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dezembro 20, 2005

O companheiro da Judite e do Zé Alberto

Espero que estejam convencidos, os indecisos e os facciosos.

O debate que acabou de findar resultou numa incontestável vitória do Professor. Entrevistado por três notáveis figuras, Judite de Sousa, José Alberto Carvalho e Mário Soares, que por certo também diria, se aqui estivesse, "eu também já fui jornalista", Cavaco ganhou por falta de comparência do adversário previsto para hoje, que trocou a pele de candidato pela de entrevistador.

Falou-se de Cavaco, de Cavaco, de Cavaco e, nas pausas, mais um pouco de Cavaco. Que, assim, teve oportunidade de demonstrar, à saciedade, as mais valias que pode trazer ao país. E até teve tempo para ser elegante, para deixar cair a pose rígida, para olhar olhos nos olhos. E para rir e sorrir – pasme-se.

Graças a Mário Soares, que esteve exímio no papel que assumiu, todos ficámos a saber o que esperar de Cavaco. Alguém saberá, porém, o que esperar do companheiro da Judite e do Zé Alberto? Mário Soares, de frente para o espelho, embrenhado nas suas novas funções de perguntador obsessivo, e como qualquer bom jornalista, não falou de si, centrando toda a atenção no único candidato que se apresentou ao desfile.

Era a última hipótese de Mário Soares. Era agora ou nunca.

Não foi! Cavaco vai vencer, folgadamente, à 1ª volta.

ADENDA: Quando, na primeira linha deste post, falo de facciosismo, é a isto que me refiro. Aborrece-me particularmente, o exemplo, por estar assinado pelo meu bom amigo Luis, que, realmente, devia fazer por curar-se. A descontextualização abusiva das palavras de Cavaco ("ai quer que eu fale de globalização? A globalização é uma realidade que está aí." foi apenas o início do discurso de Cavaco sobre a globalização, e não a totalidade, como dás a entender) e os "mimos" com que o brindas, "provinciano de vistas estreitas", "saco de vento cheio de coisa nenhuma" e "palonço atrevido" diz muito sobre a forma estreita e parcial como viste o debate. Como muito bem diz a Margarida, em comentário ao teu post, "isto é análise política? A mim mais me parece uma xico-espertice, o piscar de olhos tipo, “não esqueças, o nosso é de Lisboa e só está nos cinquenta”. Assino por baixo com mágoa, porque, ao não seres intelectualmente honesto, aproximas-te da mediocridade.

Afixado por afixe em 20 de dezembro de 2005, às 22:38

Afixadelas

O Seara é que é capaz de não achar muita piada ao título do post.

Afixado por Jon em 20 de dezembro de 2005, às 22:53

Caro Rogério, clap clap clap clap! Boa análise.

Afixado por Paulo em 20 de dezembro de 2005, às 22:54

Mas então e o que diz o guru António José Teixeira? Do alto da sua sabedoria, da postura serena que emana, enrolando a sua farta barba, descobriu a polvorá: Soares ganhou sem discussão! Vícios de quem se habituou a ter que beijar os pés do poder. O Oliveirinha que não se ponha a p-au....

Afixado por João Maia em 20 de dezembro de 2005, às 23:15

Não vi o debate entre o Soares e o Cavaco. Confesso que não me apetece ver. Estive no jantar de campanha do Francisco Louçã no Mercado da Ribeira e confesso que gostei de lá estar. Não comi bem, bebi um café num copo de plástico (suprema heresia…), mas gostei de lá estar. Compreendo, melhor, faço, portanto, um esforço por compreender, alguns desvarios de alguns amigos. Repito, não vi o debate. Estas linhas não são sobre o debate, são, portanto, sobre as coisas que os amigos dizem. As dos outros são-me indiferentes. Não me incomodam. Passo-lhes ao lado, encolho os ombros. As das pessoas de quem gosto, não. Não consegui ler o teu post, Rogério. E, mesmo quando discordo de ti, mesmo quando me apetece gritar-te, leio-te sempre.

