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novembro 12, 2005
ONDE É QUE A “BOMBA” VAI BUSCAR A SUA “INTELIGÊNCIA”?
Resposta: à Wikipedia. Querem saber como? É só terem a fineza de pegar no suplemento “Única” do “Expresso” de hoje e rumar à página 20. É aqui que hiberna a soporífera crónica semanal da minha estimada Carla Hilário Quevedo, aka “Bomba Inteligente”. O deslumbrante e original tema da semana é a cerimónia dos MTV Awards do outro dia. Melhor: o seu apresentador, o inexistente Borat.
Primeiro, a cronista trata de descobrir que “até agora, muito pouco, quase nada, foi dito sobre o apresentador”. Bem; “dito” talvez não, mas João Lopes não precisou deste tempo todo para se referir à performance em questão, fazendo-o logo em cima do acontecimento: “a certa altura, o mestre de cerimónia Borat Sadgyiev (aliás Sacha Baron Cohen), declarou que estava aflito para ir a uma casa de banho. De tal modo que na apresentação que se seguiu, partilhada com Britanny Murphy, ele se manteve em off a produzir sons de muito explícitas actividades intestinais. É verdade que se tratava de apresentar Shakira, mas nem ela nem ninguém merecia ser utilizada como carne para tão devastadora boçalidade.” Pronto: a “Bomba” não lê o DN; também não se trata de pecado de maior, convenhamos.
O pior é quando a senhora trata de justificar o cheque semanal do patrão Balsemão com uma leve e muito fresca resenha biográfica de Borat e do seu criador, Sacha Baron Cohen. Este terá nascido “no seio farto de uma família judia. O pai, Gerald Baron Cohen, natural do País de Gales e a mãe, Danielle Baron Cohen, israelita, tiveram três filhos, sendo o do meio o talentoso Sacha, que passou parte da sua adolescência a trabalhar como voluntário para o movimento juvenil sionista Habonim Dror. Depois de frequentar um colégio em Elstree e de estudar História em Cambridge, em 1994, longe das obrigações morais e estudantis, Sacha criou uma personagem chamada Borat, um correspondente do Cazaquistão no estrangeiro, gravou uma cassete e enviou-a ao Channel 4.”
Agora, vejamos o que nos diz a Wikipedia sobre este actor: “He was born into a middle-class Jewish family, the second of three sons of Gerald Baron Cohen and his wife Daniella. His father is originally from Wales, while his mother is from Israel. Much of his youth was spent volunteering for Habonim Dror, a Jewish youth movement. Cohen attended Haberdashers' Aske's School, a public school in Elstree, and went on to study history at Christ's College, Cambridge. (...) Cohen sent in a tape of him in character as Borat, a fictional television reporter from Kazakhstan”.
À parte o estilo confuso, a pícara cena do “seio farto” e a profusão de vírgulas, não se topa grande contributo original da nossa “Bomba”. Mas ainda há melhor...
Na entrada reservada ao próprio Borat, a mesma enciclopédia online escreve: “Tragically, his first wife was accidentally shot in a field after a hunter mistook her for a bear. Thankfully, Borat was able to cope with the loss of his first wife and he has remarried several times. Still, Borat's exceptional sexual virility has compelled him to maintain extramarital relations with a girlfriend, a mistress, and at least one prostitute. Incestuous relations with his sister, as well as incidents of bestiality with domesticated animals, have led some to question Borat's sexual ethics.” Querem ver a adaptação para Português? Bora lá:
“A mulher morreu vítima do engano de um caçador que a confundiu com um urso, mas Borat ultrapassou o trauma, casando várias vezes. Por causa do seu extraordinário vigor sexual, Borat tem ainda uma namorada, uma amante e uma prostituta. Prefere não falar da atracção pela irmã e por vários animais domésticos”.
Tudo, claro está, sem aspas nem menção à origem do texto. Para finalizar, a “Bomba Inteligente” remata com uma conclusão sibilina mas definitiva: “Nem toda a gente achará piada a Sacha Baron Cohen. Também nem toda a gente achava graça a Peter Sellers.”
Neste momento, inquieta-se o ansioso leitor: “mas por que raios terá ido ela chatear o pobre e defunto Sellers”? Resposta: porque neste último artigo da Wikipedia está escrito “Some have compared Cohen's Borat character with some of Peter Sellers' work.”
Como não vem lá invocado nenhum motivo para a comparação, a cronista queda-se muda na hora de a explicar. Mas eu e a IMDB até lhe damos uma ajudinha: é por causa do filme "A Festa", em que Sellers dá corpo a um suposto actor indiano, Hrundi Bakshi, mimetizando os tiques e comportamentos que os estereótipos atribuem aos indianos. Escusa de agradecer, cara “Bomba”.
Agora, fico a guardar a chegada do enxame de acólitas furiosas a protestar por mais este crime de lesa-majestade.
Afixado por João Garcez em 12 de novembro de 2005, às 19:42
Afixadelas
Onde é que eu já vi um filme parecido com este? Embora com personagem diferente.
