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novembro 10, 2005
Joseph Pearce
Foi com muito gosto que ontem à tarde assisti à conferência que inaugura mais uma presença de Joseph Pearce em Portugal.

Eis um trecho retirado do site que o apresenta:
One of the goals of his work, Pearce emphasizes, is to show how the Christian beliefs of men such as Chesterton and Tolkien informed their views about everything: politics, social ills, literature, and family life. "Deconstructionism attempts to separate the lives and beliefs of these authors from their work. This is simply literary relativism." Pearce insists, "Tolkien couldn’t have written The Lord of the Flies, nor could William Golding have written Lord of the Rings. The Catholic dimension is a key part of my biographies." Whether readers realize it or not, books such as Lord of the Rings influence their view of Catholicism, God, and reality.
O que me fascina em Pearce é que eu partilho totalmente a sua leitura do panorama cultural da actualidade. Não faz sentido fazer crítica literária a estes autores fundamentais, como Chesterton ou Tolkien, despindo-os das suas profundas crenças católicas. Sem se aperceberem, os entusiastas visionadores da saga cinematográfica O Senhor dos Anéis (eu sou um deles), estão a ver na tela uma recriação de um mundo fantástico criado com base numa vivência espiritual profundamente católica e profundamente tradicionalista. A obra de Tolkien é uma forma artisticamente graciosa e brilhante de contestar fortemente a agressividade das ideologias modernas do relativismo, do agnosticismo, do materialismo, e em geral todo o modernismo. Contudo, notamos que a propaganda à trilogia cinematográfica foi cuidadosa no ocultar da raíz católica do pensamento espiritual e filosófico de Tolkien.
Regressemos a Pierce...
Nascido numa família protestante, e revoltado pela presença de asiáticos no seu bairro natal, o autor viveu toda a sua juventude como activista agnóstico e neo-fascista. Contudo, a leitura da obra The Well and the Shadows, do jornalista e autor católico inglês G. K. Chesterton (1874-1936) lançou Pearce numa profunda busca intelectual que terminou com a negação do agnosticismo e a sua conversão ao catolicismo.
Com uma história de conversão tão viva, e pelo facto do Prof. Pearce ser uma autoridade nas vidas de grandes escritores importantes para o catolicismo contemporâneo (mesmo não sendo todos eles católicos) como T. S. Eliot, Oscar Wilde, G. K. Chesterton, Graham Greene, C. S. Lewis e Tolkien, as suas conferências são de se recomendar vivamente.
Ontem o tema foi "Catolicismo e modernidade", na qual Joseph Pearce traçou um quadro vivo da reacção católica ao modernismo através dos séculos XIX e XX, sempre com um enquadramento literário localizado na Grã-Bretanha. Foi interessante assistir à exposição de Pearce, e assim que tiver um pouco de tempo, gostaria de escrever um post a sintetizar o que consegui aprender ontem na conferência.
Aqui fica um calendário das suas próximas conferências:
10 Novembro, 5ª fª, 18h00 – “Catholic thought and Culture”
Conferência integrada no ICNE
UCP, Anfiteatro A1
Entrada Livre
11 Novembro, 6ª fª, 19h30 – “G K Chesterton: Wisdom and Innocence”
Conferência promovida pelo Centro Cultural de Lisboa Pedro Hispano, integrada no ICNE
UCP, Anfiteatro A1
Entrada Livre
12 Novembro, sábado – “CS Lewis and The Chronicles of Narnia”
Tertúlia em hora e local a determinar
Afixado por Bernardo Motta em 10 de novembro de 2005, às 13:21
Afixadelas
Bernardo,
"os entusiastas visionadores da saga cinematográfica O Senhor dos Anéis (eu sou um deles) estão a ver na tela uma recriação de um mundo fantástico criado com base numa vivência espiritual profundamente católica e profundamente tradicionalista."
Eu diria que é um mundo fantástico construido a partir, e em função, das mais antigas crenças e mitos da origem e destino do Homem, atormentado pelas eternas disputas entre as forças do Bem e do Mal que conduzem a sua existência.
São as crenças que fazem parte da,esotéricamente chamada, Tradição, na qual também a religião católica se foi alimentar.
Afixado por maria em 10 de novembro de 2005, às 22:51
Ah! Estou entusiasmada com a próxima estreia das "Crónicas de Nárnia"! Espero que a realização não seja demasiado "infantil"...
Até breve
Afixado por maria em 10 de novembro de 2005, às 22:58
Cara Maria,
Obrigado pelo seu interessante comentário. Fiquei curioso pelo seu uso da palavra "Tradição", assim mesmo, com "T" maiúsculo. Será que andamos a ler os mesmos autores? Gostava que me escrevesse um pouco mais sobre o que entende por "Tradição", porque me parece que poderemos ter pontos de vista muito semelhantes.
Cumprimentos,
Afixado por Bernardo em 11 de novembro de 2005, às 10:08
