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outubro 31, 2005
Ponto morto
Isto está paradito, hein?
Ontem, se não me engano, foi o primeiro dia em que não se escreveu nada no Afixe. Enfim, Todos-os-Santos hão-de explicar parte da paragem, sendo que, no que toca à minha pessoa, a paragem tem mesmo a ver com uma branca do tamanho de uma casa e muito cansaço acumulado, os quais, no pouco tempo que ora disponho, não me têm permitido escrever nada publicável.

Até os bafos da inspiração me atingirem (o que pode bem ser metáfora para um choque vitamínico), acho que vou ficar off-line - para desespero de dois ou três e jubilo de dois ou três milhares.
Me aguardem...
Afixado por afixe às 17:25 | Afixadelas (10)
outubro 29, 2005
O nascimento do mundo

Deputados na AR reunidos em plenário? Membros do Tribunal Constitucional em deliberação? Comissão de Honra de um candidato a presidente?
Simplesmente "O Nascimento do Mundo" - de Nilli Kook.
Confesso que, independentemente de tudo o mais (por favor, não comecem já a ler posições que não estão aqui ou juízos de valor que muito menos...), apetece-me de vez em quando falar de nascimentos.
Quanto mais não seja pela carência deles, em Portugal.
Defeito de pediatra?
Volto terça. E fiquem com este magnífico quadro de Salvador Dali - "Criança observando o nascimento do mundo".

Afixado por Mário Cordeiro às 00:35 | Afixadelas (7)
outubro 28, 2005
O aborto do aborto

Olhando a decisão do Tribunal Constitucional (TC), que julgou inconstitucional a proposta de referendo sobre o aborto aprovada pelo Parlamento, e a subsequente reacção do PS, deparo-me com uma novidade analítica.
Sou absolutamente contra qualquer tipo de referendos, versem sobre o que versarem. É que, ainda assim, e pese embora as politiquices, acredito mais no "sereno" juízo do parlamento pouco iluminado do que na decisão de uma trupe de gentalha ululante a que se convencionou chamar povo, à qual, na sua grande maioria, não reconheço capacidade ou saber para algo mais definitivo do que enfiar a enxada na terra.
Paradoxalmente, a minha costela de jurista não deixa de exultar com as duas decisões - a do TC, e a do PS, que decidiu não avançar com a despenalização no parlamento. A do TC porque respeita a lógica constitucional - e não podia ser mais lógica (curioso o facto de os 6 votos pela constitucionalidade terem provindo de gente ligada ao PS). A do PS (apesar de acreditar que o fizeram, não por uma questão de coerência com o programa de Governo, que apontava para a resolução da questão pela via do referendo, mas por falta de coragem), porque respeita e não subverte o voto do TC e, mais que tudo, respeita o "sagrado" princípio democrático, que eu renego (mas em mim ninguém votou), de que "decisão referendada só pode ser alterada por decisão referendada", o que, ainda que com vãs origens, revela sentido de Estado, que eu não almejo ter.
Esteve bem o Engenheiro! Ao contrário do PC e do BE, vezeiros oportunistas que, esquecendo o voto do seu sublimado povo em anterior referendo, cada vez mais revelam a sua vera essência, e do PSD, que, querendo-se partido destas andanças de poder, devia respeitar o risco que o PS correu e a hombridade formal com que assumiu a decisão.
Uma palavra especial para o Bloco que, pela voz de Helena Pinto, aventou: «Já que as duas tentativa de referendo foram inviabilizadas, e para que se termine com esta vergonha internacional que leva mulheres a tribunal, tem que se começar a discussão (no Parlamento) na especialidade do projecto-lei (do PS) que foi aprovado». Esta sentenciadora frase é bem reveladora daquilo que os move e a forma como não olham a meios, em situação alguma, para atingirem os fins. Notem bem a lógica: já que as duas tentativas de colocar o zé-povinho a botar faladura falharam – uma por veto presidencial, atenta a manifesta inoportunidade temporal, outra por flagrante desrespeito à lei, já que democracia falhou, e já que não podemos entrar pela porta, entremos pela janela. Assim mesmo, sem tirar nem pôr!
Eu bem dizia que esta era uma análise complicada.
Afixado por afixe às 23:15 | Afixadelas (17)
Em resposta ao post do Bernardo
Bernardo, não pretendo defender o Louçã, nem quaisquer políticos – longe de mim tal ideia, como adiante se verá.
Mas não posso deixar de realçar, mais uma vez (já várias vezes se falou no Afixe neste assunto), que se não se fala em ética e filosofia em relação ao referendo do aborto é provavelmente porque o referendo não incide sobre um problema nem ético nem filosófico, mas pura e simplesmente jurídico.
Porque o referendo não é sobre se somos contra o aborto, ou a favor (questão, quanto a mim, impossível de responder, porque não me parece que qualquer pessoa normal possa dizer que é a favor do aborto em termos absolutos. Tudo depende das circunstâncias, em minha opinião).
É sobre se somos a favor ou contra a penalização do aborto. Ou seja, se achamos que uma mulher que aborta e quem a ajuda a abortar deve ser condenado a uma pena de prisão. Mais nada.
Se votares contra, não vais estar a dizer que és contra o aborto, e condenas moralmente, ou eticamente, ou religiosamente, seja o que for, uma mulher que aborta. Vais estar a dizer que achas que uma mulher que aborta deve ser penalizada, julgada por um Tribunal e condenada a uma pena de prisão.
Repara que são coisas completamente diferentes...
Eu também acho que os políticos não lidam bem com este assunto. No primeiro referendo certamente que lidaram com o assunto de forma desastrosa. Andou toda a gente envolvida em discussões completamente inúteis e estéreis sobre a bondade / maldade do aborto, e não me lembro de um que tenha tentado explicar o que verdadeiramente estava em causa. O resultado foi o que se viu. As pessoas votaram alegremente sobre um juízo moral, baseadas nas suas convicções pessoais, e ninguém percebeu o problema e as consequências.
Porque para votar neste referendo é perfeitamente irrelevante saber se, pessoalmente, se faria ou defenderia o aborto.
A única coisa que deve ser considerada é se se concorda com o facto de quem o faz sofra uma pena de prisão.
Apenas isto.
E espero sinceramente, que desta vez, aprendendo com o triste caso anterior, os políticos deste país se lembrem de discutir o problema jurídico, e deixem de fazer campanha e de tentar parecer bem, e tenham a coragem de dizer que o que está em causa não tem nada a ver nem com ética, nem com religião.
Para os que insistirem em fazer disto um problema religioso... Bem, só uma coisa a dizer...
Quem não tem pecado, que atire a primeira pedra.
Afixado por M. Butterfly às 13:53 | Afixadelas (11)
Parabéns, rapazes!
Ontem o Mário, hoje o Bernardo. Que contem muitos.
Afixado por afixe às 11:20 | Afixadelas (9)
Ética e Política
Vinha agora no carro a ouvir o Louçã a ser entrevistado na rádio sobre a eterna questão do aborto.
Pego nele mas poderia pegar noutro político qualquer. Haverá algum político que ainda seja da opinião que a ética precede a política?
Se assim fosse, como seria possível Louçã, e todos os outros, falarem exclusivamente de política quando a matéria em discussão extravasa largamente esse âmbito para entrar na ética?
Ouvimos Louçã e é sempre o mesmo disco: pode-se espremer o seu discurso vago e oco em uma só ideia:
"Em Portugal há um atraso cultural e civilizacional".
Para Louçã, a questão do aborto é quase uma questão de higiene. Para ele, Portugal está atrasado "em relação aos outros países". É sempre esta a tónica oca: "os outros países".
Poderíamos pensar, ingenuamente, que os políticos, quando deparados com problemáticas do foro ético, recorreriam aos especialistas em ética, pensariam de modo filosófico ou socorrer-se-iam de pessoas com competência nessas áreas. Esperava-se um amplo debate ético e filosófico sobre as implicações do aborto.
Notem bem: sendo eu católico ainda nem sequer usei uma só palavra ou um só argumento religioso. Não preciso!
É isso que é espantoso!
O que se esperaria era que o debate ético precedesse o debate político.
Mas isso não acontece.
O aborto, para estes senhores que representam a classe política hodierna, é mero factor de distinção entre progresso e retrocesso civilizacional:
País com aborto legal = país evoluído
País sem aborto legal = país atrasado
E pronto!
Está feita a política!
Aqui entre nós, devo ser franco: sendo eu anti-abortista, não tenho qualquer esperança depositada na vitória das minhas convicções. Quando se votou no último referendo, os do "não ao aborto" cantaram vitória, mas já cheirava a derrota, porque era tudo uma questão de tempo.
Uma questão de tempo...
Não tenho quaisquer dúvidas de que basta esperar uma década, talvez um pouco menos, talvez um pouco mais, para termos aborto legal, com limites muito menos duros que os actuais, eutanásia legal, controlo quase liberalizado (graças às pressões do mercado e dos fazedores de opinião da praxe) de material genético humano, entre outras coisas boas da nossa avançada civilização tecnológica.
Sou catastrófico?
Porquê?
Então, todas estas coisas que eu referi são boas ou não?
São ou não são avanços civilizacionais?
São ou não são vitórias dos direitos humanos?
Ironia à parte, eu estou seguro de uma coisa: nesta civilização em decadência (minha opinião), o declive da ética é descendente. Vimos suceder o mesmo no Império Romano. A civilização moderna está em decadência e a pouca importância que se dá à ética e à filosofia espelha-se em todos os sectores da actividade intelectual.
Mas por todo o lado, com estas pequenas "vitórias" anti-éticas que se aproximam e que acabam por chegar e por se estabelecer, o grande glutão da degradação vai-se enchendo, rodeado pelas nossas "elites" intelectuais que vão aplaudindo o espectáculo.
Podiam era ter mais vergonha.
Louçã, e os outros, poderiam tentar usar argumentos éticos sérios para o aborto (que os há, se bem que eu julgo que podem ser contestados e mesmo refutados ao nível filosófico), em vez de recorrerem ao gasto argumento do "parque infantil":
"os outros meninos já vão lá à frente e nós temos que correr mais depressa para os apanhar".
Afixado por Bernardo Motta às 09:50 | Afixadelas (6)
William Henry, the Third

Ou "The First".
Há 50 anos nascia um menino chamado Bill. Billy the Kid.
O que fez? "Só" desenvolveu (com Paul Allen faça-se justiça) uma empresazita chamada Microsoft.
Mas se tivesse realmente talento e acreditado na sua obra tê-la-ia baptizado de Macrohard.
Não ficará na História...
Parabéns, Bill, meio século é obra. E se te lembrares de mim, manda ou cheque ou preferes que te envie o meu NIB?
PS: porque é que o cérebro de Einstein foi directamente para ele?
PS2: já pensaram como se estão a roer aqueles que gozavam com ele no liceu, as namoradas que lhe deram tampa ou os patrocinadores que lhe recusaram apoio financeiro?
Afixado por Mário Cordeiro às 01:04 | Afixadelas (1)
outubro 27, 2005
Incontrovérsias
1. Vá a www.google.pt;
2. Escreva "Failure";
3. Clique em "Sinto-me com sorte".
(caso não esteja para fazer isso tudo, clique apenas na imagem, o resultado é o mesmo)
Afixado por afixe às 19:50 | Afixadelas (3)
Estereografia
Olhem fixamente por 30 segundos e conseguirão ver uma girafa
Afixado por afixe às 19:28 | Afixadelas (8)
Sem comentários

