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outubro 23, 2005

22 de Outubro - a crise dos misséis de Cuba...

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A 22 de Outubro de 1962, o Presidente Kennedy anunciava ao povo Americano que os aviões-espiões dos Estados Unidos tinham descoberto uma base de misséis soviéticos em Cuba, praticamente completa, visando o seu país.

Foi ordenado um embargo a Cuba para evitar que os navios soviéticos pudessem transportar mais armas e material para Cuba. Talvez pelo facto de o presidente da URSS ser Nikita Khrushchev, Kennedy decidiu dar mais algum tempo para reconsiderarem. Entretanto, o birmanês U Thant, secretário-geral das Nações Unidas, apelava aos dois contendores para que mantivessem a calma e para o perigo de uma guerra à escala das superpotências.

A 25 de Outubro, perante o prosseguimento dos trabalhos em Cuba, Kennedy considerou a invasão da ilha, mas Khrushchev deu ordens, nesse mesmo dia, para o desmantelamento da base. As coisas ainda aqueceram quando foi exigido aos americanos a retirada das suas bases da Turquia e quando, entretanto, um avião espião foi abatido sobre Cuba. Kennedy conseguiu conter a vontade dos militares de retaliarem. A situação apaziguou e a chamada Crise dos Misséis Cubanos chegou ao fim. Alguns misséis americanos foram também retirados da Turquia.

Conseguiu-se evitar uma guerra que seria devastadora, mas este episódio teve como consequência uma corrida desenfreada ao armamento nuclear, para que cada parte não ficasse atrás da outra, num futuro braço-de-ferro.

O que teria acontecido se os presidentes não fossem Kennedy e Khrushchev? É difícil dizer. Mas viveram-se tempos de grande incerteza. Lembro-me de, na altura, ter sete anos e de ouvir os meus pais falar do assunto com muita apreensão.

Passados 43 anos, o clã Kennedy foi devastado e perdeu praticamente toda a sua influência, a União Soviética deixou de existir e os países que a formavam vendem mísseis como "pãozinho quente". A ameaça nuclear vem agora de outros lados.
Só em Cuba o tempo permanece igual, e o ditador continua a fazer discursos intermináveis, prende e tortura os seus adversários políticos, perante a cumplicidade de alguns e o silêncio de outros. E perante a estupidez de um embargo americano que não faz qualquer sentido e só atrasa o processo de democratização. Mesmo com elevadas taxas de alfabetização e serviços de saúde razoáveis, Cuba permanece um país sub-desenvolvido, pobre e com as liberdades fundamentais cerceadas. Mas será tudo ouma questão de tempo, porque a História, que Fidel afirmava que "o absolveria", será a mesma que libertará a pequena ilha simultaneamente da ditadura e do imperialismo.

Vendo à distância este episódio, podemos ver como as gerações anteriores também passaram por momentos de uma enorme insegurança e de uma ameaça de destruição eminente. Há razões para estarmos optimistas quanto ao futuro!

Afixado por Mário Cordeiro em 23 de outubro de 2005, às 01:39

Afixadelas

Mais uma vez uma pérola!! Que delícia de ler, não só pelo conteúdo mas também pela forma!! Espero que haja muitos mais posts do género! Mais uma vez: Muitos parabéns!!

Afixado por Ana C. em 23 de outubro de 2005, às 11:33

Ora aqui está um post que parece coisa retirada do "Reader's Digest", por alguém que viu episódios do "CSI Miami" a mais.
Essas bacoquices acerca de Kennedy não têm sentido; foi ele quem conteve os militares? E a Baía dos Porcos? Terá acontecido graças ao Truman? Há que não confundir hagiografia com história.
Por outro lado, o regime cubano está longe de ser aceitável; mas continua mesmo a torturar alguém? De onde veio essa ideia? Nem dos grupos dissidentes; só pode ter tido origem na mente inflamada deste autor.

Quanto à "pobreza" de Cuba, sugiro-lhe, Senhor Cordeiro, uma consulta aos rankings de Desenvolvimento Humano da Onu. Depois, diga-me onde está essa tal pobreza, sobretudo se compararmos Cuba com os democráticos países vizinhos. Sobretudo se tivermos em conta o seu estado aquando da revolução.
Informe-se por favor.

PS: Rogério, estou mesmo a ver que não vai dar mesmo...

