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novembro 30, 2005

O rosto com que fita é Portugal

Há 70 anos, morreu O Poeta.

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa
Foto tirada em 1929, na taberna de Abel Pereira da Fonseca

"A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.

O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto.

Fita, com olhar 'sfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.

O rosto com que fita é Portugal."

Mensagem - I - Os Campos - Primeiro - O dos Castelos

Afixado por afixe às 23:03 | Afixadelas (9)

novembro 29, 2005

Post Secret

Um dos blogs mais geniais que andam por aí acaba de publicar o primeiro livro.
Já está à venda aqui.
Vem mesmo a calhar. É a prenda de Natal perfeita!
Estão a ouvir, amiguinhos? ; )

Afixado por M. Butterfly às 15:34 | Afixadelas (17)

Terminações de palavra

Agora mesmo, no Fórum TSF:

- Convidámos para dar a sua opinião, Mário Cordeiro, psiquiatra;
- Não sou psiquiatra, sou pediatra;
- A terminação da palavra é a mesma.

Afixado por afixe às 10:42 | Afixadelas (6)

Ah, grande Juíz!

Ah, grande Juíz!

Afixado por Mário Cordeiro às 01:01 | Afixadelas (2)

Cruxi Afixações - Cruzes e Quadros

cruz3.bmp

Estudei em escolas públicas. Com e sem crucifixos. (doravante cruzes, por razões de economia tecleira)
Para os que não viveram a primeira das experiências, informo que as tais representações de Cristo se localiza(va)m invariavelmente por cima do Quadro. Quando falo em Quadro, não me refiro obviamente ao dos fusíveis, mas ao outro, aquele onde o Mestre transmite o saber, ou a vontade de aprender aos instruendos.
Quadro! Assim com maiúscula! O símbolo das escolas. Tudo o resto varia de um estabelecimento para o outro. Uns têm carteiras, outros mesas, outros devem ter coisas mais modernas, que eu desconheço, Uns têm bancos, outros cadeiras, mas Quadro todas têm.

Não sendo versado em ciências psicológicas, presumo que se isto não tivesse alguma importância, eu nem me lembraria tão nitidamente de tal imagem.

Imagino que o pensamento mais elaborado que, na altura, tive sobre tal simbologia, tenha sido do tipo...
Em baixo, no Quadro, o que é certo, aquilo que temos que saber, o que os nossos paizinhos esperam que aprendamos, a Verdade. Acima dele, a cruz.
De certeza que não tinha sido nenhum aluno a pô-la ali, e a professora também não, coitada. Ela mal chegava aos cantos superiores do Quadro. Aquela cruz fazia parte da escola. E estava por cima do Quadro. Não era por acaso. Acima do saber só Ele.

Esta lengalenga toda, para tentar situar a minha posição relativamente à polémica.
Não.
As escolas não devem ter símbolos religiosos que sejam parte integrante da escola. Não devem, por uma razão de igualdade. Conquistar liberdades à custa da igualdade é esforço inglório e de resultados ruinosos.
Segundo a minha concepção, que salvo melhor opinião é a que está subjacente na Constituição, todos têm que ter as mesmas liberdades, e os mesmos direitos, independemente da Crença (ou falta dela). Não faz sentido falar em liberdade religiosa, se ela não existir para todas as religiões.
Apliquemos ao caso concreto. A opção a não ter símbolos religiosos nas escolas, seria ter símbolos de características dimensionais idênticas, colocados paritariamente, representativos de todas as fés que se encontrassem representadas no universo de alunos (e porque não de professores e corpo auxiliar) desse estabelecimento. Não me parece grande solução. Qualquer outra limitaria necessariamente a igualdade de direitos dos religiosamente minoritários.

Nada do que disse até agora invalida obviamente que as criancinhas expressem das formas que tiverem por convenientes as suas crenças, ou as que lhes foram incutidas. Seja através da indumentária, ou das suas criações artísticas. Tão elementar é o direito de desenhar Pais Natal, ou Budas ou seja o que for, como o de poder recusar fazê-lo.
Também não acho que defender que os tais símbolos sejam retirados da mobília escolar das escolas públicas colida de alguma forma com o direito de cada indivíduo a poder usar cruzes, burkhas, turbantes, de fazer peças de natal, ou do festejar o Hannukah. Basta que não se imponha nada, não se obrigue a nada, e se permita a cada um expressar-se da forma que prefere. E isto serve, obviamente para outros campos que não o religioso.
Isto tudo para dizer que as escolas deviam aprender com os pais do Gibel e limitar-se a proporcionar aos alunos, aquilo de que eles realmente precisam "uma boa biblioteca, autonomia nas decisões, liberdade de espírito".

À escola não cabe direccionar, apenas mostrar os caminhos. E não é isso que acontece quando o Crucifixo está acima do Quadro.

Afixado por Jon às 00:03 | Afixadelas (6)

novembro 28, 2005

ratocustodio.jpg

Afixado por Gibel às 22:18 | Afixadelas (0)

A Tradição Realista

For Americans desirous of extricating the United States from the moral swamp into which the Bush administration has wandered, this largely forgotten American realist tradition that Scowcroft (and others) are trying to resurrect just might provide a useful map.

What's the essence of this tradition? To begin with, realists see politics as a never-ending competition for power. The president of the United States may be the Most Powerful Man in the World, but he can no more change the nature of politics than he can eradicate original sin. As a result, realists view ''world peace'' as a chimera. Saving the world is God's work. The statesman's obligation is to avoid cataclysm and to place limits on the brutality to which humankind is prone.

Not surprisingly, the realist prizes stability, recognizing that the alternative is likely to be chaos. This does not provide an excuse for inaction and passivity in the face of distant evils. Rather it counsels modesty of purpose and an acute sensitivity to the prospect of unintended consequences. For realists, the notion that globalization (according to Bill Clinton, channeling the neoliberal New York Times columnist Tom Friedman) will produce global harmony or that American assertiveness (according to George W. Bush, channeling Bill Kristol, editor of the neoconservative Weekly Standard) will ''transform'' the Greater Middle East is pure folly. Americans, wrote Niebuhr in his book ''The Irony of American History'' (1952), fancy themselves to be ''tutors of mankind in its pilgrimage to perfection.'' But the human condition does not admit perfection. ''We could bring calamity upon ourselves and the world,'' he warned, ''by forgetting that even the most powerful nations...remain themselves creatures as well as creators of the historical process.''

The Boston Globe

Afixado por Gibel às 21:33 | Afixadelas (0)

Repeat after me...

SC-logo-web.jpg

Existe um blogue chamado Sindicato das Crianças, onde, para além do nosso Mário, escrevem o Eduardo Sá e a Isabel Stilwell.

"Apesar de todas as melhorias que se têm verificado a vários níveis, Portugal não tem sido um país amigo das crianças. Não lhes dá a constância de cuidados que elas merecem, nos mais diversos níveis da educação. Tem sido desatento, em muitas atitudes da justiça para com elas. E vai promovendo omissões inquietantes, nos cuidados sociais e de saúde que lhes proporciona. A prática tem estado mais virada para o remediar das consequências decorrentes dos riscos e perigos que ameaçam a vida e o bem estar da Criança, do que para a prevenção e para a intervenção precoce. A ética do cuidar fica, muitas vezes, esquecida perante interesses, lobbies e pressões (com muita ignorância e arrogância pelo meio) que nem sequer imaginam que possam existir crianças, com necessidades a ser satisfeitas. E com direitos a ser salvaguardados. E com desígnios a ser cumpridos."

Já agora, os blogues, ao contrário do que parecem defender alguns patetas, não servem só para andar à porrada.

Mais a sério: visitem e comentem.

Afixado por afixe às 17:45 | Afixadelas (1)

Porque será...

...que nestas coisas do online booking, quando lêmos "nice clean hotel in the town center", ficamos sempre com a impressão que é melhor não arriscar?...

Afixado por Gibel às 17:15 | Afixadelas (6)

«Soltem os crucifixos!»

... pedem eles!

Bom, é evidente que tinha que responder ao desafio do Mário.
Já aqui no Afixe discorri largamente (demasiadas vezes e de forma demasiado longa) sobre a questão da laicidade e da exteriorização dos símbolos religiosos.
É legítimo retirar os crucifixos das Escolas portuguesas?
Penso que não.
É necessário fazê-lo para cumprir a Constituição?
Penso que não.

Interlúdio

Neste debate, não posso deixar entrar de forma descontrolada as minhas convicções e ideias pessoais, uma vez que, intelectualmente, ainda não me decidi de forma definitiva sobre a legitimidade da laicidade. Ou seja, ainda não me convenci de que a separação entre a Igreja e o Estado seja uma coisa boa em absoluto. Antes que caia o Carmo (e por arrasto, a Trindade), eu reitero aquelas palavrinhas do final, "em absoluto".
No estado actual do mundo moderno, e mais concretamente do nosso querido país, com o ambiente intelectualmente tão desfavorável a outra alternativa, reconheço que não se pode fugir muito ao modelo actual de "democracia laica". O que não me impede de, teoricamente, pensar noutros modelos ou reflectir sobre os inconvenientes e imperfeições deste modelo.
Mas adiante...

Fim de Interlúdio

Peguemos como facto assente na nossa Constituição, e nos seus pilares de Democracia e Laicidade.
É um facto que o Estado não tem confissão religiosa e não pode financiar nem patrocinar confissões religiosas em concreto. Ou seja, o Estado não pode pagar crucifixos para serem colocados nas Escolas.
Devolvo o desafio aos meus amigos que partilham da justeza desta recente decisão:
E se os crucifixos afixados forem doados a cada escola pela comunidade local?
Eu sei bem que não estou a responder a nada, apenas estou a colocar questões. Mas vou mais longe...
Será inconstitucional que um aluno use material escolar (papéis, lápis, canetas, marcadores, giz, carteiras, paredes, punaises, etc.) para desenhar motivos religiosos?
É inconstitucional que uma criança afixe um trabalho de desenho na parede da sala de aula onde seja nitidamente reconhecível um crucifixo, um Anjo, ou o Menino Jesus?
É inconstitucional que uma Comissão de Alunos e Pais delibere, num dado Natal, fazer um teatro de Escola subordinado ao tema "O Nascimento de Jesus", numa escola de aldeia onde todos os alunos sejam católicos praticantes?
Onde está a fronteira?
É essa a minha reflexão actual.
Tenho mais dúvidas do que certezas nesta matéria.
Mas o Estado, aparentemente, está cheio de certezas!
Vamos ver se não estamos a seguir na típica estrada do deslumbramento francês. Como sempre, Portugal imita a França. O que se segue? A proibição das cruzes nos fios ao pescoço?
Essa eu gostava de ver: o Estado proibir o uso, por parte dos alunos, de fios ao pescoço com cruzes que exteriorizem "agressivamente" o seu cristianismo!
Não será tudo isto uma patetice exagerada? Uma aplicação errada da Constituição a matéria que pode estar sob a alçada dos direitos individuais das pessoas e das comunidades?
Como bem disse o Gibel, a Constituição, e a bom ver, todas as leis do Estado de Direito, não estão feitas para deliberar sobre tudo o que mexe!

Afixado por Bernardo Motta às 17:10 | Afixadelas (28)

Confusões da Joana Amaral Dias

Não costumo visitar muito este blogue, mas lendo a posta do Gibel abaixo, não resisti a fazer uma resposta comentada a este recente texto de Joana Amaral Dias.
Na minha opinião, o texto é simplesmente inconcebível. Vamos lê-lo por partes:

A Igreja Católica decidiu proibir o sacerdócio a homossexuais.

A frase dá a ideia de que se trata de algo novo. A Igreja não mudou a sua doutrina nesta matéria. Como é que tanta gente não percebe a diferença entre a afirmação de uma posição nova e a reafirmação de uma posição pré-existente (que é o presente caso)?

Como é suposto os padres não terem orientações sexuais, ficam várias questões. Primeiro, os padres heterossexuais são permitidos?

Os padres não devem ter actividade sexual, mas podem, como toda a gente, ter "orientação sexual". Contudo, devem praticar a castidade. Uma obrigação que decorre do sacerdócio ao qual aderem livremente. Porque será que tantos pensam que o sacerdócio obriga a uma total extirpação da sexualidade do ser humano? Castidade é abstenção de prática sexual e não extirpação da sexualidade.

Segundo: Se a medida pretende, de algum modo, prevenir a Pedofilia, é completamente errada. A homossexualidade não tem nada a ver com pedofilia. E a pedofilia não vitima apenas rapazes. Aliás, a maioria das vítimas de pedofilia são raparigas.

Pasmo-me. De onde é que a Joana tirou a ideia de que esta tomada de posição tinha alguma coisa a ver com pedofilia? Onde é que ela leu a palavra "pedofilia" no texto da notícia?

