agosto 29, 2005
Até sempre
Há momentos para tudo na nossa vida. Momentos para sair com os amigos. Momentos para dançar com os nossos filhos. Momentos para nos rirmos. Momentos para chorarmos. Momentos para ser dura. Momentos para ser terna. Momentos para optar. Momentos para lutar por causas e outros, apenas (?), para lutar por afectos. E para vivê-los.
E momentos para fazer posts. Ou para não fazer.
Há momentos em que nos sentimos em casa. E momentos em que uma casa deixa de ser a NOSSA casa.
Gostei muito dos meses que aqui passei. Vim por um convite do Monty e conheci aqui pessoas fantasticas. Criei laços. Fiz amigos. Que quero manter. Mas, neste momento, não sinto que esta seja a minha casa. Os motivos, sabem-nos quem os deve saber: os meus colegas aphixadores. O respeito que os meus leitores e comentadores me merecem nunca permitiria que esses motivos viessem parar à praça pública.
Tenho uma campanha eleitoral para fazer, tenho amigos para encontrar, o meu filho para amar, paixões para curtir, vida para viver. Com a mesma força e entrega que o fiz, aqui dentro, nos últimos meses, está na hora de fazê-lo lá fora. É tempo de mudar de ares. Há valores muito mais altos que um Blog. Mesmo que esse Blog seja o Afixe. Até sempre. A gente encontra-se por aí.
Afixado por Isabel às 17:35 | Afixadelas (24) | TrackBack
agosto 28, 2005
Alive

"Gracias a la vida que me ha dado tanto."
Há duas noites que me deito a cantarolar esta canção da Violeta Parra.
Há duas noites, que tenho passado horas e ver o Live 8 com o meu filho. Que temos dançado a mesma música, cantado as mesmas letras. Que eu lhe "apresento" os meus e ele os dele. Que nos deliciamos por tantos meus serem dele e tantos dele, eu descobrir que podem ser meus.
Hoje será a terceira noite de maratona. Está combinado que durmo a sesta à tarde para poder estar mais uma vez levantada até às cinco horas da manhã...é que amanhã é dia de trabalho!!!
Há duas noites que nos emocionamos com as imagens de fome e de tragédia. E que nos revoltamos com elas.
E eu que nem sabia que o meu amigo conhecia a história toda do Nelson Mandela, até ontem, quando o ouvimos ler um discurso na África do Sul. Nem que eu gostava tanto de Bon Jovi...
Continuo a cantarolar a letra da canção da Violeta Parra. O meu companheiro de noitadas ainda dorme. Está a preparar-se para esta noite. Saí do quarto, agorinha mesmo. Deve ter pressentido a minha presença porque antes de se virar para o outro lado abriu os olhos e sorriu.
"Gracias a la vida que me ha dado tanto...Cuando miro el fondo de tus ojos claros."
Afixado por Isabel às 12:37 | Afixadelas (7) | TrackBack
Contribuição

O homem quer ser independente. O homem fala em nome dele e, portanto, não precisa de demasiado espaço. Por razões de Orçamento, de sanidade mental e de preservação do bom estado do nosso aparelho auditivo, nós agradecemos que o homem queira ser independente.
Pelo que dá para ver, esta ilha parece, mesmo, deserta. Não nos arriscamos, portanto, a que apareça uma queixa num Tribunal Internacional qualquer, por obrigarmos quem quer que seja a coabitar com o homem.
Talvez seja necessário pagar alguma coisa mas, bem divididinho por todos, não custa nada.
Acho que é nosso dever contribuir para o bem-estar do homem. E para o nosso. Podem começar a enviar as vossas contribuições para o Afixe. Está também aberto concurso para a concepção da bandeira, que deverá ter a cara do homem e do hino que deverá conter, pelo menos, trinta e oito vezes a palavra jardim. Gostaríamos de proporcionar ao homem um Natal feliz. Aguardamos a vossa colaboração. Rápida, portanto.
Nota: A mais pequenina é o Bónus, no caso de haver mais alguém que o queira acompanhar, mas não tenha a certeza se o consegue aturar.
Afixado por Isabel às 11:59 | Afixadelas (2) | TrackBack
Boa noite!

Junto-me à campanha meritória da Émiéle de nos acordar bem-dispostos, tentando encontrar forma de contribuir para vos adormecer aconchegadinhos. Boa noite!
Afixado por Isabel às 00:26 | Afixadelas (2) | TrackBack
agosto 27, 2005
Nascer de Sol

Às vezes, saímos de casa calmamente. Temos algumas horas só para nós. Algumas compras para fazer. Talvez até dê para comprar um CD. Ou um livro. Ou uma TShirt para o Outono, que as montras já estão cheias de coisas da próxima estação.
Podemos parar para beber um café e comer um bolo cheio de chocolate, óptimo para manter a linha. Temos que fazer tempo para ir buscar o nosso filho que está numa festa de aniversário.
Às vezes, temos que sair de casa e arranjar forma de ocupar as próximas três horas. Saímos com tempo para tudo, pensamos. Apenas não planeamos que entre uma montra e a outra, enquanto tomamos o café e nos deliciamos com o chocolate do bolo, nos aparece o passado.
O passado vê-nos e, espanto, dirige-se a nós. Não podemos fugir, não vamos deixar o bolo de chocolate nem o café a meio. O passado fala e nós não lhe reconhecemos a voz. Olha-nos e não lhe reconhecemos o olhar. Conta-nos uma estória que deverá ter começado na altura em que o passado passou a passado e que parece que acabou agora, poucos dias antes de encontrarmos o passado enquanto tomamos a bica. Deduzimos, pelo tom de voz do passado, que para ele a estória deverá ter agá, mas não o conseguimos encaixar. Ainda paramos o garfo do bolo a meio caminho entre o prato e a boca, mas nada a fazer, o agá não entra. O passado pergunta-nos se nos podemos voltar a encontrar. Talvez jantar. Afinal, diz o passado, o presente foi bom de se viver. Também teve agá, repete-nos insistentemente. Nós, parece que nos lembramos que sim, mas não conseguimos ter a certeza. Já não. Olhamos o passado. Continuamos sem lhe reconhecer o olhar. Que coisa chata! Bebemos o resto do café. Comemos a última garfada de bolo de chocolate e, antes de pegarmos na mala, dizemos-lhe calmamente que não faz bem à saúde sair com o passado. Nem à alma. E que foi um prazer vê-lo. Passado. Ele diz que vai insistir. Nós sorrimos. Quando chegamos a casa ainda vamos à janela. Daí a nada está a nascer o Sol.
Afixado por Isabel às 01:32 | Afixadelas (10) | TrackBack
agosto 26, 2005
Sexta Feira...estava a ver que não!!!!!!!

Afixado por Isabel às 18:56 | Afixadelas (4) | TrackBack
A outra face
A Europa “desenvolvida”. A Europa do Concorde e das viagens espaciais. A Europa do desenvolvimento industrial. A Europa do “desenvolvimento” económico, pode acabar na fronteira de Vilar Formoso. Mas, a Europa do Mercado Comum, a Europa do neoliberalismo desenfreado, a Europa da imigração sem direitos, a Europa do desemprego, a Europa das casas degradadas, a Europa do agravamento das diferenças sociais, não tem fronteiras e ultrapassa a fronteira.
Ontem em Paris, num prédio degradado ocupado por famílias africanas, pelo menos dezassete pessoas que viviam em condições miseráveis, entre as quais um bebé de meses, morreram num incêndio.
Ontem, em Paris, num prédio degradado ocupado por famílias africanas a Europa voltou a mostrar a outra face. Em França, o berço da Igualdade.
Afixado por Isabel às 09:48 | Afixadelas (3) | TrackBack
agosto 25, 2005
Interrogação
"Vi muita tristeza nas pessoas, mas descobri, entre o fumo, um país ao qual quero voltar", afirmou o piloto francês de um dos aviões que vieram ajudar Portugal a combater os incêndios.
Será que esta convicção toda pode ter a ver com o facto de só cá ter estado quatro dias?
Afixado por Isabel às 20:17 | Afixadelas (4) | TrackBack
Desculpem-me...

Desculpem. Desculpem todos. Os leitores do Afixe. Os comentadores do Afixe. O Primeiro Ministro. Os Ministros. Os Secretários de Estado. O Governo. O País.
Desculpem por ter andado para aqui a insinuar que não se passa nada . Por já ter, até, insinuado que o Governo meteu férias prolongadas. Desculpem. Juro que não torno. Nunca mais.
O Governo vai aprovar hoje em Conselho de Ministros, o aumento para os 65 anos, da idade de reforma para os funcionários públicos, a partir de Janeiro de 2006. Mais, como prova da minha total parcialidade e das minhas calúnias, o Governo vai aprovar hoje em Conselho de Ministros, o aumento dos anos de desconto, de 36 para 40, para os funcionários públicos, a partir de Janeiro de 2006.
Desculpem-me todos. Afinal eles existem. E tomam medidas.Temos todos que lhes estar agradecidos. Nada como um Governo forte para aumentar a idade de reforma . É, apenas disto, que o País precisa. De poupar dinheiro e de retirar direitos. Quem é que se vai preocupar com o facto de haver não sei quantos helicópteros parados, comprados, presumo que pagos, a pagarem mensalmente a deslocação de um técnico estrangeiro para manutenção e que ainda ninguém se lembrou de requesitar para combater os fogos? Quem é que no Governo tem tempo para estas ninharias? Coisas sem importãncia. Bagatelas. O Goveno está cá para Governar. Só toma medidas importantes. Aumentar a idade da reforma é uma medida importante. Declaro-me culpada. Desculpem-me.
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agosto 24, 2005
Os meus discos

Andei a dar uma vista de olhos pelos meus posts anteriores. Parei um pouco nos posts que fiz com o titulo: Os meus discos. E fiquei em estado de choque. Literalmente. Nem uma voz de mulher. Uminha. Mesmo que fizesse parte de uma banda, qualquer coisita. Algo que justificasse o facto de uma gaja de esquerda que se preze, ter que ter uma costela feminista.
Andei a dar volta aos CDs cá de casa. Há lá algumas mulheres. Umas integradas nos CDs de Música Celta, por exemplo (e que vozes têm as mulheres dos cantares celtas), há a Dulce Pontes, a Amália, a Marisa, a Cesária, a Edith Piaf, a Mafalda Veiga...são mulheres que ouço e que gosto de ouvir. Mas não há lá o meu disco.
Já muito desesperada, quase a achar que tinha que rever uma porrada de conceitos, descobri uma mulher. Não resolvi o problema do disco, porque, daquele disco, eu tenho, essencialmente, duas canções. O resto, acho que nunca ouvi com ouvidos de ver...mas são duas canções lindas, que falam de amor, de perda de amor, de paixões e de entregas, de encontros e de partidas. Que têm ainda a vantagem suprema de me fazerem lembrar os filmes do Almodôvar. São canções a rosa, preto e escarlate..."Piensa en mi" e "Un año di amor", do álbum A contraluz de Luz Casal.
Porque já que tenho fama (não é Sharky?) que tenha o prazer de ter o proveito.
Piensa en mi, cuando sufras
Cuando llores tambien, piensa en mi
Cuando quieras quitarme la vida
Para nada, para nada me sirve sin ti.
Ok, um bocadinho lamechas e meloso (que niguém se atreva a sugerir pimba...) mas lá que é uma coisinha linda de se cantar (e de se dizer...mas aí...), lá isso é. E aquela música que nos embala? Ai aquela música...ideal para Verões quentes.
Afixado por Isabel às 20:10 | Afixadelas (13) | TrackBack
Perdi 24 horas...
Ontem não liguei a televisão. Só agora é que cheguei à empresa e ouvi notícias. De vez em quando faz bem parar. Desligar um pouco. Esquecer os incêndios. Esquecer as imagens que todos os dias nos entram casa adentro. Esquecer a nossa revolta e esquecer a nossa incapacidade. Há dias em que sabe bem esquecer tudo menos o prazer de se estar vivo. Soube bem um dia assim.
Só que...só que, depois, como tudo na vida não há nada que seja 100% positivo. E nem é por ter que voltar à terra e por isso custar sempre um bocadito. É porque, finalmente, há neste país, uma notícia digna desse nome, acontece uma coisa inesperada, uma novidade, algo porque há muito ansiávamos e que há muito aguardávamos, um acontecimento que nos vai tirar da letargia, que nos dá ganas de sair à rua e de festejar. Finalmente, neste país, acontece algo assim, e eu só sei quase 24 horas depois. Eu sei que foi bom ter estado fora. Fez-me bem. Passei umas horas que não vou esquecer. Mas não consigo evitar uma certa mágoazinha por só saber hoje. Agora. Acabei de perder quase 24 horas de futuro. Foi por uma boa causa, mas custa.
O que vale é que ainda tenho mais uns meses para aproveitar a novidade, para me sentir recompensada por meses de falta de motivos de interesse, de falta de coisas novas.
Vou pensar duas vezes antes da próxima vez em que me decidir ausentar tão radicalmente.
Jerónimo de Sousa é o candidato do PCP às próximas eleições presidenciais. E, de repente, tudo volta a fazer sentido.
Afixado por Isabel às 14:56 | Afixadelas (11) | TrackBack
agosto 23, 2005
Comunicado
Venho por este meio comunicar a V. Exas que hoje não me apetece escrever.
Apetece-me:
Namorar.
Ir para a praia.
Dormir.
Namorar.
Ir para a praia namorar.
Dormir depois de namorar.
Namorar depois de dormir.
Namorar.
Fazer um picnic no campo, debaixo duma árvore (ainda há?, ok...hoje não me apetece...)
Namorar.
Namorar enquanto faço um picnic debaixo da árvore (ainda há? porra, cala-te...)
Venho por este meio comunicar a V.Exas que volto mais tarde. De preferência depois de namorar. Obrigado.
Afixado por Isabel às 12:53 | Afixadelas (7) | TrackBack
agosto 22, 2005
Uma pequena resposta a um post da M

Dum lado tens uma montanha escarpada. Do outro tens o abismo.
Entre a montanha e o abismo tens um caminho. Um caminho estreito. Não tens escolha. Tens que o seguir. A curva apertada impede-te de ver para lá dela. Mas só até lá chegares. Quando lá chegares possivelmente encontrrás uma nova curva, mas terás andado mais uns passos. De vez em quando as curvas e as contracurvas do caminho tornam-se monótonas, sempre iguais e ficas cansada. Entediada. Mas sabes que não podes subir a encosta nem descer para o abismo. Não podes voltar para trás, porque já chegaste aqui. Algumas vezes apetece-te parar e desistir, mas a curiosidade do que está para lá da curva e, depois, da contracurva, impelem-te a seguir. Obrigam-te a não parar.
No fim do caminho sabes que algo te esperará. Nem que seja a sensação que fizeste o caminho.
E que não podias ter parado, porque querias saber o que encontravas para lá da curva.
Há uns tempos, numa dessas alturas, em que não encontrava força para ultrapassar a curva, em que me cansava de saber que a seguir a essa encontraria uma outra e outra, fiz aqui um post com uma cadeira vazia. Pensava eu que seria o que iria encontrar no fim do caminho. E doía. Afinal no fim do caminho estreito entre as rochas e o abismo, encontrei vida. Acredita. Depois das curvas apertadas, há vida. Basta resistir à vontade de parar.
Afixado por Isabel às 11:57 | Afixadelas (16) | TrackBack
Anomalia?
Há mais de um mês, cada vez que abro os jornais on line, os títulos são sempre iguais: Quarenta fogos por controlar, cinquenta fogos deflagraram ontem em todo o país, o concelho de Pampilhosa da Serra continua a arder e Viana do Castelo e antes Arganil e Abrantes e antes Mafra.
Há mais de um mês.
Ontem, o primeiro ministro, recém chegado de férias, logo acompanhado pelo Ministro António Costa (ou seria ao contrário?) dizia que a ajuda internacional só foi solicitada agora porque só agora foi necessária. Não se pode abusar destes pedidos, por dá cá aquela palha e só neste momento o número de incêndios foi considerado “anómalo”. Fui confirmar ao dicionário e anómalo significa irregular, que é contrário à ordem natural. Deduzo que, desde há mais de um mês para cá, os títulos dos jornais online e as aberturas dos telejornais, falavam de coisas regulares, conforme a ordem natural. O país está a arder há um mês, mas o Sr. Ministro e o Sr. Primeiro Ministro dizem que é natural. Valha-nos isso para continuarmos a suportar as imagens que diariamente nos entram pela casa adentro. E o fumo. E a não ver o Sol, escondido no céu “naturalmente” cinzento.
Hoje começam a chegar os meios aéreos que o Governo solicitou. Não eram necessários mais cedo, disse Sócrates e António Costa. Afinal, devem ter razão. Ainda há país para arder.
Naturalmente.
Afixado por Isabel às 09:34 | Afixadelas (4) | TrackBack
agosto 21, 2005
Tipicamente...

Acho que me apaixonei nos Amigos de Alex. Ao longo dos anos, fui devorando todos os filmes. Diziam-me os amigos, dizia a crítica que ele é sempre igual. Tem sempre os mesmos tiques, os mesmos gestos, o mesmo sorriso e o mesmo olhar. No cinema, parece-me que tenho gostos diferentes aos da vida. Gosto de actores (engraçado, só me lembro de homens) que sejam sempre iguais. Prefiro o Jack Nicholson ao Roberto de Niro, por exemplo. E não me digam que não se pode fazer este tipo de comparações, porque me apetece e pronto. Parece que, quando vou ver um filme destes actores são os gestos sempre iguais que procuro. Não vou, essencialmente, para ver um filme. Vou para matar saudades.
Vi as Noites Escaldantes, O Beijo da Mulher Aranha, os Filhos dum Deus Menor, o Turista Acidental, a Alice, a Edição Especial, o Mistério de Gorki Park, o Até ao fim do Mundo, as Viagens Alucinantes, dezenas de vezes. Sem nunca me cansar do sorriso, do ar desajeitado, do olhar perdido.
Perdi a conta às vezes que vi os Amigos de Alex e o Fumo. O ar de perdido, de coitadinho, de quem pede uma festinha na cabeça, de quem não sabe por onde nem para onde vai, ainda me dá volta à cabeça.
Parece que anda com problemas graves com o álcool, que está cada vez mais igual, que está gordo, que quase não filma, que está velho. E eu continuo aqui cheiinha de saudades. E com vontade de lhe fazer aquela festinha na cabeça, que o fizesse sorrir daquela maneira desajeitada, que usava quando a Geena Davis lhe ensinava a passear o cão ou a Kathleen Turner o convencia a matar o marido. Isto para não falar naquele arzinho que fazia quando a namorada do Kevin Costner, ou seja do Alex (deve ser porque, no fim do filme, acaba por ficar com ele, na casa do quintal, que sempre me recusei a decorar-lhe o nome...) recentemente passado para os anjinhos por conta própria, lhe pegava na mão para o levar para o escuro.
Com esta imagem de indefeso, quem é que tem tempo para reparar naqueles pormenores todos que a crítica usa para lhe chingar o juízo? Quem é que pode resistir e não continuar embevecida, estes anos todos depois daquela busca desesperada no porta-luvas do automóvel, no caminho do funeral?
Desculpem o desabafo, mas sou capaz de, esta tarde quente, ir ver pela 23º vez o funeral do dito, a amiga que empresta o marido à amiga para tentar fazer a criancinha, a amiga que volta a dar uma voltinha com o amigo para reviver os tempos antes de casar com um chato, o amigo que tenta entrar no carro pela janela como faz nos filmes...para poder encontrar aquele arzinho infeliz a enrolar um charro. A gente não manda na vontade. Ponto final. Viva o meu Williamzinho. Como diz um amigo, tipicamente “gaja”. Com aspas. Ou sem elas? Sei lá...vou pegar no DVD. Que eu, nestas coisas ( e noutras que não vêm para o caso, mas os amigos conhecem bem...) gosto muito de ser típica.
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agosto 20, 2005
Deixem-me respirar!!!!

- Quem? Nunca ouvi falar...
- Vais ver que gostas. Não sejas chata...leva e lê...
- Mas é japonesa?
- Achas? Já viste o título? Chinesa, "miga". Vá leva, Lês no fim-de-semana e trazes Segunda...
- E tu achas que eu vou ler isto no fim-de-semana? Tenho mais que fazer...
- Cala-te e pega no livro!!!
Tive que vir respirar. Já é a segunda vez que tenho que vir respirar. Faz demasiado calor. Agora vou lá voltar. Até logo!
Afixado por Isabel às 17:54 | Afixadelas (2) | TrackBack
Uma fábula

Poderia parar e imaginar que me ocupavam a minha casa. Destruíam tudo o que encontravam. Não queriam nada que os fizesse recordarem-me.
Anos depois, em nome de interesses que não os meus, em nome de justiça que não a de me devolverem a casa que era minha, abandonavam o local onde fora a minha casa. Antes, destruíam tudo. Assim, não poderia lá voltar a viver. Assim, teria que encontrar força para tudo reconstruir. Que eles sabiam que eu não tinha.
Poderia falar da casa da minha irmã que tinha sido ocupada quando a minha e que não lhe seria devolvida. Poderia falar no dinheiro que receberiam para deixar a minha casa. E que continuariam a receber, mesmo que a deixassem em cacos.
Poderia falar...mas, ao buscar uma foto no Google, dei-me com o Cordeiro e o Lobo, de La Fontaine.
Ainda não encontrei a fotografia que procurava. Uma que falasse de Paz.
Fica a fábula.
Na água limpa de um regato, matava a sede um cordeiro,
quando, saindo do mato, veio um lobo carniceiro.
Tinha a barriga vazia, não comera o dia inteiro.
- Como tu ousas sujar a água que estou bebendo? – rosnou o Lobo a antegozar o almoço. - Fica sabendo que caro me vais pagar!
- Senhor – falou o Cordeiro – encareço à Vossa Alteza que me dsculpeis mas acho que vos enganais: bebendo, quase dez braças abaixo
de vós, nesta correnteza, não posso sujar-vos a água.
- Não importa. Guardo mágoa de ti, que no ano passado,me destrataste, fingido!
- Mas eu nem tinha nascido.
- Pois então foi teu irmão.
- Não tenho irmão, Excelência.
- Chega de argumentação. Estou perdendo a paciência!
- Não vos zangueis, desculpai!
- Não foi teu irmão? Foi o teu pai ou senão foi teu avô.
Disse o Lobo carniceiro. E o Cordeiro devorou.
Afixado por Isabel às 17:07 | Afixadelas (1) | TrackBack
Era apenas isto que eu queria...

Ontem à noite saí para jantar fora. A intenção era ir à Trindade comer um daqueles bifes óptimos para a saúde com muito molho, onde se pode comer muito pão e beber muita cerveja. Quando chegámos à minha cervejaria (e, apesar do serviço que muitas vezes é muito pouco profissional e nada amistoso, aquela é a minha cervejaria) estava completamente cheia, com uma fila que saía da porta.
Uma das minhas amigas mais impacientes e a quem doía um pé, propôs que fossemos a outro lado.
Rumámos para o Bota Alta. Que estava cheio e com uma fila até à porta do vizinho.
A minha amiga disse que o pé não parava de doer e que há anos costumava frequentar um restaurante onde se servia uma paella muito boa.
O meu filho e a filha dessa amiga que nos acompanhavam estavam a começar a ficar algo impacientes com fome e decidimos aceitar a sugestão da paella.
Quando entrámos à porta começou o filme de terror.
Em cima do balcão, dentro duma fruteira (?) três bananas com ar de sofrerem de doença incurável, não paravam de me olhar. Chamei a atenção, aos meus amigos, para o aspecto das ditas, ainda antes de chegar a ementa, mas recebi um coro de e entãos.
Fiquei caladinha. Quando a ementa chegou o sr. disse-nos que a Paella levaria mais de uma hora a fazer. Olhámos uns para os outros e decidimos pedir outra coisa. Como tem tudo a ver com paella, eu e o João Pedro pedimos uma carne de porco à alentejana.
Entretanto já tinha chegada a sangria. Nunca tinha visto grãos de café numa sangria mas alguém me disse que era sofisticado (!!??).
Quando os pratos começaram a chegar, começou a ficar tudo um bocadinho para o amarelo. O que era aquela coisa que acompanhava as costeletas, perguntava um. Onde á que andam as batatas das iscas, questionava-se o outro.
O meu prato demorava e, entretanto, eu não conseguia tirar os olhos duma "mousse de chocolate" que estava dentro duma taça. O ar de cimento era-me familiar, apesar de não lhe reconhecer a cor.
Quando, finalmente, a carne de porco à Alentejana chegou, foi o fim. Aquilo sabia a um sabor novo, esquisito, enjoativo. O meu filho olhava para mim e encolhia os ombros. Dei a toda a gente a provar até que alguém disse "Isto é erva doce…!!!" Erva doce? Na minha carne à Alentejana? Mas, o pior, ainda nos estava reservado. Em vez de amêijoas aquela coisa vinha acompanhada de três mexilhões. Ok, pensei, se estive quatro dias na Bélgica e sobrevivi, devo aguentar estes. Mandei-me para o primeiro mexilhão. Não abria. Pedi reforços. Não abria. Finalmente um colega mais forte e encorpado abriu o gajo. Que estava cru. Completamente cru...os outros, pedi para não tentarem.
Chamei a menina que nos servia e perguntei-lhe que prato era aquele. Entretanto o meu filho só dizia "Mãe, tem calma" e eu dizia "Claro que tenho..." A sra. respondeu "O que a sra pediu" "OK, mas o nome" "Carne de porco à Alentejana" "Isto é carne de porco à Alentejana? onde é que estão as amêijoas? E os coentros?" "Aqui...ah, tem razão, são mexilhões" "E estão crus!" "Ah, tem razão e estão crus..." " E os coentros?" "Nunca usanos coentros...""E está doce…" "Ah, mas isso é normal, a cozinheira é estrangeira e gosta de pôr erva doce e canela nos pratos...".
A menina afastou-se, sem me perguntar se queria trocar por outra coisa, sem um pedido de desculpas, uma palavra. Perguntei ao João Pedro se conseguia comer aquela mistela. Disse-me que achava que não.
Fim da história: pela primeira vez na minha vida, agora com esta provecta idade, decidi sair dum restaurante sem comer nem pagar a conta. Chamei a menina, de novo, e disse-lhe que queria pagar a coca cola , o queijo e o pão. "E o resto?" perguntou. "Arranja-me carne de porco à Alentejana?".
Combinei com os meus amigos que nos encontraríamos um pouco mais tarde e fui com o João Pedro comer duas tostas mistas cada um, ele bebeu coca-cola e eu imperial. Tivemos direito a esplanada e tudo. Quando nos encontrámos, mais tarde, os meus amigos vinham todos com ar de doentes. Nós os dois estávamos satisfeitos e felizes. Recebi uma chamada há pouco dum deles que diz que está mal dos intestinos. Respondi-lhe que é o resultado de não saberem ser intolerantes. Nestas coisas, as únicas assevero-vos, eu sou. Aprendi a ser. Não saio de casa para jantar fora para me darem carne de porco à Alentejana doce e com mexilhões crus. Não pactuo com faltas de qualidade e de profissionalismo, nem com espertezas saloias. Há unos anos, deveria andar aqui, hoje, a correr para a casa de banho. Hoje estou aqui satisfeitíssima com as tostas mistas.
Não me lembro o nome do maldito restaurante. Sei que fica no Príncipe Real e que diz que é especializado (???) em paella. Pela vossa rica saúde, não entrem.
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agosto 19, 2005
Volta!

Nunca nos entendemos. Nunca entendeste a minha loucura, eu nunca entendi a tua passividade. Nunca entendeste as minhas paixões, eu nunca entendi nunca te ver apaixonada. Talvez, quando o teu neto nasceu, tivesse visto laivos de paixão no teu olhar, mas sempre te preocupaste tanto com tudo, que nunca te sobrou muito tempo para que, mesmo então, os teus olhos brilhassem
Talvez bastasse um gesto. Mas eu não sei o gesto.
Nunca nos entendemos. Quando te falava de voar, respondias-me que estavas demasiado cansada para andar. Dantes, há muito tempo, ainda nos entendiamos a fazer bolos – lembras-te das bolachas de manteiga? E da torta de chocolate? Com o tempo, começaste a dizer que o forno não funciona bem.
Talvez bastasse uma palavra, mas eu não sei a palavra.
Nunca nos entendemos no tempo. Quando havia um dia de Sol, dizias sempre que a aragem indicava que vinha aí chuva, quando chovia, eu dizia-te sempre que aquela nuvem branca lá ao longe, por cima de Santarém, anunciava que o Sol estava a chegar. Nem no outro tempo. Quando eu dizia que era tarde tu dizias que era cedo. Quando eu dizia que tinha tempo, tu dizias que eu nunca tinha pressa para nada.
Hoje, sinto que terei que encontrar a forma. De te trazer de volta. Não quero acreditar que seja tarde. Mas não sei o que fazer para ainda ir a tempo.
Ontem, à noite, aproveitando o facto do teu marido e do teu neto andarem a passear, disse-te que precisava de ti. Mais uma vez não nos entendemos. Perguntaste-me para quê e eu não soube responder. Nunca entendeste que nunca há um para quê quando preciso das pessoas. Nunca entendeste que só te saberia responder se me perguntasses porquê. Ontem repeti-o três vezes na esperança que fizesses a pergunta.
Pergunta-me porquê, por favor. Para poder dizer que é porque te amo. E para poder voltar a rapar a tigela da massa da torta de chocolate.
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agosto 18, 2005
Colegas

Na Quinta Feira tive uma agradável surpresa. Tenho um colega. Estava cansada de trabalhar com mulheres. Só com mulheres. Se gostar de homens é uma questão de feitio, gostar de trabalhar com homens é, mesmo, uma questão de preservação da sanidade mental.
A diferença nota-se logo nos primeiros dias e nas pequeninas coisas.
Nos gelados, por exemplo.Nenhuma das minhas colegas se ofereceu nunca para me ir buscar um gelado ao meio da tarde. Nunquinha.
E namorar ao telefone? A diferença que faz namorar ao telefone com um colega ou com uma colega de gabinete. Elas nunca saem. E quando lhes dou a entender que é uma chamada pessoal, têm sempre milhares de coisas para fazer. É o saco que está na cadeira e que tem a escova de dentes e a escova de dentes é precisa naquele momento. É o telemóvel que está na secretária e que pode tocar a qualquer momento, apesar de saberem que só toca uma vez por dia... Que contraste com a disponibilidade contida num “Quando acabares avisa...eu tenho o móvel...Até já!” e é vê-lo sair apressado, porque há sempre coisas inadiáveis para fazer num gabinete e eles tãm perfeita consciência disso.
E as conversas? Quando é que eu podia falar de cinema ou de futebol, ou dos U2 ou do Mário Soares? Nunca. Começava a falar no Sócrates e acabava a conversa a falar na roupa por passar, falava no Hugh e acabávamos a falar na mania do marido deixar os sapatos na sala.
Só para termos a exacta noção da diferença, ontem, o meu colega veio pedir-me opinião sobre a melhor marca de panela de pressão porque queria oferecer uma à namorada (claro que não há ninguém perfeito...mas estes “pequenos” pormenores, com calma, eles também acabam por aprender...) e acabámos a falar do “Carteiro toca sempre duas vezes”.
Claro que há conversas que não se podem ter com colegas de trabalho. Sexo, por exemplo. Não há nada como uma colega mulher para falar de sexo. As mulheres são normalmente muito mais abertas nestas coisas. O problema é que as nossas colegas de trabalho não sabem, já não se lembram ou não estão a ver o que isso é. E fica-se com o tempo todo desocupado para falar no tia que está doente, no marido que ressona ou no preço dos livros do filho.
Eu também tenho essas coisas todas (ok, nem todas...) mas, acho que o tempo que passamos no local de trabalho deve ser aproveitado para fazer coisas importantes : namorar, comer gelados, falar de cinema ou aprender o que é um fora de jogo. E nisso, minhas caras, os homens são muito melhores colegas do que vocês.
E não pensem que eu faço o mesmo. Cá por mim, adoraria que uma colega passassa horas a namorar ao telefone. Tenho uma Bertrand mesmo do outro lado da rua e preciso de beber vários cafés por dia. E tenho uma bolso especial onde meto sempre o telemóvel ( mesmo que só toque uma vez por dia...) Na volta, no local de trabalho, nasci homem. O que não me desagrada nada, diga-se.
Afixado por Isabel às 09:42 | Afixadelas (22) | TrackBack
agosto 17, 2005
Quem é amiga? II

Émièle, desculpa lá não aproveitar cabalmente a ausência dos nossos colegas, mas temos que ser boazinhas e o Afixe é um verdadeiro serviço público.
Confesso que o meu stock de fotos femininas é um bocadito mais limitado e não tive outro remédio senão ir surripar esta ao o mundo perfeito.
Espero que os nossos leitores gostem e que se continuem a sentir, aqui, em casa.
E agora talvez devesse, mesmo, ir fazer qualquer coisita.
Afixado por Isabel às 11:48 | Afixadelas (5) | TrackBack
Quem é amiga?

Andei à procura de um assunto interessante para fazer um post. Agora que a Émièle está de férias e aproveitando as férias de mais alguém aqui no serviço, comecei a manhã a ler os jornais online para tentar descobrir algo e cumprir, assim, a minha obrigação, justificando os trocos que o Afixe me paga ao fim do mês.
Entre o Mário Soares que diz que é o único, o genuíno e o da Bayer e que, sem ele, o professor iria dar um passeio (ainda estou um bocadito traumatizada com a ideia de, ao descer calmamente a Avenida, me deparar com um pastel de bacalhau a sair daquela boca...é por estas e por outras que eu não gosto que a Émièle vá de férias...estes traumas logo de manhã não fazem nada bem à saúde) e mais umas notícias sobre mais uns incêndios e ainda umas outras sobre umas declarações sobre o Ganda Nóia ou do Ganda Nóia sobre um gajo qualquer (parece que esta já tem uns dias, mas eu não tenho tido tempo para me inteirar dos factos importantes que se vão passando neste país...), desisti.
Decidi ir limpar o meu Email que há que se ser produtivo, nas horas de serviço. E, entre os milhares de mails para apagar, descobri este senhor que uma amiga me enviou, há uns tempos.
Achei que estava com um ar tão desprotegidinho ( e por mais que as mulheres digam que não, fica-se sempre comovida com este ar...tá bem que a comoção não dura muito, mas que mexe com a gente não vale a pena negar), que decidi fazer a boa acção do dia e publicá-lo aqui.
Há por aí alguém que lhe faça companhia? Que o ajude a perder aquele arzinho tristonho e desamparado?
Entre o passeio do pastel de bacalhau, a entrevista do insubstituível e o granda nóia, desculpem lá, mas eu até sou amiga.
Vou ver se descubro mais coisas de interesse. Já volto.
Afixado por Isabel às 10:18 | Afixadelas (11) | TrackBack
agosto 16, 2005
Missão cumprida

Pronto, está entregue. Depois de dias sem dormir, sem comer, sem quase ter tempo para respirar, a totalidade das listas da Candidatura de Sá Fernandes à Câmara de Lisboa, foi, hoje, entregue. Não é meu costume fazer campanha eleitoral no Afixe, mas não resisto a deixar, aqui, duas notas pessoais, com a promessa que não torno...muitas vezes:
José Sá Fernandes é uma pessoa extraordinária. Daquelas pessoas que, com um sorriso, nos faz esquecer a fome, o cansaço, a falta de dormir. Que se mantém calmo, mesmo quando tudo parece correr mal ou não correr, como tantas vezes parecia ser o caso. Daquelas pessoas que, quando encontramos a primeira vez, parece que conhecemos desde sempre e que não nos apetece voltar, nunca, a perder de vista. Se mais nenhuma razão houvesse e eu acredito sinceramente que haverá, estes dias de contacto diário com o José Sá Fernandes, teriam valido a pena por ter tido a oportunidade de o conhecer de perto.
Com as listas, foi a minha lista. Agora começa a parte que me dá gozo. Ajudar a fazer a minha casa melhor. Não há mais nenhuma razão para me meter, de coração aberto, nesta embrulhada: esta é a minha casa e eu adoro a minha casa.
Afixado por Isabel às 19:43 | Afixadelas (6) | TrackBack
Eu também!!!!

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem duvida quem não queira nada
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
Álvaro de Campos
Afixado por Isabel às 10:53 | Afixadelas (0) | TrackBack
Coisas que aprendemos com a idade...

Às vezes, basta uma resposta para o Sol voltar a brilhar. Com o tempo, com a idade, com a maturidade, aprendemos que a única forma de confiar é não deixar que as dúvidas se instalem. Não há amor nem amizade sem confiança. A cumplicidade não é possível se calarmos perguntas com medo das respostas ou do efeito das perguntas. Na amizade. No amor. Na paixão. Na vida.
Há alguns anos nunca teria feito a pergunta que esta manhã ousei fazer. Com medo da resposta? Ou porque me escudaria sob a desculpa de que ao fazê-la estaria a interferir com a liberdade de alguém? Por qualquer uma destas ou de outras dezenas de hipóteses, a pergunta teria ficado aqui. Guardada. À espera do momento para sair. Ou calada para sempre. A vida muda-nos. Gosto que a vida me tenha mudado. Gosto mais de mim com coragem para fazer perguntas. Sobretudo porque, para mim, isso significa que aprendi a confiar. Nas respostas. Das pessoas de quem gosto e que amo.
Muitas das perguntas que calei, ao longo dos anos, talvez tivessem sido caladas por sentimentos muito nobres (até sou capaz, de assim, à posteriori, acreditar nisso...). A que hoje coloquei foi feita pelo sentimento mais nobre de todos. E estou bem. A sério. Às vezes basta uma pergunta para o Sol voltar a brilhar.
Obrigado a quem me ajudou a aprender a confiar. Ao longo dos anos. E hoje.
Afixado por Isabel às 10:32 | Afixadelas (2) | TrackBack
agosto 15, 2005
Poesia no feminino - II

Atravessa os campos da noite
e vem.
A minha pele ainda cálida de sol
Te será margem
Nas fontes, vivas, do meu corpo
Saciarás a tua sede
Os ramos dos meus braços
Serão sombra rumorejante
Ao teu sono, exausto
Atravessa os campos da noite
e vem
Luísa Dacosta - Apelo
Afixado por Isabel às 13:13 | Afixadelas (1) | TrackBack
Os meus sítios
Viena - Monumento às vítimas do nazizmo
Falta alguma coisa a Viena. Muito pouco. Que me lembre faltam guardanapos nos cafés (é verdade, nunca me deram um guardanapo de papel enquanto lá estive ou vi um guardanapo de papel perdido em cima de uma mesa, nos locais onde tomava a bica ou lanchava).
De resto, Viena tem tudo. Tem uma Escola de Equitação que fez as delícias do meu filho e onde ele me enumerou o nome de todos os passos que cavalo e cavaleiro, faziam. Tem centenas de pessoas a andar de bicicleta que fazem a delícia de qualquer um que chegue de Lisboa, tem pessoas que dançam ou que tocam em cada esquina, tem um pequeno monumento que se descobre quase por acaso mas que, talvez pela sua singeleza, nos emociona, às vitimas do nazismo, e onde pessoas que passam teimam em deixar flores (no dia em que lá estive havia dois cravos vermelhos). Tem um hotel pequenino, lindo de morrer, com uma empregada velhota que conhecia o Zé Afonso e que sabia tudo do 25 de Abril, onde ficámos as duas últimas noites, tem jardins onde nos perdemos, tem carros que nem nos filmes, como dizia o João Pedro, e que fez, com que, do dia em que ficou sozinho e que foi fazer um tour à cidade, que eu não teria oportunidade de repetir, existam, sobretudo, fotografias de Jaguars, BMWs, Ferraris e outros que nem me passa pela cabeça de que “raça” são, tem café, café verdadeiro, quase igual ao nosso, que, em qualquer local, vem sempre acompanhado de um copinho de água dentro de uma pequena travessa de inox (ah, se não fosse ter que limpar a boca às costas da mão…).Tem Multibancos (raros, que isto de Multibancos em cada esquina é mesmo caracterítica nossa) onde tentei deseperadamente levantar 60 Euros e a maquineta se recusou a dar-me menos de 200.
Viena tem tudo. E, no entanto, tal como os outros locais, Viena só passou a ser minha, porque foi a minha primeira viagem ao estrangeiro com o meu filho. De Quinta ao fim da tarde, quando acabou a reunião onde participava, até Sábado à noite, andámos quilómetros, conhecemos os cantinhos, descobrimos praças escondidas. De Quinta até Sábado à noite, fizemos jus à teoria do meu filho sobre o nosso “grau de parentesco”.
Quando se fala em Viena, ele diz sempre “curtimos bué”. Tem que ser nosso, um sítio onde se curte bué. Sobretudo acompanhada por um amigo lindo, moreno, de olhos verdes e que me explicava cada carro que encontrava na estrada, que ele achava merecedor de ter a história contada. O que em Viena, era, mais ou menos, carro sim, carro sim.
Afixado por Isabel às 12:25 | Afixadelas (1) | TrackBack
agosto 14, 2005
15 de Agosto de 1945 - Fim da 2ª Grande Guerra

Há aqueles que lutam um dia; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda;
Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis.
Bertold Brecht
Afixado por Isabel às 19:49 | Afixadelas (3) | TrackBack
Monólogo

Porque é que és preguiçosa? E comodista? E não te apeteceu dormir uma noite na rua? Que mal tem passar uma noite na rua? Agora ficas aí a roer as unhas até aquela coisa que tem um nome muita feio... É para aprenderes, filha, que quando queremos mesmo as coisas temos que fazer sacríficios. Já tinhas idade para saberes isso. Vá, contenta-te com veres o Sampaio a entregar-lhes a ordem da Liberdade...e não vale a pena ficares de beicinho caído que agora não há a fazer...vai meter o CD e tomar um duche frio. E vê lá se aprendes!!! Às vezes, até tenho desgosto em tu seres eu!!! Brrrrr!!!! Que raiva!
Afixado por Isabel às 17:09 | Afixadelas (2) | TrackBack
Às vezes...um post com destinatário

Num minuto se nasce.
Às vezes, acontecem, na nossa vida, momentos assim. Em que um mês não são trinta dias. Em que um mês não é, apenas, mais um mês. Às vezes, acontecem, na nossa vida, meses que são 43200 minutos em que nascemos.
Nascemos nas palavras e nos gestos que redescobrimos, no desejo que não calamos, na ternura que em nós transborda, no prazer que nos enche o corpo e a alma. Nascemos na voz e nascemos na pele e nascemos, ainda, no sorriso. E na paixão.
Às vezes, acontecem meses, na nossa vida, em que nascemos. Apenas nascemos.
Às vezes, acontecem momentos nas nossas vidas em que não nos preocupamos como será daqui a um mês ou daqui a um ano. Às vezes, acontecem meses na nossa vida em que só o 43201º minuto conta. E nesse, eu estou contigo.
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agosto 13, 2005
Até mais logo !!!

