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dezembro 14, 2005
Hoje à noite, às 23h15, na RTP...

Um filme belíssimo para o pós-debate fratricida (que é às 20h45 na TVI). De Alejandro Amenábar, com Javier Bardem no protagonista, conta a história real de Ramón Sampedro, um homem que esperou 27 anos para morrer. Não o recomendo por ser - que não sou - defensor da eutanásia, assunto sobre o qual tenho grandes dúvidas. Mas porque dá que pensar. E é uma belíssima obra. Por isso, não percam. Depois até podemos debatê-lo. E um abraço para todos.
Afixado por Pedro Cordeiro em 14 de dezembro de 2005, às 19:42
Afixadelas
Pela minha parte, só tenho a agradecer esta chamada de atanção. Trata-se de um filme que quis muito ver, na altura em que estava nas salas de cinema, mas que acabou por sair de exibição sem que o tenha feito. Portanto, apesar de ter que me levantar pela fresca amanhã, não me parece que vá perder esta oportunidade.
Saudações e obrigado, mais uma vez!
Afixado por Carriço em 14 de dezembro de 2005, às 21:27
Boa noite, Pedro!
Que maravilha sua indicação. Para mim, o importante do filme não foi discutir a eutanásia, mas, todo um contexto que envolveu aquela família, tão carente e dependente das migalhas de vida que o personagem,Ramon, poderia dar a eles.
Claro que sou contra o suicídio sob todas as formas, entretanto, cada pessoa tem o livre-arbítrio para decidir sobre o que quer fazer, até aí temos que concordar mesmo não sendo o correto a fazer. Há sempre uma saída para qualquer situação difícil, o problema é quando passamos a responsabilidade para outros, no caso de Ramon, ele não apresenta desespero ou amargura e, sim uma prisão, que segundo ele o libertará com a morte.
Há um suicida dentro de casa um de nós. Como ele se manifesta? Vai depender da sua estrutura emocional que dirá de qual "barro" você é feito.
Afixado por Elvira em 15 de dezembro de 2005, às 03:54
conheci esse caso real por uma questão de proximidade geografica nos anos 80.uma inconsciencia da juventude redundou numa tragédia existencial.
grandes duvidas? as duvidas devem-se expor, autodeterminação sobre a vida, sobre a morte?
ninguém pediu para nascer, será que adquire o direito de escolher morrer?
Afixado por leopard em 15 de dezembro de 2005, às 12:16
http://www.eutanasia.ws/ramtest.html
Afixado por leopard em 15 de dezembro de 2005, às 13:37
Sobre este assunto, também, tenho mais dúvidas que certezas.
A tentativa de suicídio [ao contrário da tentativa de homicídio] não é penalizada criminalmente... será que isso não pressupõe da parte do legislador um reconhecimento da liberdade de cada um para... já que não decidimos quando nascemos, possamos decidir quando morremos?
O suicídio é um acto individual, a solução para o impedir seria colocar um polícia atrás de cada cidadão [os polícias, também, se suicidam].
A questão abordada no filme - a eutanásia - é uma questão muito mais abrangente, tem fundamentalmente a ver com a qualidade de vida.
Afixado por pedro oliveira em 15 de dezembro de 2005, às 18:07
Exactamente tem a ver com a qualidade de vida e escolher não viver ou viver de acordo com essa qualidade de vida, porque morrer então? perguntaram ao Ramon e ele diz "Porque a vida para mim neste estado não é digna".
Vale a pena meditar numa frase do pai, que dizia mais ou menos “ pior que ter um filho morto é ter um filho que se matar” e reflectir na questão do sofrimento e de levar a cruz ao calvário tão cara ao cristãos.
O desejo de se manter vivo passa então pela capacidade de viver a vida, ou pela intensidade do desejo de não mais ser mantido vivo. E por se tratar de uma escolha individual de acordo com a qualidade de vida é que não há que temer o receio da eutanásia isso é uma falsa questão e um argumento para assustar . Pessoas que consideram suas vidas indignas não significa que a vida de outras pessoas em condições semelhantes seja, por analogia, também indigna e queiram por fim ao sofrimento.