Afixado por monty em 12 de novembro de 2005, às 20:52
João Garcez, não percebi qual é o problema. Naturalmente retirei os dados biográficos disponíveis na Internet, uma vez que não há - que eu saiba - uma biografia impressa do autor (nem da personagem). A comparação a Peter Sellers não a li em lado nenhum. Trata-se de uma feliz coincidência, o que prova que não estava enganada. Se alguma vez falar de Brad Pitt, pode ter a certeza de que buscarei na Internet os dados biográficos do actor. Ou mesmo de Herman José, para não ir mais longe.
Tenho a certeza de que Pinto Balsemão apreciará muito a sua preocupação com o dinheiro dele.
Afixado por Charlotte em 12 de novembro de 2005, às 22:03
Same old story: uma coisa é retirar informação, prática mais que comum, embora de lisura duvidosa, quando não declarada. Outra, extremamente diversa, é traduzir não só a substância mas também a forma do trabalho alheio, apresentando-o como seu.
Por exemplo, quando escreve "Por causa do seu extraordinário vigor sexual, Borat tem ainda uma namorada, uma amante e uma prostituta”, não lhe dá sequer um rebate de consciência pela concidência com o original "Borat's exceptional sexual virility has compelled him to maintain extramarital relations with a girlfriend, a mistress, and at least one prostitute"? Copiou a substância e também a forma!
Não percebe mesmo qual é o problema? Então, temos noções muito diferentes da ética destas coisas.
Quanto ao Peter Sellers, claro que leu essa comparação; estava na mesmíssima página de onde retirou a citação acima.
Afixado por João Garcez em 12 de novembro de 2005, às 22:37
Já nem falo do artigo. Realemnte inacreditável é o cmentário da Charlotte.
Afixado por monty em 12 de novembro de 2005, às 22:47
Ainda por cima, o decalque é logo feito da Wikipedia, enciclopédia construída por trabalho gracioso e onde há o maior dos cuidados em retirar entradas que firam direitos de autoria alheios.
Provavelmente, a "Bomba" nunca faria isto no seu blogue, copiando trechos de outro blogue sem o apropriado link...
Afixado por JG em 13 de novembro de 2005, às 00:10
Foi assim que a Clara Pinto Correia, a acreditar nas palavras da própria a uma destas revistas semanais, se "libertou".
Plagiar liberta. O quê, não sei, mas já há tantas na mesma linha que deve ser mesmo redentor...
E esta de dizer que não sabia do Peter Sellers é a cereja no topo do bolo.
Claro que todos nós vamos buscar coisas às mesmas fontes de informação e podem surgir linhas gerais parecidas.
Ainda hoje, quando li o Publico on line, parecia que estava a ler o post que escrevi e publiquei ontem, aqui da Corunha, sobre o Prestige (o meu é mais "velho"!).
Mas repetir palavras e frases inteiras...
Bof!
Este é o do Público:
"13h15 de 13 Novembro 2002: a tripulação do Prestige lança um grito de socorro. 14 de Novembro: as autoridades espanholas mandam o petroleiro, carregado com 77 mil toneladas de fuelóleo, avançar para o alto-mar. 19 de Novembro: o Prestige parte-se em dois e afunda-se a 270 quilómetros da costa da Galiza, ao largo do cabo de Finisterra, provocando a maior maré negra da história espanhola. Hoje, há manifestação em Santiago de Compostela"
Afixado por Mário Cordeiro em 13 de novembro de 2005, às 11:37
Posso só dizer que o filme "The Party" é verdadeiramente genial?
Valeu a pena ter lido esta história escabrosa! Não só pelo que se aprende, mas também pela recordação...
Afixado por P Vieira em 13 de novembro de 2005, às 16:45
Náo é preciso ser-se sempre original.
Tem é que se ser sério.
E plagiar não é copiar.
Plagiar é roubar. Isto é, é ser-se pago pelo trabalho dos outros.
Nem se trata de copiar para um blog e "esquecer" o link...
É publicar, contra um salário, aquilo que foi apenas copiado e mal traduzido, diga-se, de outra fonte.
Seja ela gratuíta ou não.
Isso tem um nome: Roubo. Apropriação de coisa doutrem com a finalidade de o prejudicar ou de se beneficiar simplesmente.
Vergonhoso!
Da resposta acima é melhor sorrir!
Afixado por Manuel Ferrer em 13 de novembro de 2005, às 20:02
Eu não vou crucificar mais a senhora do que muito que já foi realizado aqui.
Mas na verdade nunca considerei a sua Bomba muito inteligente. Por isso é com tanto links que tenho nos meus blogues o dela nem rastilho se vê. Ainda há uns dias aludi no meu último blogue que com a Wikipédia qualquer leigo fica expert num assunto em 2 segundos. Pelos vistos.
Mas se esta senhora nem se deu ao trabalho de disfarçar, há outros que disfarçam um pouco, mas sempre dá para os mais atentos verem a careca...
Quer-se tocar sete instrumentos, mas falta tempo e/ou talento.
