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dezembro 22, 2005

Vertigem

Tenho sentimentos contraditórios em relação ao Natal.
Sim, é verdade que se trata de uma época do ano que marca sempre, e não nego que gosto da pausa que o 24 e o 25 representam na velocidade vertiginosa do resto do ano.
Mas, sinceramente, em que é que o mês de Dezembro se tornou?
Não me lembro de um mês mais caótico do que este. Se eu somar todas as horinhas que dormi, desde 1 de Dezembro, dá qualquer coisa como uma ou duas noites inteiras. INFERNO!
O trabalho, no mês de Dezembro, parece que duplica, quase como para justificar, horinha a horinha, o subsídio do 14º mês.
Depois, são as omnipresentes compras. Compras e mais compras!
Presente para este, presente para aquele, mais um presentinho aqui, outro acolá!
Irra!
Natal é mesmo compras, raios partam...
Trânsito... Sim, muito trânsito. Agora, com aquela maldita árvore no Terreiro do Paço, uma árvore que aprendi a odiar (mas está linda, não está?), de tantas horas que perdi, preso em filas intermináveis de condutores que a visitam duas e três vezes por dia, trazendo a família toda no carro, mais o gato.
Isto é a síntese do mês de Dezembro em Lisboa (não sei se é assim no resto do país, porque passo este mês sempre por cá): shoppings e trânsito.
Nesta vertigem pseudo-natalícia, o Natal passa-nos ao lado, e se não fora o carácter genuíno da reunião familiar nos dias 24 e 25, tudo isto de nada valeria.
A prova de que este mês é um mês acelerado e para celerados é que ando há umas boas semanas para escrever uma treta de uma postazinha sobre alguns detalhes simbólicos do Natal, mais concretamente sobre Belém. Umas ideias giras que gostava de colocar por escrito.
Mas escrevo esta posta em desespero: tinha (e tenho) esta ideia para uma posta sobre o simbolismo do Natal, e já a tenho há semanas, mas para a escrever, teria que ter disponíveis uns quarenta minutitos. Só isso, quarenta míseros minutos!
Ora bolas, não os tenho!
Há certamente muita gente que não se importa, porque as minhas postas são quase sempre sobre religião, e eu sei que para muitos isso já enjoa. Mas a minha participação aqui no Afixe anda pelas ruas da amargura. Abaixo de cão!
E por culpa de quem?
Do NATAL!

Afixado por Bernardo Motta em 22 de dezembro de 2005, às 09:37

Afixadelas

O Natal tornou-se numa imensa obsessão consumista pela qual os comerciantes anseiam todo o ano... Muitas lojas realizam em Dezembro 50% de toda a facturação anual... E a maioria dos bens ofertados são depois desprezados por aqueles que as recebem. Numa sociedade transformada em devoradora de coisas em que a simples posse de bens materiais se traduz um "felicidade" fátua, o mês dos presentes tornou-se o imperativo social absoluto.

Sorte das culturas que não comemoram o Natal, esse grande monumento ao consumismo...

Afixado por Rui Martins em 22 de dezembro de 2005, às 12:11

Olha tem cuidadinho Bernardo! Já tás a parecer-te demasiado com Job a queixar-se de Deus pelas suas desventuras!

E porque é que havemos de comprar tanta coisa? Eu por mim compro apenas 2 ou 3 prendinhas e desejo bom natal a todos. O resto do pessoal que se amanhe e se julgarem o meu amor por eles pela quantidade (zero) de prendas que lhes dou, passem bem!

Ah, afinal o Natal é amor pela família ou pela Sonae?

Afixado por Luis Dias em 22 de dezembro de 2005, às 16:23

Bernardo, Bernardo... por esse andar, daqui a uns tempos, ainda acabas por cair no extremo oposto do catolicismo... "read my lips" ;)

Afixado por bluegift em 22 de dezembro de 2005, às 16:23

O Natal é só compras se tu lhe deres esse lugar.
Que sentido tem as compras?
É comnprar só por comprar?.... é comprar só porque tem que ser?.....
Apesar do exagero das compras até estas se podem inserir no sentido cristão do Natal... tudo depende do sentido que lhe dermos.

Afixado por Margarida em 22 de dezembro de 2005, às 17:29

Bernardo. A solução é fácil: compra um Natal novo, reciclado e bacteriologicamente puro...! (leia-se: cada um tem ainda os graus de liberdade para gerir o Natal com mais materialismo ou mais espiritualismo... não culpemos o destino, a falta de tempo, o trabalho ou outra coisa qualquer pelas nossas contradições). Embora concorde contigo sobre o consumismo e a fúria dos presentes. Mas não sejamos arrogantes: muitos deles representam mesmo uma verdadeira vontade de dar e de repartir.
Abraços e... Bom Natal
Mário

Afixado por Mário Cordeiro em 22 de dezembro de 2005, às 20:10

Ou Bernardo que pena tanto stress!!!!
Eu creio que todos concordam num ponto: o consumismo desmedido do Natal é algo apavorante!
Como bem lembrou Mário, há muita gente que realmente reparte no Natal e os presentes fazem parte, simbólica, dessa troca, é só imaginar quantas crianças carentes esperam o ano inteiro para se sentirem especiais porque alguém em algum canto do mundo lembrou dela; dentro do convívio familiar e de amigos, quando isso é feito com sinceridade, tem algum sentido especial e simbólico.
Entretanto, essa é uma data que não me arrisco sair às compras porque me apavora observar a maneira enfurecida com que é tratada as compras de Natal, parece que há uma enorme boca faminta queimando lenha sem parar tendo de se alimentar do desvairo alheio. Percebo que o ato de ir as compras, hoje, não é um prazer, virou obrigação na troca do presente pelo presente.
Há momentos que me sinto como o Bernardo, amarga e sem achar muita graça em tudo isso que nos rodeia, mas, temos que sorrir e dar o melhor de nõs nesse mundo sem pátria, sem dono que está sem beirando ao abandono.
Um Feliz Natal a todos.

Afixado por Elvira em 23 de dezembro de 2005, às 01:47

Elvira,

«Percebo que o ato de ir as compras, hoje, não é um prazer, virou obrigação na troca do presente pelo presente.»

É isso mesmo!
Alguém que me entende!!
Não quero com isto ser demasiado negativo, porque é evidente que o mal não está no acto de dar presentes. Queixo-me, não dos presentes, nem do Natal em si, mas daquilo em que o Natal se tornou: a época em que as lojas se vingam da crise. Admiro o optimismo de vocês todos, Mário, Margarida, e companhia limitada, mas vocês sabem bem a que tipo de lado perverso do Natal me refiro... É que mesmo as pessoas menos materialistas (e não me incluo nesta louvável categoria, porque sou muitas vezes um tipo materialista) são tragadas pela voragem vertiginosa do comprar, comprar, comprar!
Já alguém viu as ruas das cidades no dia 26 de Dezembro? Há alguma coisa mais assustadora do que o lixo de rua no dia a seguir ao Natal? Caixas, caixotes, sacos, laços, laçarotes, papel e cartão... Neste Natal, o cenário era ainda mais deprimente por causa da chuva, que apodrecia os restos dos embrulhos antes dos camiões do lixo o poderem recolher...
Foi tudo tão rápido: comprar, embrulhar, rasgar! Quanto tempo passará até que tudo o que se ofereceu esteja no lixo?
Não quero ser totalmente pessimista, mas sinceramente, acho que nesta altura do ano, a maioria das pessoas fica completamente passada dos carretos. É assim que eu me sinto...

Afixado por Bernardo em 27 de dezembro de 2005, às 18:00

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