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novembro 08, 2005
Um caso grave de patologia compulsiva e irresponsabilidade colectiva
Do DN
Nos próximos três anos, Vitorino Jorge Ferreira, de 21 anos, não pode cometer qualquer infracção. Foi acusado de 29 crimes e muitos outros estão ainda por resolver judicialmente. Ontem, o Tribunal de Valongo foi condescendente com o jovem, que desde os 14 anos vem acumulando dezenas de acusações por condução ilegal, e aplicou-lhe uma pena de três anos de prisão suspensa por outro tanto tempo.Confiante, Vitorino ouviu, de pé, a decisão do juiz. À saída do tribunal, não hesitou. Disse que "houve justiça" e que não merecia ficar detido. Mas, "durante três anos fica com a espada sobre a cabeça", avisou o presidente do colectivo, explicando ao jovem que, caso se verifique uma reincidência, aplicar-se-á a condenação. A execução desta pena fica ainda dependente do resultado dos restantes processos que não transitaram em julgado, também todos relativos a condução ilegal. Por isso, o advogado de defesa, Fernando Moura, diz apenas que "esta primeira fase está ganha". Para esta decisão do tribunal contou o facto de as infracções terem sido cometidas num curto período de tempo - o arguido tinha entre 16 e 18 anos - e a circunstância de o jovem ter colaborado com a justiça e comparecido sempre ao julgamento. Vitorino saiu em liberdade, "na esperança de que a partir de agora assuma um comportamento conforme o direito".
Para trás ficam as multas pagas em dinheiro e as condenações em forma de serviço prestado à comunidade. Das 60 infracções cometidas, apenas uma vez foi "apanhado" pelos agentes. Dessa vez, como não trazia dinheiro para pagar a coima na hora, foi obrigado a trabalhar como coveiro durante seis meses. Nas restantes situações apenas a viatura foi identificada. Vitorino começou cedo a dar nas vistas nas estradas. Primeiro numa moto, mas como os acidentes eram muitos depressa passou para o volante de um automóvel, sem idade nem habilitações para o fazer. Quando chegou aos 18 anos ainda tentou tirar a carta, mas chumbou e desistiu. Agora é esse o seu sonho "Cometi muitos crimes e agora quero tirar a carta", garante.
Nem vale a pena comentar, muito menos o ar vitorioso, saudado pelos seus pares e quase levado em ombros, que pude ver ontem na TVI. Um potencial assassino da estrada, que fere 60 (sessenta!) vezes a lei e é glorificado. E ainda lhe vão dar azo a que tire a carta! Ninguém menciona uma pena de tratamento psicológico obrigatório. O percurso rodoviário deste jovem é altamente perturbador e indicia uma personalidade no mínimo estranha, com alguma dificuldade, quanto a mim, em definir valores éticos.
Vai tirar a carta? A questão é: "a quem?". E a vida de alguém? Tirará também?
Afixado por Mário Cordeiro em 8 de novembro de 2005, às 10:31
Afixadelas
Mário Cordeiro,
também assisti a essa reportagem e achei toda essa histeria colectiva muito estranha. Então, ele virou um herói perante a justiça e os crimes que comete? Ainda vai se tornar num herói nacional... Mas se há culpados só pode ser a imprensa medíocre que temos! Todo o julgamento agora é notícia...
Afixado por soslayo em 8 de novembro de 2005, às 11:50
Mais um que vai para as estradas para eu, e outros como eu, nos desviarmos todos os dias.
Foi apanhado 60 vezes, sabemos lá quantas vezes não foi apanhado!
Espero que o juiz se cruze com ele na estrada!
Afixado por Rodrigo Costa em 8 de novembro de 2005, às 14:05
Bem sei que a maior parte dos juízes que julgam estes casos, que devem ser muitos (este será apenas o último a merecer glorificação mediática), estão carregados de trabalho e têm que despachá-lo.
Contudo, se este jovem delinquente matar alguém, onde está a honra da Justiça portuguesa? Onde está o brio profissional do juíz que o deixou, mais uma vez, sair em liberdade?
Que tristeza de história...
Afixado por Bernardo em 8 de novembro de 2005, às 14:14
Quando vi esta notícia fiquei sem palavras e só pensei : estamos mesmo perdidos!... Como é que um "bronco" pode ser levado em ombros por ter conseguido ludibriar 60 vezes, no mínimo, a lei? Não, não é um criminoso, apenas colocou em risco 60 vezes a vida dos outros! Não, não matou ninguém, porque teve "sorte"! Infelizmente é este tipo de mentalidade pobre, absurda e irresponsável que cada vez mais caracteriza a identidade de largas camadas das novas gerações, para as quais a sociedade e as figuras parentais não souberam transmitir os necessários valores e princípios de dignidade. Parece um sermão moralista mas infelizmente é o mundo que todos estamos um pouco a construir.
Afixado por maria em 8 de novembro de 2005, às 23:19
Anda aí muito boa gente a precsiar de levar um tratamento a sério, a começar pelos que aplicam a lei e a acabar nos que a ignoram puro e simplesmente.
Quando não há respeito por nada nem ninguém, o cáos é inevitável. Partirmos do princípio que somos todos responsáveis, quando na realidade somos um povo de pacóvios boçais e ignorantes, dá neste resultado...Se o Isaltino e a Felgueiras conseguem porque não um desdentado anónimo...é tudo tão miserável, só me apetece fugir.
Afixado por El Greco em 9 de novembro de 2005, às 04:04
Mas onde está o espanto meus caros!!?
Em Portugal,nada me surpreende...mas mesmo nada!
Tudo é possível de acontecer e com a maior naturalidade do mundo! Acho,que não é necessário mais comentários
Afixado por Paulo M em 9 de novembro de 2005, às 19:58

Do DN