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novembro 28, 2005

Confusões da Joana Amaral Dias

Não costumo visitar muito este blogue, mas lendo a posta do Gibel abaixo, não resisti a fazer uma resposta comentada a este recente texto de Joana Amaral Dias.
Na minha opinião, o texto é simplesmente inconcebível. Vamos lê-lo por partes:

A Igreja Católica decidiu proibir o sacerdócio a homossexuais.

A frase dá a ideia de que se trata de algo novo. A Igreja não mudou a sua doutrina nesta matéria. Como é que tanta gente não percebe a diferença entre a afirmação de uma posição nova e a reafirmação de uma posição pré-existente (que é o presente caso)?

Como é suposto os padres não terem orientações sexuais, ficam várias questões. Primeiro, os padres heterossexuais são permitidos?

Os padres não devem ter actividade sexual, mas podem, como toda a gente, ter "orientação sexual". Contudo, devem praticar a castidade. Uma obrigação que decorre do sacerdócio ao qual aderem livremente. Porque será que tantos pensam que o sacerdócio obriga a uma total extirpação da sexualidade do ser humano? Castidade é abstenção de prática sexual e não extirpação da sexualidade.

Segundo: Se a medida pretende, de algum modo, prevenir a Pedofilia, é completamente errada. A homossexualidade não tem nada a ver com pedofilia. E a pedofilia não vitima apenas rapazes. Aliás, a maioria das vítimas de pedofilia são raparigas.

Pasmo-me. De onde é que a Joana tirou a ideia de que esta tomada de posição tinha alguma coisa a ver com pedofilia? Onde é que ela leu a palavra "pedofilia" no texto da notícia?

Terceiro: sendo esta uma decisão discriminatória, pode uma Religião ir contra a Constituição?

Há aqui uma noção muito confusa do âmbito e alcance da Constituiçã,o e com a noção que a Joana tem de Liberdade em geral e das liberdades individuais. O Gibel já falou neste ponto e não vou insistir. A Igreja Católica pode estabelecer os pré-requisitos que bem entender para o seu sacerdócio, e a Constituição não é para aqui chamada!
A Joana Amaral Dias quer o fim da Igreja Católica, ou quer mudá-la para que ela passe a "obedecer" à Constituição? Se a Joana quer o fim da Igreja, pois que concentre os seus esforços nisso! Porque tentar acabar com uma institução, ao mesmo tempo que se tenta que ela mude, é uma grande contradição.
E já agora, para que a Igreja fosse "constitucional", qual a constituição a escolher? De que país?
Onde é que está a lógica deste texto?

Quarto, como é que exactamente pretende a Igreja Católica avaliar e determinar as orientações sexuais dos candidatos ao sacerdócio? E como é que, três anos depois, pretende avaliar se o candidato superou (mesmo supondo que isso existe) as suas orientações sexuais?

A Igreja tem locais apropriados para se inteirar dos pré-requisitos dos candidatos ao sacerdócio: esses locais chamam-se "Seminários". Se essa selecção e avaliação funciona bem ou mal, compete à Igreja determinar. De onde vem a preocupação da Joana com a eficiência deste processo interno da Igreja?

Esta posição da Igreja Católica, que não é nova mas que recebeu agora grande destaque, consiste em fazer do grave problema que tem- os padres pedófilos- um ataque aos homossexuais.

Foi isso o que a Joana leu? Deveria ler a notícia outra vez...

Em vez de resolver o crime que se passa no interior da sua própria organização, a Igreja Católica entende que passando ao ataque aos homossexuais dá a imagem à opinião pública que o problema vem de fora.

