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novembro 27, 2005
Reflexões num domingo de sol

Salvador Dali - Cristo
Ontem "postei" uma coisa sobre salas de aula e crucifixos. Pensei que o assunto iria, de certo modo, ser pacífico. Um Estado laico e uma das muitas Igrejas (mesmo que a mais preponderante) devem manter relações cordiais, de cooperação, mas nunca de domínio. E o respeito pela igualdade de símbolos religiosos e de religião é determinante numa democracia não teocrática (haverá alguma que possa ser teocrática, ou será incompatível?).
Ao longo do dia de ontem ouvi várias declarações de "repúdio", "indignação" e "revolta" - não apenas da Igreja, como até eventualmente poderia ser de esperar, mas de partidos políticos laicos e de personalidades avulsas.
Se a Igreja decide, porque quer e com toda a legitimidade, tomar medidas dentro do seu seio, como ainda recentemente a história da ordenação de homossexuais mostrou, embora passível de comentários dos cidadãos, num país livre que somos (e parece que, às vezes temos medo de o ser), já me parece estranho que uma medida destas seja atacada com a violência com que o esta a ser, sendo o espaço, a sua organização e as decisões exclusivamente da competência de um governo laico de um país laico multiconfessional.
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Vendo a cois por outro prisma: não acham que estarem crucifixos nas salas de aula e espaços das escolas, sendo escolas estatais, é um abuso da liberdade religiosa? Nas áreas onde as chamadas "minorias" são já um larga maioria nas salas de aula (vejam-se as escolas de Loures ou da Amadora), que diriam se fossem colocados símbolos islâmicos, animistas, indús, budistas?
Fica a questão, para mais uma discussão "Aphixiana", neste novo "milionénio".
Bernardo: I am calling you to the stand! Pedro: saca aí de uns argumentos. Blue, Gibel, todos e demais: vamos dar argumentação a ambas as partes.
Abraços "milionários"
Afixado por Mário Cordeiro em 27 de novembro de 2005, às 12:47
Afixadelas
"Vendo a coisa por outro prisma: não acham que estarem crucifixos nas salas de aula e espaços das escolas, sendo escolas estatais, é um abuso da liberdade religiosa?"
OBVIAMENTE OBVIAMENTE OBVIAMENTE OBVIAMENTE
Sal de Portugal
(Diário do adeus aos Cigarros)
http://www.sal-portugal.blogspot.com/
Afixado por JAC em 27 de novembro de 2005, às 13:51
Outra vez? Volta e não volta o mesmo assunto? Pra isso mais valia fazer simplesmente um "link" para o debate que já se fez (e muito) neste MESMO blog.
Acho que se assiste a cada vez maior laicização do Estado e de todas as instituições, cujo único conceito aglutinador é a "Igualdade", quando muito a "liberdade", e de modo nenhum vejo a "fraternidade". Parece-me pouco, como elementos aglutinadores de um povo, por detrás deste conceito existe um fascínio qualquer pela "humanidade". O Problema é que nós próprios é que somos a "humanidade", portanto ninguém sabe o que ela é, se ela se referenciar a ela própria!
Por outras palavras: quanto mais laico formos, mais eu desejo que a Igreja consiga movimentar as suas pedras para fazer mais escolas suas, mais instituições, mais "sectores cívicos". Pois cada vez menor é o meu apreço pelo "sector público", que não é mais do que uma roda imparável e inconsciente de si mesma (não há porquês: apenas comos e um grito imaturo e constante de libertação - irresponsabilização - incompromisso).
Muito denso e pouco claro. É do teclado que hoje está duro e não me permite deambular em esclarecimentos mais detalhados. Peço desculpa.
Afixado por Luis em 27 de novembro de 2005, às 14:41
promiscuidades...igreja/poder ainda andam aí :(
Afixado por riquita em 27 de novembro de 2005, às 23:39
Concordo contigo, Mário.
Infelizmente ainda há muita gente que confunde Estado laico com sociedade laica.
Afixado por Marco Oliveira em 28 de novembro de 2005, às 10:42
Mário,
Claro que não concordo com a presença de símbolos religiosos nas escolas públicas, e claro que me parece ser uma situação que vai contra a constituição portuguesa.
Talvez concordasse se essa presença incluisse todos os credos, em paridade, em função dos existentes no país. É um problema complexo, que tende a colocar-se cada vez mais com a imigração e sensibilização a outras religiões que não a católica.
Eu sou tão católica quanto portuguesa. Tal não me impede de criticar nem a igreja nem o país, da mesma forma que não constitui obstáculo à simpatia por outras religiões e nacionalidades.
E, sinceramente, já cansa esta mania de colocar a igreja católica como vítima dos laicos, agnósticos e todos os outros diabinhos aquáticos...
O país, felizmente, está a libertar-se do domínio segregador de uma igreja provinciana, tipicamente portuguesa (salvo raras excepções). João Paulo II dedicou uma boa parte da sua vida a tentar estabelecer a paz e harmonia entre as diversas igrejas. Só mesmo a mentalidadezinha mesquinha, profundamente provinciana e clubista de certos grupos "ilha" portuguesas pode justificar a indignação verificada.
Afixado por bluegift em 28 de novembro de 2005, às 14:23
