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novembro 22, 2005
Mais Diálogos com Helena à beira rio
- Helena, como danças?- Como criança, como a criança que era, que esquecera, que recordei, que voltei a ser. Como ser. Danço como ser. Quando danço não possuo. Sou livre e o mundo é livre. É a minha cosmética. De manhã, antes de entrar no mundo, há quem se pinte, há quem se alegre. À noite, antes de entrar no cosmos…
- No cosmos?
- Na ordem.
- Na ordem?
- É o que significa cosmos. A ordem depois do caos. De dia danço no caos, de noite danço na ordem. No cosmos. A ordem do movimento do sol e da lua e dos outros corpos. Os corpos dos mortos nas recordações dos sonhos, os corpos dos vivos na recordação do ser, os corpos celestes na recordação do nada. E cresço. Na ordem, medro. No caos aprendo a coar…
- Aprendes a…
- Sim. Nunca viste fazer queijo? Em pequena eu vi. É como uma dança. Agora que sou maior recordo o coar e escolho. É a virtude do caos. A liberdade.
- ?- Só aprendes a liberdade no caos, o lugar da escolha. Se não tens escolha não és livre. Podes ser um prisioneiro dourado, mas não és livre.
- E a dança?
- É o teu destino a que não podes fugir. Mais cedo ou mais tarde irás dançar. Não podes fugir a isto. Apenas podes escolher o momento.
Helena rodou sobre si mesma e entrou num raio de sol que brilhava no pêlo do gato.
Afixado por Gibel em 22 de novembro de 2005, às 17:45
