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novembro 11, 2005
Não baixamos, não baixamos !
Palpita-me que a descida do PVP das gasolinas e afins, em consequência da alteração do preço do pitróil vai ser ligeiramente, só um nadinha, coisa pouca, um xiribi mais lenta do que foi a subida. E, nem sei explicar muito bem porquê, mas era capaz de apostar que vamos assistir a um fenómeno clínico de perda de reflexos no tal do processo causal de determinação do quanto temos que abonar à rapaziada das bombas, em retribuição pelos abastecimentos do refinado produto.
Como são empresas que sobrevivem com muitas dificuldades, deixo algumas contribuições para o rol de justificações que poderão ser apresentadas quando forem confrontadas com tal disparidade:
1. Seria anti-patriótico privar o Estado das receitas fiscais extra proporcionadas pela alta dos preços;
2. Impreparação da economia portuguesa e seus mercados para um mecanismo de redução de preços (não seria inédito mas quase);
3. Às tantas desatava tudo a andar de carro e a passear e tal, e davam cabo do ambiente;
4. Ah baixou ? Não temos lido as notícias.
5. Inversão das práticas comerciais, passando o sistema a funcionar em contra-ciclo (pelo menos enquanto o pitróil estiver a descer);
6. Vejam lá que por azar tínhamos acabado de repor o stock, mesmo antes de o crude baixar, agora temos que gastar este todo, a preços antigos. Que maçada.
7. Paguem e não chateiem !
8. Então e depois, como é que pagávamos o ordenado ao Fernando Gomes ?
Seja qual for a opção de resposta, não se esqueçam de concluir o diálogo com o sempre agradável, "O Xõr não quer aderir ao cartão dos pontos ?" e têm assegurada a manutenção da confiança que preside à relação com o universo da clientela .
Afixado por Jon em 11 de novembro de 2005, às 00:14
Afixadelas
Jon,
É justa esta tua leitura. E digo-te que já se fizeram guerras civis por muito menos...
Eu vou olhar pacientemente para os mostradores das gasolineiras, na esperança de ver qualquer coisa a descer... Só que vou olhar sentado!
Gosto particularmente da tua razão número 5. Essa do "contra-ciclo" é de morte!! ;)
Afixado por Bernardo em 11 de novembro de 2005, às 13:59
Não gostei muito deste post. É demasiado generalista. Não devemos esquecer que há critérios defenidos para as mudanças de preço. Esperaria, neste blog, ver o assunto comentado com mais "profissionalismo". Algo em que se estudasse e desse a perceber a verdadeira causa do problema. Agora há uma coisa que não nos podemos esquecer, do ponto de vista económico, baixar preços é decrescer. E nenhuma empresa pode decrescer.
Afixado por NS em 11 de novembro de 2005, às 16:30
Ora bem NS, se a inclusão de termos como pitróil, xiribi, e xôr, não são suficientes
para perceber que o teor do texto não era propriamente rigoroso e académico, talvez o problema seja do leitor.
Aliás o adjectivo profissional, que eu saiba,caracteriza actividades cuja contrapartida seja um salário, ou honorários, ou qualquer coisa do género. Infelizmente as asneiradas que escrevo aqui, são mesmo pro bono. Se alguem achar piada, melhor...
Também não me parece que andes a procurar a informação credível e cientificamente precisa nos locais correctos. Nos blogs, acima de tudo transmitem-se opiniões, e cada qual o faz, com o estilo que lhe apetece, ou que lhe dá mais jeito.
Mas já agora aconselho uma revisão urgente desses conceitos económicos. Há quem ache (e eu sou 1 deles), que baixar preços é sinónimo de concorrência real, e não cartelizada, à imagem do que sucede em demasiados sectores da nossa economia.
Se te deres ao trabalho de ler a portaria que procedeu à liberalização dos preços dos combustíveis, até está lá escrito que o objectivo foi favorecer o consumidor. Se me conseguires explicar como é que a impossibilidade de baixar preços permite alcançar tal desiderato, agradeço.
Como eu percebo pouco destes assuntos, deixo-te com os ensinamentos de um tal de Henry Ford. Aconselho vivamente a leitura, por exemplo, da biografia do senhor, pode ser que dê para aprender qualquer coisa.
"I'm going to democratize the automobile," Henry Ford had said in 1909. "When I'm through, everybody will be able to afford one, and about everybody will have one." The means to this end was a continuous reduction in price. When it sold for $575 in 1912, the Model T for the first time cost less than the prevailing average annual wage in the United States. Ignoring conventional wisdom, Ford continually sacrificed profit margins to increase sales. In fact, profits per car did fall as he slashed prices from $220 in 1909 to $99 in 1914. But sales exploded, rising to 248,000 in 1913. Moreover, Ford demonstrated that a strategic, systematic lowering of prices could boost profits, as net income rose from $3 million in 1909 to $25 million in 1914. As Ford's U.S. market share rose from a respectable 9.4 percent in 1908 to a formidable 48 percent in 1914, the Model T dominated the world's leading market.