Afixado por Isabel às 10:26 | Afixadelas (4) | TrackBack
agosto 12, 2005
Cinco horas
9.20h – Atendo o telefone e a minha colega telefonista, diz: “Isabel vou-te passar um cliente.”
O cliente pergunta se é possível pedir para fazer um bolo de aniversário para oferecer à esposa que faz anos, amanhã. Respondo que sim. Pergunto-lhe quantos, para poderem colocar a vela e ele diz “43, apanhou-me...”. Começo a fazer seguir o pedido.
10.15h – No lobby, vejo parar uma ambulância à porta. É um cliente que se sentiu mal, diz-me o meu colega.
11.00h – O cliente sai numa maca para o hospital.
13.15h – Somos avisados que o cliente faleceu.
13.40h – Aviso a pastelaria que o bolo de aniversário ficou sem efeito.
14.05h – Ainda tenho a voz nos meus ouvidos.
Temos, mesmo, tempo para dar importância a coisas insignificantes?
Afixado por Isabel às 14:12 | Afixadelas (7) | TrackBack
Socorro!!!!!
Não consigo escrever. Não consigo trabalhar. Tou completamente coitadinha. Vi-me agora mesmo ao espelho e se me restasse alguma forcita teria gritado ou fugido. Assim, limitei-me a bocejar. Não quero ver mais Juntas de Freguesia. Nem candidatos. Nem declarações, nem certidões até, pelo menos...Terça Feira. Só quero...

...please!!!! Só um cachochinho!!!
Tou com tanta pena de mim, que não sei se me sinto indio ou galinha...ou se não me sinto...Socor...zzzzzz
Afixado por Isabel às 11:14 | Afixadelas (4) | TrackBack
agosto 11, 2005
País de forretas e desconfiados
Parece que o Governo escolheu a Ota para a construção do novo aeroporto sem qualquer estudo de viabilidade económica do investimento.
Se o Aeroporto é uma prioridade, se o Primeiro-Ministro disse que era uma prioridade, como é que querem que se tenha tempo para essas miudezas???
E, mesmo a sério, numa altura de vacas gordas como a que o País atravessa é mesmo necessário perder tempo com tostões?
E, depois, se não tiver sucesso pode-se sempre construir outro. Ainda deve haver espaço. E com a construção do TGV, outra prioridade de Sócrates, depressa se há-de lá chegar, seja lá onde for.
Vamos mas é ganhar juízo e deixarmo-nos destas esquisitices. Se é uma prioridade não há tempo a perder. Que se lixe a viabilidade económica da coisa.
Afixado por Isabel às 11:28 | Afixadelas (0) | TrackBack
Poesia no feminino - I

Acho estimulantes aa discussões sobre se há uma maneira feminina e outra masculina de estar na vida. Estou, claramente, do lado dos que acreditam que sim. Que não estamos, sonhamos, vivemos e sentimos da mesma forma.
Claro que temos sonhos e objectivos comuns. Somos seres humanos. Claro que amamos e nos apaixonamos. Somos seres humanos. Claro que choramos. Somos seres humanos. Mas não creio que o façamos da mesma forma. Com a mesma forma. E acho uma maravilha que assim seja.
No entanto, já não acho tão discutível que haja uma escrita feminina. Sobretudo, uma poesia feminina. Aqui, confesso, sou bem mais categórica. Há. Acredito que haja. E dificilmente me conseguirão convencer do contrário.
Há dias, numa das minhas habituais peregrinações pela FNAC (confesso que é a única ”grande superfície” que me faz trair com prazer as lojas de bairro), descobri uma colectânea de poemas, compilados por José Fanha e José Jorge Letria com o nome “Cem Poemas Portugueses no Feminino”.
Dessa recolha, já aqui publiquei o corpo de Maria Teresa Horta.
Porque gosto de poesia e acredito que o que dá verdadeiro sabor à vida é a alegria da diferença, aqui irão ficar mais alguns.
dá-me vinho meu amor
dá-me vinho
vinho pela tua boca
deita-me junto ao rio
abraça-me contra a terra
abraça-me dentro de água
mas dá-me vinho
dá-me
sem parar
hoje quero ser tua
da maneira mais louca
Lua cheia - Y.K.Centeno
Afixado por Isabel às 10:41 | Afixadelas (0) | TrackBack
agosto 10, 2005
Parece que eu apoio...

Pelo Jornal de Notícias de hoje soube que Mário Soares tem garantido o meu apoio na sua “quase certa” candidatura a Belém.
Eu que ainda nem tinha tido tempo de pensar no assunto – aliás, a perspectiva de, algum dia, ter que optar por votar em Mário Soares (e não se trata só, nem essencialmente, de divergências politicas, trata-se, sobretudo, da sensação de vazio que isso implica) para impedir a eleição de Cavaco Silva é tão deprimente que adormeço antes de, sequer, conseguir visualizar o rosto de qualquer um deles, fiquei toda contente por saber que, afinal, já tinha decidido e não sabia.
Agora parece que Mário Soares já está na fase de tentar cativar os eleitores do PSD, a Igreja e os empresários, mas, aí, eu já não entro. Comigo, parece que já está tudo certo e decidido. Tenho que me começar a pôr a pau. Agora jé nem dou pelas decisões que tomo nem pelos apoios que dou. Senilidade, certamente. Fico um bocadito aflita sem saber o que virá a seguir neste meu irreversível caminho para a distração total. Mas que é um alívio e me evita a grande trabalheira de pensar, lá isso é verdade.
Afixado por Isabel às 10:45 | Afixadelas (7) | TrackBack
Os meus discos
The Waterboys

Vamos aprendendo a descobrir as nossas próprias terapias. Ontem, depois de um dia de cão e de uma noite de conversas, nem sempre fáceis, dei por mim, aproveitando o facto de me poder dar ao luxo de ficar a ouvir música até às tantas (vantagens que Agosto me dá), a procurar no meio da confusão dos CDs lá de casa (até nos CDs sou desarrumada, caraças...) os Waterboys. Por uma qualquer associação de idéias sempre achei que a música dos Waterboys é para se ouvir no Verão. E em alturas de crise.
Só tenho dois discos dos Waterboys – This is the Sea e Fisherman’s Blues. São suficientes para me deliciar com The Whole of the Moon, do primeiro ou com o violino de Steve Wickham, no segundo.
The Waterboys foram o inicio da paixão que ainda hoje (ou cada vez mais hoje?) cultivo pela música irlandesa e pela música celta.
Vi-os ao vivo, há muitos anos, no Campo Pequeno. Dançar ao som daquela música é uma terapia para qualquer alma em apuros. Ontem à noite tive, de novo, a confirmação da suas inquestionáveis qualidades terapêuticas.
Afixado por Isabel às 10:12 | Afixadelas (1) | TrackBack
agosto 09, 2005
Para um amigo ausente

Só agora olhei o calendário. Já passa muito da meia noite, eu sei.
Custava-te a descer as rochas. Cansavas-te a percorrer o areal. Naquele ano, percorremos a costa alentejana num Diane castanho. Tinhamos acabado de nos encontrar. Ainda acreditávamos que poderiamos nunca nos perder. Até tu acreditavas que querias viver.
Acampámos, ali, bem juntinho à praia. Durante aqueles dias enormes e aquelas noites ventosas do fim de Junho, vivemo-nos.
Nunca se deve voltar aos lugares onde se foi feliz, dizia o poema. Os poetas são uns fingidores.
Hei-de voltar à Carrapateira.
Seguramente não iriamos à Carrapateira juntos, hoje. Mas queria tanto que tu lá pudesses estar. Talvez por ser 9 de Agosto.
Parabéns, meu amigo. Não é todos os dias que se faz cinquenta anos. Mesmo estando longe.
Afixado por Isabel às 14:31
Agosto em Portugal

Cenas da pré-campanha eleitoral
Afixado por Isabel às 11:01 | Afixadelas (1)
Sem título

Só o que sonhamos é o que verdadeiramente somos, porque o mais, por estar realizado, pertence ao mundo e a toda a gente.
Bernardo Soares, O Livro do Desassossego
Afixado por Isabel às 10:36 | Afixadelas (6)
agosto 08, 2005
Como é que se explica?

De repente, no meio da pasmaceira de Agosto, vi na Sic online, a notícia que Cristiano Ronaldo, está com o seu valor publicitário em baixa, devido a umas fotos postas a circular por uma ex-namorada.
Fico estarrecida. Já não me bastavam os chocantes e imorais valores que jogadores, treinadores e outros “artistas” levam para casa depois de um anunciozeco ao BES ou ao American Express (só para nomear dois que me estou a lembrar), agora entra-nos pela casa adentro esta outra ausência de princípios. De dignidade. Este vale tudo em que nos transformámos. Alguém que tem uma relação afectiva ou sexual com alguém e que usa fotos de momentos dessa relação para sacar dinheiro (seria, apesar de tudo, mais “romântico” pensar que era por ciúme ou por vingança...mas a venda a um jornal inglês, não nos permite estas veleidades). E, depois, o despudor com que se diz que o BES (que tem a circular anúncios publicitários com Cristiano Ronaldo) está a investigar o caso, a ver qual é a gravidade dos fetiches do jogador do Manchester, com que se diz que foi pedir “explicações” ao representante do jogador.
Ao que parece, felizmente (?), o Banco ficou convencido com as “explicações”.
Aqui, fico a pensar como é que isto se faz. Como é que se explicará ao patrão que dentro de nossa casa, nos nossos momentos intímos, somos, desde que isso não prejudique ninguém e nos dê prazer, o Capuchinho Vermelho ou o Lobo Mau, dependendo dos gostos, da companhia e das circunstâncias? Ok, não é bem como se explica. É como se explica para ele ficar “satisfeito” com a explicação?
Desculpem, mas este mundo está louco.
Afixado por Isabel às 21:21 | Afixadelas (8)
Grita filha, grita!!!!

Estou a ouvir os REM. A chefe devia ter ido de férias e não foi de férias. Eu queria-me baldar à tarde, usando aquela treta do patrão fora e assim, mas não me vou poder baldar porque a chefe além de não ter ido de férias anda, ali, aos gritos e aos saltos, parece uma barata tonta. A vingança é terrivel. Estou a ouvir os REM, e estou com esta cara. Enquanto ela andar aos saltos e aos gritinhos, não dá por nada. Vou continuar a ouvir o Michael Stipe.
Há-de arrepender-se de não ter ido de férias, carago.
Afixado por Isabel às 15:02 | Afixadelas (6)
Que excitação!!!!

Vinha cheia de vontade. Há tanto tempo que não me apetecia escrever um post sobre a situação no País. Com as férias, o Sol, o Mar, a militãncia, já lá vão uns tempitos em que não sai nada.
Abri, esperançada, os jornais on line, a Lusa, o Sapo, já fiz uma viagenzita nos meus blogs de estimação. Nada.
Voltei ao principio. Pensei que se primeiro começasse pelos Blogs de estimação e depois fosse à Lusa, finalmente aos jornais... Nadica.
Então e se fosse primeiro à Lusa e depois aos Blogs...???
Os incêndios que continuam a consumir o País. A novela Soares / Manuel Alegre. A medalha de bronze de Susana Feitor nos 20km marcha e o 4º lugar de Obikwelu nos 100m, nos Mundiais de Atletismo, e pronto. Já está. Missão cumprida.
Soube que o Primeiro Ministro continua de férias em África, que Rui Rio congelou a polémica sobre o Tunel de Ceuta até depois das Autárquicas e que...e que...
Se não fosse a animação da pré campanha eleitoiral estava feita. Escrevia sobre quê?
Afixado por Isabel às 10:06 | Afixadelas (6)
agosto 07, 2005
Teve que ser...

Durante muito tempo adiei a conversa que tinhamos que ter. Fui adiando, não só por ter medo da resposta, mas, sobretudo, por não ter a certeza se te provocaria alguma dor. Acredita, meu amor, que não somos capazes de, conscientemente, nos arriscarmos a provocar sofrimento aos nossos filhos.
Ontem, aproveitando o fim de tarde, com o mar a molhar-nos os pés e o Sol a ser, finalmente, piedoso para a nossa pele, naquele infindável passeio à beira mar, “quando não aguentares mais eu levo-te às cavalitas”, tinhas-me dito ao deixarmos os nossos amigos, ganhei, enfim, coragem.
Quando me pegaste na mão “Antes que o mar te leve, que tu já estás um bocadito cota e o mar, aqui, puxa muito”, à pergunta, tantas vezes adiada, respondeste calmamente “ Não, Mãe, não sinto. Eu sou muito feliz contigo. E agora chega de palermices...Vamos mas é fazer a corrida que prometeste”. Desculpa ter insistido. Mas, agora, que tinha finalmente, “saído”, agora que és um homem, agora que, como dizes, sou mais amiga que mãe, senti que não poderia deixar de aproveitar a oportunidade.
Apertaste-me a mão com força e perguntaste se queria que escrevesses na areia.”O mar, depois, leva…”, disse. “Só o que nós queremos que ele leve”, respondeste.
Fiquei com o coração mais quente. E compreendi que, afinal, não tinha adiado a pergunta. Só a poderia ter feito, agora. Ali. Na praia. Ao pôr do Sol e ao pé do Mar.
Afixado por Isabel às 19:29 | Afixadelas (8)
"A rosa de Hiroshima"
Sabia que a Émiéle não se esqueceria de assinalar o dia. Obrigada amiga. O que seria o Afixe sem ti? E nós sem ti?
Fica, no entanto, a minha pequena achega para que não nos esqueçamos nunca onde nos pode levar a estupidez do homem, com a letra da “Rosa de Hiroshima” dos Secos e Molhados.
Os Secos e Molhados e Ney Matogrosso, são daquelas coisas mágicas, que se nos pegam, um dia, ao corpo, à pele e à alma e das quais nunca mais nos libertamos. Com o decorrer do tempo, não vamos aderindo da mesma forma. Às vezes, as palavras e os sons mais recentes já não nos parecem iguais. Chegamos, até, a sentir saudades dos mais antigos.
Mas, depois, um dia, vimos Ney, ao vivo, cantar a Rosa. E compreendemos que uma magia verdadeira se bem feita, é magia para toda a vida.
Pense nas crianças mudas,
telepáticas
Pense nas meninas cegas
inexatas
Pense nas mulheres, rotas
alteradas
Pense nas feridas como rosas
cálidas
Mas! Não se esqueça da
rosa, da rosa
Da rosa de Hiroshima, a rosa
hereditária
A rosa radioativa, estúpida
inválida
A rosa com cirrose a anti-rosa
atômica
Sem cor, sem perfume,
Sem rosa, sem nada
Afixado por Isabel às 17:36 | Afixadelas (2)
agosto 06, 2005
O meu dia
Descobri a NET na Aldeia do Meco. Estão uns gajos lá fora a tocar o Angie. Acabei de comer uma massada de peixe. Tive um dia óptimo de praia. Bebi um vinho branco de cair para o lado. Um doce da casa daqueles cheios de natas e leite condensado. Fui ao Cabo Espichel. E no dia em que se vai ao Cabo Espichel, mesmo que não haja Angie, nem massada, nem praia, nem vinho branco, nem NET, nem doce da casa, já há dia.
Ah, é verdade, ao jantar o meu filho disse que cada dia que passa eu sou mais amiga e menos mãe. Não tenho a certeza que isto seja totalmente positivo, mas parece-me que, pelos olhos brilhantes, ele acha que sim. Amanhã, com mais tempo e sem o Angie a tocar lá fora, penso melhor no assunto.
Há dias assim. Até o Afixe me mudaram. E eu adorei a mudança. Dia em pleno?
Claro que não. Falta sempre uma coisinha. Qualquer coisinha. Hoje faltou ter chegado a tempo ao telemóvel.
Até amanhã. Em Lisboa.
Afixado por Isabel às 22:24 | Afixadelas (7)
agosto 05, 2005
Até Domingo

Até Domingo. Bom fim-de-semana. Tentem aproveitar o Sol, se o Céu nos deixar respirar.
Afixado por Isabel às 15:36 | Afixadelas (4)
Verde
We shall overcome!!!

Afixado por Isabel às 11:25 | Afixadelas (5)
Os meus sítios II

Convento de Begijnof, logo à entrada, a "minha" capela.
Bruges. Não creio que seja possível visitar Bruges, sem ficar cativo. Bruges não é uma cidade. É Bruges.
Estive lá duas vezes. Da última vez, Bruges acordou fria, cinzenta. Chuvosa. Como se, no espaço de dois anos, a cidade passasse dum paraíso onde se quer ficar para sempre para um local onde o silêncio do rio e a força do passado se tornam insuportáveis. Claro que Bruges não teve culpa. Nem de ter acordado cinzenta, nem, sobretudo, da força insuportável que, entretanto, o passado recente tomara.
É da primeira Bruges que me lembro. Acompanhada de um colega italiano, Fabrízio, percorremos as ruas, ouvimos o som dos sinos da Catedral, passámos horas nos alfarrabistas e nas tendas de antiguidades, entrámos nos museus, nos monumentos, nas Igrejas, comprámos toda a espécie de chocolates e até descobrimos uma casa de artesanato sul americano, donde saí cheia de embrulhos, porque, qualquer turista que se preze, tem que vir de Bruges cheio de bugigangas dos Andes...
Na entrada de Bruges, no caminho que nos leva da estação para o centro da cidade, o Convento. Uma pequena capela. Enquanto Fabrizio, um militante comunista italiano da velha guarda, se passeava pelos jardins, fiquei mais um pouco. Lá dentro, um silêncio e uma paz que raramente encontrei. Sozinha, numa capela pequenina, quase sem luz, com o som dos pássaros que enchiam as árvores cá fora, não deixei de ser o que sempre fui, mas tive a confirmação que a paz, se encontra nos locais e nos momentos mais, para nós, inesperados (e, mesmo a sério, que nada deve ter tido de transcendental, já tentei entrar noutras igrejas e capelas, e nada...a admiração das obras de arte e dos vitrais, algum incómodo pelo inebriante cheiro a cera queimada...e a necessidade de apanhar ar...).
Uma viagem de barco pelo rio, com o condutor, depois de saber que a Donna era portuguesa (apresentação do Fabrízio com aquela mistura de italiano e de francês que ainda me arrepia) me diz, ao sair de debaixo de uma ponte para olhar para a esquerda. Numa casa linda de arquitectura flamenga, bem coladinha ao vidro, uma fotografia do Figo. Penduradas, na mesma janela, uma bandeira de Portugal e outra do Benfica.
Definitivamente, estamos em todo o lado...o Fabrizio perguntava-me “Será que não haverá nenhum italiano, aqui...não vi nenhuma bandeira...”. Não lhe respondi. Afinal, de Portugal, ele só conhecia o Benfica, a Amália e...o Álvaro Cunhal. Só, a partir daí, ficou a conhecer uma “ragazza portugaise três sympathique”.
Não se volta igual de Bruges. Creio que, dois anos depois, não teria ousado lá voltar, se não fosse o feitiço. Não soube ao mesmo. Voltei a entrar na pequena capela e já não encontrei paz. Foi dolorosa a busca pela paz perdida. Teimava em, de lá, não sair, na esperança de que o milagre acontecesse. Afinal, só quase dois anos depois voltei a ter a confirmação que os milagres podem acontecer em qualquer parte. Mesmo nos locais mais inesperados. Como na pequenina capela do Convento de Bruges. Ou, ali, à saída da minha porta.
Quem me dera voltar a Bruges, agora. E saber que me voltaria a deixar inebriar pela mistura do verde dos jardins, com o azul do rio e com as cores das casas flamengas. Pela mistura do som dos cascos dos cavalos nas pedras da calçada com o som único dos sinos da Catedral. E, mesmo que Bruges acordasse cinzenta, hoje voltaria a ter-me cativa.
Afixado por Isabel às 00:08 | Afixadelas (11)
agosto 04, 2005
Não falem, por favor!!!!

Ontem, saí para beber uns copos. Não foram muitos copos. Foram só dois copos.
Pequeninos, ainda por cima. Ou melhor, grandes mas, praticamente, vazios.
Hoje não posso virar a cabeça. Nem me apetece escrever. Não falo com ninguém. Estou com uma ressaca de todo o tamanho. Estive no mesmo local de sempre. Bebi o mesmo de sempre. Não me deitei tarde, nem nada...porque é que não posso virar a cabeça sem ver os dosssiers a dançar e cada som que sai, mesmo que seja um suave e inocente “bom dia, Isabel” me parece um martelo pneumático?
Somos estranhos. O Bar é o mesmo. Os amigos são de sempre. O whisky é igual. A noite estava linda e uma pessoa tem uma ressaca só porque a parva da mesa teimou em estar vazia? A nossa mesa? Já tive ressacas de quase tudo. Faltava-me uma ressaca de mesa.
Afixado por Isabel às 11:11 | Afixadelas (6)
agosto 03, 2005
Temos lá tempo p'rá Pizza...

Tou cansada. Já não posso ver mais declarações, certidões, e outras coisas acabadas em ões, como cartões, à frente.
O trabalhão que dá esta história da militância. Uma pessoa telefona, depois encontra-se com os candidatos, no café ou no jardim, não tens onde escrever, olha escreve aqui em cima das minhas costas, depois espalha tudo na mesa, depois escreve o que os candidatos não tiveram paciência para escrever, coitadinhos, têm que repetir 3 vezes a mesma coisa, fotocópias, qual quê, tem que ser original, vá lá não custa nada...arquivo de identificação de...nome do pai...já escreveste duas vezes, eu sei...ok, deixa lá, assina só...não vá o gajo desistir e fazer-nos falta para a Graça, depois contam-se, depois ainda faltam alguns em Belém, têm-se que se ir roubar a Alcântara, mas a Ajuda é mais pertinho, é mais pertinho? sei lá, tens aí o mapa? onde é que está o mapa?...depois contam-se outra vez com a esperança que aquilo da multiplicação dos pães funcione com os candidatos, depois embaralha-se tudo, atão mas faltavam 200 e agora já faltam 204...onde é que se meteram os 4? depois volta-se ao princípio e amanhã tem que se ir à Junta de Freguesia e depois esperar que a sra. carimbe aquela coisada toda e depois ainda se tem que ir à outra, que as Juntas são mais que as mães e depois esquecemo-nos que temos que jantar e mesmo que nos lembremos disso não temos tempo que já só faltam 10 dias...já só faltam dez dias? atão e os duzentos, que agora já são 204...vá lá começar outra vez a usar a lista telefónica do telemóvel. Ser eleito? Claro que não, amigo...eu sei que tu não percebes nada de autarquias mas só vais aparecer no 21º lugar...e ainda há o PSD e o PS e a CDU e a Zézinha, que são bem capazes de meter alguns, não tenhas medo, vá lá, falta-me um para a Pena, a Pena é tão giro, tem um jardim e tudo e patos e uma estátua, não sabes onde é a Pena? Mas eu trago-te cá e depois há o PS e o PSD e a Zézinha e a CDU...e que tal mandar vir uma pizza? Uma pizza? Mas se a gente começa a comer a pizza não tem tempo para acabar isto...e temos que contar tudo outra vez...vá lá...olha apareceu um, agora já só faltam outra vez 203, o que é que este do Socorro estava a fazer em Marvila? Marvila, sei lá onde é Marvila, eu sou pela Pena, não sabes onde é a Pena, tem uma estátua...
Alguma vez vamos ficar, assim, grandes como o PS ou organizadinhos como o PCP?
Duvidas? Porra, eu também…vamos lá então...Penha de França, um, dois...sete...quinze...São Jorge de Arroios...quatro...vinte e dois…são quantas ao todo? 53? Ok...só falta 51...Alvalade...onze...vinte...
Afixado por Isabel às 00:29 | Afixadelas (13)
agosto 02, 2005
Os meus sítios
Tenho sítios. Com o decorrer do tempo, vou perdendo a noção do que fez que um sítio, me passasse a pertencer. O momento em que lá estive, as pessoas com quem lá estive, a magia das suas formas, o encanto das casas, as gentes, o ar, a cor do Céu.
Não tenho muitos sítios que sejam meus (eterna luta esta, a de ser de esquerda…), mas, nos que tenho, sou extremamente possessiva.
Pensei fazer, agora que o mês de Agosto se instalou definitivamente, uma pequena viagem guiada pelos meus sítios.
Guiada pelo que me lembro de lá ter sido ou encontrado, não guiada para vos mostrar o que lá vão encontrar. Porque, apesar de possessiva, no fundo, bem no fundo, eu até gosto de partilhar (eterna alegria esta, de ser de esquerda…).
Piódão, manhã de Outono. Muito tempo atrás. Um fim-de-semana de encontros e de fuga. Dois amigos de sempre e uma paixão de então. Para que a combinação fosse perfeita, os amigos de sempre decidiram apaixonar-se.
A estrada que atravessa a serra do Açor, um local onde, por uma qualquer ilusão de óptica, parece que nos vamos perder no precipício, que a estrada acaba ali e, depois, os olhos esbugalhados perante o inesperado, o encanto do inesperado. As casas de pedra, a Igreja branca, o café feito numa cafeteira de alumínio no único “café” da aldeia, o calor de uma mão, o relato entusiasmado de uma voz. As juras de amizade e paixão eterna. A felicidade de saber que, estes anos todos depois, as de amizade perduraram. E a visão da serra, vista da aldeia e da aldeia, vista da serra. Como se tivéssemos, ali, mesmo a nosso lado, a confirmação que há, sempre e em tudo, pelo menos, duas visões. Com a vantagem que, aqui, ambas são (receio usar este verbo no presente, depois do último fim-de-semana) duma beleza avassaladora. Como se a pedra das casas e a encosta da serra nos quisessem provar que, assim, também é na vida. Basta olharmos com olhos disponíveis. Para encontrar calor na pedra fria e liberdade numa serra íngreme e rochosa. E, ao partir e deixar para trás Piódão, lembro-me de me questionar se a aldeia estava presa ou aconchegada na serra e se esta protegia ou dominava a aldeia. As duas visões, da aldeia de pedra ou do despertar de cada dia.
Afixado por Isabel às 07:43 | Afixadelas (7)
agosto 01, 2005
De manhã

Muito jovem, ainda. Era cedo, pouco mais das 8 horas, da manhã.
Levantou-se davagar, sacudiu a roupa de mansinho, foi lavar a cara. Molhou e ajeitou os cabelos.
Pegou no cobertor e dobrou-o calmamente. Fez um rolinho. Olhou em volta, como se para ver se tudo estava arrumado.
Sacudiu, de novo, a camisola, meteu a camisa nas calças, voltou a passar a mão pelos cabelos louros e revoltos.
Quando eu já tinda apanhado o autocarro ainda o vi com um passo firme e decidido. Não parecia cansado e parecia ter um objectivo. Claro. Com o rolo do cobertor ao ombro, pouco depois das 8, cabelo mais composto e camisa dentro das calças, louro, jovem ainda, desapareceu no meio da manhã de Segunda Feira.
Fiquei a pensar na razão porque terá escolhido aquele banco do jardim do Campo Santana.
Afixado por Isabel às 09:05 | Afixadelas (8)
julho 31, 2005
Pronto!!!...
...
Dr – Não me parece que seja muito grave. Não precisa de recorrer já à metadona...vai precisar de fazer um regime…no máximo, dois posts por dia...meia hora à noite...nem mais um minuto!!!
Eu – Mas eu vim para casa e deixei toda a gente pendurada, Dr...
Dr - Mas foi mesmo só por causa do Blog???
Eu - Não, também estava cansada. Tinha sido uma semana de muitas emoções...
Dr - E as emoções tinham a ver com a Net?
Eu - Claro que não, Dr. Foram emoções ao vivo e a cores. Nada de virtuais. Daquelas que se apalpam, e assim...
Dr – E pensava no blog, nessas alturas?
Eu – No blog?...qual blog?
Dr – Tem outros vícios? Álcool, drogas, tabaco?
Eu – Sim. Mas nada disso, Dr. Outras coisas...tá a ver?
Dr - Não. Sintomas?
Eu - O coração a bater feito parvo, um nó no estômago, ando a cantar em casa e a dançar na rua...depois tem ressacas horríveis…
Dr - Tá em ressaca?
Eu – Não Dr,tou pedrada…
Dr - Para isso eu tenho uns comprimidos bons...dois de manhã...Minha Sra!!!Dois de...Minha Senhora, vai aonde? A receita...a sua receita…Minha senhora, então não se quer tratar????
Cá estou.
Afixado por Isabel às 17:31 | Afixadelas (6)
julho 29, 2005
Já venho
Já ao almoço tinha tido o primeiro aviso, quando, com uma voz desesperada e enfadada, alguém me dizia “Será que podes falar de outra coisa. Sei lá, do Governo ou da plantação de batatas, por exemplo???!!!”.
Depois, ao jantar, com amigos que já não via há anos a coisa agravou-se. Antes de mandar o táxi avançar rapidamente ainda tive tempo de ouvir um uníssono “Esta gaja tá doida”. Quando olhei pelo vidro, vi uns pares de olhares hesitantes entre se me haviam de dar uma carga de porrada, enviar-me para o Miguel Bombarda ou deixar-me nas Taipas. Cheguei a casa eram onze da noite. Por volta da meia noite o telefone toca e, do outro lado da linha, uma voz jocosa diz “Olha, querida, estamos nos copos. Está uma noite linda. O Afixe tá bom? “.
Vou estar uns dias fora, num local sem NET. A seguir, uns tempos com muito trabalho e num local em que o uso da NET não vai ser fácil. Muita gente está de férias e temos as listas para as Autarquias para entregar até ao meio de Agosto. De dia não pode ser. Terá que ser à noite.
Creio que esta é a altura ideal para não me arriscar à bata das risquinhas (ou é aos quadradinhos?). Para além do mais, estou um bocado cansada e esta também tem que ser a altura ideal para descansar. Se, portanto, não me virem tanto, por aqui, não se preocupem. Está tudo bem. Estou a tratar de fugir à bata. E a ver se descanso um bocado, depois das férias.
Inté.
Afixado por Isabel às 08:05 | Afixadelas (7)
julho 28, 2005
When the Belfast Child sings again

O IRA anunciou a renúncia à luta armada na Irlanda do Norte.
Para que a Paz seja duradoura, para que a Liberdade seja possível os próximos passos, não podem ser, só, dos Irlandeses. Para que as crianças de Belfast, voltem a cantar, oxalá Tony Blair entenda isso.
One day we'll return here,
When the Belfast Child sings again,
When the Belfast Child sings again
So come back Billy, won't you come on home?
Come back Mary, you've been away so long.
The streets are empty, and your mother's gone.
The girls are crying, it's been oh so long.
And your father's calling, come on home.
Won't you come on home, won't you come on home?
Extracto de "Belfast Child", poema irlandês, cantado pelos Simple Minds.
Afixado por Isabel às 18:34 | Afixadelas (1)
O post (para mim) necessário
Não sei lidar com estas situações. Reconheço e, para que não restem dúvidas, deixo-o aqui, publicamente, expresso. Sempre tomei opções difíceis na minha vida pessoal. Tenho posições claras em relação a muitas coisas. Luto incansavelmente pelo que considero justo. Entrego-me apaixonadamente a tudo em que acredito. Mas não sei lidar com estas situações.
Sei que era altura de ser clara. Mas, sem saber como, duma forma que não consigo controlar nem alterar, salto de mim, ponho-me na posição dos outros, de cada um dos outros e de todos os outros, procuro justificação e explicação, procuro desesperadamente entender (desculpabilizar?) o outro, os outros e não sai nada.
Consigo ser duríssima quando luto por causas, não consigo ser clara quando lido com pessoas. Pertenço, seguramente, àquela velha escola, em que tudo se tende a explicar. Não se mente porque se é mentiroso. Não se rouba porque se nasce ladrão. Vou lá longe, vasculho, procuro, interrogo-me e, a maioria das vezes, não consigo julgar.
Creio que seria capaz de enfrentar um touro para salvar um amigo. Fujo desesperada e incontrolavelmente duma lagartixa que se me atravessa no caminho.
Sou cobarde? Sou incoerente? Sou dúbia? Sou inconsequente? Ou procuro, desesperadamente, ser completamente justa e a justiça completa não existe? Ou teimo em sonhar com um mundo em que as pessoas não mentem, não são arrogantes, não deturpam, não são injustas, não fingem? Sou tudo isso, talvez. Serei, aqui, num blog, em que não nos conhecemos, não nos tocamos, não nos olhamos, em que, apenas, as palavras contam, o que vocês acharem que eu sou.
Nada do que transparecer destas palavras e da ausência de outras, muda o facto em si. Gostaria muito de já ter aprendido. Já tenho idade e vivências mais que suficientes para isso, mas não sei lidar com estas situações. Lamento. Não vos peço desculpa por esta incapacidade. Faço-o diariamente a mim própria. E nunca aceito as desculpas.
Vou sair. Beber um café, ver o Tejo, passar mais uma vez pelos sem abrigo do Martim Moniz, depois, almoçar com amigos. Ao fim da tarde, possivelmente, ter uma reunião para discutir possíveis respostas aos problemas dos trabalhadores portugueses. Enfim, vou olhar. Com estas situações eu sei lidar.
Afixado por Isabel às 09:25 | Afixadelas (13)
julho 27, 2005
O Corpo

Digo do corpo, o corpo: e do meu corpo,
digo no corpo os sítios e os lugares
de feltro os seios
de lâminas os dentes
de seda as coxas
o dorso, em seus vagares
Lazeres do corpo: os ombros, as lisuras - o colo alto
a boca retomada
No fim das pernas a porta da ternura,
dentro dos lábios o fim da madrugada
Digo do corpo, o corpo: e do teu corpo,
as ancas breves ao gosto dos abraços,
os olhos fundos e as mãos ardentes
com que me prendes em súbitos cansaços
Vício de um corpo: o teu, com o seu veneno
que bebo e sugo até ao mais amargo,
ao mais cruel grau de esgotamento
e onde em segredo nado em cada espasmo
Digo do corpo, o corpo: o nosso corpo
Digo do corpo o gozo do que faço
digo do corpo o uso dos meus dias
e a alegria
do corpo sem disfarce
O corpo - Maria Teresa Horta
Afixado por Isabel às 13:34 | Afixadelas (5)
Trinta anos depois

Viriato Teles, lança, hoje, um livro intitulado: “Contas à vida”, que contém 20 entrevistas a 20 figuras públicas, que participaram, de algum modo, no processo que se seguiu ao 25 de Abril de 1974.
Passam, agora, 30 anos sobre as datas mais marcantes do PREC. Seguramente que, hoje, dia 27 de Julho, há 30 anos, se passava alguma coisa. Uma manifestação de soldados, de trabalhadores da cintura industrial de Lisboa, um assalto a uma sede de um partido de esquerda, a ocupação de uma herdade, uma aula de alfabetização para adultos, ou, apenas, uma sessão de canto livre numa qualquer colectividade deste país.
Para uma miúda, como eu era, é essa a imagem que guardo. Todos os dias, duma forma ou de outra, sentia que estava a construir o mundo. Um mundo. Não entendia muitas coisas, mas ninguém se preocupa em não entender coisas com essa idade. O frenesim, a euforia, a festa tinham efeitos perfeitamente alucinantes e viciantes para uma jovenzinha, nascida numa família, tradicionalmente, de esquerda, numa pequena localidade, tradicionalmente, de esquerda, naquele ano de brasa.
Claro que 1975 foi, para mim, também, o ano da descoberta do sectarismo. Vivendo numa localidade onde o PCP tinha tido mais de 90% dos votos nas eleições para a Constituinte, uma “perigosa esquerdista” como eu, mesmo que, quase, ainda usando fralda, era então (ou já?) um perigo latente, a ser controlado e vigiado.
Não chegou para me estragar a festa, chegou para ter a certeza que muitas vezes, os nossos ídolos têm pés de barro e que as perseguições, afinal, não eram apanágio exclusivo, daqueles que, em festa e em euforia, tínhamos acabado de derrubar.
Numa pequena localidade como a minha, em que a “reacção” não tinha voz, em que os “fascistas” não tinham lugar, em que o PS, com tudo o que na altura o PS representava, não cabia, a imagem de estragar de festa que me fica é a do PCP, da sua intolerância, das ocupações sem rumo e sem princípios, da segregação, do ostracismo a que sujeitavam todos os que, deles, discordavam.
Acabei de receber, em minha casa, como acontece todos os meses, o Jornal da minha terra. Numa página central um comunicado, a meia página, da concelhia do PC, repete os argumentos, as difamações, a intolerância e, sobretudo, o autismo de há 30 anos. Sei a quem é dirigido. Apesar de lá não estar, diariamente, sei que me é, também, dirigido. E tenho pena. Muita pena. Afinal, eles não aprenderam nada.
E, afinal, com tempo e com a história, todos acabamos ou deveriamos acabar por aprender tanta coisa.
Ao longo destes anos, aprendi muito. Mudei muito. Faria tudo o que fiz? Acreditaria como acreditei? Continuo a lutar por sonhos e utopias e esses sonhos e utopias, nasceram, sobretudo, nesse dias quentes de 1975? Reconheço. Mas aprendi. Aprendi a tolerância. A aceitar os outros. O pragmatismo. A questionar-me. A duvidar de mim, em cada dia que passa.
Eles não aprenderam nada. Continuam eles. Iguais. Fechados.
Desculpem o desabafo. Sobretudo se o Viriato Teles ler o Afixe, ele que me desculpe, o ter usado o mote do lançamento do seu livro para o desabafo, mas se lessem aquele comunicado, iriam entender. Não o transcrevo. Ele deve ter sido feito por homens e mulheres que eu, muitas vezes, encontrei. Antes e depois, quando o calor passou e a “normalidade” se instalou. Mas tenho pena, muita pena, de não me apetecer nada, mesmo nada, voltar a encontrá-los. De cada vez que de uma forma ou outra me entram em casa, fico com menos vontade de, com eles, me cruzar. Possivelmente, amanhã passa. O próximo jornal leva um mês a chegar, cá a casa...
Afixado por Isabel às 10:45 | Afixadelas (11)
julho 26, 2005
Reflexões pós férias

Não gosto de nadar em mares calmos. Gosto da calma que a visão do mar me dá.
Gosto do mar, assim, indomável, forte, livre, de difícil acesso.
Gosto do mar, rodeado de verde, castanho, cinzento, para, aos meus olhos, nunca aparecer monótono e previsível. E de cor de rosa, quando uma florzinha teimosa, decide nascer, ali mesmo, à sua beira.
Às vezes, entre uma onda e outra, parece que o mar me vai fugir. Ilusão de óptica. O mar, continua lá, indomável e mágico, à espera que a florzinha nasça e pronto para me encantar.
Outras, com um mar assim, parece que nele, me quero perder. Mas não me perco. O mar foi feito para nele viver. Faço-lhe a vontade. E vivo-o. E, se algum dia, para ser mar e ser verdadeiro, tiver que dele me afastar, será este mar que hei-de continuar a procurar. Mágico, forte, livre, indomável. E terno, capaz de me afagar os pés doridos, com as suas ondas de cor de prata.
Afixado por Isabel às 20:49 | Afixadelas (9)
Dia dos avós

Esta manhã, ouvi na Rádio, que hoje é Dia dos Avós. Nunca fui muito dada a dias. Mas fiquei a pensar nos comentários adicionais. Dizia-se que, segundo um estudo, recentemente realizado, esta é a primeira geração que conheceu (conhece) os quatro avós. E, ainda, alguns bisavós.
Nunca sei muito bem qual é a geração, que é esta. A minha, a do meu filho? Ainda é a minha e já é a dele? Sei lá. Mas deu-me um bocadinho para o sentimento. E para a memória. Recordei que conheci uma bisavó a sério e outra emprestada. Que, com uma, aprendi a fazer crochet (mal, que sou péssima aluna em coisas de mãos...) e, com a outra, a fazer velhozes. Que gostei da mesma forma, e a mesma forma, é muito, das duas e que a uma, a verdadeira, chamava avóita (ou avó Ita, desvantagens de nunca se escrever o que, verdadeiramente se sente, na altura em que se sente…) e à outra, a emprestada, chamava, Filha. Porque costumávamos brincar às mães e às filhas e ela era, sempre, a filha.
Conheci uma avó a sério e outra emprestada. A outra avó, a a sério, foi-se embora muito cedo, era a minha mãe muito pequenina. Conheço-a da saudade da minha mãe. Que é uma forma muito completa e muito bonita, mas também muito triste de se conhecer alguém. A avó emprestada, foi sempre, uma avó a sério, tirando, claro está, na saudade da minha mãe. E conheci os dois avôs. Aprendi a fazer muitas coisas com as avós, conheci a França e a I Guerra com um dos avôs e aprendi a pintar paredes, com o outro. A sério, que é das poucas coisas que faço bem com as mãos, pintar paredes. Para aí na 10ª tentativa, o meu avô, reconheceu, embevecido que eu tinha deixado de fazer gatafunhos com o pincel.
Por um qualquer acaso do destino, a que se juntou uma opção de vida, o meu filho conhece menos avós que eu conheci. E conheceu, apenas, um bisavô e uma bisavó. Não me parece que ele sinta a falta. Quero sempre acreditar que só sentimos, verdadeiramente, a falta de alguma coisa se alguma vez a conhecemos ou tivemos. De qualquer forma, hoje é dia dos Avós todos. Dos que ele conheceu (conhece) e dos outros. E, acho, que ele sabe isso.
Afixado por Isabel às 11:36 | Afixadelas (11)
julho 25, 2005
A porta da sala - recado

Por favor ou partidas da vida, tinha vindo a adiar o momento. Não que não acreditasse. Nem sequer por medo. O passado não tinha sido fácil. Muitas vezes, a festa dera lugar à tristeza, a paixão ao desencanto, mas não era mulher de desistir. Apenas, pensava, não tinha calhado.
Claro que já sabia que não iria entrar da mesma forma. Não iria, dizia sempre para se convencer, esquecer. Das lágrimas, das palavras, dos gestos. Do frio. Do silêncio.
Também se lembrava, vagamente, que já tinha dito e pensado isto, outras vezes, e afinal...afinal, também não era de meias tintas, meias entregas, meias paixões. Meias vidas.
Voltar a fechar a porta para a sala, seria um momento especial. Mais especial, ainda, por ter sido, por tanto tempo, adiado.
No dia, em que se encontraram, sentiu que não tinha desistido. Não sabe quando nem onde percebeu que se encontraram. Sabe, apenas, que esperara. Agora, agradecia à Vida, ter-lhe permitido esperar. Não foi uma partida, mais uma, que esta lhe pregara. Desta vez teria que lhe agradecer o favor.
Sabe que vai fechar a porta da sala, por tanto tempo aberta. No momento de a fechar, sabe que não vai haver lágrimas nem frio. Nem silêncio. Apenas gestos. E palavras. E ternura. E prazer.
Há pouco, a falar com um amigo de sempre, daqueles dos momentos de festa e de tristeza, contou-lhe. Do outro lado da linha ouviu um cauteloso e assustado “Vê lá...não te magoes. Estás tão bem… Andas tão bem...”.
Quando desligou, pensou “E eu sou lá gaja de ter medo de me entalar em portas de sala??!”.
Pensou, ainda, que a espera valera a pena. Fechar a porta da sala é sempre uma espera que vale a pena. Quando, lá dentro, se guarda, por horas, por dias ou para sempre, alguém, como tu.
Ao pensar isto, esperou que ele a ouvisse. Olhou o relógio. E esperou.
Afixado por Isabel às 21:46 | Afixadelas (12)
Férias II

Na residencial onde ficámos, o dono, um alentejano pequenino, com tudo de alentejano, cor, pronúncia, ar, com boné e camisa aos quadradinhos, convidou-me para ficar lá a trabalhar com ele. Perguntei-lhe, a fazer o quê. O sr. disse que depois, lá, se havia de ver. Presumo que deixar o Bilhete de Identidade na recepção dê azo a estes convites.
O meu filho diz que isto é o resultado de passar a vida a rir-me.
Prometi ao alentejano da Residencial que voltava para o ano e que iria pensar no convite.
Esta manhã, antes de partirmos, esperava-nos com um pão fresquinho e um queijo.
Para o ano, vou tentar o Minho. Quando se anda sempre a rir no Alentejo deve andar-se sempre a rir em todo o lado e, quanto ao Bilhete de Identidade, está ali para as curvas.
Afixado por Isabel às 14:44 | Afixadelas (5)
Férias I

Nas férias, como na Vida, nunca achei que quantidade fosse sinónimo de qualidade.
Não foram só quatro dias, foram 4 dias. Inteiros. Para mim e para o João Pedro. Para apanhar Sol, comer pão alentejano, muito pão (ok, aqui, a qualidade ganha muito com a quantidade...), nadar, atravessar o rio Mira, de barco e andar de bicicleta. E ainda sobrou tempo para ir à Zambujeira.
Ontem à tarde, decidimos aproveitar a oportunidade e lá fomos. Não está na mesma. Não sei se está mais bonita, não creio que esteja. Continua lá a minha casa com esquina para o mar, o café onde tomava o pequeno-almoço. E o banco onde me costumava sentar. Nas esquinas, não encontrei fantasmas. Nunca me assolaram dúvidas. Não creio, sequer, que o que tenha sentido, fosse nostalgia. Senti uma vontade enorme de viver, uma alegria enorme por estar viva e confirmei que, amanhã, quero estar em Lisboa.
Não precisei de ir à Zambujeira para ter a certeza que tinha que regressar hoje, mas tenho a certeza que se não tivesse lá estado há vinte anos, amanhã não estaria cá, assim. E gosto, mesmo a sério, gosto muito, de, amanhã, estar cá, assim.
Afixado por Isabel às 14:36 | Afixadelas (5)
julho 20, 2005
Férias

Amanhã vou, finalmente, sair uns dias de Lisboa. Poucos, apenas o suficiente para apanhar um pouco de Sol, ver o Mar (o outro), saborear o Pôr de Sol do Alentejo, brincar com o João Pedro, comer pão alentejano, tomar uns bons banhos e descansar. Ainda pensei em deixar uns posts, com data futura. Um poema, uma foto, uma ideia. Mas não dá gozo. O gozo que me dá o Afixe, são os vossos comentários. Ler-vos, poder imaginar que vos tenho aqui, pertinho, discordar de vocês, muitas vezes, mas ter sempre prazer na vossa visita. Que gozo dá deixar-vos a porta aberta se não estiver lá (cá) para vos receber?
A Émièle costuma dizer que eu sou transparente. É verdade, não sou capaz de estar triste ou desencantada sem que todos notem. Nem de estar feliz sem que todos saibam. Não se é feliz, dizias tu, amiga, na semana passada, está-se feliz, algumas vezes. Estou feliz. Vou de férias numa altura em que estou feliz. Lembro as vezes em que tal não aconteceu, ao longo dos anos (tantos anos...) e fico, ainda, com mais vontade de o dizer, aqui. Bem alto. Para vocês ouvirem. E para eu aproveitar. Nunca se sabe quanto tempo dura. Não importa o tempo. Enquanto durar, quero aproveitar.
De amanhã de manhã até à próxima Terça feira, não estou aqui. De amanhã de manhã até à próxima Terça Feira, continuo aqui.
Um abraço.
Voltei cá...qual "Um abraço", qual carapuça. Que coisa formal e fria (apesar do bem que sabem,ao vivo e a cores...), milhares de beijinhos.
Afixado por Isabel às 19:00 | Afixadelas (17)
julho 19, 2005
Já chegámos à Madeira?
Já anteriormente, aquando duma entrevista ao Expresso do Comandante da Polícia de Segurança Pública de Lisboa, eu e a Émiéle tinhamos deixado dois posts, sobre o arrastão que, afinal, não foi arrastão.
Hoje, num relatório entregue na Assembleia da República, a PSP nega a existência de qualquer arrastão, no passado dia 10 de Junho, na Praia de Carcavelos.
Agora que, oficialmente e não porque alguém foi "enganado por uma jornalista ao serviço de interesses partidários", a Assembleia da República, tem em sua posse o relatório que desmente o que inicialmente foi divulgado pela Polícia e pela quase totalidade da Comunicação social, quem vai pedir responsabilidades? Quem vai ser responsabilizado? Quando e como?
Inventar uma história, divulgá-la, alimentá-la e com ela alimentar o ódio e a desconfiança, vai merecer o quê da Assembleia e do Governo? Dos tribunais ? Ou do Presidente da República?
Ou será que ninguém vai pedir contas a ninguém, confirmando que, afinal, a Madeira fica mesmo ali ao lado...??
Afixado por Isabel às 21:10 | Afixadelas (8)
A post from an ex-londoner
Tenho andado a pôr em dia a leitura atrasada de alguns blogs. Da nossa madge, por exemplo. E acho que esta posta merece bem ser destacada e lida por quem ainda o não tiver feito.
Afixado por Gibel às 17:35
Pretextos...

