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dezembro 04, 2005

Bandeira inconstitucional?

A Bandeira Nacional não obedece à Constituição da República Portuguesa!

Notem bem que as cinco quinas formam claramente uma cruz!
Já para não falar nos cinco besantes dentro de cada quina, que podem provocar uma desagradável evocação das cinco chagas de Cristo!
Será que a sempre atenta Associação República e Laicidade já começou uma campanha para alterar a bandeira? Não tenho quaisquer dúvidas de que esta bandeira, assim como está, não obedece à Constituição. Como símbolo nacional, a bandeira não pode proteger qualquer credo!
A inclusão vergonhosa de iconografia cristã na Bandeira Nacional fere a laicidade do Estado!
Além do mais, no seguimento das recentes normativas ideológicas da União Europeia, devemos renegar a herança cristã da nossa História! Há que apagar rapidamente todas as marcas desse período obscuro dominado pela superstição!
Mudemos a bandeira! Já!

(NOTA: Este post é irónico e serve o propósito de tentar acordar alguns nossos conterrâneos do torpor laicizante em que se encontram. Convém fazer esta nota, porque há sempre leitores mais distraídos...)

Afixado por Bernardo Motta em 4 de dezembro de 2005, às 17:49

Afixadelas

Bernardo,

tu não dês ideias a algumas pessoas!

O símbolo mais essencial das armas Portuguesas, no entanto, não é propriamente a forma em cruz, mas os pequenos besantes dentro dos escudetes a conformarem as cinco quinas. Simbolicamente, as cinco quinas adicionadas aos 25 besantes representam os trinta dinheiros recebidos por Judas. Foi esse símbolo - o símbolo da traição - que, de acordo com o Testamento de Ourique, alegadamente firmado pelo nosso primeiro Rei e conservado sob a custódia dos crúzios de Santa Cruz de COimbra, deveria ser por todas as gerações irrevogavelmente mantido e respeitado, sob pena de o país perder a protecção e renegar um certo sentido escatológico. A República respeitou-o e manteve-o. Aliás, apesar de todos as vicissitudes históricas e revoluções por que o país passou, as cinco quinas foram sempre preservadas intocadas em todos os estandartes históricos.

Afixado por gibel em 4 de dezembro de 2005, às 19:02

Bem esgalhado. Não devias era ter revelado a ironia. ;)

Afixado por monty em 4 de dezembro de 2005, às 20:13

Gibel:
E ai de quem diga que, ao longo dos tempos, Portugal não respeitou o símbolo da traição.

Afixado por monty em 4 de dezembro de 2005, às 20:15

Bela sugestão. O próprio "t" situado na quarta casa da denominação dada à pátria, me parece bastante suspeito.
Graficamente é quase uma cruz, sendo, para mim evidente, a influência subliminar exercida pela inclusão de tal caracter, a qual é claramente susceptível de cercear a liberdade religiosa de todos os que leiam ou pronunciem tal palavra.
Ts, nunca mais!
Porugal, Porugal, Porugal!

Afixado por Jon em 4 de dezembro de 2005, às 20:25

exactamente Monty, ora porra! estou a chamar-te Monty! Não preferes Rogério? Adiante! Não tenho aqui à mão o livro com o documento, mas quando estiver a weblogar em casa reproduzo.

Jon LOL!

Afixado por gibel em 4 de dezembro de 2005, às 20:34

É constitucional sim, pelo menos pela cruz.
Quem disse que a cruz é propriedade dos cristãos? Quem assim afirma desconhece a antiguidade do símbolo da cruz e sua diversidade desde o aparecimento e evolução do homem.
Quanto a cruz relacionada com os cristãos é o mais vulgar toda a gente relaciona e actualmente concorda com isso, sem pensar muito mais, os primeiros cristãos também se identificavam pelo símbolo do peixe, e tenha sido por eles adoptada por ( há quem ponha em duvida ) ter sido nela que morreu Cristo o inspirador do cristianismo mas que era na antiguidade o objecto onde eram supliciados ate a morte os condenados e onde muitos morreram antes de Cristo.
Onde esta então a propriedade para a igreja dizer que aquele símbolo lhes pertence e mais ninguém pode usar como criação artística ou outra? foi ela que inventou? ou aproveitou um símbolo que já existia e no qual como acima referido morreu o seu Inspirador . Isso da-lhe o direito de excluir quem quer que seja do seu uso? por exemplo a bandeira. ( pondo de lado a ironia )
O culto da Cruz inicia-se com a descoberta do madeiro da Cruz pela imperatriz Santa Helena, mãe de Constantino, aconselhada espiritualmente por São Macário de Jerusalém. As relíquias da Cruz difundiram-se em todo o mundo.

