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outubro 25, 2005
Vende-se livro em muito bom estado

A sério! Faço desconto. Comprado há três dias. Este José Braga Gonçalves é um pândego. Imagine: junte os Habsburgos e o Vaticano, o martírio dos Távoras e as penas maçónicas, a pedra bruta e a pedra cúbica, o Marquês de Pombal e os Iluminatti, o terramoto de 1755 e os pedreiros-livres, Mozart e Salieri, Cardeais desavindos e os Templários, banqueiros Judeus e a Maçonaria Vienense, depois tolde-se com isto tudo (sem recurso a estados alterados de consciência) e alguma dose de vaidade, imagine-se dono de um segredo extraordinário de Polichinelo escondido com rabo de fora - boca dos Jesuítas! o nosso segredo é melhor do que o deles! -, cole tudo com cordões conspiratórios e voilá (!) - acabou de produzir um romance à Zé Braga. Inolvidável! Não desconfie da generosidade da minha oferta, nem negue à partida uma pessegada que não conhece: apenas o dispenso por não condizer com a minha estante.
Afixado por Gibel em 25 de outubro de 2005, às 01:23
Afixadelas
Gibel,
Este livro tem até algum valor sociológico! Tolero bem que o rejeites APENAS porque não condiz com a tua estante. Onde é que já se viu, um livro castanho numa estante lilás?
Porque de resto, é uma obra repleta de informação sociológica valiosa: através dela, podemos dar-nos conta do que pensam (e do que não pensam) alguns dos mais caricatos operários da nossa praça!
Afixado por Bernardo em 25 de outubro de 2005, às 08:46
Quem o manda comprar livros desses "escritores", também, comprou o "sei lá" e o "equador"?
Afixado por maria da fonte em 25 de outubro de 2005, às 13:07
Minha Cara Maria da Fonte,
o que é o "Sei Lá"? Não li o "Equador".
Quanto ao "Maçon de Viena", é interessante sob dois pontos de vista:
a) quem, como eu, acompanhou todo o dossier universidade moderna / cisão da grande loja/casa do sino com especial atenção, o livro é bastante interessante para perceber nas entrelinhas certas referências a episódios, eventos e pessoas reais da actualidade. Claro que só vê quem estiver atento e recorde bem alguns pormenores daquele caso, designadamente o mistério "Fénix" que ainda dará que falar no futuro (aliás, ainda há por aí uns senhores cuja vida é determinada pelo pesadelo de verem alguma informação doseada cá para fora).
b) por outro lado, é importante sob o ponto de vista simbólico e, como diz o Bernardo com razão, até do ponto de vista sociológico, do tipo de pessoas que a maçonaria vem recrutando (com uma bagagem intelectual muito duvidosa): como é que alguém que foi maçon como o autor (pró-Grão mestre e embaixador da maçonaria Portuguesa junto das obediências germânicas), e entretanto se encontra preso, faz uma interpretação de um conjunto de sinais e obras, imaginando e vendo simbolismos maçónicos em tudo, fazendo interpretações no mínimo demasiado criativas, quando não abusivas.
Mais engraçado ainda, às vezes, no livro, ele até tem razão, mas pelas premissas erradas: é o caso da inspiração maçónica da Baixa Pombalina, que é real e efectiva (tal como a Londres reconstruída após o grande incêndio o é, pelo risco de Sir Christopher Wren), mas não pela leitura da simbólica do espaço arquitectónico feita pelo autor no livro.
Outras asneiras do Livro:
- o Marquês de Pombal não foi iniciado na maçonaria em Viena, mas em Londres (alguns anos antes);
- a maçonaria de oitocentos não era uma instituição internacionalista e vulgarmente politizada, como resulta da leitura histórica que resulta do livro;
- a loja maçónica operativa com verdadeira e histórica intervenção em empreendimentos construtivos em Lisboa foi a Real Loja dos Pedreiros Livres da Lusitânia, promovida por católicos Irlandeses: os respectivos mestres intervieram na concepção do aqueduto das águas livres (ainda lá está hoje na zona a calçada dos mestres a recordar o local onde então funcionou a respectiva oficina.
Afixado por gibel em 25 de outubro de 2005, às 13:34
Não li, mas ofereci o livro a um amigo que está agora a ler a coisa... As ligações maçónicas do Marquês são relativamente pacíficas, como se depreende da sua análise, assim como o teor maçónico da Baixa (e da Praça do Cómércio, com os seus túneis subterrâneos...). Braga Gonçalves teve tempo de sobra (tempo é o q ele deve ter mais...) para se documentar pelo que é triste que tenha cometido esses erros que (bem) apontou...
Afixado por Rui Martins em 25 de outubro de 2005, às 14:24
A Maçonaria... tenho de admitir que não sei de nada sobre isto.
como também sou preguiçosa, não me apetece perder horas e horas em pesquisa.
Não têm para aí uns links crediveis sobre este assunto?
Afixado por zuja em 25 de outubro de 2005, às 14:24
Zuja,
a melhor fonte credível de estudo que lhe posso sugerir é a revista online pietre-stones
http://www.freemasons-freemasonry.com/
Afixado por gibel em 25 de outubro de 2005, às 14:46
E tem que ser o livro a pagar as favas? Não dá para mudar de estante?
Afixado por Contrabandista X em 25 de outubro de 2005, às 15:41
Pelos comentários confirmei que o autor era "o próprio" o homem moderno. E também imaginei que fosse engraçado se ele tivesse imaginado uma espécie de romance "à clé", cruzando ficção com realidade actual. Pelo que dizes, saíu uma grande salgalhada e ele meteu os pés pelas mãos.
Talvez possas é alugá-lo. Nós pagamos uma taxa pelo empréstimo e depois devolve-se; vai circulando, tu lucras mais, e ninguém tem a obrigação de ficar com ele. (tenho jeito para o negócio, não tenho?)
Afixado por ML em 25 de outubro de 2005, às 17:50
Sigo a sugestão do ML,
Pago 1 euro para alugar o livro por uma semanita!
Deve chegar para o ler, não?
Se não chegar, também estou a ficar sem papel higiénico. O papel usado no livro é absorvente, ou é daquele papel sintético e não poroso?
Afixado por Bernardo em 26 de outubro de 2005, às 09:43