Todos os pretextos são bons para ir ao Coliseu ouvir Maria Bethania. Estar de férias é um pretexto. Bom. Por isso decidi sair de casa, já a seguir, e ir a correr à procura de bilhete para hoje ou para amanhã.
Todos os pretextos são bons para recordar Vinicius de Moraes. Bethania está a cantar Vinicius, no Coliseu.
Para publicar um poema de amor não é preciso pretexto. Basta viver. Aqui fica, de Vinicius de Moraes, com a esperança que não seja demasiado tarde para encontrar bilhete e a certeza que nunca é demasiado tarde para cantar o Amor, Soneto do Amor Total.
Amo-te tanto meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te enfim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Afixado por Isabel às 10:31 | Afixadelas (7)
julho 18, 2005
Contra o medo...

Ao fazer a ronda diária pelos Blogs que guardo aqui em cima, na pasta dos favoritos, encontrei um post no Troll Urbano e outro no Bicho-Carpinteiro sobre o mesmo tema: O medo.
No dia dos atentados de Londres, deixei, aqui, um poema do Alexandre O’Neill sobre o tema.
O medo, tornou-se um tema recorrente, nesta época de perguntss sem resposta.
Três dias depois do 11 de Setembro, tinha viagem marcada para Bruxelas.
No aeroporto, lembro-me de procurar em cada rosto, de entre os que estavam na minha fila de check in, um rosto que me parecesse suspeito. Era uma busca irracional e incontrolável. Quem me parecia suspeito? O que me parecia suspeito? A tez, os gestos, a bagagem?
Já no avião que me haveria de levar a Bruxelas, sentada ao lado dum inglês, para aí no meio da viagem, vejo um homem levantar-se, dois bancos à frente. Levava uma pequena mala de mão e dirigia-se, pareceu-me, para a casa de banho. Era um homem. Nada de particular nem de estranho. Um homem com uma pequenina pasta na mão.
Creio que estremeci. O Sr. inglês, ao meu lado, olhou-me e disse “É inevitável, não podemos deixar que aconteça, mas é inevitável...”.
Uns minutos depois, quando o homem da mala voltou, o meu parceiro de viagem, disse-me que já podia voltar a dormir...falámos o resto da viagem. Na irracionalidade de ter medo por ver alguém levantar-se para ir à Casa de Banho.
Porque não podemos alinhar nos que usam o medo como cercear de liberdades e de vidas, temos que o ultrapassar. Basta-nos os medos a que não podemos fugir – o da morte. O da perda. O da dor. Não podemos dar a quem impõe o medo como arma, o prazer de cantar vitória. Mesmo que nos entrem pela casa adentro imagens de jovens iguais a todos os jovens que entram numa estação de metro igual a todas as estações de metro. Ou mesmo que nos entrem pela casa adentro imagens de sangue e de morte em qualquer Iraque deste mundo, sob o pretexto que se tenta combater o medo, não nos podemos deixar transformar em “ratos”. Sob pena de deixarmos de viver. Ou de, apenas, sobrevivermos em tocas fechadas sem luz, sem risos e sem gente.
Afixado por Isabel às 12:29 | Afixadelas (6)
A lição de Lance

Tenho acompanhado, durante este fim-de-semana, as etapas da volta à França. O meu filho não perde uma, desde que começou, e acabou por me contagiar. Não conheço ciclistas, não sou uma grande fã de ciclismo. Mas Lance Armstrong, não é um ciclista. É o ciclista. A força, a entrega, o olhar concentrado mas sempre luminoso com que encara a estrada, é uma lição de vida. Para alguém que sobreviveu a um cancro, que se prepara para vencer o seu 7º Tour consecutivo, os grandes planos que a televisão nos proporciona, não mostram um homem ambicioso ou cansado. Mostram um Homem. Que fez da vitória sobre a doença e sobre a morte, um motivo para viver intensamente. Sente-se, vê-se essa intensidade nas formas marcadas do seu rosto, no seu pedalar, no sorriso matreiro, quase infantil, com que ultrapassa os seus adversários e se aproxima de mais uma meta. Este ano, quando terminar, o Tour nunca mais vai voltar a ser o mesmo. Não é todos os dias, que o desporto nos dá um Lance Armstrong. Nem todos os dias que a vida nos possibilita assistir a tamanha lição. Ontem o meu filho dizia-me “ aquele homem não existe”. Tentei convencê-lo que estava enganado. Não existem muitos, assim, mas existem.
Afixado por Isabel às 08:00 | Afixadelas (12)
julho 17, 2005
Os meus livros

Como se de um feitiço se tratasse, volto sempre a Marguerite Duras e a Hiroshima Meu Amor.
Como se, em 125 páginas de livro, estivesse tudo o que, ao longo do tempo, tivesse, eu própria, para dizer.
Hoje, escolhi a página 28, em que, pela primeira vez, a actriz francesa, que roda um filme sobre Hiroshima, se encontra com o arquitecto japonês, que acabara de encontrar, num quarto escuro dum hotel da cidade. Aqui, na página 28, acabavam de se descobrir. Ainda era, então, demasiado cedo, para a partida, a que nenhum iria poder faltar. Aqui, como em todo o livro, nenhum deles terá nunca nome. Aqui, como em todo o livro, nunca lhe sentiremos a falta.
Alturas houve, em que as palavras escolhidas foram outras. Alturas haverá, em que as palavras escolhidas, serão outras.
Então, como agora e amanhã, a elas voltarei. Como se de um feitiço se tratasse. Ou de vida. Do feitiço da vida. Em que, às vezes, não nos enganamos.
Ela – Encontro-te.
Lembro-me de ti.
Quem és tu?
Matas-me.
Fazes-me bem.
Como havia eu de imaginar que esta cidade era feita á medida do amor?
Como havia eu de imaginar que tu eras feito à medida do meu próprio corpo?
Agradas-me. Que acontecimento. Agradas-me.
Que súbita lentidão.
Que doçura.
Não fazes ideia.
Matas-me.
Fazes-me bem.
Tenho tempo.
Peço-te.
Devora-me.
Deforma-me até á fealdade.
Porque não tu?
Porque não tu, nesta cidade e nesta noite, igual às outras ao ponto de nos enganarmos?
Peço-te…
Marguerite Duras, Hiroshima meu amor
Afixado por Isabel às 18:24 | Afixadelas (2)
Radical e oportuno

Ontem à tarde, ao abrir o meu Email, reparei na luzinha vermelha que indica que está na hora de tomar medidas. Tinha a caixa de correio cheia. Sou, no Email, como sempre fui com os papéis. Vai sempre uma distância de tempo até que consiga clicar no Apager. Como dantes, até conseguir rasgar o que ia escrevendo ou que me iam escrevendo.
No Email havia uma pasta para os “intocáveis”. A pasta ocupava espaço e os intocáveis há muito tempo que o deixaram de ser. Mas, cada dia, teimava em encontrar um ou outro mail para apagar e a caixa lá continuava. Cada vez que a via, sentia o seu olhar de vitória. Como se me dissesse. “Queres convencer, quem?”.
Ontem à tarde, no intervalo entre o almoço e uma reunião, com a luzinha a dizer-me está na hora e a vida a dizer-me há que tempos que está na hora, apaguei, finalmente, a Pasta. O sistema ainda me perguntou se eu tinha a certeza. Olhei para ele, com ar, ligeiramente, superior e enfadado. Claro que tinha a certeza.
Esta manhã, ao regressar do pão, recebi uma mensagem dum amigo a desejar-me um bom dia.
Tal como o Email, da véspera, a TMN decidiu avisar-me que tinha a Caixa de Correio cheia. Aqui, como lá, há mensagens que vão ficando, que não sou capaz de apagar.
Como a TMN era clara, não receberia mais MSNs se não encontrasse espaço, procurei qual seria a vítima e cliquei no apagar.
De repente, sem me perguntar nada e sem saber como, não apaguei uma, nem duas, apaguei todas as mensagens, excepto a que acabara de receber.
Por momentos fiquei um pouquinho triste. Havia lá algumas intocáveis, pensei.
Havia? Havia as dos últimos dias. Queria guardá-las. A TMN tinha que me ter perguntado se eram, mesmo, todas…
Mas, agora, já percebi. O presente não é para se guardar em caixas de memória. É para se viver. Quanto ao passado o trabalho foi eficiente e só tenho que lhes agradecer. Estou a pensar escrever-lhes uma carta. Ou será melhor ver, primeiro, se me enviam a conta deste trabalho suplementar e extremamente oportuno? Vou esperar...
Entretanto estou a ter um bom dia. Tal como a mensagem que ficou, desejava. Obrigado.
Afixado por Isabel às 15:13 | Afixadelas (9)
À porta

Esta noite ao sair de casa, encontrei o mar. Não fiquei assustada. Ninguém se assusta quando encontra o mar. Mas fiquei na dúvida se o mar sempre ali esteve ou, apenas, ali estava, hoje, porque sabia que eu o queria encontrar... Das milhares de vezes, que saí a minha porta nunca tinha dado por ele, mas, desde pequenina, que tenho fama de distraída...
Não pensei mais nisso. Usufrui o mar.
Agora a voltar para casa, já não me preocupa muito se o mar sempre ali esteve, quando lá vai voltar a estar ou se lá vai voltar a estar.
Gostaria muito que o mar voltasse mas, para já, foi muito bom ter saído de casa, aberto a porta e encontrado o mar. E, cada vez que decer as escadas, sei que vou parar um pouco e o coração vai bater mais forte. Quem sabe, se lá está o mar???
Afixado por Isabel às 04:25 | Afixadelas (9)
julho 16, 2005
O Alentejo pode esperar...

Finalmente, férias. Ter que estar em Lisboa na próxima Quarta Feira estragou-me os planos de partir, hoje, rumo ao Sul. Ao Alentejo, que o meu Sul, fica, sempre, no Alentejo.
Ontem, à noite, saí para beber um copo. Ao subir estas ruas, dei comigo a pensar que, afinal, é muito agradável ter que estar em Lisboa na Quarta Feira, que o Alentejo pode esperar e que aquele local é mágico.
No caminho e, já, em casa tive a certeza, que os meus pensamentos estavam certíssimos, nada tinham a ver com os Cutty Sark nem com as pedras de gelo e que me apetecia voltar ao Bairro Alto. E me apetecia, muito, voltar para casa, pela rua da Escola Politécnica.
Tive pena de não poder ver o amanhecer em Lisboa, talvez junto ao Tejo, mas fiz-me, logo ali, a promessa solene, que o amanhecer não espera pela demora. Para além de gostar muito de Lisboa, de amanheceres e do Tejo, gosto de ir ao Bairro Alto e de voltar pela Rua da Escola Politécnica (já tinha dito isto no inicio do post, mas há coisas que me dão um prazer especial repetir. É o caso.).
Afixado por Isabel às 11:45 | Afixadelas (9)
julho 15, 2005
Santos, Lisboa, Barraca, Ruinas...
Cheguei a casa a correr. Como sempre, aquela cambada de imperialistas e exploradores monstruosos, fazem com que as 17.30h sejam uma ficção maior que o menino da bola de râguebi.
Mal tive tempo de beber água, comer nem pensar que a emoção também tira a fome a qualquer pessoa mais ou menos normal, pegar no JP, salvo seja, que nem numa perna eu conseguia e descer a Calçada a correr.
Cheguei lá afogueadíssima. Como não vi, logo, ninguém conhecido, pensei que o melhor era pegar numa imperial, que o calor era muito, mas achei que não parecia bem. E numa vernissage temos que nos portar mais ou menos bem. Não sabia se lá estava a Caras e a Lux, mas o meu prezado, estimado e adorado colega de aqui e ali (parece que é de mais locais, mas o médico recomendou-me que não abusasse dos links) já tinha avisado que ia fazer reportagem em directo e uma pessoa nunca sabe se reportagem é reportagem ou é só reportagem. Não se perecebe muito bem a diferença, mas, no maravilhoso mundo da blogosfera, há.
Conheci uma quantidade de gente. Isto é, dei cara a uma porrada de gente. Ou melhor (a minha especialidade não é, mesmo, a crónica social) uma porrada de gente teve cara. E pernas. E braços. Cabelos e outros apêndices. Gostei. Mas gostei sobretudo quando, de repente, me apercebi que também tinham voz e olhares. Esta parte, confesso, que me encantou. Não vos imaginava os olhares, pronto. Ninguém é perfeito.
Agora que já vos conheci, podem guardar as pernas, o cabelo e os braços. Os olhares já não vos devolvo. E pensando bem, fico também com as mãos. E o sorriso. E, porque não, a voz?
Guardo, aqui, tudo bem guardadinho, mas vocês podem usar sempre que precisarem. Têm é que me prometer que devolvem.
Possivelmente, agora, entrava na parte em que contava a quem não pôde estar presente o que se passou. Mas não me apetece.
Ainda estou aqui, entretidérrima, a olhar p'ra vocês. Talvez mais logo.
Cinco notas especiais, ao lado da reportagem:
Susana, obrigado por lhes teres dado nomes.
I, obrigado pelas tuas palavras. Confesso que fiquei um pouco gaga. Mas reconheço que a gaguez é um estado de alma com muita piada.
João Pedro da Costa, tens um bocadinho de perna, logo em cima do tornozelo esquerdo, muito sexy.
Ainda nem tinha começado a beber imperiais e já me tinha lembrado que o Alentejo é muito bonito.
O meu acompanhante, ao fim, já a caminho do jantar, questionado sobre o que tinha acabado de assistir, disse que foi curtido. Faço minhas as suas palavras: foi curtido. Mais curtido do que a coisa, em si, só, mesmo, vocês.
A gente vê-se.
Ah, é verdade, agora vou ver o livro, "camarada".
Afixado por Isabel às 00:07 | Afixadelas (12)
julho 14, 2005
O sentido da vida ...
...ou a minha versão da Djalaba ideal!

(Zorro, a M avisou-te...)
(Monty, nem penses que vais começar a fazer posts...)
Afixado por Isabel às 11:58 | Afixadelas (27)
...que amava toda a quadrilha.

Extracto de poema de Carlos Drumond de Andrade, cantado por Chico Buarque da Holanda, e que define, às mil maravilhas, o actual estádio da vida afectiva do meu parceiro de casa e de vida.
E o pior é que nem lhe posso dar conselhos...quando muito, às vezes, damos connosco a partilhar experiências. Há quem diga que é do Signo...
Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa que amava Paulo Que amava Juca que amava Dora que amava Carlos que amava Dora Que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha
Afixado por Isabel às 09:01 | Afixadelas (13)
julho 13, 2005
Passatempo

Ligeiramente de pés para o ar e completamente de olhos de carneiro mal morto, imagem de um dos nossos Aphixadores, tentando descobrir se isto são Burkhas. E se são, onde está o véu. E para que é que a menina quer a espada. E a tentar dizer para terem cuidado com os joelhos.
Oferece-se uma Burkha com recheio a quem descobrir a identidade.
Caso prefira, o vencedor ou vencedora, poderá trocar a Burkha com recheio por uma Djalaba com recheio. Favor enviar as suas respostas para Afixe, até às 24.00h de hoje.
A Direcção
Afixado por Isabel às 21:35 | Afixadelas (9)
9 de Outubro de 2005
Há quatro anos, nas últimas Autárquicas convivi mal com a derrota da Esquerda, em Lisboa. Não tinha acompanhado o processo da formação de listas e sempre me questionei qual poderá ter sido a contribuição negativa da candidatura de Miguel Portas para a vitória da Direita, na capital. Apesar do programa de João Soares e, sobretudo, dos últimos anos de gestão de João Soares e da Coligação PS/CDU não serem o meu programa e a minha gestão, a vitória de Santana Lopes e tudo o que se lhe seguiu, ficou-me, sempre, “atravessada na garganta”.
Hoje, e tendo acompanhado de perto a apresentação de candidaturas em Lisboa, sei de quem é e de quem não é a responsabilidade da divisão da Esquerda. E como militante do Bloco de Esquerda estou de consciência tranquila.
A responsabilidade da prevísivel derrota da Esquerda tem resposáveis e eles não são nem o Bloco nem Sá Fernandes.
Nem sequer Carmona Rodrigues, mas essa é outra história.

Não conheço o processo no Porto. Vejo, no entanto, com preocupação o resultado das sondagens, ontem, divulgadas. Oito meses após a maioria absoluta, o PS arrisca-se a perder (ou não recuperar) as principais Câmaras do País.
Com responsabilidades da Esquerda, como consequência da política do Governo PS, seguramente, sem mérito da Direita, o dia 10 de Outubro, afigura-se para alguém de Esquerda, bem menos risonho do que o 21 de Fevereiro.
Resta-nos esperar que Sócrates não sofra das dúvidas existenciais de António Guterres...
Afixado por Isabel às 09:55 | Afixadelas (9)
julho 12, 2005
A opção

Lembras-te como disseste que me amavas? Ofereceste-me um livro de economia onde numa frase perdida no meio duma página qualquer sublinhaste “amar-nos-emos”.
Naquela altura, dizer “Amo-te” era demasiado “pequeno-burguês”. E amámo-nos, apesar de não dizermos. Eu amei-te como só se ama uma vez, a primeira. Ao longo de mais de quatro anos o nosso amor confundia-se nos gestos, nas palavras e nas escolhas com a Revolução em que não queríamos deixar de acreditar. Até ao dia em que ficámos sozimhos, sem Revolução para fazer, nem lutas para travar, nem classe operária para “guiar”. Sozinhos. Não sei quanto tempo o amor resistiu. Seguramente muito mais que a Revolução. Mas foi definhando, dia a dia.
No banco do jardim, onde tantas vezes nos sentávamos a ler o jornal, disse-te que te tinha traído. Ontem. A lealdade obrigou-me a contar a infidelidade. No dia a seguir. Nunca poderia ter deixado passar mais um dia. Fora assim que construiramos a nossa história. Foram estas as bases. As bases em que criámos o nosso amor, acabariam por ser o seu coveiro. Afinal, a lealdade é um caminho bem mais díficil de percorrer do que tinhamos imaginado.
Creio que durante anos procurei encontrar em cada encontro e em cada amor, quem me fizesse pudins instantâneos e escrevesse em cima, com caramelo liquido: Bela. Ou me fizesse bandas desenhadas a fugir de Pides enormes transformados em aranhas (ou seria aranhas enormes transformadas em Pides???), chamadas A Bela e o Monstro.
Pensei que nunca me tivesses perdoado. Ontem encontrei-te no Largo da Estefania. Já nos tínhamos visto algumas vezes, ao longo dos anos. Falávamos muito pouco. Sem nunca nos olharmos.
O João Pedro foi entrando na Tarantela para almoçar, e, enquanto nos despediamos, disseste-me baixinho “Tens um filho muito bonito. Tão bonito com tu...”. Olhámo-nos, finalmente, e eu disse-te “Obrigado”.
Creio que foi a forma de me dizeres que me perdoaste. Vinte e muitos anos depois. E de confirmar que, afinal, a lealdade é a única opção. Mesmo se, às vezes, o amor não dura para sempre. Ou, sobretudo, porque o amor não dura para sempre.
Afixado por Isabel às 13:06 | Afixadelas (14)
julho 11, 2005
Assim

Amor
Carinho
Ternura
Cumplicidade
Criança
Animal
Terra
África
Bin
Afixado por Isabel às 14:15 | Afixadelas (10)
Srebrenica

Imagem do funeral duma das cerca de 8.000 vítimas, em Março de 2003.
Não estamos vivos se não soubermos e quisermos preservar a memória. Não entendemos a vida se não soubermos e quisermos entender o que são e fazem os homens.
Não podemos pensar em Justiça se a justiça não for feita.
Há dez anos Srebrenica trazia-nos imagens de terror, de intolerãncia, de perseguições e de morte. Dez anos depois, onde fica Srebrenica?
Afixado por Isabel às 10:49 | Afixadelas (9)
julho 10, 2005
"O arrastão"

Ontem, no Expresso, Oliveira Pereira, Comandante da PSP de Lisboa, declarava que foi “enganado” por Diana Andringa, que lhe pediu colaboração para fazer um trabalho académico e, afinal, acabou por lhe fazer uma entrevista que seria, posteriormente, divulgada. Nessa entrevista, que o Sr. pensou que era trabalho académico, afirmou que tinha sido enganado por um polícia que não soube “consubstanciar exactamente o que tinha acontecido” em Carcavelos. E também “por pessoas consideradas credíveis, algumas delas de órgãos da comunicação social”.
Afirmou, ainda, que tinha sido “pressionado” para dizer que os incidentes da Praia de Carcavelos tinham sido um “arrastão”.
De qualquer forma, declara, também, que está de consciência tranquila. Não porque, entretanto, tenha reposto a verdade, mas porque “não foi a Policia que utilizou primeiro o termo "arrastão"”.
Desta história toda ficam algumas conclusões:
- O Comandante da PSP de Lisboa deixa-se facilmente enganar.
- Alguém anda a pressionar o Sr. Comandante e a Polícia.
- O Sr. Comandante e a Polícia deixam-se pressionar.
- O Comandante da PSP de Lisboa está de consciência tranquila
- As televisões e os jornais encheram-nos de notícias sobre uma coisa que não existiu. Essas notícias incluíram testemunhos falsos, análises falsas e conclusões falsas.
- A Comunicação Social e a Polícia colaboraram numa “inventona” que poderia ter criado um clima de ódio e de suspeição, de racismo e de xenofobia, para além de ter consequências indeterminadas a nível da economia do País, nomeadamente, no que toca ao turismo.
E, ainda uma pergunta:
- Ninguém vai pedir responsabilidades a ninguém?
Nota: Já depois de ter publicado aqui este post vi o da Émièle...(menina quem é que nos manda não combinar os assuntos?). Agora que o post já aqui está e como o meu traz brinde e o dela não...aqui fica.
(Desculpa lá, Émiéle, podiamos retomar o velho hábito das reuniões das 22.30h????)
Afixado por Isabel às 10:56 | Afixadelas (15)
julho 09, 2005
A razão

Supra, a razão da minha ausência.
Desculpem, mas encontrar uma coisa assim, na esquina, logo de manhã, ao sair para comprar pão...tira a capacidade (e o tempo) de escrever no Afixe. Espero voltar amanhã...se não tiver méritos suficientes para o manter por cá.
Afixado por Isabel às 20:27 | Afixadelas (7)
julho 08, 2005
Voltar

Sei que vou encontrar o mesmo mar. A mesma areia. As casas vão estar pintadas de branco e de amarelo. Algumas terão uma risca azul. Vou sentar-me na esplanada da praia. Montar a tenda no Parque de Campismo.
No meio de Julho, quase vinte anos depois, vou voltar.
Sei que, ao descer a rua que me leva à praia te vou recordar. Vou recordar as vezes em que íamos para a pequena praia escarpada logo a seguir à praia grande. Recordar a fonte onde tomávamos banho depois de fazermos amor na areia. Vou recordar os locais onde, às vezes, mesmo em férias, nos perdiamos um do outro e de nós. Vou recordar o dia em que o Sr. António, dono da casa onde ficámos nos últimos dois Verões, me perguntou, com olhar seco e fixo “A menina não vai ficar sempre assim, pois não?” “Assim, como?”, perguntei “Sem brilho...” E eu desviei o olhar e não respondi. E o Sr. António disse “Desculpe, menina, não quis ofender”. E eu disse “Não ofendeu” e a voz saiu trémula.
Tinha muitos anos o Sr. António. Já quase não podia tratar da horta, que ficava lá em cima, mesmo ao lado do Parque de Campismo. Não creio que tenha oportunidade de lhe dizer que a “menina” não ficou sempre assim. Nem talvez te vá apresentar. Mas quando passarmos à porta da casa branca com a risca azul, aquela que faz esquina com o mar, o Sr. António vai ouvir-nos rir. E vai saber que não me ofendeu.
Quase vinte anos depois de lá ter estado pela última vez, a mãe vai voltar. E vai mostrar-te o mar azul do Alentejo. E levar-te à praia escarpada. E descer a rua que desce para o mar. E beber um sumo na esplanada da Praia. E se, por acaso, o Sr. António nos vir, vai-se aperceber que o brilho voltou. E perceber porque é que voltou.
Afixado por Isabel às 21:44 | Afixadelas (10)
julho 07, 2005
Medo

Ah o medo vai ter tudo
tudo
(Penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)
O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos
Alexandre O'Neill
Afixado por Isabel às 15:23
Londres

Aqui em baixo dois links do que se está a passar em Londres.
As imagens do terror voltam a passar-nos nos olhos e na memória.
E, como sempre, não há palavras.
Afixado por Isabel às 13:14 | Afixadelas (2)
Al-Qaeda reivindica atentados em Londres
Bin
Afixado por Isabel às 12:43 | Afixadelas (2)
Atentados Terroristas em Londres
Bin
Afixado por Isabel às 11:57 | Afixadelas (2)
Ballet Gulbenkian
Obrigado e até amanhã.
Afixado por Isabel às 00:25 | Afixadelas (5)
julho 06, 2005
O (meu) circo

Quando eu era pequena tinha um Circo só para mim. A sério. Um circo que, uma vez por ano, no ínicio do Verão, acampava no largo mesmo em frente de nossa casa.
Chegavam e iam perguntar ao meu pai se podiam ligar a electricidade lá em casa. Claro que podiam. Desde a primeira vez que para lá foram que ficou a autorização. Que se tornou permanente, p’raí a partir da segunda vez. Depois já não tinham que perguntar. Diziam só “Sr. João, vamos ligar o Circo a sua casa”.
A janela lá ficava entreaberta e o cabo passava para se ligar à tomada. Quando isso acontecia, as luzes acendiam cá fora. O espectáculo ia começar.
Como éramos os patrocinadores oficiais da electricidade tínhamos direito a poder assistir a todas as sessões, sem pagar bilhete.
Normalmente ficavam uns quatro dias, o que quer dizer que eram quatro noites inteirinhas de circo.
Todos os espectadores tinham que levar, de casa, uns banquinhos de madeira. Normalmente, eram daqueles banquinhos baixinhos com um buraco ao meio, e quando, finalmente, todos estavam sentados, o circo começava. O meu circo, já que a electricidade era do “Sr. João”
Durante aqueles quatro dias, os meninos do circo iam para a escola comigo e, à noite, depois do espectáculo terminar, além da electricidade, emprestávamos-lhes uma mangueira para tomar banho, no quintal, e para lavar os animais. Os animais eram imensos: quatro cães que faziam um número, tipo jogo de futebol. Os putos gostavam e aplaudiam muito. O treinador era um dos meninos que ia comigo à escola.
Havia uma trapezista linda, quero dizer quando estava vestida e sem luz, era assim, normal, mas quando vestia o fato vermelho e as luzes se acendiam, tornava-se numa verdadeira estrela que cintilava, sobre os nossos olhos. Às vezes, parecia-me que a minha mãe não gostava muito de ver a trapezista a falar com o meu pai, mas eu nunca percebi muito bem porquê. Creio que, talvez, tivesse algum receio de a ver levar o marido para aquelas alturas.
Havia sempre dois palhaços, o Pobre e o Rico. O Rico era irmão da trapezista e sem ter a cara pintada de branco, era um rapaz lindo, moreno com uns incríveis olhos verdes. Devia ter uns 17 ou 18 anos. Acho que se, na altura, eu tivesse mais uns anitos, quem ia para as alturas era eu. Que lá por uma pessoa ser novinha não quer dizer que não se possa apaixonar por uns olhos verdes. Aliás, penso que o meu encanto pelo esparguete, começou com o circo.
Havia um ilusionista e, como o “Sr. João” é que era a EDP da altura, a filha do “Sr. João” normalmente, tinha direito a participar, uma ou duas vezes, nos números. Ele insistia, eu ia muito envergonhada, mas aceitava sempre. Durante aqueles minutos era a “partenaire”, claro que não sabia que se chamava assim, mas lembro-me de ter tido sempre muita pena do ilusionista não ter os olhos do Palhaço Rico. Enfim, não há mundos perfeitos, quanto mais circos. Devia pensar, na altura. Confesso que não me lembro se na altura ainda pensava...mas já foi há tanto tempo...acho que sim.
Quando acabava o espectáculo, cada um pegava no seu banquinho de madeira e ia para sua casa.
Passados os quatro dias a trapezista lá ia agradecer ao meu pai, sob o olhar desconfiado da minha mãe, que acho que não reparava que ela já não tinha o fato vermelho vestido, e todos se iam despedir de nós e agradecer a água e a luz. Eu, por mim, ficava cheia de pena, quando eles se iam embora enquanto eu estava na escola. No quarto dia, acho que inventava quase sempre uma dor de cabeça ou de barriga, que me permitisse estar presente na hora da partida. Não era por nenhuma razão especial, apenas pela minha inclinação para os Palhaços Ricos.
Não sei quando é que o circo deixou de aparecer. Creio que foi a partir da altura em que se abriu uma rua nova e, assim, já não havia praça para montar a tenda. Nunca mais voltei a ver um palhaço rico sem a cara pintada de branco, mas sempre que voltei ao circo me apeteceu, no fim do espectáculo, lá ir atrás, aos bastidores, e pedir para ver os olhos. Quem sabe? Pode, até, acontecer que todos os Palhaços Ricos tenham olhos verdes...e escusava de, continuamente, manter esta vontade incontrolável de ir vender souvenirs à porta do Coliseu ou no Vaticano.
Afixado por Isabel às 20:40 | Afixadelas (8)
De manhã
De vez em quando, de manhã, apetece-me recorrer à poesia de Sophia.
Nunca sei a razâo, nem a procuro. Não creio, sequer, que a encontrasse se teimasse em procurá-la.

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
Afixado por Isabel às 09:47 | Afixadelas (12)
julho 05, 2005
Interrogações

O Governo decidiu acabar com o Comissão Nacional de Luta contra a Sida. Para a substituir vai criar quatro organismos que serão supervisionadas por um Alto Comissário para a Saúde, que funcionará na dependência directa do Ministro Correia de Campos.
Este Alto Comissário, para além deste organismo, supervisionará, ainda, mais três Institutos, a serem criados: das doenças oncológias, das doenças cardiovasculares e outro relacionado com doenças da terceira idade e pessoas dependentes.
Para uma leiga como eu, não há opiniões formadas. Há, no entanto, interrogações.
Primeira, qual a necessidade que um Governo tem de, quando toma posse, substituir o que existe? Possivelmente a CNLCS necessitava de ser remodelada, reformulada, mas haverá necessidade de alterar tudo? De criar tudo de novo? De gastar tempo, dinheiro e energias na criação de organismos novos? E enquanto se criam? Pode-se adiar as respostas? Ou colocá-las em stand by ? Ou interromper as que se foram criando?
E, depois, a “mistura” – qual a relação que poderá haver entre estes quatro campos de intervenção? Que pontos comuns, à priori, se encontram entre a prevenção e a resposta à Sida e as doenças da Terceira Idade?
Segundo me informou uma amiga, que sempre tem trabalhado junto a organismos ligados à problemática da Sida , o organismo, agora, a criar, estará, sobretudo, ligado à prevenção.
A questão da minha amiga, que há anos conhece, o drama da Sida, em Portugal, é que este drama ultrapassa em muito a mera necessidade da prevenção, apesar de reconhecer que os programas e as campanhas de prevenção, têm falhado. Sobretudo fora dos chamados “grupos de risco”, sendo prova desse fracasso, o cada vez maior número de infectados fora desses grupos.
Talvez não me devesse intrometer em questões que não conheço...não fosse o caso de , ainda este fim-de-semana, ter encontrado um jovem de 22 anos, que vi crescer, sentado num jardim, mesmo à frente de casa dos meus pais, sem resposta nem esperança no olhar, magro, branco, terrivelmente doente. Filho de pais desempregados, ambos com deficiência mental, com mais dois irmãos, um deles, mais velho, também seropositivo. Que vai e vem ao hospital, 3 ou 4 vezes por semana, porque não tem forças, tem diarreias, febre, dores que não suporta. Porque não há cama para lá ficar. Que não toma os medicamentos a horas, porque não tem quem lhos dê e ele diz “nâo ter” cabeça para decorar as horas. Na província. Longe dos grandes centros urbanos. Sentado no jardim à espera. Provavelmente já não do Alto Comissário. Apenas à espera.
Não fosse o caso de haver milhares de B., por aí, uma não conhecedora dos dossiers, como eu, não se deveria intrometer em assuntos que não domina. Assim, aqui fica a ousadia.
Afixado por Isabel às 12:18 | Afixadelas (13)
julho 04, 2005
A rosa

"Anda, vai ver outra vez as rosas. Vais perceber que a tua é única no mundo. Quando vieres ter comigo, dou-te um presente de despedida: conto-te um segredo.
(...)
- Adeus...
- Adeus - disse a raposa. - Vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...
- O essencial é invisível para os olhos - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Os homens já se esqueceram desta verdade - disse a raposa. - Mas tu não te deves esquecer dela. Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que está preso a ti. Tu és responsável pela tua rosa...
- Sou responsável pela minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
Afixado por Isabel às 21:36 | Afixadelas (17)
Convite

Lembram-se de há dois ou três meses, ter contado, aqui, publicamente, que a minha máquina de lavar roupa, começou a andar pela cozinha e, antes que chegasse ao quarto, teve que ser substituída?
Querem juntar-se a mim na despedida definitiva à máquina de lavar, que apesar de, na altura, ainda não imaginar como, um dia, viria a ser famosa, já se pressentia, ter todas as condições físicas e anímicas para ficar, para sempre, na História?
Hoje, às 6h44 (hora de Lisboa), espero por todos para assistirem ao seu fabuloso, estrondoso, inesquecível e histórico embate no cometa Tempel 1.
Devo, no entanto, comunicar que a viagem da minha máquina até ao Cometa custou 333 milhões de dólares, mas que eu não tive nada a ver com isso. Por mim, só tive que dar 5 € de gorjeta aos Srs, para descerem com a coitadinha do 1º andar.
Confesso, no entanto, que estou feliz. Não é todos os dias que temos um electrodoméstico que é atirado contra um cometa, a fim de lhe fazer um buraquinho, ainda por cima, no dia da Independência dos Estados Unidos. Obrigado querida, pelos 15m de fama, que me/te/nos vais proporcionar. Tás perdoada pelo chinfrim que fazias e por apareceres, destemperada, à porta da sala.
Afixado por Isabel às 00:01 | Afixadelas (11)
julho 03, 2005
Vi um monstro!

Esta manhã, peguei na moto e decidi ir dar um passeio. Sozinha, que ainda tudo dormia, e decidida a aproveitar a pequena réstia de fresco, antes de chegar o calor abrasador que invade o Ribatejo. O calor, chegou, no entanto, demasiado cedo.
Parei à beirinha da estrada e procurei a sombra da árvore que me pareceu mais frondosa.
Desci e encostei-me. Fui imprudente, arrisquei muito, fui quase suicida, eu sei, mas fazia calor e apetecia-me esticar as pernas.
De repente vi uma lagartixa (ou seria uma sardanisca?) que se passeava preguiçosamente a uma distância perigosíssima para qualquer ser Humano, uma rã que teimava em saltar dentro da poça de água, que fica mesmo ao lado da fonte e que me olhava com um olhar furioso e assustador, um gafanhoto que me atacou, passando a menos de um dedo de distância do meu nariz, e a atravessar a estrada rapidamente, quase aos meus pés, acabadinho de sair do meu lado, um ser mais ou menos repelente, enorme, mistura de sardão, porco da Índia e serpente, que mais tarde o meu pai me disse dever tratar-se de qualquer coisa chamada sacarabo.
Corri para a moto, assustada, e só parei em casa, a tremer, transpirada sem ser do calor, pálida, gelada, diria, em estado de choque.
Fui expulsa sem apelo nem agravo do território daqueles seres, conheci um monstro que me deve ocupar as próximas noites e, mais uma vez, tive a prova, que não fui feita para viver no campo.
Agora, quando cheguei a Lisboa, fui ao Google à procura do monstro. È isto. Um irmão deste monstro esteve a menos de um metro de mim. Sobrevivi. Mas sabe-se lá o que me podia ter acontecido se fosse atacada, ao mesmo tempo, pelo monstro, pela rã, a sardanisca e o gafanhoto. Acabaram-se as viagens. Ao campo, agora, só, mesmo de blindado.
Afixado por Isabel às 20:25 | Afixadelas (15)
julho 02, 2005
A ponte

Amanhã, volto a atravessá-la para cá. Bom fim-de-semana para todos.
Afixado por Isabel às 09:55
julho 01, 2005
Amanhã ainda sinto a tua falta

Amanhã vou “à terra”.
Raramente me apetece lá ir. Nasci lá. O meu filho deu lá os primeiros passos. Os meus pais vivem lá. Lá, tenho as minhas origens e as minhas memórias de infância. No entanto, falta-me o ar. Ninguém entende que vivendo em Lisboa, diariamente, me possa faltar o ar no campo. Mas falta. Preciso de desaparecer no meio de gentes quando me apetece, preciso de poder ter a opção de ver, apenas, quem quero ver, preciso do Tejo ao fim da Calçada. Preciso de passar despercebida e de, só por escolha, me dar a perceber.
E claro preciso de ignorar a falta que lá, às vezes, ainda me fazes.
Aqui tudo retomou o seu lugar, o tempo apagou a memória de ti, em minha casa deixaste de caber, em minha cama, sei, que não voltarias, nunca, a caber, na minha vida deixou de haver espaço para ti e para nós, mas lá, lá há os locais onde nos encontrávamos, às escondidas, como se, de novo, tivéssemos 15 anos. Há o recanto junto à fonte, onde me leste o prefácio do teu livro e onde me amaste, a primeira vez, dentro do teu carro cinzento, há a pequena casota no meio do Parque onde, à noite, nunca nos dávamos tempo de chegar...e há o portão, o portão verde de ferro frio...
Ironia do destino, o local onde, efectivamente, estás é o único local onde, ainda, sinto a tua falta.
Cada vez menos, é certo. Mas ainda.
Afixado por Isabel às 22:09 | Afixadelas (8)
Parece que o calor voltou...
...são 15...fico-me por estas, pouquinhas, para não andar, por aí, a ser acusada de piromaníaca.