Se esta medida não traz nada doutrinamente novo, como a Joana (oh incoerência) tão claramente dá a entender que afinal até sabe, então porque é que isto seria um "ataque" aos homossexuais? Há razões de doutrina para esta tomada de posição, que não é nova. Sendo assim, discordando ou não das razões da Igreja, não entendo como é que isto pode ser visto como um ataque aos homossexuais (se assim fosse, a Igreja não os acolheria no universo dos crentes), e muito menos entendo o que é que isto tem a ver com pedofilia!
Se a Joana nos dissesse que, por exemplo, a Igreja "ataca" os hereges porque os expulsa e às suas heresias, ainda seria ligeiramente compreensível, apesar do peso desproporcionado do verbo "atacar", uma vez que uma decisão de expulsão pode ser legítima e justa sem ter que ser vista como um ataque.
Agora, sabendo a Joana (porque o saberá), que a Igreja não expulsa os homossexuais, em que pé fica este suposto ataque aos homossexuais? Um ataque incompleto?
Porque é que a Igreja não expulsa os homossexuais da comunhão dos crentes?
Será que a Joana alguma vez pensou nisto?
Parece que não.

Mas, lá dentro, e perante a própria exigência de celibato, as perversões sexuais continuarão, obviamente, a existir.

Ou seja, é a exigência do celibato que gera perversões sexuais?
E um celibatário que não seja sacerdote? Será sempre alguém sexualmente perverso?
Ou só os sacerdotes é que, com o celibato, se podem tornar pessoas sexualmente perversas?
Se não posso fazer sexo, tenho que praticar perversidades sexuais?
É assim?
Não sei se percebi a dedução da Joana, que ela reforça com um "obviamente", como se a premissa de celibato nos levasse, "obviamente", à génese das perversões sexuais no seio da Igreja.

Tanto quanto a eleição de bodes-expiatórios.

Que apenas existe na imaginação da Joana!
Que texto tão pateta...
Será que certas pessoas não se enxergam?
Será que não sabem que, para falarem sobre certos temas, devem ter conhecimentos sobre a matéria que escolhem comentar?
Para finalizar, há um enorme abismo entre estas duas realidades:

A) a legitimidade do Estado de Direito em intervir, através dos Órgãos de Soberania apropriados, na aplicação de penas a crimes cometidos por qualquer cidadão (mesmo sacerdote)

B) a ilegitimidade do Estado de Direito em se imiscuir em questões de liberdade religiosa e de liberdade de associação; o Estado não pode determinar as regras de organizações privadas como é a Igreja Católica; o Estado não pode proibir as opções morais e doutrinais dos católicos

Afixado por Bernardo Motta em 28 de novembro de 2005, às 16:05

Afixadelas

“Esta posição da Igreja Católica, que não é nova mas que recebeu agora grande destaque, consiste em fazer do grave problema que tem- os padres pedófilos- um ataque aos homossexuais” JAD

Bernardo, você não diz mas eu não tenho o mínimo pejo em afirmar: não é apenas o texto que é pateta. Este apenas reflecte a formação intelectual da Joana Amaral Dias. Portanto, este texto não é uma gota no oceano. Não é um daqueles raciocínios tolos que por vezes temos e depois de os colocarmos por escrito arrependemo-nos. Não! Este é um daqueles raciocínios característicos da JAD: sem qualquer fundamentação doutrinária, ou sequer intelectual, sem qualquer tipo de profundidade, tipo comida light pronto-a-comer. As vezes, quando leio ou oiço as afirmações da rapariguita não sei se me irrito, se fico frustrado ou se me atiro para o chão aos prantos, pelo facto de termos como membro proeminente de uma força política uma senhora tão imbecil. É que nem a “doutrina de mercado” típica do BE justifica esta nulidade política que tem por nome Joana. Mas esse é um problema do seu partido e do(s) seu(s) candidato(s).
Em relação à afirmação supra... Bem, é só mais uma difamação tipicamente estalinista da Igreja Católica. Aquela afirmação é execrável, demonstra uma má-fé terrível, uma leveza de raciocínio atroz, enfim, uma imbecilidade que só poderia ser proferida pela inefável JAD. Será que a (... nem sei como a tratar) acredita mesmo que os homens e as mulheres que constituem a Igreja apenas têm como preocupação atacar a “diferença”?
E de parvoíce em parvoíce lá vai a senhora sendo mediatizada, ganhando projecção e achando-se uma grande pioneira da política portuguesa. Miserável país...