Afixado por Gibel às 12:06 | Afixadelas (2)
La Fontaine revisitado
Era uma vez uma formiguinha e uma cigarra que eram muito amigas.Durante todo o Outono, a formiguinha trabalhou sem parar armazenando comida para o período de Inverno. Não aproveitou nada do sol, da brisa suave do fim da tarde e nem do convívio com os amigos no final do trabalho. O seu nome era "trabalho" e o seu apelido "sempre".
Enquanto isso, a cigarra só queria cantar nos grupos de amigos e nos bares da cidade. Não desperdiçou um minuto sequer! Cantou e dançou durante todo o Outono, aproveitou o sol, curtiu a valer sem se preocupar com o Inverno que estava para chegar.
Então, passados alguns dias, começou a fazer frio. Era o Inverno que estava a começar.
A formiguinha, exausta de tanto trabalho, entrou para a sua singela e aconchegante toca repleta de comida. Mas, nesse momento, alguém chamou o seu nome do lado de fora da toca.
Quando abriu a porta para ver quem era, ficou surpreendida com o que viu. Quem era? A sua amiga cigarra estava ao volante de um Ferrari com um aconchegante casaco de vison.
A cigarra disse para a formiguinha:
- Olá amiga, vou passar o Inverno a Paris. Será que tu poderias cuidar da minha toca?
- Claro, sem problemas, respondeu a formiguinha. Mas o que te aconteceu? Como é que conseguiste dinheiro para ir a Paris e comprar esse Ferrari?
E a cigarra respondeu:
- Imagina tu que eu estava a cantar num bar, na semana passada e um produtor ouviu e gostou da minha voz. Fechei um contrato de seis meses para fazer vários shows em Paris... A propósito, a minha amiga deseja algo de lá?
Respondeu a formiguinha:
- Desejo sim. Se encontrares por lá um tal La Fontaine, manda-o para a Puta que o Pariu...!!!!Moral da História:
"Aproveita a vida, sabendo dosear o trabalho e o lazer, pois o trabalho em demasia só traz benefícios nas fábulas do La Fontaine e ao teu patrão."* recebido por e-mail - autor desconhecido
Afixado por afixe às 12:06 | Afixadelas (4)
E não voltes
Eu, que até sou agnóstico, permito-me um momento de esquecimento e solto um sonoro grássazádeus.
Não é frequente, mas de tempos a tempos, lá aparece uma noticiazeca que nos deixa mais animados. É, pelo menos para mim, o caso da que se segue. Espero sinceramente, que o hóme não se fique pelas promessas, nem se arrependa e daqui a uns meses volte ao activo. Que a Caríntia o guarde, por muitos e bons, de preferência calado e quieto. E os que tiverem saudades, que se juntem a ele e por lá permaneçam. Xau Joerg !
(desde já declino qualquer responsabilidade pelo nível do português que se segue)
Mas desavenças começaram a aparecer no grupo dele depois de o partido ter entrado no governo austríaco em 2000, em uma coalizão com o Partido Popular, conservador, e sob o comando do chanceler Wolfgang Schuessel.
Após uma série de derrotas nas urnas, Haider acabou saindo do Partido da Liberdade. Mas sua aposta na fundação de uma nova legenda parece ter fracassado no domingo, quando a BZOe não conseguiu ingressar no Parlamento austríaco após conquistar apenas 1,1 por cento dos votos.
Afixado por Jon às 02:17 | Afixadelas (5)
outubro 26, 2005
Já que não deixam o Sidónio dormir em paz
Não, o documento sindical que abaixo se reproduz não é do tempo do cónego de Santa Comba Dão.
É do tempo da tirania do Sr. Dótôr Afonso Costa, espécie de monarca de barrete frígio, escroque montado às cavalitas de uma burguesia decadente, mas tão venerado pelos demagogos soaretes do papão presidencialista.
AO POVO TRABALHADOR
Nunca, como neste momento, se pode clamar, com maior fervor, por liberdade!
Povo! Acabas de assistir ao mais horroroso dos massacres! Acabas de vêr como, para subjugar uma greve ordeira e digna, um governo liberticida não hesitou em sacrificar toda a gente, não distinguindo na sua sanha entre a blusa e a casaca, entre homens, mulheres e crianças!
Jurou-se aniquilar todo o protesto. Jurou-se afogar em sangue a liberdade. Apostou-se em esmagar a organização operária a tiro!
Não podia esta ficar de braços cruzados! Precisa exprimir o seu enérgico protesto! Precisa de garantias de liberdade por parte de quem só pode viver com elas suspensas!
Precisa que se ponham todos os presos em liberdade!
Precisa exprimir o seu horror pelos assassínios em massa perpetrados em Lisboa! Precisa LIBERDADE!
Tem, por isso, o povo operário de Lisboa de efectivar esse protesto, mantendo por 48 horas a greve geral.
E o Comércio e a Indústria, se pulsou de indignação perante a caça ao homem, à mulher e à criança, exercida em Lisboa, teem o dever, eles próprios, de encerrar as suas portas!
Abaixo o governo e os seus sicários!
Viva a Liberdade!
Viva a greve geral!
Lisboa, 16 de Julho de 1917
As Federações Sindicais da Indústria.
É apenas um exercício de memória para que metam a mão na consciência e se lembrem que o Sidónio, cujo espectro tanto gostam de agitar, não surgiu do nada e foi aclamado pelo povo trabalhador em virtude de uma qualquer fatalidade cósmica. Que os erros se pagam. Que a cegueira dos senadores de fim de regime tem consequências quando permite criar o vazio. Que o vazio não existe em política, porque não deixará de haver quem o preencha: goste-se ou não se goste.
Mas o Cavaco-obcecado-pela-sacrossanta-estabilidade e... o Sidónio? Tenham juízo. Já viram se o povo os confude mesmo e ainda lhe aumenta o score...?
Afixado por Gibel às 22:31 | Afixadelas (4)
Palavras gastas pelos Marionetes
- direita sociológica
- animal político
- cavaco
- sebastiânico
- cavaco
- demagogia fácil (talvez para distinguir de demagogia mais elaborada - a de Jorge Coelho?!)
- cavaco
- populismo desbragado
- cavaco
- bolo-rei
mais gasto do que isto só o governo de coragem e o tamiflu !
Afixado por Gibel às 21:45 | Afixadelas (1)
Os não candidatos
Quando se define algo por negação, corre-se o risco de esvaziar de conteúdo o que se pretende definir. Risco assumido por Jerónimo, Mário, Manuel e Francisco. Sem discurso positivo que sustente ou justifique a aspiração que dizem ter, arranhando-se uns aos outros que nem gatos assanhados em saco fechado, apenas almejam impedir Cavaco. Esse é o mote! Não são nada de per si. Indefinidos e sem identidade, não sabem o que querem ser, apenas sabem que não querem que outro seja. Por isso, é razoável afirmar que candidato à Presidência da República só há um: Aníbal Cavaco Silva. Os outros dificilmente se podem encaixar no conceito: porque não aspiram a emprego ou dignidade, porque não solicitam votos para ser eleito para um cargo. Porque sem o outro não são nada. Se, por absurdo, Cavaco se afastasse da solitária corrida, ficariam que nem baratas tontas, os pobres. Sem destino!
Manuel Alegre"Em nome dos valores republicanos da liberdade e da igualdade, quero estar aqui em Janeiro como candidato à Presidência da República para derrotar Cavaco Silva nas eleições presidenciais”
Jerónimo de SousaRecusando comentar o “dado adquirido” que é o lançamento hoje da candidatura de Cavaco Silva, o líder do PCP critica a “operação de branqueamento e promoção” do ex-primeiro-ministro. Jerónimo justifica a sua candidatura como uma luta contra o “regresso de um presidencialismo autocrático”. Jerónimo de Sousa - Candidato à PR
Francisco LouçãDe novo a garantir que não desiste da sua candidatura (”Só vos peço que nunca mais me perguntem se desisto, porque desistir era uma desonra”), o líder do Bloco de Esquerda fez ver que “o que facilita a vitória da candidatura à direita é a abstenção” e nunca o facto de haver várias candidaturas à esquerda. Por isso, elegendo a crise política como o seu “principal adversário, sublinhou que “quem oferece a vitória a Cavaco Silva é quem desistir”.
Mário Soares«No meu entender (Cavaco Silva) não tem perfil para Presidente da República e não tem a formação humanista que deve ter um presidente de Portugal»
Afixado por afixe às 20:52 | Afixadelas (7)
Leiigos para o Desenvolvimento
VOLUNTÁRIOS PARA ÁFRICA E TIMOR Início de mais um ANO DE FORMAÇÃO dos "LEIGOS PARA O DESENVOLVIMENTO" Os "Leigos para o Desenvolvimento" (LD) vão dar início a mais um ano de Formação. Como vem sendo hábito irão realizar-se Sessões de Apresentação, nos diversos Núcleos Regionais, a saber: - BRAGA: 25 de Outubro, 21h15 no CAB, Praça da Faculdade,16 - Tel.: 253 215 592 - PORTO: 2 de Novembro, 21h15 no CREU-IL, Rua Oliveira Monteiro, 562 - Tel.: 226 061 410 - COIMBRA: 9 de Novembro, 21h15 no CUMN, Rua José Falcão, 4 - Tel.: 239 829 712. - LISBOA: 10 de Novembro, 21h15 no CUPAV, Estrada da Torre, 26 - Tel.: 217 574 278. Estas Sessões são de entrada livre.
Afixado por Bernardo Motta às 17:32 | Afixadelas (0)
A Cruz do Sul
Bem sei que estes obscuros temas esotérico-esquisitos interessam a pouca gente, mas enfim, há que fazer pela divulgação... Se soubessem os mails que eu recebo e as perguntas que me fazem, entendiam a necessidade vital desta divulgação junto de tanta gente, que continua a ver Marias Madalenas, Graals, Ísis e hieros gamos por todo o lado...
Aqui fica mais um tópico do Fórum Priorado de Sião:
A Cruz do Sul - O logótipo do Priorado de Sião
Afixado por Bernardo Motta às 11:36 | Afixadelas (0)
Copos cheios, e outras coisas
Morreu na segunda-feira Rosa Luise Parks , a afro-americana que, em 1955, ganhou um lugar na história ao recusar ceder o seu lugar num autocarro a um branco. Rosa Parks estava sentada na secção ‘negroes’, mas perante um branco que não tinha lugar na ‘sua’ secção, o motorista do autocarro ordenou a 4 (quatro! O senhor precisava de espaço...) pessoas sentadas na ‘negroe section’ que se levantassem. Rosa Parks foi a única que não se levantou. Por causa disso, foi imediatamente presa, julgada e condenada por desobediência e incumprimento da lei. Este acto solitário acabou por ser a pedra de toque para a declaração de inconstitucionalidade da lei que decretava o segregacionismo em autocarros pelo Supremo Tribunal dos E.U.A. em 1956.
Foi só há cinquenta anos, no país das oportunidades e da liberdade e justiça para todos.
Foi ‘só’ uma pessoa que recusou levantar-se para dar o lugar a outra no autocarro.
Foi um acto de coragem, ninguém o pode negar – o tipo de coragem que se manifesta no dia em que o copo finalmente se enche.
Mas não tenhamos ilusões. O acto de coragem, apesar de corajoso em si, só teve as repercussões que teve porque aconteceu na altura certa. Porque muita gente tinha o copo quase cheio.
Pouco tempo antes, uma outra mulher tinha feito o mesmo, e tinha também sido presa e julgada. Mas tinha 15 anos, e estava grávida. Este facto fazia dela um ‘símbolo inadequado’ para a causa da NAACP. O próprio Martin Luther King fez a comparação entre este caso e o de Rosa Parks com as seguintes palavras: "Mrs. Parks, on the other hand, was regarded as one of the finest citizens of Montgomery -- not one of the finest Negro citizens -- but one of the finest citizens of Montgomery."
Revelador, não?
O que só serve para podermos dizer que até os mais livres pensadores têm preconceitos. Todos os temos, não podemos fugir deles, são-nos incutidos pela sociedade em que vivemos. Há-de haver um dia em que uma pessoa se revolta contra um deles. Hão-de haver outros dias em que mais pessoas acordam. Há-de haver um dia em que haverá uma inversão das maiorias, e o preconceito começará a morrer.
E assim, talvez um dia, um por um, nos livremos de todos eles.
E para dizer também que muitas vezes, a maior parte das vezes, um acto de coragem solitário não passa disso, de um solitário acto de coragem – por isso, apenas isso, merece ser reconhecido e apreciado. Só numa pequena, ínfima percentagem das vezes, esse acto solitário se tornará num símbolo e numa bandeira. É tudo uma questão de timing.
E nem sei muito bem se esta realização nos deve dar esperança ou nos deixar desencorajados. Provavelmente ambos. Provavelmente apenas aliviados e um pouco amedrontados, por percebermos que o peso da responsabilidade individual se torna, em certa medida, colectivo.
Afixado por M. Butterfly às 11:12 | Afixadelas (10)
H5N1 - Infecção ao bom senso

Luisa Conlan got nervous after returning from a trip to Paris feeling sick, but it turns out she just had a cold
Os minutos de fama aqui.
Afixado por Gibel às 06:19 | Afixadelas (0)
Já comprou a sua?