Já viste no que deu o "decréscimo" da Ford ?
P.S. Nem toda a gente tem muita pachorra pra levar a vida demasiado a sério.
Afixado por Jon em 11 de novembro de 2005, às 21:56
Incha Pacheco!!
Grande Jon ao mais alto nível....isto sim é trabalho de artista a recriar-se com o esférico...
NS...vai passear o cão.
Afixado por El Greco em 12 de novembro de 2005, às 04:06
O nosso Jon tem fibra para isto e muito mais!
Bela resposta, pá!
Sinceramente, aquela dos preços não poderem descer é de matar a rir... Bem... Cada qual procura, psiquiatricamente, o melhor paliativo para justificar o facto de, todos os dias, largar cada vez mais pilim na bomba para puxar a mesma quantidade de pitróil...
Afixado por Bernardo em 14 de novembro de 2005, às 10:27
Para quem não tem pachorra "pra" levar a vida demasiado a sério tive uma resposta muito grande. Acho que aqui se vê o modo de ser do português ou se reage de um modo encrispado a uma crítica negativa. Efectivamente, o texto não me pareceu rigoroso e académico, mas uma chacota injusta para com as empresas petrolíferas.
Em relação ao profissional, tal palavra vinha entre aspas, ou seja não era para levar à letra.
Discordo novamente com o que dizes, ao dizeres "e cada qual o faz, com o estilo que lhe apetece". O Afixe é lido por milhares de pessoas, são palavras escritas num "local público" e de fácil acesso. Há limites, na minha opinião.
A questão da portaria é um problema do Estado. Se me explicasses como é que retirar um travão ao preço iria favorecer o consumidor, é que agradecia.
A questão da Ford, não é comparável com a questão do petróleo. Um deu-se num período de prosperidade económica, outro num período de recessão. A sensibilidade de um automóvel em relação ao preço, não é comparável com a dos combustíveis, etc. etc.
Quando eu digo que não é possível baixar demais o preço tem a ver com o investimento privado, os accionistas querem rendibilidade. Se perderem rendibilidade, aconte como aconteceu na Shell, vão investir o dinheiro noutro sítio.
O que na realidade acontece é que o petróleo é um bem escasso. As pessoas têm que se convencer disso. E cada vez mais, só as pessoas com mais possibilidades financeiras lhe terão acesso.
Afixado por NS em 14 de novembro de 2005, às 10:31
Se calhar fui eu que li mal. Tinha a nítida sensação que anteriormente tinhas dito que os preços não podiam descer. Agora, parece que não podem é descer demasiado... Fui eu que li mal, de certeza.
Chacota foi de certeza (apesar de não ser palavra que eu utilize). Se foi injusta ou não, isso já são opiniões e quanto a essa parte, respeito a tua, embora me pareça quase indefensável.
A explicação para o benefício que resulta para o consumidor, da liberalização de preços, já estava no meu comment anterior, quando mencionei a necessidade de existir concorrência real por oposição à cartelizada.
Volto a chamar a tua atenção para o texto sobre o Ford. Também está lá bem explicado que o abaixamento de preços não tem (longe disso) como consequência obrigatória, qualquer perda de rendibilidade.
Depois, bom mas bom, é o resultado a que se chega, com o último comentário: Essa de não se poderem baixar os preços, porque se atravessa uma época de recessão é a facada final e fatal na lei de mercado. Pensava eu que na recessão se assistia à queda da procura e dos preços por arrastamento. Mas afinal...
Se eu não tivesse ficado convencido, o argumento da escassez do pitróil, arrumava comigo. Não achas que devíamos aplicar isso também ao oxigénio ?
Afixado por Jon em 14 de novembro de 2005, às 21:51
Embora não pareça, até acho que nos estamos a entender.
Nos anos de ouro do ínicio do século passado, a tendência era a subida de preços, Ford foi a excepção de sucesso.
Hoje estamos em recessão. Há excepções: Ouro, carros de luxo, casa de luxo, barcos e … petróleo. Como deu para perceber eu não percebo grande coisa de economia, mas penso que a gasolina é um exemplo clássico de produto inelástico, quase sem sensibilidade em relação ao preço a curto prazo.
Para concluir a minha participação neste diálogo, efectivamente eu não disse que os preços não podiam baixar, disse que as empresas não podiam decrescer, e estava a falar da rendibilidade/resultado, devia ter especificado melhor. (eu ainda sei que 1.23 é menos que 1.21).
Afixado por NS em 15 de novembro de 2005, às 14:31
Por mais que desça, será sempre alto de mais,
Por mais que suba, será sempre menos de que pouco
Por mais que se mantenha, será sempre demais
Por mais que se poupe, será sempre mais do que pouco
Afixado por Alpiarcense em 21 de novembro de 2005, às 21:48