Afixado por sancho em 29 de novembro de 2005, às 10:04

"A Igreja Católica decidiu proibir o sacerdócio a homossexuais.
A frase dá a ideia de que se trata de algo novo. A Igreja não mudou a sua doutrina nesta matéria."

Bernardo

Onde é que estava escrito que quem tinha tendências homossexuais mas estava disposto a viver em castidade não era admitido ao sacerdócio?

Afixado por CA em 29 de novembro de 2005, às 18:07

Sancho,

Apesar de concordar consigo, tenho que ter algum cuidado com as palavras que escolho. Há quem não veja para lá das palavras e se fique pela forma. Para salvar o entendimento do conteúdo, devo ser comedido na forma! ;)

CA,

"Onde é que estava escrito que quem tinha tendências homossexuais mas estava disposto a viver em castidade não era admitido ao sacerdócio?"

O texto da notícia (http://tsf.sapo.pt/online/vida/interior.asp?id_artigo=TSF165924) dizia:

«À luz deste ensino, é considerado necessário dizer claramente que a Igreja, que respeita profundamente as pessoas em questão, não pode admitir no seminário ou nas Ordens Sagradas aqueles que pratiquem a homossexualidade, apresentem tendências homossexuais profundamente enraizadas ou apoiem a chamada cultura gay», acrescenta este relatório.»

Ou seja, há que distinguir entre quem pratica actos homossexuais (segundo a Igreja, essas pessoas estão em pecado grave) e quem apenas possui tendências homossexuais (segundo a Igreja, essas pessoas estão num estado de desordem moral que, não sendo pecaminoso, é impeditivo do sacerdócio).
Visto isto, a homossexualidade, mesmo celibatária, é impeditiva do acesso ao sacerdócio.
Como relembrou a Igreja, e bem, o sacerdócio é um dom que exige certos requisitos para ser recebido. Não é um direito. Se o sacerdócio não é um direito, o vedar de uma pessoa não qualificada ao sacerdócio nunca pode ser um acto discriminatório.
Ser sacerdote não é um direito de qualquer ser humano.

Um abraço,

Afixado por Bernardo em 29 de novembro de 2005, às 20:33

Bernardo

Esta instrução veda o sacerdócio a quem tenha apenas tendências homossexuais enraízadas, mesmo que essa pessoa se comprometa a viver em castidade. Ora, que eu saiba, isso não é doutrina tradicional mas sim uma novidade disciplinar. O catecismo, por exemplo, nem quando refere a homossexualidade (n.os 2357-2359) nem quando refere quem pode receber o sacramento da ordem (n.os 1577-1580) sugere qualquer incompatibilidade.

Afixado por CA em 30 de novembro de 2005, às 00:03

Gostei muito do texto, em geral pessoas preferem atacar a Igreja pelas entrelinhas do que esta fala.

Bom blog!

Afixado por Rodrigo em 30 de novembro de 2005, às 09:43

Bom, grande interesse vai por aqui pelas afirmações dessa Joana Amaral Dias. A fulana até que é giraça, deve ser isso...
Bernardo, gostei muito desta afirmação: "os padres podem, como toda a gente, ter orientação sexual". Eu pensava que eles também deviam ser "castos" na orientação sexual. Afinal, eles devem ter "orientação" para todos independentemente do sexo, mas está bem... Depois do que já te vi afirmar sobre a escolha do sexo de Jesus, tudo é possível...
(como se a escolha do sexo pudesse ser independente da realidade social. Deus é mesmo estúpido, claro, e viva a icar!)