Um Estado democrático assentado na razão pública reconhece o direito de estar e de se manter vivo como um dos mais fundamentais. Mas o mesmo Estado não deve transformar o direito no dever de se manter vivo. Ninguém deve ser obrigado a viver, assim como ninguém pode ter sua vida eliminada contra sua vontade. Vamos la falem da pena de morte e do caso recente de Stanley Williams http://sic.sapo.pt/online/noticias/mundo/20051213-Stanley+Williams+executado.htm perfeitamente reciclado e que foi executado.
A vida é um direito para os vivos, enquanto podem viver e quiserem viver, tenho o direito de não ser morto nem impedido de viver: todos têm o dever de me deixar viver de ter cuidados médicos tenho o direito de ser tratado, e todos têm o dever de me dar essa possibilidade. Mas também tenho o direito de dispor de mim mesmo não? Existem direitos da sociedade, do estado, da religião, sobre a disposição da vida? O homem é objecto de direitos tirando situações especificas? Eis as questões .
Testemunho de um especialista medico.
http://www.rolim.com.br/2002/_pdfs/leitor.pdf
Afixado por leopard em 15 de dezembro de 2005, às 20:32
já vi, revi e voltei a ver e emocionou-me sempre
Afixado por margarida v em 16 de dezembro de 2005, às 00:41
Boa noite amigos!
O tema, eutanásia, consegue mexer com os sentimentos de cada um de forma diferente: uns querem respostas imediatas para seus questionamentos, outros querem direitos legais que possam ser escritos em papéis, enfim, como disse nosso amigo Pedro Oliveira, a questão é muito mais abrangente porque passa por você conhecer todo o estágio evolutivo da humanidade e, como o homem foi convivendo com as transformações de toda natureza. Há coisas que para uns é normal, como a pena de morte, e para outros é um atestado de barbarie, aqui eu não estou dizendo que uma coisa é certa e outra errada, o que tento mostrar é como precisamos entender os sentimentos que movem o homem a procura do seu equilíbrio e de sua paz interior.
Pelo pouco que li sobre lei de conversação e lei natural, segundo a visão espírita, o homem deve preservar sua vida a qualquer custo, isso implicaria em uma pergunta: ATÉ MATAR? Como afixei ontem, há uma saída para todo problema, basta que nós queiramos enxergá-la sob a luz da razão, tentando controlar suas emoções a todo custo, não fingindo, mas olhando para o mundo com toelrância. Quem garante que eu não escolhi nascer?
Afixado por Elvira em 16 de dezembro de 2005, às 02:45
Você escolheu nascer? foi consultada por quem? Por seus pais? Mas eu entendo a sua questão, quando uma pessoa nasce deriva de um acto de seus pais, consciente caso seja planeado ou inconsciente / acidental, pois há exemplos de ambos os casos.
Muita gente se tivesse sido consultada diz que teria escolhido outra origem ( concerteza que é fácil advinhar quem assim diz) mas não é isso que interesssa.
Isto é tudo absurdo. falemos racionalmente não apelando a emoção. Estou começando a “entender” que a sociedade tem direitos sobre a minha vida, que eu não tenho, impedir-me de por termo a ela ( não suicídio) ou impondo-me mesmo acabar com ela (pena de morte), coisa que eu individualmente não posso decidir. Ou seja a vida é um bem indisponível para quem?
Viver é um direito não uma obrigação, juízes já chegaram a esta conclusão.no caso ramom
Uma citação
Marco Antônio Oliveira de Azevedo UERGS
Médico, Doutor em Filosofia e Conselheiro do Cremers
“Parece-me que alegar a impossibilidade de fazer uso de um poder de modo a retirar de outrem a proibição de dar fim à minha vida é, em analogia, escravizar-me. É submeter-me a uma obrigação sem que exista qualquer portador plausível de algum direito sobre mim. É impedir-me de forma arbitrária de fazer uso do poder que razoavelmente tenho ou ao menos deveria ter sobre mim mesmo e sobre minha própria vida (sabendo-se que se tratam de circunstâncias nas quais é razoável que a vida tenha deixado de ser um bem a seu portador). Assim, o direito de morrer é parte essencial do próprio direito à vida. Pensar o contrário é não pensar o direito à vida como um direito; é pensá-lo como sendo uma obrigação. O que me parece um passo para a admissão do totalitarismo.”
