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janeiro 06, 2006
Epifania

Hoje é dia de Reis. Celebra-se também, no calendário religioso, o dia da Epifania. Deixo os detalhes curiosos e complexos relativos à origem desta palavra para os interessados. Não vou sobrecarregar muito este meu último post, até porque é o último e há que evitar deixar más recordações.
Hoje é dia de Reis!
(estou a repetir-me... mas desta vez é com exclamação!)
E que dia melhor para encerrar um ciclo e começar outro?
A Epifania é como que um outro Natal, uma vez que esta tradição de origem oriental tinha como objectivo celebrar, entre outras coisas, a Natividade de Jesus. A Epifania marca a manifestação de Jesus na Sua Glória. O momento em que Deus se manifesta como Homem.
São raros aqueles que se apercebem do enorme valor do dia de Reis, tão perdido que ele fica neste reboliço natalício, cuja euforia se esgota, após a orgia de compras, no dia 25 de Dezembro. Num torpor de preguiça, o Natal estica-se até à passagem de ano, transformado esse período para muitos sortudos numas férias extra, o que faz com que o estado de espírito, a 2 de Janeiro, seja dos mais deprimentes. As festas acabaram, as carteiras estão vazias, o colesterol está todo lixado, e as ruas estão cheias de lixo.
Mas será que é mesmo assim?
Será que o Natal termina a 2 de Janeiro?
É claro que não!
Todos conhecemos aqueles comentários típicos acerca dos espanhóis, que distribuem presentes neste dia, "los reyes", e como isso nos faz sempre discutir acerca da altura ideal para trocar presentes. Quem estará certo? Os que o fazem a 24? Os que o fazem a 25? Ou os que o fazem a 6 de Janeiro?
Não vou dar aqui a resposta, até porque não a tenho.
O que eu queria lembrar era apenas o que significa, no fundo e na essência, esta questão dos presentes celebrada a 6 de Janeiro. O que é o dia de Reis?
A Epifania está associada de forma indelével à visita dos enigmáticos Reis Magos.
Pondo de parte as questões históricas e historiográficas, porque interessa pouco saber se, quando e como é que se deu esta visita, reparemos no que nos diz a tradição sobre estas personagens.
Seriam três, os Reis Magos, Baltasar, Gaspar e Melchior. Sinceramente, não possuo conhecimentos suficientes para tentar explicar os seus nomes, se bem que o nome de Melchior relembra a palavra hebraica para "rei".
O mais interessante é o que estes digníssimos senhores trazem para o Menino, o que eles decidem ofertar-Lhe neste dia de Epifania.
Trazem ouro, incenso e mirra.
O ouro é o presente para o Rei, é o reconhecimento de que Jesus Cristo detém o poder real.
O incenso é o presente para o Sacerdote, é o reconhecimento de que Jesus Cristo detém a autoridade sacerdotal.
A mirra, bálsamo da incorruptibilidade, é o presente para o Senhor da Vida, aquele que, sendo Deus, vence a Morte e nos dá acesso à imortalidade real, a da Vida Eterna.
Perdoem-me esta forma de acabar, aqueles a quem ela desagrada, mas seria trair a minha maneira de ser se não escrevesse algo assim. Afinal, não consigo deixar de aproveitar este dia da minha última posta aqui para falar sobre o Dia de Reis.
De uma certa forma, e falando para crentes e descrentes, tentei sempre escrever aqui no Afixe aquilo que me ia na alma, a forma como eu via o Mundo à minha volta, e porque sou fascinado por questões espirituais, a forma como eu via o pensar e viver da espiritualidade. Muitos repararam que falei muito sobre catolicismo, mas também aqui falei sobre outras religiões. Mais do que tudo, procurei transmitir a quem me lia uma frustração que me vai cá dentro: há tanta gente que pensa que assumir uma religião, nos dias que correm, é sinal de estupidez, ignorância, ou busca de consolo sentimental para as amarguras da vida. Para mim, viver uma religião como o cristianismo nunca representou nada disso. Tentei mostrar que é possível crer e pensar. Por vezes, fiz um mau trabalho, entrando em polémicas e traulitadas. Excessos de uma personalidade impulsiva... Mas espero que, mesmo aqueles ateus mais intransigentes tenham encontrado alguma coisa de interessante naquilo que escrevi.
Deu-me um gozo imenso escrever no Afixe. Diverti-me em cada posta que cá meti. Diverti-me ainda mais em comentários, nuns bons milhares deles...
Conheci muita gente, tentei voltar a compatibilizar-me com aqueles com quem tive pequenas zangas, porque afinal... isto é só um blogue!
Já seria muito bom se aqueles que não gostaram das minhas postas não ficassem com má ideia do Afixe por causa disso, e seria óptimo se, àqueles que gostaram delas, eu tivesse conseguido transmitir algum do meu entusiasmo. Apesar do ar pretensamente intelectualóide dos meus textos, queria confessar a todos que não tenho quaisquer pretensões. Divirto-me com estes temas, mas não me levo muito a sério. Posso levar a sério o que penso e a forma como vejo as coisas, mas não me levo a mim próprio muito a sério. A precaridade dos meus conhecimentos em tantas áreas era óbvia para muitos, e isso mostra que tentei, sobretudo, divertir-me falando a sério. Com isso contei com a ajuda de todos os meus amigos afixadores, que aqui criaram um excelente espírito de equipa. Um ambiente óptimo para escrever. A serenidade ideal para qualquer pessoa poder exercer a liberdade de expressão. Gostei de escrever ao lado de vocês TODOS (sim, mesmo de ti, João Garcez, personagem dos infernos!), e vou fazer por não esquecer nenhum dos comentadores que ajudaram a construir o Afixe.
Aqui ficarão as postas antigas e todos os comentários para provar este modesto projecto funcionou em grande.
Um grande obrigado, mais um abraço, a todos!
P.S.: Não façam perguntas sobre a fotografia que eu escolhi, se fazem favor. Não tenciono dar nenhuma explicação...
Afixado por Bernardo Motta em 6 de janeiro de 2006, às 09:56
Afixadelas
Ó Bernardo, porque é que escolheste esta foto?
Afixado por Monty em 6 de janeiro de 2006, às 13:04
Ena tantos camelos ( bem enquadrado geograficamente)
Mas então quando acaba o velório e se faz o funeral a sério.
Já que estamos na Epifania e relacionado com uma tradição portuguesa ( será que ainda alguém se lembra)
Vamos cantar as janeiras
Vamos cantar as janeiras
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas solteiras
Vamos cantar orvalhadas
Vamos cantar orvalhadas
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas casadas
Vira o vento e muda a sorte
Vira o vento e muda a sorte
Por aqueles olivais perdidos
Foi-se embora o vento norte
Gostei de ler o Afixe.
Mas como não há nada na vida mais constante que a própria inconstância…..
Afixado por leopard em 6 de janeiro de 2006, às 14:19
Bernardo,
desculpa lá que te diga, mas a alteração recente de estado civil está a fazer-te perder qualidades.
Primeiro, segundo a tradição cristã, os 3 reis magos vieram montados em camelos, não em dromedários, como os da foto. Isso leva-me a uma pergunta: por que escolheste esta fotografia?
Depois, na Bíblia, nos tempos em que eu a li (já lá vão uns 22 anos), não referia em nenhum lado que eram 3, nem que eram reis, nem que tinham vindo de camelo. Falava, se não estou em erro, em sábios (não me lembro se chegava a falar em magos).
Desculpa lá este comentário, mas eu tinha de discordar de ti uma última vez... ;-)
Um abraço.
Afixado por Jorge em 6 de janeiro de 2006, às 15:29