Modos de amar
Modo de amar – I
Lambe-me as seios
desmancha-me a loucura
usa-me as coxas
devasta-me o umbigo
abre-me as pernas
põe-nas nos teus ombros
e lentamente faz o que te digo.
Modo de amar – II
Por-me-ás de borco,
assim inclinada...
a nuca a descoberto,
o corpo em movimento...
a testa a tocar
a almofada,
que os cabelos afloram,
tempo a tempo...
Por-me-às de borco;
Digo:
ajoelhada...
as pernas longas
firmadas no lençol...
e não há nada, meu amor,
já nada, que não façamos como quem consome...
(Por-me-ás de borco,
assim inclinada...
os meus seios pendentes
nas tuas mãos fechadas.)
Modo de amar – Vl
Inclina os ombros
e deixa
que as minhas mãos avancem
na branda madeira
Na densa madeixa do teu ventre
Deixa
que te entreabra as pernas
docemente
Modo de amar – XI
((Teu) Baixo ventre)
Nunca adormece a boca no
teu peito
a minha boca no teu baixo
ventre
a beber devagar o que é
desfeito
Maria Tereza Horta
Afixado por Isabel às 16:56 | Afixadelas (4)
junho 30, 2005
Será esta a resposta? II

O Governo está em funções há menos de quatro meses. As medidas, por ele, anunciadas são merecedoras de todas as dúvidas, de todos os desacordos, de todas as lutas. Mas, e depois? A seguir à greve dos professores, os professores, fazem o quê? E a seguir à dos enfermeiros? E dos funcionários públicos? E o a seguir, com um Governo com maioria absoluta, são, pelo menos, mais três anos e meio.
E quem é que se convence, dos trabalhadores que não estão em luta, da justeza da luta dos outros, se nos entra pela casa adentro um dirigente sindical a dizer, que uma greve de professores na altura dos exames não faz mal nenhum aos estudantes, até lhes dá mais tempo para estudar?
A seguir vem o quê? Uma greve geral? Com quem? Onde está o apoio dos pequenos comerciantes, dos trabalhadores por conta própria, onde está a mobilização dos contratados a prazo, quem já alguma vez falou com os milhares de “extras” que representam, muitas vezes, percentagens elevadíssimas dos trabalhadores duma empresa? Qual o dirigente sindical que se deslocou à porta do Colombo, à saída dos turnos? Ou entrou num Call Center? Ou tentou falar com um imigrante?
Os nossos Sindicatos não têm imaginação. Não têm criatividade. Têm, a maioria das vezes, a agenda politica do PC para cumprir. E a imaginação do PC já passou por melhores dias. Assim como a mobilização. Só que, quando derem por isso será tarde de mais. Terão desaparecido. Porque para sobreviverem precisam de quem pague as quotas. Para isso é preciso trabalhar, ir às empresas, mobilizar, recrutar. É preciso abrir as portas a novas pessoas e a pessoas novas, é preciso abandonar o sectarismo, a desconfiança, a falta de democracia interna. E, isso, dá muito mais trabalho do que fazer um pré aviso de greve.
Os grandes responsáveis pela perda de influência dos Sindicatos não são só as entidades patronais ou quaisquer medidas governamentais, por mais à direita que seja a maioria que as aprove. Os grandes responsáveis são também, eu atrever-me-ia a dizer, são sobretudo, o autismo dos seus dirigentes e a sua incapacidade em olhar para o calendário e ver lá escrito: Ano de 2005.
Afixado por Isabel às 00:28 | Afixadelas (26)
Será esta a resposta? I

Aguçada pelo post da Émiele, aqui vai. Porque se trata de posts demasiado grandes, que não consigo encurtar, decidi dividi-los. O mesmo post, em dois posts. Ou dois posts, sobre o mesmo tema.
O movimento sindical não tem vindo, apenas, a perder força, em Portugal. Tem vindo, cada dia, a perder discernimento, capacidade de analisar as situações, capacidade de encontrar novas respostas.
As direcções dos Sindicatos vão–se perpetuando, teimam em recusar o método de Hondt como método eleitoral, com medo de perderem influência e poder e, com isso, vão-se afastando cada dia mais das empresas, dos trabalhadores e dos seus problemas reais.
A maioria dos dirigentes sindicais (seja dos Sindicatos afectos à CGTP ou não), não vai à sua empresa há anos. E, quando por lá passa, passa, não respira o ar pesado que por lá se vai respirando, não tem tempo para ver os jovens contratados, os imigrantes ou os “extras”. E, quando volta às estruturas, volta sem ter aprendido nem apreendido nada da realidade do mundo do trabalho em 2005.
Cada vez que a agenda politica o impõe, os Sindicatos, apelam a manifestações. Todos os trabalhadores descontentes com o rumo dos País e dos seus direitos o deveria entender. Mas os Sindicatos não explicam, não vão aos locais de trabalho. Os trabalhadores sabem das manifestações pela comunicação social.
Cada vez que a agenda politica o impõe os Sindicatos decretam uma Greve. Aliás, nem é preciso haver uma greve para que os Sindicatos decidam enviar pré avisos de greve para as empresas. Como se algum trabalhador se declarasse em greve para ir a uma manifestação. É a falta total de conhecimento do que é a vida dos trabalhadores. Numa empresa privada seria bem mais fácil, arranjar uma desculpa ao chefe para participar na manifestação, do que declarar-se em greve, perder o salário desse dia, sofrer as retaliações de um acto, quase sempre isolado, para participar.
Há meses, propuz ao meu Sindicato, uma pequena nota informativa para os trabalhadores mais jovens, em que se lhes explicasse quais os direitos que efectivamente perderão se o Contrato Colectivo caducar, como é intenção das Associações Patronais. Há meses que estou à espera. Que esses jovens trabalhadores, não sindicalizados, que não fazem ideia o que era o Contrato Colectivo, não fazem ideia do que está efectivamente em causa, esperam por esse papelito de 20 ou 30 linhas.
Desde então, a empresa recebeu dezenas de pré avisos de greves, que ninguém conhece. A entidade patronal dá-lhes a importância que têm as coisas inúteis e inócuas, mete-os no dossier onde estão as comunicações do Sindicato. Para ali, ficarem guardados para a posteridade. Para a recordação de mais uma Greve que ninguém fez, ninguém soube. Que nem greve, afinal, foi. Ali fica na prateleira dos monos. Sem que, na maioria dos casos, os trabalhadores tivessem sabido que tal comunicação foi feita.
Afixado por Isabel às 00:20 | Afixadelas (13)
junho 29, 2005
Não custa nada, amiga!

M, o que faz nunca ter visto os teus olhos. Estares longe e não ter havido tempo para o Jamaica. Hoje é dia de balanço, dizes tu, e eu não sabia.
Mas não te preocupes em fazê-lo. Os balanços fazem-se sempre sozinhos. A sério. Hoje é apenas mais um dia. Bonito. Como todos os que, tenho a certeza, vais ter na próxima década, e na outra. E por aí fora. Não é o fim de nada. Nem um recomeço. Apenas um novo principio.
Não sei quando começa a vida, creio que começa hoje. Começa-a quando quiseres, sempre que quiseres, é a única forma de a viveres.
Não dá para te enviar uma prenda. Dá para te enviar, apenas, uma pintura. De como te desejo que sejam os próximos dez anos. Simples, leves, com muita cor, estrelas no céu, cantinhos acolhedores, uma Lua, esta ou outra à tua escolha e um pássaro. E se, às vezes, este pássaro, não te deixar voar, espera que ele se vá. Ou manda-o embora. Os pássaros costumam obedecer, quando fazemos ar de más. Se o escolheres voa com ele. Até cá...afinal ainda nos devemos umas conversas. Ou até ao fim do Mundo. Mas não o deixes fugir.
Tem um bom dia. E acredita, não custa nada. Melhor que a dos trinta, só tenho tido a dos quarenta...vais ver que te vai acontecer o mesmo.
Até amanhã, trintona :) :)
Afixado por Isabel às 15:41 | Afixadelas (2)
O deserto na praia

Influência dos concursos do Bin, irresistível paixão pelo amarelo, pela areia, recordação dum Verão quente nas dunas da Praia do Norte, na Nazaré, com uma extensão enorme de mar, um vento cortante que nunca sentimos, um Sol quente e areia, muita areia, toda a areia da Praia do Norte só para nós, ou simplesmente, porque hoje estou em casa, tenho andado a fazer umas buscas de fotografias, e descobri esta imensidão de amarelo e azul.
Como eu o imagino, amarelo, não plano, cheio de dunas. Com um céu azul. Um Sol abrasador.
Para a minha Praia do Norte falta o mar, eu sei. Mas, de certeza, que neste ou noutro Deserto, existe uma Praia do Norte. Pelo menos, na Praia do Norte eu lembro-me, perfeitamente, de ter encontrado um Deserto, assim.
Afixado por Isabel às 12:31 | Afixadelas (9)
Um ano

Parece que faz hoje um ano que Durão Barroso (Manuel Barroso, que lá fora não há tiles para ninguém) foi indigitado para o cargo de presidente da Comissão Europeia.
A “Capital” (adoro a Capital, porque como não dá para fazer links, eu escuso de me estar para aqui a esforçar), diz que foi un ano muito difícil para o Manuel. Eu calculo que tenha sido, até porque, pela cara da fotografia, o sr. parece que está com um bocado de dificuldades.
Por mim fiquei a pensar como cabem tantas coisas num ano – 365 dias (acho que foi comum, não?).
Durão Barroso foi-se embora, o Presidente não convocou eleições, Santana Lopes tomou posse, o Presidente convocou eleições, o PS teve maioria absoluta, José Sócrates tomou posse, aumentou o Iva, a semana passada houve greve dos professores, o ministro trocou os números, hoje há greve dos enfermeiros...
Tudo num ternurento e inocente anito...
Enquanto andava à procura duma foto do Durão Barroso no Google, apareceu-me entre muitas do ex-primeiro ministro, actual Manuel Barroso, uma fotografia do Mao.
Juro. Experimentem.
Mas o que é que tem o Manuel Barroso a ver com o Mao, ou vice-versa? Este Google é sempre uma caixinha de surpresas. Agora vou experimentar a fazer a busca por Mao, para ver se aparece o Manuel. Depois digo qualquer coisa.
Afixado por Isabel às 11:15 | Afixadelas (4)
junho 28, 2005
Para venda
Vendem-se outdoors em bom estado. As fotos são de boa qualidade, havendo duas variedades, conforme se pretenda um estilo mais formal ou mais desportivo.
Ficam bem em qualquer sala de estar ou entrada de estabelecimento comercial.
Vendem-se a preço de ocasião.
Favor contactar: Largo do Rato, nº 2 – Lisboa.
Nota: No caso de possuir alguma ideia sobre a cidade de Lisboa, poder-se-á negociar a permuta, pagando-se acima da média e oferecendo o outdoor de bónus.
Negócio sério e urgente.
Afixado por Isabel às 19:26 | Afixadelas (6)
Balanço adiado

Há sempre uma altura na vida em que se tem que parar para pensar. Para fazer balanços. Há anos, quando, ainda, lia revistas femininas, lembro-me que elas diziam sempre que era um sinal de maturidade fazer balanços e parar para pensar.
Tenho andado a adiar o meu balanço. Nunca me levantava a horas ou, então, como só há uma calculadora em casa, o João Pedro levava-a para a escola e nada feito.
Decidi que não dava para adiar mais. Tinha que ser hoje. Levantei-me cedo e tinha a calculadora disponível.
Saí de casa, pelo fresquinho, cheia de genica.
Uma buzinadela monstra, um gajo a vociferar de braços no ar, dentro dum carro “Mas que gaita é esta? Tá parva ou quê? Parada no meio da rua???!!!”
Ainda me virei e gritei “Seu fascista, a coarctar o pensamento das pessoas...vá mas é dar banho ao cão!!!!” (aí lembrei-me que devia ser cágado, mas já era tarde...entretanto, o gajo já tinha desaparecido de braços no ar).
É, por estas e por outras, que ando sempre a adiar isto. Gosto muito de cá estar, porra.
Agora balanço, pensar na vida, só daqui a, pelo menos, dez anitos. E, ainda por cima, tenho esperança que, mais dois ou três balanços e já vá de bengala. O que sempre é uma ajuda para estes energúmenos fascitóides que não nos deixam pensar livremente.
Afixado por Isabel às 09:14 | Afixadelas (8)
junho 27, 2005
Enquanto há calor...

O insecto
Das tuas ancas aos teus pés
quero fazer uma longa viagem.
Sou mais pequeno que um insecto.
Percorro estas colinas,
são da cor da aveia,
têm trilhos estreitos
que só eu conheço,
centímetros queimados,
pálidas perspectivas.
Há aqui um monte.
Nunca dele sairei.
Oh que musgo gigante!
E uma cratera, uma rosa
de fogo humedecido!
Pelas tuas pernas desço
tecendo uma espiral
ou adormecendo na viagem
e alcanço os teus joelhos
duma dureza redonda
como os ásperos cumes
dum claro continente.
Para teus pés resvalo
para as oito aberturas
dos teus dedos agudos,
lentos, peninsulares,
e deles para o vazio
do lençol branco
caio, procurando cego
e faminto teu contorno
de vaso escaldante!
Pablo Neruda
Afixado por Isabel às 21:37 | Afixadelas (6)
Sem título
"Olá". Do outro lado, a tua voz surge cansada. Sem luz nem brilho.
"Não queres falar?" "Não" "Então, ligo-te depois..." "Não, fica, por favor".
Durou mais de 15 minutos. Ouvi o teu silêncio e o silêncio das tuas lágrimas.
"Obrigado, Isabel. Podes ligar amanhã?" "Claro que posso" "Para ficarmos assim?" "Eu ligo".
Tenho ligado todos os dias, desde Sexta Feira. Ouço o teu "Olá". Depois o teu silêncio.
Hoje disseste "Faz-me bem", antes de te despedires.
Até amanhã, amiga. Havemos de vencer esta guerra.
Afixado por Isabel às 19:25 | Afixadelas (8)
Segunda Feira

Recebi esta mensagem por Email:
"O trabalho fascina-me... às vezes fico parado a olhar para ele sem
conseguir fazer nada"
Hoje, estou assim. Fascinada.
Afixado por Isabel às 08:59 | Afixadelas (13)
junho 26, 2005
Desafio aceite
Um amigo dizia-me, hoje, que faltava um pouco de erotismo, de sensualidade a este Blog.
Tenho por hábito reconhecer quando os amigos têm razão.
Estamos no Verão, o calor dá-nos ganas de amar, há textos e poemas de um erotismo e de uma sensualidade a toda a prova, com a vantagem de, como são de escritores e poetas consagrados, mantermos, eu e o Afixe, a nossa reputação intacta...:)
Desafio aceite. Pelo menos, enquanto o calor apertar. Ou eu estiver para ele virada. Ele, calor,claro.

É quando estás de joelhos...
É quando estás de joelhos
que és toda bicho da Terra
toda fulgente de pêlos
toda brotada de trevas
toda pesada nos beiços
de um barro que nunca seca
nem no cântico dos seios
nem no soluço das pernas
toda raízes nos dedos
nas unhas toda silvestre
nos olhos toda nascente
no ventre toda floresta
em tudo toda segredo
se de joelhos me entregas
sempre que estás de joelhos
todos os frutos da Terra.
David Mourão Ferreira
Afixado por Isabel às 22:58 | Afixadelas (9)
Um pequeno exercício III - 1ª Votação
Depois da 1ªFase, vamos votar num nome, apenas num e responder às perguntinhas abaixo. Claro que podem votar num nome de cada uma das listas. Não se esqueçam que o objectivo era um nome para uma Agência de Viagens especializada em África, dedicada à organização de Expedições e Safaris - o chamado Turismo de Aventura.
Esta 2ª Fase termina na 3ªfeira (dia 28) à meia-noite!
Se houver dúvidas, digam ok?
Um Abraço,
Bin
1 - Qual o nome que preferem?
2 - Porquê, a que o associam, a que tipo de negócio, a que sensações?
3 - O nome que preferem para esta agência de viagens?
4 - Porquê?
A - Lista de Nomes Relacionados com África:
Back to Africa
Just Africa
All Africa
Africander
Heart of Africa
Ali Africa Tourné
African Safaris
African Tours
Bin Africa
Africa Adventure
Step in Africa
Back to Africa
In Africa
Another Africa
Africa Challenge
Eyes From Africa
Going Africa
Inside Africa
All Africa
Africa Call
Abiria Africa
Shani Africa
Wild Africa
Viva Africa
Travel Africa
Africa Ways
EsferogrÁfrica
PA- Pure Africa
RadicAfrica
AfroRaiders
Africcion
Found Africa
Find Africa
Africanloud
Go to Africa
AfricaWay
Africa Steps
GeogrÁfrica
GeoÁfrica
Safiri Africa
Afrikando
Africanar
Africacruiser
Afrikadventure
Discovering Africa
Rotafrica
4Africa
Into Africa
To Africa
Live Africa
B - Lista de nomes que nos remetem para aventura/evasão/grandes espaços:
Desert Rose
Avontuur
Inner Challenge
Desert Trip
Safari Choice
Savana
Search & Discover
Born to be wild
LostPlaces Travel
Savannah
Desert Spot
SavanAventura
C - Lista de nomes originais:
Savari
Viagens Candongueiro
Hakuna Matata – Travel Adventure
Viagens Batutha
A Mega Fauna
Viagens Kabooza
Viagens Moamba
Tótem Travel
Totem & Tabu
Karibu Travel
Nakawa
Back to Basics
A-Freak
Afreak
Vagabond
Msafiri
Touarwave
Baselines
Espaços
Hera
Habitat
Crescente
Viagens Zambizonga
D - Lista de nomes românticos:
Viagens Berço da Humanidade
Viagens encantadas
Chá no Deserto
Waiting for The Sun
Africa Nossa
Africa Minha
AfricaMinha
Africa Sua
Afixado por Isabel às 22:56 | Afixadelas (4)
Voarei !

Nunca entendi a minha quase incapacidade de desistir. Não creio que seja teimosa. Não me considero masoquista. Então, porque não parar, pensar e concluir que há batalhas que não vale a pena travar, lutas que não vale a pena tentar ganhar? Porque nunca acredito que uma luta possa estar perdida à partida? Porque nunca acredito que pode haver forças que já não tenha ou tempo que me falte?
Não consigo, nunca, desistir do que não vivi. Não consigo abdicar do corpo que não toquei, das palavras que não disse, dos sonhos que não vivi. Não consigo abdicar de conhecer o teu cheiro nem o teu sabor.
Em cada dia do meu presente, ultrapasso as mágoas do passado e não consigo não viver as dádivas do futuro.
Não me contento nunca com a parte, entrego-me obstinadamente em busca do todo.
A minha vida não foi construída com sonhos que perdi, é construída com os sonhos que não pude ou não tive tempo de viver.
Quero um mundo melhor. Não porque nele acreditei no passado, mas porque não suporto a falta que me fará no futuro.
Quero ter-te nos meus braços, não para neles te prender, mas porque neles quero voltar a voar. Tenho saudades de voltar a voar. Não desisto de te ouvir, não para me dizeres palavras que, algures, gostei de ouvir e perdi, mas para me dizeres as que sempre sonhei que me dirias.
Tu. E cada vez que te encontro, sejas tu, quem fores, é o que nunca vivi, que procuro.
Não vou desistir. Não sei desistir. Vou continuar a procurar o que os teus olhos me dizem, as tuas palavras me repetem, mesmo que os teus gestos o adiem.
Esperarei, por ti o tempo, que tiver que esperar. Porque a passagem do tempo, afasta-me do passado, mas aproxima-me, inevitavelmente, do Futuro. Que contigo viverei.
Tenho a certeza que temos um mundo novo para fazer e que o vamos fazer.
No dia em que te encontrei, soube que haveria coisas que iríamos viver. Nunca desisto das coisas que há para viver.
Sei que me esperas a meio do caminho. Para juntos, percorrermos a distância que nos separa do mar. E para, no mar, finalmente, percorreremos o caminho que nos separa de nós.
Afixado por Isabel às 02:06 | Afixadelas (19)
junho 25, 2005
Liberdade

– Liberdade, que estais no céu...
Rezava o padre nosso que sabia
A pedir-te, humildemente,
O pão de cada dia.
Mas a tua bondade omnipotente
Nem me ouvia.
– Liberdade, que estais na terra...
E a minha voz crescia
De emoção.
Mas um silêncio triste sepultava
A fé que ressumava
Da oração.
Até que um dia, corajosamente,
Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,
Saborear, enfim,
O pão da minha fome.
– Liberdade, que estais em mim,
Santificado seja o vosso nome.
Miguel Torga
Afixado por Isabel às 21:13 | Afixadelas (4)
Marcha de orgulho gay - 2005

Daqui a pouco, a partir das 17h00, no Marquês de Pombal, é hora de sair à rua e mostrar que Portugal será tanto mais justo quanto mais aceitar a diferença e respeitar a igualdade de direitos.
Afixado por Isabel às 16:41 | Afixadelas (22)
O peso da traição

Esta noite, um amigo dizia-me, depois do Dão do 1º de Maio e no caminho para o Gin do Agito, que ainda um dia haveria de descobrir um comprimido para a traição.
Dizia ele, que não queria nada vingar-se, o único efeito do tal comprimido, deveria ser um rápido, total, eficiente e drástico esquecimento. Assim tipo, chegas a casa, abres a torneira, pegas no copo, no tal comprimidinho, bebes, e já está. Página completa e definitivamente arrancada.
Estivemos sentados no Jardim do Príncipe Real, a tentar encontrar a fórmula química da coisa, mas decidimos que o mais fácil era mais um Gin no Pavilhão Chinês, e já agora, porque não, que dias não são dias, um charrito feito a preceito.
Quando acabámos de fumar perguntei-lhe se tinha resultado. Disse que parecia que sim, porque tinha acabado de ver uma morena de olhos verdes, que o tinha deixado siderado.
Pediu-me para o acompanhar e lá fomos os dois em busca da morena perdida, que eu, para os amigos, sou completamente disponível e solidária. Nem sinal de morena. Tinha-se eclipsado no meio das ruelas do Bairro Alto.
O meu amigo voltou a ficar com olhos de carneiro mal morto e disse mais vinte vezes "mas o que é que aquele lingrinhas tem que eu não tenho???" Eu, por mim, jurei-lhe que não sabia. E ele concordou que era natural que não soubesse. Fiquei um bocadinho mais descansada.
Ao vir trazer-me a casa, desesperado pela perda do rasto da morena e completamente esquecido da traição, perguntou-me, com uma voz de filme indiano, se podia subir. Confesso que ia dizer que sim, claro, mas fui retida a tempo, por um titubeante "Já que o JP não está..." Devo ter feito um ar ainda de mais parva do que aquele que tenho habitualmente quando vejo esses filmes (eu acho que nunca vi nenhum, mas aposto que ficaria com esta cara, e, além disso, fica bem no post...) que nos desatámos os dois a rir. Ele jura que foi do Dão, eu aposto no charro.
Acabou de me ligar. Voltou para o Bairro Alto à procura da morena de olhos verdes.
Eu cá, já me descalcei e tou preparada para o leite com chocolate e as bolachinhas.
Afixado por Isabel às 01:34 | Afixadelas (11)
junho 24, 2005
24 de Junho de 1935

O último Tango de Carlos Gardel.
Afixado por Isabel às 12:09 | Afixadelas (4)
Gostei de te ver
Não me reconheceste logo. Depois, quando voltaste, lembravas-te que era uma miúda timida. Foi há mais de duas décadas, companheira.
Soube que tinhas sido libertada, no dia em que, na baía de S.Martinho, tentei preencher o vazio que o desencanto deixara, com a paixão, o carinho e o desejo.
Quis o acaso que o meu pesadelo começasse no dia em que o teu terminou.
Quando, ontem, nos voltámos a encontrar não te falei na coincidência de me ter tornado, verdadeiramente, a mulher que hoje sou, e que tu disseste que era tão diferente da miúda que conheceste, no dia em que te tornaste, de novo, uma mulher livre.
Misturo a recordação das notícias da tua liberdade com as memórias dum encontro, das dunas de S.Martinho, da areia sob os nossos corpos nus, das palavras sussurradas, das promessas ditas baixinho e a medo.
Fui sabendo de ti. Ouvindo-te e vendo-te, mas nunca nos voltámos a encontrar.
A vida encarregou-se de tornar num pequeno parenteses o tempo que decorreu desde que, juntas, percorremos um curto, mas intenso, troço de caminho.
São sempre pequenos parenteses, os que se vivem quando optamos por passar a vida, vivendo cada minuto, como se fosse o último.
São sempre curtos os tempos, quando se vive com paixão e com entrega.
Tens o mesmo brilho que te conheci, nos olhos.
Bem hajas por isso, Isabel.
Afixado por Isabel às 11:31 | Afixadelas (12)
O fracasso do projecto esquerdista e a vitória sem futuro
O Luis Rainha do Bde escreveu um post muito interessante sobre Álvaro Cunhal, houve um ponto que me chamou à atenção especialmente, que foi este :"(Às acusações de que ele "ia provocando uma guerra civil", já está a História a responder, com a constatação de que unidades fiéis ao PCP, como os Fuzileiros, se mantiveram quietas no 25 de Novembro, aliás à imagem da própria célula do partido nos Comandos, que a havia...)".
Muito se escreve sobre o 25 de Novembro, mas sempre no mesmo sentido, deixo-vos aqui um texto que encontrei na revista Utopia que faz uma leitura diferente desse particular momento da nossa história.
Um abraço,
Bin
"Para a extrema esquerda, o golpe militar de 25 de Novembro de 1975, será o ponto de partida de um deslizar rápido para a decomposição. Durante dois anos, a totalidade das correntes marxistas-leninistas tinham defendido a ideia segundo a qual a instituição militar poderia, graças à capacidade de acção dos seus militantes, transformar-se num exército popular. Um tal activismo escondia a fraqueza da acção autónoma, o esgotamento da vontade e da iniciativa de luta, da imaginação subversiva. Fosse o que fosse, o certo é que investimento das energias militantes neste projecto se revelou suicida. A defesa destas concepções implicava necessariamente a submissão aos princípios da política tradicional: delegação de poder, centralização das decisões e do comando. Era bem a lógica bolchevista clássica que privilegiava a tomada do poder no Estado contra o desenvolvimento das estruturas horizontais dos conselhos, comités e outras organizações de base dos operários. A importância dada aos diversos centros de poder militar, incluindo os colonizados pela extrema-esquerda, legitimou finalmente e tão-só a confiança no Estado. Apenas a pequena corrente libertária se distanciou do projecto estatista, mas as suas críticas tinham pouco peso face ao cilindro compressor marxista-leninista e encontraram pouco eco na sociedade(1) .
"A derrota do esquerdismo em Portugal teve um significado que ultrapassou as fronteiras do pequeno país que é Portugal. Quebrou com toda uma concepção de revolução partilhada por toda a extrema esquerda ocidental. Aqui, pela última vez no século XX, o esquema vanguardista tinha parecido plausível, possível. Após 1968, os estados maiores da extrema-esquerda tinham decretado o necessário voltar aos valores seguros do partido detentor da verdade revolucionária. O desfecho da «revolução dos cravos» dará um golpe fatal nestas concepções. Esta falência da concepção "putschista" da revolução social irá acelerar, por todo o lado, a decomposição das correntes esquerdistas activas nos anos 70 do século XX. Com alguns anos de avanço, o desfecho português, anunciava a mote do comunismo ortodoxo, do qual o esquerdismo leninista procurou demarcar-se, mas que permanecia como a sua referência principal. A posteriori, o fracasso do projecto bolchevique confirmou as críticas anti-autoritárias de Maio de 68.
Aqui chegados, importa separar o que, ao longo destes dois anos, foi o produto das práticas rígidas de vanguardismo e o que foi o fruto da acção autónoma das lutas, das experiências de auto-governo. As acções directas, as ocupações de fábricas, a coordenação de órgãos autónomos, as expropriações de terras e de habitações, as tentativas de gestão colectiva da produção e troca de bens, a liberdade de expressão e do pensamento crítico, tudo isto liga a «revolução dos cravos» às correntes modernas de emancipação social. Procurando respostas para os problemas do momento, os mais combativos viram-se confrontados com a lógica do partido comunista e descobriram a necessidade de dar um novo conteúdo à ideia de socialismo. O novo conceito nascido ao longo deste movimento: Apartidário, simboliza bem o que tinha de potencialmente subversivo este movimento.
Estes primeiros passos de emancipação social estão hoje completamente apagados da história oficial e da memória colectiva. E no entanto, eles são os únicos elementos universais de futuro gerados ao longo destes anos turbulentos. Só por isso, pode esperar-se que a emancipação humana tenha uma "chance" no planeta Terra.
A vitória da «transição democrática» abre o caminho da modernidade capitalista para uma sociedade que, sob a longa noite do salazarismo, tinha acumulado arcaísmos e atrasos. Dito de outra forma, foi o caminho para parte nenhuma! A classe dirigente portuguesa vai poder restaurar a sua violência, desta vez de forma democrática, as condições de uma exploração moderna do trabalho são possíveis e Portugal integra o processo de construção do espaço europeu. Mas esta integração parece também fechar um longo ciclo histórico, evolução que havia sido pressentida por alguns dos primeiros socialistas portugueses no fim do século XIX: a da "decadência dos povos peninsulares". O quotidiano do cinzento e a náusea da política insignificante - com o seu cortejo de mediocridades, corrupções, infâmias e oportunismos -, a alienação do espectáculo moral ou desportivo, mascaram afinal a crise do pequeno Estado- Nação, privado, para além das condições geopolíticas e económicas, da sua evolução histórica.
Claro que tudo isto estava longe de ser evidente na época. No momento, em que a história era feita pelos próprios interessados, ela era percebida como uma variedade de possíveis, de probabilidades e de projectos. Anos-luz parecem separar os combates desses anos das preocupações de hoje. E, no entanto, os dados da actual crise cultural, social e política já lá estavam contidos, no essencial."
tradução de Guadalupe Subtil
*Charles Reeve (pseudónimo de Jorge Valadas) é autor de Crónicas Portuguesas (tradução de Júlio Henriques), Ed. Fenda, Lisboa, 2001.
Nota:
1- O desenvolvimento da autonomia operária e experiências de auto-governo das lutas, são defendidas pelo jornal Combate (sem relação com o actual órgão do Partido Socialista Revolucionário, trotskista). O jornal anarco-sindicalista A Batalha defende igualmente estas práticas.
Afixado por Isabel às 06:36 | Afixadelas (2)
junho 23, 2005
Um pequeno exercício II
(clique na foto para aumentar)
Meus amigos, os 4 dias estão a chegar ao fim, quem tiver as últimas sugestões a fazer ou acrescentar que o faça até à meia noite de hoje.
Amanhã será postados os nomes seleccionados para serem sujeitos a uma primeira votação de selecção.
Pensem bem:)
Um abraço e até mais logo,
Bin
Afixado por Isabel às 18:51 | Afixadelas (6)
Começou o Verão!! Abram os sorrisos :) III

Photo © Jean-Christophe Périé
"ENCONTRO
Não te busquei, não te pedi: vieste.
E desde que eu nasci houve mil coisas
que a meus olhos se deram com igual
simplicidade: o Sol, a manhã de hoje,
essa flor que é tão gracil que a não quero
o milagres das fontes pelo Estio...
Vieste (O Sol veio também, a flor,
a manhã de hoje, as àguas...). Alegria,
mas calada alegria, mas serena,
entendimento puro, natural
encontro, natural como a chegada
do Sol, da flor, das àguas, da manhã,
de ti, que não buscara nem pedira.
E o Amor? E o Amor? E o Amor?
- Vieste
Sebastião da Gama"
E assim vai o Verão meus amigos.
Deixo-vos então magnífico poema do Sebastião, leiam e tornem a ler.
Desfrutem. Sintam a pele. Os sentidos. Os elementos. O Amor.
Um abraço,
Bin
Afixado por Isabel às 17:40 | Afixadelas (3)
Que cor tem o esquecimento?

Parece que a Câmara Municipal de Lisboa, pretende autorizar a construção de um condomínio privado, na Rua António Maria Cardoso, no local onde se situava a sede da ex PIDE/DGS.
Eu sou dos que acreditam que as memórias, mesmo as mais tristes devem ser preservadas. Para que não sejam esquecidos nem branqueados 48 anos negros da nossa história.
Se me falassem em criar ali um Teatro, um Museu, um local de cultura onde a memória se preservasse e o futuro se construísse, seria a primeira a apoiar a idéia. Mas um condomínio fechado? Desculpem, mas há coisas que não lembram ao Diabo.
Já agora como é que se chamará? De que cor serão as casas? E o portão?
Não sei de que cor se pinta o esquecimento. Mas parece-me que deve ter um tom muito escuro. Ou talvez branco, já que eu, ao contrário da Émièle, continuo a ligar o branco a cal e a morte.
Afixado por Isabel às 13:27 | Afixadelas (10)
O meu pintaínho

Muito pequenino, às vezes, dizias: "Mãe, não consigo adormecer" "Queres vir para aqui um bocadinho, é?" "Eu queria...".
Ainda não tinhas acabado de falar e já estavas na minha cama. Aconchegadinho, o que quer dizer, completamente atravessado na cama, no pequeno espaço que me restava, ainda te ouvia dizer "Tava um monstro na janela...". Adormecias, de imediato, e o bocadinho era até de manhã...
Hoje foste para a viagem de finalistas. Três dias. Sem mim. Inteirinhos.
Claro que vai dar para fazer coisas que normalmente não faço:jantar com amigos, beber uns copos, não fazer jantar, chegar a casa às tantas...
Mas, e se um monstro me aparecer à janela, grito por quem?
Afixado por Isabel às 08:51 | Afixadelas (14)
Tibete - "Shangri La"
(clique na foto para aumentar)Photo © Henk Braam
Nunca estive no Tibete, mas, quando um dia destes for ao Nepal e à Mongólia, seguramente irei ao Tibete. Até lá, deixo-vos esta excelente foto do Henk Braam.
Se quiserem ir aconselho-os a lerem primeiro isto. Resta-me desejar-vos boa viagem! Não tenham medo de partir, as viagens alimentam o nosso ser, libertam-nos.
Um Abraço,
Bin
Afixado por Isabel às 06:04 | Afixadelas (3)
junho 22, 2005
Começou o Verão!! Abram os sorrisos :) II

Como o Bin, esta manhã, nos avisou, com um post com um lindo sorriso de mulher, que o Verão tinha chegado.Como a Bluegift disse que umas boas-vindas masculinas, seriam bem-vindas,e, ainda por cima, confiou no meu (bom) gosto...
Como no dia que se atinge este númerozão, temos que vos agradecer e, porque não, dar uma prendita?
Porque o Bin também disse que o Verão é tempo de sentir, encontrar, procurar, desejar, descobrir, sorrir, despir, sentir, amar e viver (desculpa, Bin, se não foi bem isto, mas estou a dizer de cor…), aqui fica a minha prenda para as nossas leitoras e comentadoras (e para os leitores e comentadores que, assim, o entenderem), que é ao mesmo tempo, uma ajudita para, eu própria, ganhar energia para o próximo número grandalhão, que, aí vem, já a seguir.
Afixado por Isabel às 20:28 | Afixadelas (8)
Tommies in the Serengeti - Tanzânia ou A Minha Prenda para a Passagem do 1 Milhão!
(clique na foto para aumentar)Photo © Edvard Braekke
Meus queridos, Monty, Isabel, Susaninha, Gibel, Sharkinho, Jorge, Emiéle, Madge, Bernardo, M.Butterfly e João.
Esta foto foi dedicada a vocês no dia 12 de Abril, lá em casa.
Era tempo de ela ficar cá em casa.
Este é o dia perfeito!
Que venha mais um Milhão Fáchavor:)
É bom andar por aqui, nesta casa, bom humor, boa disposição, Golpes de estado e as tuas tiradas Monty - Não penses que me esqueço!
Bom, o que quero dizer é que fico bastante orgulhoso destes meus amigos, do seu blog, que também o sinto um bocadinho meu.
Encontramo-nos aqui todos os dias, é bom sim. Muito Bom.
Um grande abraço a todos, sentido e não se esqueçam do sorriso na cara ouviram?
Bin
Nota: Como repararam o JPC não está na lista, está aqui ao meu lado sentado no capim, aqui no Serengeti a fumarmos "La bonne Qualité! e a vermos a imensidão da savana, não é JP?
Afixado por Isabel às 17:59 | Afixadelas (6)
Um quê???

