soares. A discussão sobre quem poderia ter sido torna-se académica. A discussão política, essa acaba de começar. Obrigado pelo repto!
Afixado por Pedro Cordeiro em 14 de setembro de 2005, às 18:39
Afixadelas
Se Portugal não estivesse a passar um periodo de seca extrema não entendia o porquê de apoiar um velho incontinente à Presidência da República.
Os Portugueses merecem a crise.
Afixado por Pedro Oliveira em 14 de setembro de 2005, às 19:02
Terminei o meu post saudando a abertura da discussão política... que pena a primeira afixadela ser só alarvidade!
Afixado por Pedro Cordeiro em 14 de setembro de 2005, às 19:20
O teu post é, acima de tudo, honesto. Acho natural que alguém como tu, com as tuas preferências políticas, vote Soares (embora apresentes isso como uma espécie de inevitabilidade face à oferta - o que tb compreendo). Assim como é natural eu votar Cavaco. Com a diferença que Cavaco é mesmo a 1ª escolha. Se tiver tempo, amanhã faço um post a responder-te mais cabalmente Certo que oportunidades não faltarão.
Afixado por monty em 14 de setembro de 2005, às 20:58
Esse fulano, Pedro Oliveira, além de reles é ordinário, fala como um verdadeiro chunga suburbano, basta espreitar o blogue para confirmar o diagnóstico.
Pedro Cordeiro, achas que a evolução da intervenção e influência políticas do Mário Soares (e já lá vão uns bons aninhos e oportunidades...)tem sido eficaz para conseguir que o estado intervenha incisivamente na gestão económica dos grupos financeiros dominantes, por forma a permitir uma melhor distribuição equitativa da riqueza produzida?
É sabido que esta não é elevada, mas existe, e o fosso entre ricos e pobres tende a aumentar e não a diminuir. Achas que estando ele numa situação de influência mais que privilegiada para o fazer, e não o tendo sequer tentado até hoje (pelo menos não dei por isso, mas posso estar errada e não ter percebido), merece o voto do povo português? (repara, não estou a defender a candidatura do Cavaco, esse vai pelo mesmo canudo embora com mais atenuantes).
Não estaremos a votar no "vira o disco e toca o mesmo"?. É disso que precisamos? Ou ele finalmente acordou e é desta que vai tomar coragem para o fazer? Duvido...
Não me venhas dizer que não é o papel dele. Por tudo o que afirmaste a seu respeito, ele é, mais que ninguém, a pessoa que melhor poderia ter assumido o risco político das medidas necessárias a tomar.
Afixado por bluegift em 14 de setembro de 2005, às 21:05
Votam Cavaco os saudosos do CHEFE, e NUNCA aqueles para quem a politica tem de ser exercida por politicos impolutos, sem toques de arrogância e de autoritarismo, politicos cultos, que saibam que mandar não é impôr, nem sigam a politica do quero posso e mando.
Mas infelizmente os 40 anos de Salazarismo, criaram um povo de mentecaptos, e não de homens livres.
Como dizia o velho Bordalo quando é que o Zé Povinho atira com a albarda ao ar, e manda todos os Cavacos , para os Boliqueimes desta terra, onde não prejudiquem mais o país, do que já o fizeram durante dez anos ..
Como eu sonho um Portugal de HOMENS LIVRES, que não sigam politicos de pès de barro, com
ademanes de autoritarismo bacoco, abram os olhos, sejam criticos e exigentes, CAVACO será sempre o candidato dos mediocres....
Afixado por corvo em 14 de setembro de 2005, às 21:51
Só tenho 3 coisas a apontar
1) era manuel alegre quem se ia candidatar e o ps e o soares puxaram lhe o tapete. não se faz isto a um camarada de partido e muito menos a um amigo
2)ainda nem estamos em tempo de campanha e soares ja aproveitou para, com toda a lata, puxar a brasa a sua sardinha com os imigrantes em paris. isto, definitivamente, não se faz.