Afixado por bluegift 4 em 30 de novembro de 2005, às 10:20

CA,

Não tenho tempo para fazer agora mesmo uma pesquisa profunda. Farei essa pesquisa mais tarde. Se estiver interessado, recomendo-lhe que principie pelo documento PDF que você até refere no seu blogue, retirado do site Adista.
O próprio texto italiano que você refere está repleto de informação a esse aspecto.
Você não deveria limitar a sua busca ao Catecismo. Estou a tentar saber o que diz o Código de Direito Canónico sobre o assunto, mas no entretanto, convém notar, como diz o PDF que você refere, que a Congregação para a Educação Católica está bastante habituada a pronunciar-se sobre o tema ao longo das últimas décadas.
São inúmeros os exemplos, mas destaco este, de uma carta intitulada Homosexualitatis Problema (1-10-1986):

"Occorre invece precisare che la particolare inclinazione della persona omosessuale, benché non sia in sé peccato, costituisce tuttavia una tendenza, più o meno forte, verso un comportamento intrinsecamente cattivo dal punto di vista morale. Per questo motivo l'inclinazione stessa dev'essere considerata come oggettivamente disordinata. Pertanto coloro che si trovano in questa condizione dovrebbero essere oggetto di una particolare sollecitudine pastorale perché non siano portati a credere che l'attuazione di tale tendenza nelle relazioni omosessuali sia un'opzione moralmente accettabile."

Há muita documentação para ler, CA, antes de se poder dizer que se trata de uma novidade disciplinar. Eu não tenho a certeza, e vou tentar saber exactamente se há ou não matéria nova. Mas pedia-lhe que, em bom rigor, não se cingisse ao Catecismo, visto que há ampla documentação a contemplar antes de serem feitos comentários incisivos
Normalmente, a Santa Sé não se pronuncia levianamente sobre nenhum tema sem tomar em conta o historial da Tradição, mais concrentamente, os documentos doutrinais e disciplinares anteriormente publicados. Se reparar, os documentos da Santa Sé costumam trazer sempre centenas de notas de rodapé que se referem a documentos anteriores que sejam pertinentes. Em concordância com o Magistério, em questões de doutrina e de moral, os novos documentos têm que manter compatibilidade com os anteriores.
Um abraço,

Afixado por Bernardo em 30 de novembro de 2005, às 10:48

Caro CA, e caros contestatários do que aqui tenho afirmado:

O site Zenit (http://www.zenit.org) é actualizado várias vezes por dia com notícias fiáveis e completas sobre a Santa Sé.
Datam desta segunda e terça-feira as seguintes entradas referentes a este assunto, e à exagerada polémica que ele tem levantado:

http://www.zenit.org/portuguese/visualizza.phtml?sid=80795
http://www.zenit.org/portuguese/visualizza.phtml?sid=80803
http://www.zenit.org/portuguese/visualizza.phtml?sid=80806

Depois de lidas estas notícias, pedia aos contestatários que de forma explícita, fazendo referência às ditas, manifestassem qual é o seu desacordo. Não há nada de extraordinário nem de novo nesta medida disciplinar da Santa Sé. As provas desta afirmação estão patentes nestes artigos. Basta ler...
Cumprimentos,