Um milhão. Ok, vou fazer um esforço enorme para imaginar isto. Escrever é impossível, porque não faço idéia, quantos zeros tem.
...............................................
Estes pontinhos em cima, fui eu a imaginar.
Já tá.
Segue-se agora a segunda tentativa: a de encontrar um milhão de razões para gostar de vocês todos.
...........
Facílimo. Só foram, mesmo, precisos estes pontitos insignificantes. É tão fácil gostar de vocês e saber porquê. E seria capaz de escrever e tudo. Só não escrevo porque sei que vocês sabem. Quanto gosto e porque gosto
Terceira tentativa: Encontrar razões para o prazer de estar aqui.
!
Não são pontinhos. É um grande, enorme, imenso ponto de exclamação.
Uma única razão que valha por todas as razões que a minha imaginação encontra e a minha capacidade não permite que escreva: estou infinitamente mais rica depois de vos ter encontrado. A todos. Aphixadores, comentadores, leitores. Obrigado. E espero conseguir retribuir. Um bocadinho. Pequenininho.
Afixado por Isabel às 15:27 | Afixadelas (10)
Começou o Verão!! Abram os sorrisos :)

Foto de Bruno Espadana
O Verão acabou de nascer, pequenos farrapos de nuvens lá fora, o azul do céu que nos toca.Escutam-se os pássaros.E uma ligeira brísa. Uma brísa mínima.
Finalmente chegou, o Verão, o calor, com ele o exotismo, a sensualidade.
Desejo-vos um excelente Verão,
Libertem-se.
Vivam.
Sintam.
Respirem.
Desejem.
Amem.
E Sorriam,
sorriam sempre.
Um abraço,
Bin
Afixado por Isabel às 06:09 | Afixadelas (7)
Um pequeno exercício (actualizado) I
(clique na foto para aumentar)Vamos imaginar que, de repente, nascía uma Agência de Viagens especializada em África, dedicada à organização de Expedições e Safaris- o chamado Turismo de Aventura. Precisamos de um nome, e se fossem vocês a escolhê-lo? Pode ser um nome em qualquer lingua. Esperamos pela vossa criatividade:)
1 - Que nome/s escolhiam para a Agência de Viagens?
2 - Porquê essa/s escolha/s?
Nota: Todas as respostas serão publicadas em post aqui e aqui no Afixe, claro. Este exercício termina daqui a 4 dias. Por isso pensem bem!!
Nota 1: Haverá prémios para o nome escolhido, brevemente mais informações. Depois desta 1ªfase de pré-selecção vai decorrer mais uma fase. Estejam atentos!
Um abraço,
Bin
Devo dizer, que estou desde já muito agradecido a todos os meus amigos blogosféricos que estão a participar neste pequeno exercício, aqui ficam as respostas que foram dadas até agora:
[Este papelinho foi a Susaninha do Afixe:)]
"Viagens Deserto" - Conosco nada fica perto!
(Brincadeirinha :D)
posted by Anonymous : Segunda-feira, Junho 20, 2005 5:45:36 PM
"Safaris Leão" - Onde voçê nunca sabe se volta...ou não!
posted by Anonymous : Segunda-feira, Junho 20, 2005 5:47:35 PM
"Expedições Bin" - Nunca nenhuma foi tão ruim
E após este entrelúdio piadético, a emissão segue dentro de momentos.
posted by Anonymous : Segunda-feira, Junho 20, 2005 5:50:30 PM
Back to Africa (inglês dá para todos, digo eu, e "toda a gente" que lá voltar)
African Mistery (apelo à magia dos mistérios africanos, do desconhecido)
posted by maria_arvore : Segunda-feira, Junho 20, 2005 8:46:06 PM
E o vencedor do melhor nome, ganha uma viagem grátis?
posted by Alex : Segunda-feira, Junho 20, 2005 9:49:00 PM
"É Jha Al-i".
É que fica mesmo já ali.
posted by k7pirata : Segunda-feira, Junho 20, 2005 10:00:15 PM
"All Africa"
"Just Africa"
Acho que a abordagem tem de ser forte e resumida ao mm tempo.
posted by Anonymous : Segunda-feira, Junho 20, 2005 10:09:21 PM
"Africander"
posted by Alex : Segunda-feira, Junho 20, 2005 10:26:45 PM
Desert Rose Lda.!!!
posted by concha : Segunda-feira, Junho 20, 2005 10:47:01 PM
SAVARI
posted by Anonymous : Terça-feira, Junho 21, 2005 12:08:06 AM
Heart of Africa
...porque a exemplo do que diz a Maria_Árvore, o inglês é um desavergonhado, vai com todos!
posted by Uxka : Terça-feira, Junho 21, 2005 12:17:54 AM
ALI ÁFRICA TOURNÉ
posted by João Pedro da Costa : Terça-feira, Junho 21, 2005 12:38:47 AM
Africa Nossa - Para quem anda na fossa
posted by PN : Terça-feira, Junho 21, 2005 12:55:41 AM
avontuur, porque é aventura em afrikaans. :)
posted by Margarida V : Terça-feira, Junho 21, 2005 1:30:06 AM
África Minha / ÁfriCaMinha
Talvez por ser um adjectivo que gostaria de conjugar frequentemente com aquele continente...
Ou pela força e intensidade de emoções que o filme ainda sugere...
Também pela chalaça que permite... : D
Beijinhos
PS. Bin que som tão chill out! É delicioso.
PS 2. Deixa-nos saber quando a empresa iniciar actividade ; )
posted by Lua : Terça-feira, Junho 21, 2005 1:55:29 AM
"Viagens ao berço da Humanidade"
A razão é óbvia.
posted by Ana : Terça-feira, Junho 21, 2005 2:36:11 AM
"African Safaris"
Sendo constituída apenas por duas palavras, é um nome (em) grande. Fala e adequa-se à dimensão e ao prestígio de uma futura e bem sucedida agência de viagens. O nome inglês resulta igualmente das mesmas razões... Pensar em grande e num grande mercado, inclusive via net...
Rui Ramos
posted by Anonymous : Terça-feira, Junho 21, 2005 2:45:40 AM
"Be Wild - As Africa as you can get"
posted by Anonymous : Terça-feira, Junho 21, 2005 9:59:30 AM
Yo, Bin.
Belo desafio. Deixa-me pensar um pouco. Até já.
posted by Abc Dلrio : Terça-feira, Junho 21, 2005 10:00:36 AM
"Inner Challenge"
posted by Anonymous : Terça-feira, Junho 21, 2005 10:00:41 AM
Chá no Deserto - African Tours
Mas o que gostei mais foi o do João Pedro - ALI ÁFRICA TOURNÉ
posted by jmnk : Terça-feira, Junho 21, 2005 12:02:17 PM
"Viagens Encantadas" Porque Àfrica é sempre um mistério. Mas já alguém disse um nome parecido. Não foi? Beijinhos, Bin!
P.S. - Grande ideia este desafio!
posted by Ananda : Terça-feira, Junho 21, 2005 12:06:59 PM
"Ali Africa Tourné" é das melhores coisas que já li. Genial.
posted by Isabela : Terça-feira, Junho 21, 2005 1:00:51 PM
Ngorongoro Viagens.
"Roubo-te" o Ngorongoro porque a Cratera e o sua Reserva representam tudo o que nos prende a imaginação a África: a beleza, a vida selvagem, o horizonte sem fim, a terra (ainda) impoluta, onde é possível sonhar :)
Serve?
posted by Hipatia : Terça-feira, Junho 21, 2005 1:47:08 PM
"Desert Trip" - A pé e não de Jipe
posted by Anonymous : Terça-feira, Junho 21, 2005 4:09:31 PM
"Safaris Tsé Tsé" - Dentada no braço, picadela no pé
posted by Anonymous : Terça-feira, Junho 21, 2005 4:34:13 PM
Viagens Candongueiro. "O Transporte Africano"
O candongueiro é o verdadeiro meio de transporte em Africa..
Se alguem tiver oportunidade de experimentar.. aproveite..
A emoção.. o risco.. a aventura.. o desconhecido.. a incerteza.. os cheiros.. enfim.. a verdadeira Africa em toda a sua essencia...
http://fotoangola.weblog.com.pt
Um abraço bin..
Vou deixar de actualizar o fotoangola... por agora..
Acabou a aventura Angolana (Nunca se sabe quando voltarei).. Foram meses bem passados.. Resta uma visita de ferias à Africa do Sul, Botswana e Zambia e regresso ao Alentejo... :D
posted by Hidro : Terça-feira, Junho 21, 2005 5:37:56 PM
Oh Bin, lembrei-me de outro:
BIN AFRICA (be in Africa) ;)
posted by maria_arvore : Terça-feira, Junho 21, 2005 6:07:30 PM
Africa Adventure
posted by The Best : Terça-feira, Junho 21, 2005 10:24:38 PM
"Step in Africa - Challenge yourself"
ou
"Step in Africa - Challenge your limits"
posted by Alex : Terça-feira, Junho 21, 2005 11:09:54 PM
HAKUNA MATATA - TRAVEL ADVENTURES.
(Podes entrar em contacto com o meu agente, Bin, para discutirmos os acertos financeiros, cof cof).
Abraço, pá!
posted by sharkinho : Quarta-feira, Junho 22, 2005 12:14:50 AM
Safari Choice,
Choose your Safari in www.amegafauna.blogspot.com
posted by xipsocial : Quarta-feira, Junho 22, 2005 12:59:16 AM
SAVANA
carmo43 | 06.21.05 - 12:18 am |
Viagens Batutha
Riki Martin | Homepage | 06.21.05 - 12:26 am |
Search & Discover
mfc | Homepage | 06.21.05 - 12:44 am |
mmmm....
Back to Africa?
Be born in Africa?
Fauna vossa?
in Africa?
Another África?
Africa Challenge?
Eyes from África?
Estou sem imaginação Bin,mas voltarei cá
beijinho
Anonymous | 06.21.05 - 1:39 am
era eu ali em cima
jp | Homepage | 06.21.05 - 1:39 am |
GOING AFRICA
INSIDE AFRICA
ALL AFRICA
A MEGA FAUNA
THROUGH AFRICA
AFRICA CALL
é o que se consegue a estas horas...
Jorge Morais | Homepage | 06.21.05 - 1:49 am |
mais um , mmmmm???
africa adventure.
abiria africa (swahili)- viajar para africa
shani africa(swahili)- aventura africa
Anonymous | 06.21.05 - 1:55 am |
born to be wild ou nascer selvagem...se é que se trata mesmo de aventura
Numenesse | Homepage | 06.21.05 - 2:26 am |
LostPlacesTravel
Ave Bin Dere
Amanhã penso noutros
Um abraço
Yardbird | Homepage | 06.21.05 - 9:33 am |
Decidamente,
viagens Kabooza.
Soa a festa e a africano. E a palavra não existe no dicionário.
Que achas?
batatas | Homepage | 06.21.05 - 9:51 am |
"Wild Africa"
Alex | Homepage | 06.21.05 - 10:11 am |
ViAfrica
TravelAfrica
AfricaWays
e...
Viagens Moamba!!
Saudações
Carriço | Homepage | 06.21.05 - 10:34 am |
A minha sugestão: Tótem Travel
Porque um totem ou tótem é unificador, representa uma organização, pode ser representado por um objecto ou ser vivo.
O Tótem é também o símbolo para a unidade de um clã, cujos membros participam da natureza do seu totem, ao qual se vinculam por deveres e, até tabus, particulares. Há tótems africanos absolutamente divinos.
Na origem da palavra está "antepassado" e, de certa forma, todos nós nos reencontramos com África, nessa origem.
No que diz respeito à representação gráfica pode revelar-se um termo muito criativo!
boa sorte a todos
Bin, um abraço
Ps. Tótem & Tabu, um título de Freud, também daria, na minha opinião, um bom baptismo
mariaheli | Homepage | 06.21.05 - 5:01 pm |
Gostei IMENSO deste último nome E do conceito que lhe preside
E do de alguém que assina batatas!
abdico da minha sugestão, pois já a encontrei aí também. TALVEZ por ser demasiado obvia.
felicidades para a empresa
anonymous | 06.21.05 - 6:21 pm |
Eu proporia um nome num dos dialectos ou línguas (perdoe-se-me a ignorância) de África. Algo que tivesse a palavra Africa e ficasse no ouvido, nada em Inglês, 'Minha África' na língua que tu utilizas,
como se diz e escreve' Mine Africa' ou algo assim, na Língua de Lá?
vague | Homepage | 06.21.05 - 6:28 pm |
Karibu Travel . Acho que karibu é adeus ou qq coisa semelhante em swahili.
Beijos
lique | Homepage | 06.21.05 - 10:38 pm |
Estas foram as respostas no AFIXE:
EsferogrÁfrica é a minha favorita!
Afixado por Monty em junho 21, 2005 12:41 PM
Deve tar giro, mas tá tudo torto e não posso agora andar aqui a virar o monitor...:)
Afixado por catarina em junho 21, 2005 12:51 PM
"Foot Prints" é do melhor. Até dava para fazer uma bela coroporação capitalista:
- Foot Prints Bin da Fauna Holding
era a sociedade-mãe
Subsidiárias:
- Foot Prints Africa Tours
- Foot Prints Office Printers
- Foot Prints Detective Agency
- Foot Prints Calistas Associadas
- Foot Prints Bragança Relax Club
- Foot Prints OffShore Madeira
- Foot Prints Finantial Nigeria
- Foot Prints Evangelical Church
Que tal? Lançamos um IPO?
Afixado por gibel em junho 21, 2005 01:18 PM
Foot Prints é um tema de jazz...
Afixado por susana em junho 21, 2005 01:41 PM
Susana,
então esqueci-me de "Foot Prints Speakeasy Jazz Events Incorporated"
Bin,
um grande abraço
Afixado por gibel em junho 21, 2005 03:09 PM
E que tal...?
NAKAWA
que em swaili quer dizer BELO!
Afixado por gibel em junho 21, 2005 03:19 PM
Gibel, o bin passou aqui com um contrato, mas tu não estavas no momento.
Afixado por susana em junho 21, 2005 03:38 PM
Susana, arrazaste a concorrência! É um bocado desleal porque não se pode competir com uma lista dessas.
A Catarina está cheia de razão, o pôr o monitor deitado é que deu uma trabalheira...
Afixado por Emiéle em junho 21, 2005 07:54 PM
Muito, muito bom. Dói-me um bocadinho o pescoço...
Inté
Afixado por uxka em junho 21, 2005 08:59 PM
1 - S.P.P.T.E.A.S.S.S.C.P.O.P.Z. - Sociedade Portuguesa de Promoção Turística de Eventos Africanos, no Sahara e a Sul do Sahara Com Passagem Obrigatória Por Zanzibar, Limitada.
2 - Porquê um nome destes? Porque em Portugal nunca se cria uma entidade sem lhe dar uma designação bastante explícita, e nunca parca em palavras.
ou podia ser só
Zanzibar :)
Afixado por gibel em junho 20, 2005 07:26 PM
Mantorras - Movimento Agênciário do novo Turismo do optimo raiar das recordações africanas solteiras
Afixado por Meteandor em junho 20, 2005 07:33 PM
"Uma agência especializada em África, dedicada à organização de Expedições e Safaris" ou "uma agência especializada, em África, dedicada à organização de Expedições e Safaris"
A primeira vírgula, como aconteceu há uns anos com um ministro (creio) faz toda a diferença...
Abraços e ainda não respondo porque fico á espera do esclarecimento...
Afixado por Mário Cordeiro em junho 20, 2005 07:49 PM
"terra, chuva, coqueiro, palmar, trópico, deserto, espero-que-ainda-haja-gasolina-no-jerikan, leão, sporting, terra-mãe, mãe-áfrica - companhia limitada"
Afixado por gibel em junho 20, 2005 07:55 PM
Perguntinha inocente: e o prémio ? será a viagem com ou sem safari?
Afixado por Emiéle em junho 20, 2005 08:22 PM
Mário, eu creio que é a primeira...mas o Bin, só pagou o passe social e vai pagar o prémio...é melhor esperar por ele...
BIN!!!!!!!!!!!!
"Waiting for the Sun".
Sei lá porquê...porque me imagino no deserto, numa noite de Lua Cheia, a viver o silêncio e de repente...from Los Angeles, Califórnia...
Pronto, isto também é capaz de ter a ver, com o ter que ir a correr p'ra uma reunião...e não ter, assim, muito tempo...logo penso mais...afinal, temos 4 dias...mas vá lá...sempre é mais bonito do que aquele SPPSSSDFGTUYHTRE do Gibel....
Afixado por isabel em junho 20, 2005 08:56 PM
Tal qual como está escrito Mário
Afixado por bin da fauna em junho 20, 2005 08:56 PM
Back to basics.
Ah! Free, cá está. :)
Afixado por susana em junho 20, 2005 10:55 PM
'Afrikhard Paraíso'?
Porque é um nome simples, que pode evocar em simultaneo a aventura e o deslumbre de África.
(se me lembrar de mais algum volto cá)
Afixado por bluegift em junho 20, 2005 11:45 PM
ALI ÁFRICA TOURNÉ
Afixado por João Pedro da Costa em junho 21, 2005 12:43 AM
África sua.
Por motivos óbvios. :)
Afixado por luis n em junho 21, 2005 10:37 AM
PA, Pure Africa
PA lê-se e diz-se bem em qualquer lingua
Pure Africa qualifica a viagem para bem longe ao continenete berço, e torna-a aliciante pois a aventura esperada será definida por essa mesma expressão "pure africa"
Afixado por João Ribeiro em junho 21, 2005 11:30 PM
Afixado por Isabel às 05:33 | Afixadelas (20)
junho 21, 2005
Jean Paul Sartre - 100 anos
21 de Junho de 1905 - 21 de Junho de 2005

O ser humano está condenado à liberdade.
Afixado por Isabel às 12:39 | Afixadelas (9)
Razão para as emoções

Não me tem apetecido falar de factos. Tenho tido vontade de falar de sentimentos e de emoções. Não porque os factos me tenham deixado de interessar, mas porque na vida, cá fora, ando um bocadinho cansada deles. O Afixe é, assim, para além do prazer diário de vos encontrar, a terapia necessária para aguentar, contornar, responder aos factos e aos desafios terrenos do dia a dia. Depois, como esta manhã, há factos duros e reais que vêm ter comigo. Não tenho como lhes escapar.E, de novo, volta a vontade, de me refugiar em afectos.
Para terminar o dia, ou começar um novo, depende da perspectiva, um poema do Vinicius de Moraes, que fala de ternura.
Para que o sono chegue e os fantasmas se aconcheguem um pouco.
Ternura
Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afecto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar estáctico da aurora
Afixado por Isabel às 00:25 | Afixadelas (5)
junho 20, 2005
Enteados da vida

Esta manhã levantei-me cedo. O João Pedro vai fazer o tal exame de Português do 9º ano, que não serve para nada, mas que o Ministério decidiu manter e os Professores decidiram complicar.
Decidi sair de casa com ele e ir tomar o Pequeno Almoço fora. Apesar de ambos sabermos que o resultado em nada contribuirá para qualquer alteração no resultado final, notava-lhe um certo e indisfarçável nervosismo.
Deixei-o no autocarro e vinha, a pé, para a empresa quando ouvi uma voz conhecida, chamando “Isabel”. Uma voz conhecida, mas que, notei logo ainda antes de me voltar, não ouvia, há uns 15 anos.
Voltei-me e não reconheci o “dono da voz”.
À minha frente tinha um homem que aparentava muito mais de 50 anos, magrérrimo, de olhos sem luz e de expressão triste.
Parei. Procurei na minha memória de onde conhecia aquela voz. Aquela pessoa eu tinha a certeza que não conhecia.
“Sou o Zé ...”. Fiquei parada, estática. Como se o mundo à minha volta se tornasse, de repente, um mundo desconhecido, novo. Aterrorizador. Incrivelmente frio e triste.
O Zé... tem menos 7 anos que eu, era um homem inteligente, cheio de charme, lindo. Vivia rodeado de “amigas”. Creio que cada uma das suas dezenas de amigas (eu incluída) sonhávamos sempre, que um dia, depois dum copo, das dezenas que tomávamos juntos, a nossa amizade, pudesse, quem sabe, tomar um pouquinho de cor...Nunca tomou. Mas em todas as ocasiões que nos encontrávamos, eu pensava: este é o homem com que todas as mulheres sonham.
Estava com tempo. Fui beber um café. Perguntou-me se o teria reconhecido. Confessei-lhe que não.
Contou-me coisas da sua vida. Uma vida cheia de perdas, de enganos, de caminhos sem saída.
Estava desempregado. Estava sozinho. Há anos que perdera os amigos que se “alimentavam” da sua inteligência, do seu charme, da sua beleza.
Perguntei-lhe porque nunca me procurou. Continuo a trabalhar no mesmo sítio, onde tantas vezes me esperou.“Por vergonha”, disse.
Recordei uma frase que em 75, os meus amigos e companheiros de jornada usavam, cada vez que eu, com os problemas existenciais, próprios do ínicio de adolescência, aparecia angustiada e cheia de dúvidas “O que é isso comparado com a luta de classes?”.
Esta manhã, ali, num café da Gomes Freire, sentada em frente dum desconhecido, que me contava com voz embargada, que a vida não tinha sido madrasta, ele é que não tinha sabido nem querido aproveitar as oportunidades que ela lhe dera, não usando o termo dos meus companheiros de jornada de há 30 anos, não resisti a perguntar-me, baixinho, quando nos separámos “ O que são os meus pequeninos problemas, comparados com esta vida?”.
O Zé agradeceu-me o café, o tempo que estive com ele e antes de partir disse-me “Estás tão igual, Isabel. E isso sabe tão bem...”.
Obrigado, amigo. Acredita que lamento não poder ter dito o mesmo, sem ser hipócrita.
Talvez, um dia, quem sabe? Talvez ainda vás a tempo de aproveitar outra oportunidade. Da vida que, às vezes, não sendo madrasta, tantas vezes somos nós que nos fazemos enteados.
Afixado por Isabel às 09:38 | Afixadelas (16)
junho 19, 2005
FNAC do Chiado - 18 de Junho
Confesso que fiquei impressionada. Como é que conseguiste nunca ter bebido um golinho, pequenininho que fosse, de água?
E completamente siderada, por nunca teres começado uma frasezinha com um “Então é assim”. Siderada, quer dizer invejosa, mas sem parecer mal, entendes?
Estou a ganhar coragem para te propor umas aulas. Claro que eu escolho o tema...mas tu dás a técnica.
Confesso, ainda, que, me contagiaste com a convicção, o prazer que se te descobria, em cada frase e em cada resposta.
Confesso que gostei da cadeira transformada em mesa, e do copo de plástico transformado em cinzeiro.
Reconheço que estava com saudades vossas. Culpa da vida ocupada que nos impede de nos encontrarmos mais vezes.
Gostei que estivessem todos iguais. Ou, tá bem, eu sou sincera, um bocadinho mais bonitos.Todos.
Confesso, por fim, que me soube bem, já vos ter voltado a encontrar por aqui, hoje. Ainda bem, que desta vez, não estivemos tanto tempo sem nos reencontrarmos.
Afixado por Isabel às 16:19 | Afixadelas (6)
Aos meus amores

Perguntaste-me, um dia, quando estávamos para partir, o que era, afinal, o amor.
A paixão dos primeiros tempos, o não poder passar sem a tua voz, o teu sorriso, a tua pele. A necessidade de te tocar, de me tocares, o descobrir o teu corpo e a tua alma, o rir por tudo e o chorar por nada. As noites e os dias em que não nos conseguíamos “destocar”. O procurar-te em todos os lugares e o encontrar-te em cada lugar.
Ou seria, o depois, as palavras que já nem sempre se entendiam, as carícias que, às vezes, já não cabiam, os olhares que no horizonte se perdiam, os caminhos que, separados, se começavam a percorrer.
Perguntaste-me se seria a paixão do teu corpo ou a aceitação da distância da tua alma.
Perguntaste se seria as mãos entrelaçadas ou os pensamentos libertados.
Perguntaste se era a prisão do “não caber outro” ou a aceitação de que cabendo outros, continuarias único.
Perguntaste se seria o recomeçar depois de cada partida ou o compreender que era impossível partir. Perguntaste se não seria, ainda, amor, os silêncios cada vez maiores que nos aconteciam. E o cheiro da tua pele que se modificara, mas que, no entanto, ainda era a pele.
Perguntaste e eu perguntei-te. A tua e a minha pergunta nunca tiveram resposta.
Tentei recorrer a poetas, falei na Florbela, no Eugénio de Andrade, para nos ajudar a respondermo-nos.
Apenas nos saiu um sorriso com a recordação de como nos pareceram impossíveis e incompreensíveis, as palavras de Eugénio, cantadas por Carlos Mendes, que ouvíramos em casa de amigos, quando o Mundo ainda nos pertencia.
Acabámos por nos dar uma aproximação de resposta já depois de partirmos. Amor será, talvez, a capacidade de nos ganharmos e de nos perdermos, de te entregares e de te viver, de me aceitares e de te ver partir.
Não se definem sentimentos. Só os poetas o fazem. Porque o cantam. É, creio, um fenómeno semelhante ao que se passa com quem gagueja.
Amor só se define cantando ou amando. Tenho pena de não to ter cantado, então. Pouco tempo depois já seria tarde de mais. Não se cantam amores desaparecidos. A não ser no fado. Mas, apesar, das perguntas sem resposta, foi uma festa, o nosso amor. Uma festa com fim. Como todas as festas. E como todos os amores.
Afixado por Isabel às 14:25 | Afixadelas (6)
junho 18, 2005
E agora...

...algo amazing ou Always look on the Bright Side of Life, para o Monty!!
É mesmo para ti pá! :)
Um abraço,
Bin
Afixado por Isabel às 19:52 | Afixadelas (5)
A montanha pariu...
Se eu não tivesse um Ratinho lindo, que apesar de cada dia mais velhote, continua a ser um ratinho lindo, usaria aquela velha e gasta expressão: a montanha pariu um rato…
Assim, limito-me a dizer, que, vindos de todo o País, não conseguiram ser mais de 400, segundo os próprios organizadores(possivelmente o tal que dizia que era português há 850 anos e não há 30).
Devem ter partido com a convicção de dever cumprido, mas desiludidos com a falta de violência e de sangue. O normal em seres da sua espécie.
Refaço a frase. Seres desta espécie não têm convicções. Têm paranóias. E doses explosivas de ódio e de estupidez. Ah, e falta de cabelo.
Que vão! Para o mais longe possível!
Afixado por Isabel às 17:31 | Afixadelas (15)
junho 17, 2005
Os meus discos

Deve-se passar o mesmo com os discos que com os filmes ou os livros. Quando os ouvimos, tornam-se nossos. Ao longo dos anos, e, se, entretanto, lhes fomos perdendo o rasto, já não sabemos se o que "ouvimos", hoje, é o disco de há 20 anos, ou o disco que fizemos. Com o original, os locais onde o ouvimos, as pessoas com quem o ouvimos. A vida em que o ouvimos.
Herbert Pagani, o Francês, o Italiano ou o Líbio, que quando deixou Portugal, pela última vez, levava na mala de viagem, um pacote de SG Gigante, porque um País, para se conhecer, também se tem que fumar, passou comigo, momentos duros de solidão e de desencanto.
Perdi o meu Megalopolis de vista. Possivelmente ficou perdido num dos cantos, por onde, fui fazendo a minha jornada. Não esqueci nunca o verdadeiro Hino à amizade, ao sonho, à vida, a um Novo Mundo, que eram as suas canções. E ao amor. Enquanto o mundo acabava lá fora, Pagani cantava a vida, sem desespero. Com certeza (s).
Enquanto o meu mundo ameaçava ruir lá fora, ouvir L’Amitié, por exemplo, foi um dos tais barcos, que me levou a bom porto.
Megalopolis não foi o fim do Mundo, foi a certeza que lhe era possível sobreviver.
Cantando e vivendo a amizade, o amor e a liberdade.
Morreu cedo, aos 44 anos. Mas seguramente, sem nunca ter deixado de fumar as terras e os mundos que visitou.
Afixado por Isabel às 21:55 | Afixadelas (8)
Hino

Porque amanhã é dia 18 de Junho de 2005.
Afixado por Isabel às 19:47 | Afixadelas (4)
9º F

Ontem, fui à escola do meu filho pagar a viagem de finalistas do 9º ano, que vai decorrer na próxima semana.
A turma estava reunida, porque as notas acabavam de ser afixadas.
Quase que não se ouvia falar. Era evidente a tristeza geral no olhar. Parei e perguntei, mais ou menos, assustada o que se tinha passado: “As notas foram más?”. “Não”, responderam, quase em uníssono. “Só uma ou duas...”. ”Não vai haver viagem de finalistas?”. “Claro que vai, mãe”´, respondeu o meu filho.
“Então, podem dizer-me o que é que se passa, para estar tudo com ar de enterro?”.
“São as últimas pautas que vimos todos juntos”, disse a Eva.
Olhei-os, um a um. Talvez, nesta geração, já não haja a história parva de que os homens não choram. O brilhozinho teimoso nos olhos, era comum.
Afastei-me de mansinho, mas, ainda, ousei dizer um tímido “Mas ainda vão sair as pautas dos exames de Português e Matemática...” Alguém respondeu, com uma voz, ligeiramente, irritada “ Mas essas não vêm por turma, vêm por ordem alfabética...”.
Que estupidez a minha. Devia-me ter passado pela cabeça que não era a mesma coisa.
Afixado por Isabel às 12:12 | Afixadelas (14)
"O pirilampo e a cobra!"

Recebido por Email:
"Era uma vez uma cobra que começou a perseguir um pirilampo que só vivia para brilhar...! Ele fugia rápido, com medo da feroz predadora e a cobra, nem pensava em desistir. Fugiu um dia e nada; ela não desistia. No terceiro dia e já sem forças, o pirilampo parou e disse à cobra:
- "Posso fazer-te três perguntas?"
- "Podes. Não costumo abrir esse precedente para ninguém mas já que te vou comer, podes perguntar."
- "1.º - Pertenço à tua cadeia alimentar?"
- "Não!"
- "2.º - Fiz-te alguma coisa?"
- "Não!"
- "3.º Então porque é que me queres comer?"
- "PORQUE NÃO SUPORTO VER-TE BRILHAR!!!"
Afixado por Isabel às 09:50 | Afixadelas (9)
Mali >> Sul >> Koulikoro >> Tienfala - Aïssata 8 anos
(clique na foto para aumentar)
Photo © Gaby Gobou
Aqui fica este sorriso puro da Aïssata para todos os afhixadores e para toda a gente que passa aqui pelo Afixe.
Abraço,
Bin
Afixado por Isabel às 02:31 | Afixadelas (5)
junho 16, 2005
"Amar é ser feliz"

Quanto mais envelhecia, quanto mais insípidas me pareciam as pequenas satisfações que a vida me dava, tanto mais claramente compreendia onde eu deveria procurar a fonte das alegrias da vida.
Aprendi que ser amado não é nada, enquanto amar é tudo.
O dinheiro não era nada, o poder não era nada.
Vi tanta gente que tinha dinheiro e poder, e mesmo assim era infeliz.
A beleza não era nada.
Vi homens e mulheres belos, infelizes, apesar de sua beleza.
Também a saúde não contava tanto assim .
Cada um tem a saúde que sente.
Havia doentes cheios de vontade de viver e havia sadios que definhavam angustiados pelo medo de sofrer.
A felicidade é amor, só isto.
Feliz é quem sabe amar.
Feliz é quem pode amar muito.
Mas amar e desejar não é a mesma coisa.
O amor é o desejo que atingiu a sabedoria.
O amor não quer possuir.
O amor quer somente AMAR .
Herman Hesse
Afixado por Isabel às 10:51 | Afixadelas (11)
junho 15, 2005
Chobe River - Botswana
(clique na foto para aumentar)
Photo © Suha Derbent
Rui Knopfli escreveu no seu livro "O país dos outros", 1959
Naturalidade
Europeu, me dizem.
Eivam-me de literatura e doutrina
europeias
e europeu me chamam.
Não sei se o que escrevo tem a raiz de algum
pensamento europeu.
É provável... Não. É certo,
mas africano sou.
Pulsa-me o coração ao ritmo dolente
desta luz e deste quebranto.
Trago no sangue uma amplidão
de coordenadas geográficas e mar Índico.
Rosas não me dizem nada,
caso-me mais à agrura das micaias
e ao silêncio longo e roxo das tardes
com gritos de aves estranhas.
Chamais-me europeu? Pronto, calo-me.
Mas dentro de mim há savanas de aridez
e planuras sem fim
com longos rios langues e sinuosos,
uma fita de fumo vertical,
um negro e uma viola estalando."
Um Abraço,
Bin
Afixado por Isabel às 16:55 | Afixadelas (4)
Pedaços

Quando, numa semana partem três figuras, que fazem parte da nossa história recente, quando fomos também nós, na nossa modesta e incógnita forma, protagonistas dessa história, a razão pura não é possível.
A vida é feita de encontros. Com pessoas com quem se descobre afinidades e com quem se descobre divergências. Que se amam. E que nos são indiferentes. Que se respeitam. E que se ignoram. Com quem se criam laços. E com quem nunca se criam. Que se criticam. Se repudiam. Se negam. Com quem se aprende.
Mas só somos o que nos tornámos porque se viveram esses encontros. Se conheceram essas pessoas. Se amaram. Se odiaram. Se combateram. Ou juntos, se percorreram caminhos.
Só as pessoas que nunca encontrámos, quando partem, nos deixam inteiros. E mesmo essas, até ao dia, em que numa esquina da vida ou do tempo, descobrimos, uma frase, um poema, um acto que nos repugna ou nos encanta.
Não seria o que sou hoje sem Álvaro Cunhal, Vasco Gonçalves, Eugénio de Andrade, Zeca Afonso, Amália Rodrigues, Lurdes Pintassilgo, Salgado Zenha, João Amaral, Mário Viegas, o meu professor de português, o meu avô Sousa, o Castela da Livraria Apolo de Santarém, a minha avó Inês, o meu vizinho José António, que me ensinou a nadar, na Praia da Nazaré.
Quando, um dia, partiram, eu fiquei mais pobre. O bocado de mim que com eles levaram, nunca recuperei. Nem recuperarei.
Por isso, desde há três dias, fiquei sem alguns pedaços de mim. Mais alguns. Que nunca recuperarei.
Porque amei essas pessoas? Porque me farão falta? Porque as odiei?Apenas, porque, um dia, as encontrei.
Afixado por Isabel às 11:14 | Afixadelas (12)
Zambezi River - Expedition in 1891

Brevemente vou estar aqui, em Victoria Falls - entre o Zimbabué e a Zâmbia.
Tentarei tirar uma foto deste ângulo também a preto e branco, para vos trazer.
Abraço,
Bin
Afixado por Isabel às 01:18 | Afixadelas (8)
junho 14, 2005
Celtic Dreams


Afixado por Isabel às 01:58 | Afixadelas (7)
Todos os dias são..
Faltava isto:
LEIAM
Um Abraço,
Bin
Afixado por Isabel às 01:31 | Afixadelas (1)
Isabel's 10th

Depois de muito pensar, encontrei a bitola para medir o estado da minha vida afectiva.
A minha bitola é o número 10.
Tenho aquela opção da TMN que se chama VIPs. Escolhe-se 10 números para os quais se liga mais e que ficam mais baratos.
Dos 10, oito estão sempre ocupados. Raramente mudaram. Incluem o meu filho, os meus pais, a empresa (eu sei que esta não tem muita lógica, mas dá jeito, para dizer que estou atrasada), o fixo de casa e aqueles quatro amigos para quem, regularmente, ligo.
Os outros dois, ficam disponíveis para as emergências. Normalmente para um amigo mais recente, um deles, e, o outro, para o amigo mais recente.
Depois de algum tempo, diria, porque não estou, aqui, para enganar ninguém, um tempito razoável ter estado desocupado, há pouco menos de um mês, liguei à menina da TMN e lá introduzi um novo nº 10. A minha lista VIP deve ter regalado os olhos de espanto.
Não ficou com problemas oculares graves, a lista, porque o espanto durou pouco. Já se pode retirar. Lá voltam a ficar os nove. Tenho a impressão que, desta vez, bati o record.
Nalgumas coisas devo estar a atingir a velocidade de cruzeiro. A desocupar o nº10, por exemplo. Não sei se é muito grave. Mas sei que a TMN não está preparada para tanta velocidade. A inclusão dum número na lista, tem que se manter, pelo menos um mês. Hoje, a menina disse que só posso alterar no dia 17. Feitas bem as contas ainda faltam 4 dias, em que vou ter o nº 10 ocupado desnecessária e inutilmente.
Estou a pensar enviar uma carta à TMN a propor a alteração do período para duas semanas? Ou será melhor uma?
Afixado por Isabel às 01:00 | Afixadelas (2)
junho 13, 2005
A Calçada da vida

Não sei se já vos disse que vivo ao cimo duma Calçada. Íngreme, uma das calçadas que sobem uma das colinas de Lisboa.
Quando começo a descer a minha Calçada, ao longe, vejo o Tejo azul e a outra margem.
Desço sempre lentamente a minha Calçada. Gosto de ir, aos poucos, saboreando o azul do Tejo e o azul do Céu, que lá, ao fundo, se unem.
A partir do meio da Calçada, o casario começa a interpor-se entre mim e o Tejo. Lentamente, o meu rio vai ficando mais pequeno. Sempre mais pequeno.
Há uma altura em que já só vejo a outra margem. Sei, no entanto, que o Tejo é o caminho, e continua lá. Apesar de escondido pelas casas.
De repente, a outra margem desaparece. Paro, quase sempre, fecho os olhos e reabro-os, esperançada que ela não tenha, de facto, desaparecido. Quando os reabro, apenas vejo as casas do fim da minha Calçada. Os obstáculos entre mim, o Tejo, a outra margem e, por fim, entre mim e o Céu azul, estão ali, à minha frente, fortes, intransponíveis.
À medida que desço a minha Calçada e me aproximo do Tejo, ele foge de mim. Com a outra margem. Fico sozinha, frente a frente, com o casario.
Nunca saberei porque escolhi viver num local, que tanto se assemelha à minha vida. Força do acaso? Ou, apenas, forma de me habituar a ela, continuando a descer, lentamente, a Calçada?
Afixado por Isabel às 16:50 | Afixadelas (5)
Vidas II
Frente a frente
Nada podeis contra o amor,
Contra a cor da folhagem,
contra a carícia da espuma,
contra a luz, nada podeis.
Podeis dar-nos a morte,
a mais vil, isso podeis
- e é tão pouco!
Poema de Eugénio de Andrade
Outras palavras ficarão, também, para mais tarde.
Afixado por Isabel às 11:15 | Afixadelas (1)
Vidas I

Pintura de Álvaro Cunhal
Palavras ficarão para mais tarde.
Afixado por Isabel às 11:09 | Afixadelas (4)
Decretado o fim da Revolução
A JSA reunida em reunião permanente, decidiu, por unanimidade, depois de ter recebido o abaixo-assinado, abaixo publicado:
1 - Suspender, de imediato, as buscas e os processos de extradição dos aphixadores.
2 – Congratular-se pela sua autocrítica colectiva.
3 – Agradecer todo o apoio das massas, bem como o acompanhamento que os órgãos de Comunicação Social dispensaram à nossa luta.
4 – Suspender a Revolução
A JSA, considera, no entanto, que deverão ser dadas, algumas tarefas específicas, aos aphixadores, agora reintegrados.
A saber:
1 – Encarregar o Monty de fazer um post sobre o novo treinador do Benfica, o Gibel sobre o trânsito da Lua e a Susana de publicar, nas próximas 24 horas, a receita do arroz doce.
2 – Colocar os outros aphixadores que, para já, não têm tarefas distribuídas, de serviço no próximo Natal e Passagem de Ano.
3- Deitar fora o portátil da Émiéle.
P’la Junta de Salvação do Afixe
A presidente
Isabel
Afixado por Isabel às 00:52 | Afixadelas (16)
Recebido por Email
À Junta de Salvação do Afixe
Nós, abaixo assinados, vimos por este meio, pedir que não nos enviem para os Estados Unidos. Estamos arrependidos de ter abandonado o Afixe e não ter cumprido os nossos compromissos, colocando à frente da Missão, os nossos interesses pessoais.
Agradecemos a quem, na nossa ausência, zelou pelo bom nome e pela sobrevivência do Projecto.
Reiteramos o nosso total apoio às massas e ao PREC.
Colocamo-nos ao serviço da Revolução para, com todos os meios ao nosso alcance, tornarmos o Afixe, maior e melhor.
Congratulamo-nos com o apoio popular que a vossa justa luta desencadeou.
Saudações
(Seguem-se 9 assinaturas ilegíveis)
Afixado por Isabel às 00:41 | Afixadelas (2)
junho 12, 2005
Frango Shahjahani - Enquanto esperam pelo próximo comunicado da J.S.A.

(clique na foto para aumentar)
Nota Prévia: Depois de subir esta Montanha, terá colhido todos (ou não) os ingredientes necessários para este prato.
Uma receita de frango originária das cozinhas dos Imperadores Mughal.
Tempo de preparação: 15 minutos - Tempo de cozedura: 35 minutos - 4 pessoas
Ingredientes
5 Colheres de sopa de óleo vegetal
2 folhas de louro
3 paus de canela
8 cardamomos
1/2 colher de chá de cominhos pretos moídos
8 cravinhos
200g de cebolas picadas
1 colher de chá de açafrão-da-índia moído
2 colheres de chá de malagueta amarelha ou vermelha, em pó
25 g de pasta de gengibre
25 g de pasta de alho
100g de pasta de caju
Um frango com 1kg sem pele e cortado em 8 bocados
150g de iogurte
400ml de água quente
Sal, a gosto
3 colheres de sopa de natas
1/2 colher de chá de cardamomo preto moído
Para guarnecer
3 ovos cozidos e cortados aos quartos
1 colher de sopa de coentros frescos, picados
1 colher de chá de juliana de gengibre
1/2 pimento vermelho, cortado em tiras
Bin (Ministro dos Negócios Estrangeiros e das Relações com África)
Preparação
1 - Aqueça o óleo em lume médio e depois junte as folhas de louro, paus de canela, cardamomos, cominhos pretos e cravinhos e deixe ficar até as especiarias começarem a estalar.
2 - Junte a cebola, açafrão-da-índia e malagueta amarela ou vermelha em pó e deixe cozer uns 30 segundos.
3 - Acrescente então as pastas de gengibre, alho, caju e deixe em lume mais uns 30 segundos.
4 - Junte os bocados de frango e deixe cozer uns 10 a 15 minutos em lume médio, mexendo de vez em quando.
5 - Deite o iogurte com a água quente e o sal. Tape o recipiente d deixe 10 a 15 minutos em lume brando, mexendo ocasionalmente.
6 - Adicione as natas e o cardamomo moído. Guarneça com os ovos cozidos, coentros frescos, juliana de gengibre e tiras de pimento vermelho.
Sugestões de acompanhamento
Sirva sobre arroz cozido (Basmati) e acompanhe com raita (iogurte misturado com sementes de cominho fritas em seco e grosseiramente esmagadas e polvilhado com um pouco de malagueta vermelha em pó).
Como fazer a Pasta de Alho e Gengibre
Demolhe 300g de gengibre fresco ou de dentes de alho durante a noite para que a pele amoleça. Depois descasque e pique grosseiramente. Moa no moinho eléctrico ou num almofariz até ficar numa pasta que depois poderá ser guardada num recipiente hermético, no frigorífico, durante 4 a 6 semanas.
Pasta de Caju
Moa 300g de cajus crus no moinho eléctrico ou no almofariz com a quantidade suficiente de ólea de amendoim ou outro óleo vegetal, para obter uma massa espessa. Passe no moinho eléctrico ou moa até ficar um creme sem grumos. Guarde no frigorífico em recipiente hermético.
Nota: Se existirem dúvidas Digam!
Bin
Afixado por Isabel às 17:15 | Afixadelas (17)
UTOPIA

(clique na foto para aumentar)
"UTOPIA
Cidade
Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
gente igual por fora
Onde a folha da palma
afaga a cantaria
Cidade do homem
Não do lobo mas irmão
Capital da alegria
Braço que dormes
nos braços do rio
Toma o fruto da terra
E teu a ti o deves
lança o teu
desafio
Homem que olhas nos olhos
que não negas
o sorriso a palavra forte e justa
Homem para quem
o nada disto custa
Será que existe
lá para os lados do oriente
Este rio este rumo esta gaivota
Que outro fumo deverei seguir
na minha rota?"
José Afonso
Nota: Este poema é dedicado a todos os que acreditam na Utopia.
Um Abraço,
Bin
Afixado por Isabel às 17:01 | Afixadelas (2)
DESOBEDIÊNCIA: A VIRTUDE ORIGINAL DO HOMEM
DESOBEDIÊNCIA: A VIRTUDE ORIGINAL DO HOMEM
Oscar Wilde
(in The Social Soul of a Man uder Socialism, 1891)
"Pode-se até admitir que os pobres tenham virtudes, mas elas devem ser lamentadas. Muitas vezes ouvimos que os pobres são gratos à caridade.Alguns o são, sem dúvida, mas os melhores entre eles jamais o serão. São ingratos, descontentes, desobedientes e rebeldes - e têm razão. Consideram que a caridade é uma forma inadequada e ridícula de restituição parcial, uma esmola, geralmente acompanhada de uma tentativa impertinente, por parte do doador, de tiranizar a vida de quem a recebe. Por que deveriam sentir gratidão pelas migalhas que caem da mesa dos ricos? Eles deveriam estar sentados nela e agora começam a percebê-lo. Quanto ao descontentamento, qualquer homem que não se sentisse descontente com o péssimo ambiente e o baixo nível de vida que lhe são reservados seria realmente muito estúpido."
Nota: No seguimento dos nossos comunicados, publicamos este texto que se insere no Processo Revolucionário Em Discurso Interactivo Online (PREDIO)e na Vida.
Leiam com muita atenção,
Saudações Revolucionárias da J.S.A. - Junta de Salvação do Afixe
Bin (Ministro dos Negócios Estrangeiros e das Relações com África)
"Qualquer pessoa que tenha lido a história da humanidade aprendeu que a desobediência é a virtude original do homem. O progresso é uma conseqüência da desobediência e da rebelião. Muitas vezes elogiamos os pobres por serem econômicos. Mas recomendar aos pobres que poupem é algo grotesco e insultante. Seria como aconselhar um homem que está morrendo de fome a comer menos; um trabalhador urbano ou rural que poupasse seria totalmente imoral. Nenhum homem deveria estar sempre pronto a mostrar que consegue viver como um animal mal alimentado. Deveria recusar-se a viver assim, roubar ou fazer greve - o que para muitos é uma forma de roubo. Quanto à mendicância, é muito mais seguro mendigar do que roubar, mas é melhor roubar do que mendigar. Não! Um pobre que é ingrato, descontente, rebelde e que se recusa a poupar terá, provavelmente, uma verdadeira personalidade e uma grande riqueza interior. De qualquer forma, ele representará uma saudável forma de protesto. Quanto aos pobres virtuosos, devemos ter pena deles, mas jamais admirá-los. Eles entraram num acordo particular com o inimigo e venderam os seus direitos por um preço muito baixo. Devem ser também extraordinariamente estúpidos. Posso entender um homem que aceita as leis que protegem a propriedade privada e admita que ela seja acumulada enquanto for capaz de realizar alguma forma de atividade intelectual sob tais condições. Mas não consigo entender como alguém que tem uma vida medonha graças a essas leis possa ainda concordar com a sua continuidade. Entretanto, a explicação não é difícil, pelo contrário. A miséria e a pobreza são de tais modos degradantes e exercem um efeito tão paralisante sobre a natureza humana que nenhuma classe consegue realmente ter consciência do seu próprio sofrimento. É preciso que outras pessoas venham apontá-lo e mesmo assim muitas vezes não acreditam nelas. O que os patrões dizem sobre os agitadores é totalmente verdadeiro. Os agitadores são um bando de pessoas intrometidas que se infiltram num determinado segmento da comunidade totalmente satisfeito com a situação em que vivem e semeiam o descontentamento nele. É por isso que os agitadores são necessários. Sem eles, em nosso estado imperfeito, a civilização não avançaria. A abolição da escravatura na América não foi uma conseqüência da ação direta dos escravos nem uma expressão do seu desejo de liberdade. A escravidão foi abolida graças à conduta totalmente ilegal de agitadores vindos de Boston e de outros lugares, que não eram escravos, não tinham escravos nem qualquer relação direta com o problema. Foram eles, sem dúvida, que começaram tudo. É curioso lembrar que dos próprios escravos eles recebiam pouquíssima ajuda material e quase nenhuma solidariedade. E quando a guerra terminou e os escravos descobriram que estavam livres, tão livres que podiam até morrer de fome livremente, muitos lamentaram amargamente a nova situação. Para o pensador, o fato mais trágico da revolução francesa não foi o de que Maria Antonieta tenha sido morta por ser rainha, mas que os camponeses famintos da Vendée tivessem concordado em morrer defendendo a causa do feudalismo."
Nota: No seguimento dos nossos comunicados, publicamos este texto do Oscar Wilde que se insere no Processo Revolucionário Em Discurso Interactivo Online (PREDIO)e na Vida.
Leiam com muita atenção,
Saudações Revolucionárias da J.S.A. - Junta de Salvação do Afixe
Bin (Ministro dos Negócios Estrangeiros e das Relações com África)
Afixado por Isabel às 16:52 | Afixadelas (1)
Vasco Gonçalves - 1922-2005

Faleceu ontem, aos 83 anos, o General Vasco Gonçalves.
Vasco Gonçalves chefiou os Governos Provisórios durante o período de 1974 e 1975.
Dele, guardarei, sempre, a imagem dum homem coerente, de convicções e ideais fortes. As divergências não serão, nesta hora, para aqui chamadas.
Para mim, fica a sua imagem de força e de dedicação às coisas em que acreditava. Em que acreditou, até ao fim da sua vida. Recusar-me-ei a guardar qualquer outra.
Poder-se-á sempre discutir os homens e a sua obra, mas, o único julgamento que aceito, que, quer a uns quer à outra, sejam feitos, será o da História.
Afixado por Isabel às 13:50 | Afixadelas (25)
"A maior solidão"

De Vinicius de Moraes:
A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.
A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo,o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.
O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se,o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo.
Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflecte. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o património de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre.
Afixado por Isabel às 11:39
O SOL NASCE A ORIENTE

(clique na foto para aumentar)
Quénia » Tsavo Park
Photo © Jerzy BB
"O SOL NASCE A ORIENTE
(de um quadro de Malangatana)
Povo, de ti canto o movimento
teu nome, canção feita de fronteiras
lua nova, javite ou lança
tua hora, quissange em trança
Do longo longe do tempo
arde minha flecha, meu lamento
minha bandeira de outro vento
aurora urdida nos lábios de Zumbi
De ti guardo o gesto
as conversas leves das árvores
a fala sabia das aves
o dialecto novo do silêncio
e as pedras, as palavras do medo
os olhos falantes da mata
quando a onça posta a sua arte
nos fita, guardada em sua mágoa.
De ti amo a denuncia felina
das tuas mãos quebradas ao presente
a dança prometida do sol
nascer um dia a Oriente"
DAVID MESTRE
Nota: Este post, portanto a foto e o poema, são dedicados aos meus amigos aqui do Afixe e aos outros que por aqui passam.
Afixem o Sol!
Um abraço,
Bin
Afixado por Isabel às 01:43 | Afixadelas (3)
junho 11, 2005
Para o vizinho Bin

Basta ir ao blog do Bin "A mega Fauna", para encontrar imagens lindas de África. Esta, fui roubá-la ao Google, apenas, porque me apetecia oferecer-lhe uma Lua Cheia na sua África.
Porque sim.
Afixado por Isabel às 13:05 | Afixadelas (15)
Sargento Isabel, apresenta-se!!!