3)o soares é um presunçoso. "cavaco nao tem perfil para belém". eu não gosto do cavaco por ai alem, mas se há pessoas com perfil para belém, ele de certeza que está na lista
Afixado por Susana em 14 de setembro de 2005, às 22:02
Vinha responder ao corvo, mas entretanto acabei por concluir que as palavras dele são a melhor resposta que lhe posso dar. Tal é a mediocridade. Aquela categoria dos politicos impolutos, na qual Cavaco parece não merecer inclusão por tão distinto passarito, é um must.
Afixado por monty em 14 de setembro de 2005, às 22:07
E o Soares é o candidato de quem? Dos naïves, dos sonhadores, cabeçudos, deslumbrados, ou outro?
Afixado por bluegift em 14 de setembro de 2005, às 22:19
Não sei se estão a acompanhar o debate na RTP. Não há dúvida que, em todos os sectores, o nosso problema começa a acaba nos compadrios, na pequena mafiazinha e, sobretudo, na falta de coragem e de patriotismo para acabar com tudo isso. Porque "hay que tenerlos"! Num país tão machão a única explicação possível é mesmo a falta de patriotismo de preocupação pela comunidade. Cada um preocupa-se em defender a sua pequena famiglia, tal como o Cavaco, tal como o Mário Soares. E mesmo assim ainda votamos nos mesmos! Mas que raio, estão assim tão contentes com a situação a que o país chegou com a colaboração activa, directa ou indirecta, destes dois lideres? Como é que é possível?
Afixado por bluegift em 14 de setembro de 2005, às 23:24
"Esse fulano, Pedro Oliveira, além de reles é ordinário, fala como um verdadeiro chunga suburbano, basta espreitar o blogue para confirmar o diagnóstico."
Bluegift se lhe custa aceitar que a idade passa para todos o problema não é meu, quanto à questão da velhice estamos falados. Estatisticamente 83% dos idosos tem problemas de incontinência, também aqui tenho de lhe alertar que este problema não afecta só gente "reles e ordinária".
Se uma dedução lógica lhe chega para partir para o insulto verbal não irei descer a esse nivel.
P.S - As minhas palavras "reles e ordinárias" nunca chegarão a custar vidas humanas à custa de diamantes e marfim angolano.
Afixado por Pedro Oliveira em 14 de setembro de 2005, às 23:47
Não merece pela corte que o segue, Dias Loureiro e os incêndios, Angelo Correia e a Arábia Saudita, Isaltino Morais e as contas na Suiça, Isabel Damasceno e o apito dourado, Morais Sarmento e a Central da contra informação...
Não merece porque foi rasca e soez , na forma como combateu o seu adversário DR, Jorge Sampaio, na campanha presidencial de 96.
Não merece porque durante dez anos permitiu o regabofe, as negociatas que se fizeram com os milhões da CEE.
Não merece porque esquece que o primeiro dever de um politico é dar a cara, dar a sua opinião, e não esconder-se no silêncio quando os temas possam significar clivagens no seu eleitorado.
Não merece por fim , porque apesar de ter apoiado com o seu silêncio, a campanha contra a acomulação de reformas , ele próprio acomula 3 e uma do Banco de Portugal que ainda ninguém entendeu porquê.
Por tudo isso Cavaco vai perder, pois apesar de tudo o povo português não o quer na Presidência, por muito que as ditas sondagens o digam , e que escribas a soldo lhe tentem vender a imagem.
Afixado por corvo em 14 de setembro de 2005, às 23:58
Pedro Oliveira, realmente, cada um fala por si e o Pedro lá sabe do que fala melhor que eu certamente...
O discurso continua dentro do mesmo nível: rasca. Quando conseguir (o que sinceramente duvido) organizar um pouco melhor o raciocínio, pode ser que consiga ser promovido a cromo. É que há situações que se resolvem com um pensinho higiénico, mas há outras que só mesmo por transplante de neurónios... operação ainda não comercializada...
Afixado por bluegift em 15 de setembro de 2005, às 00:07
Está bem Corvo, mas e o Soares? Não respondeste à minha pergunta.