Isto é que é empreendedorismo.
Pode encomendar a sua aqui.
Afixado por Gibel às 06:12 | Afixadelas (0)
outubro 25, 2005
Sindicato das Crianças

Foi anunciada hoje a criação do Sindicato das Crianças.
Se quiser saber o que isto é, vá aqui.
Afixado por Mário Cordeiro às 14:18 | Afixadelas (2)
Memórias do Visconde da Asseca
Neste mesmo tempo sucedeu a outra religiosa, que por nome não perca, que achando a um carpinteiro trabalhando nas obras do Mosteiro, antepôs a conveniência particular à pública; porque lançando mão dele o levou para a sua cela, adonde o teve um pouco de tempo escondido, trabalhando também nas suas obras. A inveja das benfeitorias despertou a das vizinhas e também ser ele tão bom oficial, que trabalhava de noite e de dia; e levantando-se um falso testemunho, porque já se lhe não podia levantar outra cousa, foi o homem preso e mais a freira, deixando advertido este sucesso, que enquanto não lhe restituirem os amantes se hão-de pinhorar em quantos carpinteiros por lá forem.
[Carta ao Rev. Padre Francisco Xavier de Santa Teresa, Séc. XVIII]
Afixado por Gibel às 02:48 | Afixadelas (0)
Vende-se livro em muito bom estado

A sério! Faço desconto. Comprado há três dias. Este José Braga Gonçalves é um pândego. Imagine: junte os Habsburgos e o Vaticano, o martírio dos Távoras e as penas maçónicas, a pedra bruta e a pedra cúbica, o Marquês de Pombal e os Iluminatti, o terramoto de 1755 e os pedreiros-livres, Mozart e Salieri, Cardeais desavindos e os Templários, banqueiros Judeus e a Maçonaria Vienense, depois tolde-se com isto tudo (sem recurso a estados alterados de consciência) e alguma dose de vaidade, imagine-se dono de um segredo extraordinário de Polichinelo escondido com rabo de fora - boca dos Jesuítas! o nosso segredo é melhor do que o deles! -, cole tudo com cordões conspiratórios e voilá (!) - acabou de produzir um romance à Zé Braga. Inolvidável! Não desconfie da generosidade da minha oferta, nem negue à partida uma pessegada que não conhece: apenas o dispenso por não condizer com a minha estante.
Afixado por Gibel às 01:23 | Afixadelas (9)
Defesa de Felgueiras acredita que não haverá julgamento
Aquele é o título do artigo no Diário Digital e dá sequência ao decidido pela Relação de Guimarães, que terá considerado nula uma parte substancial da prova que sustenta(va) a acusação.
Ainda de acordo com o referido artigo "Segundo fonte judicial a anulação dos depoimentos e das escutas telefónicas obriga à repetição de toda a fase de instrução do processo, incluindo o debate instrutório."
Retomando a frase que dá título ao post... acho que também todos nós, JÁ SEM ESTRANHAR, acreditamos.

P.S. Foto in Publico.pt. Aceitam-se sugestões de título.
Afixado por Jon às 00:35 | Afixadelas (5)
outubro 24, 2005
Digno de registo...
Luís Osório, jornalista, foi visado por um post meu , denominado "A coutada do macho lusitano", em termos não muito abonatórios.
Vale a pena ler o seu comentário, quando leu o post aqui no Afixe: resumidamente, admite que procedeu mal e que gostaria de não ter dito o que disse.
Em tempos de arrogãncias e justificações do "impossível", fica o registo de um jovem jornalista que, felizmente, "também tem dúvidas e algumas vezes se engana".
Um abraço, Luís!
Afixado por Mário Cordeiro às 23:50 | Afixadelas (0)
Lembrando o intragável Carrilho e o pequeno Dinis Maria...
... eu gostava de ter escrito este post.
Afixado por Pedro Cordeiro às 17:08 | Afixadelas (2)
Sugestão no grande ecrã

Golpe a Golpe (Le Couperet, no original francês) é uma comédia negra sobre os dramas laborais da Europa. Deslocalizações, procura de emprego, excesso de qualificação, meia-idade, estão todos lá. Costa-Gavras - cujo último filme, sobre a cumplicidade de Pio XII com os nazis, creio não ter passado em Portugal, o que é pena - assina uma bela obra sobre os nossos tempos. Com direito a gargalhadas. Apressem-se a vê-la no Londres ou no Vasco da Gama. Infelizmente, os filmes franceses não costumam demorar-se muito tempo por cá.
Afixado por Pedro Cordeiro às 15:40 | Afixadelas (2)
Porquê fazer ciência?
Afixado por Bernardo Motta às 11:20 | Afixadelas (2)
Sempre o anti-semitismo...
Tenho constatado, nos vários posts que escrevo, e nas reacções a eles, que há muita confusão em relação a certa terminologia essencial.
Não poucas vezes, ao ouvirmos falar sobre o Islão, e mais concretamente sobre a questão israelo-palestiniana, deparamo-nos com certas correntes de opinião que, manchadas pelo preconceito e deficiárias da mais rudimentar cultura geral, confundem conceitos díspares numa amálgama confusa que só pode gerar mal-entendidos.
Uma típica associação de ideias consiste em falar de "extrema-direita" e de "anti-semitismo" em situações onde o uso dessas expressões é equívoco.
Para mais, é frequente notar que muitos se socorrem do "paradigma nazi" para fazer associações de ideias terrivelmente erradas, como se a expressão "anti-semitismo", mesmo mal usada, nos tivesse que levar sempre para o ideário nazi e para conotações políticas de extrema-direita.
São equívocos sobre equívocos.
Lembrei-me de escrever este post na sequência da leitura deste texto de um autor que já referi, Akhbar S. Ahmed:
"As raízes do preconceito contra o povo judeu são complexas e têm origem em fontes diferentes: o preconceito pode ser de cariz religioso e chama-se antijudaísmo; pode ser racista e chama-se anti-semitismo; e pode ainda ser político, pelo que tem o nome de anti-sionismo. O preconceito pode ser dos três tipos ao mesmo tempo, mas se for de um só tipo, não tem de subentender os outros dois; por exemplo, os que se opõem à filosofia política do sionismo não têm necessariamente de ser antijudaicos ou anti-semitas. Por definição, os muçulmanos não podem ser antijudaicos. Independentemente das diferenças internas com o judaísmo, este é parte integrante da tradição cultural e ideológica islâmica. Os judeus fazem parte do «povo do Livro». A nível cultural a afinidade é evidente nos nomes judaicos usados pelos muçulmanos, tais como Musa (Moisés) ou Ishaq (Isaac). Do mesmo modo, os muçulmanos não podem ser anti-semitas, pois os primeiros muçulmanos, os árabes, eram semitas. Quanto ao anti-sionismo, já é uma questão bem diferente. Politicamente organizado na Europa moderna, o sionismo era basicamente estranho ao Médio Oriente, era uma importação estrangeira."- O Islão, pp. 167-168, Bertrand Editora, Lisboa.
Como seria bom se guardássemos na memória estas palavras! A síntese está perfeita. De uma vez por todas, temos que nos dar conta de que a realidade do conflito entre Israel e a Palestina é complexa, matizada, e há que ter em conta estas três dimensões do conflito: a religiosa, a racial e a política!
A criação inusitada, na minha opinião, de um estado de Israel no Médio Oriente, como depósito para os judeus da diáspora, tinha que provocar, pelo menos, e sublinho, pelo menos, uma das dimensões do conflito: a política!
Do ponto de vista palestiniano, as políticas sionistas são sempre uma agressão. Para tentarmos compreender um pouco melhor o anti-sionismo dos palestinianos podemos imaginar, por exemplo, a comunidade internacional a sancionar ou a legitimar Marrocos ou a Tunísia a invadirem o sul de Espanha, reclamando para si a "terra prometida" do Al-Andaluz! O que teriam os espanhóis a dizer?
É evidente, e o leitor atento já franziu o sobrolho, que estou a esquecer-me da questão de Jerusalém, cidade santa para três religiões. É precisamente Jerusalém (e outros locais importantes, mas menos, como Belém) que dá à polémica israelo-palestiniana toda a sua complexidade. É devido a Jerusalém que entra na equação a dimensão religiosa.
Contudo, sempre que ouvirmos noticiários, sempre que nos depararmos com jornalistas ou comentadores sem formação ou equipados com uma curta bagagem dos mais gastos estereótipos, lembremo-nos disto: é possivel ser-se anti-sionista sem ter ódio religoso ou racial aos judeus. Vou até mais longe: em Israel não há só judeus! Há israelitas religiosos e israelitas ateus; há israelitas liberais e israelitas socialistas. E, espanto máximo, há israelitas muçulmanos e israelitas cristãos! Depois de reflectirmos, é evidente que isto faz sentido, mas vejamos a suprema confusão em que incorremos sempre que, em conversas com amigos, usamos os mesmos estereótipos dos media!
Por fim, falta falar de uma das três dimensões referidas: a dimensão racial. É apenas a um nível mais primário, do ódio sentido pelas camadas mais incultas e brutas da sociedade islâmica, que podemos encontrar, e mesmo assim dificilmente, um ódio puramente racial aos judeus, sendo evidente que um ódio destes é claramente contraditório, como explicou Ahmed. E mesmo assim, este ódio, quando existe, é quase sempre consequência de um ou dos dois primeiros ódios, do político e do religoso (este último também contraditório para um muçulmano). Por isso, torna-se perigoso falar em antijudaísmo, e torna-se quase sempre absurdo falar em anti-semitismo, quando se aborda a questão israelo-palestiniana contemporânea, e muito menos fazer paralelos inusitados com o nazismo. A expressão a usar é "anti-sionismo".
Há contudo, muito que se poderia dizer sobre as origens da causa sionista, sobre a influência do socialismo na fundação de Israel, e sobre a relação dos sionistas com o Terceiro Reich. Mas isso fica para outra altura...
É espantoso constatar que, no sionismo, contrariamente ao que poderia dizer-nos o senso comum, há muito mais de política do que de religião, tanto ao nível das ideias quanto ao nível das crenças dos seus impulsores e precursores.
Tentemos, por isso mesmo, usar de um certo cuidado na escolha dos termos quando falamos desta questão.
Para terminar, queria recordar uma polémica já passada, mas onde surgiu um equívoco semelhante. Alguns debitadores de opiniões, anti-clericais até ao âmago, gostaram de falar de "anti-semitismo" quando criticaram o filme de Mel Gibson, "A Paixão de Cristo", porque segundo eles este filme colocava os judeus como "maus da fita". Ignorando que a intenção didáctica do relato da Paixão de Cristo é a de colocar toda a humanidade como "má da fita", estes críticos mal informados nem se deram conta de que o guião do filme estava, todo ele, em perfeita concordância textual com o Novo Testamento da Bíblia cristã. Suprema imbecilidade falar neste caso de anti-semitismo por parte do realizador... Além disso, Jesus, o "bom da fita", era semita!
Afixado por Bernardo Motta às 10:21 | Afixadelas (15)
Um sonho que terminou...

Podem argumentar razões económicas, de segurança, falta de mercado, inviabilidade, o que quiserem.
Mas foi, sem sombra de dúvida, o avião mais bonito que alguma vez já se produziu.
"Morreu" oficialmente a 24 de Outubro de 2003.
E eu, que nunca andei nele...
Afixado por Mário Cordeiro às 00:56 | Afixadelas (1)
Parabéns!

Foi precisamente há 60 anos. Nesse dia 24 de Outubro de 1945, os cinco membros do Conselho de Segurança - China, EUA, França, Reino Unido e União Soviética ratificavam a Carta das Nações Unidas, aprovada em Junho do mesmo ano. Estava criada a ONU, com altos e baixos, melhores e piores desempenhos, eficácia ou nem tanto, mas incontornável e sem a qual o mundo seria (ainda) mais perigoso.
Afixado por Mário Cordeiro às 00:49 | Afixadelas (0)
outubro 23, 2005
Como é que era aquela coisa do Tiago Monteiro?!?