Há quem acredite por convicção. Há quem discorde por convicção. Há quem tenha princípios. Há quem não abdique dos princípios que tem. Há quem faça escolhas. Há, ainda, quem não desista de pensar e de achar que tem razão no que pensa, nas análises que faz. Ninguém é detentor da verdade. Não és tu. Nem eu. Ninguém é. Talvez Deus...tenho, no entanto, o azar de ser ateia. Portanto, nem Deus é.

Faccioso: sectário apaixonado de uma facção; perturbador da ordem, sedicioso;
por ext. dominado pela paixão partidária; parcial.

Nem todos somos. Somos, apenas (?), pessoas que nos reservamos o direito de pensar com as nossas cabeças. E que achamos que temos o direito de lutar pelo que consideramos justo, correcto, certo.
Não consegui ler o teu post. Depois de ler a tua primeira frase (já me tinha custado o que tinhas feito sobre o debate entre o Cavaco e o Louçã, confesso. Mas esse ainda o li...). Há uma ou duas coisas que nunca saberei ser. Sectária é uma delas, e tu sabe-lo. Habituei-me a discordar de ti...sempre acreditei que também conseguisses não o ser. Mas não, Rogério, o sectarismo está-te a tolher o discernimento. Não aceito que acredites que és o detentor da verdade. O puro. O que pensa, O que nunca se engana. O que se dá o direito de classificar os que não pensam como tu de facciosos (eu sei, Rogério, e tu sabes que eu sei que não falas de Soares, aqui, falas de todos os que não apoiam nem acreditam em Cavaco).
Compreendo-te, ok, faço um esforço por te compreender, porque bebi café nun copo pindérico de plástico. E gostei. A sensação de se estar em casa compensa muita coisa. O café, por exemplo. Talvez acabe por entender, um dia, que justifica outras tantas, o sectarismo, por exemplo. Não se critica Cavaco por se ser faccioso, Rogério. Se conseguisse alguma vez ser tão sectária como tu, diria, não se apoia porque ele, o projecto que ele representa, as forças que o apoiam não servem nem o País nem os portugueses, nem o nosso futuro colectivo. Como não consigo, junto uma das expressões eu penso; eu acho...parece-me que...às vezes estamos mesmo enganados. Na linguagem escrita, tal como na oral, o tom conta. E faz a diferença. E não sou facciosa, amigo. Penso. E, sabes, não me parece que vá abdicar disso.

PS: Desculpa o lençol. Mas tinha que ser dito. A idade não (me) perdoa…
Um abraço.

Afixado por isabel faria em 21 de dezembro de 2005, às 00:46

mas o texto do Luís Rainha é um primor, do melhor entre os melhores que ele tem escrito (e bem me tem custado ler alguns) ao contrário, este teu post, é do piorzinho que tens apresentado ( e quase sempre tenho concordado contigo), sectário e panfletário apenas. Como diz Soares, quando se trata de Cavaco ficas sem conversa

Afixado por povo unido em 21 de dezembro de 2005, às 01:14

Ó Jon, por favor, a única coisa com que o Seara se preocupa é com os raspanetes de 2ª feira que lhe passa o Dias Ferreira. O homem até se deve benzer antes de entrar em estúdio.

Afixado por Monty em 21 de dezembro de 2005, às 10:53

Até eu que não tenho a tal capacidade de acreditar me benzia, se tivesse que aturar o fundamentalista Ferreira. Ainda assim, acredito que mesmo debilitado pelas produtivas noites das 2ªs, o edil Fernando, ainda tenha forças para puxar uma orelhita a quem se esquecer que "Com a Judite não se brinca."

Afixado por jon em 21 de dezembro de 2005, às 11:41

"que ainda não pensaram votar em mim, quem sabe se por terem uma vida mais organizada",
quem serão eles? Os desorganizados esses já estão no papo.

Va toca a trabalhar, que «Eu sou um homem de trabalho. Toda a gente sabe as dificuldades que tive para subir na vida.»
Isto de comentários políticos não presta mesmo.

