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setembro 20, 2005
What the hell was that ?
A minha apurada técnica de domínio do telecomando tinha-me permitido ignorar, até agora, as tão propaladas estreias televisivas que, ao que consegui apurar, incluem reality shows com personagens famosas por terem participado em reality shows e sua inserção e ascenção na hierarquia militar e ainda equipas que zelam pelo efeminamento de, até então, humildes representantes daqueles que aparentemente em minoria ainda acham piada ao sexo oposto.
Talvez distraído pelo emocionante rescaldo da deslocação da lagartagem à Choupana, falho uma arriscada passagem de canal, esbarrando violentamente naquela jóia que urge preservar das garras dos castelhanos, de seu nome TVI. Num cenário sobriamente alaranjado, evoluía perante as câmaras uma senhora que, naquele tom de voz tipo Tempo dos Mais Novos ou Brinca Brincando, didacticamente esclarecia a audiência sobre a ausência de consequências da masturbação sobre as erupções cutâneas, vulgo borbulhas, ou relativamente aos 1001 métodos a que a desconsolada entrevistada poderia recorrer para fazer engrandecer (no sentido literal) o órgão reprodutor do seu pouco confiante companheiro.
A coisa não ficava por aqui, e passava ainda por úteis sugestões de artigos de carácter recreativo, cuja aquisição é possível em qualquer sex-shop de nível mediano; qual a melhor técnica de estimulo oral dos(as) parceiros(as), ou outras indicações igualmente susceptíveis de dinamizar os tempos livres dos espectadores, tudo com ilustrações gráficas e explicações detalhadas, não vá o interessado público cometer alguma imprecisão no momento de levar à prática tão preciosos ensinamentos.
Desde as pormenorizadas dissertações do Eng.º Sousa Veloso sobre o escaravelho da batateira, ou dos directos costeiros protagonizados por Luís Pereira de Sousa que o país não assistia a uma rubrica tão enriquecedora da sua consciência colectiva. Como garante da seriedade da coisa, a TVI divulga no seu site que a senhora apresentadora, a Dra. Marta Crawford, é licenciada em Psicologia - Área de Clínica, pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), concluída em 1996 e pos-graduada em Sexologia Clínica pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, Terapeuta Sexual acreditada pela Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica e Terapeuta Familiar e Sistémica acreditada pela Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar.
É esta a nova dimensão do serviço público. Imagino que esta noite uma Tsunami de prazer venha a assolar o território nacional. Não estranhem se amanhã o vosso chefe não iniciar o dia aos berros, ou o motorista do vosso transporte público não executar aquelas travagens manhosas, habitualmente usadas para ver se os passageiros estão bem acordados, agradeçam antes à TVI.
Não sei porquê, nem sequer vem a propósito, mas achei que a melhor maneira de concluir seria citando, Claude Chabol quando se lembrou de dizer que:" A estupidez é muito mais fascinante que a inteligência. A inteligência tem os seus limites, a estupidez não”.
Afixado por Jon em 20 de setembro de 2005, às 02:59
Afixadelas
Muito bem. Só não concordo que questiones a importância dos programas do Eng.º Sousa Veloso, e logo esse marco sobre o escaravelho da batateira que tantas consciências moldou, desaignadamente entre os nossos políticos que são useiros e vezeiros em comportar-se como escaravelhos da batateira.
Afixado por Monty em 20 de setembro de 2005, às 10:24
Penso que é uma questão de cultura televisiva. Nós que somos um país bem atrasado no que diz respeito às produções para televisão, que vamos buscar modelos televisivos que já têm provas dadas, como de mau gosto e pouco educativos, e em vez de tentar fazer melhor, aproveitando a experiência passada, NÃO…produzimos coisas ainda piores. É preciso dizer que a maior parte da população portuguesa só tem 4 canais, o que é deveras complicado escolher o canal a certas horas do dia, ou ver porcaria sem qualquer teor educativo ou de entretimento, ou desligar a televisão.
Tenho uma visão muito negativa da televisão portuguesa, às vezes pergunto-me, porque que os telejornais têm o alinhamento da CNN, com noticias sobre assaltos e acidentes que se passaram no EUA, e não fazem qualquer referência aos mesmos acontecimentos que se passam na Europa?
Para mim, é o culto do medo…. Michael Moore.
Afixado por H. Ricardo em 20 de setembro de 2005, às 11:00
Há que aumentar a natalidade, e é aproveitar enquanto o aborto ainda é ilegal. B)
Afixado por bluegift em 20 de setembro de 2005, às 12:58
O tal "Chabol" será primo do Claude Chabrol?
