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outubro 29, 2005
O nascimento do mundo

Deputados na AR reunidos em plenário? Membros do Tribunal Constitucional em deliberação? Comissão de Honra de um candidato a presidente?
Simplesmente "O Nascimento do Mundo" - de Nilli Kook.
Confesso que, independentemente de tudo o mais (por favor, não comecem já a ler posições que não estão aqui ou juízos de valor que muito menos...), apetece-me de vez em quando falar de nascimentos.
Quanto mais não seja pela carência deles, em Portugal.
Defeito de pediatra?
Volto terça. E fiquem com este magnífico quadro de Salvador Dali - "Criança observando o nascimento do mundo".

Afixado por Mário Cordeiro em 29 de outubro de 2005, às 00:35
Afixadelas
Mário, concordo contigo. Há poucos nascimentos em Portugal e precisamos de mais portugueses. Na minha família já demos a nossa contribuição para a sociedade e ainda não acabámos. Somos todos adultos e temos meios para isso, felizmente, apesar de usarmos contraceptivos e o sexo não servir apenas para a procriação... Estamos, portanto, contra o catolicismo de roma. Apesar de cristãos, não seremos católicos na visão mui madura e erudita do Bernardo (olá, já estava com saudades de te "bater" ;)). Há apenas um aspecto delicado, a nível mundial, para o qual não obti ainda uma resposta, digamos, razoável e compatível com o que tu e o Benardo defendem: A população mundial tende a aumentar, a duplicar em cada 10 anos que passam. É preciso alimentar e criar condições para todos, acabar com a pobreza. Não impedir os nascimentos, promovê-los, impedir o aborto a contracepção, etc. Achas, sinceramente, que estas "modernices" de controlo da natalidade, são consequência de uma evolução cultural "errada" ou de um sistema de autoregulação natural da Natureza? Não sei se entendes onde quero chegar...
Afixado por bluegift em 29 de outubro de 2005, às 09:48
Parabéns pela escultura de Kook...eu que sou filho parido com mais oito fiquei marcado por essa clivagem do excessivo para mais e menos...como educarmos e darmos suficientemente a uma criança? Eu tenho uma filha que "prestimosamente" procuro educar com o melhor e vejo das dificuldades para o fazer...mas uma casa mais cheia seria uma maior alegria...que as novas gerações o devam e sobretudo o possam fazer...são os meus votos!
Saudações
Morfeu
Afixado por morfeu em 30 de outubro de 2005, às 06:33
Caríssimos,
Não concordando com a eleição de nenhum dos actuais candidatos e tendo a absoluta convicação da necessidade de reforma do sistema político, criei o
http://voto-branco.blogspot.com/
Visitem e não deixem de participar, de forma a haver um interessante debate de ideias.
Afixado por Diogo Dantas em 30 de outubro de 2005, às 11:30
Só uma pequena nota: julgo que esta obra de Dali se chama na realidade "Criança Geopolítica Observando o Nascimento do Homem Novo".
E não é grande coisa, aliás. É um dos primeiros exemplos do fim da inspiração genuinamente surrealista e da passagem de Salvador Dali a "Avida Dolars", de acordo com o delicioso anagrama de Breton...
Afixado por LR em 30 de outubro de 2005, às 11:31
Pq e que essa estatua me faz lembrar aquela de Brasilia, sobre o edificio mais famoso que Le Corbusier construiu na capital brasileira?...
Afixado por Rui Martins em 31 de outubro de 2005, às 00:19
Encontrei por acaso este blog... Vou certificar-me de que não o perderei. Magnifíco!
Afixado por Lady_DeathStrike em 31 de outubro de 2005, às 17:21
Blue
Obrigado pelo teu comentário.
Não é por acaso que a natalidade evolui paralelamente ao grau de estabilidade económica (mesmo com defices...) e da chamada "evolução" da sociedade.
Nas sociedades de sobrevivência, como foi a nossa "ocidental" até há alguns séculos atrás (poucos) e como ainda o são muitas sociedades por esse planeta fora (porventura a maioria), os filhos representam alternativas, designadamente para ir buscar água, fazer a guerra e substituir os mais velhos quando eles morrem (prematuramente, diga-se, aos 35 ou 40 anos de idade). São desígnios sociais e colectivos, que se expressam pelas regras mais elemntares de economia da natureza e da inteligência desta em termos de sobrevivência. Alimentação e sexualidade - são estes os dois desígnios.