Afixado por leopard em 21 de dezembro de 2005, às 12:31

Gostei do post...talvez por ter sido tão partidarista, ou melhor pró Cavaco!!!
Só não concordo que cada um de nós reclame análises neutras, por isso mesmo, porque desta vez, como nunca, tem-se dado a vitória ao candidato que não quer falar e que quando fala dá a entender que fará o que o governo não faz. Talvez fosse melhor, mas sabemos que não será assim! Mas voltando à questão da neutralidade, verdade seja dita, ninguém tem analisado os debates nesse ponto de vista, mas procurando sempre um vencedor, o do seu partido!
Politiquices à parte, vou deliciar-me com um bolo de laranja!

Afixado por praiamorena em 21 de dezembro de 2005, às 13:41

rogério, faz lá o obséquio de responderes à nossa 'sabelinha, ó fáxavôr!!!!

Afixado por gibel em 21 de dezembro de 2005, às 15:25

Ela não leu o meu post, portanto acho complicado comentar o comentário à primeira frase do post. E, repara num pormenor, eu não a chamei de facciosa ou sectária. Que raio é que eu posso dizer?

Havia de ser lindo, havia. O que vale é que a luta do Louçã é assumidamente outra.

Afixado por monty em 21 de dezembro de 2005, às 17:10

Gibel, o Monty tem razão...aquilo não era um comentário era um desabafo...

Montyzinho, não resisto, agora, a uma pergunta (vá lá responde...eu desta vez não te chamo sectário em cada frase): qual é a luta (assumida) do Louçã?

Afixado por isabel faria em 21 de dezembro de 2005, às 20:42

Ter mais votos que o Jerónimo e passar os 5%. Só isso!

Afixado por monty em 21 de dezembro de 2005, às 20:58

não Monty, no início era muito mais que isso. era aproveitar um conjunto de candidatos gastos (soares e alegre) e tentar capitalizar o eleitorado para ele, perdão, para o BE para que este fosse uma alternativa real ao PS. esta é aliás a luta incessante de Louçã. a julgar pelas sondagens a estratégia de louçã vai ser derrotada em toda a linha. mais importante do que saber se cavaco ganha logo à primeira volta é saber se louçã mete definitivamente a viola no saco. era bom era!

Afixado por povo unido em 21 de dezembro de 2005, às 22:28

Dorme descansado, p.u., que não vai ser na nossa vida.

Afixado por monty em 21 de dezembro de 2005, às 22:40

olha que eu sou mais novo do que tu

Afixado por povo unido em 21 de dezembro de 2005, às 23:55

Monty, acho que nos subestimas. Não aos votos. Desses me hei-de pronunciar em 23 de Janeiro, mas às intenções. Ultrapassar o Jerónimo de Sousa para quê? Para alguém (incluindo os militantes do PC) o PC representa o futuro? Achas, mesmo, que o Bloco pode e deve recear o PCP? Achas mesmo que há eleitores do Bloco que se revêem neste PC?
Quanto aos 5%...são sempre giras essas insinuações. Sobretudo quando se conhece a Lei, como tu, de certeza, conheces.

Só uma questão ao Povo Unido (gosto do nick...lembra-me outros tempos...)
"... tentar capitalizar o eleitorado para ele, perdão, para o BE para que este fosse uma alternativa real ao PS...". E o mal disto, está?
Capitalizar eleitores para as ideias que julgamos estar correctas e em que acreditamos, é politica ou é eticamente incorrecto?
A luta politica é o quê, já agora?

Afixado por isabel faria em 22 de dezembro de 2005, às 01:02

Só uma pequena questão: como te julgas capaz de poder julgar ou avaliar o que faço ou escrevo como "medíocre"? Ainda te falta roer muito osso para lá chegares, Rogério.

Afixado por Luis Rainha em 22 de dezembro de 2005, às 01:57

Roer muito osso é o gongorismo para "folhear muito dicionário de sinónimos"?

Afixado por monty em 22 de dezembro de 2005, às 09:37

Gostei do post. Não é neutro, nem tem de ser. E a perspectiva do Rogério até é gira, convenhamos. E até tem algum fundamento, porque o Mário Soares, efectivamente, vive obcecado pelo Cavaco.

