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outubro 18, 2005
275 anos da sagração do Monumento de mafra

"E devido a que uma parte da tribo de Judá encontrou refúgio em Espanha, como dizem as escrituras [...] e a que o território de Sefarad se coloca no centro do Céu, com toda a exactidão e precisão, sob o meridiano recto, enquanto que os filhos de Babilónia se encontram no meridiano de Oriente: por esta razão se propagaram as ciências nestes dois extremos, segundo as suas variedades [...] e nestes dois lugares alcançou o mundo sua glória e sua grandeza"
in "Tahkemoni", Rabi Yehuda Al-Harizi (séc. XII)
"Tem Lisboa o seu assento na parte Ocidental de Espanha, onde o Tejo entra no Oceano. É empório do Mundo e metrópole de Portugal [...] fica ela trinta e nove graus da parte do Norte, debaixo do signo de Aries, no fim do quinto e príncipio do sexto Clima, fundada como outra Roma sobre sete montes."
Manuel Pereira Cidade
"Viu o Evangelista João uma Igreja, ou uma Sé colocada no Céu, que tinha à sua vista um mar cristalino como vidro e diante do seu trono ardiam sete lâmpadas [...] não só é imagem da antiga Jerusalém e da Jerusalém Celeste, mas nova Cidade de Jerusalém descida do Céu à terra e colocada onde a veem os olhos do Grande João."
in "Ennoea", tratado do séc. XVIII de Anselmo Caetano Munhós de Abreu Gusmão Castello Branco
Este Santuário, ou Novo Templo de Ezequiel viu este profeta separado sete léguas da Cidade marítima, chamada Oriental, e Ocidental; porque tem por um lado ao Oriente, e pelo outro ao Mar, e a sua longitude se estende (como vemos em Lisboa) desde a parte Ocidental, até ao termo Orienta [...]. Mas ainda que se não pode esconder uma Cidade posta sobre um Monte, nem se podia ocultar este Templo edificado sete léguas por cima de tão grande Cidade, nenhum dos Expositores Sagrados descobriu até agora esta Cidade, nem mostrou ao Mundo aquele Templo.
[...] Muitos conventos há hoje fora de Roma, em que está edificada a Igreja de Cristo, que é a Nova, e Santa Cidade de Jerusalém, descida do Céu à terra [...] mas nenhum Mosteiro de religiosos se acha na Cristandade, que esteja edificado sete léguas fora, ou por cima da Cidade marítima, chamada Oriental, e Ocidental, fundado sobre águas subterrâneas e tão adornado como a Esposa para o seu Esposo [...] senão esta nova e única Maravilha do Mundo, que ao mundo mostraremos estabelecida em Portugal, edificada em Cristo, sobreedificada em Mafra e sobre o fundamento, que lhe pôs S. Paulo, pelo Real, e invicto braço do Sábio e Augusto Apolo Lusitano, e pelas mãos dos Portugueses, para Corte do Quinto Império de Cristo
Para falarmos sem lisonja, diremos tudo pelas bocas e língua alheias, que são os Monstros celestes propostos aos Infiéis e as profecias explicadas [...] e nem assim seremos ouvidos neste Povo [...]"
in "Oraculo Prophetico" de Anselmo Caetano Munhós de Abreu Gusmão Castello Branco
Uma nota final, para se perceber o contexto histórico dos excertos acima: o complexo mafrense foi lançado, desde a sua pedra angular, até à sagração, à revelia e sem autorização ou reconhecimento do Vaticano, como seria imperativo em qualquer basílica da Cristandade. Constituiu-se assim numa obra regalista de um Rei audaz que afrontou Roma, com a qual cortou laços diplomáticos por mais de uma vez, em nome de uma ideia de Portugal. No monumento de Mafra, que poucas décadas depois será emulado simbolicamente nas proporções do Terreiro do Paço, pelo engenho do Marquês de Pombal, o Rei D. João V afirmou-se César e Pontífice, Rei e Sacerdote.
275 anos depois, as autoridades deste país são incapazes de honrar a memória histórica deste monumento. Não foram preparadas quaisquer comemorações oficiais para a celebração destes 275 anos.
Afixado por Gibel em 18 de outubro de 2005, às 22:41
Afixadelas
Bela posta, mestre Gibel!
Escreve mais sobre as proporções, que eu fiquei interessado!
No que toca à não celebração, é o costume. Os nossos governantes e políticos de hoje são gente pequena, de curta cultura, e de parcas ambições...
Afixado por Bernardo em 19 de outubro de 2005, às 09:54