Parece que estou de serviço, este fim-de-semana. É o que faz ter uma criança de 1,87m a quem este ano decidiram tirar da cartola uns exames do 9º ano, que, na prática, não servem para nada, a não ser obrigá-lo a estar com a cabeça cheia de equações e de cantos dos Lusíadas, e impedir-me de zarpar, para um bocadito mais longe.
Assim, aqui estou, a tentar manter esta coisa, com uma entradazita que seja, para ver se não damos cabo das estatísticas...até porque, por telefone, a Émièle me informou que apesar do portátil ter ressuscitado, a NET morreu...o que apenas prova que a vida é mesmo uma coisa muito esquisita. Raramente dá para se ter tudo vivo, ao mesmo tempo. E que o Jorge Morais tinha razão, quando dizia que não a devíamos deixar ir de férias.
Como parece que o Sol, aqui em Lisboa, decidiu andar a brincar às escondidas, vou trocar a ida à Praia por uma ida, a pé, ao Castelo. Faz bem ao coração, faz bem à alma e não tem, creio, efeitos secundários.
Volto logo. Até lá, tenham um bom dia. Quanto à NET da Émièle, que descanse em paz.
Afixado por Isabel às 12:34 | Afixadelas (2)
Canção da Paciência

Ontem, um amigo falava-me desta canção do Zeca, do álbum “Como se fora seu filho”, de 1983.
Porque a paciência é uma virtude que muitas vezes não tenho, e que, neste momento, reconheço, muita falta me tem feito, porque um amigo é um amigo e o verdadeiro gozo de os ter é com eles poder partilhar palavras, sonhos, dúvidas, alegrias, medos e poemas, aqui fica.
Para ele, para mim e para, mais uma vez, trazer o Zeca ao Afixe.
Muitos sóis e luas irão nascer
Mais ondas na praia rebentar
Já não tem sentido ter ou não ter
Vivo com o meu ódio a mendigar
Tenho muitos anos para sofrer
Mais do que uma vida para andar
Bebo o fel amargo até morrer
Já não tenho pena sei esperar
A cobiça é fraca melhor dizer
A vida não presta para sonhar
Minha luz dos olhos que eu vi nascer
Num dia tão breve a clarear
As águas do rio são de correr
Cada vez mais perto sem parar
Sou como o morcego vejo sem ver
Sou como o sossego sei esperar
Afixado por Isabel às 12:07 | Afixadelas (3)
junho 10, 2005
Lisboa - 10 de Junho

Rossio:
O Rossio está igual ao Rossio dos Domingos. As cores da roupa africana quebram a monotonia da cor do calor abrasador. Sente-se que as pessoas que ali estão, se sentem em casa. Gosto de os ouvir sentir em casa. Cada vez que passo no Rossio, num Domingo ou num feriado, sinto-me em África. Gosto das cores, dos sons, das poses, passando por entre a neblina que o calor provoca.
Esplanada entre o Rossio e a 1º de Dezembro:
Para além de nós, a esplanada só tem turistas. Em pé, uma mulher, ainda jovem, fala, em inglês e em Português. Está de pé e fala alto. Repete vezes sem conta que está bêbada, que não é prostituta e que o namorado, após dois anos de namoro, a deixou. Acrescenta que ele se casou hoje, em Bruxelas.
Há turistas que tiram fotografias. Ela não chora, não grita. Fala alto. Nas duas línguas em que imagina que a vão entender. Quer que a ouçam contar a sua história. Ao longe, duma janela da praceta, sai a voz da Amália. Somos assim, temos o fado como forma de estar.
Entrada do metro do Rossio:
Um homem ainda jovem, está caído, a dormir, no chão. Não sei quantos graus estão em Lisboa. As pessoas que passam não param, não olham. Nós olhamos e nada fazemos. Fazer o quê? Pergunta o João Pedro. Não tenho resposta para lhe dar.
Relembro Fassbinder. Um filme que vi há mais de 20 anos “O direito do mais forte à Liberdade”. Berlim está ao fim da Calçada. E, cada vez mais, somos todos personagens dos seus filmes.
Jardim do Torel:
Ao longe vimos o Tejo e a outra banda. Um casal jovem, troca promessas e carícias debaixo duma das poucas sombras disponíveis.
No lago, há patos que se espreguiçam e, na relva, dois pequenos galos que brincam. Numa mesa um grupo de homens joga às cartas. E num banco, um grupo de mulheres faz crochet.
Paramos por momentos, O João Pedro diz “bem, pelo menos aqui, não são só desgraças…”.
É, filhote, às vezes, numa quente tarde de Lisboa quase deserta, ainda há locais em que Berlim está longe. E em que as notas tristes dum fado de Amália, não chegam.
Afixado por Isabel às 18:25 | Afixadelas (8)
junho 09, 2005
Os meus discos

Uma viagem fascinante pela música celta. Da Escócia, da Irlanda, do Pais de Gales, passando pela Bretanha, pelas Astúrias e pela Galiza.
A minha viagem frequente aos sons que, hoje, me enchem a alma. Um dos discos que fui juntando e me foram permitindo descobrir esta música única e envolvente. Dos violinos, dos acordeons, das gaitas de foles, vinda directamente dos vales irlandeses e levando-me de mansinho ou freneticamente até aos campos da Galiza.
Mais do que uma paixão, um feitiço.
Afixado por Isabel às 19:32 | Afixadelas (10)
Obrigado - II

Aqui há uns tempos escrevi um post sobre os homens. Ontem, à noite, ao relê-lo, dei-me conta de que de seres tão perfeitos como os nossos companheiros de viagem(ns) ficam sempre pontos por falar.
A sua preocupação constante com o estado (poderia escrever estádio, não fosse logo haver algum mal intencionado ver, nisto, qualquer subentendido...)da relação, por exemplo.
Desde o primeiro dia, desde o primeiro momento, que os homens se preocupam com o que estamos a viver e a sentir. Com a relação que desabrocha.
Quando, após ter deixado o copo em cima da mesa da sala, nos convencemos que vamos dar uso à compra dessa tarde na farmácia da esquina, uma voz terna mas segura, interrompe-nos os impetos e diz: "Querida temos que falar!!!" "Falar, agora? Falar de quê???" "Falar de nós, da nossa relação. O que é que isto significa para ti? Um puro acto de prazer? O que sentes por mim???". Interrompemos a medo "Mas não podemos falar, a seguir, enquanto fumamos um cigarro???" "Sabes bem que nenhum de nós fuma..." "Tá bem...sem fumar um cigarro..." "Não, meu amor, esta conversa tem que ser agora...".
Passadas duas horas estamos na fase de ele saber, quem foi o último, quanto tempo durou, porque acabou, se sofremos muito...
Cinco horas depois de ter deixado o copo na sala e meia hora depois de ter começado a dar uso à compra da tarde, dizemos numa voz tímida " Querido, estou cansada. Acho que vou dormir..." "Qual dormir, meu amor. Agora vamos falar..." "Mas nós não fumamos..." "Não faz mal...então diz lá, minha flor, como foi? O que sentiste? Foi bom? Gostaste de estar comigo?..."
Esta preocupação manter-se-á durante todo o tempo em que a relação se mantiver, o que para qualquer homem, será eternamente.
Quantas vezes somos interrompidas na arrumação da cozinha ou durante um jogo de futebol, por um, de novo, terno mas firme "Querida temos que falar!" "Falar? Agora? Mas falar de quê?" "Falar da nossa relação, meu bem. Estamos a cair na rotina. Deixou de haver fantasia. Isto é muito perigoso...vá senta-te aqui..." "Mas não podia ser depois de meter a loiça na máquina? " " Não querida, depois já pode ser demasiado tarde".
Cinco horas depois do Monty ou a Émièle já terem feito um post sobre o resultado do jogo, nós continuamos a falar sobre o tédio que se vai instalando, entretanto já ele colocou em cima do sofá os papéis que tinha ido buscar à Agência de Viagens, que fica no outro canto da cidade, e prepara-se para escolher o melhor itenerário das férias que nos irão salvar, a nós e à ameaçada relação.
Lembrei-me dest post, na passada Terça Feira, quando via os "Sete Palmos de Terra". Adoro aquela série. Mas sempre desconfiei que tinha algumas perigosas inexactidões. Ou, apenas, algumas coisas esquisitas, por se passar nos EUA.
Aquela parte do blush, na hora de ir dar o passeio nunca me pareceu muito familiar, mas como já aqui há muitos anos, vi comer croquetes na sala ao lado, até achei que aquilo era possível.
Só que, dizia eu, na passada Terça Feira, algo me deu uma volta ao estômago. Numa cena, em que a mãe da família do blush, recém recasada, vai a uma festa de amigos do recém marido, ouve uma conversa em que duas mulheres contam uma história, sobre o recém, ex namorado de uma delas. A ex do actual da mãe de família do blush, conta que ele, numa conversa telefónica, lhe transmite que a relação entre eles não anda bem e que o melhor é cada um arranjar outros interesses na vi...de repente, corta-se a ligação e acabou-se a conversa. Até hoje (quer dizer ao dia da festa) em que apesar de todas as tentativas dela, ele não voltou a falar nem a dizer, ao menos o...da.
A recém recasada fica chocadíssima. E eu também. Nunca nenhum homem faria algo de semelhante. Eu atrever-me-ia a dizer que qualquer homem, correria para casa para recarregar o telemóvel e voltar a ligar. Logo. Uma relação é uma coisa muito importante na vida de qualquer homem para ficar pendente e dependente da falta de bateria...
Também há a hipótese de ser por aquilo se passar nos Estados Unidos que têm a McDonalds e o Bush...mas não me parece. Apesar dessas duas desgaraças, no fundo, lá, como cá, o homem é o homem. Este ser atento, preocupado, empenhado, desperto cujo papel fundamental é preocupar-se com as relações que, as mulheres duma forma tão leviana, tantas vezes descuram e relegam para 2º, 3º ou, quem sabe, 24º plano nas suas vidas.
Afixado por Isabel às 10:02 | Afixadelas (8)
junho 08, 2005
Eh pá, eu sei que é chato...
8.30 horas: Deixa cá aproveitar, enquanto não chega ninguém, para fazer um postzito......deve ser do calor....???.....!!!.....Porra!!!!
13.45 horas: Desta vez é que sai. Tou aqui sossegadinha, nem faz muito calor. Vim ver a correspondência da CT, vou fazer um postzito. Outra vez???....??.......???.......atina!!!!.....??.......Porra!!!!
19.30 horas: Já tá o jantar feito. Tou aqui calmita, desta vez é que é...vou pôr a imaginação a trabalhar!!!...??????.....que gaita!!!!!!
20.45 horas.....tou feita...????........!!!!......??.....desisto!!!

Desculpem, não tenho culpa. Sempre achei que o pensamento é livre e não temos o direito de ousar exercer sobre ele qualquer tipo de controle. Nem, sequer, de tentar!
Afixado por Isabel às 20:43 | Afixadelas (9)
junho 07, 2005
São uns exagerados, estes socialistas...

(O único objectivo da repetição desta foto, no Afixe, é demonstrar o exagero, supra e sub mencionado...)
A Capital informava hoje (aqui não vai um link, não por levar duas horas a fazer, mas porque a Capital, não tá p’raí virada) que a Concelhia de Lisboa do PS e Manuel Maria Carrilho, andam de candeias às avessas.
Os socialistas queixam-se de que “ele faz tudo sozinho”,“ desrespeita o Partido”, “está mal rodeado” e chega a “ser superficial”.
Não sou socialista e eles lá devem ter as suas razões. Mas há algumas críticas que me parecem um bocado exageradas.
Se nos lembrarmos das fotografias do desfile do 25 de Abril, na Avenida da Liberdade, e do glamour hollyoodesco que delas perpassava e se tivermos passado, hoje, por algum escaparate de jornais e dado uma olhadela na capa da Caras, custa a engolir a história do mal acompanhado...
Para já não falar que ainda há alguns dias ele dizia ao Público que com mais de 500 (quinhentos) especialistas tinha analisado "temas clássicos da gestão da cidade, mas também novas questões, como a problemática da criança e da escola e como tornar Lisboa mais atractiva perante o mundo".
Uma afirmação destas, não só desmente a história do sozinho ( eram quinhentos, e ainda por cima especialistas...que faz com que cada um, valha, pelo menos, por quatro ou cinco normais), como demonstra o exagero de falar em superficialidade. “Uma Lisboa atractiva perante o Mundo” é profundo. Não sei, sinceramente, porque é que põem esse ar mal encarado...
Aquela do desrespeitar o Partido, por razões óbvias não posso contestar, mas as outras, caramba, não exageremos. O candidato socialista parece estar no bom caminho...se não para a Concelhia do PS...olhem, sei lá, pode ser que o Carmona não se queixe…
Afixado por Isabel às 19:11 | Afixadelas (14)
SOCORRO!!!!

Não sou uma tipa muito aventureira. Seria incapaz de fazer alpinismo e nem me imagino a lutar contra uma ondita, que seja, na Praia de Carcavelos.
Andar de avião é mais ou menos um trauma, mas, no resto. sou mais ou menos uma pessoa com medos q.b.
Irritam-me solenemente as pessoas que vêem perigo em tudo. Em todo o lado, há sempre um gato com o rabo de fora.
"Recebi um convite para ir a Maputo. Viagem e estadia, pagas..." "Que bom. Quando é que partes?" "Ah, não aceitei, aquilo agora há lá uma epidemia. É muito perigoso..." "Mas isso é em Angola. E não é bem uma epidemia..." "É tudo em África, nem pensar".
"Ontem tive que sair de casa, estafadíssima, para ir comprar cebolas. Não tinha uma cebolinha em casa..." "Porque é que não mandaste lá o teu filho?" "Ah, não, que horror, ele só tem 10 anos..." "Mas a loja fica no quarteirão, nem tem que atravessar ruas..." "E os raptos, e as coisas perigosas que oferecem aos miúdos? Não lês jornais???".
"Ando com o Manel há dois anos, o homem não me larga, agora só pensa em ir para a cama..." "Dois anos? Vocês dão-se tão bem, qual é o problema? Não me digas que, agora, deste numa de virgem?" "Não pá, não é nada disso. Mas e a Sida???" "A Sida? Então mas, claro, que ias usar preservativo" " Pois é mas, às vezes, rebentam, nem pensar, nessa não caio eu...".
"Gosto imenso do Carlos. Acho que é o homem da minha vida" "Que bom. Tavas a precisar de um gajo..." "Ah, não. Nem penses. Não me meto nisso. Para depois acabar e sofrer??? Pensas que sou imgénua ou quê???".
"Olha parece que estás com dificuldade em respirar. Já foste ao médico? Não pareces constipada..." "Não, não estou. É de propósito. Tu já viste o ar poluído que respiramos??? Os fumos dos carros, o tabaco? Quem é que se pode dar ao luxo de respirar normalmente??? Assim, pelo menos, só entra um bocadinho. Há muito menos perigo".
Conheço alguns espécimes assim. Tenho um, aqui, mesmo ao lado. Alguém conhece algum medicamento? Ou uma vacina? Ou mando-lhe só com um dossier à cabeça e fico à espera do resultado?
Afixado por Isabel às 09:51 | Afixadelas (16)
junho 06, 2005
A sustentada busca da felicidade
A pedido do Monty e depois dum Gin Tónico, duas horas de "Celtic Dreams" aos berros cá em casa e do reencontro com uma amiga com direito a uma velinha amarela nova trazida, directamente, da Dinamarca, aqui vai:

A felicidade - Henri Matisse
Afixado por Isabel às 23:50 | Afixadelas (10)
A insustentável leveza do silêncio

Afixado por Isabel às 18:26 | Afixadelas (10)
junho 05, 2005
A culpa é do calor

Nas tardes de muito calor acontece sempre isto. São tardes em que gostaria de ser poeta. Ou, então, astronauta.
Também não sei bem porquê, uma coisa ou outra. Nesta quente tarde de Domingo, só poderia ser poeta ou astronauta.
Se fosse poeta poderia, talvez, cantar o Sol ou os corpos transpirados de calor e de prazer.
Se fosse astronauta...não sei, se fosse astronauta poderia viajar para longe.
Não que não goste de Sol e de calor. Mas por uma razão qualquer que desconheço o Sol e o calor dão-me vontade de viajar para longe. O que ainda não descobri é se a vontade é de viajar deles, com eles ou para eles.
Só os poetas e os astronautas viajam para longe, nas tardes de Sol abrasador, como a de hoje.
Não sei escrever poesia. Vou perguntar ao meu filho onde posso encontrar uma nave espacial.
Até mais logo, quando o fresquinho voltar.
Ah é verdade, como apesar do Sol desta tarde, não sou, mesmo, poeta, aqui fica, um poema de Álvaro de Campos. Também não sei porquê este. Nem o que tem a fotografia a ver com o poema ou com o Sol. Possivelmente é mais uma vez, por causa do calor. Daí a necessidade urgente de encontrar a nave.
Depus a máscara
Depus a máscara e vi-me ao espelho.
Era a criança de há quantos anos.
Não tinha mudado nada...
É essa a vantagem de saber tirar a máscara.
É-se sempre a criança,
O passado que foi
A criança.
Depus a máscara, e tornei a pô-la.
Assim é melhor,
Assim sem a máscara.
E volto à personalidade como a um términus de linha.
Afixado por Isabel às 18:17 | Afixadelas (5)
junho 04, 2005
No seu melhor!!!!

"Há aqui uns bastardos na comunicação social do continente, e
eu digo bastardos para não ter de lhes chamar filhos da puta...”
Não sou advogada. De leis só percebo um bocadito do Código de Trabalho, porque durmo com ele, mas será, e não estou a falar em moralmente, será que LEGALMENTE, não há nada a fazer a este? Nem ninguém que faça alguma coisa a este?
PS: Tentei escrever homem a seguir ao pronome demonstrativo, mas, por qualquer avaria no sistema, ou talvez, apenas, no teclado, nunca entrou.
Afixado por Isabel às 19:37 | Afixadelas (28)
Obrigado "Expresso"

Hoje fui à rua fazer algumas compras mas deixei fechar a tabacaria do Sr. Jorge. Depois fui à Baixa e esqueci-me que tinha deixado fechar a tabacaria do Sr. Jorge. Agora voltei para casa e cheguei à conclusão que não tinha comprado o Expresso.
A única coisa a fazer para ter um cheirinho de Expresso era ir ao Expresso online.
E lá fui eu...
No Expresso online, a gente vê a primeira página e depois imagina o resto, porque se se clicar nas setinhas aquilo pede porta moedas multibanco e coisas assim.
Então, na capa, entre notícias sem qualquer importância como a dum outro Ministro, o das Obras Públicas, parece-me, para além daquele que nos anda a falar em apertar o cinto, também acumular uma reforma grandota com o ordenado de ministro e do facto da França ter novo Primeiro Ministro, o que também não nos interessa para nada, que aliás o que é que nos há-de preocupar Primeiros Ministros distraídos seja de que País for, para além destas coisas sem importância, dizia, vinha uma chamada de atenção para a Secção de Economia.
Um regalo para os olhos.
Naqueles pequeninos parágrafos à borla, fiquei a saber que cerca de 400 funcionários da CGD andam a ter cursos de formação. Aqui está uma notícia que ma dá particular prazer ver sair na primeira página dum semanário de referência como o Expresso. Só por ela, dei por bem empregue o tempo que perdi a tentar adivinhar o restinho das notícias que não me apetece pagar e que se escondem por trás daquelas setinhas vermelhas.
A formação profissional é um direito de todos os trabalhadores, tem que ser contínua e deve ser uma prioridade de todos os bons gestores. A formação profissional é o meio de que dispomos para tornar os nossos trabalhadores e as nossas empresas competitivas e sair, finalmente, desta cauda que parece que não só não tem fim, como parece querer crescer a cada dia.
Obrigado ao Expresso por me ter dado esta informação, apesar de eu não lhes ter dado o número do Porta Moedas Multibanco.
Bem haja a CGD e o exemplo que dá às empresas portugueses. Felizes os seus trabalhadores que têm a possibilidade de aprender a mastigar com a boca fechada e a desligar os telemóveis durante os casamentos e os enterros.
Comparada com notícias destas, qual é a importância dum Ministro, ou dois ou quem sabe mais uns tantos, não acharem necessário saber distinguir a legalidade da ética?
Comparado com isto qual a importância do PS se esquecer que estamos a quatro meses das autárquicas?
Comparado com a importância de aprender a mastigar com a boca fechada, qual é, digam-me por favor, a importância de Portugal aparecer cada vez mais na caudazinha da Europa, agora até já tendo sido ultrapassado por dois dos novos membros da CE e estar a um passinho de ser ultrapassado pelo terceiro?
Afixado por Isabel às 18:28 | Afixadelas (8)
junho 02, 2005
Sem titulo
Este post não é uma resposta a nada. É, apenas, uma história. Possivelmente como milhares de outras. Verdadeira. Como milhares de outras.
Acontece que te amava. Acontece que em cada momento em que parecia que, nem que fosse por fugazes momentos, irias alterar o caminho que escolheras, eu queria acreditar. Acontece que em cada um desses momentos, eu queria aproveitar a réstea de vida que te passava levemente pelos olhos e pelos gestos. Acontece que, em cada momento, em que te queria agarrar à vida e em que te queria agarrar a mim, nos amávamos. Acontece que um dia o DIU, por um qualquer acaso, que a ciência deverá explicar, não funcionou.
Acontece que fiquei grávida.
Acontece que os momentos fugazes passavam. Acontece que, de novo, voltavas ao teu caminho imparável, inexorável para o fim. Acontece que tinha uma casa para pagar e um emprego que não me dava para sobreviver. Acontece que eras totalmente dependente da heróina e a criança, poderia sair com graves problemas. Ou não.
Acontece que eu não aguentaria ter um bebé e continuar a lutar por ti. Acontece que havia uma parteira conhecida de uma amiga. Acontece que, numa fria Terça Feira de Dezembro, toquei à campainha e entrei.
Anos mais tarde, acontece que, de uma relação casual mas intensa, aí já sem problemas técnicos de DIU, mas por descuido ou contas mal feitas, fiquei grávida. Acontece que estava sozinha. A relação, sabia-o, não sobreviveria à opção de ter o bebé. Acontece que tinha o meu emprego, que, imaginava, que cortanto em quase tudo, daria para o criar. Acontece que sabia que a sua vinda e a sua vida só iria depender da minha força. Acontece que não tinha que ajudar a manter ninguém vivo, nem que ir parar aos bancos do Hospital duas ou três vezes por mês, nem que passar noites procurando nos bares, nos bancos de jardim ou nas valetas
Acontece que o meu filho nasceu.
Acontece que está ali e é feliz. Acontece que, tenho a certeza, se tivesse deixado seguir a minha primeira gravidez, não podia garantir nem a felicidade nem, tampouco, o sustento de meu filho.
Acontece que não me arrependo. Nem tenho remorsos. Acontece que sei que a Lei me puniria. Não fui violada, não corria perigo de vida, o bebé não iria, possivelmente nascer morto. Acontece que eu não aceito a punição.
Afixado por Isabel às 16:44 | Afixadelas (49)
Breve sonata em sol [UM] (Menor, claro)

A solidão da árvore sozinha
no campo do verão alentejano
é só mais solitária do que a minha
e teima ali na terra todo o ano
quando nem chuva ou vento já lhe fazem companhia
e o calor é tão triste como o é somente a alegria
Eu passo e passo muito mais que o próprio dia
Ruy Belo
Afixado por Isabel às 11:06 | Afixadelas (6)
O mar

Antes que o sonho (ou o terror) tecera
mitologias e cosmogonias,
antes que o tempo se cunhasse em dias,
o mar, sempre o mar, já estava e era.
Quem é o mar? Quem é o violento
e antigo ser que destrói os pilares
da terra, e é só um e muitos mares,
e abismo e resplendor e azar e vento?
Quem o olha vê-o pela vez primeira,
sempre. Com o assombro tal que as coisas
elementares deixam, as formosas
tardes, a lua, o fogo da fogueira.
Quem é o mar, quem sou? Sei-o no dia
que virá logo após minha agonia.
Jorge Luís Borges
Afixado por Isabel às 10:58 | Afixadelas (8)
junho 01, 2005
Jogo de Lágrimas

Hoje, ao ter que aceitar, apressadamente, o “meu desafio” ao Bernardo, surgiu-me como primeiro filme o Jogo de Lágrimas ( The Crying Game), de Neil Jordan.
O Neil Jordan de Mona Lisa ou de Michael Collins, entre muitas outras obras-primas.
E surgiu, como me surge sempre, a pergunta: o que nos faz gostar especialmente de algo? Neste caso dum filme? O filme em si, o momento em que o vemos ou o filme que, a partir do original, construimos?
De todos os filmes de Neil Jordan, Jogo de Lágrimas é o meu filme.
Porque fala da Irlanda que eu amo, porque trata de afectos, de cumplicidades que se criam em quem estava predestinado a ser inimigo, porque trata de dúvidas, porque trata de buscas de respostas e de caminhos.
Finalmente, porque se trata de um dos mais belos filmes que vi sobre o amor. O amor que nasce e que, apesar, do inesperado, do espanto, da não-aceitação do outro, acaba por resistir e não morrer. O amor como sentimento absoluto. Em que o outro é o ser amado, seja qual for aquilo que dele viermos a saber ou nele viermos a encontrar.
Recordo que vi o Filme no Cinema King. Recordo que quando terminou ter sentido que tive uma das experiências mais intensas que se pode ter numa sala de cinema. Uma sucessão única de emoções - momentos em que me ri, sorri, tive medo, questionei valores, questionei opções, questionei as minhas próprias lutas, emocionei-me com a cumplicidade entre um soldado inglês e o seu carcereiro, militante do IRA, interroguei-me sobre "a anormalidade" da situação, aqui, quem prende, quem condena, quem pune é o mesmo que luta pela sua libertação, apercebi-me da força do Destino, ou lá como se queira chamar ao tanque dos soldados ingleses que se aproxima na estrada, enterneci-me com a descoberta do outro e entusiasmei-me com a visão da paixão nascente. Finalmente, depois do inesperado, reconfortei-me por continuar a acreditar que Amar, é aceitar o outro. Antes de mais nada. Ou, talvez, apenas isso.
Na altura lembro-me de ouvir alguns “entendidos” falar no filme como um filme de amor em tempo de Sida. O amor sem sexo, sem contacto físico. É por estas e outras razões que nunca hei-de entender os “entendidos”. Aquele amor é tudo, menos um amor diminuído, dilacerado, refém. É um amor cúmplice. Como são todos os verdadeiros amores.
Depois de escrever estas linhas, ao procurar a foto para ilustrar o post, apercebo-me que o filme tem muitas outras cenas e muitos outros enredos. Que não recordo. Prova, talvez, que o meu filme, mais uma vez, não é, exactamente, o do Neil Jordan. Como não sou “entendida”, não me importo nada. Creio que o Neil Jordan, não deve ler o Afixe. So,no problem.
Afixado por Isabel às 22:17 | Afixadelas (4)
AS NOSSAS ESCOLHAS - III
Nota prévia: Os homens são uns exagerados
Segunda nota prévia: Já não há cavalheiros.
O desafio era, um por dia, começando por discos, depois filmes, depois livros: o meu interlocutor, mata logo os coelhos todos, e ala que se faz tarde.
Fiquei à espera, que me informasse a hora, e mete-me lá aquilo, sem o tal pré-aviso de 48 horas, que o Código de Trabalho obriga. Assim, lá tenho que vir, aqui,à pressa, mudar, esta coisada toda.
Nota final: Isabel, já devias ter idade para não te meter com gajos (desculpa Bernardo, mas assim a frio, tens que ser gajo).
Então, se é assim, passemos à coisa:
Filmes:
Jogo de Lágrimas
O Caçador
O Carteiro de Pablo Neruda
O Paciente Inglês
Discos:
Cantigas de Maio, José Afonso
The Doors, The Doors
If I should fell with grace with God, The Pogues
La valse à mille temps, Jacques Brel
Livros:
Cem anos de Solidão, Gabriel Garcia Marquez
Hiroshima, meu amor, Marguerite Duras
Sidhartha, Heman Hess
Até ao Fim, Vergílio Ferreira
Bernardo, devo-te dizer que com esta história de não querer perder o emprego, logo na primeira vez e de te teres antecipado, sem combinares a hora, o que não pode servir de desculpa para apresentar as mesmas escolhas, me roubaste um Filme: o 2001, Odisseia no Espaço. Não estás perdoado. E para a outra vez, vê lá se és mais calminho e mais poupadinho e metes um de cada vez.Obrigado.
Afixado por Isabel às 07:43 | Afixadelas (21)
maio 31, 2005
Marionetes em Évora

Confesso que hoje estou sem inspiração. E cansada. A Émiéle deu as notícias do dia e porque, agora, tenho um ser multimembral e multiorgânico (garanto que sei que estes termos não devem existir, mas não sei como se deve chamar ao ser) no serviço, nem tive tempo de as ler. Abri uma excepção para o dia dos Vizinhos, porque a minha me apanha a roupa.
Confesso que vi o post sobre a masturbação do Sharky e lá me pronunciei, porque, sejamos sinceros, para o prazer a gente sempre arranja um bocadito de tempo e de disposição para pensar, apesar dos multi membros e órgãos estarem de volta de nós, a moerem-nos o juízo. Agora, chego a casa e vejo que tou feita: o contrato dizia um por dia. E até agora não saiu népia.
Tentei pensar no Sócrates que parece que está a falar, mas achei masoquismo a mais, para quem sobrevive a um dia de multis. Pensei em falar doutro prazer qualquer, mas achei que o prazer é para se digerir devagarinho. Se hoje era o dia da masturbação, que nos fiquemos por ela.
Então decidi vir aqui só para vos avisar, que, segundo o Público, num link que eu, agora, aqui faria, mas não tou p’ra isso, começa hoje a IX Bienal Internacional de Marionetas de Évora com a participação de 22 companhias europeias e americanas. Vão ser apresentados 83 espectáculos, a maioria deles, ao ar livre
Ao ler esta notícia, lembrei-me das férias na Nazaré, na infância e no princípio da adolescência, quando uma barraquinha com “Robertos” ia apresentar os seus números, na Praia. Eu comia Tamares, Bolas de Berlim e Bolos de Arroz, que as peixeiras com sete saias vendiam dentro de umas latas enormes com tabuleiros, apaixonava-me cada dia por um puto duma barraca diferente, que nunca sabia que eu estava apaixonada por ele, mas não fazia mal, porque depois vinham os “Robertos” e eu ria-me muito e esquecia o da 2º barraca. Na outra manhã, p’raí às 10h00, cheia de frio e de nevoeiro, que, para a Nazaré, a gente vai sempre com uma certa dose de masoquismo, ainda havia, pelo menos, mais umas 7 ou 8 barraquinhas, só naquela fila, por explorar.
Portanto, quem puder, não se esqueça de ir a Évora ver as marionetes e, se for caso disso, apaixonar-se.
Por mim, vou ficar durante um tempito a pensar se o que me levou a lembrar das férias da adolescência na Nazaré e dos “Robertos”, foi a notícia do Público, para a qual não me apetece fazer o link, ou o post do Sharky, ali mais em baixo.
Afixado por Isabel às 20:04 | Afixadelas (9)
maio 30, 2005
Fim de Crónica - TU

30 de Maio de 1990
“Vá, está na hora de ir para o Bloco Operatório. Como é que passou a noite? Vamos medir a tensão”
“ Passou calma. Dormimos bem…”
“ 12/8??? Porque é que não teve essa tensão sempre e escusávamos de a ter cá tido todo este tempo???? Não vai levar o caderno consigo, pois não?”
“Não, dê-me só um minuto. Deixe-me só escrever uma coisa, pode ser?”
“Um minuto…”
Vai ser a nossa última viagem, contigo dentro deste barrigão, meu amor. Vêm-nos buscar numa maca, vamos descer o elevador. Depois a mãe adormece (foi o que explicou a Sra. Enfermeira), quando acordar, tu estarás deitadinho a meu lado.
Deixa-me tocar só mais uma vez e sentir-te...creio que estás a dormir. Dorme bem, serinho, hoje, vai ser a tua vez de esperares que eu acorde.
Se acontecer alguma coisa...se acontecer alguma coisa...amo-te.
“Então é hoje ou amanhã???”
“Já está, não se zangue comigo”
30 de Maio de 2005
Houve dias e tempos complicados. Houve esperas e solidões que doeram. Houve medos e angústias que magoaram.
Houve muita alegria, muitas palavras, muitos sonhos, muitas descobertas. Muita ternura.
Há muita alegria, muitas palavras, muitos sonhos, muitas descobertas. Muita ternura.
“Vou-me embora, mãe. Já estou pronto, escusas de acordar. Não te esqueças do meu bolo.”
“Não há um beijinho?”
“Toma lá dois, mãe Zabel. Mas não te habitues mal, é só porque hoje faço anos...”
Afixado por Isabel às 11:28 | Afixadelas (23)
maio 29, 2005
Crónica dos últimos dias, antes de ti - 14º dia

29 de Maio de 1990
O médico avisou, ontem de manhã, que só haveria vaga na sala de operações para amanhã, às 11.00 horas.
São 20.45h. Já jantámos e, agora, não vamos poder comer mais nada. Hoje, meu amor, não vai haver chá nem bolachinhas. As próximas que comeres, estarás comigo. Depois, comerás as tuas bolachinhas, sozinho, sem ajuda, apenas com a tua vontade.
Não tenho medo, meu amor. Não tenhas, tu também. Não vais encontrar um Mundo muito bonito, vais encontrar um amor muito grande. Não vais encontrar uma vida muito fácil, vais encontrar muito carinho. Não vais encontrar tudo que gostaria de ter para te dar, vais-me encontrar sempre, com tudo o que tenho para te dar.
Não são fáceis estas últimas horas. É, ao mesmo tempo, uma despedida de nós e os momentos de te preparar as boas-vindas. A avó trouxe o primeiro babygro para te vestir. Pedi-lhe que trouxesse um verde. Da cor do campo que víamos da nossa janela. Amanhã a esta hora vais estar, aqui, juntinho a mim, com um fatinho verde vestido. E preparado para continuarmos a viver.
Vou ter tantas saudades de sentir as tuas cambalhotas dentro de mim, como prazer em te descobrir. Vou sentir tanto a falta dos teus pontapés como vontade de te amar. Mas, tenho a certeza, amanhã e nos dias que se seguem, não vamos ter tempo para ter saudades de nada nem sentir falta do que quer que seja. Amanhã, serinho, a esta hora, vamos ter uma vida para viver.
A enfermeira acabou de trazer o comprimido para dormirmos. Vamos tentar fazer-lhe a vontade.
Até já, João Pedro.
Afixado por Isabel às 16:05 | Afixadelas (13)
As nossas escolhas

Quem vem, regularmente, ao Afixe, já deve ter reparado nas inúmeras semelhanças entre mim e o Bernardo. Pensamos da mesma maneira, somos da mesma geração (aquela boca, do outro dia, foi ele a armar-se em esperto…), estamos muito próximos em termos políticos e somos unha com carne em termos filosóficos.
Com tantas semelhanças, eu diria, mesmo, com esta total identidade de pontos de vista, formas de estar na vida e opções da própria (vida, não da da…), decidi propor um desafio ao Bernardo que ele aceitou, apesar do seu pouco tempo livre, por causa do lançamento de livros, Feiras de Livros e afins, que aliás, coincide, também aí, totalmente com o que é o meu dia a dia. Encontrámo-nos num conhecido restaurante de Lisboa (estivemos mais ou menos oito dias para decidir qual e acabámos por escolher o que nos aconselhou o arrumador de carros da zona, que era onde havia mais lugares vagos, explicou), ele pediu peixe e eu carne, ele pediu vinho branco e eu tinto, o que apenas, e mais uma vez provou, como este empreendimento a quatro mãos, que bem vistas as coisas serão apenas duas mãos e o seu reflexo no espelho, tem tudo para dar certo.
A partir duma data futura mas muito breve (Bernardo, que tal 3ª Feira?) cada um de nós vos vai apresentar em simultâneo, com a regularidade que a completa semelhança de vidas e de ocupações irá tornar possível, o seu disco, o seu filme, o seu livro...a gente, ainda está a discutir outros gostos comuns para partilhar convosco, mas, para já, ficar-nos-emos por aqui. À mesma hora, sem conhecer a escolha um do outro. Com a esperança, entre o gole de branco e de tinto do Restaurante, que tinha lugares, amplamente discutida que, algum dia, consigamos não fazer a mesma escolha, não tornando, assim, a coisa muito monótona para os leitores do Afixe e restantes aphixadores, que poderão, até, em última instância, chegar à conclusão que, com dois Bernardos e duas Isabeis no Afixe, é gente a mais e se pode muito bem, reduzir despesas e mandar um de nós, que afinal, somos o mesmo, o que significará dois de nós, para o Fundo de Desemprego.
Bernardo, vá lá, tenta um bocadinho...lá no baú das nossas semelhanças, somos bem capazes de encontrar uma diferençazita, que evite tão triste sina.
Aos nossos visitantes e leitores, assim como à Gerência desta casa, pedimos um pouco de paciência. Se, ao fim de quatro ou cinco, a coisa se mantiver, comecem, então, a pensar em medidas mais drásticas.
Afixado por Isabel às 12:46 | Afixadelas (5)
maio 28, 2005
Vinte e oitos de Maio