Afixado por bluegift em 15 de setembro de 2005, às 00:11
Bluegift, como os argumentos também não são comercializados vejo que optou por continuar com sua mediocridade verbal.
...contra factos não há argumentos.
Afixado por Pedro Oliveira em 15 de setembro de 2005, às 00:18
Pedro Oliveira:
Os teus argumentos falam por ti. Se houve alguém que usou de mediocridade em tudo isto foste tu. De resto, dizer: "apoiar um velho incontinente à Presidência da República" é obviamente um insulto que só se mantém no ar porque não o vi a tempo de o apagar sem que alguém o comentasse. A lógica que encontras para o justificar (o insulto) é, como diz a Blue, rasca.
Contra factos não há argumentos. O nome do teu blogue diz tudo!
Afixado por Monty em 15 de setembro de 2005, às 11:37
Vejo que mesmo com a crise nada mudou, as cores políticas continuam acima de tudo.
O idoso fofinho é um bom candidato.
Os Portugueses merecem a crise.
Afixado por Pedro Oliveira em 15 de setembro de 2005, às 11:57
As cores políticas?
Vai ler com mais calma, e talvez percebas que uma coisa é gostar ou não de ver o homem como presidente (quer eu quer a Blue nos manifestámos contra - assim te desses ao trabalho de ler e perceber), outra coisa é partir para o insulto rasteiro como tu fizeste. Porque aquilo é um insulto rasteiro.
Afixado por Monty em 15 de setembro de 2005, às 12:23
Ena, ena! Desculpem a interjeição mas, para um aphixador de colheita recente, ver tanta afixadela ao meu post é revigorante!!!
Seguem-se, em comentários sucessivos em nome da legibilidade, meia dúzia de notas:
Monty - Mário Soares é a minha primeira escolha. Posso não me ter feito entender quando escrevi que era preferível mais renovação e que era melhor que a esquerda (e a direita, for the matter) tivessem já parido novas fornadas de gente capaz, que não pariram. Ora, isso era a situação ideal, mas teórica. Na prática, e para mim a política é algo de essencialmente prático (cf. os desastres que engendrou quando se fez demasiado teórica), interessa o que há. E dentro do que há, já antes de Soares aparecer na corrida era minha opinião que ele é, neste país, o homem melhor preparado (que não o único capaz, evidentemente) para ser Presidente da República. O handicap da reedicção «vingt ans après» não é uma crítica que faça a Soares, antes à sua família política, e já aqui aplaudi a coragem de um homem feito partir para um combate incerto. Durante algum tempo pensei que o velho animal político estivesse apenas divertido com o burburinho que a hipótese da sua entrada provocava, mas durante esse tempo já me parecia que era o melhor que podia acontecer. Os exemplos que dei como possíveis vencedores contra Cavaco, com a ressalva de que o seriam em circunstâncias distintas das actuais, eram personalidades que considero MENOS qualificadas do que Soares para Belém (Guterres, em quem só votaria se do outro lado estivesse um abencerragem do tipo Santana, e Vitorino, de quem começo a pensar que só se pode contar com ele para coisas que dêem bastante dinheiro). Logo, a situação presidencial à esquerda não é a ideal, mas Soares é a minha primeira escolha. Na esquerda não extrema, que é a água política em que me movo, e em Portugal todo.
Afixado por Pedro Cordeiro em 15 de setembro de 2005, às 13:01
Assumo o dito como uma provocação aqueles que apoiam o Dr. Mário Soares, nunca como um insulto.
Se eu chegar à idade do Dr. Mário Soares muito provavelmente sofrerei de incontinência, é um facto, não um insulto.
P.S - Engane-se quem pensar que apoio qualquer um dos outros candidatos, aliás, considero que os candidatos presidenciais estão ao nivel da última edição da Superliga, muito fraca.