Afixado por Bernardo em 30 de novembro de 2005, às 16:35

Não me lembro de nenhuma passagem das sagradas escrituras em que o homossexualismo seja classificado como pecado grave.
De qualquer forma, a lógica inerente ao cristianismo, independentemente da icar, vai no sentido de reforço da norma social (família reprodutora) e respeito pelas minorias. Logo, o homessexualismo não poderá nunca ser considerado "norma", não pode ser reforçado pelo cristianismo. Mas deve ser respeitado. Só compreendo a não ordenação de padres homossexuais pelo facto de estes poderem tender a não reforçar o conceito de família reprodutora, base da sobrevivência de qualquer sociedade. Mas qualquer padre tem este elemento presente. O padre também é uma minoria, também poderia, por esse facto, não reforçar a família reprodutora. É aí que o argumento se perde. Além disso, a sua orientação deve contemplar os dois sexos e não apenas um (não sejam mauzinhos, eu não disse que eles deviam ser bissexuais...). Mas, daí a marginalizar, vai um grande passo. As minorias, à luz das escrituras, devem ser respeitadas. Não é isso que observamos nos termos em que a icar se refere ao assunto. A icar resolveu tomar esta posição pública para acalmar as hostes fundamentalistas (preferidas de bento XVI) e reforçar o seu espírito segregador. Só isso. Em claro desrespeito pelo espírito pacificador e unificador da religião de Cristo.
Nada de novo, portanto.

Afixado por bluegift em 1 de dezembro de 2005, às 11:27

Contemplar os dois sexos pela neutralidade, inerente à castidade. Logo, hetero ou homo, não importa. Ele deve ser neutro e casto.

Afixado por bluegift em 1 de dezembro de 2005, às 11:33

Mas que confusão por aqui vai, a igreja católica não deve ser assexuada no sentido em que privilegia a castidade dos elementos que exercem o seu magistério eclesiástico? Sendo assim é indiferente a orientação sexual de cada um dos seus membros individualmente, sejam homo ou hetero desde que pratiquem a castidade, e não pratiquem a orientação sexual de cada um. É para isso que são formados para a castidade.
Partindo deste pressuposto e ao contrario do que esta por aqui dito, isto representa uma inovação na admissão dos candidatos eclesiásticos e não uma continuação da tradição e que não tem a ver com a pratica da castidade, mas com a orientação sexual de cada um na admissão ao sacerdócio, sendo que para a igreja e aqui representa uma preferência implícita que essa orientação será mais aceitável se for heterosexual. Ou seja apesar de tudo há uma discriminação positiva a favor dos hetero. por mais voltas que dêem ao texto fazendo-nos crer que não.

Afixado por leopard em 1 de dezembro de 2005, às 16:46

É grande a confusão, de facto!!
Esta conversa parece uma conversa de loucos, porque sinceramente nunca pensei que tivesse que defender sozinho uma posição tão normal como esta.
Reparem a quem ponto chegámos!
O que nos diz a Natureza?

1. Diz-nos que não há raça humana, nem descendência humana, sem interacção sexual entre o homem e a mulher;

2. Diz-nos que, a par com outros espécimes do reino animal, sucede por vezes que um homem tenha preferência sexual por um homem, e uma mulher preferência sexual por uma mulher.

Posto isto, torna-se evidente que a normalidade consiste na heterossexualidade, condição "sine qua non" para a subsistência da raça humana. Contudo, não podemos fechar os olhos ao facto inegável de que a natureza faz surgir, se bem que em clara minoria, seres humanos homossexuais. Por isso, eu costumo dizer que a homossexualidade não é normal (o homossexual nunca pode ser "a norma"), mas pode ser natural, porque quando ocorre, muitas vezes, não é artificial, mas sim algo que nasce e existe com a própria pessoa. A homossexualidade não é uma doença, nem nada que se pareça. É uma característica intrínseca ao indivíduo. Diria mesmo que é algo que nasce com a pessoa humana e que provavelmente nunca sai. Contudo, o mais elementar bom senso deveria evitar-nos de tomar posições patetas como as que se tomam hoje em dia: a homossexualidade não é uma "opção sexual"! A própria expressão "orientação sexual" enerva-me, porque dá a ideia de que se trata de uma opção livre do indivíduo que viva na "liberdade de uma sociedade democrática".
Ou seja, por uma tergiversão ideológica da questão, passamos de um fenómeno da natureza do ser humano para uma opção livre de um ser livre em sociedades livres.
Se a homossexualidade for vista como apenas uma opção livre e consciente, se a homossexualidade for vista como apenas uma "orientação" que se pode fazer girar como um cata-vento para onde se quer, então estaremos a perverter a própria realidade da homossexualidade. Não é uma realidade totalmente social, como muitos querem fazer ver. Porque não o é, porque também é decorrente da natureza do próprio indivíduo, então não pode ser joguete de manobras ideológicas que visam apenas a derrocada do que resta da civilização ocidental.
Libertemos o fenómeno da homossexualidade das garras do niilismo e do desconstrutivismo que reina um pouco por toda a parte!
Sempre existiram homossexuais ao longo da história da Humanidade. Não é um fenómeno novo! Homossexuais importantes marcaram a História em todos os campos, desde as ciências às artes. Contudo, apenas na era moderna é que passaram a ser encarados como "pessoas que optaram livremente por uma orientação sexual diferente"!
Desde os primórdios do cristianismo (e sucede o mesmo noutras tantas culturas e religiões) que a homossexualidade é considerada como uma tendência contra-natura (pelas razões biológicas óbvias). O cristianismo avalia a homossexualidade da seguinte forma, distinguindo entre actos homossexuais e tendências homossexuais:

a) os primeiros são pecados graves (sim, Bluegift, experimenta ler São Paulo, ou os preceitos descritos no Antigo Testamento para a conduta do povo hebreu);
b) as segundas, não constituindo pecado (porque não foram postas em prática), são no entanto, aos olhos do magistério da Igreja, desordens psíquicas manifestas.

A Igreja tem o direito de estabelecer, como condição de admissão ao sacerdócio, que os candidatos demonstrem um perfeito equilíbrio psíquico (insisto: esta palavra entendida no âmbito original, ou seja, mais abrangente que o âmbito que lhe dá agora a psicologia moderna). Ora, se para a Igreja, o homossexual não está em perfeito equilíbrio psíquico, se demonstra uma desordem sexual (aos olhos da moral e doutrina da Igreja), não corresponde ao perfil exigível para o sacerdócio.
Por absurdo, a Igreja poderia criar as condições que quisesse para o acesso ao sacerdócio, que ninguém tem nada que objectar. Fala-se muito em discriminação, mas isso é uma tonteira. Só há discriminação quando se trata de vedar o acesso a um direito. Ora, o sacerdócio não é um direito!

Para terminar, evitemos cair na asneira. Não há qualquer novidade neste aspecto. Bluegift, tenta ir aos textos originais. Ler o Evangelho, ler as Cartas de São Paulo, que estão repletas de preceitos e normas morais, lê as dezenas de documentos que a Santa Sé tem emitido sobre estas matérias desde o Concílio Vaticano II. Não há qualquer novidade, a não ser o reforçar de uma medida disciplinar que está fixa há muito, mas que nem sempre é cumprida.
Ora, é precisamente porque esta medida de controlo não é sempre cumprida, o que resulta em sacerdotes ordenados que apresentam tendências homossexuais, que se torna necessária fazê-la cumprir.
Já não sei como dizer mais isto! Já acho que me estou a repetir indefinidamente.
Mas a teimosia de tantas pessoas é tão arreigada que se recusam a ver o óbvio. A Igreja Católica nunca aceitou a homossexualidade como algo natural, e nunca o irá aceitar! Se o aceitar, então terá perdido o norte, terá abandonado a tradição de Jesus Cristo e dos seus apóstolos, e ter-se-á tornado em algo de diferente. Isto não quer dizer que a Igreja não acolha os homossexuais como fiéis, e não zele pela sua salvação. O que a Igreja ensina acerca da salvação dos homossexuais é bem conhecido:

a) os que tenham uma vida sexual activa estão em pecado grave; este pecado, como qualquer pecado, uma vez confessado e absolvido, pode desaparecer para sempre desde que a pessoa persista na castidade

b) os que tenham apenas tendências homossexuais sem as colocarem em prática são vistas pela Igreja como pessoas em sofrimento, que imitam a Cristo no seu sofrimento, na provação que lhes foi dada para experimentar e viver nesta vida.

