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dezembro 20, 2005

Intermitências privadas

Hoje deu-me para reflectir sobre os tempos de vida – das pessoas e das coisas; dos seres e dos projectos. Das intermitências da morte, como titulou o outro. Quanto às pessoas, e fazendo fé no ensaio laboratorial do que não virgula-de-virgular, estamos conversados. Parece que é maleita não desejada, esta de envelhecer, envelhecer. Sem morrer. Porque, reconheçamo-lo, e com humildade, que a morte é a cura para vida. Lembro-me da minha avó, viva, numa cama, há pelos menos dois anos. O que a vai curar? Claro que sim. Quando um dia vier. O mais longe que seja, cruzes-canhoto-bate-na-madeira, que o egoísmo dos que vivem-de-viver mais não permite. E eu não serei excepção.

(ao tempo que já não escrevia assim, caramba, para que eu me entenda, sem pretender ser o pivot de serviço)

Terão os projectos igual referência? Será o fim dos projectos, fará o fim de um projecto, parte essencial do dito projecto? Ou poderão os projectos ultrapassar os tempos de vida das pessoas? Talvez tudo. Sim e não. Depende do projecto, da maleabilidade dos projectos, depende das pessoas que hão-de vir. Dar-lhe almoço, jantar e lanche.

Sim, porque desenganem-se, um projecto não tem perninhas para andar sozinho. E o único que tinha, o feioso da cabecita remendada e do corpito aos retalhos a que o louco deu vida, retribuiu como se viu.

Vou ali já venho, amanhã quem sabe, para o mês que vem, um dia destes, nunca mais, terminar o que não comecei, porque tenho mais que fazer e chamam-me ao telefone. Assunto urgente e importante, coisa de trabalho, dizem-me. Fiquem aí à espera que eu já volto, está bem? Porque é isto, segundo sei, o que se pretende dum blogue. Coisa sem obrigações, sem tempos, que sabe reconhecer as premências superiores. Ou vocês, meia dúzia de leitores atraiçoados, pensaram mesmo que eu vinha para aqui falar duma coisa tão respondona como um avião que explode, um político medíocre? As notícias do dia a dia? Blocos e partidos? Futebóis e tristezas?

Comprem mas é o jornal, que eu tenho mais que fazer.

Afixado por afixe em 20 de dezembro de 2005, às 11:56

Afixadelas

"a morte é a cura para vida"

e se a morte não for o fim, nem o princípio do fim, se for, apenas, o fim do princípio?

Afixado por pedro oliveira em 20 de dezembro de 2005, às 12:38

Se há coisa que fui aprendendo, ao ter que lidar (vezes demais para meu gosto, mas faz parte das minhas escolhas) com a morte, sobretudo quando ela é brutal, tremendamente injusta, súbita e prematura, foi valorizar a vida e o que se consegue espremer dela.
Quantas vezes, ao carpirmos "o que já não vai acontecer", esquecemo-nos a pouco e pouco do que já aconteceu. E do que isso vale, como experiência. E do que isso conta, como ensinamento.
Aprendi também que a memória deve ser mantida viva, bem viva, não de forma encomiástica e endeusada, mas com as virtudes e defeitos próprios da condição humana a que felizmente pertencemos. Mas viva, sem tabús, limitações ou liturgias. Escrita, gravada em CD, algures no éter.
Há aviões que caem, clubes que perdem e partidos que desiludem. E que justificam comentários e posts.
Há afectos que se desenvolvem, atitudes dignas que se notam, e coerências raras que se devem sublinhar.
O Conselho de Estado, a ONu e a UE reuniram-se? Que esperem.
Hoje o meu comentário é outro - é por aqui. É aqui.
Está afixado.

Afixado por Mário Cordeiro em 20 de dezembro de 2005, às 13:26

ora muito bem. há que tempos que não te via escrever assim, também.
e a a morte faz, para mim, tão parte da coisas, que me parece que tudo morre e nasce constantemente. morre agora para aparecer um pouco diferente logo a seguir.

Afixado por susana em 20 de dezembro de 2005, às 14:37

Atão finalmente ganhaste juízo, pá? :)

Afixado por sharkinho em 20 de dezembro de 2005, às 15:03

Pedro:
Referia-me à morte de certas vidas que não têm cura, atento o estado de degradação do corpo.

Mário:
É isso mesmo, meu caro. Está afixado.

Susana:
Nem imaginas como te compreendo, se é que te li correctamente, pois as palavras, assim que as proferiste passaram a ser também minhas. Ver a morte num ser que cresce.

Sharky:
Talvez. Nem imaginas como é curioso o teu comentário. A ver vamos, meu sensível amigo.

Afixado por Monty em 20 de dezembro de 2005, às 15:19

...abraço de Feliz Natal

Afixado por quim em 20 de dezembro de 2005, às 15:38

Bem me parecia que um fim-de-semana inteiro na minha companhia era capaz de ser demais para o teu sistema imunitário. Apanhaste uma overdose de Garcez?

A sério: acho que te vai fazer bem passares uns quilómetros fora da auto-estrada.

Afixado por João Garcez em 20 de dezembro de 2005, às 18:05

Apanhei uma overdose de Garcez ao 11º minuto, pá. Mas não é isso, o máximo que me conseguiste pegar foi a treta da gripe.

Afixado por monty em 20 de dezembro de 2005, às 19:58

Afinal também fica doente!! Não são só os pobres dos seus alunos! As melhoras!

Afixado por Daniela Santos em 20 de dezembro de 2005, às 21:03

Agora mais a sério...
A morte só é importante para os que cá ficam, quem parte acredito que pelo menos tenha paz. Aos que cá ficam resta que não matem memórias...enquanto uma única mente se lembrar de uma alma, essa alma estará viva.

Afixado por Daniela Santos em 20 de dezembro de 2005, às 21:14

a sensibilidade de quem não lê dossiers ;)

Afixado por povounido em 21 de dezembro de 2005, às 11:42

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