Afixado por Mário Cordeiro às 01:54 | Afixadelas (7)
22 de Outubro - a crise dos misséis de Cuba...
A 22 de Outubro de 1962, o Presidente Kennedy anunciava ao povo Americano que os aviões-espiões dos Estados Unidos tinham descoberto uma base de misséis soviéticos em Cuba, praticamente completa, visando o seu país.
Foi ordenado um embargo a Cuba para evitar que os navios soviéticos pudessem transportar mais armas e material para Cuba. Talvez pelo facto de o presidente da URSS ser Nikita Khrushchev, Kennedy decidiu dar mais algum tempo para reconsiderarem. Entretanto, o birmanês U Thant, secretário-geral das Nações Unidas, apelava aos dois contendores para que mantivessem a calma e para o perigo de uma guerra à escala das superpotências.
A 25 de Outubro, perante o prosseguimento dos trabalhos em Cuba, Kennedy considerou a invasão da ilha, mas Khrushchev deu ordens, nesse mesmo dia, para o desmantelamento da base. As coisas ainda aqueceram quando foi exigido aos americanos a retirada das suas bases da Turquia e quando, entretanto, um avião espião foi abatido sobre Cuba. Kennedy conseguiu conter a vontade dos militares de retaliarem. A situação apaziguou e a chamada Crise dos Misséis Cubanos chegou ao fim. Alguns misséis americanos foram também retirados da Turquia.
Conseguiu-se evitar uma guerra que seria devastadora, mas este episódio teve como consequência uma corrida desenfreada ao armamento nuclear, para que cada parte não ficasse atrás da outra, num futuro braço-de-ferro.
O que teria acontecido se os presidentes não fossem Kennedy e Khrushchev? É difícil dizer. Mas viveram-se tempos de grande incerteza. Lembro-me de, na altura, ter sete anos e de ouvir os meus pais falar do assunto com muita apreensão.
Passados 43 anos, o clã Kennedy foi devastado e perdeu praticamente toda a sua influência, a União Soviética deixou de existir e os países que a formavam vendem mísseis como "pãozinho quente". A ameaça nuclear vem agora de outros lados.
Só em Cuba o tempo permanece igual, e o ditador continua a fazer discursos intermináveis, prende e tortura os seus adversários políticos, perante a cumplicidade de alguns e o silêncio de outros. E perante a estupidez de um embargo americano que não faz qualquer sentido e só atrasa o processo de democratização. Mesmo com elevadas taxas de alfabetização e serviços de saúde razoáveis, Cuba permanece um país sub-desenvolvido, pobre e com as liberdades fundamentais cerceadas. Mas será tudo ouma questão de tempo, porque a História, que Fidel afirmava que "o absolveria", será a mesma que libertará a pequena ilha simultaneamente da ditadura e do imperialismo.
Vendo à distância este episódio, podemos ver como as gerações anteriores também passaram por momentos de uma enorme insegurança e de uma ameaça de destruição eminente. Há razões para estarmos optimistas quanto ao futuro!
Afixado por Mário Cordeiro às 01:39 | Afixadelas (13)
outubro 22, 2005
Monty Python's dead parrot
Afixado por afixe às 16:35 | Afixadelas (1)
outubro 21, 2005
O Bloco começa a ganhar juízo?
As renas ficaram tristes com a notícia.
PS e PSD querem procriação assistida só para casais heterossexuais, casados ou a viver em união de facto há pelo menos dois anos. BE abre excepção para mulheres sós, desde que inférteis, as que, sendo férteis, queiram ter um filho sem recurso a relação sexual, não são contempladas no respectivo projecto-lei. Também a selecção de um embrião com o objectivo de fazer nascer um bebé que permita salvar a vida de uma criança já existente (o "bebé-medicamento") é afastada pelo PS, PSD e BE. Só o PCP admite essa possibilidade e a da "produção independente".[DN]
Parece que as renas, se sentem traídas pelo Bloco, "o tal que prometeu, pelos vistos de forma mentirosa e oportunista, defender o direito à parentalidade para os homossexuais, o tal que se diz o partido mais feminista português..." (notem a hilariante confusão de conceitos - diz-nos muito sobre o pensar das renas!)

Barrigada de riso. O post das Renas jogava com o título "BLOCO EM EXTINÇÃO?".
Do lado de cá, e independentemente de subscrever a procriação assistida só para casais heterossexuais, sem qualquer tipo de excepções, acho imensa piada ver o contra poder piscar olhinhos ao poder.
Produz uma reacções engraçadas, uns revirar-d'olhos que são um must.
Keep on!
Afixado por afixe às 23:43 | Afixadelas (7)
Instantâneos Cingaleses - VI

Para quem nunca viu, isto é um templo hindu!
Mais concretamente, este fica algures perdido numa estrada do Sri Lanka.
À porta ficam os sapatinhos e as motorizadas!
Afixado por Bernardo Motta às 20:45 | Afixadelas (2)
Assino por baixo!
O ilustre Juiz Desembargador e blogger Francisco Bruto da Costa, depois de nos honrar, no Ciberjus, quer no blog, quer na página de apoio, com referências a dois posts [1] [2], termina avisando:
«Qualquer pessoa que conheça razoavelmente o que se passa nos Tribunais sabe que lá se trabalha muito – trabalha-se muito em termos absolutos e trabalha-se muito mais do que é exigível e do que seria necessário se esses Tribunais estivessem organizados com um mínimo de racionalidade. Os diagnósticos estão feitos há muito e há um razoável consenso generalizado sobre as causas da crise judiciária e sobre as medidas que seriam necessárias para a atalhar. É por todos reconhecido que as condições de funcionamento da justiça estão uma lástima, fruto do desinteresse e do sub-investimento ou mesmo desinvestimento de que foi alvo durante décadas em que a justiça não foi prioridade para nenhuma força política. À medida que se foi degradando, a justiça foi tornando progressivamente a vida dos seus intervenientes num perfeito inferno: Juízes, Procuradores, Advogados, Funcionários, Solicitadores, testemunhas, Peritos, polícias, partes, arguidos e ofendidos, todos sentiram essa degradação, com consequências imediatas a nível da morosidade, e num segundo tempo a nível da qualidade, do rigor, do equilíbrio da decisão, que sofreram e sofrem falhas cada vez mais significativas. Perante a subida arrasadora de processos a reacção dos juízes foi a de trabalharem cada vez mais, multiplicando os seus tempos de trabalho e sacrificando progressivamente tudo o mais, designadamente as suas famílias. Passou a ser um hábito trabalhar à noite, durante os fins de semana e durante uma parte substancial das férias; esses tempos de trabalho foram-se integrando no tempo “útil” de trabalho, ou seja, tornou-se vulgar e corrente trabalhar nessas ocasiões, numa palavra, tornou-se obrigatório esse tempo de trabalho. Rapidamente se constatou que sem esse trabalho o sistema baixaria substancialmente a sua capacidade de resposta – ainda mais, numa altura em que se sabia que o sistema já se tinha degradado mais do que alguma vez tinha acontecido desde que o País chegou à democracia política em 1974. No dealbar do século 21 a justiça portuguesa tinha batido no fundo e os seus juízes levavam uma vida de autêntica escravatura profissional, mas ao menos satisfaziam o seu brio profissional e pensavam que se tornavam credores da admiração geral.»
«"Caíram da nuvens” quando compreenderam que o poder político pela boca do Primeiro Ministro e do Ministro da Justiça abertamente punha em causa o seu desempenho e anunciava em tom justicialista que ia “pôr os juízes” a trabalhar, tirando-lhes metade das férias e capitaneando uma campanha mediática demolidora visando o desprestígio da magistratura – bem sabendo que era uma desonestidade equiparar férias judiciais a férias dos juízes; sucederam-se depois vários episódios lamentáveis onde avultou sempre uma posição agressiva e hostil aos juízes por parte dos responsáveis governativos e da maioria parlamentar que sustenta o Governo. Perante isso entenderam os juízes que deixou de haver justificação para o esforço imenso que desenvolviam – o seu sacrifício não só não era reconhecido como chegava a ser alvo de comentários irónicos; assim se gerou muita desmotivação e desalento, ganhando corpo a ideia de que era escusado o sacrifício de noites, fins de semana e férias. Os juízes passaram a cumprir um horário de trabalho racional, o que vai ter como consequência passarmos da morosidade para a hiper-morosidade judicial; os Tribunais têm vindo a abrandar de ritmo e dentro de alguns meses a justiça ficará quase paralisada, seguramente com um desempenho muito inferior ao que tinha até ao Verão passado. A greve decretada para os dias 26 e 27 de Outubro é apenas a ponta do iceberg – o corpo desse iceberg é a prática de zelo que os magistrados adoptaram. Os processos tenderão a acumular-se cada vez mais e o sistema da justiça mais cedo ou mais tarde entrará em panne completa (já anda em panne parcial, com a inédita paralisação da acção executiva, fruto de uma reforma precipitada e desastrada, da responsabilidade de mais do que um executivo). Os juízes estão indignados e as campanhas mediáticas bem como as atitudes governativas hostis não contribuem para atenuar essa indignação. É previsível pois que a prática de zelo iniciada no Verão se venha a estabelecer como regra, com pesadas consequências. Este panorama vai continuar por algum tempo. Provavelmente será um dos primeiros problemas que o próximo Presidente da República vai ter que enfrentar.»
Como titulei, assino por baixo. A situação acima descrita, comportando excepções, é, manifestamente, a regra. Pediu-se a Juízes e Procuradores aquilo que eles não podiam dar, neste sistema assente em ar-e-vento. Não podiam dar, não tinham condições para dar, nem trabalham de empreitada, mas deram - a grande maioria dos que conheço e com quem trabalho diariamente. No final, o Governo quis "pô-los a trabalhar". Aqui por aqui, estou a 100% com os magistrados. Os meus parabéns ao Dr. Francisco Bruto da Costa pela análise sem mácula - do melhor que tenho lido desde que esta espécie de Guerra dos Balcãs na Justiça Portuguesa se começou a fazer sentir.
Afixado por afixe às 19:35 | Afixadelas (4)
A Razão da Gripe das Árvores
A Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu hoje um comunicado a alertar para o risco de uma nova pandemia designada por «gripe das árvores». Embora ainda não existam casos de contaminação de humanos a OMS alerta para o risco do vírus sofrer mutações rápidas que possam vir a ser prejudiciais para a saúde humana. Os primeiros focos de infecção de árvores surgiram na região de Tugunska, na Sibéria há 2 semanas atrás, tendo sido detectados novos casos esta semana na região de Innsbruck, na Áustria. A OMS acredita que com os movimentos migratórios das árvores, o risco se possa alargar a toda a Europa Ocidental no espaço de um mês. (continua)in A Razão tem sempre Cliente (where else?)
Afixado por afixe às 19:30 | Afixadelas (0)
To BdE with love
"Ai dos leopardos que irrompem no templo e bebem até ao fim o conteúdo dos vasos sacrificiais. Ai deles, que têm de se haver com os guardiões." *
Sempre gostei mais dos leopardos. Desprezo quase todos os conteúdos dos vasos sacrificiais, faço, aliás, questão disso.
* Perdão, caro Kafka, mas tive que o adaptar, certo que, onde estás, não te vais importar.
Afixado por afixe às 16:05 | Afixadelas (0)
Esta minha cabeça...
Em 9 de Julho de 2004, data em que o Paulo Bento, choroso, deixava o Sporting, escrevi o post que infra publico. Sucede que, caramba, na altura, esqueci-me de o publicar e deixei-o em rascunho. Foi daquelas partidas do destino que, agora, me impedem de reclamar virtudes de Zandinga.
"Deixa lá, pá, daqui a 469 dias voltas como treinador principal."Criado em 9 de Julho de 2004
(este é o post n.º 5.555, belo número)
Afixado por afixe às 14:14 | Afixadelas (9)
Para comprar um ecrã tranquilo...