Terceiro: sendo esta uma decisão discriminatória, pode uma Religião ir contra a Constituição?

Há aqui uma noção muito confusa do âmbito e alcance da Constituiçã,o e com a noção que a Joana tem de Liberdade em geral e das liberdades individuais. O Gibel já falou neste ponto e não vou insistir. A Igreja Católica pode estabelecer os pré-requisitos que bem entender para o seu sacerdócio, e a Constituição não é para aqui chamada!
A Joana Amaral Dias quer o fim da Igreja Católica, ou quer mudá-la para que ela passe a "obedecer" à Constituição? Se a Joana quer o fim da Igreja, pois que concentre os seus esforços nisso! Porque tentar acabar com uma institução, ao mesmo tempo que se tenta que ela mude, é uma grande contradição.
E já agora, para que a Igreja fosse "constitucional", qual a constituição a escolher? De que país?
Onde é que está a lógica deste texto?

Quarto, como é que exactamente pretende a Igreja Católica avaliar e determinar as orientações sexuais dos candidatos ao sacerdócio? E como é que, três anos depois, pretende avaliar se o candidato superou (mesmo supondo que isso existe) as suas orientações sexuais?

A Igreja tem locais apropriados para se inteirar dos pré-requisitos dos candidatos ao sacerdócio: esses locais chamam-se "Seminários". Se essa selecção e avaliação funciona bem ou mal, compete à Igreja determinar. De onde vem a preocupação da Joana com a eficiência deste processo interno da Igreja?

Esta posição da Igreja Católica, que não é nova mas que recebeu agora grande destaque, consiste em fazer do grave problema que tem- os padres pedófilos- um ataque aos homossexuais.

Foi isso o que a Joana leu? Deveria ler a notícia outra vez...

Em vez de resolver o crime que se passa no interior da sua própria organização, a Igreja Católica entende que passando ao ataque aos homossexuais dá a imagem à opinião pública que o problema vem de fora.

Se esta medida não traz nada doutrinamente novo, como a Joana (oh incoerência) tão claramente dá a entender que afinal até sabe, então porque é que isto seria um "ataque" aos homossexuais? Há razões de doutrina para esta tomada de posição, que não é nova. Sendo assim, discordando ou não das razões da Igreja, não entendo como é que isto pode ser visto como um ataque aos homossexuais (se assim fosse, a Igreja não os acolheria no universo dos crentes), e muito menos entendo o que é que isto tem a ver com pedofilia!
Se a Joana nos dissesse que, por exemplo, a Igreja "ataca" os hereges porque os expulsa e às suas heresias, ainda seria ligeiramente compreensível, apesar do peso desproporcionado do verbo "atacar", uma vez que uma decisão de expulsão pode ser legítima e justa sem ter que ser vista como um ataque.
Agora, sabendo a Joana (porque o saberá), que a Igreja não expulsa os homossexuais, em que pé fica este suposto ataque aos homossexuais? Um ataque incompleto?
Porque é que a Igreja não expulsa os homossexuais da comunhão dos crentes?
Será que a Joana alguma vez pensou nisto?
Parece que não.

Mas, lá dentro, e perante a própria exigência de celibato, as perversões sexuais continuarão, obviamente, a existir.

Ou seja, é a exigência do celibato que gera perversões sexuais?
E um celibatário que não seja sacerdote? Será sempre alguém sexualmente perverso?
Ou só os sacerdotes é que, com o celibato, se podem tornar pessoas sexualmente perversas?
Se não posso fazer sexo, tenho que praticar perversidades sexuais?
É assim?
Não sei se percebi a dedução da Joana, que ela reforça com um "obviamente", como se a premissa de celibato nos levasse, "obviamente", à génese das perversões sexuais no seio da Igreja.

Tanto quanto a eleição de bodes-expiatórios.

Que apenas existe na imaginação da Joana!
Que texto tão pateta...
Será que certas pessoas não se enxergam?
Será que não sabem que, para falarem sobre certos temas, devem ter conhecimentos sobre a matéria que escolhem comentar?
Para finalizar, há um enorme abismo entre estas duas realidades:

A) a legitimidade do Estado de Direito em intervir, através dos Órgãos de Soberania apropriados, na aplicação de penas a crimes cometidos por qualquer cidadão (mesmo sacerdote)

B) a ilegitimidade do Estado de Direito em se imiscuir em questões de liberdade religiosa e de liberdade de associação; o Estado não pode determinar as regras de organizações privadas como é a Igreja Católica; o Estado não pode proibir as opções morais e doutrinais dos católicos

Afixado por Bernardo Motta às 16:05 | Afixadelas (13)

Querido Paulo,

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Tenho andado tão off-line que só ontem, pela SIC, soube que já estava nos escaparates a tua nova aventura. Nota a ironia, um blogger sabe do livro doutro blogger (e que blogger) por intermédio da televisão.

Posto isto, e com mil perdões pela demora, aqui fica, pois, o nosso quinhão de publicidade, sem qualquer tipo de crítica, pois, como resulta óbvio, para além do pequeno aperitivo deixado on-line, ainda não o pude ler, mas com a certeza que não faço má recomendação - além do mais, já ouvi dizer que o 7º capítulo tem que se lhe diga.

"Tendo subjacente a parafernália tecnológica dos computadores e protocolos da Internet, a cada segundo que passa cruzam-se interesses comuns, surgem novas amizades e despontam paixões - ao sabor da palavra escrita num SMS, blogue ou página Web. Onde se passam esses encontros e o que é preciso saber para neles participar? Este livro dá-lhe as respostas. Contextualizando cada um dos três tipos de comunicação (instantâneo, diferido e assistido), o livro parte para as ferramentas ao alcance do cidadão comum, abordando-as sem complexos e ensinando o bê-á-bá para utilizar qualquer delas - do IRC ao Orkut passando pelo MSN, dos blogues ao podcasting passando pelas comunidades virtuais. Apresenta ainda case-studies, como o papel dos blogues na catástrofe de Nova Orleães ou as questões do plágio e anonimato. E entrevistas a utilizadores, do casal da blogosfera ao macho latino da PTNet. Uma espécie de manual de instruções para a nova realidade da comunicação."

Paulinho, e aquele coraçãozinho, hein?
Felicidades para as vendas.

Afixado por afixe às 15:56 | Afixadelas (1)

Danças de salão

Dançar o tango sozinho não dá mesmo gozo nenhum.

tango3.jpg

Para mim, está ao mesmo nível de sair à noite acompanhado de uma garrafa. Isto tudo para dizer que lamento o fim dos posts no BdE e que cada vez menos me identifico com a blogosfera dos tempos que correm, que, salvo honrosas excepções, cada vez mais se vai perdendo dividida em relatos circunstanciados, nem sequer analíticos, da imprensa do dia; e/ou em avenças com partidos ou candidatos.

O Afixe cá vai andando, mais morninho de pelejas, é certo - a não ser quando o JG vem com as suas bombas de Domingo, ou quando o Bernardo ou o Gibel se lembram de escrever um postal aos amigos incréus. De resto, sempre igual, sempre bom, o good-old-Afixe, com cada um a berrar para seu lado e, agora, sem ninguém a escrever sobre brasas, o que é óptimo.

Quanto à falta de porrada, até eu, calminho por natureza, estou a começar a pensar em atirar-me às trombas de alguém. E quem mais poderia ser senão esse arremedo de blogue que agora aí apareceu, chamado Clister X ou Ben-Uron Supositórios Y ou lá o raio que os parta.

Deus lhes valha.
Santinha!

Afixado por afixe às 12:09 | Afixadelas (5)

novembro 27, 2005

O SEXO, A BOMBA E OS "PEIXES"

No "Expresso" desta semana, a Carla Hilário Quevedo tomou todas as precauções para não voltar a cair na tentação da citação "exagerada". Vai daí, tratou de produzir um grande texto... a resumir as peripécias da última série de "O Sexo e a Cidade". A sério. Tal e qual. Quem come quem, quem fica com quem, etc.
Não consigo imaginar a quem interessará tal exercício: quem ainda não viu decerto não quererá que lhe estraguem as surpresas. Quem já viu, para quê ler aquele resumo de "TV Guia"?
Mas o melhor fica reservado para um outro texto, este dedicado à gripe das aves. Não se julgue que se trate de coisas sérias. A senhora aproveita para gracejar um pouco e rezar para que a descida de preços das aves em breve alastre a outros domínios zoológicos. "Talvez seja pedir muito, mas alguns peixinhos podiam também adoecer. Não se arranja uma influenza para a sapateira, a lagosta, o camarão tigre e para aquele salmão russo muito clarinho?"
Como disse? Peixinhos? Bem; nem tudo foi mau: em quatro, acertou num.

Afixado por João Garcez às 16:48 | Afixadelas (14)

Pode uma Religião ir contra a Constituição?

Estamos a viver tempos muito estranhos no que respeita a viver concretamente o que é isso da liberdade.

Dá-me a sincera impressão que quarenta anos de salazarismo formataram definitivamente em moldes inquebrantáveis os quadros mentais em que se move muita gente, sem qualquer generosa ou presuntiva distinção entre gente de esquerda ou de direita.

A pergunta rectórica acima é de Joana Amaral Dias. E não faz qualquer sentido, porque pura e simplesmente encerra em si um erro de lógica: a Constituição política de Um Estado não se destina a regular ou transmitir injunções normativas a tudo o que mexe , designadamente quando nos é conveniente. Também não se destina a determinar que o "Círculo Eça de Queirós" é contra a Constituição porque só aceita 33 membros e são quase todos, se não todos, homens, ou que a Grande Loja Feminina de Portugal é sexista e viola a Constituição porque recusa iniciar homens. Tecnicamente, diríamos, para usar um palavrão: essa intenção não está na esfera de protecção da norma.

Uma Constituição, antes de tudo, assegura a liberdade.

Em matéria específica de credos, apenas cabe à Constituição garantir a liberdade religiosa, sem intervir no conteúdo das doutrinas ou da organização dos mesmos, ainda que mereçam discordância deste ou daquele cidadão. Ou até, pasme-se, ainda que mereçam a discordância da maioria!

De igual modo, eu posso referir-me à tolice latente naquela questão rectórica e assegurar-vos que a mesma também não viola a Constituição, pois está ao abrigo da liberdade de expressão de quem a proferiu.

Afixado por Gibel às 15:44 | Afixadelas (2)

O crucifixo. Ai Deus e u é!

Mário,

meu estimado co-aphixador, o teu desafio suscita-me diversas respostas soltas, passíveis de desenvolvimento, designadamente do ponto de vista do sarcasmo. Mas fico-me por estas:

Uma resposta política: constitucionalmente, a República Portuguesa é aconfessional, e não laica, o que significa muito simplesmente que deve garantir a liberdade religiosa, não privilegiando credos específicos. Significa também que não existe uma Igreja ou credo nacional do Estado. Por outro lado, não é certamente por decretos de laicidade voluntarista dos órgãos da República Portuguesa que Portugal deixará de ser o que é sociologica ou historicamente. Preferencialmente, num país sem complexos provincianos importados, as escolas públicas deveriam poder exibir e conter as manifestações, valores e expressões das comunidades em que se inserem, seja numa escola de Loures, seja numa escola primária em Carrazeda de Ansiâes - todas as expressões, designadamente as religiosas, etnográficas, musicais, literárias, artísticas, etc. Deveria ser inclusiva da realidade cultural de uma comunidade e não exclusiva.

uma resposta irónica: espero sinceramente que, ficando rigorosamente discriminados os planos entre escolas públicas laicas e colégios religiosos, estes últimos se tornem bem mais selectivos na admissão dos seus alunos, designadamente, convidando os deputados laicos da Nação que os procuram para a educação dos respectivos filhos a entregarem os seus dilectos rebentos à sublime instrução da escola pública. Espero sinceramente que não esteja apenas reservada para a plebe a ditosa instrução laica pública!

uma resposta do ponto de vista de um cristão: podem levar o crucifixo. Estudei numa escola sem crucifixo. Não tive educação religiosa, nem na escola, nem na família. Não fui baptizado pelos meus pais. Estes apenas me proporcionaram aquilo por que basicamente lhes estou grato: meios materiais, uma boa biblioteca, autonomia nas decisões, liberdade de espírito e alguns genes sefarditas. Aos treze anos dei por mim na minha estrada de Damasco e aconteceu-me querer ser cristão. Tratei do meu baptismo e, hélas! juntei-me à seita, sem quaisquer constrangimentos. Por uma opção livre, pessoal e instransmissível. Posteriormente, deixei de me identificar com a prática religiosa e com a construção teológica de alguns dogmas da minha Igreja enquanto instituição e, por uma questão de honestidade comigo e com ela, adormeci dela. Continuo a saber o que é a Fé, e que o sagrado inclui e supera as margens do estritamente religioso, mas isso é lá comigo e com Ele.