Mas este meu comentário não é para comentar o post, mas um outro comentário, da Isabel (desculpem lá intrometer-me numa conversa de amigos).
A Isabel questiona: «Ultrapassar o Jerónimo de Sousa para quê? Para alguém (incluindo os militantes do PC) o PC representa o futuro? Achas, mesmo, que o Bloco pode e deve recear o PCP? Achas mesmo que há eleitores do Bloco que se revêem neste PC?»

Com certeza não existem eleitores do BE que se revejam no PC, mas parece-me um bocadito pretensioso pensar que existem eleitores do PC que se revejam no BE. Não vou tecer grandes comentários ao estilo popularucho, tipo música a pedido do ouvinte, ao melhor estilo dos extremismos que se aproveitam de circunstâncias históricas para apelar a radicalismos, típico do BE. Não, vou apenas alertar a Isabel para o facto do populismo (não sou eu que digo, é o próprio FL) ao serviço da política faz com que os partidos tenham um período de duração limitado. Como qualquer fenómeno popular. E quanto ao futuro estamos conversados (eu, como não tenho memória curta, lembro-me dos fabulosos tempos do PSR e dos tão apregoados sinais de vitalidade que o partido teve...até morrer. Lembro-me ainda que também eles, que são os mesmos mais uns, assumiam uma atitude de superioridade moral e ideológica, até que morreu por si só). E o PC já cá anda há 100 anos, conseguindo manter sempre um projecto alternativo de organização social. Paralelamente, têm conseguido sobreviver a diversos períodos históricos. Não sou comunista, mas reconheço a coerência. E só por isso, é que se mantêm sempre à tona de água (politicamente falando). Em contraposição, para além de propostas pontuais, sobre pequenos aspectos de política económico/social, que projecto tem o BE? Que modelo de sociedade defendem (porque não pode ser o socialista, uma vez que não olham a meios para chegar ao poder de uma sociedade liberal)? É que para além de uma pretensa superioridade moral (tão típica da extrema-esquerda), não vejo como é que o BE poderá, alguma vez, se equiparar ao PC. Porque o PC TEM um projecto.
Por outro lado, apesar de não gostar do estilo arruaceiro, tipo cão raivoso, do Francisco Louçã, reconheço-lhe inteligência, mas existem algumas estrelas do BE que, valha-nos Deus!, não valem os impostos que pagam. Como a inefável Joana Amaral Dias, ou a senhora que tem pelo nome de Ana Drago. Convenhamos: debaixo de que pedra é que se arrastaram?

Afixado por Sancho em 22 de dezembro de 2005, às 10:20

áh, e já agora, feliz natal a todos!

Afixado por Sancho em 22 de dezembro de 2005, às 10:21

Fazias mesmo bem em ler uns dicionáriozitos; embora, em alternativa, qualquer bom livro servisse.
"Que, assim, teve oportunidade de demonstrar, à saciedade, as mais valias que pode trazer ao país. " Se isto não é uma banalidade sem uma gota de sumo, o que será? E essa história do "perguntador", foste-a respigar aos comentários que se fizeram ouvir na TV logo a seguir ao debate.
Inteligência? Originalidade? Argumentos? Cadê?

Afixado por Luis Rainha em 22 de dezembro de 2005, às 11:24

"Inteligência? Originalidade? Argumentos? Cadê?" Foram todos para ti e para Narciso, como é óbvio.

"E essa história do "perguntador", foste-a respigar aos comentários que se fizeram ouvir na TV logo a seguir ao debate."

Após o debate a minha mulher começou a ver um filme e eu vim escrever o post. Não ouvi, antes de escrever o post, qualquer comentário sobre o debate.

Não me meças por ti, pá. Tenho ideias próprias e não recortadas de algum tipo de guru de eleição, nem me dedico a entrelinhar textos com palavras aprendidas à pressa num qualquer documentário ranhoso sobre a verborreia do gongorismo.

Esta conversa fica por aqui, que já começa a ser um acto de piedade responder às tuas tristes tentativas de me atingir. E hoje não me sinto nada piedoso. De resto, aborrece-me imenso a figurinha que estás a fazer. Poupa-te!

Afixado por Monty em 22 de dezembro de 2005, às 11:51

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