Afixado por leopard em 4 de dezembro de 2005, às 20:42

Porque é que a comunicação social não investiga esta denúncia acerca do Cavaco?
Ele não paga impostos?
Ver tudo em http://www.amnestesiacanibal.blogspot.com/

Afixado por Manuel Ferrer em 4 de dezembro de 2005, às 20:50

leopard:

"O culto da Cruz inicia-se com a descoberta do madeiro da Cruz pela imperatriz Santa Helena, mãe de Constantino, aconselhada espiritualmente por São Macário de Jerusalém. As relíquias da Cruz difundiram-se em todo o mundo."

E os nosso Estado laico anda a dar nisso? Valha-me Deus, perdão, valha-nos o madeiro da Cruz.

Afixado por monty em 4 de dezembro de 2005, às 22:12

A jeito de intróito, para o excerto que vou reproduzir a seguir, dizia Goethe que "o símbolo é realidade, sem ser a realidade; é a imagem concentrada no quadro de um espelho espiritual e, no entanto, perfeitamente idêntica ao objecto"

"Eu Dom Afonso Rei de Portugal, (...) juro por esta cruz de metal (...) Eu estava com meu exército nas terras de Além Tejo, no Campo de Ourique, para pelejar com Ismael e outros quatro reis dos mouros, que tinham consigo infinitos milhares de homens. E a minha gente atemorizada com esta multidão, estava enfadada (...) E eu triste por aquilo que ouvia, comecei a cuidar comigo que faria; e tinha um livro na minha Tenda, no qual estava escrito o Testamento Velho (...) e li nele a vitória de Gedeão (...) adormeci sobre o Livro, e logo vi um Velho, que me dizia: Afonso, confia, porque viverás e desbaratarás estes Reis (...) e o Senhor se te há-de mostrar. Estanto eu vendo isto, chegou-se a mim João Fernandes de Sousa (...) e disse-me: "Senhor, levantai-vos, está aqui um homem velho que vos quer falar (...) E entrado ele onde eu estava, conheci ser aquele mesmo, que eu tinha visto na visão. O qual me disse: Senhor, vencerás, vencerás e não serás vencido. És amado do Senhor, porque sobre ti e sobre teus descendentes depois de ti, tem posto os olhos de sua misericórdia até à décima sexta geração, na qual se diminuirá a descendência, mas na mesma assim diminuída, o mesmo Senhor tornará a pôr os olhos e verá.(...) esta noite (...) sairás do teu arraial, só e sem companheiros, e mostrar-te-á a sua piedade. (...) Então armado com a espada, e escudo, saí do arraial, e vi subitamente para a parte direita contra o Oriente um raio resplandecente (...) logo no mesmo raio mais claro que o sol, vejo o sinal da Cruz e Jesus Cristo nela crucificado (...) humilhado me lancei em terra (...) Vós a mim Senhor? (...) O Senhor (...) me disse: Não te apareci desta maneira para te acrescentar a Fé, mas para fortalecer o teu coração neste conflito e para estabelecer e confirmar sobre firme pedra os princípios do teu Reino. Confia, Afonso, porque não somente vencerás esta batalha, mas todas as outras (...). Tua gente acharás alegre para a guerra e forte, pedindo-te que com nome de Rei entres nesta batalha com título de Rei. Não duvides, mas concede-lhe liberalmente o que te pedirem. Porque Eu sou o que faço e desfaço Reinos e Impérios. E a minha vontade é edificar sobre ti e sobre a tua geração depois de ti, um Império, para que o meu Nome seja levado a gentes estranhas.E porque os teus sucessores conheçam quem te deu o Reino, fabricarás teu escudo de armas com a divisa do preço, com que Eu comprei o género humano, e com que eu fui comprado dos Judeus. (...) Não se apartará deles, nem de ti alguma hora minha misericórdia, porque por eles tenho aparelhado para mim grande sementeira, porque os escolhi para meus semeadores para terras mui apartadas e remotas. (...) E eu, cheio de confiança e suavidade, tornei ao exército.(...) Pelo que mando a meus sucessores, que tragam por divisa e insígnia, cinco escudos patidos em cruz, por amor da cruz e das cinco chagas de Jesus Cristo, e em cada um trinta dinheiros de prata, e em cima a serpente de Moisés.(...) E esta será a divisa da nossa nobreza em toda nossa geração. E se algum outra coisa intentar, seja maldito do Senhor e com Judas traidor atormentado no inferno. Feita em Coimbra a vinte e oito de Outubro, da Era de Cristo mil cento e cinquenta e dois."

Assim se explicam as quinas. A serpente foi convertida em serpente alada pelo uso do grifo nas armas reais da dinastia de Aviz e deixou de ser usada a partir dos Braganças.