De qualquer forma, não gosto de crucifixos. Prefiro o Agnus Dei.

agnus dei.jpg


Afixado por Gibel às 13:52 | Afixadelas (9)

Reflexões num domingo de sol

cristo.jpg
Salvador Dali - Cristo

Ontem "postei" uma coisa sobre salas de aula e crucifixos. Pensei que o assunto iria, de certo modo, ser pacífico. Um Estado laico e uma das muitas Igrejas (mesmo que a mais preponderante) devem manter relações cordiais, de cooperação, mas nunca de domínio. E o respeito pela igualdade de símbolos religiosos e de religião é determinante numa democracia não teocrática (haverá alguma que possa ser teocrática, ou será incompatível?).

Ao longo do dia de ontem ouvi várias declarações de "repúdio", "indignação" e "revolta" - não apenas da Igreja, como até eventualmente poderia ser de esperar, mas de partidos políticos laicos e de personalidades avulsas.
Se a Igreja decide, porque quer e com toda a legitimidade, tomar medidas dentro do seu seio, como ainda recentemente a história da ordenação de homossexuais mostrou, embora passível de comentários dos cidadãos, num país livre que somos (e parece que, às vezes temos medo de o ser), já me parece estranho que uma medida destas seja atacada com a violência com que o esta a ser, sendo o espaço, a sua organização e as decisões exclusivamente da competência de um governo laico de um país laico multiconfessional.
.
Vendo a cois por outro prisma: não acham que estarem crucifixos nas salas de aula e espaços das escolas, sendo escolas estatais, é um abuso da liberdade religiosa? Nas áreas onde as chamadas "minorias" são já um larga maioria nas salas de aula (vejam-se as escolas de Loures ou da Amadora), que diriam se fossem colocados símbolos islâmicos, animistas, indús, budistas?

Fica a questão, para mais uma discussão "Aphixiana", neste novo "milionénio".
Bernardo: I am calling you to the stand! Pedro: saca aí de uns argumentos. Blue, Gibel, todos e demais: vamos dar argumentação a ambas as partes.

Abraços "milionários"

Afixado por Mário Cordeiro às 12:47 | Afixadelas (5)

Afixe - dois milhões de visitas

Afixe - dois milhões de visitas

Afixe - dois milhões de visitas

Afixado por afixe às 00:01 | Afixadelas (12)

novembro 26, 2005

Amigos, amigos, negócios à parte...

Acho bem...

Afixado por Mário Cordeiro às 15:29 | Afixadelas (1)

novembro 25, 2005

Há 30 anos

Fartaram-se de Barreirinhas, chegou o tempo do salto em altura.

e

Os meses de Novembros continuaram a ter mais de 24 dias.

Thank God

Afixado por afixe às 23:59 | Afixadelas (0)

O Quinto Beatle

Há uns dias que a imprensa britânica anunciava que estava por um fio. E não passou de hoje.
Apagou-se um dos maiores talentos que alguma vez pisou um relvado de futebol. Respondia pelo nome de Best, George Best - A criança que teimou em não crescer, e que passou pela vida, quase com a mesma velocidade que usou para deixar especados os defesas adversários e em delírio absoluto o público do teatro dos sonhos !

Para aqueles, que como eu, nunca tiveram o prazer de o ver jogar, deixo o relato de quem assistiu de perto à magia do norte-irlandês.

Five minutes into the game, he received the ball wide on the left. Instead of heading towards goal, he turned directly infield, weaved his way past at least three Dutchmen and found his way to Cruyff who was wide right. He took the ball to his opponent, dipped a shoulder twice and slipped it between Cruyff's feet. As he ran round to collect it and run on, he raised his right fist into the air.

Only a few of us in the press box knew what this bravado act really meant. Johan Cruyff the best in the world? Are you kidding? Only an idiot would have thought that on this evening.

Pela minha parte...Long live King George ! May you stay forever young.

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Afixado por Jon às 19:40 | Afixadelas (0)

Certezas absolutas

Já está no ar o blogue-revelação de 2006.

aspirina2.jpg

Com tal equipa de enfermeiros (Nuno Ramos de Almeida, João Pedro da Costa, Luis Rainha, Júlio Roriz, José Mário Silva e Valupi - sublinho os que conheço e por cuja sã loucura respondo), não há que enganar. É sucesso garantido, ainda para mais tendo em conta que o bicho é antianalgésico, pirético e inflamatório.

Boa sorte aos curandeiros! Muitas mezinhas e poucos clisteres (sempre desaconselháveis por causa do retro-esguicho).

Afixado por afixe às 16:08 | Afixadelas (3)

Bazar Nórdico - correcção

O Bazar Nórdico é amanhã, sábado, mas no Novo Pavilhão do Dramático de Cascais (na Guia) e não no Centro Hoteleiro do Estoril, onde até agora costumava ser.
Coisas de nórdicos!

Afixado por Mário Cordeiro às 00:57 | Afixadelas (1)

novembro 24, 2005

Continuando na mesma onda...

Acabo de regressar de uma semana em Amsterdam.
Não sei se já aqui o disse, mas é uma das minhas cidades preferidas. Por muitas razões (como sempre, aliás, é raro haver só uma razão para o que quer que seja...), mas que desconfio estão mais ligadas às coisas que ali vivi do que ao facto de a cidade ser genuinamente bonita e as pessoas verdadeiramente acolhedoras (pelo menos a maior parte das vezes...).
Lembro-me da primeira vez que cheguei à estação central, com os ouvidos cheios de conselhos (-Olha que aquilo é perigoso, só drogados e pickpockets e gajos preparados para te vender por meia dúzia de camelos!), e depois de ter dado uma vista de olhos pelo guia American Express, que não só me avisava para não comprar drogas de quem mas viesse oferecer na estação (Valha-me Deus!!) mas também me informava que o hotel que me tinham reservado (bom trabalho, pessoal!) ficava mesmo no início do Red Light District. Saí portanto do comboio ostentando a minha melhor imitação de um olhar blasé, e a tentar dar a ideia de não ser uma turista (apesar do óbice do trolley que se arrastava atrás de mim e do facto de, mesmo depois de ter visto o mapa, não ter muita certeza de onde era o hotel). Lembro-me de ter desistido de fingir que sabia para onde ia depois de um certo tempo a andar ao frio, e de ter decidido entrar um café qualquer para perguntar onde ficava a rua do hotel, e da sensação de isto-não-me-está-a-acontecer quando percebi que os únicos cafés à vista eram Coffee Shops (que na minha ignorância imaginava serem antros de devassidão e festas hard-core – e não os sítios sossegados de casais a beberem café com leite e a fumarem descansadamente o seu charrinho que descobri serem depois). Devo dizer-vos que fui especialmente azarada, porque o Coffee Shop onde acabei por entrar (era o mais perto e tinha uma mulher ao balcão, coisa que na altura me pareceu indicar que seria mais seguro) era um exemplar particularmente sórdido da espécie. Mas acabei por saber, depois das dificuldades habituais resultantes da impronunciabilidade da língua holandesa (a sério, há anos que vou a Amsterdam regularmente e ainda não consigo pronunciar correctamente o nome das ruas), que o hotel ficava na rua ao lado. Chegar ao hotel e perceber que aquilo era mesmo o início do Red Light District (indescritível, a primeira impressão) foi outro choque, e quando me deram um quarto sem janelas (só assim umas nesgas de luz junto ao tecto) pensei que não ia sobreviver à experiência. Mas acabei por conseguir mudar de quarto, e logo a seguir saí para jantar com um amigo (um holandês que tinha conhecido em Paris), dei o meu primeiro passeio pelos canais à noite (é lindo, o reflexo das luzes na água, visto numa das pontes sobre os canais!), e comecei uma relação amorosa que já dura há 5 anos com a cidade.
Mas isso são tudo pormenores.
Amsterdam foi a cidade em que enfrentei os meus medos e tive as minhas primeiras reuniões com gente que sabia trinta vezes mais do que eu e percebi que não me iam ridicularizar, a cidade onde tive os jantares mais loucos da minha vida, a cidade onde provei que os vinhos portugueses são os melhores da Europa, quiçá do mundo (estava um vinho californiano em competição), a cidade em que fumei (boa) erva pela primeira vez, a cidade onde testei com sucesso os limites de uma amizade muito importante para mim, a cidade onde tive o meu primeiro one night stand, a cidade onde ultrapassei tantos dos meus limites.
Por tudo isto, também esta cidade faz parte de mim, como se lá tivesse vivido. E é sempre bom regressar, mesmo para uma semana de all work, no fun. Volto a Colónia revigorada.

Afixado por M. Butterfly às 22:14 | Afixadelas (10)

Só faltam dois dias

Para o BDE...[embarga-se-me o teclado só de escrever a palavra]...acabar...e ainda não consegui encontrar as palavras certas e bem abotoadas, épicas e redentoras, categóricas e luminosas, intensas e emocionadas, prenhes de amizade e gratidão e bem assim com o feng-shui apropriado para lhes dizer até sempre.

Afixado por Gibel às 19:55 | Afixadelas (2)

Minhoquices

Andam meia dúzia de “nós-queremos-é-derrotar-cavaco” a retirar absurdas conclusões das faltas de comparência dos, assim chamados, representantes da candidatura de Cavaco Silva – do mandatário nacional, da mandatária para a juventude e, hoje, do director de campanha - nos debates promovidos pela Antena 1. Que o homem não fala, que ninguém da campanha dele fala, que é a lei da rolha. Ya-da-ya-da-ya-da…

Já agora, gostava que essa meia dúzia de indignados me informassem em que é que as palavras de Lobo Antunes, Kátia Guerreiro ou Miguel Relvas podem minimamente alterar ou contribuir para alterar o sentido de voto de quem quer que se seja, ou ser sustento do mesmo.

Melhor dito, gostava que algum iluminado me esclarecesse, designadamente, em que sentido e até que ponto, as palavras de Kátia Guerreiro, que ontem faltou ao ilustrativo debate com um tal de Pac Man (que parecia nem saber bem o que estava ali a fazer), com o vocalista e letrista dos Blind Zero (que também é comentador desportivo), com o bicho carpinteiro Joana Amaral Dias (que também é bloquista) e ainda com outro fulano, funcionário da JCP, até que ponto dizia eu, é que a falta de comparência da fadista contribuiu para que alguém possa, razoavelmente, dizer, , assim não voto Cavaco.

Dito de outra forma, em que é que as opiniões de Kátia Guerreiro, Lobo Antunes ou Miguel Relvas podem ser governo do voto de alguém? Em suma, acho que fizeram muito bem, os três, em não comparecer aos so called debates. Entrevistas individuais ainda vá, agora debates entre meros símbolos de campanha, os dois primeiros, e estrategas de jogo, o último?

Ganhem mas é juízo, deixem-se de questões despiciendas e conformem-se com o inevitável.

Ele está aí para ganhar! E sem precisar de dizer quase nada.
A memória de dez anos de Governo parece chegar - por muito que vos custe.

Afixado por afixe às 17:17 | Afixadelas (12)

Thanksgiving day

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(c) Brian Fairrington

Afixado por Gibel às 09:27 | Afixadelas (2)

Bazar Nórdico

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No próximo sábado, dia 26, sábado, no Centro Hotelerio do Estoril, a partir das 9h, decorre o Bazar Nórdico, no qual estão representados os países escandinavos, com diversos produtos nacionais e uma venda de livros, bibelots e outras coisas dadas pelos sócios do clube, predominantemente suecos, noruegueses, dinamarqueses e finlandeses.
Para além de jogos e do desfile de Santa Lucia (em que as raparigas estão vestidas de branco, com coroas de flores), há vinho quente com canela, waflers, e o inevitável "polse met brod" (traduzível por "cachorro-quente mas diferente").
Vale a pena, mas quanto mais cedo chegarem, mais opções de compra terão, como é lógico!

Afixado por Mário Cordeiro às 08:45 | Afixadelas (3)

novembro 23, 2005

Espelhos

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Jake Bladdeley

Afixado por Gibel às 19:37 | Afixadelas (2)

Perdoa-lhes, Senhor, Eles não sabem o que dizem...

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Mais uma vez um comentário alonga-se-me e faço dele post. Menos mal, até porque tenho sido pouco assíduo. É sobre a Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) e os gays.

A ICAR que estipule as suas regras. Está no seu direito, e se quer dirigir-se para o suicídio a passos lentos, bom proveito. E a ILGA que comente o que bem entender, inclusive os assuntos da ICAR, até porque esta comenta, e está no seu direito, assuntos que lhe não dizem respeito, inclusive os da ILGA. Eu, que não pertenço a nenhuma das duas, também comentarei, sempre que me apetecer, os assuntos de uma e outra.