Nas sociedades a caminho da afluência mas com desigualdades e pobreza intelectual, não ter filhos é um sintoma de responsabilidade dos homens e das mulheres, e um sintoma de irresponsabilidade dos Estados - é o caso português. Nas sociedades muito afluentes e harmoniosas, como os nórdicos, a Holanda, etc, o Estado soube entender o perigo de uma sociedade sem crianças, dando o apoio que esses pais precisavam para fazerem da função parental uma coisa boa, reconfortante e não penalizadora.
Os métodos anticonceptivos existem e devem ser usados com consciência, oportunidade e bem (já me preocupa, por exemplo, o uso exagerado da contracepção de emergência pelas adolescentes portuguesas. Assusta-me também que se esteja sempre a impingir o preservativo - "use-o!" - mas não se explique como, quando, de que maneira, etc, etc, e cuidados a ter antes, durante e depois. Sabias que se ficar ao calor num tablier de um carro ou até no bolso a eficácia diminui? E que certos produtos, como gels de banho, etc, podem aumentar a permeabilidade? e que a maioria dos jovens não sabe como retirar convenientemente o preservativo sem correrem o risco de cairem alguns ml de esperma que podem ser o suficiente para engravidar?).
Sou, como toda a gente, contra a IVG. O resto, o penalizar ou criminalizar é uma coisa que toca na ética, no direito, nas leis, na moral e mais numa catrefa de coisas.
Cada sociedade define o que acha correcto ou incorrecto do ponto de vista moral, e daí emana a lei. Se roubar é mal visto, o ladrão torna-se num criminoso. Contudo, se o ladrão roubar porque teve fome, e na medida da sua fome (não digo assaltar um banco mas "palmar" uma peça de fruta ou pão), o lesado deverá decidir se usa o seu direito de se queixar, e se for o caso, quem julga deverá ver se há atenuantes. No caso da IVG, há um conflito de interesses entre duas coisas: a gravidez e a gestação, e o lesado não pode queixar-se - daí o Estado o representar. Se é crime ou não dependerá do que a sociedade considerar. Se for crime, então competirá a quem julga arranjar atenuantes ou agravantes. Não vejo outra forma responsável (mesmo com alguns custos e muito sofrimento) de manter a espinha dorsal democrática e humanista da sociedade.
Isto para te dizer que "arrenego" tanto os "zézinhos" como os "mando na minha barriga" (e no resto, não mandava?).
E não tenho medo de dizer que o momento em que começa a vida deixa-me cheio de perplexidades e de interrogações. Não o sei dizer para os outros.
De qualquer forma, isto não significa que a questão seja exclusivamente dos outros, ou "das outras". Até porque a parentalidade é a dois e é um fenómeno social.
E também acho que muitos casos em que a mulher (ou a rapariga, nos muitos casos de adolescentes) se vê de repente aflita por estar à espera de bebé sem achar que tem condições, o tal Estado soliudário deveria imediatamente garantir-lhe todo o apoio necessário para que nada faltasse. Nem digo o estudar, porque a situação é precisamente ao contrário - a larga maioria das raparigas adolescentes que ficam grávidas já deixaram de estudar, e foi esse e muitos outros falhanços que as fizeram desejar ser mães - ao menos que alguma coisa se realizasse positivamente. Não entender isto é não perceber nada de adolescentes e de desígnios humanos - infelizmente há muita gente que fala sem saber do que está a falar. Mas digo assegurar que não seria por essas razões económicas que se faria uma IVG. O número baixaria incrivelmente. È por isso que acho o Estado irresponsável, e é a própria sociedaed que põe as pessaos perante o dielam terrível de esfaquear a sua própria parentalidade. Esse é o drama, não apenas o do bebé, feto, embrião, células ou projecto, conforme cada um.
Enfim. Longa vai a conversa.
Cada um deve ter os filhos que acha que pode ter, que quer ter e que se enquadram no seu projecto de vida. E isso tem tanto de pessoal, que falar muito dos outros dá asneira. Mas também há algo de colectivo nas crianças.
No entanto, o meu post era apenas para falar da maravilha sublime e transcendente que é o nascimento. Foi por isso que publiquei uma Antologia de 150 poemas de outros tantos poetas lusófonos sobre "nascer".
É bom ver as coisas de vários ângulos, e isso é que é, para mim, ser-se progressista no sentido da dignificação do ser humano.
Mário
Afixado por Mário Cordeiro em 2 de novembro de 2005, às 00:47