No dia 14 de Outubro resolvi substituir o meu ecrã por um LCD. Consultei diversos sites, informei-me e vi que a Pixmania tinha um, de 19 polegadas, em promoção. Telefonei para o nº 707 que vinha no site e uma voz de mulher, com sotaque de leste (depois de uma gravação me anunciar que a chamada iria ser gravada) confirmou-me que o produto estava em stock e que, se eu fosse rápido a efectuar o pedido, em 3 dias me chegaria a casa. "Entrega expresso!" - insistiu.
Fui ao site e fiz a encomenda, que pomposamente designam por "Contrato de Compra Tranquila". Fiz a transferência bancária (por o banco da Pixmania ser o mesmo banco que o meu, foi instantânea) e enviei o recibo do pagamento, que foi notificado como tendo sido recebido pela Pixmania.
E assim, fiquei ansiosamente à espera de ver as minhas fotografias, a net e o Afixe num ecrã LCD de 19 polegadas.
E assim estou. Expectante. Passados sete dias (hoje) liguei para o tal nº 707, a saber da minha "Compra Tranquila" - fui novamente avisado que iria ser gravado -, e uma voz masculina com sotaque brasileiro informou-me que "a sua compra não saíu do armazém". E porquê, quis saber? Não há explicações. Não saíu. Não quis sair, se calhar, entrou em greve, estava à espera que Cavaco Silva se decidisse, estava doente por causa do Sporting, foi visitar o Moreira ao hospital sei lá - a minha compra não quis vir para minha casa. Ponto final. Comprei um ecrã temperamental, está visto.
Como quis protestar "por escrito" ("o senhor já está protestando" - esclareceu-me o respondente) segui as instruções mas no site não encontrei o caminho certo.
"Vou providenciar e até ao final da próxima semana o senhor receberá o ecrã".
Fiquei tranquilo. Chateado que nem um perú mas tranquilo. Furioso mas tranquilo. Com vontade de os esganar mas tranquilo.
Adoro a eficiência! Sobretudo a eficiência tranquila...
Afixado por Mário Cordeiro às 12:10 | Afixadelas (5)
Trafalgar - 200 anos...

Turner - A Batalha de Trafalgar
Dois séculos certinhos. Almirante Nelson - o herói. No dia 21 de Outubro de 1805.
Ingleses contra uma aliança franco-espanhola. Napoleão à espera do resultado.
Quando os 33 navios da aliança bonapártica estavam a sair da costa espanhola, com rumo a Itália, depararam-se com os 27 navios britânicos.
"A Inglaterra só espera que cada homem cumpra o seu dever!" - e apenas em cinco horas 19 barcos espanhóis e franceses foram destruídos, sem perdas materiais para os ingleses mas com a morte ou ferimentos de 1500 marinheiros. Quando as coisas estavam no seu auge, Nelson foi atingido no tórax e morreu em 30 minutos. "Morro satisfeito. Graças a Deus cumpri o meu dever!". E graças ao Almirante (aqui para nós, ligeiramente obcecado com a noção de "dever"), Napoleão ficou sem meios para invadir Inglaterra.
Em Trafalgar Square, lá está a enorme coluna com a estátua de Nelson. E os lagos onde, na passagem do ano ou em dia de vitória da selecção inglesa, os londrinos mergulham, curtem bebedeiras e dão largas à alegria.
PS: e a Maria Albertina, se tivesse outro filho, chamava-lhe Nelson!
Afixado por Mário Cordeiro às 11:30 | Afixadelas (1)
Secularismo, tradicionalismo e modernidade
É já um lugar comum afirmar que as religiões, na cultura moderna, estão em erosão. Um processo acelerado, que muitos tentam minimizar ou ignorar, provocado pelo pior lado de um secularismo com segundas intenções.
No mundo ocidental moderno, o catolicismo vive uma profunda crise cuja principal causa não consigo dissociar desse secularismo dissolvente que age sobre a nossa sociedade há mais de um século.
A grande questão social, para o futuro, jaz neste confronto entre uma cultura secularizada, "moderna" e em ascensão, e uma cultura tradicionalista em declínio. Esse confronto está já quase vencido no Ocidente, onde os católicos estão, a pouco e pouco, a deixar-se seduzir pelo fascínio inebriante das ideias ditas "modernas".
Os católicos modernos (e generalizo, porque são cada vez mais uma maioria) vivem uma fé à la carte, retirando do catolicismo aquilo que gostam e recusando aquilo que não lhes convém (aquilo que não é bem visto pelos dogmas secularizantes). Não vivem um catolicismo, mas sim uma certa catolicidade. Falando em termos mais gerais do cristianismo, há cada vez menos "cristãos" e cada vez mais "cristófilos", ou seja, pessoas que gostam da figura de Cristo e que o vêem como um bom homem e líder, mas que retêm dos seus ensinamentos apenas algumas vagas directrizes éticas, rejeitando practicamente a crença na sua divindade, deitando assim pela borda fora a quase totalidade de 2.000 anos de herança cristã.
Mas não é apenas o catolicismo que está a mudar fortemente: não falo apenas de um fenómeno estritamente ocidental. Procuremos o taoísmo no Oriente, sobretudo junto das grandes cidades industrializadas e "modernas"... Onde está ele? Está em declínio. Vejamos o caso paradigmático do Japão... Após a derrota na Segunda Guerra Mundial, o tradicionalismo da sociedade japonesa entrou em extinção. Onde está hoje o bushido? Jaz soterrado sob a electrónica de consumo. Ou seja, o Japão "modernizou-se"!
E o que encontramos a combater esta situação?
Encontramos hoje em dia, sobretudo, o Islão, religião expansionista, que ainda mantém em larga medida a essência do ser tradicional e que deste modo desafia abertamente o mundo moderno.
O Islão é uma ameaça?
Será certamente uma ameaça, no sentido em que é sedutor e que tem um poder inegável para fascinar o ser humano (há mais de mil milhões de muçulmanos no Mundo).
Por outro lado, o Islão pode bem servir um propósito mais nobre: ser o contra-poder tradicionalista de um mundo em acelerada secularização.
Temo ser mal interpretado... Não estou a promover a submissão do mundo ao Islão!
Contudo, vejo que os crentes que vivem num mundo secularizado e moderno têm grandes dificuldades em se libertarem dos dogmas modernos, dogmas estes que são incompatíveis com as religiões que professam. Todo o viver de uma religião está condicionado por uma revelação que se crê divina. Ora qualquer revelatum, concebido divino na sua essência (e não necessariamente na sua forma), tem que ter o crivo da eternidade. A "revelação de Deus" não passa de moda! As ilacções que um crente retira de uma mensagem que ele crê revelada não são temporárias ou subordinadas ao tempo ou ao espaço.
Eis algo que causa estupefacção nas mentes modernas: "então a religião não evolui?".
Talvez na forma, mas não na essência!
O homem moderno vive preso a um sonho utópico não provado, não demonstrado e não verificável, o de que a socidedade, a "moderna", está em permanente evolução, ou progresso. É a antítese do pensar tradicional, que concebe uma "idade de ouro", um tempo paradisíaco recuado, seguido por uma progressiva degeneração desde então. Vejamos o exemplo das Idades no mundo clássico: a Idade de Ouro está no início e a do Ferro no final!
Com isto estamos, julgo eu, no cerne do conflito entre tradicionalismo e modernismo: o primeiro baseia-se em verdades perenes, aceites por fé (sem exclusão de intelectualidade); o segundo baseia-se num dogma moderno, o do progresso (ou evolução) permanente da sociedade, inventado para desculpabilizar e legitimar a postura anti-religiosa.
O dogma moderno do progresso obriga-nos a considerar frequentemente o que está para trás como mau. É esta a herança do secularismo e do modernismo. E era este, julgo eu, o grande desejo de alguns dos primeiros secularistas, que também eram frequemente anti-clericais: a religião deve morrer.
Então, porque dizia eu que o Islão nos pode ajudar?
Porque o Islão ainda resiste a estes dogmas modernos e pode mostrar-nos que o ser tradicional ainda tem forças e legitimidade para existir. Citando Akhbar S. Ahmed,
Os críticos ocidentais estão convencidos de que os muçulmanos, uma vez colocados no caminho da democracia (e da modernidade), passarão a ser como «nós» e, tal como acontece em todo o Ocidente, irão acabar por separar o lado religioso do secular na sua vida. Mas os muçulmanos ou são ou não são muçulmanos, não existe meio-termo. Não podem pegar em pedaços do islamismo e continuarem a ser muçulmanos. Se o fizerem, tornam-se algo completamente diferente.- O Islão, Bertrand Editora, Lisboa, 2003.
Peguemos nas últimas frases: os cristãos também não podem pegar em pedaços do cristianismo, recusando outros, e continuarem a ser cristãos. Ao dizer isto, a socideade moderna rotula-me imediatamente (as etiquetas estão sempre prontas a colar, e voltar a colar): sou fanático, fundamentalista. Os cristãos modernos são "tolerantes" sempre que criam o seu próprio cristianismo, uma manta de retalhos escolhida criteriosamente para não colidir com a modernidade e com uma maneira "fresca" e "jovem" de pensar. Como chegámos a este ponto?
Não tenho quaisquer dúvidas de que a origem desta perversão no modo de pensar tem o seu começo num secularismo que eu vejo como potencialmente enganador.
Mas não quero passar a ideia de que vejo o secularismo como mau sob todas as formas, ou todos os seus defensores como pessoas anti-religiosas. É evidente, e verificável, que existem muitos crentes que defendem o secularismo, ou pelo menos, um tipo diferente e não anti-clerical de secularismo.
O secularismo é uma consequência natural dos sistemas democráticos. O modelo eleitoral de sociedade obriga a ponderar os interesses diferentes dos vários votantes, e deste modo, o Estado democrático tem que se separar de toda e qualquer postura religiosa, do mesmo modo que tem que se separar de qualquer outra tomada de partido. O secularismo pode surgir, assim, como uma natural e justa consequência do viver em democracia.
Mas não será o secularismo prático que assistimos nos tempos de hoje um lobo vestido de cordeiro? Por detrás destas causas justas e aparentemente equilibradas, não surgirá um outro lado mais negro do secularismo?
Falo de um secularismo que não permite ser-se religioso na vida pública, que atira o crente para a esfera do privado, que procura activamente riscar liberdades consagradas como a da exibição pública do ser religioso, desde o vestuário à defesa de ideais. A França é pioneira neste tipo perverso de secularismo, mas outras nações seguirão o seu exemplo. Como diz Ahmed, o muçulmano não consegue viver uma dupla vida: cá fora no mundo, é secular, mas em casa é religioso. O cristão também não deveria aceitar isto, mas aceita-o cada vez mais! O resultado está à vista...
É no Islão que têm berço alguns dos piores grupos terroristas modernos?
Certamente que sim, mas são fenómenos minoritários que a comunicação social se encarrega de empolar.
Por muito terrífica e omnipresente que seja a Al-Qaeda, ela não representa o islamismo. É uma muito eficaz quadrilha de assassinos, que manipulam e se servem da religião muçulmana para obterem apoio e eficácia.
Contudo, libertando o Islão da ganga mediática que nos atiram para a cara todos os dias, surge algo de muito diferente... O Islão pode também servir para acordar as consciências dos crentes ocidentais, que vivem mergulhados na secularidade do mundo moderno, para a necessidade de um retorno ao tradicional e ao perene. Ao que não passa de moda.
É natural e razoável, para um crente seguro e consciente do que é, demonstrar publicamente as suas convicções religiosas, e com elas desafiar continuamente todo o viver em sociedade.
Afixado por Bernardo Motta às 10:00 | Afixadelas (14)
outubro 20, 2005
PS proíbe apoiantes de Cavaco Silva de usar meios do partido

Segundo o Afixe apurou, através de fontes bem colocadas (uma difarçou-se mesmo de urinol), depois dos apoiantes de Manuel Alegre, o PS proibiu agora os apoiantes de Cavaco SIlva de usar meios do partido. Segundo o PS, o candidato socialista é Mário Soares e o partido não quer meios do PS envolvidos na candidatura de Cavaco.
Para poupar trabalho a quem nos lê, aqui está já a reacção à notícia em forma micro-causa (é só copiar e colar): "Pode o blogue «Afixe» sff esclarecer quem é que dentro do PS proibiu os apoiantes de Cavaco SIlva de usar meios do partido?"
Afixado por afixe às 20:35 | Afixadelas (9)
Blogopedia
Fundada por Paulo Querido (who else?), a Blogopédia já está a rolar!
"O projecto Blogopedia visa criar, e manter actualizada, uma enciclopédia dos weblogs e bloggers que editam em língua portuguesa. A enciclopédia contem ainda artigos e estudos sobre os blogues e outros espaços de de comunicação na emergente cultura da partilha em que vivemos na rede. Depois da sistematização da informação e numa segunda linha de objectivos, esta enciclopédia contribuirá para ajudar a comunidade a auto-referenciar-se positivamente através das apresentações dos autores. Esta enciclopédia é mantida pelo trabalho voluntário de todos quantos queiram participar no projecto. Este está aberto a todos!"in Blogopedia
O Afixe, como não podia deixar de ser, já lá está listado.
Afixado por afixe às 20:20 | Afixadelas (0)
Agarrem-me, se não...