Chegou a casa depois de um dia de trabalho e de duas horas de viagem. As janelas abertas e a casa sem luz, não auguravam nada de bom. Meteu, a medo, a chave na fechadura. Entrou devagarinho. Na escuridão, que invadia toda a casa, não o encontrou. Ao lado da cama, caído, tinha dado mais um passo no caminho que escolhera. Acabou o dia sozinha, na sala de espera, fria, do hospital. Voltou. No outro dia, ela voltaria, a medo, a meter a chave na fechadura.
Faltavam dois dias, para nasceres, meu amor. Apenas faltavam dois dias para te ter comigo. Nada nos iria separar. O pesadelo ficara, definitivamente, escondido naquele recanto da memória, onde só se pode ir, quando se está cheio de força e de vontade de viver. Agora até podia lá ir, tinha a certeza que voltaria intacta. Sentir o bater do teu coração, era a certeza de ter sobrevivido. Sentir os teus pontapés era a certeza que tinha feito a escolha certa.
Faltavam dois dias para te ter comigo. Valia a pena ter sobrevivido. E escolhido. Nunca mais estaria sozinha, nem teria medo do que iria encontrar atrás da porta.
Esperou até ser noite por uma chamada. Todos os amigos o tinham feito. Todos os anos anteriores a tinha feita. Ainda sentia falta da sua presença, da sua voz, do que tinham vivido em comum. Dos caminhos que tinham percorrido, dos projectos em que se tinham lançado. A chamada nunca veio. Soube que não voltaria a encontrar o som da sua voz do outro lado da linha. Não conseguia evitar, ainda, a falta que a sua voz lhe fazia.
O telefone tocou à meia-noite e um. E depois, de novo, às seis da manhã. Ouvi a tua voz. Recebi um ramo de rosas do João Pedro. Entretanto, ao longo do dia, vezes sem conta, fiquei sem palavras e com um nó na garganta. Estou feliz. Obrigado. Pelo 28 de Maio, que hoje, todos me deram a viver.
Afixado por Isabel às 21:00 | Afixadelas (6)
maio 27, 2005
Crónica dos últimos dias, antes de ti - 12 Dia

27 de Maio de 1990
Chegou ao fim o último Domingo, Joãozito.
Hoje, a família, os amigos, os colegas de Lisboa decidiram fazer uma romaria ao Hospital de Santarém. Por momentos, senti-me a mãe da Maria do Céu. E, queres saber? Soube bem!!
Só que estou de rastos e tu também deves estar que a mãe quase que nem te sente. Creio que hoje vamos estar a dormir na hora das bolachas.
Entretanto, logo de manhãzinha, antes de começar a confusão, estivemos na nossa janela. E vimos o Tejo. Creio que foi a força necessária para aguentar a hora da visita.
É bom estar rodeado de amigos, mas não há dúvida, meu amor, e isto é um bocadinho feio de dizer, mas não há dúvida, dizia eu, que os melhores momentos são os que passamos só os dois. Na nossa janela, por exemplo. Aguardando que os últimos dias passem e despedindo-nos destes meses em que nos tivemos, um ao outro, 24 horas em 24 horas.
Estou cansada e um bocadinho melancólica. Não dá para te explicar o que se passa na cabeça e no coração da mãe. Um dia, quando fores maior, e estivermos, os dois, a passear ao pé do Tejo, se descobrirmos, lá de longe, a janela onde te trazia a passear, a mãe tentará contar-te um pouquinho do que se sente nestes últimos dias, em que te tenho só para mim e em que tu só me tens a mim.
Até amanhã, bebé. Dorme bem.
Afixado por Isabel às 21:36 | Afixadelas (4)
A minha janela
Por qualquer razão desconhecida e extremamente injusta para quem aproveitou o fim-de-semana para fazer uma ponte, hoje, amanheceu assim:

Por qualquer razão, quase esquecida, eu olho pela janela do escritório e teimo em ver o Céu, assim:

Obrigada, janela, pelo milagre.
Afixado por Isabel às 09:16 | Afixadelas (20)
maio 26, 2005
Crónica dos últimos dias, antes de ti - 11º dia

Hoje não vamos ter tempo de escrever muito, meu amor. Quando ia a começar a fazer estas notas diárias entrou-me, pelo quarto adentro, uma enfermeira, para me levar a uma enfermaria, a fazer umas coisas técnicas que não te vou explicar, porque para além de não ires perceber, não tiveram piada nenhuma. Nem percebi porque se hão-de fazer estas partes técnicas quando são horas de ir dormir, mas também não perguntei. Queria era fugir dali, e vir para aqui para o nosso cantinho.
Agora, que chegámos, já aí vem o chá e as duas bolachas e, a seguir é hora de recolher. Como nos quartéis...não sabes o que é um quartel? A mãe depois explica, mas não te preocupes que não é nada de muito importante nem com muita piada.
Hoje, o dia voltou a ser cansativo com imensas visitas e imenso barulho. A ciganita que nasceu ontem chama-se Maria do Céu e é muito bonita.
Apesar das partes técnicas chatas e de hoje nos terem dado uma sopa de cebola sem sal, não nos podemos esquecer que este é o último fim-de-semana que aqui vamos passar. Perante isto, ataquemos o armazém das bolachas e, a seguir, vamos fazer ó-ó.
Afixado por Isabel às 23:20 | Afixadelas (5)
As respostas ao Bin

No passado dia 23, o Bin do Grande Fauna, lançou um desafio a alguns amigos, entre os quais, com um derretimento total da minha parte, diga-se de passagem, me incluiu.
Justificou a inclusão com um “Porque sim” que me deixou, e não estou a brincar, emocionada e agradecida. Raramente encontro razões para se gostar das pessoas e, mais raramente ainda, quando se troca o plural pelo singular.
Bin, também gosto de ti, porque sim, e aqui vai, com atraso, mas com boa vontade, a resposta às perguntas:
Tamanho total dos arquivos de música no meu computador?
Não faço ideia como é que se mete música num computador. Isto, cá em casa, é assim: O João Pedro é o administrador do dito. Eu sou a convidada. Deduzo pelas horas em que o João Pedro está com os phones nos ouvidos que deve ser um arquivo enorme... mas eu só sou a convidada, não me meto nisso. Os meus arquivos de musica tão todos em CDs, daqueles a sério, com capa e tudo.
Último disco que me comprei:
Não me recordo, mesmo. Ultimamente tenho tentado arranjar uma pequenina “discoteca” particular de música celta. Foi um de música celta, seguramente. Não sei qual.
Canção que estou a escutar agora:
Eh pá esta é forte...porque se eu disser a verdade vai para aí tudo começar a chamar-me lamechas e, assim, umas coisas parecidas...digo? Ok, cá vai. Estou a escutar a Luz Casal a cantar “Piensa en mi”. Tou aqui que nem posso. Já ouvi aquilo hoje p’raí umas dez vezes, enquanto lavo a parede estipulada para o dia 26 de Maio. Eu juro que isto, mais dia, menos dia, passa...
5 canções que ouço frequentemente ou que têm algum significado para mim:
Bem aqui vou fazer como o Monty. Não dá para canções, escolho grupos ou cantores ou música. (Bin, achas que estraga o impacto da coisa?)
Zeca Afonso
Leonard Cohen
Doors
Fausto
Música Celta, ao pequeno almoço, ao almoço, ao lanche, ao jantar e com o leitinho da hora de ir para a cama.
E como não quero ser menos do que o meu predecessor, aqui lanço o testemunho a outros cinco bloggers:
Eu como não me importo de ser menos que o Bin, e além disso, isto não tem a seguir uma frase em que diz que se eu enviar, me acontece uma coisa muito boa daqui a duas horas e se não enviar, acaba a minha vida sexual, vou-vos poupar.
Afixado por Isabel às 18:48 | Afixadelas (1)
Vão apanhar Sol, SFF

Hoje levantei-me a pensar: vou fazer uma boa acção, no Afixe. A Émièle está de férias e eu vou tentar substituí-la naquele serviço público que ela faz todas as manhãs, bem cedinho. Ler os jornais e deixar-vos as notícias fresquinhas. Poupar-vos trabalho. Ser vossa amiga.
Abri os jornais on line e vejo falar nos impostos que vão aumentar, nos impostos que vão aumentar, nos impostos que vão aumentar...e zás, catrapuz, passou...foi-se a boa intenção, passou o momento de altruísmo... amigos gosto muito de vocês, mas nem pensem!!!!
Émièle, lamento não te conseguir substituir à altura, mas não tomei o calmante ontem à noite e tá Sol, e quero ir almoçar fora e quem quiser que leia os jornais, mas se querem mesmo um conselho de amiga, não leiam.Peguem nos putos, nos amores, nos animaizinhos, nas bicicletas, nas pernas e ala que se faz tarde. Vão curtir o dia. Os impostos que se...que se...que se...
Ciao!!!! Até logo!!!
PS: Também vi uma notícia interessante sobre o relatório anual da Amnistia Internacional sobre as prisões portuguesas. Não acreditem em mim, não. Abram o jornal e depois digam que não têm sorte. E que eu não vos avisei.
Afixado por Isabel às 12:05 | Afixadelas (4)
maio 25, 2005
Crónica dos últimos dias, antes de ti - 10º dia

25 de Maio de 1990
Finalmente, uma festa neste hospital!!! Amor, estás a ouvir o barulho lá fora? Viste quando vínhamos do refeitório, aqueles senhores, senhoras, meninos, meninas e bebés espalhados pelas cadeiras, pelos corredores, sentados no chão???
Estão à espera dum bebé cigano que vai nascer. A mãe está na sala onde os bebés nascem, o pai anda a fumar cigarro depois de cigarro (a enfermeira diz que não vale a pena dizer que não se pode fumar...) e estão cá as famílias todas à espera que o menino (ou menina, a mãe não perguntou) nasça.
Aqui, no hospital, diz-se que os ciganos são sempre assim: quando nasce um ciganinho novo, quando alguém fica doente, quando...são sempre assim, Joãozito. Vêm todos e falam e esperam e falam e esperam. Agora só se vão embora quando nascer o bebé.
Até lá, duvido que possamos dormir...mas não é grave. Serve para quebrar a monotonia. E deve ser bom o menino que lá está dentro da barriga da mãe saber que tem tanta gente à espera. Espero que mãe não se tenha esquecido de o avisar, e que ele já venha preparado para esta festa toda. Ou, então, vai apanhar cá um destes sustos...
Olha, meu amor, hoje a enfermeira disse que o médico amanhã vai falar com a mãe, mas que não deve cá estar na Segunda Feira. Só nos devemos ver na Terça. Eu e tu. Fiquei um bocadinho triste, por não estares cá nos meus anos...mas estes são os últimos em que não apagas as velas comigo. Prometido???
Agora vamos tentar dormir e esperar que, como dizem lá na terra, a cigana tenha uma hora “curtinha”. Gosto de os ouvir ali, mas também não desgostava de dormir um bocadinho.
Faz como a mãe, pensa que só faltam 4 dias. O sono vai, de certeza, chegar!
Afixado por Isabel às 22:26 | Afixadelas (5)
Fausto no CCB

Porque Fausto é, apenas , o criador de “Por este rio acima” e de “Crónicas da terra ardente”, entre muitos outros.
Porque um concerto de Fausto é tão raro, que só pode ser um acontecimento.
Porque se eu me aturo, 365 dias por ano, e de quatro em quatro ainda tenho que fazer 24 horas suplementares, mereço, para além do céu, uma prenda:
Sexta Feira, dia 27 de Maio, às 21.00, estarei no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, para a apresentação do novo disco de Fausto "A ópera mágica do cantor maldito".
Afixado por Isabel às 11:11 | Afixadelas (6)
Naquele tempo...

Naquele Tempo
Sob o caramachão de glicínia lilaz
As abelhas e eu
Tontas de perfume
Lá no alto as abelhas
Doiradas e pequenas
Não se ocupavam de mim
Iam de flor em flor
E cá em baixo eu
Sentada no banco de azulejos
Entre penumbra e luz
Flor e perfume
Tão ávida como as abelhas
Sophia de Mello Breyner Andresen
Abril de 98
Afixado por Isabel às 09:07 | Afixadelas (15)
maio 24, 2005
Crónica dos últimos dias, antes de ti - 9º dia

24 de Maio de 1990
Não temos novidades,serinho. Veio cá a avó Inês e trouxe-te um fato pequenininho que fez para ti.
Comemos peixe cozido ao almoço, o que é raro acontecer, tirando 97% das refeições.
O peixe cozido não tinha sal, o que é raro acontecer, tirando 99.9% das refeições.
Fomos fazer um novo CTG e a mãe acha que tu já acompanhas a música, com os teus pezitos na minha barriga. A tensão manteve-se alta, mas estável.
E foi um dia calmo. Pedi para ir um bocadinho para a janela da sala de espera, enquanto não havia visitas. Dá para ver o Tejo e a planície. Do outro lado vê-se a terra da mãe e dos avós.
Ontem, um amigo trouxe um livro e hoje, à janela, estive a lê-lo, alto, para ti. Possivelmente não percebeste. Mas a mim soube bem. Fala de buscas. Da busca da razão da vida. De uma razão para a vida. Hoje não precisaria de o ler para a encontrar, meu amor, mas já aconteceu...outros tempos, muito antes de teres começado a brincar e a chuchar no dedo, dentro de mim.
Talvez fosse a leitura do livro e o Tejo que permitiram que não custasse muito a pergunta que, a mãe sabia, um dia viria.
“Nunca tem visita às sete, pois não, Isabel?”
Não, nunca temos visita às sete, vingamo-nos com a das duas...e com a nossa janela cheia de azul e de verde, pensei, baixinho, para ti.
“Não está cá o pai do João Pedro”, respondi. Não menti. Não está cá o pai, meu amor.
Afixado por Isabel às 22:08 | Afixadelas (10)
6 virgula quê ??

Tivesse eu visto o post do Monty (eu sei que aqui ficava bem um link, mas não tou com paciência para tar aqui duas horas, tenho que ir ver o castelo...) e ter-me-ia poupado a uma manhã inteira de tentativas de desculpas mais ou menos esfarrapadas para sair mais cedo...tenho que marcar uma consulta...tou com afrontamentos, da idade mas pensas o quê, pá? Isto é do calor, a temperatura, topas?...tenho que ir a uma reunião da escola do meu filho...acho que tou outra vez com a tensão alta...esqueci-me de pagar o telefone, agora só mesmo na PT... partiu-se o salto do sapato...acabei por optar por me armar em militante consequente dos seus deveres e dos seus direitos e dizer, simplesmente: vou meter uma tarde de recuperação porque tenho trabalho partidário. Assim, tout court. Mai nada. Se trabalho a mais quando os gajos precisam, pagam-nas todas quando o País chama por mim ( Monty, já te cantaram esta????). E lá saí eu, airosa e segura. Claro que o “trabalho partidário” era às 16 horas, mas como nunca se sabe como está o trânsito na Avenida da Liberdade, o melhor é sair logo às 13…. E cá estou. Já estive a beber uma imperial (o que uma pessoa cresce...dantes sozinha numa esplanada, era sempre um suminho), fui 20m ao acto militante e estou, em casa, às cinco e meia...com as compras feitas, a militância cumprida, a alma cheia de azul e sem conseguir entender que treta é aquela que o Monty, fala ali em baixo e que parece que anda perto dos 6 virgula 9 qualquer coisa.
Agora, se me dão licença, vou olhar para o castelo e pensar um bocadinho no candidato. Lá em baixo ouço a vizinha a falar do filho da Augusta que anda metido na droga e na miúda da Clarisse que está para deixar a escola, porque quer ir trabalhar. Anda mas é a namorar com um matulão, acrescenta.
Convém concordar com o candidato, pelo menos, no 1º dia...Lisboa é gente, mas faça favor de não se esquecer do Tejo, se não vou ter que o convidar para a próxima Imperial na Esplanada de Alfama...o que sejamos honestos, também não seria um drama. O candidato tem bom ar e não me parece que me estragasse a paisagem.
Afixado por Isabel às 17:52 | Afixadelas (12)
maio 23, 2005
Crónica dos últimos dias, antes de ti - 8º dia

23 de Maio de 1990
Na noite de Sábado para Domingo, tinha entrado no quarto uma rapariga, ainda muito jovem com um bebé, acabado de nascer.
Nunca a ouvi falar, nunca a vi sorrir, nunca a vi chorar. Dela, recordo, apenas, a ausência de olhar. Nunca a vi olhar. No Domingo, não recebeu uma visita. O bebé não mamava, a enfermeira vinha buscá-lo, na hora das mamadas. Ela levantava-se, devagar, e saía. Sem um gesto, a não ser os passos que a levavam ao corredor. Normalmente voltava, quando o bebé já estava no berço. Sentava-se na cama ou deitava-se. Sempre sem expressão. Ontem, vieram falar com ela, logo pela manhã. Deixou o bebé no berço e foi, acompanhada de uma enfermeira e de outra senhora. Durante o resto do dia, a cena repetiu-se. Por mais duas vezes voltou a sair do quarto acompanhada. E a voltar.
Esta manhã, cedo, ainda não eram nove horas, a mesma senhora que cá tinha estado ontem, veio buscar os dois. Mãe e filho. Cerca de uma hora depois, ela voltou. Sozinha. Vestiu-se, pegou nas suas roupas e saíu. Nunca olhou para trás.
Na hora da medicação, a senhora da cama ao lado perguntou à enfermeira se tinha acontecido alguma coisa ao menino. “A mãe deu-o para adopção, e já foi para casa”, disse. Parece-me que também não havia expressão na sua voz.
No quarto fez-se silêncio.
Felizmente que nós podemos sair do quarto para almoçar , meu amor. A mãe precisa de aproveitar o caminho para o refeitório para respirar. E para te dizer que não era este o Mundo que te queria dar.
João Pedro, quero dar-te um mundo em que as pessoas olhem. Ajuda a mãe a fazer um Mundo em que as pessoas olhem.
Agora, meu amor, vamos descansar. Preciso de sentir-te para ter a certeza que vale a pena. Um beijo, para ti, serinho e desculpa as lágrimas. Às vezes é preciso chorar. Entre as coisas que te hei-de ensinar, para além de ouvir música, contar e rir, é que, às vezes, é preciso chorar.
Nota: A primeira parte deste texto, contrariamente às outras que aqui tenho deixado, foi feita de memória. Não sou, neste momento, capaz de aqui deixar as palavras que, nesse dia, escrevi no meu bloco. Até, ou sobretudo, porque não julgo que tenha esse direito. Nelas há perguntas, há dúvidas que me ultrapassam. Por respeito e pudor guardá-las-ei para mim.
Afixado por Isabel às 22:13 | Afixadelas (8)
maio 22, 2005
Crónica dos últimos dias, antes de ti - 7º dia

22 de Maio de 1990
Hoje acordámos ainda mais cedo. Tu acordaste ainda mais cedo. Voltaste a pôr aquele pezito maluco, ali espetado, por volta das seis da manhã. E já ninguém aqui dormiu (ninguém, sou eu e tu, percebeste, meu amor?).
Claro que a esta hora, estamos os dois mais mortos que vivos.
Fomos fazer o CTG. Havias de ver o olhar espantado das enfermeiras a verem-nos entrar de gravador em punho. Só uma delas sabia que, a partir de agora, CTGs só de Quatro Estações no ouvido. Correu bem. Parece que resultou. Ainda me descontrolei um bocadinho, mas, ao fim, a tensão manteve-se nos 14,5. O teu coraçãozinho continua óptimo. A enfermeira diz que vais ser jogador de futebol...tal a força do coração e a quantidade de pontapés.
Estiveram cá os avós e a tia Leta. A tia trouxe dois paninhos de tabuleiro com o nosso nome bordado. Num havia um IM e no outro um JP.
Ao fim, quando os avós saíram, ficou um bocadinho para tràs e veio-me pedir desculpa por serem só dois...expliquei-lhe que nós somos só dois. E que sempre que houver visitas em casa, se usarão panos de tabuleiro, não bordados. A tia Leta, perguntou ainda se isso não me fazia medo. Não enquanto estiveres comigo, respondi-lhe. Creio que ficou mais descansada. E nós ficamos com dois panos de tabuleiro, para tomar o pequeno-almoço na cama, ao fim-de-semana.
Desde Sábado que temos uma Senhora, no quarto que vai cá ficar dois meses. Até a bebé nascer. Tem diabetes e não poderá sair do hospital. Chorou todo o dia, até à visita das Sete, em que o marido a veio visitar. Depois, parece que acalmou um pouco.
Sabes, serinho, na nossa vida, temos que procurar calma onde nos seja possível encontrá-la. Seja no pai que nos acompanha na visita das Sete, seja nos nossos nomes bordados em dois pequenos panos de tabuleiro.
A mãe tentará ensinar-te isso. Às vezes fico com um bocadinho de receio de não ter tempo para te ensinar tudo...eu senti o pontapé, amor. Claro que vou ter tempo!
Hoje, apesar de cansados, sinto que estamos, ambos, calmos. Talvez porque a primeira coisa que te estou a ensinar é a ouvir música. E a contar. E já aprendeste que a contagem decrescente para nos termos um ao outro, já começou.
Afixado por Isabel às 20:29 | Afixadelas (9)
Os meus discos

No último concerto que efectuou em Portugal, no Coliseu de Lisboa, a vida interpôs-se entre mim e a sua presença, a sua música e a sua voz. Eram dias difíceis. Tão difíceis e instáveis que, com os bilhetes comprados, em vez do Coliseu, me aguardava mais uma tentativa de te manter por cá.
Não culpo, nem a ti nem à vida de não ter estado nessa noite no Coliseu. Lamento que não tenhamos podido partilhar esses momentos, certamente únicos e mágicos.
Os discos que hoje escolho são alguns dos meus discos de sempre. É o meu Leonard Cohen. É também um bocadinho do que não tivemos tempo de fazer e de viver juntos.
Não saberia escolher entre “Songs of Leonard Cohen”, de 1968 ou "Songs of love and hate", de 1970. Porque, apenas, ousarei escolher um tema “The famous blue raincoat”, o álbum que aqui fica é o “Songs of love and hate”.
Com a certeza que todos os meus “Cohens” me continuaram a acompanhar, vida fora.
Ainda agora, ao escrever este pequeno post, o ouço dizer-me “I’m your man”. E acredito. Ou o ouço cantar Garcia Lorca e me apetece sair, dançando, pelas ruas desertas de Lisboa, ao som daquela valsa vienense.
Afixado por Isabel às 12:57 | Afixadelas (6)
Texto com dedicatórias

Deve acontecer o mesmo com todas as palavras do dicionário. Todas elas significam o que cada um de nós em cada momento da vida, nelas pretender ou puder encontrar.
Da palavra esperar e dos significados que dela dá o Dicionário da Porto Editora, já experimentei todos (talvez com a excepção de fazer uma espera a...pelo menos que me lembre).
Aguardei com alegria e com desalento; mantive-me em expectativa com convicção e com desencanto; contei com caminhos frondosos e encontrei, alguns, bem sombrios.
Os últimos dois significados, apetece-me hoje, conjugá-los no presente do indicativo: ter esperança e confiar.
Neste verbo, a língua portuguesa é, creio, mais pobre do que o Inglês ou o Francês. Em inglês conjugaria To wait no passado e To hope no presente. Em francês conjugaria Attendre no passado e Espérer no presente. Em português, limito-me a constatar que, até, as palavras mais tristes, algumas vezes se podem transformar em rios de estrelas.
São também para ti, amiga, estas palavras, que, ainda há pouco, me dizias que ias vendo o Afixe. Nos pequenos intervalos do pesadelo. Sempre que a força parecia querer voltar, um pouco. Conjuga o verbo no presente. Com o significado de Ter Esperança. E, tenho a certeza, reaprenderás a sorrir. Temos o Verão à espera .
Afixado por Isabel às 02:03 | Afixadelas (6)
maio 21, 2005
Crónica dos últimos dias, antes de ti - 6º dia

21 de Maio de 1990
Ontem não deu para escrever nada. Ficou uma folha em branco. Apesar de tudo, parece que a normalidade, aqui, é menos difícil de suportar. Pelo menos, é muito menos cansativa. Se o Sábado foi um desastre, o Domingo foi, mesmo, para esquecer.
Hoje fomos fazer uma ecografia. Está tudo bem contigo só que, definitivamente, não deste “a volta”. Meu amor, a mãe deve dizer-te que, apesar disso significar um buraco na barriga, te compreendo perfeitamente. Quem é que troca estar comodamente sentado no barriguinha da mãe por andar de pernas para o ar?
O Doutor disse que isso vai implicar uma cesariana (aquele tal buraquito que te falei, e que não me rala nada) e que possivelmente não vamos aguardar até ao dia 4 de Junho. Falou lá para Segunda ou Terça-Feira da Semana que vem. Meu amor, se for Segunda, nascemos no mesmo dia. Depois tu emprestas-me o teu bolo para pôr as minhas velas???
Talvez falte, apenas, 8 dias, para ver a cor dos teus olhos. Hoje, na ecografia, bem tentei, mas não resultou.
O Doutor disse, também, que amanhã vamos, de novo fazer o CTG, agora, ao som das Quatro Estações. Vais ver que vais gostar, e eu vou conseguir que a tensão se mantenha em níveis aceitáveis. Promessa de mãe.
Olha, serinho da mãe, vem aí a Sra. Enfermeira com a chávena do chá. Está na hora de ir à gaveta buscar o nosso “suplemento” diário de Bolachas Triunfo.
Hoje estou feliz. Esta tarde a tensão estava controlada. E tu estás farto de saltar. A sério, desde a ecografia que não paraste de me dar pontapés. Deves ter gostado de te ver na televisão. Eu adorei. Como vamos ser do mesmo signo, devemos ter gostos semelhantes!
Ao ataque, as Bolachas Trinufo esperam por nós!!!
Afixado por Isabel às 17:51 | Afixadelas (1)
Contas à vida

1º - Comprar o telescópio dos 4.200€ para o João Pedro
2º - Comprar o Monte no Alentejo, sem esquecer que tem que ter, no telhado, o local para o telescópio do João Pedro.
3º - Pagar uma viagem aos pais (de comboio, porque a mãe sai à filha, e eu não quero ficar sem mãe) com estadia de um mês em Paris, para matar saudades.
4º - Comprar dois bilhetes (o JP diz que não quer ir, mas hei-de arranjar solução...ou melhor, tenho a solução. Tenho?) no Expresso do Oriente (ao procurar agora no Google uma imagem do Expresso do Oriente, dei-me com um post da Émiéle, em que ela com não sei quanto meses de antecedência me explicava, que o meu sonho não se chama Expresso do Oriente, mas sim Trans-siberiano. por esta informação arranja lá companhia, que eu pago os bilhets...).
5º - Tirar dois anos de licença sem vencimento para arranjar o Monte e fazer as viagens.(Nota 1: Possivelmente este ponto deverá ser logo o 1º. Segunda Feira, decido...)
6º - Fazer uma viagem à escolha do João Pedro, esta com o João Pedro, e de preferência sem ter que recorrer a tostas mistas e cachorros, por causa da balança. (Nota 2: a ordem deste ponto com o 4º, pode ser alterada, dependendo da “disponibilidade” do meu filho).
Não esquecer também:
1º - Aumentar o valor da quota no Bloco.
2º - Pedir o NIB dos meus colegas aphixadores.
3º - Pedir o NIB dos meus amigos.
4º - Não entrar na FNAC mais de 4 vezes por semana.
5º - Procurar uma casa pequenina algures entre a Carregueira e a Carrapateira, só para a altura das férias.
6º - Mobilar o Monte alentejano.
7º – Pensar em arranjar um motorista, já que a carta de condução deve ficar mais cara, com a quantidade de marchas atrás que não vou saber fazer.
8º - Se arranjar o motorista, não esquecer de comprar um carro. Pode ser um Jeep, para poder andar com o telescópio em cima.
Alguém me pode informar, já que eu não faço ideia do que é isto, em dinheiro normal, se ainda me sobra algum dos 43 milhões de Euros? Será que ainda dá para, na volta do Expresso do Oriente, fazer uma pausa em Paris e/ou em Praga? Ou, pelo menos, para comprar um portátil, para poder ir enviando uns posts durante as viagens?
Afixado por Isabel às 12:16 | Afixadelas (10)
maio 20, 2005
Crónica dos últimos dias, antes de ti - 5º dia

"Nalguns dias, não haverá (houve) nada escrito. Serão (foram) os dias em que a espera ou o medo tornaram as palavras impossíveis"
Afixado por Isabel às 20:59 | Afixadelas (4)
Nem sabem com quem é que se metem, carago....
Se estes gajos que me pagam o ordenado pensam que ainda estamos nisto

...eu faço-lhes a folha!
Numa Sexta Feira...com um Sol destes...a vingança há-de ser terrível!!!!!
Afixado por Isabel às 13:41 | Afixadelas (6)
maio 19, 2005
Crónica dos últimos dias, antes de ti - 4º dia

19 de Maio de 1990
Hoje foi o pior dia desde que aqui chegámos. Vieram muitas pessoas visitar-nos e isso foi muito bom, mas, a determinada altura, havia mais de 20 pessoas no quarto. E ainda os 3 bebés e as mães e nós...quase que não podíamos respirar.
Na visita das sete, porque é fim-de-semana, só nós estivemos sozinhos, mas a mãe sentiu que te fartaste de mexer. Obrigado por isso, meu amor.
Hoje não vou escrever mais. Estou, mesmo, muito cansada. Vamo-nos enrolar um no outro e dormir, assim, aconchegadinhos.
Afixado por Isabel às 19:23 | Afixadelas (6)
Isto é um acto de coragem?
Tentei um que mexesse...mas, como não encontrei, vai mesmo quietinho. Aliás, às vezes, quietinhos, também dão jeito...

Afixado por Isabel às 12:07 | Afixadelas (21)
Encontros?

Creio que, só nas alturas em que nos encontramos ou encontramos, conseguimos conviver, pacificamente, com os desencontros, as perdas e as partidas. Devo estar num desses momentos de encontro. Talvez, apenas, comigo.
Num outro post, em resposta a um comentário, eu dizia que ninguém, a não ser os poetas, consegue dizer Adeus, da mesma forma bela como se diz “Amo-te”.
Um poema de Pablo Meruda, para ,tal como o de Eugénio de Andrade, o provar:
Posso escrever os versos mais tristes esta noite
Escrever por exemplo:
"A noite está estrelada e tiritam, azuis, os astros ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu a amei, e às vezes ela também me amou.
Em noites como esta eu a tive entre meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.
Ela me amou, e as vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos ?
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi.
Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Que importa que o meu amor não pudesse guardá-la ?
A noite está estrelada e ela não está comigo.
Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
Minha alma não se contenta em tê-la perdido.
Como para aproxima-la meu olhar a procura.
Meu coração a procura, e ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquear as mesmas árvores.
Nós, os de então, já não somos mais os mesmos.
Já não a amo, é verdade, mas quanto a amei.
Minha voz procurava o vento para tocar-lhe o ouvido
De outro. Será de outro. Como antes de meus beijos.
Sua voz, seu corpo claro, seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame.
É tão curto o amor, e é tão longo o esquecimento.
Porque em noites como esta eu a tive entre meus braços,
a minha alma não se contenta com tê-la perdido.
Ainda que esta seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.
Afixado por Isabel às 11:16 | Afixadelas (5)
maio 18, 2005
Cronica dos últimos dias, antes de ti - 3º dia

18 de Maio de 1990
Estou cansada. E, parece que, hoje, um bocado desanimada de mais. O médico não me deixou fazer um novo CTG, porque a tensão podia voltar a subir. Veio aqui falar comigo esta manhã e sugeriu que o “meu marido” me trouxesse um gravador para ouvir música, enquanto fazia o tal exame de ouvir o coração do João Pedro. Tive que pedir ao meu pai que me trouxesse o gravador pequenino que lá há em casa e me comprasse uma cassete. Todas as cassetes estão na Amadora. Não vai poder lá ir de propósito buscar uma. Pedi-lhe as Quatro Estações do Vivaldi...o médico disse que era melhor não optar por rock...talvez resulte, foi a primeira coisa que me lembrei.
A mãe, hoje, não está a falar muito contigo, não porque esteja triste ou zangada contigo. Estou um bocadinho preocupada. A tensão não desce e eu não consigo fazer nada para isso acontecer. Estamos quase no fim-de-semana e ainda tive esperança que pudéssemos ir passá-lo a casa dos avós. No primeiro dia, o médico tinha posto essa hipótese. Nem pensar, disse hoje. Serinho da mãe, vamos ter que gramar um fim-de-semana de peixe cozido, arroz sem sal e sopa doce, luz toda a noite acesa e enfermeiras a entrar e a sair…
Uma boa notícia: os avós puderam ir comprar bolachas. Desde que não comesse um pacote por dia, disse o médico...claro que não, tu comes metade e eu a outra metade!
Estou a brincar,não podemos exagerar,porque, para além do mais, estou uma bola gigante.
Gordíssima, disse o médico. Como é que engordou tanto??? Claro que não lhe falei na lata de leite condensado diária, quando chegava a casa, à noite, depois de sair do emprego. O homem tinha morrido de susto. Mas vamos ter umas bolachinhas para comer à noite. Esta é a boa notícia do dia. A outra é que continuas a mexer-te com as minhas festinhas e decidiste mesmo mudar a posição do pezito.
Más notícias? Não há, amor, apenas um bocadinho de tristeza por os dias custarem tanto a passar...e de ansiedade por te ver olhar para mim.
Afixado por Isabel às 19:48 | Afixadelas (8)
Ian Curtis - 1956-1980

Este fim-de-semana, a Antena 3 assinala a data da morte de Ian Curtis, com um programa especial sobre os Joy Division.
A BBC 6 Music exibe, hoje, dia 18 de Maio, uma emissão onde serão transmitidas as “Peel Sessions” gravadas pela banda.
Por mim ( e com um obrigado especial a um amigo especial, que, para além de muitas outras, tem esta paixão em comum), aqui fica um poema de Ian Curtis.
24 horas
É isto então a sobrevivência
Amor próprio destruído
O que foi em tempos inocência
Não devia Ter partido
Uma sombra persegue-me
Marcando na memória
Cada mínimo movimento
Do que antes foi amor
Ai como eu compreendi
Quanto precisava do tempo
E de alguma perspectiva
Tão difícil de encontrar
Julguei por momentos
Ter o caminho descoberto
Entre as linhas do destino
Vi-o escapar-se
Infinitos pontos ígneos
Longe do meu alcance
Solitárias orações por
Tudo aquilo que preciso
Dar uma volta por aí
A ver o que se arranja
Inútil colecção de
Esperança e desejo antigo
Nunca eu imaginei
Uma estrada assim longa
Pelos esconsos cantos de
Um ignorado sentimento
Quando subitamente
Ouvindo alguém chamar
Procuro pelo dia de amanhã
E nada daí havia a esperar
E agora eu percebi
Como tudo era erro
Tenho que encontrar a cura
Mas demora o tratamento
No fundo do coração de
Onde se firmou uma amizade
Busco o meu futuro
Antes que seja tarde
(Tradução: assírio & alvim)
Afixado por Isabel às 11:49 | Afixadelas (17)
Escolhas

Quando se escreve, se fala ou se pensa, acontece vir-nos à memória, situações, coisas ou pessoas que, aparentemente, nada têm a ver com a origem da nossa escrita, fala ou pensamento.
É o caso de hoje.
Em Maio de 1980 suicidou-se, aos 23 anos, Ian Curtis, dos Joy Division.
Em 1980, estreia um filme de António Pedro de Vasconcelos. Vi-o no Cinema Ninas. Vi-o uma única vez. Não tenho, sequer, a certeza se o meu “Oxalá” é o do autor. É o meu. O que a situação que vivia, o fim do período que me acontecia, uma quantidade de dúvidas que me assolavam, me fez guardar na memória.
Um jovem português, exilado em França, enquanto compra um maço de Gauloises e o Liberation sabe que, em Portugal, se deu o 25 de Abril.
Vem para Portugal no “Verão Quente” e encontra-se com amigos que sempre viveram em Portugal e que vivem o Portugal de então. São amigos empenhados, uns de uma forma outros de outra, mas cujo dia a dia, é o dia a dia daqueles dias e daqueles tempos.
Volta para Paris.
Regressa a Portugal, mais tarde, nos finais dos anos 70.
Procura os amigos de então. O dia a dia de Portugal e dos portugueses tinha sofrido uma alteração profunda. Vivia-se a ressaca que se segue a todas as bebedeiras, a desesperança que se segue ao fim dos sonhos, as dúvidas dos ínicios de novos caminhos, que tinham que inevitavelmente de acontecer, as dúvidas sobre os que se acabavam de viver.
Dos amigos empenhadas do Verão quente, uma amiga tinha-se dedicado à criação de moda, um estava casado e a mulher aguardava um bebé, outro tinha decidido esquecer todos os desvios “esquerdistas” e encontrou solução começando a “engolir sapos” e votar PCP. Outro, enfim, refugiou-se na droga e acabou por se suicidar (ou morrer de overdose? Não me lembro, mas não creio qua haja grande diferença entre uma e outra coisa).
Depois de visitar os lugares, as memórias, as pessoas, volta a partir para Paris. Na última cena que me recordo do “meu filme” ele está no mesmo quiosque a comprar Gauloises e o Liberation.
Foi o único que sobreviveu ”igual”. Porque foi o único que viveu como “espectador” uma história, uma vivência que deixou marcas para sempre. Em todos nós. O “estar de fora”, salvou-o de escolhas. Da escolha.
Das personagens que me lembro do filme, todas fizeram uma escolha, incluindo a que se suicidou. Nunca, aliás, consegui qualificar o suícidio duma outra forma. Opção. Quem somos nós, quem sou eu para julgar opções? Ou razões? Ou escolhas?
Ian Curtis suicidou-se, em Maio de 1980, aos 23 anos. Possivelmente, apenas, porque não conseguiu passar na vida, como espectador.
Afixado por Isabel às 11:11 | Afixadelas (11)
maio 17, 2005
Crónica dos últimos dias, antes de ti - 2º dia

17 de Maio de 1990
Hoje foi um dia muito cansativo. Mas cheio de acontecimentos. Logo de manhã aconteceu uma coisa extraordinária. A enfermeira perguntou se a noite tinha corrido bem e eu disse que estava preocupada porque te tinhas mexido pouco. A Sra. olhou para mim com ar um bocado zangado e disse-me “Então mas não era a Sra que reclamava, ontem de manhã, depois da primeira noite que cá passou, que ele não a deixava dormir…??? Estas mães…”. Juro, João Pedro, para além de ti foi a primeira pessoa que se dirigiu a mim, dizendo mãe. Fiquei toda orgulhosa e acho que tu também, porque deste logo uma catrefa de pontapés.
Depois fomos fazer um CTG. Não me perguntes o que quer dizer, meu amor, que não faço a mínima ideia. Sei que se chama assim. Deitaram a mãe numa cama e ligaram a minha barriga a uma televisão. Depois comecei a ouvir o teu coração...e,aí, foi um desastre. Não que não quisesse ouvir o teu coração, para além das ecografias, nunca tinha acontecido nada tão bonito como ouvir o teu coração...só que, cada vez que ele batia um bocadinho mais devagarinho ou mais longe, eu entrava em pânico. Aí, acho que tu entendias e voltava a bater com força e mais pertinho, outra vez.
Durou uns dez minutos e, no fim, a tensão tinha chegado aos 19...a enfermeira quase desmaiou.
Por castigo, hoje, ao jantar, nem a sopa tinha sal!
Amanhã eu vou controlar-me. Prometo. Até porque eu sei que é muito perigoso para ti, mas hoje não fui capaz. Desculpa. Se quiseres hoje podes pôr o pé espetado na barriga, que eu não me importo.
Na visita das duas, veio cá tudo. Os avós. A avó Inês, a madrinha e a Joanita. Não sei o que lhes deu que resolveram todos trazer-me camisas de dormir...mas será que esta gente pensa que vamos passar aqui o resto da vida? Ah, tens razão, a Joanita trouxe-te uma chucha com um gato. Está guardada na gaveta. À tua espera.
Ainda tenho que me levantar para ir à casa de banho.Nestas alturas é que dava jeito ter um catrapillar daqueles da Câmara para nos ajudar a levantar da cama e mais esta barriga grandiosa...
Estamos cheios de fome, não estamos serinho? Amanhã vou ter que perguntar ao médico se os avós podem trazer uma bolachas,ao menos, umas pobres bolachinhas. São 9 horas, já comemos há duas e daqui a bocado vão-nos trazer uma chávena de chá e duas (ouviste bem João Pedro? duas) bolachas para a ceia. Meia chávena de chá e uma bolacha Maria para cada um. Para uma noite inteira. Depois de um creme de cenoura sem sal, um posta de peixe sem sal e meia batata sem sal. Eu acho que estes gajos (quer dizer, senhores) nos querem matar à fome!
Os dois bébés que estavam cá quando entrámos, já saíram hoje. Esta é a parte complicada. As outras mulheres que cá estão, já estão todas com os filhos...cá fora, quero dizer, não é preciso desatares aos pontapés...
Afixado por Isabel às 18:43 | Afixadelas (23)
Pouquinho, mas de boa vontade

Isto hoje tem sido uma Sexta Feira, dia 13. Cada qual tem uma Sexta Feira, dia 13, quando quer, ou, quando não quer e que lhe sai na rifa, como é o caso de hoje.
Hoje saiu-me uma Sexta Feira, dia 13, e por mais que tente não descubro nenhum motivo de melhorar a coisa senão esta fotografia do Marques Mendes a exigir respostas rápidas do Governo para controlar as despesas públicas.
Desculpem ser pouquinho (não disse pequenino, disse pouquinho...), mas é de boa vontade.
Partindo do principio que os dias trezes têm dias catorzes a seguir, a gente logo, vê-se!!!!
Afixado por Isabel às 14:14 | Afixadelas (5)
maio 16, 2005
Crónica dos últimos dias, antes de ti - 1º dia

Gostaria que entendessem estes pequenos posts que pretendo publicar, até ao próximo dia 30 de Maio, como uma partilha dos momentos mais belos e importantes da minha vida.
Gostaria que os entendessem, sobretudo, como uma declaração de amor. Amor eterno.
Serão escritos a partir de algumas notas que, na altura, quase todas as noites, escrevia.
Claro que lhes fiz algumas, pequenas, alterações. Porque a emoção, o medo, a angústia da espera, o peso da responsabilidade, mas, essencialmente, a alegria, fazem com que os erros de português e a escolha de palavras se tornem muito pouco importantes.
Continuam, no entanto, a manter a forma ligeira e apressada com que se escrevem para que o tempo passe e o dia chegue.
Nalguns dias, não haverá (houve) nada escrito. Serão (foram) os dias em que a espera ou o medo tornaram as palavras impossíveis.
Algumas das pessoas que por aqui irão passar, terão, entretanto, partido. Todas, sem excepção, continuam comigo.
16 de Maio de 1990
Ontem foi um choque. Era uma visita de rotina. Estava tudo bem. Parecia que estava. Ter que ficar no hospital até ao João Pedro nascer, não lembra ao Diabo. Só vai nascer lá para 4 de Junho....o médico explicou que a tensão alta na gravidez é gravísimo. Para a mãe e para o bébé. É necessário muito cuidado na alimentação e descanso absoluto. Já nem queria que saisse do Hospital para ir buscar roupa...Tive que assinar um papel para poder ir buscar uma camisa de dormir…
A alimentação é uma desgraça, o jantar de ontem foi frango cozido com batatas cozidas. E cenouras cozidas. Tudo sem sal. Quem é que consegue comer cenouras cozidas, sem sal??? E descanso??!! Como é que é possível descansar numa sala com 4 camas, com bébés a chorar, enfermeiras a entrarem e a sairem e visitas e médicos e … ???
A noite, então, foi para esquecer. Alguém pode dormir com uma luz sempre acesa e com pessoas constantemente a passar no corredor?
E, depois, meu amor, ganhaste essa mania de dormir sempre com um pé a fazer força, todo espetado, no lado direito da minha barriga. Para não ver a luz, tenho que dormir para o lado direito...como é que te vou convencer a mudar de posição? Bastava pôres o pezinho só um bocadinho mais para cima...ou mais para baixo...ou mais para o lado, pode ser? Vá lá...só mesmo um bocadinho pequenininho...
Custa tanto estar no Hospital. Imagino como seria estar sozinha. Sem ti. Sem te sentir e sem te poder falar. Vou tentar dormir, ou melhor, Joãozito, importas-te de tentar não te mexer muito, e mudares o tal pezinho, para deixares a mãe tentar dormir???
E a visita das sete? Olha, meu amor, a visita das sete vai ser um pequeno barbicacho, com que vamos ter que aprender a lidar, nestas 3 semanas que vamos ter que nos aguentar por aqui !!
Afixado por Isabel às 21:21 | Afixadelas (18)
Sem título

Falar da passividade da Polícia e da inércia das autoridades, é redundante.
Aceitar que haja, em Portugal, quem calunie, ameace, persiga quem considere diferente, é criminoso.
Haver em Portugal, em 2005, quem tenha medo de atender telefones, sair à rua, entrar num café, é uma vergonha para todos nós.
Ver, entre quem apela à violência e à intolerância, jovens que nasceram e sempre viveram em Democracia, é um murro no estômago.
Afixado por Isabel às 08:53 | Afixadelas (11)
maio 15, 2005
O outro divórcio

Há pouco, coloquei aqui um post, sobre o meu "divórcio" com a Visão. Nun dos comentários, um nosso comentador falava do divórcio a sério, aquele que se faz com coisas e com pessoas.
Ao lê-lo, recordei das mais belas palvras que, algum dia, encontrei, para definir esse momento. O da separação. Da desistência da procura do outro. Do silêncio. Da partida.
Poderá haver outras. Não me recordo de nenhumas mais claras, mais duras, mas, ao mesmo tempo, mais belas que as de Eugénio de Andrade.
Como, esta semana, tenho andado numa de poesia (creio que tem a ver com o mês, mas não me perguntem porquê, pois seria uma explicação morosa e fastidiosa), aqui ficam:
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus
Afixado por Isabel às 18:11 | Afixadelas (29)
Estou-me a divorciar

Comecei a comprar a Visão, quase desde o primeiro número.
Para quem se lembra, a Visão aparece no seguimento do encerramento de “O Jornal”, e nela, eu, sempre, procurei encontrar a continuação do “Jornal”.
Durante anos, foi um casamento inteiramente fiel. Nunca trai. E quer-me parecer que não fui traída.
Aos poucos a minha fidelidade foi tremendo. À medida que a Visão se afastava do “Jornal” e se aproximava na forma e no conteúdo, do jornalismo folclórico, inconsequente, o tal da notícia ser quando “o homem morde o cão”.
Claro que ainda se encontram grandes entrevistas, continua a ter muito bons comentadores (é sempre um prazer, mesmo quando deles se discorda, ler Cáceres Monteiro ou António Mega Ferreira), a publicar algumas reportagens magníficas, que lhe advém, sobretudo, da colaboração com a Time.
Mas depois sobra o resto. E o resto é o vazio total de ideias. É o jornalismo folclórico, que, de facto, não me diz nada e deixou de me seduzir. Quem tiver comprado a Visão desta semana que leia, por exemplo, a notícia sobre a Convenção do Bloco. E isto não tem, nada de pessoal ou de político por ser militante do Bloco e lá ter estado. Leiam-no e, por favor, digam-me se a alguém interessa saber que um militante do Bloco tem um gato (Monty, tás a ver que até há alguns pontos em comum…) ou que uma militante se deita cedo. Que as garrafas de vinho foram compradas numa Quinta que normalmente vende para restaurantes e casamentos ou que na zona da Grande Lisboa há cerca de 70 ou 80 militantes que têm cama (para emprestar, quero dizer…).
Não vou entrar, porque o meu tempo de antena, acabou no passado Domingo, na análise do que se escreve sobre a Convenção ou nos termos utilizados - catequese, reunião estéril e sem alma - mas não poderei deixar passar a anedota de escrever que numa Convenção dum Partido estão 600 delegados “entre militantes e simpatizantes”, porque isto demonstra uma ignorância completa do funcionamento das organizações políticas e, em última análise, da Democracia.
Claro que a Visão continua ainda com alguns motivos de interesse, uma fotografia de Jennifer Lopez, quase a página inteira, em que diz que gostaria de ser a primeira mulher Presidente dos Estados Unidos, e que a primeira medida a tomar, caso fosse eleita, seria mudar a decoração da Casa Branca.
Neste último número (e confesso que tenho falhado alguns dos anteriores, por isso não sei se é definitivo) não encontrei o texto habitual de Lobo Antunes...acho que a Visão tá mesmo a tentar divorciar-se de mim. Lá tenho que ir tratar dos papéis e mais essa burocracia toda. Porque é que eu teimo em me casar, por dá cá aquela palha, caramba??!!!
Afixado por Isabel às 13:34 | Afixadelas (15)
maio 14, 2005
VIVÓ SPORTING, PÀ!!!