Afixado por Pedro Oliveira em 15 de setembro de 2005, às 13:10
Bluegift - Acho que Mário Soares se tem batido por uma melhor distribuição da riqueza, mas tenho as maiores reservas quanto a intervenções incisivas do Estado na gestão das empresas (gostava, a esse respeito, de perceber melhor a que «medidas» te referes, até para perceber se são pertinentes na função presidencial). Vejo no Estado um factor de reequilíbrio das injustiças que resultam a economia de mercado livre (que subscrevo!). Vai nesse sentido a participação de Soares nos Fóruns Sociais de Porto Alegre (dentro de cujo «cartaz», é óbvio, há que distinguir o trigo do joio) e foi nesse sentido a salutar magistratura de influência que exerceu durante dez anos. Mas essa tem escopo limitado. Reitero a rejeição de intervencionismo governamental ou presidencial; não me parece que caiba na nossa Constituição.
Afixado por Pedro Cordeiro em 15 de setembro de 2005, às 13:14
Corvo - Acho que subestimas Cavaco e o seu eleitorado, coisa desavisada em vésperas de batalha política. Sejamos claros: eu também não gosto da arrogância e do autoritarismo de Cavaco (o feriado do Carnaval é um exemplo excelente da falta de tacto, de não saber tomar o pulso ao povo, coisa em que Soares é mestre). Também odiei as suas infrutíferas manobras beatas e insidiosas na campanha de 1996, criticando Sampaio por ser divorciado e não baptizado (nova mostra de inacreditável falta de tacto, que pagou cara). E evidentemente que me exaspera o ar de quem nada fez de mal, de quem nada tem a ver com o modelo esgotado em que vivemos, de um puro que nada tem que ver com partidos (ah pois não!) de quem não desperdiçou fundos europeus e albergou ministros e cortesãos dos mais questionáveis. Mas dito isto, não me parece que Cavaco ou os seus apoiantes sejam uns medíocres. E não me parece ajuizado colar a um homem todos os podres do seu partido. Acho, de resto, que Soares e Cavaco estão, cada um, acima da média do seu partido, sem que isto seja grande proeza.
Afixado por Pedro Cordeiro em 15 de setembro de 2005, às 13:31
Susana, em três pontos - 1) Essa do «era Manuel Algre quem se ia candidatar» já fede. Desde logo, porque se «era Manuel Alegre», então que tivesse sido. A candidatura presidencial é unipessoal; se Alegre estava convencido da sua candidatura (da justeza das suas motivações, das possibilidades de estabelecer objectivos e alcançá-los, fossem ou não a vitória, que é o objectivo que eu acho que uma candidatura presidencial deve perseguir), que tivesse avançado. Lembro, a este respeito, que Jorge Sampaio anunciou em Janeiro de 1995 (um ano antes das primeiras presidenciais que ganhou), sozinho, na Reitoria da Universidade de Lisboa, que avançava. Numa altura em que muitas vozes no PS e até alguns soaristas diziam preferir uma candidatura de Almeida Santos (t'arrenego!) ou, pasme-se... de Manuel Alegre. Sampaio teve-os no sítio. Alegre já gingou tanto, já se disse e desdisse tanto, que perdeu toda a credibilidade. Ninguém lhe fez nenhuma maldade a Alegre, simplesmente Soares achou que era, e é, melhor candidato e Sócrates também. Tinham a obrigação de apoiar alguém pior colocado só porque se mostrou disponível. Insisto em garantir-vos que Alegre não foi enganado, como afirma. Aliás as recentes declarações sobre o almoço que nunca existiu mostram que o ar de «virgem ofendida» que o poeta fez no fim de Agosto só engana quem quer ser enganado.
2) Dizes tu que Soares já deu ferroadas a Cavaco junto dos EMIGRANTES em Paris (atenção, que IMIGRANTES são os estrangeiros que cá vivem). Nada de mais natural. No dia da cerimónia do Altis Soares disse que ia dedicar uns tempos a falar com a diáspora. Esperavas que lhes fosse tecer loas a Cavaco? Independentemente das datas da campanha oficial, a disputa já começou. Cavaco ainda nem é candidato assumido, mas está no terreno. O artigo que fez publicar no Expresso de sábado passado mais não é do que um acto de campanha, concretamente uma resposta negativa à gente da sua área que quer promover através dele um reforço presidencialista (t'arrenego!) da nossa democracia.