Afixado por Luis Rainha em 23 de outubro de 2005, às 15:41

Não há "mesmo" necessidade de entrares "mesmo" dessa forma, Luis. Afinal, trata-se, apenas, de uma discordância não essencial. Grave, grave, a tal discordância essencial, seria comparar este post a um happening Riapa. Nesse caso é que não dava mesmo.

Quanto à "pobreza" de Cuba, sugiro-te, Sr. Rainha (não havia necessidade, pá) que dispas a camisa Castrista antes de te referires à ilha. Cuba, como diz o Mário, permanece um país sub-desenvolvido, pobre e com as liberdades fundamentais cerceadas. Foi isso que ele disse, e isso é um dado objectivo!

Fora de comparações com os "democráticos países vizinhos", independentemente do seu estado aquando da revolução. No post até se diz "permanece".

"rankings de Desenvolvimento Humano da Onu"? O Mário fala de factos bem concretos. Que tal tentar desmenti-los?

Algo disto é falso?

"Só em Cuba o tempo permanece igual, e o ditador continua a fazer discursos intermináveis, prende e tortura os seus adversários políticos, perante a cumplicidade de alguns e o silêncio de outros. E perante a estupidez de um embargo americano que não faz qualquer sentido e só atrasa o processo de democratização. Mesmo com elevadas taxas de alfabetização e serviços de saúde razoáveis, Cuba permanece um país sub-desenvolvido, pobre e com as liberdades fundamentais cerceadas. Mas será tudo ouma questão de tempo, porque a História, que Fidel afirmava que "o absolveria", será a mesma que libertará a pequena ilha simultaneamente da ditadura e do imperialismo."

Assino por baixo. Mas, surpresa das surpresas, não estaria obrigado a fazê-lo, porque no Afixe não remamos todos para o mesmo lado. Até podia concordar contigo e dizê-lo, embora noutro tom, por respeito a um colega de blog.

Não é assim um desafio tão complicado.

Um abraço.

Afixado por monty em 23 de outubro de 2005, às 17:25

Estas "bacoquices", como diz, são as minhas e por muitas baías dos porcos que haja, não comparo Kennedy a Fidel em termos de democracia.
Depois, se reparar, falei da "estupidez" do embargo "que não faz qualquer sentido" e da vergonha que é. Por duas vezes. Muito inteligentemente, escapa a mencionar o que eu escrevi sobre este assunto - descanse, estou habituado a este tipo de esquecimentos. Falei dos misséis americanos na Turquia - nenhum comentário da sua parte.
Adorava é que o Luís Raínha fosse a Havana - há vôos quase directos - e gritase, a plenos pulmões: "Liberdade para os presos políticos. Abaixo o governo. Viva a oposição. Queremos liberdade! Limitação de mandatos para Fidel". Mesmo que não acreditasse no que estava a dizer, fazia o teste.
Depois eu, como membro da Amnistia Internacional, teria muito gosto em pressionar o ditador a libertá-lo, se antes não o tivessem fuzilado, ou já se esqueceu do que aconteceu há cerca de dois anos com escritores cubanos?
E quanto ao desenvolvimento, referi a saude, a alfabetização e outras coisas. Esqueceu-se...
Mas tenha as suas ideias que eu tenho as minhas -Só tenho a convicção (e o desejo) de que as suas permaneçam para sempre no caixote do lixo da História.
Abraços democráticos, daqueles que não ofendem só por que se discorda.
Mário Cordeiro
PS. sabe o que é veradeiramente a liberdade pessoal? É poder criticar simultaneamente os americanos e os cubanos sem dever veneração ou subserviência a ninguém.

Afixado por Mário Cordeiro em 23 de outubro de 2005, às 19:42

Mentiras? A história das "torturas" que continuariam; de onde vem semelhante informação ou queixa?
Outra: Cuba continuaria pobre e "sub-desenvolvida". Então diz-me, e recorrendo mesmo ao "Índice" da ONU (única ferramenta credível que julgo existir para avaliar estas coisas), c omo é que este país está em 52º lugar. Ainda na lista do "primeiro pelotão". Isto é um facto; o que está no post é uma opinião oferecida sem qualquer fundamentação.
Uma última: isso do "castrista". Como bem leste, deixei claro julgar o regime cubano inaceitável. Mas isso não é o mesmo que confundir factos com fantasias.

Se não conheces, sugiro a visita a Mentiras? A história das "torturas" que continuariam; de onde vem semelhante informação ou queixa?