Um ponto a favor de Cavaco - foi de carro, no banco de trás, COM cinto de segurança. Já pertence aos 2% de portugueses que, na cidade, cumprem este aspecto da Lei...
Ou então tem excelentes assessores de imagem...
Afixado por Mário Cordeiro às 20:07 | Afixadelas (1)
Em perspectiva...
Só quem não anda pelos tribunais todos os dias é que ainda não reparou que, o verdadeiro problema não é a greve marcada pelos juízes para o próximo dia 26. O verdadeiro problema é a espécie de greve de zelo que alguns juízes vêm fazendo, todos os dias, desde a reabertura dos tribunais, a 15 de Setembro. Essa sim me preocupa.
Em rigor, já se notam, diariamente e à saciedade, os efeitos da prática dos comunicados e despachos do cariz do que volto a publicar de seguida. O Governo que resolva o problema que tão sabiamente arranjou, porque este tipo de reacção, para além de justa, era de esperar, como por aqui, em tempo, avisei.
"Os Juízes (...) , bem como os Juízes estagiários, abaixo referidos, reunidos no dia (...) de Junho de 2005, tendo em conta o teor da deliberação da assembleia geral extraordinária de 18 de Junho de 2005 da Associação Sindical dos Juízes e com vista à sua concreta implementação e cumprimento acordam:1) Concluir todas as diligências não urgentes no horário normal de funcionamento do Tribunal, não devendo, sequer, iniciar-se - salvo casos justificados de urgência como o primeiro interrogatório de arguido detido - qualquer acto, diligência ou mesmo depoimento ou declarações que se anteveja não poder ser concluído até às 17:00 horas;
2) Sem prejuízo do referido acima, as diligências urgentes deverão, tendencialmente, respeitar o horário normal de funcionamento da secretaria.
Reconhecendo, todavia, a situação específica da Instrução Criminal, confiam ao respectivo juiz o encargo de identificar os casos excepcionais que, pela sua pertinência em sede de direitos, liberdades e garantias, se inserem para este efeito, nessa área, na noção de actos urgentes.
3) Cada magistrado judicial salvaguardará, na sua agenda, o tempo necessário para a realização das previsíveis continuações de diligências bem como para a prolação de despachos e outras decisões, incluindo sentenças e acórdãos, no horário normal de funcionamento da secretaria dos Tribunais.
Para o efeito, proceder-se-á aos reagendamentos necessários até ao próximo dia 15 de Julho e comunicar-se-á o número de alterações ao presidente do respectivo Tribunal, que por sua vez endereçará esses dados ao Conselho Superior da Magistratura.
Nos mesmos termos será comunicada a dilação média de marcação das diligências semestralmente.
4) Todos os julgamentos, diligências de produção de prova e de aplicação de pena serão realizados em sala de audiência.
No caso de não haver sala de audiência disponível, a diligência será adiada."
Afixado por afixe às 16:04 | Afixadelas (2)
Boa sorte, Paulo Bento!

"Paulo Bento aceitou o convite que lhe foi formulado ontem por Filipe Soares Franco. O novo presidente do Sporting fez saber ao treinador dos juniores dos leões que é o homem certo suceder a José Peseiro, já que conhece o grupo como ninguém, e a resposta ao desafio foi afirmativa."
Ninguém, nem o próprio Paulo Bento, fará ideia das reais capacidades do novo treinador do Sporting para treinar, tão cedo (deixou de ser jogador do Sporting há pouco mais de um ano), uma equipa deste nível. Espero que tudo corra pelo melhor e que Paulo Bento se venha a revelar o homem certo. Sendo, confesso-o, que, em termos de perfil, se bem me lembro dele do tempo de jogador, parece-me algo longe do estilo que eu esperava e que, penso, o Sporting precisava (raio do Mourinho que elevou demasiado a fasquia). Espero estar enganado.
Duma forma ou doutra, a verdade é que era perfeitamente escusado o Sporting correr este tipo de risco. Esta jogada parece aspirar a ser uma espécie de bofetada aos adeptos do Sporting. Mandaram-nos o Peseiro embora? Que a ansidade vos consuma as entranhas!
Termino como comecei, boa sorte, Paulo Bento!
Afixado por afixe às 15:41 | Afixadelas (3)
Parabéns, amigo!
Não me esqueci do teu pedido do ano passado (mesmo porque os posts de há um ano estão mesmo ali à mão de semear).

Já cumpri a minha parte, ao dar-te a capa, espero que as tuas tias cumpram a delas e te dêem os fascículos. (Ganda lata, hein? Dizké simbólico! Não me faças isto daqui a 6 meses, ok?)
Um grande abraço, meu amigo, neste dia dos teus 33 anos.
(Andas sempre exactamente seis meses atrás, já reparaste? E a Covilhã faz feriado em tua honra, sabias?)
Afixado por afixe às 14:47 | Afixadelas (7)
Aos seus lugares!
(Humpapá - Goscinny e Uderzo)
É hoje! A SIC Notícias promete um "Especial Cavaco", mas já é muito mais prudente a prometer um Cavaco especial...
De qualquer maneira, a partir de hoje "é mesmo a sério".
Afixado por Mário Cordeiro às 10:11 | Afixadelas (2)
O rapaz lá tem ar de se meter nessas coisas !
Contra-análise realiza-se na próxima semana - Abel Xavier negou intenção de se dopar
Mas contra-análise para quê ? A credibilidade conferida pelo gremlin look não é suficiente ?
A mim bastava-me a palavra dele. Se ele nega a intenção, na pior das hipóteses, foi sem querer.
Está-se mesmo a ver que isto não passa de mais uma manobra na estratégia britânica de destruição da imaculada reputação do desportista lusitano. Primeiro o Cristiano, depois o Abel...Ainda deve andar por ali atravessado algum penalty sem luvas. Qualquer dia ainda se lembram de inventar que o Mourinho é arrogante !
Até parece que vamos aos campeonatos do mundo só para bater nos árbitros.
Afixado por Jon às 00:58 | Afixadelas (1)
Dois finais a 20 de Outubro

1935 - Mao-Zedong terminava a Grande Marcha
Iniciada 368 dias antes, para escapar das tropas nacionalistas de Chiank-Kai-Shek, a Grande Marcha terminou junto à Muralha da China, com 4.000 dos iniciais 100.000 homens e mulheres que a formaram. Foram percorridos perto de dez mil quilómetros, duas vezes a distância entre Nova Iorque e São Francisco, ou mais do que de Lisboa à Nova Zelândia pelo centro da Terra. Sujeitos a bombardeamentos, fome, disciplina interna e cansaço, os sobreviventes foram acolhidos por cinco metralhadoras e cavaleiros com bandeiras vermelhas: "Bem vindo, Presidente Mao. Estávamos à sua espera ansiosamente. Está em Shensi. Estamos à sua disposição". O resto é sabido...

http://www.cars-models.ch/echelle-au-18-eme/ars
1965 - A Volvo terminava a produção de um dos seus mais famosos emblemas - o PV 544
O automóvel que permitiu a universalização da Volvo, com uma excelente relação preço/qualidade - simultaneamente carro de rallies e carro de cidade -, chegava ao fim. Coube ao engenheiro de testes Nils Wickstrom, na presença dos fundadores da Volvo, conduzir os últimos exemplares para fora da fábrica, em Lund, na Suécia.
O Volvo PV 544 terminava a sua Longa Marcha, que o levou aos cinco continentes e bateu, na altura, recordes de fabrico. Ao contrário de Mao, chegou ao último dia com bastante mais efectivos do que tinha começado - venderam-se 440.000 nos seus oito anos de produção. Ainda me recordo de ter andado num...
Moral da História: Mao Zedong, num Volvo PV 544, a 120 km/h (a velocidade a que andava) teria feito o seu percurso em cerca de 83 horas...
Afixado por Mário Cordeiro às 00:07 | Afixadelas (0)
outubro 19, 2005
Com apoiantes destes, as eleições perdem-se praticamente sozinhas...
A crer na primeira página do Público de hoje, Manuel Alegre é apoiado por 45 intelectuais 45, a páginas 20 do mesmo jornal, o número já ascende a 52 intelectuais 52. Se tudo continuar como até aqui, Sábado, o Expresso já noticiará o apoio de 1372. PASin Super Mário
É impressão minha ou esta malta está deveras nervosa? Pelo andar da carruagem, o Cavaco devia anunciar a candidatura lá pelo Natal, uma vez que alguma esquerda está a fazer que chegue para o pôr em Belém.
Parecem gatos assanhados num saco fechado, os pobres. Reminiscências de passados gloriosos?
Keep on, for our laughs!
* gosto do jovem de boné, no banner
Afixado por afixe às 23:46 | Afixadelas (4)
Tudo se resumia, afinal, a "problemas de ventre"

Aprenda a dança do ventre! O Sporting alargou o leque de actividades desportivas e vão começar as aulas da dança do ventre. O Clube tem várias actividades, que pode ficar a conhecer aqui. A dança do ventre trabalha de uma forma excepcional todos os músculos da zona abdominal, para além de braços, pernas e glúteos, permitindo ganhar maior flexibilidade e mobilidade.
(site que, hoje, pela primeira vez, ao fim de 49 primaveras, visitei. Ao que se chega, não é?!
A fotografia é do próprio site...)
Afixado por Mário Cordeiro às 23:36 | Afixadelas (0)
Believe it or not, this is one of my favorites
George's Answering Machine
(see, see? I'am not encheiting farinheirings)
Afixado por afixe às 22:52 | Afixadelas (0)
Agora sim, estou serenado!
Em consequência do que sucintamente acabo de expor, decidi deixar a Presidência do Sporting. Obviamente, deixo também todas as Presidências e qualquer outro cargo que tinha no Grupo Sporting.Com o objectivo exclusivo de serenar a imensa maioria dos Sportinguistas – porque sei bem que a imensa maioria dos sócios do Sporting não se revê na arruaça e na desestabilização - estou em condições de informar que, nos termos estatutários, os órgãos sociais do Clube e das empresas continuam em funções.
Dias da Cunha, in Site do Sporting
Afixado por afixe às 22:42 | Afixadelas (2)
As melhoras!

Um dos nossos melhores guarda-redes vai ficar parado seis meses. Não é apenas um problema para o Benfica, é para Portugal.
Um jovem que vai longe vê, de repente, a sua carreira abalada por uma lesão moderadamente grave. Que recupere depressa, para o voltarmos a ver na sua grande classe.
Com o Quim lesionado, a baliza encarnada vai passar por alguns apuros... valha-nos a defesa, que parece segura e o jovem Rui Nereu.
Afixado por Mário Cordeiro às 21:57 | Afixadelas (2)
Às vezes mais vale estar calado
Algumas vezes me aconteceu.
Olhar para o blog e pensar: "Hoje ainda não publiquei nada". Vai daí, quando não tenho vagar ou inspiração para fazer um post como deve ser, afinfo-lhe com um vídeo dos Monty Python ou coisa que o valha, material de autoria e valor insuspeito.
Há, no entanto, quem decida de forma diferente e opte por "encher farinheiras", expressão que na minha terra tem significado semelhante ao insuperável "bater punhetas a grilos".
Antes de dizer ao que me refiro, quero reiterar, para quem não me conheça, que o humor não deve, nem pode, ter limites. Desde que cumpra os requisitos...e seja humor!
Por outro lado, e sem fugir ao propósito desta linhas, acontece-me algumas vezes ser confrontado com situações, de tal jaez, que, ainda que nada tendo a ver com as mesmas, me sinto envergonhado.
Lembrei-me disto tudo ao ler esta coisa: "ESPERO QUE NÃO HAJA RELAÇÃO ENTRE AS HISTÓRIAS..."
Afixado por afixe às 21:38 | Afixadelas (1)
Não há outra forma de tratar esta notícia
A não ser desta:
O treinador-adjunto do Manchester United, o português Carlos Queiroz, negou hoje que Cristiano Ronaldo tenha sido detido, tendo apenas sido interrogado pela polícia devido a boatos sobre uma alegada violação.Em entrevista telefónica desde Londres com a RTPN, Carlos Queiroz adiantou que a audição de Ronaldo foi combinada entre responsáveis da polícia e do Manchester United, pelo que o jogador se apresentou de livre vontade.
O técnico pediu "cautela" na forma como os órgãos de comunicação social estão a abordar a notícia, alertando que "as palavras também podem matar".
"Quem devia estar detido são as pessoas na Comunicação Social que teimam em não perceber que as palavras também podem matar", acusou, considerando que a notícia foi dada de forma "bombástica".
A notícia da alegada detenção de Ronaldo, no âmbito de um caso de violação, foi avançada ao início da tarde pela cadeia de televisão inglesa Sky News.
[Lusa]
Absolutamente vergonhosa e detestável a parangona da Sky News:
STAR ARRESTED OVER 'RAPE'Manchester United star Cristiano Ronaldo has been arrested on suspicion of rape.
De acordo com a grande tradição britânica, esperam-se grande edições do livro "How I was raped by Cristiano".
Afixado por afixe às 19:49 | Afixadelas (2)
Em nome do Pai...