Afixado por leopard em 16 de dezembro de 2005, às 12:09
Olha amigos, esse tema é tão difícil de ser trabalhado e isso só mostra o quanto estamos longe de entender os vários pontos de conexão que temos com o mundo a nossa volta. Todos os questionamentos estão presos ao: primeiro eu; segundo eu; terceiro eu...É quase um desespero de quem está arrastando suas lamúrias pelos caminhos e as pessoas estão obrigadas a tratá-las como coitadinhos; o pensamento torna-se egoista e mesquinho pois se tomarmos, novamente, Sampedro por referência, ele não levou em conta o tanto de vida que ele produzia naquela condição, o quanto transformou a vida daquelas pessoas que o rodeavam. O que estou tentando dizer é que: pessoas na condição dele, existem por aí perdidos no mundo e nem por isso querem morrer porque enxerga coisas que nós em nossa pequinez e egoismo nem paramos para dignarmos um olhar.
Eu já cheguei a ter dúvidas quanto aos sentimentos que torna alguém um suicida em potencial; em um momento achava ser um ato de extrema coragem dar fim a sua vida, passa uma visão romanciada de um poder inexistente, depois percebi que os suicidas, de forma inconsciente, passam para os outros a responsabilidade de responder as questões que circundam o ato e, através da morte todas as dores sem resposta desapareceriam restando o choro inconformado da família que, apesar de tentas, nunca acha resposta.
Vamos parar um pouquinho e olhar para as nossas dúvidas sem apelar para a autopiedade.
Um grande abraço a todos e obrigada por me deixarem falar a vocês.
Afixado por E em 17 de dezembro de 2005, às 02:39
"Porque a vida para mim neste estado não é digna".
Não posso sequer, mesmo utilizando toda a fantasia, a imaginação e a especulação, entender o que é passar mais de 20 anos naquela situação.
Discordo apenas da questão da dignidade. A vida de Ramos Sanpedro foi de uma dignidade extrema. E o seu sofrimento deixou um legado ao mundo - um legado incalculável. Que nos permite, por exemplo, reflectir sobre estes assuntos com maior sensibilidade. Que permite ver, mais uma vez, que os seres humanos e a sua intervenção e "impressão digital" na evolução da Humanidade não se medem pelos anos que vivem nem pela "normalidade" que respeitam.
Todas as pessoas têm significado. Tudo, aliás, tem significado. Só o facto de pensarmos numa folha de uma árvore faz com que ela passe a ter significado.
Quanto à eutanásia, merece um forum ou uma discussão mais, diria, "organizada" neste Blog.
Parabéns, Pedro, pela lembrança.
Afixado por Mário Cordeiro em 17 de dezembro de 2005, às 20:21
Quanto ao questionamento de Leopard, só quero dizer que: sou espírita e faço o estudo há três anos, nele abordamos questões de toda natureza, inclusive o suicídio e, foi através do estudo que passei a acreditar na escolha para nascer, na escolha da família, na escolha dos problemas a enfrentar, entre tantas outras coisas e, o que diferencia umas pessoas das outras é a forma como elas estão preparadas para enfrentar as situações. O fato é: existe uma situação adversa em nossa vida, temos que conviver com ela, então, a sua decisão e postura diante dela vai dizer ao mundo quem é você.
Não quero dizer, aqui, que o meu pensamento é correto,mas tento, agora, não dimensionar os problemas e sim compreendê-lo sem me auto-flagear, tanto.Há momentos em que minha cabeça dá um nó e tenho que parar tudo e enxergar as coisas expostas com todos os requintes de dúvidas e tormentos e, essa forma de pensar atesta minha sanidade.
Desculpa Leopard se não me fiz entender.
Um abraço
Afixado por Elvira em 17 de dezembro de 2005, às 21:58
Cara “E” não sei se “Elvira” ou não, é me indiferente, não tem nada que agradecer pelo menos da minha parte, a conversação online neste espaço de comentários deste blog.
Não tem outro propósito por mim esta replica senão repor algumas situações que eu não me sinto descrito nelas e portanto sinto alguma necessidade de expor. Foi dito por “E”
“É quase um desespero de quem está arrastando suas lamúrias pelos caminhos e as pessoas estão obrigadas a tratá-las como coitadinhos; o pensamento torna-se egoista e mesquinho pois se tomarmos, novamente, Sampedro por referência, ele não levou em conta o tanto de vida que ele produzia naquela condição, o quanto transformou a vida daquelas pessoas que o rodeavam. O que estou tentando dizer é que: pessoas na condição dele, existem por aí perdidos no mundo e nem por isso querem morrer porque enxerga coisas que nós em nossa pequinez e egoismo nem paramos para dignarmos um olhar.”