Ora, apesar de este belíssimo Juramento de Ourique partir da Tradição, o documento em que radica é apócrifo. Falso? Não necessariamente, pois afinal o símbolo é ou não realidade?

Afixado por gibel em 4 de dezembro de 2005, às 23:03

Rogério,
Desmascarar a ironia era fundamental. Senão, agora estaria aqui instalada uma confusão dos diabos.

Jon,
Gosto da tua demência.
Porugal! Porugal! Viva a Pária!

Gibel,
Que bela evocação, homem.
E que bela lição de História de Portugal. Só por estes teus comentários (e pela sugestão insólita do Jon), este post já serviu para alguma coisa!

Afixado por Bernardo em 5 de dezembro de 2005, às 09:43

O nosso estado laico? Sim oficialmente
O nosso estado já andou assim como todos, alias estado e igreja eram aliados de peso.
Mas em que aspecto andou e anda? A igreja sempre procurou que as suas posições doutrinarias (dogmáticas?) se reflectissem nas leis feitas pelo estado verdade ou mentira?
Tudo começou no concilio de Niceia, o imperador Constantino farto da bagunça que a nova seita, pois era assim mesmo considerada anteriormente pela elite da época adoradora de outros deuses romanos, decidiu por ponto final na bagunça e convoca o concilio.
Meus senhores entendam-se, definam os vossos alicerces filosófico dogmáticos e parem com a bagunça eu quero um império forte e com uma só religião, faço o favor de vos reconhecer oficialmente e vocês acabem com as discussões de facção quanto ao sexo dos anjos. Assim nasce o edifício que vai sendo formatado por outros pensadores s. Tomas de Aquino Santo Agostinho etc. nasce a santíssima trindade a divinidade oficial de Cristo e são combatidas as ideias arianas, foi um caminhar de mãos dadas com a igreja a ter o poder de intervir no mundo temporal mas não o contrario, poder de coroar reis destituir reis excomungar etc.
Dizer o estado não é influenciado é pouco. Alias tanto o clero secular como o regular foram perdendo o poder de influenciar os reis mas surgiu um poder que se manifesta na sociedade mas não se ve a formação de elites. E então temos os jesuítas que ao longo de séculos dominavam o ensino formando quadros para que? Para defender ideologias jacobinas? Temos a opus dei e do lado oposto temos a maçonaria, não tem matricula existem são formados e não são inertes.
Influencias recentes que eu me lembre testemunha ocular, uma recente manisfestação contra um filme religioso encabeçada por um falecido presidente de câmara de Lisboa, não pode ter tido mais publicidade o filme, um Nobel da literatura que viu um livro evangelho segundo…… de participar num concurso internacional cada vez melhor publicidade para mim são tiros no pé.
O estado não é influenciado? Há mais estados com concordatas? Como surgiu a concordata de 1940? foi imposição do estado a igreja ou o contrario? Efeitos da concordata. depois de 1976 o estado português estava proibido de legislar sobre o divorcio o falecido Salgado Zenha teve que ir mendigar ao Vaticano uma competência legislativa cuja iniciativa devia ser do próprio governo , para permitir o divorcio.
Então o estado nosso andar a dar nisso? Provavelmente não, não é o estado que tem religião são as pessoas mas quando se junta o politico com o religioso temos combinação explosiva, cruzadas, inquisição, expulsão de jesuítas perseguições aos padres e ordens religiosas no liberalismo e primeira republica o efeito é tremendo.
Mas como dizem alguns teólogos não se chega a deus pela razão então para que nos deu ele a razão? Para duvidar?
Deve ter sido dai que surgiu a navalha de ocham.
Quanto ao post de uma bandeira em branco, não pode ser melhor, e mais democrático cada um que faça a sua. será que o branco é a ausência de cor? Vou já experimentar.

Interpretação oficial dos símbolos no diário da republica da epoca da bandeira nacional
http://www.presidenciarepublica.pt/pt/republica/simbolos/pdf/30061911.pdf

Afixado por leopard em 5 de dezembro de 2005, às 10:48

Para certas respostas é necessária uma dose extra de pachorra, algo que não abunda actualmente por estes lados. Mas fica esta definição para os pobres perseguidos, vítimas alucinadas, perdão, iluminadas da monarquia falhada que habita estes pobres, perdão, nobres corações:

"O laicismo é uma doutrina filosófica que defende e promove a separação do Estado das igrejas e comunidades religiosas, assim como a neutralidade do Estado em matéria religiosa. Não deve ser confundida com o ateísmo de Estado."

fonte

Saaaaaaafa... a diferença entre estas ervas comuns e as árvores é abismante!

Afixado por bluegift em 5 de dezembro de 2005, às 21:46

Laicismo

Afixado por bluegift em 5 de dezembro de 2005, às 21:50

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