E do Filho. Não sei se do Espírito Santo, mas da Justiça e da Humanidade, com certeza.
Depois de 15 anos de cadeia, foi a 19 de Outubro que os chamados “Quatro de Guilford” foram libertados. E declarados inocentes de um crime que, provadamente, não cometeram.
Condenados em 1975 por atentados à bomba em dois pubs de Guilford, em Inglaterra, a polícia foi pressurosa e “agarrou” dois irlandeses, Gerry Colon e Paul Hill, “pequenos criminosos” que estavam próximos ds locais onde as bombas rebentaram.

Aproveitando uma lei recente, na altura, a polícia interrogou os suspeitos de forma “pouco adequada”, forçando-os a assinar confissões, sob tortura mental e física, e obrigando-os a denunciar familiares que nunca tinham tido nada a ver com bombas nem com o IRA. No total, onze pessoas foram injustamente presas e condenadas.
Só passados quinze anos é que, debaixo da pressão da opinião pública e perante provas irrefutáveis – já conhecidas na altura, mas que a acusação escondeu da defesa e do tribunal -, foram declarados inocentes. Grande parte dos depoimentos de 1975 foram fabricados pela polícia e os agentes mentiram em tribunal.
O pai de Gerry Colon, Giuseppe, morreu na prisão. O filho sempre lutou para limpar a sua imagem mas, prioritariamente, a do pai. Em seu nome.
Ainda no julgamento de 1975, o juíz declarou que era pena não estarem ali arguidos de crime de alta traição contra a Coroa, caso contrário, “teria todo o prazer” de sentenciar os quatro à pena de morte.
E se nos acontecesse a nós?
A sombra e a memória de Jean-Charles de Menezes está presente, trinta anos depois.
Afixado por Mário Cordeiro às 10:30 | Afixadelas (6)
outubro 18, 2005
275 anos da sagração do Monumento de mafra

"E devido a que uma parte da tribo de Judá encontrou refúgio em Espanha, como dizem as escrituras [...] e a que o território de Sefarad se coloca no centro do Céu, com toda a exactidão e precisão, sob o meridiano recto, enquanto que os filhos de Babilónia se encontram no meridiano de Oriente: por esta razão se propagaram as ciências nestes dois extremos, segundo as suas variedades [...] e nestes dois lugares alcançou o mundo sua glória e sua grandeza"
in "Tahkemoni", Rabi Yehuda Al-Harizi (séc. XII)
"Tem Lisboa o seu assento na parte Ocidental de Espanha, onde o Tejo entra no Oceano. É empório do Mundo e metrópole de Portugal [...] fica ela trinta e nove graus da parte do Norte, debaixo do signo de Aries, no fim do quinto e príncipio do sexto Clima, fundada como outra Roma sobre sete montes."
Manuel Pereira Cidade
"Viu o Evangelista João uma Igreja, ou uma Sé colocada no Céu, que tinha à sua vista um mar cristalino como vidro e diante do seu trono ardiam sete lâmpadas [...] não só é imagem da antiga Jerusalém e da Jerusalém Celeste, mas nova Cidade de Jerusalém descida do Céu à terra e colocada onde a veem os olhos do Grande João."
in "Ennoea", tratado do séc. XVIII de Anselmo Caetano Munhós de Abreu Gusmão Castello Branco
Este Santuário, ou Novo Templo de Ezequiel viu este profeta separado sete léguas da Cidade marítima, chamada Oriental, e Ocidental; porque tem por um lado ao Oriente, e pelo outro ao Mar, e a sua longitude se estende (como vemos em Lisboa) desde a parte Ocidental, até ao termo Orienta [...]. Mas ainda que se não pode esconder uma Cidade posta sobre um Monte, nem se podia ocultar este Templo edificado sete léguas por cima de tão grande Cidade, nenhum dos Expositores Sagrados descobriu até agora esta Cidade, nem mostrou ao Mundo aquele Templo.
[...] Muitos conventos há hoje fora de Roma, em que está edificada a Igreja de Cristo, que é a Nova, e Santa Cidade de Jerusalém, descida do Céu à terra [...] mas nenhum Mosteiro de religiosos se acha na Cristandade, que esteja edificado sete léguas fora, ou por cima da Cidade marítima, chamada Oriental, e Ocidental, fundado sobre águas subterrâneas e tão adornado como a Esposa para o seu Esposo [...] senão esta nova e única Maravilha do Mundo, que ao mundo mostraremos estabelecida em Portugal, edificada em Cristo, sobreedificada em Mafra e sobre o fundamento, que lhe pôs S. Paulo, pelo Real, e invicto braço do Sábio e Augusto Apolo Lusitano, e pelas mãos dos Portugueses, para Corte do Quinto Império de Cristo
Para falarmos sem lisonja, diremos tudo pelas bocas e língua alheias, que são os Monstros celestes propostos aos Infiéis e as profecias explicadas [...] e nem assim seremos ouvidos neste Povo [...]"
in "Oraculo Prophetico" de Anselmo Caetano Munhós de Abreu Gusmão Castello Branco
Uma nota final, para se perceber o contexto histórico dos excertos acima: o complexo mafrense foi lançado, desde a sua pedra angular, até à sagração, à revelia e sem autorização ou reconhecimento do Vaticano, como seria imperativo em qualquer basílica da Cristandade. Constituiu-se assim numa obra regalista de um Rei audaz que afrontou Roma, com a qual cortou laços diplomáticos por mais de uma vez, em nome de uma ideia de Portugal. No monumento de Mafra, que poucas décadas depois será emulado simbolicamente nas proporções do Terreiro do Paço, pelo engenho do Marquês de Pombal, o Rei D. João V afirmou-se César e Pontífice, Rei e Sacerdote.
275 anos depois, as autoridades deste país são incapazes de honrar a memória histórica deste monumento. Não foram preparadas quaisquer comemorações oficiais para a celebração destes 275 anos.
Afixado por Gibel às 22:41 | Afixadelas (1)
Não é um silêncio qualquer
"E este silêncio é de Jorge Coroado"
Na Antena 1, durante o relato do Villareal-Benfica.
Depois disto, disto e disto, começo a ficar realmente viciado em relatos de futebol na Antena 1.
Afixado por afixe às 21:26 | Afixadelas (1)
Levanta-te, pá!
Afixado por afixe às 20:39 | Afixadelas (3)
Vox Populi
[Hora do Lanche. Balcão da pastelaria. A televisão debita as notícias do dia]
"Vai morrer muita gente, porque isto funciona assim: a gripe das aves entra no organismo e gera uma gripe normal e as duas combinadas provocam uma terceira gripe que a medicina não tem remédio..."
[Dê-me mais um rissol]
"O mais importante é a vitamina C: comer muito kiwi, por exemplo, que dizem que é o legume com mais vitamina C que existe!"
[Passa uma notícia sobre o Iraque]
"Ehhpáa! Chhh..! Olha p'áquilo.. Aqueles não vão morrer da gripe...rebentam antes que ela chegue!"
Afixado por Gibel às 18:22 | Afixadelas (1)
Assim segue o Sporting
Dias da Cunha:
«Por minha vontade. Se o Sporting fosse meu, podem crer que o professor Peseiro não sairia com o meu consentimento».«Nesta altura o Sporting está a governar-se com a prata da casa, o treino está a ser dado por Caixinha e Luís Martins, mais Justino. No Sporting não haverá plano B. Até aceitar as demissões, e fi-lo hoje, o Sporting não procurou treinador».
«Para mim é inaceitável e saberei retirar as consequências. Fui violentado»
Em suma: Dias da Cunha, que foi violentado (alguém chame a polícia) continua como presidente, José Peseiro deixa de ser treinador, Paulo de Andrade abandona a SAD. Os treinos são agora ministrados por Pedro Caixinha e Luís Martins. Não há garantias que exista novo treinador antes de domingo, frente ao Gil Vicente.
Dias da Cunha, o violentado, que, felizmente, não é dono do Sporting, nunca soube gerir este Entreposto - pelo menos, já deixou de lhe chamar Entreposto, pelo que devia deixar de se arvorar em dono da verdade, de acordo com a qual todos os outros é que estão errados, e abandonar o Sporting. Na minha opinião, e secundando Rui Oliveira e Costa, só se devia aproveitar o Paulinho, o roupeiro. As saídas de Peseiro e Andrade, os elos mais fracos, não são mais que placebos. Entretanto, como sportinguista, espero que o placebo funcione, pelo menos até que a Lei de Gresham deixe de funcionar.
Afixado por afixe às 17:40 | Afixadelas (2)
Eventualidades bem prevenidas
José Sócrates sustentou ainda que, apesar das restrições orçamentais, "foi tomada a decisão de comprar a vacina da gripe das aves, justamente para prevenir qualquer eventualidade".
[Lusa]
Pena que a vacina ainda não exista.
Afixado por afixe às 17:23 | Afixadelas (4)
E não houve concurso público?!

Afixado por Gibel às 17:23 | Afixadelas (2)
Gosto muito de te ver, leãozinho...
E não é que o rapaz plagiou a excelente fotografia do Rogério?
Com esta falta de imaginação, acho que o Rogério tem toda a razão, embora "não deva meter" - como é que é que dizia o outro? -, "a colher em seara alheia"....
Afixado por Mário Cordeiro às 08:59 | Afixadelas (2)
A Fonte Monumental

Finalmente a Fonte Monumental, impropriamente chamada Luminosa (esta é a de Belém), voltou a jorrar água e, ao princípio da noite, também luz (excelente iluminação, diga-se).

Totalmente remodelada, com pormenores lindíssimos, a Fonte devolve à Alameda muita da sua alma, a qual será inteira quando acabarem as obras do metro, na parte oeste. Só é pena um certo abandalhamento do relvado, em termos de alguma "jagunçada" que por ali se diverte e de cocós de cães avulsos (os cocós, não os cães, que têm donos que os passeiam e que assistem, impávidos e serenos, ao "fazer obra"). De qualquer forma, esta Alameda, que reune 4 (quatro!) Juntas de Freguesia: S.João, S. Joáo de Deus, São Jorge de Arroios e Alto do Pina (deve ser a única rua de Portugal com tanta freguesia junta ou junta de freguesia...) continua a ser um espaço verde, de lazer e comercial variado e interclassista.

Segundo uma das responsáveis, todo o mecanismo de "relojoaria" que regula a Fonte foi arranjado, e pretende-se abrir, no local, alguns espaços comerciais, que ficarão dentro da construção (atrás da queda de água). A ideia é também transformar a Alameda em "sala de espectáculos" e de exposições, especialmente no Verão, bem como aproveitar os jardins por cima da Fonte e os espaços limítrofes. A existência de esplanadas e cafés não está posta de parte.

