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dezembro 07, 2005
Dos Desenganos da Vida Humana*
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"É a vaidade, Fábio, nesta vida
Rosa, que de manhã lisonjeada,
Púrpuras mil, com ambição dourada,
Airosa rompe, arrasta presumida.É planta, que de abril favorecida,
Por mares de soberba desatada,
Florida galeota empavesada,
Sulca ufana, navega destemida.É nau enfim, que em breve ligeireza,
Com presunção de Fênix generosa,
Galhardias apresta, alentos preza:Mas ser planta, ser rosa, ser nau vistosa
De que importa, se aguarda sem defesa
Penha a nau, ferro a planta, tarde a rosa?"Gregório de Matos Guerra
* Desculpa lá, Fábio, mas não encontrei nada tão apropriado do teu De Góngora. Mas esta serve-te quem nem uma luva, hein? E, nota bem, na criteriosa escolha, tive o cuidado de me manter pela Escola que tanto prazer te dá. Ainda que assim não fosse, no que não concedo, já pela flor, que igualmente te entrego, ficam mortas as incertezas quanto à devoção da minha busca, pois nem ao nome escapou - a pobre.
Dá-lhes bom uso, que é o que te resta desta - que era bem sincera, acredita. Espero, ainda de forma leal, que a ilusão da fajuta superioridade compense eventuais desequilíbrios que as oferendas te causem.
Afixado por afixe em 7 de dezembro de 2005, às 10:41