3) Dizer que faltam a Cavaco algumas características úteis para ser Presidente não é ser presunçoso. É fazer uma apreciação frontal de um futuro adversário. Acertada, a meu ver, no que diz respeito ao perfil humano que requer a Presidência, embora ache que Cavaco está menos gelado e crispado desde que foi avô. Digo-o sem ironia e é um elogio que lhe faço, não me dói.
Afixado por Pedro Cordeiro em 15 de setembro de 2005, às 13:54
Pedro Oliveira – o seu tipo de argumentação não estimula nem ilumina. Da alarvidade inicial às posteriores estatísticas mirabolantes, espreme-se e não sai nada. Vejo que entretanto fez marcha à ré na história da incontinência, tal foi a trepa que levou. Não responderei a mais comentários seus. A sua conversa é tão enfadonha quanto interessante é trocar ideias com os restantes intervenientes com quem, com maior ou menor grau de acordo, aprendi e aprendo.
Afixado por Pedro Cordeiro em 15 de setembro de 2005, às 13:59
Pedro Cordeiro,
Não percebo muito bem como é que Mário Soares (ou Cavaco), na PRÁTICA, se tem batido de forma SIGNIFICATIVA(lê o significado de cada palavra que escrevo, se não te importas).
Os resultados PRÁTICOS estão à vista, só não os vê quem não quer. Eu creio que deves ter reparado nos resultados obtidos nos últimos estudos comparativos com os restantes países da UE (estão publicados na imprensa nacional e internacional), não sei, mas, no caso de não teres reparado, afianço-te que o fosso entre ricos e pobres em Portugal só se tem vindo a agravar, desde a ditadura...
Tal não acontece em Espanha, nem na Grécia ou Irlanda onde os governos têm tido a coragem de implementar medidas eficazes (estou a falar de eficácia e não de folclore ou manobras de charme) de combate à corrupção, à fuga ao fisco, aumento de impostos em função do rendimento das empresas, incentivo ao emprego, controlo das falências fraudulentas, etc. Mas tu és de Economia, não és? E depois, eu falei em "gestão económica dos grupos financeiros dominantes", não falei em "gestão de empresas". Não percebo muito bem como é que não percebes a diferença. A grande influência de Soares e de Cavaco produz-se aí devido à rede poderosa de relações que possuem. Influência em lobbys? ok?
Achas que eles não têm qualquer poder aí, e que não podiam ter feito mais para equilibrar a situação? E Soares mais que Cavaco? É que se achas que não, épa, a conversa fica já por aqui...
Afixado por bluegift em 15 de setembro de 2005, às 14:58
Blue, não sou de economia, daí algumas confusões em que incorri. Mas concordo contigo: o Presidente pode impulsionar a tomada de medidas de combate à corrupção, à fuga ao fisco, etc. E Cavaco e Soares têm, sim, relações que lhes permitem exercer tal influência. Mas as medidas de que falas são, insisto, competência do Governo.
Afixado por Pedro Cordeiro em 15 de setembro de 2005, às 15:09
Levei uma trepa tão grande que já me conseguiram convencer que Mário Soares tem 19 anos.
O País está como está graças aos Iluminados deste País, os restantes, a escumalha, os reles e ordinários nunca tiveram nem têm voto na matéria.
AGORA É QUE O PAÍS VAI PARA A FRENTE, VIVA PORTUGAL E OS SEUS ILUMINADOS.
Afixado por Pedro Oliveira em 15 de setembro de 2005, às 16:44
Pedro Oliveira,
Não basta dizer apenas mal. Também ajuda dar o exemplo. Portugal é um país de alarves?
Infelizmente, é esse o caso.
Por isso, não faça parte das estatísticas e tente dar o exemplo. A palavra escrita, infelizmente, não é impermeável à má educação. Não julgue que, lá por ter um blogue e saber usar um teclado, está a salvo de que lhe seja apontadas alarvidades a todos notórias menos a si. Fenómeno psíquico que o título do seu blogue explica na perfeição...
Afixado por Bernardo em 15 de setembro de 2005, às 16:54
Cada um é como é, pelo menos assumo, sou burro.
