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outubro 26, 2005

Já que não deixam o Sidónio dormir em paz

Não, o documento sindical que abaixo se reproduz não é do tempo do cónego de Santa Comba Dão.

É do tempo da tirania do Sr. Dótôr Afonso Costa, espécie de monarca de barrete frígio, escroque montado às cavalitas de uma burguesia decadente, mas tão venerado pelos demagogos soaretes do papão presidencialista.

AO POVO TRABALHADOR

Nunca, como neste momento, se pode clamar, com maior fervor, por liberdade!
Povo! Acabas de assistir ao mais horroroso dos massacres! Acabas de vêr como, para subjugar uma greve ordeira e digna, um governo liberticida não hesitou em sacrificar toda a gente, não distinguindo na sua sanha entre a blusa e a casaca, entre homens, mulheres e crianças!
Jurou-se aniquilar todo o protesto. Jurou-se afogar em sangue a liberdade. Apostou-se em esmagar a organização operária a tiro!
Não podia esta ficar de braços cruzados! Precisa exprimir o seu enérgico protesto! Precisa de garantias de liberdade por parte de quem só pode viver com elas suspensas!
Precisa que se ponham todos os presos em liberdade!
Precisa exprimir o seu horror pelos assassínios em massa perpetrados em Lisboa! Precisa LIBERDADE!
Tem, por isso, o povo operário de Lisboa de efectivar esse protesto, mantendo por 48 horas a greve geral.
E o Comércio e a Indústria, se pulsou de indignação perante a caça ao homem, à mulher e à criança, exercida em Lisboa, teem o dever, eles próprios, de encerrar as suas portas!
Abaixo o governo e os seus sicários!
Viva a Liberdade!
Viva a greve geral!

Lisboa, 16 de Julho de 1917

As Federações Sindicais da Indústria.

É apenas um exercício de memória para que metam a mão na consciência e se lembrem que o Sidónio, cujo espectro tanto gostam de agitar, não surgiu do nada e foi aclamado pelo povo trabalhador em virtude de uma qualquer fatalidade cósmica. Que os erros se pagam. Que a cegueira dos senadores de fim de regime tem consequências quando permite criar o vazio. Que o vazio não existe em política, porque não deixará de haver quem o preencha: goste-se ou não se goste.

Mas o Cavaco-obcecado-pela-sacrossanta-estabilidade e... o Sidónio? Tenham juízo. Já viram se o povo os confude mesmo e ainda lhe aumenta o score...?

Afixado por Gibel em 26 de outubro de 2005, às 22:31

Afixadelas

Bem lembrada, essa semelhança entre Sidónio e Cavaco... Ambos vendem a imagem de austeridade e formalismo distante de que os portugueses gostam tanto... Ambos eram/são homens de fraca cultura e com uma certa veia sebástica. Ambos surgem em momentos de crise (80 e agora) como "salvadores providenciais"... Caramba! As semelhanças não param! Bem visto, Gibel!

Afixado por Rui em 27 de outubro de 2005, às 00:02

Meu caro Rui, tu relê lá bem outra vez o que eu escrevi e vê lá bem que foi exactamente o contrário do que entendeste :)

Eu critico justamente esse paralelismo, mas tento sobretudo lembrar que Sidónio só foi possível pelos erros do regime de Afonso Costa. Sidónio não surgiu do nada como uma espécie de encarnação da reacção!

E, desculpa lá, mas o Sidónio era um académico de Coimbra, não era propriamente um filisteu.

Afixado por gibel em 27 de outubro de 2005, às 01:14

bom
momentos de crise
têm sido eles sempre

Afixado por xatoo em 27 de outubro de 2005, às 02:00

Uma oportuníssima chamada de atenção. Também eu, não tão eloquentemente tinha tido idêntico procedimento face ao risco que a situação que estamos a atravessar representa em termos de receptividade popular a um qualquer golpe.

Afixado por congeminações em 27 de outubro de 2005, às 10:17

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