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dezembro 15, 2005
Ficaram com os anéis, salvaram-se os dedos
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«Fica claro que o objectivo era ficar com o avião. Ao fim de 14 meses prova-se precisamente isso», declarou hoje Luís Santos à RTP-N, pouco depois de ficar a saber que a juíza do processo o considerou inocente do crime de tráfico de droga na modalidade de transporte.
Afixado por afixe em 15 de dezembro de 2005, às 10:57
Afixadelas
Espero que agora seja possível processar o estado venezuelano pela imensa e escabndalosa demora do caso!
Afixado por Rui Martins em 15 de dezembro de 2005, às 12:14
Longe de mim ter pretensões a julgar (no âmbito criminal) quem quer que seja, pelo menos quando não disponho dos elementos concretos.
Se isto é verdade para aqueles que me parecem culpados, deverá sê-lo também para os que aparentemente o não são.
Talvez por isso, fiquei com a impressão que neste caso houve gente a mais a meter as mãos, os dedos e os anéis no fogo, como se alguma entidade divina tivesse anunciado publicamente a inocência do protagonista.
Não devo ter sido o único a ficar surpreendido com o bombardeamento de foi alvo o funcionamento da justiça venezuelana pelos portugueses, fossem eles meros curiosos, ou entidades com alguma responsabilidade, com a comunicação social à cabeça do pelotão, obviamente.
Se calhar sou eu que sou do contra, mas acho piada à diferença de postura que temos, sempre que tratamos ou nos referimos a países abaixo do equador. Fica-nos tão bem, malhar a torto e a direito, na organização política e judicial de realidades que desconhecemos quase em absoluto... Devem ser resquícios do luso-colonialismo, do tipo: “Se são mais escuros que nós, são selvagens.”. Podem trocar o “escuros” por meridionais, na frase anterior, que o efeito é igual.
Desde que este senhor co-piloto foi detido, que ouvimos de tudo sobre os políticos e magistrados da Venezuela. Acho que não exagero, quando resumo a imagem que foi passada para a opinião pública da seguinte forma: “Vejam lá que aqueles sacanas, tão a tramar o coitadito do honrado portuga, pobrezinho que tem que ficar numa casa sozinho a falar pelo messenger com a família e com os jornalistas) lá tão longe, só porque são analfabetos e nos querem sacar a bela da aeronave.”
Mas alguém tem ideia do que aconteceria, se os arguidos fossem venezuelanos e a história se passasse em Portugal. Preventiva era quase de certeza. Se é estrangeiro há perigo de fuga. Nem são precisas mais justificações.
Obrigação de permanência na residência, ou prisão domiciliária, como os jornalistas gostam de dizer, duvido que fosse aplicada. Ia mesmo para a pildra e depois logo se via. Quanto à duração da medida de coacção, aí então é mesmo melhor ficarmos caladitos. Tomáramos nós que todos os processos em Portugal se resolvessem no prazo de um ano ou perto disso.
Também devia ser engraçado assistir às reacções dos que agora se insurgiram, se na hipótese inversa, assistíssemos ao Chavez a vir dar “o toque” ao poder político nacional, com o objectivo de resolver rapidamente o processo. Aí se calhar lembrar-nos-íamos imediatamente daquela coisa chamada Separação de Poderes.
De qualquer forma, felicidades aos absolvidos e um humilde conselho: estejam caladinhos, metam a viola no saco e voltem satisfeitos da vida para o território nacional. Sair do tal pesadelo, e começar logo por se atirar com violência às putativas intenções das autoridades venezuelanas não me parece grande demonstração de inteligência.
Afixado por Jon em 15 de dezembro de 2005, às 13:05
Jon:
Penso que aqui o caso vai um pouco mais longe do que aquilo que referes. Repara bem que foram condenadas três portuguesas e dessas raramente se falou e nunca nada se reinvindicou. A questão é que parecia óbvia a inocência do co-piloto, sendo certo que foi unicamente por causa dele que as bagagens com a droga foram descarregadas. Daí a extrapolar para o facto de os fulanos quererem ficar com o avião foi um passo curto - e lógico. Sendo certo que, pelos vistos, nem era preciso tanto, pois ficaram com ele na mesma.
E é precisamente isso que eu não compreendo. O controle falhou e não foi na parte que competia aos responsáveis pelo avião.
Afixado por Monty em 15 de dezembro de 2005, às 14:12
Nem o meu objectivo do meu comentário foi criticar nenhum dos posts que aqui se publicaram a propósito desta situação.
O que me incomodou foi a ligeireza com que, em Portugal, genericamente se passou uma imagem de terceiro mundismo, em relação a um país, e/ou à sua máquina judicial, que (até prova em contrário) me merece tanta consideração como outro qualquer, com a agravante de, pelos motivos acima expostos, reconhecer muito pouca legitimidade a quem o fez.
Afixado por Jon em 15 de dezembro de 2005, às 14:21
Ok, eu percebo. E nesse ponto tens razão. Só queria era sublinhar que, no caso, havia razão para revolta. Claro que se fosse ao contrário seria, como dizes, sem apelo nem agravo. Prisão preventiva e, possivelmente, por mais de 14 meses.
É uma boa altura, e o teu comentário vale por isso, para olharmos para a arrumação dos nossos quartos.
Afixado por Monty em 15 de dezembro de 2005, às 14:41
Quando comento um assunto, costumo fazê-lo com conhecimento de causa. Acontece que eu sou de Arraiolos e conheço muitíssimo bem o assunto.
Acontece que um dos meus filhos é tripulante de uma companhia aérea, faz parte portanto do pessoal de voo. O que aconteceu ao co-piloto, podia ter-lhe acontecido a ele.
Acontece que eu não posso compreender como é que é atribuida a mesma pena (9 anos) a três acusadas, sendo uma delas a de maior relevância na rede de tráfego e inculpada no processo que corre os seus trâmites em Portugal, outra uma intermediária e a terceira uma mera convidada para dar um passeio à borla, sem saber ao que ia.
Acontece que a pena de 9 anos, é pequena para casos destes e ao facto não deve ser estranho o facto de estarem implicados no caso pessoas venezuelanas importantes.
Acontece que, desde sempre, as autoridades venezuelanas pretenderam o avião. Mas isso é facto que não me preocupa minimamente, mas sim à companhia de seguros e de resseguros, o que me é completamente indiferente.
Lamento é que se fale por falar.
Afixado por Peter em 17 de dezembro de 2005, às 16:12