Segundo V.Exas sou reles e ordinário, engraçado de constactar é que o insultado fui eu.
O pior cego é aquele que não quer ver.
Afixado por Pedro Oliveira em 15 de setembro de 2005, às 17:22
Sendo assim, ó burro, e como eu sei que apenas os velhos (burros) não aprendem línguas, vê lá se escreves "constactar" como deve ser. Pretendias constatar ou contactar? Vai que já não vais mal, pois já aprendeste uma coisa nova. Podes mudar o nome do blogue para: "levei uma trepa, mas já não sou tão burro".
Afixado por Monty em 15 de setembro de 2005, às 17:33
Pois é, Pedro Cordeiro, e os governos são da "competência" de quem? O PM, normalmente presidente do partido eleito pelo povo, é eleito por que grupos do partido? E esses grupos estão ligados a que grupos económicos e organizações de influência política e económica? E quem são, desde há largos anos, as verdadeiras estrelas de toda esta festa quando se fala do PS e do PSD? São os mesmos tipos de sempre: O Soares e o Cavaco (este um pouco menos convenhamos mas, segundo as últimas sondagens, está a caminho...).
Eu voto em BRANCO meu caro, estes tipos têm que perceber que não estão a fazer um bom trabalho, melhor, que nunca fizeram um bom trabalho! Se não fosse a UE não quero imaginar onde estariamos neste momento (perto de um Brasil provavelmente). Precisamos de sangue novo, diferente, mesmo que seja trampa, mas que seja outra e não a mesma, desta já sabemos o que nos espera. E pior é difícil, convenhamos...
Afixado por bluegift em 15 de setembro de 2005, às 22:35
Cavaco foi a Londres fazer uma acção de promoção do Banif a pedido de Horacio Roque.
Que tal um candidato á Presidência da Republica a vender as últimas promoções do Banco como qualquer vedeta de telenovela...
A vida custa a todos e certamente o Banif não deixará de dar uns cobres para a campanha eleitoral...
Se ainda fosse o Montepio já estava a ver o sr. Cavaco a dizer para a D. Maria
Mas é já a seguir....mas é já a seguir...
Afixado por corvo em 15 de setembro de 2005, às 23:39
Monty, reparei que tem a chamada inteligência política, o meu erro ortográfico serviu de certa forma para branquear a questão dos insultos e levar a conversa da forma que mais lhe convêm.
Detesto "Iluminados", que sabem tudo, olham demais para o umbigo....conversa da treta, sabem tudo e não sabem nada(incluo-o nesta lista).
Basta olhar para o nosso País, um País de Doutores "Iluminados", bons de conversa, pessimos de trabalho.
Ao estilo dos ministros que podem ser doutorados em filosofia mas poderão exercer qualquer cargo nas àreas de economia, direito, saúde, enfim uns iluminados tal como sua excelência Srº Dr. Arq. Eng. Monty, sabe tudo, a verdade absoluta, pois não se esqueça vc é um Iluminado.
As moscas são sempre as mesmas.
PS-Acabou a telenovela.
Afixado por Pedro Oliveira em 16 de setembro de 2005, às 00:03
Eu acho que ele era mais bem aproveitado pra alternar com o Abrunhosa na campanha do bcp! Eu estou aqui, eu estou aqui (não digo pra quê mas estou) Eu estou aqui !
Afixado por Jon em 16 de setembro de 2005, às 00:04
o manuel joa~o na~o se candidata? http://www.vieira2006.com/
Afixado por pfig em 16 de setembro de 2005, às 22:00
Eu cá por mim continuo no Cais das Colunas à espera do candidato certo, mas até agora só consegui ficar encharcado com o nevoeiro.
Afixado por CausasPerdidas em 18 de setembro de 2005, às 13:27
Esta conversa é sem dúvida interessante...
