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outubro 14, 2005
Hoje estou muito pouco razoável

Aí está a proposta do governo relativa às alterações a introduzir à lei da nacionalidade. A alteração fundamental é consagrada de forma tímida e sem ambição:a aquisição da nacionalidade é reconhecida também às pessoas nascidas em território português desde que, no momento do nascimento, um dos progenitores esteja a residir em Portugal há pelo menos seis anos. A cidadania continuará a ser recusada a todas as crianças que nasceram ou venham a nascer em Portugal antes desses seis anos.
A desculpa apresentada para esta opção: se não fosse aquela excepção, Portugal passaria a ser um lugar bastante atractivo para a imigração ilegal. Os progenitores imigrariam para Portugal para propiciarem aqui o nascimento dos respectivos filhos, sabendo que os mesmos ficariam a gozar automaticamente da nacionalidade Portuguesa pela prevalência do critério do jus soli.
E depois? Eu não vejo nada de dramático nisto: reproduziríamos a nacionalidade Portuguesa à décima potência, invadiríamos a Europa de Portugueses de todas as raízes, de todas as raças, de todas as culturas, de todos os sonhos, de todos os cheiros, de todos os ritmos.
Primeiro a Europa, depois o mundo. Todos alegremente munidos do passaporte mais universal de todos: o Português!
E agora ò burocratas de Schengen!
E agora ò senhores agricultores da confortável Europa-dos-direitos-adquiridos, subsidiados parasitas de metade do orçamento comunitário, que viveis à conta de mercados agrícolas protegidos que conduzem à falência a produção agrícola do terceiro mundo, impossibilitada de exportar?
Tomai lá com os homens e as mulheres africanas de amanhã inviável comprado pelas vossas hipócritas "ajudas ao desenvolvimento".
Tomai lá lutadores chiques da guerra anti-globalização, aliados ingénuos dos que, protegendo-se dela, matam a única esperança comercial de o terceiro mundo produzir e escoar excedentes.
Tomai lá com os que um dia se fartaram de dizer diariamente aos filhos que nada tinham para lhes dar e se lançaram por uma jornada temerária em que já nada tinham a perder apesar da sede do deserto e dos arames farpados de Melila.
Tomai lá com tudo, por cada dia em que se adiou o que não podia ser adiado.
Tomai lá com as dores de toda esta gente. Quisemos dar-lhes um nome: são todos Portugueses!
Pronto. Já gritei o que tinha para gritar.
Amanhã é fim-de-semana e somos todos felizes. Eu continuo na nave dos loucos.
Afixado por Gibel em 14 de outubro de 2005, às 20:37
Afixadelas
És grande Gibel! Aplausos e mais aplausos e + e + e...
Afixado por Jon em 14 de outubro de 2005, às 21:48
Arrepiante!! Até parece que o ouvia a gritar... realmente é impossível ser razoável perante tudo isto que acontece ao nosso lado...
Afixado por Ana em 14 de outubro de 2005, às 23:19
Aplaudo esta posta, só fiquei com uma dúvida. Querias mesmo dizer anti globalização? Se sim Aplaudo com mais força, só que muita gente infelizmente confunde os movimentos Anti globalização com os Alter globalização.
Afixado por Daniel Arruda em 15 de outubro de 2005, às 00:11
Percebeste mal Daniel. Eu acredito mesmo é numa globalização radical: ou seja, definitivamente global.
Afixado por Gibel em 15 de outubro de 2005, às 00:20
É assim mesmo! Vamos masé arrasar esta cambada de burgueses hipócritas e egoístas! Fronteiras abertas e nacionalidade para todos já!
Afixado por bluegift em 15 de outubro de 2005, às 11:36
É assim mesmo, gibelino! Miscigenação é uma das minhas palavras favoritas. E ficaria muito mais fácil pô-la em prática se os estrangeiros não fossem excluídos à partida.
Afixado por susana em 15 de outubro de 2005, às 16:12
Caraças, pá, até me arrepiei!!
Grande!
Afixado por M. em 17 de outubro de 2005, às 10:46