Fechado o círculo, quero sublinhar a tristeza com que ouvi esta manhã na TSF o padre e teólogo Joaquim Carreira das Neves, que aprendi a respeitar, por exemplo, nas páginas da revista Actual, do Expresso. Diz o sacerdote, para justificar a medida de Ratzinger et al., que os homossexuais [presume-se que homens, porque padres] tendem a ligar-se mais ao sexo masculino, pelo que a sua chegada ao sacerdócio faz com que as mulheres se sintam excluídas. E alude a alguns padres que, diz, têm essa atitude, que muito magoa as mulheres que trabalham na ICAR.

Ora, desculpem lá, mas isto brada aos céus de estupidez. Os homossexuais, como o nome indica, ligam-se mais a homens NO SEXO!!! NA CAMA!!! (ou, for the matter, na banheira, ou na praia, ou diante da lareira..., não sejamos esquisitos!). Na cama e na vida conjugal, para os que optam por ela, e ainda bem que há países que lho permitem. (nota: tudo isto vale para os homossexuais estritos; os que são bissexuais, alegre-se o senhor padre, não excluem a mulher de nada disto, incluem tudo)

Voltando à vaca fria, lembremos que na vida há muitas dimensões além da sexual (e ainda bem, mal faz a ICAR se só pensar em sexo). E dessas os homossexuais não excluem as mulheres. Relacionam-se com ambos os sexos. Homossexualidade é só preferir fazer sexo com pessoas do mesmo sexo. Negar a existência da mulher, rebaixá-la ou excluí-la, não é homossexualidade, é imbecilidade.

Os gays, padres ou não, não deixam de falar às mulheres, nem de tê-las por amigas. Ou melhor, se o fizerem, não é por serem gays. É por serem parvos. Também o fariam se não fossem homossexuais. Infelizmente, a imbecilidade a que me referia no parágrafo interior está muito disseminada neste mundo. Inclusive - e não meigamente - pela ICAR. Que se calhar até magoa algumas mulheres que nela trabalham (e outras) pela sua visão amesquinhante do sexo feminino. E do sexo, tout-court.

Aos clérigos que receiem a exclusão da mulher pelos maléficos homossexuais, sugiro um tira-teimas: averiguem se os padres homossexuais actualmente já ordenados e em funções (que também não são poucos), que tanto magoam as mulheres, levam essa atitude a extremos e excluem das suas preces a Nossa Senhora.

Afixado por Pedro Cordeiro às 19:05 | Afixadelas (17)

A direcção do Progresso

Alguns comentários a uma notícia no Público (mas que saiu um pouco por toda a comunicação social) que tem entusiasmado muita gente hoje, apesar de não trazer practicamente nada de novo...

A associação de "gays" e lésbicas ILGA Portugal lamenta a proibição da ordenação religiosa de homossexuais imposta pelo Vaticano e classifica esta decisão, que será oficializada na próxima semana, como "mais um erro histórico" da Igreja Católica e um retrocesso em relação às orientações de outras igrejas.

Por muito que me espante o interesse da ILGA Portugal em proteger os interesses dos gays (e porque não das lésbicas) no que toca ao acesso ao sacerdócio, devo dizer que o facto de a Igreja Católica marcar a diferença em relação "às orientações de outras igrejas" é, para mim, um óptimo sinal.
De facto, há duas formas de ver o problema:

1. A usada pela ILGA: ou seja, a Igreja Católica está em "retrocesso", enquanto que as "outras igrejas" estão em "progresso"; mais uma vez, um óptimo exemplo da preferência do pensar moderno pelo conceito enganador do Progresso, e pelo uso criterioso desta palavra mágica;

2. A oposta à usada pela ILGA: ou seja, a Igreja Católica seria a única que não estaria em retrocesso.

São formas exclusivas. Se uma está certa, a outra está errada.
Dá que pensar, não dá?
Veja-se a quantidade de coisas que cabem dentro da caixa do Progresso: o aborto livre é "progresso", o sacerdócio para os gays e lésbicas é "progresso", a manipulação genética de embriões humanos é "progresso", o abandono de uma religião é "progresso". Admirável mundo novo, este que se aproxima, hã?
Vejamos o resto da notícia...

"Julgamos que se trata de mais um erro histórico, numa longa história com bastantes erros da Igreja Católica Apostólica Romana, num momento em que, precisamente, as outras igrejas, mostram uma boa filosofia de inclusão, nomeadamente, a Igreja Anglicana e recentemente na Igreja Sueca, que, inclusivamente põe a hipótese de abençoar as uniões entre as pessoas do mesmo sexo".

Vou descodificar. Paulo Côrte-Real, o dirigente da ILGA Portugal, diz julgar que se trata de "mais um erro histórico". Caro leitor, eu ajudo. Ele quer dizer que a recusa do acesso dos homossexuais ao sacerdócio é um erro histórico. Olhe, assim como foi a Inquisição, por exemplo! A mente moderna conhece bem este erro histórico da Igreja Católica, e assim, a negação do sacerdócio aos gays é um pouco como uma Inquisição outra vez, mas agora contra os gays! Tudo erros históricos!
Ah, o poder das palavras...
Continuemos. Segundo Paulo Côrte-Real, as "outras igrejas" mostram uma boa "filosofia de inclusão" (sic)! Numa total ignorância (intencional) dos requisitos da ordenação sacerdotal, este senhor defende a "filosofia de inclusão" das "outras igrejas". Sim, as "outras igrejas" são as "igrejas boas", ou se quisermos ser mais intelectuais, são as "igrejas progressistas".
Agora o leitor está mesmo confuso! Mas então os activistas gays não costumam, pelo menos aqueles que vemos mais nas televisões e nos jornais, demonstrar um desprezo pela atitude religiosa? Então como é que existiriam igrejas boas?
Pois é. Grande confusão!
Mas parece que, para a ILGA Portugal, são boas as Igrejas protestantes que querem dar o passo em frente para o aval ao matrimónio gay, e que gostam da diversidade colorida que os gays e as lésbicas trazem ao seu já misto e animado sacerdócio.
Agora mais a sério, todas estas questões, como a da ordenação das mulheres, a da validação do matrimónio religioso homossexual, ou como a do acesso dos homossexuais à ordenação, são tudo questões mais intimamente ligadas do que poderíamos supor. São todas questões que nos mostram claramente os "sinais dos tempos".
A Reforma protestante marcou na História o ponto de viragem e o nascimento da já complexa árvore protestante. São precisos anos de experiência para dominar, mesmo superficialmente, o complexo mundo matizado do protestantismo. Eles são luteranos, adventistas, calvinistas, baptistas, metodistas, evangélicos, e infinitas outras variantes. Consciente do risco que corro ao escrever isto, a árvore do protestantismo representa para mim a realidade do cristianismo fragmentado.
É na direcção da fragmentação do cristianismo que corre o rio do protestantismo. É esta, segundo os "novos pensadores", a direcção do futuro!
A direcção do PROGRESSO!

Afixado por Bernardo Motta às 19:02 | Afixadelas (7)

versão gay do "penis captivus"*?

«À luz deste ensino, é considerado necessário dizer claramente que a Igreja, que respeita profundamente as pessoas em questão, não pode admitir no seminário ou nas Ordens Sagradas aqueles que pratiquem a homossexualidade, apresentem tendências homossexuais profundamente enraizadas ou apoiem a chamada cultura gay»

[TSF]

* Penis captivus is a possible urban legend describing an event that allegedly happens in rare instances during heterosexual intercourse when the muscles in the vagina clamp down on the penis much more firmly than usual, making it impossible for the penis to withdraw from the vagina regardless of erection status.

Afixado por afixe às 10:52 | Afixadelas (13)

novembro 22, 2005

Apesar dos queixumes do Ricardo Alves, hoje eu não vou perseguir nenhum ateu

Estou totalmente de acordo com a Mariana. O art. 14º do Decreto-Lei n.º 231/93 - Lei Orgânica da Guarda Nacional Republicana - que estabelece que é consagrado o dia 16 de Julho a Nossa Senhora do Carmo, alegada padroeira daquela legião de criaturas, deve efectivamente ser revogado com carácter de urgência. A bem da reputação da Santíssima Senhora.

Afixado por Gibel às 19:10 | Afixadelas (10)

Mais Diálogos com Helena à beira rio

- Helena, como danças?

- Como criança, como a criança que era, que esquecera, que recordei, que voltei a ser. Como ser. Danço como ser. Quando danço não possuo. Sou livre e o mundo é livre. É a minha cosmética. De manhã, antes de entrar no mundo, há quem se pinte, há quem se alegre. À noite, antes de entrar no cosmos…

- No cosmos?

- Na ordem.

- Na ordem?

- É o que significa cosmos. A ordem depois do caos. De dia danço no caos, de noite danço na ordem. No cosmos. A ordem do movimento do sol e da lua e dos outros corpos. Os corpos dos mortos nas recordações dos sonhos, os corpos dos vivos na recordação do ser, os corpos celestes na recordação do nada. E cresço. Na ordem, medro. No caos aprendo a coar…

- Aprendes a…

- Sim. Nunca viste fazer queijo? Em pequena eu vi. É como uma dança. Agora que sou maior recordo o coar e escolho. É a virtude do caos. A liberdade.
- ?

- Só aprendes a liberdade no caos, o lugar da escolha. Se não tens escolha não és livre. Podes ser um prisioneiro dourado, mas não és livre.

- E a dança?

- É o teu destino a que não podes fugir. Mais cedo ou mais tarde irás dançar. Não podes fugir a isto. Apenas podes escolher o momento.

Helena rodou sobre si mesma e entrou num raio de sol que brilhava no pêlo do gato.

http://risocordetejo.blogspot.com/

Afixado por Gibel às 17:45 | Afixadelas (0)

Justiça soberania em greve?

Como é evidente, a autoridade do Estado depende muito da dignidade socioeconómica e institucional dos políticos e dos juízes (aqueles a quem o Estado confia a missão de julgar os ilícitos).

Por isso, está fácil de ver que Portugal, como Estado, tem pouca autoridade!

E é evidente que a responsabilidade desta situação, numa democracia, é sobretudo dos parlamentos e dos governos. Especialmente quando estes dois órgãos de soberania tratam os juízes como funcionários. Por exemplo, a artificial equiparação entre juízes e entre outros cargos públicos é um erro financeiro e institucional muito grave.

No meio da incompetência legislativa dos últimos 30 anos, temos um quadro difícil de apreender. Assim o juiz é, além do Presidente da República, do deputado e do membro do Governo, titular de um órgão soberano do Estado; mas qualquer director de finanças tem uma remuneração global mensal superior à de qualquer juiz de comarca; o juiz não tem horário nem horas extraordinárias e tem exclusividade de funções e de rendimentos, como o militar; qualquer chefe de serviço hospitalar público tem remuneração semelhante à de um juiz de comarca, a que acresce a profissão liberal; o juiz não dispõe de qualquer secretariado, ao contrário das chefias militares; o juiz não dispõe de automóvel e motorista pagos pelo erário público, mas as muitas chefias militares (e policiais) dispõem; os militares podem deixar o activo antes dos juízes; o apoio à saúde dos militares foi e é muito maior do que o apoio à saúde de quem depende do Ministério da Justiça.

Nivelar por baixo e igualar é, às vezes, profundamente injusto e ineficaz! Como já se viu e voltará a ver.

2. A actual situação na justiça nacional é consequência da passividade dos juízes face ao legislador e, sobretudo, da actuação ora ingénua, ora "amiguista", ora insensata do poder legislativo.

Por isso, estamos num beco sem saída, sobretudo em termos de eficiência na área tributária, na área cível e na área criminal.

Os políticos ora tratam os juízes com respeito, ora tratam-nos como funcionários. Os políticos entregaram os serviços administrativos judiciários à "autogestão". E os juízes têm hesitado entre uma conduta própria de titulares de órgãos de soberania e uma conduta própria de funcionários hierarquizados, o que se justifica pelo facto de o poder político só se lembrar dos titulares da função jurisdicional, como tal, quando isso lhe convém, contra eles os juízes, e também pelo facto de o estatuto socioprofissional dos juízes não ser minimamente exclusivo ou diferenciado (pense-se no facto extraordinário de os novos juízes dos tribunais administrativos e tributários terem remuneração muito inferior à dos representantes do Ministério Público junto desses tribunais).

E é verdade que algumas (!) das vozes que criticam o direito à greve dos juízes optaram no passado pelo silêncio, quando os governos "funcionarizaram" a judicatura.

3. Já sabemos que a questão das férias judiciais não é importante na actual insatisfação dos juízes portugueses. As recentes atitudes e comportamentos do Governo foram, simplesmente, a gota de água num copo cheio e passivo há vários anos. Naquelas se insere o facto de o apoio específico (não especial) na saúde em diversos pilares fundamentais do Estado só vir a acabar em 95% da área da justiça (e não em relação a todos), mas continuar a existir nas forças militares e policiais.