Apesar de tudo o que aqui se disse, não se tocou em alguns dos pontos fundamentais. Eu votaria em Soares se ele fosse 10 anos mais novo e/ou o governo em funções não fosse um PS em maioria absoluta. Porque este PS em maioria absoluta cada vez me parece mais um PS em absoluta decadência. E esta apenas será ajudada se tiver as costas quentes com um presidente do PS (aqui não há enganos, foi o PS que lançou a candidatura, ajudando a enterrar o mito da candidatura unipessoal).
Não sei se Cavaco Silva será ou não um bom presidente. A ver pela história recente, um péssimo PM (Soares) até deu um dos melhores PR. Será que um dos melhores PM que Portugal viu nos últimos 30 anos (e aqui acho que há pouca polémica) será um péssimo PR? Não sei e até que ele lá esteja não o vou saber.
E quanto à história dos 10 anos mais novo, estamos assim tão desejosos de voltar a votar no Presidente daqui a menos de 5 anos... Porque um Soares com a idade que ele tem não será o mesmo PR de há 20 anos atrás. E o mais provável é que venha a morrer no cargo...
É porque incontinente, à falta de provas, vou assumir que ele não é. Mas 81 anos são 81 anos, são mais 5 anos que a esperança média de vida.. E até ao fim do mandato são mais cinco.
A sério que eu gostava de ver algum projecto credível de Presidente aparecer na esquerda portuguesa. Ainda não vi, e por isso vou votar no Cavaco Silva e esperar que ele seja pelo menos tão bom Presidente da Républica como foi Primeiro-Ministro. E aqui note-se que não estou a dizer que ele foi perfeito - longe disso - mas não foi tão mau como os que vieram antes e depois.
Afixado por João Ventura em 21 de setembro de 2005, às 18:15
Esta conversa é sem dúvida interessante...
Apesar de tudo o que aqui se disse, não se tocou em alguns dos pontos fundamentais. Eu votaria em Soares se ele fosse 10 anos mais novo e/ou o governo em funções não fosse um PS em maioria absoluta. Porque este PS em maioria absoluta cada vez me parece mais um PS em absoluta decadência. E esta apenas será ajudada se tiver as costas quentes com um presidente do PS (aqui não há enganos, foi o PS que lançou a candidatura, ajudando a enterrar o mito da candidatura unipessoal).
Não sei se Cavaco Silva será ou não um bom presidente. A ver pela história recente, um péssimo PM (Soares) até deu um dos melhores PR. Será que um dos melhores PM que Portugal viu nos últimos 30 anos (e aqui acho que há pouca polémica) será um péssimo PR? Não sei e até que ele lá esteja não o vou saber.
E quanto à história dos 10 anos mais novo, estamos assim tão desejosos de voltar a votar no Presidente daqui a menos de 5 anos... Porque um Soares com a idade que ele tem não será o mesmo PR de há 20 anos atrás. E o mais provável é que venha a morrer no cargo...
É porque incontinente, à falta de provas, vou assumir que ele não é. Mas 81 anos são 81 anos, são mais 5 anos que a esperança média de vida.. E até ao fim do mandato são mais cinco.
A sério que eu gostava de ver algum projecto credível de Presidente aparecer na esquerda portuguesa. Ainda não vi, e por isso vou votar no Cavaco Silva e esperar que ele seja pelo menos tão bom Presidente da Républica como foi Primeiro-Ministro. E aqui note-se que não estou a dizer que ele foi perfeito - longe disso - mas não foi tão mau como os que vieram antes e depois.
Afixado por João Ventura em 21 de setembro de 2005, às 18:16
Esta conversa é sem dúvida interessante...
Apesar de tudo o que aqui se disse, não se tocou em alguns dos pontos fundamentais. Eu votaria em Soares se ele fosse 10 anos mais novo e/ou o governo em funções não fosse um PS em maioria absoluta. Porque este PS em maioria absoluta cada vez me parece mais um PS em absoluta decadência. E esta apenas será ajudada se tiver as costas quentes com um presidente do PS (aqui não há enganos, foi o PS que lançou a candidatura, ajudando a enterrar o mito da candidatura unipessoal).