Serviço público João Garcez, foi o que fez. obg
Afixado por fernando_vilarinho em 14 de novembro de 2005, às 01:40
A "Bomba" não disfarça o que é...
Em regra, é assim...elas gostam que assim sejam...dá-lhes prazer.
Faz-me lembrar a anedota em que 1 americana, 1 francesa e uma russa de Vladivostok são confrontadas com o caso prático seguinte:
"O que fariam se fossem largadas numa ilha deserta com 50 marinheiros?"
Cutting a long story short e indo ao essencial,naturalmente, a russa de Vladivostok responde:
"qual é o problema?"
O Manuel João diria "ela gosta...".
Eu gosto que elas gostem.
Afixado por El Greco em 14 de novembro de 2005, às 09:53
O que me parece mais ofensivo, mesmo ultrapassando a questão de que os autores da Wikipedia não são pagos, é que esta senhora faça os seus leitores de parvos.
Eu já estou acostumado a ver outros receberem dinheiro indevidamente. O furto da obra alheia é actividade amplamente praticada.
O que me escandaliza, e me enerva sobremaneira, é que me façam de parvo. Ainda ontem li o dito artigo da "Charlotte". E agora, lendo a explicação dada pelo JG, penso na quantidade enorme de portugueses que leram este fim-de-semana exactamente o mesmo artigo, sem saberem que, afinal, o conteúdo do dito artigo estava mesmo a um passo de distância, na Wikipedia.
"Charlotte", acha-se a única utilizadora da Wikipédia, ou mesmo da Internet?
O que me enerva, e me dá cabo dos nervos, é que por detrás deste acto está aquela esperteza saloia do português que se julga superior aos outros, e que toma todos os outros por burros...
Desculpem-me a irritação, mas não há direito em fazer dos outros parvos!
"Charlotte", os leitores que a senhora menospreza, e aos quais falta ao respeito, são aqueles que pagam todas as semanas o preço do Expresso, e que, ao fim e ao cabo, pagam o seu ordenado.
Gostos não se discutem, mas haja respeito por quem a ajuda a receber o seu vencimento!
Afixado por Bernardo em 14 de novembro de 2005, às 10:44
Seja como for, acho inacreditável que em todo o artigo e comentário da bomba, se esqueça de que o "inexistente Borat" é uma invenção de um talentoso comediante que também teve outra invenção, esta muito mais genial e aclamada: "Ali G".
Que a Wikipedia se esqueça disso é algo incompreensível... que a bomba se esqueça é algo previsível...
Afixado por Luis em 14 de novembro de 2005, às 12:34
Amigo Luis,
Olhe que a Wikipedia não comete semelhante omissão: basta clicar no link da entrada dedicada ao actor para ler "Sacha Baron Cohen (born 13 October 1971) is a British comedian, notable for his highly successful comedy character Ali G."
Aliás, nem a "Bomba" passou ao lado disto, justiça seja feita...
Afixado por JG em 14 de novembro de 2005, às 12:49
As bombas nunca são inteligentes...
Afixado por Boticário em 14 de novembro de 2005, às 13:27
Fiquei completamente abananado... Não sei o que dizer.
Afixado por CAA em 15 de novembro de 2005, às 11:23
Meu erro. Apenas li o post do Afixe e deparei-me com a ausência do personagem inglês mais interessante desde o Mr. Bean, e não pude deixar de o reparar. Pensei erradamente que tal ausência se prolongasse ao artigo da "Bomba".
Mas que ingenuidade a minha!! Obrigado pelo aviso, JG.
No entanto reparem que a senhora Charlotte já começa a fazer as coisas como deve ser (pelo menos no seu blog):
http://bomba-inteligente.blogspot.com/2005_11_01_bomba-inteligente_archive.html#113179437415157327
Para quem acha que tudo fez bem, porquê tal reviravolta de metodologia? Ah que insinuoso sou!!
Afixado por Luis em 16 de novembro de 2005, às 15:51
EU SABIA!!!! É raro perder uma crónica dessa "Inteligência". A razão é óbvia: esperava perceber a razão de uma página, na principal revista do jornal mais conceituado do país (se o jornal merece, ou não, ser conceituado, são outros 500). Não só nunca encontrei, como as crónicas sempre me pareceram muito semelhantes. Passo a explicar: Quando eram descritivas de "alguém", tinham sempre um cunho muito biográfico, o que me levou a pensar: "procura informações sobre X, escarrapacha na Única e ganha o seu!"
Admito que ao ler a do Borat me passou pela cabeça a Wikipedia (porque eu também a utilizo, mas não ganho dinheiro à sua custa). Não fui lá ver porque deduzi ser a minha má vontade, e constante embirração com a senhora. Afinal...
CATANO! EU SABIA!!!! Obrigado, muito obrigado, João Garcez. Sempre partilhei esta visão da Bomba. E detesto ser enganado.
PS: Ninguém enviou um email para o Expresso a denunciar o plágio?
Afixado por AMAFAS em 18 de novembro de 2005, às 17:11