A questão das finanças públicas judiciárias é importante. No entanto, os governos, ao "funcionarizarem" os juízes desde 1978, tornaram impossível uma realidade básica e decisiva neste sector pensar a função dos juízes e dialogar com eles de forma diversa da que é feita com as funções não soberanas do Estado. Sem isto, a mudança e a dignificação serão impossíveis!

4. A anunciada greve dos titulares da função judicial, após uma greve dos magistrados agentes do Ministério Público e dos funcionários de justiça, terá consequências estatísticas e financeiras muito graves a médio prazo.

Será mais sensato e eficiente (!) o Governo tratar a função dos juízes e os juízes como questões de Estado muito elevadas (seria a primeiro vez em 28 anos), dialogar com a função jurisdicional de forma diversa da que é feita com as restantes funções judiciárias e auscultar (ainda que brevemente) os presidentes dos conselhos superiores e dos tribunais superiores e depois, com coragem e rapidez, fazer as mudanças que, com a sua legitimidade, considerar necessárias.

Se o Estado não valoriza social e institucionalmente os seus juízes, quem o fará?

Paulo Pereira Gouveia, Juiz de Círculo
DN, 6 de Outubro de 2005

Afixado por pTd às 16:45 | Afixadelas (0)

Música na Estrela

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A missa da coroação, de Mozart e a Suite Orquestral nº 3 em Fá maior, de Bach, na Basílica da Estrela. Sábado, 26, pelas 21h30. De borla.

Afixado por Gibel às 12:40 | Afixadelas (3)

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(c) Patrick Corrigan

Afixado por Gibel às 11:45 | Afixadelas (0)

Terei lido bem?!?

Leio esta notícia no Blog Olissipo, e fico perplexo...

O presidente da Câmara de Lisboa, António Carmona Rodrigues, mandou embargar a construção de um complexo na estação ferroviária do Rossio por falta de licença para a obra, aprovada pela autarquia no anterior mandato.

Será influência do vereador Sá Fernandes? Houve "autárquicas intercalares" em Lisboa, entre Santana e Carmona?
Ajudem-me a resolver a minha perplexidade!

Afixado por Mário Cordeiro às 00:02 | Afixadelas (3)

novembro 21, 2005

Lusos Infernos

expresso.JPG

Esta notícia do Expresso é a prova definitiva que esta súcia sem rumo feita país, mesmo quando seria de esperar que o fundo do fundo já tivesse sido atingido, é capaz de inventar níveis de subsolo que não lembraram ao maligno.

Em todos os aspectos, a "confidência" do Expresso, independentemente das fontes serem ou não fidedignas (sai uma micro-causa), é a revelação iniludível da descida aos infernos da res publica lusa.

Nem sei o que me devia chocar mais: se a substância da "notícia", refiro-me, claro, à dupla revelação de escutas (por quem as fez e por quem as publicou) que, a terem existido, deviam ter sido imediatamente eliminadas, por não revestirem matéria criminal (essa sim, é a vera notícia - o processo que culminou nas revelações, e não a que formalmente aparece como tal - aqui, é notícia a notícia); se a "venda" da informação ao 1º poder em que cada vez mais se consubstancia a comunicação social (poder de per si, já nem falo em sentido instrumental); se o aparecimento da "notícia" num jornal que já foi o Expresso; se o uso por este da palavra "surpreenderam" no contexto em que a mesma vai inserida.

Digo devia, pois neste charco lamacento já nada me choca.

Amos Nattini, Inferno, Canto III, 1919-30

Rebola na cova, Príncipe Perfeito! Vê o que fizeram ao teu Graal d'álem mar. À tua política de sigilo, que há-de ter mandado o que se quis chamar Colombo engodar os espanhóis com as Índias Ocidentais, segue-se ora esta espécie de aquário de águas fétidas onde todos sabem de todos o que nem os próprios sabem de si.

Hoje li o jornal e fiquei a saber que matei um homem! Embora com álibi real e verosímil, fui-me entregar voluntariamente, pois aceito o destino das parangonas, como qualquer mortal bem-educado se deve resignar ao acaso do corisco que lhe levou o filho. Assim é. Em Novembro de 2005.

Afixado por afixe às 22:33 | Afixadelas (6)

Maçã com bicho...

praxe.jpg


ESCOLA AGRÁRIA
Seis alunos de Santarém vão ser julgados por praxe violenta
Pela primeira vez em Portugal foi decidido levar o caso de uma alegada praxe académica violenta a julgamento. A decisão foi tomada pelo juiz de instrução criminal de Santarém. O caso remonta a 2003 quando uma estudante denunciou ao então ministro do Ensino Superior denunciando praxes que classificou como tortura.

( 18:53 / 21 de Novembro 05 ) - TSF


(...)
Mas há quem ache
graça à praxe
É divertida (Hi-hon)
Lição de vida (Ão-ão)
Maçã com bicho
acho eu da praxe
É divertida (Mé-mé)
Lição de vida (Piu-piu)
Maçã com bicho
acho eu da praxe

(...)

Sérgio Godinho

Afixado por Mário Cordeiro às 21:26 | Afixadelas (0)

Quer-me parecer que temos para aqui uma P2

Na irmandade onde seria suposto erguer templos à virtude e cavar masmorras aos vício, para melhoramento do edifício da humanidade (pelo menos, é o que costumava ensinar o catecismo)

Há meses, na ressaca dos sobreiros, o Público, numa prosa assinada por António Marujo, falava na indisposição e incómodo que em certos sectores estaria a causar o facto (conhecido) de Abel Pinheiro ter estado sobre escuta. Esses sectores eram, segundo noticiava o Público, nada mais, nada menos, da Maçonaria, mais precisamente do GOL/Grande Oriente Lusitano - então a atravessar um conturbado processo de eleições internas, onde Abel Pinheiro, 'tesoureiro' da candidatura que acabou por vencer, tinha um papel chave e relevante. Ora, convém explicitar que não é só Abel Pinheiro que é do GOL, essa conhecida associação secreta que se dedica à filantropia platónica. Rui Pereira, o tal que ia ser (PGR) mas não foi, e Marques da Costa, o tal que apenas se apresenta como o principal conselheiro de Jorge Sampaio, também são. E é aí que reside o pânico. A discutir a sucessão do PGR não estavam dois dirigentes políticos e um conselheiro presidencial, mas sim, tão somente, (pelo menos) três veneráveis irmãos maçons.

Não é pois por acaso, que hoje, Paulo Portas, pela voz de Nuno Melo, líder parlamentar do PP, veio 'pedir' esclarecimentos à PGR a propósito das 'tais' escutas. Portas, que nisto Melo não conta para o totobola, a 'pedido' da irmandade, e do PS, mas não só, vem na prática interceder e apelar à destruição de escutas validadas e devidamente transcritas num processo judicial em curso. Ironicamente, Nuno Melo, cuja habilidade nunca foi famosa, trai-se quando afirma que a notícia do Expresso é 'factualmente falsa , pelo menos no que diz respeito ao CDS', já que, na prática, isso significa, e confirma, que Abel Pinheiro não falava em nome do PP, como dirigente político, mas sim como uma das eminências pardas do GOL (onde aterrou no rescaldo das 'aventuras' da Casa do Sino/Universidade Moderna...).

Manuel na GLQL

Afixado por Gibel às 20:41 | Afixadelas (1)

Revisionismos

Através deste post do Filipe chego a um notável apontamento sobre esse grande herói das liberdades cívicas demo-liberais que foi o ilustre senador McCarthy. O cerne do equívoco em que radica o raciocínio da Sra. Ann Coulter é bastante simples de desmontar, pelo menos para um jurista. É que em direito penal uma coisa é a categoria dos crimes designados "contra a segurança do estado" (caso da espionagem em favor de países terceiros) - previstos e puníveis em qualquer democracia civilizada. Obviamente instruídos, investigados e julgados em sede de poder judicial (e não pelo poder legislativo ou executivo através de comissões parlamentares). Já coisa bem diferente é a categoria dos "crimes políticos", tipificação imprópria de democracias, designadamente a americana. Provar que dez, cem, ou mil cidadãos que até eram comunistas, como podiam ser criadores de pássaros, espiaram para a União Soviética e responsabilizá-los criminalmente por isso - o que está correcto - não legitima nem justifica qualquer bondade ao poder político para desencadear um processo para os perseguir por serem comunistas, ou seja, em razão de uma ideologia, como executou de forma sinistra o senador McCarthy.

Afixado por Gibel às 16:36 | Afixadelas (1)

novembro 20, 2005

Algo que o nosso confrade João Garcez certamente terá muito gosto em esclarecer

"Talvez o envolvimento do público no mesmo espaço me tenha levado a imaginar se haveria contacto entre o público e os actores durante a representação das tragédias"

Carla Hilário Quevedo in Única

Afixado por Gibel às 23:28 | Afixadelas (8)

Estou desolado...

Também é certo que a única coisa que me liga ao Brasil é a viagem de finalistas feita em 94, mas não esperava esta notícia, que hoje, de forma abrupta, me invadiu a caixa de correio electrónica.

desolação

Que raio me aconteceu ao titulo eleitoral brasileiro? E à minha pessoa física? É certo que tenho andado com algumas dores de cabeça, mas nunca pensei que fosse tão evidente. Por outro lado, quererá isto dizer que eu podia ter votado "Lula" e não sabia? Raio de abstencionista! A verdade é que eu já suspeitava que o meu desempenho em 94 tinha impressionado a malta irmã, mas daí a concederem-me direito de voto.

Afixado por afixe às 19:48 | Afixadelas (9)

A Viragem Profética

Luís Carmelo é Professor de Semiótica e Teoria da Cultura na Holandesa Universidade de Utreque e é um pensador raramente abordado nas discussões sobre o presuntivo choque de civilizações. Editou recentemente pela Europa-América um excelente ensaio: "A Viragem Profética" (já anteriormente havia editado "Islão e Mundo Cristão" pela Hugin). No campo dos ensaios orientalistas, esta obra, na minha modesta opinião, supera as já cansativas considerações do clássico Bernard Lewis. Destaco as palavras iniciais do autor para explicar o título deste seu ensaio (mas igualmente imperdível é a segunda parte do livro e a reflexão sobre os mouriscos e cristãos-novos no mundo ibérico de quinhentos), pedindo paciência para o facto de ser uma citação longa, mas imprescindível:

Nas várias culturas que se organizaram sob o pano de fundo da civilização do "Livro" (o mundo judaico, cristão e islâmico), a chamada civilização axial ou escatológica, foi sendo instituída uma espécie de ordem dicotómica que tendia claramente a separar a normalidade das coisas daquilo que, devido às mais variadas razões, se evadia dessa normalidade. Aliás, a palavra "segno" (não confundir com signo, nas suas várias acepções correntes), em finais do quattrocento e no século seguinte, traduzia precisamente a ideia do conjunto de alterações que se processava escapando-se ao "curso natural das coisas". (...) as metamorfoses inexplicáveis, (...) os animais fabulosos que respiravam nos relatos de Preste João ou do imaginário trágico-marítimo integravam, cada um a seu modo, esse desmedido mundo do segno. No entanto, para que o segno pudesse existir e tornar-se reconhecível, independentemente da significação que lhe fosse atribuída, era necessária a existência de uma ordem muito bem ancorada que, por contraste, separasse o seu mundo do mundo definido como normal.(...) (...) Curiosamente, o mundo utópico e o mundo ideológico, que desaguaram um e outro, com idades e naturezas diversas, no séc. XIX, acabaram por trazer consigo, no Ocidente cristão, a antiga marca das civilizações axiais e escatológicas. Só que, em vez de paraíso, convocaram a ideia de um igualitarismo terreno, do mesmo modo que a natureza racional do dogma substituiu o "Livro" divino e a luta "por um mundo melhor" passou a encarnar os exigentes preceitos da antiga fé. (...) Mas em todas estas naturezas, em todos estes palcos subitamente libertos (ou deliberadamente ausentes) de uma tutela divina, a racionalidade moderna teve sempre tendência a instituir contrastes férreos entre a normalidade e a não-normalidade. Pode mesmo dizer-se que o segno acabou por persistir sendo o que sempre havia sido, mas agora luzindo de um modo lógico e tornando-se, por isso mesmo, peça de arremesso e móbil para a iniciativa. (...) os contrários passam a digladiar-se ferozmente definindo mutuamente o campo do segno (nos sistemas políticos, nas modalidades jurídicas, na sucessão vertiginosa de vanguardas artísticas, no debate científico, etc.)(...) Quer no mundo cristão pré-moderno, quer no mundo cristão moderno, verifica-se, ainda que com uma topografia claramente diversa, uma necessária separação entre segno e não segno. (...) Ora o que muda abruptamente no Ocidente no final do século XX e no início do século XXI é precisamente este aspecto (...) diluição e perda de eficácia das grandes referências pesadas e doutrinais de carácter ideológico e similares (...) entrada em cena de uma globalização hipertecnológica associada a um novo tipo de espaço público aberto.(...) de um momento para o outro, em muito poucos anos, a verdade é que a relativação quase absoluta tende a incluir, na horizontalidade social pós-moderna, quer o que precede do segno quer o que precederia do não-segno.(...)
A consequência mais importante desta grande mudança ainda em curso (...) consiste na banalização daquilo que, secularmente, no Ocidente, sempre foi encarnado sob o manto do "mal" ou, numa perspectiva menos simplista, do segno. A primeira vez que esta mudança efectiva nos entrou em casa - através do fluxo globalizado das imagens - foi no dia 11 de Setembro de 2001. O carácter extraordinário desse evento, para além das suas implicações políticas, foi o facto de, ele mesmo, ter conduzido ao pasmo, à ambiguidade ou à tentação relativadora (houve mesmo, numa perspectiva neo-conceptual, quem lhe atribuísse conotações artísticas). Ainda hoje existe, em certos meios ocidentais, a ideia de que o 11 de Setembro é aqui e ali "justificável", ou é, "bem vistas as coisas", uma deriva do "sistema": ou é uma "vingança", ou ainda uma "inevitável resposta" face aos factos A ou B produzidos no Ocidente (esta última é a explicação autofágica). É este apagamento das barreiras que sempre separaram segno e não segno que eu designo por viragem profética (...) diluição das ideias-força que separam dever e não-dever, tolerância e não tolerância, democracia e não-democracia, etc.(...) O aspecto mais terrível do actual terrorismo é a ideia, no Ocidente, de que ele não existe, porque conviveria no mesmo horizonte aparente com outros factos cuja textura não seria afinal diversa. O terrorismo converter-se-ía, desta maneira, numa ocorrência entre as muitas outras ocorrências do quotidiano para o mais puro deleite e para a mais fatal das gargalhadas do cidadão ocidental, esse novíssimo guardador e curador global de imagens. Daí também a propensão europeia para a imagem de uma grande Suíça neutral, pacífica, no seio da qual o terror e o não-terror seriam uma espécie de irmãos-gémeos federados, sem problemas, sem ambições e sem olhos para obervar as mais perversas ausências de fronteiras que se criaram na sua própria casa. É a esta indiferença indigente, é a esta cegueira involuntária - e, em última análise, auto-flageladora - que eu chamo a viragem profética (...) O texto profético de hoje, ou seja a notícia simulada por imagens fragmentadas que se desdobram em imagens globais e imediatistas, assemelha-se ao simulacro sem matriz cuja margem de propagação e impacto apenas podia, há uns séculos atrás, ser comparada ao poder exuberante dos textos apocalípticos de Daniel ou de Baruque. Só que essas imagens resguardavam-se nas escrituras e assumiam foros de uma transcendência imaculada e poderosa, enquanto as imagens de hoje constituem uma voragem imparável que vive na frente dos nossos olhos sob a forma de uma imanência que parece gerar, a cada segundo, uma presença esmagadora e transbordante. Daí que a nova violência se desdobre nos efeitos que calculadamente produz: por um lado, visa sem piedade uma dada materialidade física e simbólica; por outro lado, visa transformar-se em ficcionalidade mundializada durante o tempo que o fluxo de imagens mundializadas o permitir ( veja-se como Nova Iorque 2001 e Madrid 2004 ainda hoje perduram nos nossos ecrãs domésticos, sob a forma de uma simulação do directo ou de permanente tempo real).

Afixado por Gibel às 15:39 | Afixadelas (3)

Um postal madeirense

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Para todos os ilustres aphixadores, em directo do Funchal, um abraço com os aromas do chá tomado no Santo da Serra ou do bolo do caco da Madalena do Mar. Até breve!

Afixado por Pedro Cordeiro às 09:46 | Afixadelas (5)

novembro 19, 2005

Ás vezes, sinto-me a viver a vida de um saltimbanco.

Mas sinto, só. Como um facto. Não sou capaz de fazer julgamentos sobre ele. Ou melhor, os julgamentos que faço mudam a cada dia, não consigo perceber aquilo que realmente sinto. Por um lado, anseio pela mudança, por outro lado temo-a.
Esta semana já passei pelos dois extremos de me sentir finalmente em casa em Colónia, pela primeira vez, e de odiar a cidade e a minha vida aqui. Porque é tão difícil. Tão difícil abrir a caixa do correio e encontra-la cheia de cartas que não consigo ler (a maior parte são contas, qualquer dia vou presa), um esforço tão grande tentar comunicar, tão difícil ter uma vida normal. Não devia ser assim tão difícil. Depois há um vizinho que me diz bom dia, saio de casa num dia gelado de sol e o rio está mesmo ali, a noite chega com uma lua vermelha e tiro fotografias do reflexo na água, o transito na ponte embala-me com a sua tonalidade aquática, e sinto-me em casa.
Já tenho saudades para quando partir, e já penso no alívio que vai ser. Não sei.
Esta semana estive em Bruxelas, e passei pelo meu velho apartamento. Foi uma sensação estranha, como reencontrar o meu velho eu. Como voltar a casa. Como se todos estes lugares de alguma forma fizessem parte de mim, como se me ficassem gravados, e eu, ou uma impressão minha, gravada neles. Como se a minha memória de mim tivesse uma dimensão espacial.
Olho para trás, e parece-me que é assim. Todos estes sítios são ainda parte de mim. E sinto-me dividida, espalhada por todos eles. Dentro e breve não saberei onde ir para encontrar-me.
Quantas casas se pode ter? Quão perdida estou de mim se me encontro em todo o lado?

Afixado por M. Butterfly às 23:36 | Afixadelas (6)

Aconteço um gin no Peter...

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Aos oitenta anos, morreu hoje José Azevedo, dono do Peter, na Horta.
Um gin tónico, em honra dele. E um poema que escrevi, há alguns anos.

Por Um Gin...

O céu está preto
Da cor do alcatrão
Se calhar o avião
Fica retido
Esperas-me lá
No fim do alfabeto
Esperas em sentido
Como um velho farol
Como um raio de sol
Para um barco perdido
No porto
À porta

O céu está escuro
Está breu e já troveja
Talvez seja
O diabo, de irritado,
Esperas-me lá
Esperando pelo futuro
Esperas calado
Como um velho sinal
Como um raio vital
Para um homem cansado
No porto
Da Horta

Está traiçoeiro
Mas vamos já no ar
Os passageiros
Não tentam nem olhar
Se é grande o medo
A vontade é de rochedo
Vemos o Pico
E o mar
O Pico
E o mar
E o Pico
E o mar
Em qual deles vamos bater
Primeiro?
Esperas-me lá
Sem temer
Pelo companheiro.
És forte
E és conforto
Na morte
No porto
Na porta
Na Horta
Sem sobressalto
Esperas por mim

Sabes que nunca falto
Ao nosso gin.

Afixado por Mário Cordeiro às 19:52 | Afixadelas (3)

Igreja Católica contra música clássica?

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Espero que seja engano do "Expresso", mas li na última página, por baixo de outra notícia que diz "Natal ilumina Lisboa", uma altamente preocupante.
"Reza" que a assembleia plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, reunida em Fátima, aprovou um documento no qual se determina a impossibilidade da execução de obras de música clássica nas igrejas.

Fico estarrecido, e lembro-me de todos os (excelentes) concertos a que tenho assistido, em igrejas, seja no programa da Gulbenkian, seja na altura do Natal.
Claro que a Igreja Católica tem o direito de decidir do que se faz nos seus templos, mas também não é por acaso que é a confissão que mais benesses recebe do Estado, isenção de impostos em múltiplas instituições e um lugar preponderante nas decisões políticas - veja-se a atribuição de um canal de televisão (a TVI, lembram-se?) - isto pelos "bons serviços" que presta à sociedade em geral, de católicos e não católicos.

Se se confirmar esta notícia, fica o meu protesto por um atentado à Cultura, que nos remete para períodos mais negros. Bem sei que a felicidade e aperfeição só se encontram no Céu (?!) mas a música é a excepção. existe na Terra. E se não for nas igrejas será em qualquer lado, porque o Homem não depende, felizmente, de Deus para existir, para ter espaços lúdicos e culturais, e para se aperfeiçoar.

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Afixado por Mário Cordeiro às 19:31 | Afixadelas (10)

novembro 18, 2005

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Afixado por Gibel às 13:21 | Afixadelas (2)

Porque elas merecem ser idolatradas

Nos espaços do coração, as obras de beneficiação e ampliação são relativamente simples e passíveis de rápida aprovação pelas entidades que as fiscalizam. Vejo a ampliação preponderantemente através das amizades que se iniciam e se constroem. Um amigo tem sempre um espaço pessoal e intransmissível. Uma nova amizade é como um ficheiro novo. Acontece haver afastamentos, decepções, traições; no entanto cada amigo conserva o respectivo espaço em sua posse: não o pode trespassar, nem podemos dar ordem de despejo e repôr o stock com um novo habitante. Podemos substituir um amigo por outro no tempo (que passamos com ele, que lhe dedicamos), mas nunca no espaço que lhe reservamos. O que há é uma dinâmica dos espaços, que podem encolher ao invés de crescer – ou podemos deixar de os visitar. A beneficiação passa pelo limar das arestas, nas relações que se constroem. Pelo modo como gerimos tolerância, mas também exigências, nas nossas amizades e, sobretudo, nas relações amorosas (já se sabe que neste campo há substituições efectivas dos habitantes…), vamos modelando e incrementando o contentamento que nos proporcionam. As obras de restauro, por seu turno, podem ser bem mais complicadas. Os processos são demorados: exigem muito trabalho de análise e rectificação dos registos. Há enorme dificuldade em colmatar as lacunas provocadas pelo desgaste, pela erosão. Ainda por cima, quando se crê estar a coisa concluída, definitivamente arrumada, falta sempre, afinal, mais um documento qualquer.

Cecília R. in soc-anonima.blogspot.com

O sociedade anónima é dos melhores prazeres que a blogosfera proporciona nos últimos tempos. Entretanto, a nossa equipa de management já aprovou a imediata linkagem do mesmo aqui no blogroll à direita: só falta a equipa técnica realizar o exequatur!

Afixado por Gibel às 12:50 | Afixadelas (3)

Fico chateado, pois 'tá claro que fico chateado...

Fico chateado, pois 'tá claro que fico chateado...

Afixado por afixe às 11:59 | Afixadelas (2)

Para quem tem o bichinho de África

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É imprescindível conhecer o projecto humanitário desenvolvido por fotógrafos "A Day in the Life of Africa". Se gostaram desta foto não deixem de visitar a galeria toda.

Afixado por Gibel às 11:44 | Afixadelas (1)

novembro 17, 2005

MENOSPREZAMOS AS MULHERES? ENTÃO A CULPA É DELAS!

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Não é a Igreja que é "demasiadamente masculina", seus infiéis meio tontos. Na realidade, a culpa é toda das mulheres. É que, de acordo com o chefe da filial lusa da Igreja católica, esta só vai entrar nos eixos quando "mais mulheres sejam santas e sejam capazes de abraçar o mundo num acto de amor".
Mais santas. Claro; é mesmo do que estamos a precisar e é mesmo por isso que o sacerdócio lhes é vedado. Quanto a isso de "abraçar o mundo", cheira-me a incitação à concupiscência.

Afixado por João Garcez às 16:14 | Afixadelas (30)

novembro 16, 2005

Memória futura da justiça de uma Nação

1- Era uma vez um país acordado para a democracia e a justiça há 27 anos, após a sua "Grande Revolução".

Era uma vez um país com juizes conhecidos como magistrados judiciais, com procuradores da República conhecidos como magistrados do Ministério Público, com magistrados administrativos, com ministros da Justiça sem controlo sobre uma qualquer política criminal e com muitos advogados para quem o Estado autorizou uma associação pública.

Nesse canto plantado perto do fim do mundo e junto à civilização europeia, não ocorriam muitos crimes graves, não havia criminalidade organizada, mas o Estado tinha muitos técnicos superiores para combater o crime nos processos e nos livros, nos corredores e no auto-prestígio.

Nesse país, após um homem extraordinariamente importante e inteligente ter dirigido, durante mais de 15 anos seguidos, o Departamento Anti-crime, a criminalidade grave ou de colarinho branco começou a preocupar todos os respectivos cidadãos, incluindo os que fugiam aos impostos.

Um dia, os cidadãos encarregues de publicar notícias informaram que o país, ao contrário do que lhes tinha parecido durante décadas, tinha, afinal, criminalidade grave; que a culpa era e não era do Governo; que os juizes não faziam parte do autónomo Departamento Anti-crime; que o líder máximo do Departamento Anti-crime não era juiz, nem tinha de ser; e que os juizes deveriam ser tratados como os directores do referido departamento estatal.