Não sei se Cavaco Silva será ou não um bom presidente. A ver pela história recente, um péssimo PM (Soares) até deu um dos melhores PR. Será que um dos melhores PM que Portugal viu nos últimos 30 anos (e aqui acho que há pouca polémica) será um péssimo PR? Não sei e até que ele lá esteja não o vou saber.
E quanto à história dos 10 anos mais novo, estamos assim tão desejosos de voltar a votar no Presidente daqui a menos de 5 anos... Porque um Soares com a idade que ele tem não será o mesmo PR de há 20 anos atrás. E o mais provável é que venha a morrer no cargo...
É porque incontinente, à falta de provas, vou assumir que ele não é. Mas 81 anos são 81 anos, são mais 5 anos que a esperança média de vida.. E até ao fim do mandato são mais cinco.
A sério que eu gostava de ver algum projecto credível de Presidente aparecer na esquerda portuguesa. Ainda não vi, e por isso vou votar no Cavaco Silva e esperar que ele seja pelo menos tão bom Presidente da Républica como foi Primeiro-Ministro. E aqui note-se que não estou a dizer que ele foi perfeito - longe disso - mas não foi tão mau como os que vieram antes e depois.
Afixado por João Ventura em 21 de setembro de 2005, às 18:17
João Ventura,
O não votar em Soares, no meu caso, não está relacionado com a idade do Soares. Não voto pela mesma razão que não voto em Cavaco. Podes afirmar que Cavaco é um bom economista, não coloco isso em causa, mas daí a dizer que ele foi um bom primeiro ministro vai uma diferença abismal! O início dos anos 90 foram bons para praticamente todas as economias estáveis da UE. Nós fartámo-nos de receber fundos do FSE, estupidamente desperdiçados e que agora jazem no bolso de um pequeno grupo de portugueses que aproveitou a torneira. O país, esse, não ganhou nada! Nada meu caro João Ventura! como podes tu agora vir para aqui afirmar que ele foi um bom primeiro ministro? Será por ser um bom profissional? Não é suficiente. Infelizmente, tal característica não foi colocada em prol da nação mas ao serviço dos interesses de um pequeno grupo apadrinhado.
Os resultados, tal como já afirmei neste post, estão à vista de todos.
Estes D. Sebastião não servem, devem ser rejeitados até perceberem que o país precisa de outros. Infelizmente, não é isso que está a acontecer e vamos, inevitavelmente, continuar a comer mais do mesmo.
Afixado por bluegift em 21 de setembro de 2005, às 23:13
Note-se que eu não estou a dizer que o Prof. Cavaco foi um bom primeiro ministro em termos absolutos. Acho que em Portugal no pós 25 de Abril nunca tivemos um governante capaz de efectuar as reformas necessárias. Nem mesmo Cavaco, apesar de ser o que mais se aproximou. Os outros antes, por virtude da nossa frágil democracia, nada fizeram e os que vieram a seguir (Guterres, Barroso, S. Lopes e agora Sócrates) limitam-se a gerir o caos sem haver visão para sair deste marasmo em que nos encontramos. Também não estou a dizer que Mário Soares foi um bom PR. Ao criar as Presidências Abertas conseguiu criar uma visão diferente de PR que Eanes nunca teria conseguido fazer. Mas o protagonismo e o papel de lider da oposição que teve durante o 2º mandato não lhe ficaram bem. Eu espero que o futuro PR perceba que o seu papel não é ser lider da oposição, mas sim o papel de fiscal sobre o governo e a exigência do cumprimento do mandato que o governo recebeu dos Portugueses, obrigando-o a cumprir as promessas eleitorais.
Afixado por João Ventura em 23 de setembro de 2005, às 10:36
A acreditas que Cavaco vai cumprir esse papel? De Cavaco poderiamos ter muito mais que isso e mesmo como simples presidente duvido, sinceramente, que a sua neutralidade seja respeitada. Pode ser que me engane. Ele, pelo menos, nunca se engana... cof cof...
Afixado por bluegift em 23 de setembro de 2005, às 17:34
É isso mesmo Afixe. Subscrevo. Lapidar, este seu «post».
Afixado por Politikos em 25 de dezembro de 2005, às 13:12