Eu tinha apelado a uma conversa racional e não a apelos emocionais, isto que aqui se reproduz são juízos de valor sobre as pessoas, coisa que eu não fiz, só expus ideias concorde-se ou não com elas. E dei exemplos de algum suporte académico.
Por isso como não sou egoísta nem ando perdido, resta-me dizer que baseado na transcrição anterior, muito mal vão as coisas quando a nossa felicidade depende do sofrimento de outrém, mas cada um tem o seu direito a ser martir não tem o dever de o impor a outros.(sofrimento claro esta na perda de dignidade de vida por motivos de saúde(doenças terminais ou acidente) dos outros para transformar as nossas vidas, sem que essas pessoas possam dizer ou mesmo dizendo não que concordam com isso. onde esta o egoísmo? Não é precisamente nestas pessoas que precisam do exemplo dessas outras invalidas. agonizantes? para quê? para dar conforto? para acarinhar será a auto-piedade de quem? Não confunda. O exemplo seguido por uns não deve ser generalizável
Eu só queria dizer, que em abstracto, assim como tenho o direito de viver também devo ter de não viver, é uma opção que eu nunca usaria por motivos éticos, morais, educacionais, e ate religiosos, e porque amo demasiado a vida, mesmo imaginando-me naquela situação tetraplégica. mas eu, tal como uma moeda tem duas faces, também em abstracto queria ter essa disponibilidade, não para jogar ao caras ou coroas mas porque o direito de viver com dignidade deve ter o seu oposto em abstracto. Eu quero saber que tenho esse direito, mesmo que nunca o use. Alias tenho muitos direitos que as leis me concedem simplesmente nunca me colocarei nas situações jurídicas descritas para os exercitar, mas sei que os tenho e se tal acontecer esta na minha opção exercita-los ou não. Se a “E” tivesse esse poder tirar-me ia a minha autodeterminação? Afinal quem esta a impor o que? Eu deixo na capacidade de cada um se autodeterminar de acordo com cada caso ( conforme posições religiosas éticas morais familiares etc acrescentem aqui o que quiserem) e não na obrigação de seguir um destino.
Citação:
“Assim, o direito de morrer é parte essencial do próprio direito à vida. Pensar o contrário é não pensar o direito à vida como um direito; é pensá-lo como sendo uma obrigação. O que me parece um passo para a admissão do totalitarismo.”
Mesmo que nunca me colocasse na situação de os exercitar acho que devo ser eu e não a sociedade, a optar.”
Quando falei para falar racionalmente é porque não se pode ir ao estado invocar a moral, a emoção. mas sim direitos. Concerteza que o estado tem moral e essa reflecte-se nas leis, mas são estas que se invocam. E como as sociedades mudam a moral também muda e por conseguinte as leis muitas vezes são reflexo destas transformações, basta fazer uma rectrospectiva histórica e ver estas mudanças, agora imaginemos que isto não acontecia e vejamos que tipo de sociedade teríamos, da idade média? por exemplo estas conversas despoletadas nas sociedades, embora haja um núcleo duro da moral que se reflecte nas leis, que digamos mais ou menos eu diria que para mais é imutável e faz quase parte do direito natural porque impregna a natureza do homem como ser humano. E que devia ser universal mas não é.
Considero encerrada a discussão.
Afixado por leopard em 18 de dezembro de 2005, às 14:09
Olá Leopard, concordo com você em tudo, apenas olhei as coisas de outra forma, talvez. Que sentido teria pessoas viverem do resto da vida de outro? Seria doentio.
Hoje eu estava lendo algo sobre pessoas que impóem várias formas de suicídios a outras e não são perceptíveis aos nossos olhos, como: matar a esperança de alguém através de pensamentos negativos; tolhir sonhos sem o menor pudor, entre tantas outras situações que podem levar o ser humano ao desencanto pela vida, claro, que cada um tem que lutar para sair de situações adversas, entretanto, não vivemos em uma ilha isolados.
Como você bem disse, é melhor encerrar o assunto por aqui.
Feliz Natal!
Afixado por Elvira em 18 de dezembro de 2005, às 23:14