Assim se comemorou o 22º aniversário da "Revolução Nacional"! Esperamos que o novo executivo camarário e as Juntas não se esqueçam que tão importante foi re-abrir a Fonte como será mantê-la... mesmo que as eleições só sejam daqui a quatro anos!
Afixado por Mário Cordeiro às 00:00 | Afixadelas (1)
outubro 17, 2005
A ser verdade, isto já começa a ser patético
Apesar de José Peseiro e restante equipa técnica terem apresentado a demissão, o presidente do clube de Alvalade recusa-se a aceitar que os dias verdes do treinador terminaram.
Dias da Cunha chamou Peseiro e os capitães logo de manhã e a reafirmou a confiança na equipa técnica. Nessa altura ouviu também a confirmação de que o plantel se encontra ao lado do treinador e disposto a lutar para alterar os maus resultados
[Mais Futebol]
Isto não é o Sporting!
Afixado por afixe às 22:56 | Afixadelas (1)
Monty Python vs Darth Vader (kind of)
Afixado por afixe às 19:59 | Afixadelas (0)
Os culpados das costas-largas
Instado pelos jornalistas, Dias da Cunha responsabilizou a acção da Comunicação Social pelo que está a acontecer em Alvalade onde a crise no futebol profissional é latente.
«Tenho a minha opinião sobre o que se passa na nossa Comunicação Social e não vou alterá-la. As minhas críticas não têm nada a ver com os profissionais, têm sobretudo a ver com a qualidade da Comunicação Social. Parte dos resultados do Sporting são consequência da Comunicação Social que temos», afirmou Dias da Cunha.
[A Bola]
Pois claro. A título de exemplo, quem é que ontem colocou o João Alves a defesa direito? A comunicação social. Quem insiste em jogar com uma peneira como o Tello, tendo um puto como o André Marques prontinho para dar o salto? A comunicação social. Quem deixou o Pinigol em casa? A comunicação social. Quem permite que os jogadores andem ao tabefe nos treinos e os convoca para o jogo seguinte? A comunicação social!
O homem tem mesmo razão. Parte dos resultados do Sporting são mesmo consequência da Comunicação Social que temos! Va lá, va lá, que este não veio com a teoria do Sr. Mota Engil.
Afixado por afixe às 18:15 | Afixadelas (4)
Dear Ms Butterfly,
"I am pleased to inform you that the Selection Board for the above mentioned competition has now completed its work and, on the basis of your results in the tests, your name has been placed in the first merit class on the list of successful candidates. "
Um ano e meio de stress (não posso dizer "trabalho", porque não seria bem verdade, mas o stress também cansa...) todo resumidinho nesta frase. Tenho um sorriso estúpido na cara e não o consigo tirar.
Felizmente, todas as lágrimas, todos os sentimentos de culpa, todas as crises existênciais dos últimos meses valeram a pena.
Agora desculpem lá, mas vou festejar!
Ah, já agora um recado para certas pessoas...
Quem ainda quiser aproveitar para conhecer Colónia é melhor despachar-se. Dentro de uns meses volto de armas e bagagens para Bruxelas!
Afixado por M. Butterfly às 13:21 | Afixadelas (8)
Instantâneos Cingaleses - V
Para desenjoar do meu último post indigesto, cá vai mais um instantâneo dessa terra linda que é o Sri Lanka. Apresento-vos o buddha de Aukana, uma belíssima estátuda de Buda feita a partir de um único bloco de rocha, esculpido no próprio local.
A estátua data do período do rei Dhatusena (459-477 d.C.) e está num esplêndido estado de conservação. Visto no local é algo de imponente (a fotografia não faz jus à grandeza do local). Neste dia estava um calor medonho, e como sempre, para nos aproximarmos da estátua, localizada em chão sagrado, tivemos que nos descalçar...
Imaginem as plantinhas dos nossos pés descalços a derreter naquelas temperaturas escaldantes!
P.S.: Para uma viagem fotográfica mais realista a este local magnífico, ver esta página repleta de fotografias incrivelmente melhores que a minha:
The Aukana Buddha
Afixado por Bernardo Motta às 12:13 | Afixadelas (0)
Sobre a Imaculada Conceição...
Com a proximidade do Congresso Internacional para a Nova Evangelização, cabe-me a obrigação de qualquer católico: ajudar nesta tarefa árdua que é a de esclarecer quem quer ser esclarecido sobre alguns pontos-chave do catolicismo.
É já um lugar comum dizer que a ignorância sobre o catolicismo anda, nos dias de hoje, de mãos dadas com um fortíssimo preconceito anti-católico que se transformou numa verdadeira guerrilha, muitas vezes disfarçada sob o manto diáfano dos media.
Perdoem-me pela insistência no alvo, mas há coisas que me enervam sobremaneira com alguns dos posts que se debitam no Diário Ateísta. Mas porque é que aquela gente, que confunde o ateísmo (postura filosófica) com anti-catolicismo (preconceito) não se tenta, pelo menos, informar mais um bocadinho sobre os temas que conspurcam?
Hoje tocou à Imaculada Conceição, uma temática avacalhada pela senhora professora Palmira, que nos brindou com mais uma aula, desta vez sobre aborto, misoginia e Imaculada Conceição!
Um programão, hã?
Vejamos algumas pérolas desta aula on-line...
Para conseguirmos entender a concepção do dogma cristão em relação ao aborto é necessário abordar as raízes do cristianismo que são simultaneamente as raízes da demonização do sexo e da demonização e menorização da mulher.
Exacto. Demonização do sexo no Antigo Testamento!
E o mandamento "Crescei e multiplicai-vos!", como pode ser cumprido? A incoerência é gritante.
O povo judeu não promovia nem promove a abstinência sexual generalizada, e muito menos a demonização da sexualidade. As práticas celibatárias dos eremitas e dos ascetas cristãos dos primeiros séculos têm as mais variadas origens, mas seguramente que não são de principal inspiração judaica. Eram raros os judeus que seguiam esta via espiritual. Assim, as "raizes do cristianismo", conforme definidas pela professora Palmira, estão podres. A misoginia acompanha a Humanidade desde tempos recuados. A misoginia é um defeito que pode atacar a teologia, mas as teologias não têm que ser misóginas. Segundo pessoas como esta senhora, religião cristã e misoginia são sinónimos. Falácia gritante.
Embora frequente e inconvincentemente negada, a misoginia explícita na Bíblia foi a fonte onde os chamados pais fundadores do cristianismo beberam a misoginia que ainda hoje caracteriza as religiões cristãs em geral e a católica em particular.
Há misoginia na cultura judaica, berço do cristianismo?
Seguramente que sim, como noutras culturas.
Existiu misoginia ao longo da história da Igreja Católica?
Seguramente que sim.
Existiu misoginia na pessoa de Jesus Cristo, na sua doutrina?
Seguramente que não.
Quem é fulcral para o cristianismo?
Jesus Cristo.
A misoginia é axial ao cristianismo, à doutrina cristã?
Seguramente que não.
A misoginia é um defeito social ou uma característica da doutrina crista?
Seguramente, é a primeira!
Misoginia expressa, por exemplo, no mito da «imaculada concepção».
Asneira, senhora professora!
Asneira!
Há sempre grossa confusão, e bruta asneira, quando as pessoas se atrevem a falar sobre este conceito fortemente incompreendido.
O pecado original. Comecemos por ele...
O pecado original é um conceito essencial ao cristianismo, e é mesmo essencial, se bem que sob outras formas, a muitas outras religiões, mesmo que isso espante muita gente.
Ele nasce da proclamação de um enunciado ontológico essencial no âmbito da Teologia: o Homem, no seu estado actual, perdeu a comunhão inicial que tinha com Deus. O relato genesíaco menciona um período paradisíaco durante o qual o Homem vivia em comunhão com o Criador. Vivia num local idílico, assim retratado para passar a ideia de perfeição e centralidade. O Jardim do Éden era o Centro do Mundo criado por Deus. Adão e Eva, no relato do Génesis, comiam do fruto da Árvore da Vida. Que quer isto dizer? Quer dizer que vivam, respiravam e comiam do "fruto" divino. Tudo muda com o provar do fruto da Árvore do Bem e do Mal. Que quer isto dizer? Que, a partir do momento em que comem desse fruto, Adão e Eva perdem a visão do Uno, simbolizado pela Árvore da Vida, e ganham o sentido do Múltiplo, simbolizado pelo dualismo Bem/Mal. Adão e Eva deixam de ver o Mundo através dos olhos de Deus (Adão até conseguira, graças a essa faculdade, nomear todos os animais, o que em linguagem simbólica significa que ele conhecia e compreendia as suas essências - o Homem era a criatura central do plano criador de Deus, e conseguia desse modo abarcar toda a Criação com a sua compreensão intelectual), e passam a ver o Mundo através da visão distorcida do Homem caído. O Uno esconde-se atrás dos portões fechados do Paraíso (um Arcanjo guarda a entrada com uma espada de fogo) e o Múltiplo torna-se o conhecimento visível (e para muitos, possível) deste mundo.
Eva demonstra a sua fragilidade porque é tentada pela serpente.
Adão demonstra a sua fragilidade porque é tentado por Eva.
Misoginia?
Onde?
Eva simboliza o protótipo da mulher, um ser altamente sensível ao Mundo. A mulher vive e respira a essência da vida na Criação. É ela quem dá à luz, e não o Homem. A mulher, mergulhada nas profundezas telúricas da Criação, teria que ser mais frágil à tentação da serpente. O homem, pelo contrário, está mais desligado da Criação porque cria indirectamente a vida, por via do corpo da mulher. Assim, é pela mulher que ele teria que ser tentado ao fruto do Bem e do Mal, uma vez que ele, como Homem, não teria contacto com a tentação da serpente, que é a tentação da Criação.
Diz o Génesis que Adão e Eva são expulsos do Paraíso. Ou seja, pelo facto de terem adquirido a noção do Bem e do Mal, perderam a visão central, a visão beatífica das coisas pelos olhos de Deus. Estão nus, têm vergonha, sentem-se arrependidos. É isto a Queda!
É isto o Pecado Original!
Sexualidade pecaminosa?
Caramba, estamos a falar de maçãs, e num discurso altamente complexo e simbólico!
É para vermos até onde vai o atrevimento da ignorância!
Voltemos a Maria...
A virgindade de Maria não é a Imaculada Conceição!
Maria tem que ser virgem, não porque o sexo seja pecaminoso, mas porque Jesus tem que ter Deus como Pai.
O milagre da virgindade de Maria, da concepção por acção directa do Espírito Santo, serve à essência divina de Jesus, é necessária a ela. Sem a virgindade de Maria, Jesus não é Deus, Filho de Deus Pai. Uma necessidade teológica axial ao catolicismo, e diria mesmo, ao cristianismo em geral.
O que é que a virgindade de Maria tem a ver com a Imaculada Conceição?
Muito menos do que se imagina, ou do que imagina a Prof. Palmira.
A Imaculada Conceição não diz respeito à virgindade sexual de Maria. Este é um erro tão frequente que já enjoa. Por favor, senhores anti-católicos e anti-clericais, dêem uma saltada a uma fonte de informação qualquer. Leiam, por exemplo, uma boa Enciclopédia Católica, perguntem a um padre, qualquer coisa!
É triste vermos, dia após dia, erros destes, tão crassos!
A Imaculada Conceição diz respeito à concepção da própria Maria. Ou seja, o que isso quer dizer é que, contrariamente a toda a Humanidade, os pais de Maria, Joaquim e Ana, conceberam uma criança liberta do Pecado Original. É por isso que Maria é imaculada, porque nasceu sem a mancha do Pecado Original!
Não porque o sexo seja mau!
É por necessidade teológica: Maria iria, em adulta, conceber Deus, o Filho de Deus Pai. Maria é theotokos, mãe de Deus! Deus liberta Maria dos grilhões da Criação, da prisão do Múltiplo. Ela está livre para receber em si mesma o Uno, a mais directa fonte dos frutos da Árvore da Vida, o seu filho Jesus Cristo. É por isso que Maria teria que estar isenta da falha dos nossos pais primevos, para poder receber aquele que está além do Bem e do Mal, aquele que é a Vida. Notem bem como o simbolismo genesíaco é fundamental para se compreender a Imaculada Conceição.
Há, então, razões teológicas distintas para a Imaculada Conceição e para a Virgindade de Maria.
Nenhuma delas se deve a uma demonização do sexo, como se torna agora evidente.
Ou seja, o culto mariano apenas reforça quão indigna é a mulher que não consegue cumprir a sua função reprodutora sem o pecaminosos desejo sexual!
Quem é que, com estas explicações que eu dei, alguma vez aceita que o cristianismo vê a mulher como indigna quando não é virgem? Estas palavras da Professora Palmira não passam de uma cretina e absurda estupidez. Chamemos as coisas pelo seu nome...
Depois Palmira discorre sobre a visão que os padres da Igreja tinham da mulher. Sendo que essa visão era complexa, e por vezes, mais matizada por directrizes culturais do que religiosas ou teológicas, torna-se arriscado simplificar tudo numa visão redutora dizendo que o cristianismo das origens era misógino, todo ele.
É evidente, basta ler os textos, que há misoginia no pensamento de alguns padres da Igreja. Uma visão culturamente influenciada que a teologia posterior tratou de corrigir e aperfeiçoar. Experimente citar os documentos conciliares rencentes, senhora Palmira! Leia-os! Veja o que diz o Vaticano II sobre a mulher, em total contradição com as asneiras que a senhora escreve!
Para finalizar, evitemos outra misturangada que faz a Prof. Palmira: colocar no mesmo s