Nesse mesmo dia, todos os cidadãos foram estudar as leis nos jornais. Passadas 24 horas, e como o povo era muito inteligente, 99% conseguiu ser aprovado com distinção, preparando-se para os julgamentos a que começaram por chamar de "mediáticos". A estes foi unanimemente recusada a classificação de julgamentos populares, tendo sido atribuída a classificação oficial de "pré-julgamentos" e "julgamentos não estatais" na comunicação social; esta qualificação assentava no poder de uns tantos falarem muito e no dever legal de silêncio por parte dos juizes e do Departamento Anti-crime, aqui e ali atenuado.

Nessa mesma semana, surgiu a suspeita de que os criminosos, afinal, não eram só os pobres ou os miseráveis, conhecidos no país como os "humildes": é que o Departamento Anti-crime pedira e os juizes haviam decidido a prisão cautelar de alguns indivíduos famosos, bonitos ou importantes, conhecidos como os "não humildes" (categoria social como eram conhecidos os cidadãos e/ou contribuintes que detinham mais dinheiro ou mais poder social). Naquela época, a prisão cautelar tinha uma interpretação social estranha: era uma pré-punição e não uma medida de cautela.

Logo de seguida, os cidadãos que fizeram as leis reflectiram muito e concluíram que as leis que haviam feito anos antes, com o apoio de sábios das leis e até do Departamento Anti-crime, não eram leis boas e que, pior ainda, eram mal aplicadas pelos Tribunais; parecia a uns que os Tribunais, às vezes, cediam ao Departamento Anti-crime ou que confundiam requisitos concretos com abstractos, e a outros que só os poderosos se poderiam defender face ao dito departamento.

Convém aqui entrelinhar que alguns dos cidadãos que faziam as leis não se apercebiam de que aplicar mal uma lei má podia, às vezes, ser o menos mau; mas, em abono daqueles, diga-se que, no momento em que chegaram à referida conclusão, não haviam tido o apoio dos sábios das regras do dito país, muito dados a importações sistemáticas e a emitir pareceres doutos e caros a todos. Um havia até que ensinara ao povo e aos outros sábios que os juizes não serviam para as leis existentes e que "instrução" já não significava recolha de provas, pelo que os "juizes de instrução" não a faziam. Outro sábio havia ainda que queria pôr os juizes no pelourinho, calados e com imagem pública "elevada" como no tempo anterior à "Grande Revolução", confundindo isso com a dignidade e a essência democrática imanentes da função de juiz; mas, a verdade é que, segundo algumas recônditas cidadelas "politicamente incorrectas", ele pouco sabia do mundo judiciário real.

2- O que passou então a preocupar permanentemente líderes políticos, sociais e jurídicos do dito país foi que a Justiça funcionasse de forma rápida e justa, à semelhança do que todos os outros cidadãos desejavam há muito.

Apesar de a Justiça estar da mesma forma há muitos anos, quer os líderes, quer os suspeitos insistiam em pedir rapidez e profundidade aos judiciários, o que fez alguns intelectuais "mal intencionados" concluir que a explicação para tal inusitada insistência era o seguinte: ou aquele caso concreto, que tinha como suspeitos "cidadãos não humildes", tinha de chegar depressa ao fim, para que pouco se descobrisse ou para que se julgasse no meio do alarido e da dúvida (o país era muito dado a dúvidas sobre si próprio); ou, então, os líderes só naquele momento se aperceberam de que as leis anti-crime não funcionavam bem para aquela categoria de cidadãos, pois que os "humildes", esses, há muitos anos que pagavam impostos e estavam sujeitos às "injustas" leis, aplicadas da mesma forma, agora considerada por quase todos como desumana, desequilibrada e ofensiva dos direitos superiores do indivíduo.

3- A vida continuou. Alguns, os conhecidos "politicamente incorrectos" aperceberam-se que a perseguição do crime grave era normalmente ineficaz, apesar de a legislação ser mais dura do que nos tempos idos da "Pré-Revolução" e de o Departamento Anti-crime dispor de excessivos meios humanos. Até se fizeram reuniões para obter consenso sobre a Justiça. Neste quadro, os líderes do país conseguiram apelar a uma coragem adocicada pela moderação, bem como a um bom senso apimentado pela mesma coragem.

Mas, o povo, desprezando a óbvia conclusão daqueles apelos (imobilidade), passados alguns anos, ordenou aos fazedores de leis:

"Agora, que escreveram e discutiram ao longo de anos o que está mal, façam as alterações necessárias para que os Tribunais façam a justiça com independência e para que o Departamento Anti-crime investigue com autonomia, sem que isso implique os seguintes seis pecados: 1º) prisões cautelares sem motivos concretos claros, 2º) defesas com expedientes dilatórios mas sem igualdade de armas processuais, 3º) juizes transformados em funcionários e pressionados pelos justiceiros, pelos investigadores ou pelos suspeitos "não humildes", 4º) cadeias sem reinserção social, 5º) Governos sem possibilidade de terem uma política criminal própria e 6º) legislação de combate ao crime grave sem responsabilização política concreta".

Nesse dia, os fazedores das leis foram ao "Dicionário da Nação" e viram que o povo lhes acabara de impor a regra da mudança responsável, através duma nova noção, a da "ruptura assumida". E, pela primeira vez após a "Grande Revolução", sentiram o alegre sabor da mudança com sonho.

Foi, então, que, deixando de apenas "crer" na Justiça da nação, todos os cidadãos ("humildes" e "não humildes") passaram a desejá-la também para si próprios.

Paulo Pereira Gouveia, Juiz de Círculo
Expresso, 18 de Outubro de 2003

Afixado por pTd às 11:35 | Afixadelas (3)

novembro 15, 2005

Liguilla - quem vencerá o campeonato dos pequenitos?

Luis Botelho RibeiroManuela MagnoJosé Maria MartinsFrancisco Louçã

Afixado por afixe às 23:15 | Afixadelas (11)

As filhas e os filhos da República

Foi esta a expressão usada por Jacques Chirac ontem no seu primeiro comunicado ao país desde o início dos tumultos. Curiosa, a expressão, porque há uns dias que eu ando a fazer uma leitura parecida dos acontecimentos. Eu também acho que estes revoltosos são mesmo os "filhos" da República, mas num sentido um pouco diferente do do senhor Chirac.
Vejamos...
A França trouxe-nos a inovação moderna da Revolução Francesa.
Inaugurou, portanto, a "era moderna" na Europa. Foi o raiar da aurora dessa senhora simpática de mamocas ao léu, que no entanto, gostava no início de ver rolar umas cabeças na guilhotina.
Será coincidência que a França seja, precisamente, o primeiro país da "velha Europa" a recolher os frutos da pós-modernidade? Uma pós-modernidade que é consequência directa da "modernidade" inaugurada com a Revolução Francesa?
Isto de jogar às causas e consequências é jogo perigoso, porque não podemos cair em generalizações ou falsas causalidades, mas dá que pensar...
Mudando um bocado de ponto de vista, fala-se muito hoje em dia do controlo dos fluxos migratórios, dos chamados "problemas das etnias" e da integração dos estrangeiros.
Ou seja, faz-se cada vez mais o jogo das ideias imbecis da extrema direita e dos adeptos da "higiene racial"!
O que mais me pasma é que bastaria olhar (e é só um exemplo) para o vizinho Reino Unido, país que pulula de indianos que no entanto estão perfeitamente integrados e prosperam, para nos apercebermos que o problema não está nas etnias nem nas comunidades estrangeiras. E não se confunda a heterogeneidade cultural com a formação de "ghettos"!
As comunidades estrangeiras podem coexistir em grupos relativamente fechados, como forma de preservação da sua cultura, e no entanto estarem economica e laboralmente integrados no seu país de acolhimento!
O problema, a meu ver, está na própria França e nos frutos que está a colher de três séculos de opções ideológicas desastrosas...
Apesar de as causas para estes fenómenos serem muitas e variadas, também estamos a assistir a uma das consequências da campanha do "tira o véu" lançada recentemente em França pelos extremistas da laicização forçada. Juntem a fome e o desemprego à proibição dos símbolos religiosos (intolerância pura e dura) e depois queixem-se da falta de "francesismo" dos imigrantes!

Afixado por Bernardo Motta às 10:26 | Afixadelas (15)

novembro 14, 2005

Palavras de sempre

«Ordinariamente, todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações, e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o ESTADISTA. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, política de expediente. País governando ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, pro previlégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?»

Eça de Queirós, 1867, in "O Distrito de Évora"

Afixado por afixe às 17:56 | Afixadelas (14)

Vale tudo?

Regressado de Espanha, li hoje no Expresso que um grupo de militantes do PS acusava Alegre, em manifesto, entre outras coisas, de não ser "honesto intelectualmente" e de ser comparável a Fátima Felgueiras, Valentim Loureiro ou Isaltino de Morais.
Vale tudo? Vale mesmo tudo?
Qualquer dia comparam-no a Rui Mateus, não? (isso é que devia ter graça).
Porque é que há, de vez em quando, ondas de náusea que caem sobre nós?
PS. algumas pessoas que assinam o tal manifesto são da Comissão de Honra de Mário Soares. A palavra "Honra" não quererá, afinal, dizer nada? E também os há medalhados pelo Presidente da República nas inefáveis condecorações do 10 de Junho... pelos vistos, vale mesmo tudo!

Afixado por Mário Cordeiro às 12:53 | Afixadelas (1)

novembro 13, 2005

Vemos, ouvimos e lemos... NÃO podemos acreditar!!!!

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Autor: Marco Ventura. www.olhares.com

As minhas andanças pela Galiza levam-me a uma notícia publicada hoje na Voz de Galicia.

Suiza prohíbe a los niños que se sienten sobre san Nicolás
QUIERE EVITAR ACUSACIONES DE PEDOFILIA

Los numerosos San Nicolás que recorren las calles suizas de Zúrich el 6 de diciembre no podrán poner a los niños sobre sus rodillas, según una decisión de su asociación, que quiere proteger a los san Nicolás de posibles acusaciones de pedofilia.

La sociedad de los San Nicolás de Zúrich, que cuenta con un centenar de miembros, reaccionó así a las llamadas de varios padres y quiso proteger a sus socios contra posibles acusaciones de pedofilia.

El 6 de diciembre, más de cien San Nicolás se pasean por las calles de Zúrich y visitan a más de mil familias.

La opinión pública está muy sensibilizada sobre la pedofilia, constata el presidente de la asociación, que lamenta que una medida así sea necesaria. San Nicolás ofrece dulces a los niños.

Afinal um comentário: nos anos oitenta e princípio de noventa, a Suiça era o país da Europa onde havia mais turismo sexual e exploração comercial sexual de crianças, com um sistema de viagens organizadas ao Extremo Oriente, fácil, barato e confidencial, o que explicou a incidência elevadíssima de infecção HIV, que fez deste país o campeão da SIDA na Europa, durante muitos anos. Agora o campeão é outro (adivinhem qual...).

Qualquer dia, o Capuchinho Vermelho encontra uma lagarta ou uma mosca, e não um Lobo Mau, ainda por cima representado sempre por um autêntico galã encartado!
Se a moda pega por cá...

Afixado por Mário Cordeiro às 15:43 | Afixadelas (2)

Nunca mais!

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13 de Novembro de 2002. 13.15h. O petroleiro Prestige, ao largo do Cabo Finisterre, na Galiza, pedia socorro. O governo espanhol de José Maria Aznar rejeitava o apoio ao barco, designadamente algumas alternativas que poderiam ter sido o “mal menor”, como rebocar o Prestige para a chamada Costa da Morte, onde o impacto do naufrágio poderia ser limitado. Portugal rejeitou, também, qualquer vinda do barco para águas territoriais nacionais, e esperou que os ventos – como aconteceu – continuassem a soprar de sul.

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A 19 de Novembro o barco afundava-se e a descarga de fuel (no total, mais de 80.000 toneladas) originou a maior catástrofe ambiental espanhola, com um distanciamento inexplicável das autoridades de Madrid e do próprio governo galego.