Outra: Cuba continuaria pobre e "sub-desenvolvida". Então diz-me, e recorrendo mesmo ao "Índice" da ONU (única ferramenta credível que julgo existir para avaliar estas coisas) como é que Cuba surge em 52º lugar, ainda no grupo de países classificados como sendo de "High Human Development"?

Uma última: isso do "castrista". Como bem leste, deixei claro julgar o regime cubano inaceitável. Mas isso não é o mesmo que confundir factos com fantasias.

Se não conheces, sugiro a visita a http://hdr.undp.org/statistics/data/country_fact_sheets/cty_fs_CUB.html

Afixado por LR em 23 de outubro de 2005, às 19:43

Irra que está difícil colocar este comentário em termos!


Mentiras? A história das "torturas" que continuariam; de onde vem semelhante informação ou queixa?

Outra: Cuba continuaria pobre e "sub-desenvolvida". Então diz-me, e recorrendo mesmo ao "Índice" da ONU (única ferramenta credível que julgo existir para avaliar estas coisas) como é que Cuba surge em 52º lugar, ainda no grupo de países classificados como sendo de "High Human Development"?

Uma última: isso do "castrista". Como bem leste, deixei claro julgar o regime cubano inaceitável. Mas isso não é o mesmo que confundir factos com fantasias.

Se não conheces, sugiro a visita a http://hdr.undp.org/statistics/data/country_fact_sheets/cty_fs_CUB.html

Afixado por LR em 23 de outubro de 2005, às 19:46

Engraçado; por acasso, até estive mesmo em Havana há 3 anos e contactei com elementos de um grupo dissidente, tendo tido com eles bastantes conversas francas. As torturas que assevera continuarem são, felizmente, coisa do passsado, sobretudo do chamado "período especial".

Os dois homens julgados à pressa e fuzilados foram-no (mal, que a pena de morte é sempre uma monstruosidade) por desviarem um barco, pondo em perigo vidas de terceiros; não por delito de opinião.

Quanto ao desenvolvimento, afirmou que Cuba é pobre; eu desmenti-o, com dados da ONU.

Não me "esqueci" de comentar parte alguma do seu post; não estou aqui para fazer exegeses; apenas para tentar desmontar algumas falsidades.

Fantástico mesmo é presumir que conhece as minhas ideias e até desejar que fiquem naquele lugar comum do tal "caixote de lixo". Mas como é que me conhece assim? Asssumir coisas destas é mesmo de "democrata" empenhado...

Afixado por LR em 23 de outubro de 2005, às 19:55

Ok, Luis, leva lá a bicicleta, Cuba é um país rico. High Human Development!

Dizes tudo com esta: «"Índice" da ONU (única ferramenta credível que julgo existir para avaliar estas coisas»

Já deste uma vista de olhos pelo ranking? Mais, já deste uma vista de olhos ao detalhe? http://hdr.undp.org/statistics/data/countries.cfm?c=CUB

Afixado por monty em 23 de outubro de 2005, às 20:19

O "Senhor Cordeiro da mente inflamada" retira-se da discussão, porque chover no molhado não aquece nem arrefece... sobretudo não é estimulante para as meninges.
Ainda bem que me enganei e, afinal, apoia os dissidentes de Cuba. Faz bem - essas ideias claro que não devem ir para o caixote do lixo da História...
MC
PS: fico muito aliviado, mas mesmo muito, por saber que os dois fuzilados não o foram por razões políticas mas por terem tentado (tentado!) desviar um barco, e ter posto em perigo as vidas (apesar de ninguém ter morrido) dos passageiros. Sorte deles!
PS2: interrogo-me como terá sido o julgamento deles e a liberdade de actuação do advogado de defesa... tipo julgamento do Saddam, provavelmente, com a pena já definida antes mesmo de começar...

Afixado por Mário Cordeiro em 23 de outubro de 2005, às 20:24

Monty,
Não disse que Cuba é um país rico. Disse que não é "pobre" nem "subdesenvolvido", no que me vejo validado pelo relatório da ONU, que não mede barras de ouro em bancos centrais mas sim a qualidade de vida das populações. Nada mais.

Mário,
A história do "senhor cordeiro" não pretendia ter tom pejorativo; diriji-me assim a si por ter constatado que tem mais 7 anos que eu. Se o ofendi com essa parvoíce da "mente inflamada" peço desculpa. Maus fígados meus.
Quanto ao resto, errou de todo o alvo ao insinuar que eu sou comunista; nunca o fui. Tenho amigos dissidentes em Cuba (em Cienfuegos, mais exactamente, não em Havana como antes escrevi), mas que até conseguem editar de quando em vez um livro crítico: aquilo não é uma maravilha mas também não é o Camboja de Pol Pot ou a Coreia do Norte. Este era o meu ponto central.
"Os dois homens julgados à pressa e fuzilados foram-no (mal, que a pena de morte é sempre uma monstruosidade)" escrevi eu - aquele julgamento não teve nada de normal fui o primeiro a admiti-lo.

