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outubro 26, 2005

Os não candidatos

Quando se define algo por negação, corre-se o risco de esvaziar de conteúdo o que se pretende definir. Risco assumido por Jerónimo, Mário, Manuel e Francisco. Sem discurso positivo que sustente ou justifique a aspiração que dizem ter, arranhando-se uns aos outros que nem gatos assanhados em saco fechado, apenas almejam impedir Cavaco. Esse é o mote! Não são nada de per si. Indefinidos e sem identidade, não sabem o que querem ser, apenas sabem que não querem que outro seja. Por isso, é razoável afirmar que candidato à Presidência da República só há um: Aníbal Cavaco Silva. Os outros dificilmente se podem encaixar no conceito: porque não aspiram a emprego ou dignidade, porque não solicitam votos para ser eleito para um cargo. Porque sem o outro não são nada. Se, por absurdo, Cavaco se afastasse da solitária corrida, ficariam que nem baratas tontas, os pobres. Sem destino!


Manuel Alegre

"Em nome dos valores republicanos da liberdade e da igualdade, quero estar aqui em Janeiro como candidato à Presidência da República para derrotar Cavaco Silva nas eleições presidenciais”

Jerónimo de Sousa

Recusando comentar o “dado adquirido” que é o lançamento hoje da candidatura de Cavaco Silva, o líder do PCP critica a “operação de branqueamento e promoção” do ex-primeiro-ministro. Jerónimo justifica a sua candidatura como uma luta contra o “regresso de um presidencialismo autocrático”. Jerónimo de Sousa - Candidato à PR

Francisco Louçã

De novo a garantir que não desiste da sua candidatura (”Só vos peço que nunca mais me perguntem se desisto, porque desistir era uma desonra”), o líder do Bloco de Esquerda fez ver que “o que facilita a vitória da candidatura à direita é a abstenção” e nunca o facto de haver várias candidaturas à esquerda. Por isso, elegendo a crise política como o seu “principal adversário, sublinhou que “quem oferece a vitória a Cavaco Silva é quem desistir”.

Mário Soares

«No meu entender (Cavaco Silva) não tem perfil para Presidente da República e não tem a formação humanista que deve ter um presidente de Portugal»

Afixado por afixe em 26 de outubro de 2005, às 20:52

Afixadelas

Sim, bem apanhado, Rogério.
De facto, é o deserto intelectual absoluto.
Todos elegeram o combate a Cavaco como programa eleitoral. É triste.
Mas divertido, divertido mesmo, é ver a frase do Mário: Cavaco não é um humanista!
Bravo!
Gosto, e sempre gostei, da palavra "humanista". Tem uma daquelas sonoridades sofisticadas que tanto agradam aos ouvidos modernos. Não diz nada mas é bonita e deixa um som agradável nos tímpanos. "Eu sou humanista!", "Aqueloutro não é humanista!", "O humanismo, eu sou pelo humanismo!". Frases lindas e musicais.
É pena que seja uma palavra sem significado, mas isso não tem importância.
O que pensa uma pessoa que não é humanista?
Quais são as ideias de Cavaco que fazem dele um anti-humanista?
Aceitam-se propostas...
Não quer isto dizer que eu considere Cavaco algum Deus ou o idolatre de qualquer forma que seja. Tenho pouco feitio para ter admiração por políticos... Mas a frase do amigo Mário é triste e não faz qualquer sentido por estar vazia de conteúdo. Aliás, como já se percebeu ser a tónica desta campanha eleitoral...

Afixado por Bernardo em 27 de outubro de 2005, às 10:06

:)

esqueci-me dessa palavra ali em cima...humanista!

Afixado por gibel em 27 de outubro de 2005, às 10:56

O que me faz votar no Soares nestas eleições é justamente a possibilidade de derrotar Cavaco, e isso é uma não é importante numa candidatura ? uma ova, é importante e tem muita substância.
Cavaco, ao contrário de Soares, não preza a democracia parlamentar (tolera-a, apenas), para ele o parlamento é o ócio, os partidos uma chatice, o debate uma maçada, a secularização de instituições recentes, apenas forças de bloqueio. Soares não é o futuro, nem trás nada de novo, do mal o menos, nos tempos que correm podia ser pior
Mas o que eu gosto mesmo é de saber que a populaça está toda ao lado de Cavaco, claro, julga que pensa como ele...
e a Cereja, Monty ? vai-se, não ?

Afixado por Real em 27 de outubro de 2005, às 18:22

é como dizes, Bernardo, palavras vazias!

"Cavaco, ao contrário de Soares, não preza a democracia parlamentar (tolera-a, apenas), para ele o parlamento é o ócio, os partidos uma chatice, o debate uma maçada, a secularização de instituições recentes, apenas forças de bloqueio."

Exacto, Real. Estás lá! ;)

Afixado por monty em 27 de outubro de 2005, às 20:07

Tanto errro, meu Deus!!! Corrijo abaixo

O que me faz votar no Soares nestas eleições é justamente a possibilidade de derrotar Cavaco, e isso não é importante numa candidatura ? uma ova, é importante e tem muita substância.
Cavaco, ao contrário de Soares, não preza a democracia parlamentar (tolera-a, apenas), para ele o parlamento é o ócio, os partidos uma chatice, o debate uma maçada, a secularização de instituições recentes, apenas forças de bloqueio. Soares não é o futuro, nem traz nada de novo, do mal o menos, nos tempos que correm podia ser pior
Mas o que eu gosto mesmo é de saber que a populaça está toda ao lado de Cavaco, claro, julga que pensa como ele...
e a Cereja, Monty ? vai-se, não ?

A resposta ao teu anterior comentário é a seguite:

E depois ? eu nunca comi na Cereja ;)

Afixado por Real em 27 de outubro de 2005, às 23:43

"Quando se define algo por negação, corre-se o risco de esvaziar de conteúdo o que se pretende definir."

E quando se define algo com recurso a links para jornais (alguns de "qualidade" como o CM), também se "corre o risco de esvaziar de conteúdo o que se pretende definir."

Simplista. Demasiado simplista.


Afixado por Work Buy Consume Die em 28 de outubro de 2005, às 11:33

Eu não defini, apenas citei. A diferença nem sequer é ténue.

Afixado por Monty em 28 de outubro de 2005, às 11:50

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