A reacção foi, de certo modo, inesperada. "Galiza se cabreó, por la primera vez!". E assim se criou o movimento "Nunca Máis", liderado entre outros por Manuel Rivas, um dos maiores escritores galegos contemporâneos e um dos fundadores do movimento Green Peace. Face às duplicidades de Madrid, os galegos mostraram que não tolerariam mais coisas semelhantes, e reuniram-se num esforço heróico para limpar as praias, salvar os animais e plantas marítimas, e defender os pescadores e donos de viveiros de mariscos, que viram de repente toda a sua actividade suspensa.
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Passados três anos - e com uma grande manifestação esperada para hoje, dia 13, em Santiago de Compostela -, o caso continua nas mãos dos juízes, quer no que se refere aos comandantes do barco e à companhia que era a sua dona, bem como a alguns responsáveis do anterior governo e do comando portuário.
Há que fazer diversos esforços concertados para que não se repita uma coisa destas. A catástrofe do Prestige acelerou algumas medidas, designadamente a obrigatoriedade de cascos suplos que permitam conter a perda de fuel no caso de naufrágio. Por outro lado, a pressão popular conseguiu que fossem imaginados métodos para retirada do fuel restante que ameaçava "babar" durante anos e anos, e neste momento já não há qualquer ameaça dentro do Prestige, que assim repousa tranquilo a 4000 metros de profundidade.

E a pergunta subliminar é: e se fosse em Portugal? Ou, de outro modo, se os ventos tivessem soprado de noroeste, como são os ventos dominantes na costa portuguesa?

Para terminar, fica um pedaço de uma entrevista de Manuel Rivas. Para que "nunca máis".

Hay dos clases elementales de silencio. El acogedor, que invita a soñar, y el silencio estremecedor, el que destruye el sueño. Esta segunda clase de silencio, viscoso, imponente, demoledor, es el que caracteriza el avance de una marea negra. Ésa es la banda sonora de una catástrofe en el mar. Una intimidación que acalla, que enmudece a las mismísimas olas y hace del vuelo de las aves un peso muerto. Ese silencio también se adueñó del mapa humano de Galicia en los primeros momentos del desastre del Prestige, en noviembre del 2002. Además de compartir la pesadumbre del mar, el nuestro, aquellos primeros días, era un silencio de estupor ante las circunstancias que rodearon al siniestro

Afixado por Mário Cordeiro às 00:00 | Afixadelas (1)

novembro 12, 2005

ONDE É QUE A “BOMBA” VAI BUSCAR A SUA “INTELIGÊNCIA”?

Resposta: à Wikipedia. Querem saber como? É só terem a fineza de pegar no suplemento “Única” do “Expresso” de hoje e rumar à página 20. É aqui que hiberna a soporífera crónica semanal da minha estimada Carla Hilário Quevedo, aka “Bomba Inteligente”. O deslumbrante e original tema da semana é a cerimónia dos MTV Awards do outro dia. Melhor: o seu apresentador, o inexistente Borat.
Primeiro, a cronista trata de descobrir que “até agora, muito pouco, quase nada, foi dito sobre o apresentador”. Bem; “dito” talvez não, mas João Lopes não precisou deste tempo todo para se referir à performance em questão, fazendo-o logo em cima do acontecimento: “a certa altura, o mestre de cerimónia Borat Sadgyiev (aliás Sacha Baron Cohen), declarou que estava aflito para ir a uma casa de banho. De tal modo que na apresentação que se seguiu, partilhada com Britanny Murphy, ele se manteve em off a produzir sons de muito explícitas actividades intestinais. É verdade que se tratava de apresentar Shakira, mas nem ela nem ninguém merecia ser utilizada como carne para tão devastadora boçalidade.” Pronto: a “Bomba” não lê o DN; também não se trata de pecado de maior, convenhamos.
O pior é quando a senhora trata de justificar o cheque semanal do patrão Balsemão com uma leve e muito fresca resenha biográfica de Borat e do seu criador, Sacha Baron Cohen. Este terá nascido “no seio farto de uma família judia. O pai, Gerald Baron Cohen, natural do País de Gales e a mãe, Danielle Baron Cohen, israelita, tiveram três filhos, sendo o do meio o talentoso Sacha, que passou parte da sua adolescência a trabalhar como voluntário para o movimento juvenil sionista Habonim Dror. Depois de frequentar um colégio em Elstree e de estudar História em Cambridge, em 1994, longe das obrigações morais e estudantis, Sacha criou uma personagem chamada Borat, um correspondente do Cazaquistão no estrangeiro, gravou uma cassete e enviou-a ao Channel 4.”
Agora, vejamos o que nos diz a Wikipedia sobre este actor: “He was born into a middle-class Jewish family, the second of three sons of Gerald Baron Cohen and his wife Daniella. His father is originally from Wales, while his mother is from Israel. Much of his youth was spent volunteering for Habonim Dror, a Jewish youth movement. Cohen attended Haberdashers' Aske's School, a public school in Elstree, and went on to study history at Christ's College, Cambridge. (...) Cohen sent in a tape of him in character as Borat, a fictional television reporter from Kazakhstan”.
À parte o estilo confuso, a pícara cena do “seio farto” e a profusão de vírgulas, não se topa grande contributo original da nossa “Bomba”. Mas ainda há melhor...
Na entrada reservada ao próprio Borat, a mesma enciclopédia online escreve: “Tragically, his first wife was accidentally shot in a field after a hunter mistook her for a bear. Thankfully, Borat was able to cope with the loss of his first wife and he has remarried several times. Still, Borat's exceptional sexual virility has compelled him to maintain extramarital relations with a girlfriend, a mistress, and at least one prostitute. Incestuous relations with his sister, as well as incidents of bestiality with domesticated animals, have led some to question Borat's sexual ethics.” Querem ver a adaptação para Português? Bora lá:
“A mulher morreu vítima do engano de um caçador que a confundiu com um urso, mas Borat ultrapassou o trauma, casando várias vezes. Por causa do seu extraordinário vigor sexual, Borat tem ainda uma namorada, uma amante e uma prostituta. Prefere não falar da atracção pela irmã e por vários animais domésticos”.
Tudo, claro está, sem aspas nem menção à origem do texto. Para finalizar, a “Bomba Inteligente” remata com uma conclusão sibilina mas definitiva: “Nem toda a gente achará piada a Sacha Baron Cohen. Também nem toda a gente achava graça a Peter Sellers.”
Neste momento, inquieta-se o ansioso leitor: “mas por que raios terá ido ela chatear o pobre e defunto Sellers”? Resposta: porque neste último artigo da Wikipedia está escrito “Some have compared Cohen's Borat character with some of Peter Sellers' work.”
Como não vem lá invocado nenhum motivo para a comparação, a cronista queda-se muda na hora de a explicar. Mas eu e a IMDB até lhe damos uma ajudinha: é por causa do filme "A Festa", em que Sellers dá corpo a um suposto actor indiano, Hrundi Bakshi, mimetizando os tiques e comportamentos que os estereótipos atribuem aos indianos. Escusa de agradecer, cara “Bomba”.
Agora, fico a guardar a chegada do enxame de acólitas furiosas a protestar por mais este crime de lesa-majestade.

Afixado por João Garcez às 19:42 | Afixadelas (17)

Coisas do arco da velha

Jantar com o Arnaldo Matos (ele existe, é uma simpatia e o povo libertou-o mesmo!) e tomar o pequeno almoço com o treinador da selecção Croata (atenção, Costinha, o tipo não parou de falar de ti).

Arnaldo MatosCroacia

Afixado por afixe às 19:21 | Afixadelas (1)

novembro 11, 2005

Céu Vermelho

O homem que ia atravessar as caixas, de uma margem a outra, morreu ontem. O outro homem, aquele que ia receber as caixas na margem oposta, desistiu logo após a notícia da morte. Ficamos deste lado com os embrulhos, pensando em abri-los. A dúvida cheia de olhos nos espreitava. Não abrimos. Sob um céu vermelho, meditamos a morte das coisas que elegemos, e que estariam, agora, no outro lado. Meditamos o imprevisto das caixas, que não nomeamos acaso, mas uma ordem que regula desde átomos até casos como este.

Franklin Alves


Afixado por Gibel às 18:50 | Afixadelas (0)

Resposta a um post de Ana Gomes

Olhe que não, sôtôra, olhe que não!

Afixado por Pedro Cordeiro às 16:42 | Afixadelas (5)

UM CONTESTATÁRIO DE ALUGUER

alegre.jpg
Era de esperar. Sempre que Manuel Alegre abre a boca, afunda-se um pouco. Agora, desbaratou uma entrevista na TVI a falar das suas rivalidades mesquinhas com Soares. Por este andar, ainda vai chegar às urnas a discutir o último lugar com Jerónimo de Sousa.
Mais cómico: circula já pela net um anúncio assinado pelo poeta de Argel, cantando as loas de uma marca de espingardas, em benefício de um banco dedicado ao agora infame private banking. "O vencimento de deputado é uma pelintrice", reza a bela peça às tantas. Isto ao arrepio das regras da decência política mais básica, que deveriam impedir um deputado de alugar assim, sem dignidade nem pudor, o seu nome e imagem.
Se calhar, já se impõe uma remodelação dos versos mais conhecidos (e menos maus) de Alegre, enquanto ele não se lembra de lá meter um patrocinador: "Há sempre alguém que diz bem... desde que o preço seja bom".

Afixado por Luis Rainha às 15:36 | Afixadelas (4)

AMANHÃ, NUM "EXPRESSO" PERTO DE SI

Vai sair amanhã a primeira grande sondagem que coloca Mário Soares à frente de Manuel Alegre, embora por escassa margem. Louçã lidera o "campeonato dos pequenos". Lá na frente do pelotão, mais do mesmo: a criatura de Boliqueime ameaça ganhar logo à primeira volta. Continuamos entregues à bicharada.

Afixado por Luis Rainha às 15:25 | Afixadelas (2)

Não baixamos, não baixamos !

Preços caem para mínimo de três meses
O preço do petróleo atingiu, esta quinta-feira, o valor mais baixo dos últimos três meses, depois de um relatório da Agência Internacional de Energia (AIE) rever em baixa as previsões da procura mundial de crude em 2006. (tsf online)

Palpita-me que a descida do PVP das gasolinas e afins, em consequência da alteração do preço do pitróil vai ser ligeiramente, só um nadinha, coisa pouca, um xiribi mais lenta do que foi a subida. E, nem sei explicar muito bem porquê, mas era capaz de apostar que vamos assistir a um fenómeno clínico de perda de reflexos no tal do processo causal de determinação do quanto temos que abonar à rapaziada das bombas, em retribuição pelos abastecimentos do refinado produto.

Como são empresas que sobrevivem com muitas dificuldades, deixo algumas contribuições para o rol de justificações que poderão ser apresentadas quando forem confrontadas com tal disparidade:

1. Seria anti-patriótico privar o Estado das receitas fiscais extra proporcionadas pela alta dos preços;
2. Impreparação da economia portuguesa e seus mercados para um mecanismo de redução de preços (não seria inédito mas quase);
3. Às tantas desatava tudo a andar de carro e a passear e tal, e davam cabo do ambiente;
4. Ah baixou ? Não temos lido as notícias.
5. Inversão das práticas comerciais, passando o sistema a funcionar em contra-ciclo (pelo menos enquanto o pitróil estiver a descer);
6. Vejam lá que por azar tínhamos acabado de repor o stock, mesmo antes de o crude baixar, agora temos que gastar este todo, a preços antigos. Que maçada.
7. Paguem e não chateiem !
8. Então e depois, como é que pagávamos o ordenado ao Fernando Gomes ?

Seja qual for a opção de resposta, não se esqueçam de concluir o diálogo com o sempre agradável, "O Xõr não quer aderir ao cartão dos pontos ?" e têm assegurada a manutenção da confiança que preside à relação com o universo da clientela .

Afixado por Jon às 00:14 | Afixadelas (9)

novembro 10, 2005

Como é possível?

Retirado do Público de hoje (o sublinhado é meu):

Casa Pia: testemunha mantém acusação de abusos sexuais a cinco arguidos
10.11.2005 - 19h45 Lusa

O jovem que hoje começou a depor no julgamento do processo Casa Pia confirmou ter sido abusado sexualmente por Carlos Silvino da Silva ("Bibi"), João Ferreira Diniz, Hugo Marçal, Jorge Ritto e Carlos Cruz.
No inquérito e na instrução do processo, o jovem, actualmente com 22 anos, disse que tinha sido abusado por estes cinco arguidos, tendo mantido hoje a mesma versão, implicando também a arguida Gertrudes Nunes, ao dizer que era ela que lhes abria a porta quando se deslocavam à sua casa em Elvas para alegados encontros sexuais com adultos.
Apesar de a testemunha acusar de abusos sexuais estes cinco arguidos, apenas respondem em tribunal relativamente a este jovem Carlos Silvino da Silva (por 31 crimes de abuso sexual de pessoa internada e sete de lenocínio - favorecimento da prostituição), Gertrudes Nunes (dois de lenocínio) e Hugo Marçal (um de lenocínio).
Os restantes arguidos acusados pela testemunha não respondem por qualquer crimes relativamente a este rapaz alegadamente devido à prescrição do prazo de apresentação de queixa.(...)

Há muito que perdi a vontade de tentar compreender o caso Casa Pia...
Alguém mais versado do que eu poderá ajuda