Afixado por LR em 23 de outubro de 2005, às 23:01

Caro Luís Rainha
É claro que poderá haver divergências em relação ao que se debate, e na tolerância ou falta dela para atropelos dos direitos humanos.
Nada justifica o que se passa em Cuba, a não ser a mão de ferro de Fidel e da sua elite.
Fulgencio Baptista era um ditador. Fidel era um social democrata. Os EUA, com a sua política cega e lorpa fizeram sucessivos upgradings a Fidel, até o transformarem no que é.
Mas acho extraordinário que se defenda a greve em Portugal e se feche os olhos a não se poder fazer greve em Cuba, ou a limitação de mandatos, etc, etc, etc. Se, em Portugal, houvesse o mesmo sistema de Cuba, em termos de liberdades e garantias individuais e colectivas, o que diria, Luís Raínha? Saía, como eu, certamente, à rua para protestar. Encheríamos Fonte Luminosa mais uma vez.
E os cubanos são menos do que os outros? Os ou afegãos, os angolanos, enfim, todas sa vítimas das ditaduras de direita ou de esquerda? Argumentar que não é o CAmbodja... vamos lá! O que faz a diferença? O número? Então vale a pena rever os momentos finais do filme O Julgamento de Nuremberga. Numa linha contínua, ou se cede ou não se cede. Não há cut-off point possível.
Fidel está velho, é mau e será um bem enorme par a Humanidade quando desaparecer. Como tantos outros, dirá, mas que não minimiza em nada o que ele é. Tem as mãos sujas de sangue. E sabe-o.
Abraços e continuaremos a conversa num próximo post. Entretanto, desculpe sem em algo o ofendi, mas teve a ver com o seu primeiro comentário.
MC
PS: espero que não me ponha já o rótulo de "direita" por escrever isto. Não sou nem nunca fui. Antes e depois do 25 de Abril. Evoluí como toda a gente que vai amadurecendo, perdi algumas ilusões e ganhei outras tantas esperanças. Sou feroz adepto dos regimes nórdicos e o meu ícon é Olof Palme. Mas apra mim, todas as ditaduras e ditadores são igualmente asquerosos e, com a sua polícia política, o seu séquito e os seus esbirros e eunucos, representam a face mais negra da condição humana.

Afixado por Mário Cordeiro em 24 de outubro de 2005, às 00:45

O que faz a diferença entre Pol Pot e Fidel? Por favor. Acha mesmo que é produtivo fazer uma semelhante pergunta? Como comparar Cuba a um regime em que qualquer um com óculos passava a intelectual a pedir reeducação em campos da morte? Um regime que matou milhões dos seus cidadãos!
Não vamos a lado nenhum apenas com sonhos fundamentalistas. Portugal também é cronicamente citado nos relatórios da AI, a que pertence, à pala dos maus-tratos em esquadras e prisões; isso faz de nós uma Coreia do Norte? Não me parece.

É que todas as ditaduras são más; mas há umas bem piores que outras.
Fulgêncio foi um ditador; mas foi também um fantoche do governo dos EUA, que permitiu que por ali se instalasse um estado-sucursal da Mafia. Incrível é ver os mesmos EUA agora implacáveis e justiceiros para com Fidel, como se a sua responsabilidade passada datasse de há 500 anos...
Quanto a isso da "mão de ferro", também não serve de muito fechar os olhos às melhorias que os últimos anos têm trazido; viver no mundo das teorias inflexíveis é má receita para resolver o que quer que seja.
Continuar a ver Cuba pelos olhos dos produtores do "CSI Miami" não ajuda nada.

Afixado por LR em 24 de outubro de 2005, às 15:00

Ninguém comparou nada com nada.
Já estou farto da conversa. A História que o absolva.
Cada um fica na sua e ponto final, pela minha parte, excepto no que se refere ao CSI, claro - grande série. Não perco uma.
E, neste post, encerro a minha participação. Adelante, compañeros! No pasarán!

Afixado por Mário Cordeiro em 24 de outubro de 2005, às 16:17

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