Quem acha isto tudo um disparate, tem bom remédio: não ser católico e não fazer parte da Igreja Católica. A Igreja segue o seu caminho de peregrina há 2.000 anos, mantendo intacto o legado crístico em matéria de doutrina e de moral. Sim, ao longo dos séculos, inúmeros membros da Igreja (leigos ou não) têm manchado a imagem da Igreja com maus actos, mas a doutrina e a fé mantiveram-se intactas. Não é agora, por via das novidades sociais que o homem moderno (profundamente desconstrutivista) quer impor à força, que a Igreja vai mudar o seu curso seguro e confiante, apenas para fazer a vontade aos "novos tempos". Já dizia o Camões que as vontades mudam com os tempos. A Igreja, com a missão perene que tenta desempenhar, não pode ser escrava nem submissa às modas dos tempos e às vontades voláteis e instáveis dos homens.

Estou esgotado!!!
;)
Cumprimentos a todos, e obrigado pela intensidade do debate,

Afixado por Bernardo em 2 de dezembro de 2005, às 13:23

Extenuante de facto, embora para mim a coisa se resuma a um núcleo de uma a duas ideias, e justificar tudo com a ordem natural, posições doutrinárias ou a causa primeira é muito pouco para quem procura entendimento racionalista dos problemas.
A ordem natural há muito que foi modificada pelo homem a sua inteligência permitiu-lhe sair das cavernas e chegar a Marte nos outros campos as modificações também foram extraordinárias mas a insistência na ordem natural fez com que ao longo dos séculos a igreja perseguisse cientistas filósofos escritores etc, actualmente não o faz mas as posições dogmáticas mantém-se em vários níveis alguns eu ate acho “criminosos” caso do preservativo e sida. Métodos anticoncepcionais naturais, aborto etc há alguns anos que o homem já interfere nestes métodos no entanto a apologia pelo método natural mantém-se.
As posições doutrinárias são de varia ordem mas o edifício da igreja começa ai e S. S(P)aulo cidadão de dupla nacionalidade teve grande influencia na implantação no meio do império romano, depois Santo agostinho o Bispo de Hipona incutiu-nos o pecado coisa que ainda não nos livramos embora o pecado original recentemente a igreja tenha decidido acabar com uma etapa a caminho do paraíso para as crianças que morriam sem baptismo o chamado limbo, parece que vai desaparecer o que demonstra a criação humana do edifício religioso e que de certo modo começou oficialmente no concilio de Niceia onde se definiu a doutrina oficial e perseguiu os arianistas.
A causa primeira parece a argumentação para explicar tudo as criancinhas sem necessidade de investigar muito nem pensar nada.
Mas voltando ao problema a homossexualidade na admissão ao sacerdócio. A homosexualidade é de ordem natural, genética, emocional, afectiva, ambiental?um misto de tudo? Eu não sei. Por isso dizer que é de ordem natural o desiquílibrio para mim carece de comparação e confirmação. E isso é desiquilibrio? Em que aspecto? Justifcando pela ordem natural? acho que é matéria para a psicologia ou psiquiatria será que a igreja vai ter ficha clínica dos distúrbios emocionais na admissão ao sacerdócio?
Tudo isto para que? para discutir o sexo dos anjos? Não havia necessidade de falar em facções, a exigência da castidade aos seus membros chegava e depois eu acho que as qualidades humanas postas ao serviço de uma comunidade por um pároco não serão propriedade de uma qualificação qualquer mas analisadas caso a caso.
Mas enfim cada um convida para sua casa quem quiser na questão da admissão também é assim convida quem quer que a sirva e obedeça aos seus parâmetros. Possa eu entender, não significa concordar.

Afixado por leopard em 3 de dezembro de 2005, às 11:32

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