:-)
Afixado por JG em 20 de setembro de 2005, às 13:24
Grande posta, Joninho!
Afixado por gibel em 20 de setembro de 2005, às 13:51
Audiências, meus Caros. Para as quais contribuem os que vêem esses programas (muitos depois criticam ou dizem que vêem para "poder criticar" - mas vêem todos os dias), a duvidosa qualidade dos aferidores das ditas e os meios de comunicação que as divulgam sem questionar se são realmente essas as audiências - o facto de um televisor estar ligado conta, mesmo que nenhum basbaque esteja a olhar... e em que locais estão os medidores? Alguém sabe? Onde se pode ver? Como foi feita a distribuição da amostra? Com que critérios?
Por outro lado, a ausência de "auto-regulação concertada", dado que o Estado, quanto a mim, apenas deve fazer cumprir a lei e não dar bons conselhos ou servir de paizinho... só que já houve acordos de "cavalheiros" (?!) que resultaram em nada, e por outro lado a lei não é cumprida pelo que, então, deveriam entrar em linha o processo de fiscalização, levantados autos e aplicadas coimas ou outras formas de sanção. Este processo morre à nascença, mas mesmo que não morresse, para as estações as coimas valem bem a "ousadia", tão ridículas são (lembram-se de quanto a SIC pagou por ter divulgado resultados eleitorais antes .
"Bater onde dói mais", diz o ditado - isto passa por coimas muito elevadas ou suspensão temporária de emissão - assim talvez funcionasse.
Quanto à Alta-Autoridad tem sido a coisa mais parecida com uma anedota requentada - é patética e nem sequer faz rir. As intervenções são uma maravilha de indigência, e as competências e capacidade de intervenção próximas do zero. O legislador andaria distraído quando a criou?
De qualquer forma, não creio, pelo que tenho visto, que o mal seja só nosso - nos outros países as coisas andam também próximas do lixo, nos canais generalistas.
Mário Cordeiro
PS: e quanto ao tema "sexo", ainda estamos na fase do pré-25, em que havia romarias ao "estrangeiro" para ver "O último tango em Paris"...
Afixado por Mário Cordeiro em 20 de setembro de 2005, às 14:21
É a moda do "soft porno". A TVI está a aderir ao modelo (com aquele estranho reality show do "teste de fidelidade, ou lá o que é). Na verdade, até existe espaço e justificação para um programa sobre sexualidade (o Machado Vaz tinha um bom programa, ainda que demasiado intelectualóide), este da TVI parece um bocado boçal (pela descrição que faz, pq não vi).
Afixado por Rui Martins em 20 de setembro de 2005, às 16:21
"Por isso, não posso deixar de dar razão ao cineasta francês, Claude Chabol, quando afirma que “a estupidez é muito mais fascinante que a inteligência. A inteligência tem os seus limites, a estupidez não”." http://www.planetanews.com/news/2005/10319
É mera coincidência a mesma citação e o mesmo erro?
Afixado por bazert em 20 de setembro de 2005, às 18:31
bazert:
Esta não lembrava ao diabo. Mesmo que o Jon tivesse visto a citação no site que referes, qual seria o problema? Têm direitos sobre a citação? Onde queres tu chegar, se apenas a citação é igual?
Se te deres ao trabalho de ir aqui:
verificarás que não é erro par. Há bem mais quem o cometa. Inclusive a propósito dessa citação:
http://dreamu2.weblogger.terra.com.br/200412_dreamu2_arquivo.htm.
Get a life, man!
Afixado por Monty em 20 de setembro de 2005, às 19:11
Chabóis há muitos !
Afixado por Jon em 20 de setembro de 2005, às 21:47
Jon:
É engraçado que uses essa expressão, porque te tenho "colado" à imagem do Vasco Santana. Muitos "Fados do Estudante" em muitas noites de copos.
Afixado por monty em 20 de setembro de 2005, às 22:00
"Curar a valer, não é p'ra mim conseguir, e então morrer por morrer, que seja a rir" ! Caso não te lembres, é assim que acaba a Canção de Lisboa. ;)
(A menos que alguem detecte algum lapso na citação)
Olha, o legado do TV Rural prá nossa classe política foi a Peste Suína Africana, o escaravelho é mau exemplo, porque trabalha que se farta.
Afixado por Jon em 20 de setembro de 2005, às 22:37
Já vi essa citação noutro sítio. Ah pois é! Como é que explicas tal? Mera coincidência? ;)
Afixado por monty em 20 de setembro de 2005, às 22:50
