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novembro 13, 2005
Nunca mais!

13 de Novembro de 2002. 13.15h. O petroleiro Prestige, ao largo do Cabo Finisterre, na Galiza, pedia socorro. O governo espanhol de José Maria Aznar rejeitava o apoio ao barco, designadamente algumas alternativas que poderiam ter sido o “mal menor”, como rebocar o Prestige para a chamada Costa da Morte, onde o impacto do naufrágio poderia ser limitado. Portugal rejeitou, também, qualquer vinda do barco para águas territoriais nacionais, e esperou que os ventos – como aconteceu – continuassem a soprar de sul.

A 19 de Novembro o barco afundava-se e a descarga de fuel (no total, mais de 80.000 toneladas) originou a maior catástrofe ambiental espanhola, com um distanciamento inexplicável das autoridades de Madrid e do próprio governo galego.
A reacção foi, de certo modo, inesperada. "Galiza se cabreó, por la primera vez!". E assim se criou o movimento "Nunca Máis", liderado entre outros por Manuel Rivas, um dos maiores escritores galegos contemporâneos e um dos fundadores do movimento Green Peace. Face às duplicidades de Madrid, os galegos mostraram que não tolerariam mais coisas semelhantes, e reuniram-se num esforço heróico para limpar as praias, salvar os animais e plantas marítimas, e defender os pescadores e donos de viveiros de mariscos, que viram de repente toda a sua actividade suspensa.

Passados três anos - e com uma grande manifestação esperada para hoje, dia 13, em Santiago de Compostela -, o caso continua nas mãos dos juízes, quer no que se refere aos comandantes do barco e à companhia que era a sua dona, bem como a alguns responsáveis do anterior governo e do comando portuário.
Há que fazer diversos esforços concertados para que não se repita uma coisa destas. A catástrofe do Prestige acelerou algumas medidas, designadamente a obrigatoriedade de cascos suplos que permitam conter a perda de fuel no caso de naufrágio. Por outro lado, a pressão popular conseguiu que fossem imaginados métodos para retirada do fuel restante que ameaçava "babar" durante anos e anos, e neste momento já não há qualquer ameaça dentro do Prestige, que assim repousa tranquilo a 4000 metros de profundidade.
E a pergunta subliminar é: e se fosse em Portugal? Ou, de outro modo, se os ventos tivessem soprado de noroeste, como são os ventos dominantes na costa portuguesa?
Para terminar, fica um pedaço de uma entrevista de Manuel Rivas. Para que "nunca máis".
Hay dos clases elementales de silencio. El acogedor, que invita a soñar, y el silencio estremecedor, el que destruye el sueño. Esta segunda clase de silencio, viscoso, imponente, demoledor, es el que caracteriza el avance de una marea negra. Ésa es la banda sonora de una catástrofe en el mar. Una intimidación que acalla, que enmudece a las mismísimas olas y hace del vuelo de las aves un peso muerto. Ese silencio también se adueñó del mapa humano de Galicia en los primeros momentos del desastre del Prestige, en noviembre del 2002. Además de compartir la pesadumbre del mar, el nuestro, aquellos primeros días, era un silencio de estupor ante las circunstancias que rodearon al siniestro
Afixado por Mário Cordeiro em 13 de novembro de 2005, às 00:00
Afixadelas
Nunca é demais relembrar este desastre, e relembrar a coragem do povo desta região, que se uniu de uma forma exemplar para salvar aquilo que o governo espanhol não considerou urgente salvar.
Afixado por Bernardo em 14 de novembro de 2005, às 10:20