Quando me falam em futebol, eu sinto, sempre, para além de uma ignorância traumatizante, um enorme défice de solidariedade, que numa gaja de esquerda, como eu, só me fica mal.
Émièle e Monty, gosto muito de vocês. Se eu gosto muito de vocês, é normal que fique muito feliz se vocês ficarem felizes, não é? Vocês vão ficar muito felizes, esta noite, se o Sporting ganhar, não vão? Então VIVÓ SPORTING. Vamos ganhar aos gajos!!!
(O que se diz e se faz pelos amigos....)
Afixado por Isabel às 15:42 | Afixadelas (9)
Orelha dançarina

Aconteceu a primeira vez há uns dias. Estava a fazer a barba, em frente ao espelho e para tirar aqueles pelos manhosos que se alojam mesmo debaixo do nariz, pegou-lhe com a mão e levantou-o, enquanto a outra, de Gilette em punho, se preparava para os atacar.
Ficou siderado. Abriu os olhos desmesuradamente e pensou ”Baltazar Manuel, tás doido….”. Quando levantava o nariz, a orelha direita do seu lado, esquerda do lado do espelho, como teve tempo de constatar subia...mas subir de subir, quase que parecia que se separava da cara e se preparava para levantar voo.
Decidiu acabar com aquilo o mais rápido possível e pensou que tinha que deixar de beber à noite.
No dia seguinte a caminho do emprego, parou nos semáforos que estão, ali, mesmo ao pé do Galeto. No CD, que a filha adolescente, deixara no carro, passava uma música movimentada que ela dizia que era duma tipa chamada Shakira (não conseguia pensar se era com K ou com qu, mas achou que quando se pensa, a ortografia não é muito importante).
Com a janela aberta, pôs o braço de fora e começou a trautear com a mão no carro, ao som da tal Sha com K ou Qu...e voltou a acontecer...cada vez que levantava a mão, a orelha direita levantava. Ele sentia, pá. Aquilo até levantava ao som da música. Deitou-se todo para o lugar vazio da mulher, para se ver no pequeno espelho, a orelha esquerda do espelho tava desalmadamente a dançar ao som da musiqueta do CD, que a filha lhe tinha emprestado.
Só acordou do seu enleio quando ouviu um rotundo “cabrão de merda, andas ou não andas?”
Até chegar à empresa numa mais levantou a mão. Aliás, nem voltou a abrir a janela, não fosse o Diabo tecê-las.
Mas a coisa tem-se agravado. deixou de cortar os pelos debaixo do nariz, disse à mulher e à filha que era uma experiência, não voltou a trautear músicas de quem quer que fosse, mas passava horas à espera que não houvesse ninguém por perto, para subir os degraus que o levavam ao escritório. O parvo do Chefe andava a chateá-lo por chegar sempre atrasado, mas não lhe podia explicar que tinha uma orelha dançarina que decidia voar cada vez que levantava a perna, para subir um degrau.
Agora, hoje à noite, é que vai ser o delas. Dormir com um boné, dá muito nas vistas. Mas no dia que o Benfica ganha, aquilo é sagrado. Como é que vai explicar à mulher??? Já a tá a ver lavada em lágrimas e a ouvir a história toda: “Pois, já não gostas de mim...agora nem quando o Benfica ganha...tens uma lambisgóia de certeza, pensas que enganas quem???”
Gaita pá, atão, ele, Baltazar Manuel, sócio do Glorioso desde os 8 meses, não tava a dar consigo a querer que o Benfica perdesse. Que porra!
Ainda ia ver se o Sr. António da Tabacaria tinha fita-cola, daquela invisível.
Mas tinha que ser forte, que, se a dançar com um dedo era aquele desatino, sabia lá o que seria a comemorar a vitória…
Afixado por Isabel às 12:51 | Afixadelas (6)
maio 13, 2005
Guida

Éramos tão iguais. Quando nos conhecemos usávamos uma Tshirt branca, igualzinha e o mesmo pequeno bloco de notas, onde apontávamos, o que nos acontecia no dia a dia, as compras que tínhamos que fazer, os números de telefone, os bilhetes que nunca teríamos força para enviar. Rimo-nos com a coincidência. Ao longo do tempo que nos “demos” fomos descobrindo, diariamente, dezenas de coisas em comum. Gostávamos da mesma música, dos mesmos livros, da mesma roupa, uma vez demos connosco a gostar do mesmo homem. Esta situação constrangedora, ultrapassámo-la com humor. O mesmo humor. E deixámos o comum alvo das nossas atenções, seguir o seu caminho.
Nascemos no mesmo dia e tínhamos apenas um ano de diferença. Durante os oito meses que durou o encontro, nunca estivemos um dia sem nos ver ou nos falar.
No dia do nosso aniversário, decidimos fazer uma festa conjunta. Cada qual convidava os seus outros amigos e juntar-nos-íamos para comemorar.
Na altura de trocar presentes, olhámo-nos, mais ou menos assustadas. Dava para ver que era um livro e, ainda, embrulhado, que era da mesma espessura e tamanho. Abrimo-lo a medo, não fosse acontecer o que, naquela altura, já nos parecia inevitável. Num abrir e fechar de olhos na mesa do Noites de Luar (alguém se lembra do Noites de Luar?) surgiram dois “Livros do Desassossego”, novinhos em folha.
Creio que foi a partir desse dia que nos começámos a assustar um pouco. Creio que algumas vezes nos incomodámos de ao olhar a outra, nos vermos a nós mesmas. Algumas vezes, desejámos que o espelho mentisse. Como o espelho não mentia, sem nos darmos conta, começámos a evitar olhá-lo, olharmo-nos.
No dia em que o espelho nos mostrasse uma face que não gostássemos, que face seria, a minha, a dela ou a nossa?
Um dia, ela partiu para Moçambique. Não nos voltámos a ver. Escrevemo-nos durante muito tempo, mas as cartas foram rareando. Possivelmente cada uma de nós ao olhar-se ao espelho, via a sua imagem reflectida e sentia que aquela era, agora, apenas a sua imagem.
Já não havia muita razão para continuar a busca. Nem prolongar o encontro.
Lembrei-me desta história, hoje, quando o meu filho se mostrava preocupado por não ter "um" amigo. Dizia-me que hoje lá na escola, escolheram “O amigo”. Muitos colegas o escolheram a ele. Ele não conseguiu escolher ninguém. “Pensei em todos, um a um. Gosto de todos. Tive que escolher todos. Achas que é muito mau?"
Respondi que não, claro. Um dia vai acabar por aparecer um ou uma especial.
Não lhe disse, mas espero que não seja demasiado especial. Penso que é mais salutar que, sempre, que nos olharmos ao espelho seja, apenas, a nossa imagem que aparece reflectida. Se não, acabamos por nos assustar. Não estamos geneticamente preparados para a clonagem… Não quero que o meu filho se assuste com a amizade. Muito menos com espelhos.
A propósito, onde andarás a esta hora, Guida?
Afixado por Isabel às 22:22 | Afixadelas (5)
Uma escapadela
Só para vos avisar que eu hoje escrevi muito pouquinho aqui, porque ontem á noite recebi uma proposta desonesta, que, como, não tive, sequer, tempo para pensar...aceitei. Vão lá se vos apetecer.6 em 1 & algo +. E obrigadinho ao Jorge.
Afixado por Isabel às 14:51 | Afixadelas (3)
Isto é um Ónus?

Ontem, à chegada não sei de onde, questionado sobre o Processo de tráfico de influências entre dirigentes do PP e a Herdade Portucale, Paulo Portas declarou, aos jornalistas, que conhecia muito bem Nobre Guedes e Abel Pinheiro e que tinha total confiança em ambos.
Não percebo nada de questões jurídicas (salvo aquela relação próxima e verdadeiramente quente que mantenho com o Código de Trabalho, que me tem permitido algumas pistas em legislação laboral), mas será que estas declarações de Paulo Portas não poderão servir de ónus de prova (Monty e Tó, isto diz-se assim?) contra os dois investigados?
Afixado por Isabel às 12:55 | Afixadelas (16)
maio 12, 2005
Cansaço

Uma nota prévia. Não tem a ver com nada. Creio que, talvez, nem com qualquer estado de espírito definido e/ou defínivel. Só com uma vontade pura, simples e irresistível de publicar isto. Aqui e agora.
O que há em mim é sobretudo cansaço
O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos
Afixado por Isabel às 16:57 | Afixadelas (14)
maio 11, 2005
Help me!!!

Estou farta de pensar o que é que hoje me apetece fazer.
Não me apetece trabalhar. Nunca me apetece trabalhar. Eu sei que é politicamente incorrecto, deve-se dizer, adoro a minha profissão, sou uma mulher realizada, é importante dar o nosso contributo para o desenvolvimento do País, mas eu não penso nada disso. Descer aquela rampa é como subir ao cadafalso e quero que o País se dane. Isto, é hoje, dia 11 de Maio, amanhã posso estar melhor e voltar a achar que estas coisas não se dizem em público. E volto a descer a rampa, e pronto, assunto encerrado. Entro numa de PC durante mais uns diazitos.
Não me apetece ler notícias. Tou farta de me armar em gaja informada e com a mania que tenho capacidade de analisar, ou, pelo menos, compreender, o que quer que seja.
Cheguei aqui ao gabinete e meti uma musiquita do CD de ontem, mas os meus colegas acham que não se deve trabalhar ao som dos Joy Division, o que definitivamente não entendo. Há alguma música melhor para nos apetecer dar um tiro nos cornos por ter que estar aqui?
Pensei que seria uma idéia ir ao refeitório comer uma maçã, mas só há maçãs verdes, no refeitório. Desculpem lá , mas uma maçã que se preze tem que ser vermelha. Admito que haja melancias verdes, kiwis, uvas, agora maçãs, por amor de Deus, uma maçã verde tira a vontade de a trincar a qualquer pessoa normal. Aliás, mais grave, uma maçã verde significa que ainda não amadureceu. Trincar uma maçã não amadurecida é, no mínimo, pedofilia.
Aquele barco que o Bin ontem nos ofereceu com aquele estagiário que a gente não tem usado devidamente era capaz de ser opção. Mas parece que o Barco está em mar alto e o estagiário está com um tendinite no dedo indicador direito. Não me atrevo a ir andar de barco com alguém com um tendinite no dedo indicador direito. Por razões que todos compreenderão.
Não me apetece escrever posts para o Afixe, porque já ultrapassei a minha quota e estou um bocado cota, para ultrapassar quotas.
Hoje quando me levantei ainda pensei em ficar em casa, dizia que estava com uma enxaqueca enorme, que tinha o olho a tremer e estava a ver luzes e ficava a arrumar a casa. Infelizmente tive essa idéia, exactamente no quarto do meu filho, e tão rápida como se veio, foi-se....
O Afixe é um serviço público. Mas é um serviço público com funções recíprocas, isto é, nós escrevemos uns posts, e vocês dão-nos sugestões de como ocupar o dia. Fico aqui a agardar, com a secretária cheia de papéis , os dois dedos indicadores em riste para manter o ar de que estou prestes a atacar o teclado e umas bolhinhas a sairem da cabeça para lhes dar o ar, a eles, que estou concentrada.
Mas não tenho paciência para ficar assim o dia inteiro, até porque também não me apetece correr o risco de ficar com os dedos traumatizados por terem que estar tesos durante horas. Portanto, meus amigos, façam o favor de se apressarem. Obrigado.
Afixado por Isabel às 12:51 | Afixadelas (27)
maio 10, 2005
Os meus discos
"This is the way, step inside"

Não sei o que mais me fascina em Closer. Se o som duro das guitarras, se o som suave das teclas.
Não sei o que mais me fascina em Ian Curtis, se a loucura, a solidão, a forma como retrata o desespero e se retrata na angústia. Ou se, apenas, a sua voz.
Não sei o que me encanta nesta capa.Sei que a acho das mais belas capas de albuns, alguma vez publicada.
Não sei o que me transmite Décades. Sei que ciclicamente ouço este disco. E particularmente esta faixa. Não, necessariamente, quando estou deprimida, apenas quando estou com dúvidas. E sou, ainda hoje ou cada vez mais hoje, uma mulher que cultiva afincadamente as suas dúvidas.
Closer é, para a maioria dos entendidos, um dos melhores discos da década de 80. Closer é para mim, o disco que acompanhou o meu caminho desde os anos 80. Não foi fácil o caminho? É fácil ouvir esta música? É a música do meu caminho. Com a certeza que não me transportará ao fim procurado e anunciado de Ian Curtis, mas tão só ao fim dum passo e ao começo de um outro. Ao compasso daquela bateria prodigiosa.
Afixado por Isabel às 22:05 | Afixadelas (18)
Porque sim

Durante anos, encontrar e conhecer alguém era sempre um livro em branco.
Hoje, com a blogosfera (que é a única que conheço, nunca entrei num chat) as coisas modificam-se ligeiramente. Aos poucos, vamos colocando letras nas páginas vazias. Primeiro escreve-se-lhe um pensamento, uma maneira de estar, uma música que se ouve, um filme que se vê, uma opção que se faz. Mais ou menos lentamente, conforme a velocidade com que postamos ou que lemos o que os outros postam, o nosso livro em branco vai-se enchendo de palavras escritas. Um dia, por acaso, necessidade ou simples opção, juntamos às palavras escritas uma voz. De um momento para o outro o livro enche-se de novos e empolgantes capítulos.
Até que um dia, às palavras e à voz do livro, juntamos uma imagem.
E aí, algumas coisas estranhas podem acontecer. Com imagem, ou continuamos a escrever o mesmo livro, digamos, para simplificar, um Saramago, ou mudamos para um completamente diferente, talvez um Lobo Antunes. Creio que dificilmente o Saramago sobrevive. E, até pode acontecer, que prefiramos o tom, a forma, o sabor do Lobo Antunes. Mas durante algum tempo fica-se com uma certa nostalgia do livro inacabado do Saramago. Para além do mais, o homem sempre ganhou o Prémio Nobel…
Talvez por isso dê comigo a confirmar a minha preferência pela forma original de encontrar pessoas. A de começar o livro com as páginas em branco.
Ou será que, apenas,ainda não me acostumei a ver imagens nos meus Saramagos?
Só para esclarecer, nunca deixei um livro do Saramago inacabado. Adoro a escrita do Lobo Antunes
Afixado por Isabel às 08:18 | Afixadelas (9)
maio 09, 2005
Um local para repousar o olhar

Quase que a conheço, desde que comecei a trabalhar na empresa onde, ainda hoje, estou.
Diariamente o segundo café, o do meio da manhã, era e é lá tomado.
Era uma senhora, pequena, magra, bem disposta. Parecia que nunca estava parada. Os seus olhos percorriam incessantemente os clientes, a máquina do café, a porta. Tinha sempre uma palavra especial para cada um de nós. Quando fiquei grávida do meu filho, diariamente encontrava uma forma diferente de me falar do “acontecimento”. “Está mais bonita…”. “Já viu que não tem pano? “Que barrigona enorme!” “Esse rapaz vai ser um gigante”.
Primeiro comecei a estranhar as perdas de memória. Um dia perguntava-me pelo João Pedro, no outro cumprimentava-me como se não me visse há meses. Continuava a servir o café, com o seu ar desenvolto, mas notava que não havia tanta leveza no seu andar, nem tanto brilho no seu olhar.
Nos dias em que me perguntava “Onde tem andado, menina”, às vezes contava-me histórias do Minho, de quando frequentava a escola e encontrou uma galinha escondida debaixo da carteira.
Aos poucos, foi deixando de fazer perguntas. Já não servia bicas, deslocava-se com dificuldade, quase sempre a encontrava sentada, mas, habitualmente, ainda me saudava, com um comentário e um sorriso.
Não sei se foi o comentário ou o sorriso o que, primeiro, desapareceu. Mas sei que o olhar ainda sobreviveu, por uns tempos. Continuava sentada na mesma cadeira, na pequena mesa onde o marido diariamente lhe dava, à hora do meu café do meio da manhã, um bolo de arroz aos pedacinhos. Lentamente, como eu me lembrava de ter feito ao meu filho, em pequenino.
Estava cada vez mais pequena e mais frágil. Mas continuava na sua cadeira. No meu café do meio da manhã.
Recordo o dia em que o olhar, finalmente, desapareceu. Tinha estado ausente da sua cadeira durante alguns dias. Quando a vi, de novo, aproximei-me devagarinho. O seu olhar já não estava lá. Não me olhou, não sei, sequer, se se apercebeu da minha presença. Parecia-me que olhava um pequeno ponto na parede, onde, antes das obras, tinha havido uma janela. Não me voltou a olhar. Nunca mais.
O marido ia dizendo que a “namorada” estava cada dia mais longe, mas que tinha momentos que o reconhecia. Às vezes até me sorri, dizia.
Há algum tempo a cadeira está vazia. Nunca tive coragem para perguntar, ao marido, onde estava a sua namorada. Hoje, como ele não se encontrava, questionei o empregado que me serviu o café. Já não se pode levantar, disse. O marido está com ela. Apenas a consegue sentar na cama e alimentá-la.
Calculo que continue a gostar dos pedacinhos de bolo de arroz. E acredito, que o marido, lhe tenha descoberto uma janela onde possa continuar a repousar o seu olhar.
Afixado por Isabel às 23:54 | Afixadelas (8)
maio 08, 2005
Tempo de Antena

Ponto prévio: não estou no Afixe há muito tempo. Estou há tempo suficiente para, creio, todos saberem que nunca usei nem usarei, este espaço e o convite que tão amigavelmente me foi feito, para fazer propaganda partidária. Expressarei, como sempre fiz as minhas ideias, mas o Bloco nunca poderá pensar que encontrou, aqui, comigo, uma forma de ganhar votos...hoje é a excepção. Que penso que compreenderão e que acredito que não vos vai pôr muito zangados comigo...
Agora, aqui vai a crónica:
Depois de dois dias de intensa (e acreditem que a palavra intensa, não está empolada) discussão chegou ao fim a Convenção. Foi uma discussão, algumas vezes crispada, mas em que não se ouviram apupos ou agressões verbais (tirando um caso pontual, que como pontual, terá e deverá ser entendido), não se cortaram nem coarctaram opiniões, não se fizeram pressões.
Contrariamente a outros partidos, inclusive de esquerda, nunca um, e permitam-me aqui, pela primeira vez, e devido ao facto de publicamente ter assumido que estaria presente na Convenção na condição de militante e de Delegada, usar esta expressão, nunca, dizia eu, um camarada que pensasse de maneira diferente da maioria dos delegados, foi tratado pela mesa, ou pelos outros presentes duma forma diferente. É esta forma de estar dentro do Bloco, apesar de tudo aquilo que a Comunicação Social quer ou quiser fazer crer, que faz com que ali esteja e ali me sinta em casa. É assim que recebo em minha casa, é assim que sempre estive na minha vida.
Foi aprovada, sem votos contra, a Moção, cujo primeiro subscritor é Francisco Louçã. Foram eleitos, por voto secreto, os novos membros da Mesa Nacional, com uma maioria clara da proposta apresentada pela lista A, tendo a Lista B, perdido mandatos em relação à anterior eleição.
Discutiu-se política, discutiu-se o funcionamento interno do Bloco, fizeram-se críticas, que muitas das vezes considero injustas e injustificadas mas com isso ganhou o conjunto dum partido que, ao crescer, terá que ter coragem de afirmar que não é perfeito, nem pode aspirar a caminhar para a perfeição, porque é constituído por homens e mulheres. Que comete erros, mas que, tal como nós ,quando crescemos, aceita discuti-los, aprende com eles, tenta melhorar, até porque tem consciência que daí advirá a sua sobrevivência.
Foram apresentadas propostas políticas que considero importantes para o futuro imediato da Esquerda e da Democracia em Portugal (e, amigo Monty, este foi para mim o momento alto da Convenção). O Bloco fez publicamente, deixando claro nas palavras de Francisco Louçã, que não importariam lugares, não se perderia tempo discutindo quem é quem, quem fica com quê, um convite público para uma aliança com o PS, o PC e todas as pessoas de Esquerda, para, na Câmara do Funchal, derrotar o cancro e a vergonha da Democracia em Portugal: o poder de Alberto João Jardim. Convite que ontem, à noite, foi rejeitado pelo PS da Madeira. Convite que, espero, venha a ser reconsiderado.
Apresentou outros caminhos que me parecem positivos e indicadores da nossa forma de estar na vida politica, como o apoio público à candidatura por Lisboa de José Sá Fernandes ou o convite a Diana Andringa para encabeçar a lista para a Câmara da Amadora.
Desafiou o Governo a escolher como prioridade imediata e inadiável a criação de Emprego.
Não estou em condições de fazer estatísticas, mas não deverá ter andado longe a paridade (e esse foi um assunto, tão discutido….) nas intervenções, entre homens e mulheres. Fiquei agradavelmente espantada com a quantidade de jovens, vi emigrantes recém chegados e continuei a ver pessoas que andam nisto há décadas.
Não vi unanimidade, vi unidade. Não vi qualquer réstia de estalinismo ou de centralismo democrático, vi o aceitar de diferenças e o saber com elas conviver, respeitando-as.
Isto é, confirmei que o Bloco ultrapassou o estigma das comparações com os "locais" de onde vem e se prepara para reforçar as escolhas do "caminho" para onde vai.
Por fim, vi e gostei de ver, que sabemos receber bem os nossos convidados, mesmo quando deles discordamos. Vi aplaudir a delegação do PS e a do PC, da CGTP, que tantas vezes, a nível de Direcção e dos seus órgãos intermédios tão mal nos tem tratado, como ainda recentemente aconteceu no Porto.
Ah, e vi e ouvi a maior ovação da tarde, para os representantes da Frente Polisário e da Fretilin. E, aí, voltei a sentir-me em casa.
PS: Andei pela Net toda à procura duma fotografia da Convenção, para aqui publicar. Só descubro fotos do Francisco Louçã. Como a convenção não foi o Francisco Louçã, lá terá que ir a Estrela com cabeça…
FIM DO TEMPO DE ANTENA
Afixado por Isabel às 19:24 | Afixadelas (33)
maio 06, 2005
Preciso de um amanhecer assim!
Não há como a magia do amanhecer para que tudo volte, de novo, a ser possível.
Hoje, um amigo falava-me da beleza de Lisboa ao amanhecer. Uma fotografia roubada algures, comprova-a.
Fotografia que me faz bem num dia negro devido à constatação de que somos, muitas vezes, incapazes de descobrir força, capacidade para dar a volta à injustiça, à falta de respeito, de sensibilidade e de moral daqueles que crêem que o Poder lhes dá a posse do Mundo. Um amanhecer que repõe tudo no seu verdadeiro, real, insignificante lugar.
Tenho um colega que há anos luta contra o alcolismo. Faz curas e fica melhor. Depois volta. Há anos que a Comissão de Trabalhadores tenta convencer a Direcção que não vale a pena fazer processos disciplinares, que a solução está no tratamento, porque o alcoolismo é um doença. Que o Médico de Trabalho o tem que acompanhar. Que ele não pode voltar depois dum tratamento e nunca mais ser chamado, acompanhado, ajudado.
Ontem voltou a beber. Hoje às 8 e meia da manhã tinha a empresa em peso à minha espera. O......estava “bêbado” tinha que fazer um teste, iria para casa e far-se-ia um processo disciplinar. Problema resolvido.A empresa em peso voltaria ao trabalho. Ao almoço, almoçar-se-ia, ao jantar jantar-se-ia e à noite depois da telenovela, iriamos todos para a cama. Em paz.
Ao lado dum homem desesperado, de lágrimas nos olhos, de palavras presas, três directores e mais de 20 colegas, perguntavam descuidadamente, sem um pingo de emoção na voz “ Vamos continuar a preocuparmo-nos com este gajo?" ou " Porque é que não o levas p’ra casa?” (Esta era para mim, tá bom de ver...). Todos em uníssono. Directores e colegas.Creio que é a isto que se chama concertação social...Colegas que trabalham com ele há mais de 20 anos.Que o conhecem. Que sabem o extraordinário ser humano que é, quando não bebe.
Quanto mais depressa se resolver o problema melhor. Apesar de tudo é um pouco incómodo de ver. Olhos que não veêm, coração que não sente.
Não tem família, ir para casa é o fim da linha, a perda total...que se lixe, ontem o Sporting ganhou, está-se a pensar fazer um Rally Paper, até já se convidou a Directora e o marido, o filho e o cão...
Amanhã o Sol vai voltar a nascer. Vai ser, assim, belo, como a fotografia mostra e como o amigo dizia, esta manhã. Em casa, envolto no odôr retardado do álcool e na tristeza duma vida vazia e de solidão, o ... vai estar à espera do Processo disciplinar. Eu vou ter mais uma semana de nervos, de incompreensões. Não é armar-me em vítima. Mas, por uma razão qualquer que eu própria desconheço, não estou com força. São uma tentativa de a redescobrir, estas linhas.
Amanhã, quem sabe, cedinho, ao sair de casa, volto a ver um amanhecer assim...e tudo seja, de novo, possível.
Afixado por Isabel às 12:04 | Afixadelas (4)
PORRA!!!!!!
Inspirada no post de ontem do João e numa viagem sugerida pelo Bernardo, e depois de começar a manhã aos berros com gente mal-educada e mal-disposta, e juntando, ainda, uns pozitos, que devem ter a ver com a conjunção astral...eu hoje estou, MESMO, assim:

Afixado por Isabel às 11:19 | Afixadelas (3)
maio 05, 2005
O novo contrato

Estou há uma porrada de tempo a ler uma notícia da capital sobre o novo contrato de José Mourinho com o Chelsea. Fala nuns números engraçadíssimos que eu não consigo entender. Isto é como tudo na vida. Só consigo imaginar o Everest quando , pelo menos, alguma vez subir a Serra da Estrela (o que nunca aconteceu). Só consegui entender o que seria uma viagem em Alto Mar, quando um dia apanhei um barquito em Setúbal que me levava para Tróia e fiquei 30 minutos numa tempestade, com ondas monstras aos saltos, relâmpagos por todos os lados e um dilúvio, tipo fim do mundo.
Depois de pegar na calculadora, fazer contas, pegar na calculadora, fazer contas outra vez, desesperada por não chegar a um número compreensível para mim, continuei a ler o artigo. A Capital, afinal, dá-me uma ajuda preciosa e diz-me que o homem vai ganhar oito mil contos por dia. Oito mil contos por dia. Quero dizer em vez de pagar a última prestação da casa em 2027, podia pagar Sábado às 10 da manhã. Quere-se dizer, oito vezes mais num dia que alguém que ganhe o ordenado mínimo ganha em 365.
Nestas ocasiões nunca sei se me hei-de rir, se desato a chorar desalmadamente ou se acho que isto está tudo doido. Quando chegar a alguma conclusão, eu depois, digo-vos.
Afixado por Isabel às 10:42 | Afixadelas (13)
maio 04, 2005
d.L.
Fotografia do João Peter of the Coast, depois da venda do livro:sultao

Afixado por Isabel às 21:59 | Afixadelas (7)
Recebido na mesa de cabeceira

Estava ontem à noite, na mesa de cabeceira. Foi publicado com autorização do próprio:
Mãe Isabel
Desculpa lá o atraso, mas no Sábado estive lá naquilo da AAA, e não tive tempo de nada. Depois no Domingo zanguei-me contigo por causa da roupa e também não me apeteceu falar muito no assunto.
Gosto muito de ti, de falar contigo, de brincar contigo e que me ajudes nos trabalhos de Português , de Inglês e de Francês. Só tenho pena que sejas um desastre a Matemática, porque curtia ter alguém aqui ao pé, que me ajudasse. Sabes bem que o meu futuro depende disso, mas não há mães perfeitas, paciência.
Também gosto das massas, dos hamburgers e de algumas outras coisas. Gostava é que entendesses que não suporto feijões nem couves. Já sei que fazem bem, já me contaste a história milhares de vezes, estou convencido, mas isso não muda o meu gosto.
Às vezes queria que me fizesses mais companhia nas buscas na net e tenho um bocado de ciúmes do blog. Mas desde que não fiques com o computador o tempo todo (ou te decidas a comprar-me outro) havemos de chegar a acordo.
Não te esqueçes do dinheiro que me deves, que eu preciso dele para o telescópio, e desculpa lá não te dar a prenda agora mas tu puseste-me o mealheiro a zeros. Dou-te depois uma prenda para os anos, que já está quase. Mas não pode ser uma coisa muito grande nem muito cara, prepara-te.
Desculpa lá aquilo de Domingo, foi chato passar o Dia da Mãe, zangado contigo, mas também quem é que te manda não perceber que o melhor local para guardar a roupa é em cima da cadeira do quarto?
O F disse-me para te dar um beijo também e concorda com a minha apreciação maternal.
Pronto, já disse tudo. Vê lá se tens juízo e comes menos doces e se me deixas ter o quarto desarrumado, que eu quando fôr um astrónomo famoso não vou ter tempo para me preocupar com essas parvoíces.
Fica lá com um beijo, não vale a pena fazeres essa cara de dasgraçadinha.
João Pedro
Afixado por Isabel às 10:25 | Afixadelas (22)
maio 03, 2005
Paixão

Paixão.Sou uma viciada em paixão. Não estou a falar só da paixão que cantam os poetas, a que nos faz mover montanhas, a que se tem pelo outro, por um outro.Falo da outra.Que os poetas não cantam, que nos faz mover uns montinhos mais pequeninos, mas que nos dá o mesmo aperto no estômago quando a temos próxima, ou o aperto na garganta quando não lhe podemos tocar.
Já dei por mim apaixonada por quase tudo. As excepções devem ter sido, apenas, o poder, o dinheiro e a profissão. Gosto de dinheiro, mas não me dá nenhum aperto no estômago quando me aproximo da caixa Multibanco, gosto do que faço, mas não fico cá com apertos de garganta durante as Férias. Quanto ao Poder, é algo que nem sei o que é.
Apaixono-me por livros, e aí leio o mesmo dezenas de vezes . Volto a cada frase, decoro-a, saboreio-a, delicio-me com ela.
E por discos? As minhas paixões por discos, são de caixão à cova. Aqui há alguns anos apaixonei-me, perdidamente, pelo Closer dos Joy Division , algum tempo depois pelos REM, quem conhece os dois, compreende qua têm tudo a ver...Escolho uma duas faixas vítimas e ouço-as até à exaustão. A semana passada apaixonei-me por uma música que o JPC colocou nas Ruínas, mas das paixões actuais, não falo, por pudor.
Apaixono-me por palavras. Estas são, normalmente, paixões duradouras. Vivo; luar; contigo; chegar; encanto. Não são apenas os conceitos, é o tom. O som.
Apaixono-me pelos amigos. Cada vez que o telefone ou a campaínha toca, o Email se abre, o motor do carro se ouve, o coração salta, o aperto toma conta de tudo. De mim, do tempo, do espaço.
Cada vez que a voz tarda, a presença escasseia, as notícias não chegam, parece, não que o mundo acaba, porque isso é muito radical, mas as que cores perdem côr, os sons perdem som, a respiração toma peso.
Apaixono-me por acreditar. Cada vez que acredito que algo é possível, entrego-me, não desisto, corro, deixo de comer, deixo de dormir e até, desconfio, que, às vezes, deixo de respirar.
E apaixono-me pala Paixão. Não suportaria a vida sem ela.A paixão é uma das minhas maiores Paixões. Apenas ultrapassada em força e em fulgôr pelo Amor. Mas esse, aí, tem sempre destinatários concretos. Não ficava bem falar neles num blog.
Afixado por Isabel às 15:19 | Afixadelas (21)
Dia Mundial da Liberdade de Imprensa

"Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações ou ideias por qualquer meio de expressão"
Em 2004, 78 jornalistas perderam a vida em trabalho. Por todo o Mundo há pressões dos Poderes para silenciar e para manipular.
Por nada mais que isto, aqui fica esta pequena nota.
Afixado por Isabel às 09:47 | Afixadelas (10)
A medalha

Estou tão emocionada. Desculpem, mas nestas ocasiões faltam-me, sempre, as palavras.Tenho um nó na garganta e os olhos marejados de umas lágrimas teimosas.E, isto, porque escrevo, porque se fosse a falar as palavras não sairiam, mesmo. Não, não é de tristeza, felizmente. É comoção, orgulho, alegria, é um sentimento tão intenso que não consigo definir.
Ele merece. O País merece. Eu mereço esta medalha, carago.
Pouco mais tenho a dizer. Talvez, apenas, que fomos injustos. Nunca damos o real valor aos nossos.É um defeito bem português.
Paulo, algum dia me (nos) poderás perdoar?
Afixado por Isabel às 09:13 | Afixadelas (3)
maio 02, 2005
Eu, o Bloco e o Blog




Não sei se esta semana vou ter muito tempo para o Afixe. Tenho em mãos alguns assuntos urgentes, que o Expresso da passada semana, agravou consideravelmente. Desconfio, até, que alguém no Expresso (não Monty, não estejas já com o teu mau feitio...), veio aqui ver o Afixe e decidiu, deixa lá dar trabalho aquela tipa, que já estamos fartos de a ver (?).
Vai daí, resolveram dizer que na Convenção do Bloco do próximo fim-de-semana se vai “entronizar” o Francisco Louçã. Como se não bastasse a notícia, marcou-se uma reunião de urgência para decidir quem iria encontrar o Cognome. Não houve voluntários, não houve voluntários à força, decidiu-se pelo sorteio. Como não tenho sorte aos amores, lá sai o papelinho com o meu nome. “Camarada Isabel, toca a arranjar um cognome, tens 5 dias...”. É que não se trata, apenas, de meter Francisco I, ou assim, é necessário o outro. Tipo o Lavrador, o Desejado, o Conquistador.
Tou,mesmo, feita ao bife.
Depois o Expresso ainda me arranja umas tendências esquesitíssimas onde não faço idéia onde é que me deva meter. Há a extrema esquerda do Bloco. Aí presumo que não estou porque não me revejo na Moção que “Os esquerdistas” vão apresentar. Depois há a ala direita, que não vai apresentar moção mas criou uma tendência. São os “não marxistas” os “Ex PCs” e mais umas coisas parecidas. Ainda não tive tempo para pensar se ainda sou marxista (mas tenho a impressão que sim, o que deve estragar a coisa), quando passei pelo PC ainda levava o biberon numa mão e a bandeira na outra e nunca vi os “direitistas” a discutir com os “centristas” para ver em que sítio, mais ou menos, é que me situo.
Também há os outros, deduzo que os “normais”. Mas esses parece que têm que ter vindo da UDP ou do PSR, eu nunca estive na UDP nem no PSR, aliás, não me lembro de ter sido trotskista ou estalinista, o que só complica tudo.
Eu sei que não sou uma pessoa importante mas acho que o Expresso me poderia poupar a esta semana. Até porque tenho o meu filho, o F, o Afixe, a empresa (claro que não é por acaso que aparece em último lugar) e ainda tenho que estar disponível para qualquer outra coisa estimulante e interessante que por aí apareça. Não me parece justo.
Também já pensei em criar uma tendência só para mim, mas o tempo é um bocado apertado. E não sei se se regista nas finanças ou no Notário.
Portanto já sabem, se aparecer menos, estou á procura do buraco.
Afixado por Isabel às 09:15 | Afixadelas (20)
maio 01, 2005
Um outro 1º de Maio

Foram maus os tempos.
São Martinho do Porto, anos 80, ressaca de quase tudo. Tinha acabado a Revolução, tinha acabado o amor, tinha acabado a ilusão de que ambos durariam para sempre. Na idade em que tudo deveria começar, já quase tudo tinha acabado. O problema de viver tudo muito depressa. Sempre. Até hoje?
Quando, naquela noite de Agosto, uma chuva de estrelas cadentes, o som do mar, o vinho tinto da tasquinha da Estação e um charro, voltaram a abrir caminhos, soube logo que seria curto, duro e doloroso. Mas entrou nele.
Os anos que se seguiram foram de luta diária contra a tua vontade. Querias partir. Querias que a partida fosse definitiva e querias, definitivamente, que te segurasse.
Quantas vezes desisti e quantas voltei ao teu apelo? Quando terá acabado o amor e nascido o medo? De, ao partires, não suportar a culpa de não o ter impedido?
Talvez desde a primeira estrela sobre a Baía de S. Martinho? Ou muito mais tarde, quando peguei em livros, em mesas, em calças e em nós e te propus que fugíssemos de Lisboa? Como se fugir, pudesse algum dia ter sido/ser a solução.
Foram maus os tempos.
No dia em que o Diane se perdeu, julgou que o tinha perdido também. Lembra-se de ter sentido medo e alívio. E de, durante muito tempo, não se ter perdoado pelo alívio.
Um dia, deitada a seu lado, enquanto ele repousava de mais um passo para o fim, viu a prata, a seringa e o limão. À distância de um braço. Poderia passar-lhe o braço por cima, aproveitaria para lhe fazer uma carícia que significaria, se não amor, a ternura que ainda, dentro de si, guardava, e partiria, também ela, para um caminho sem retorno, mas também, julgava, sem dor.
Como seria esquecer? Como seria poder entendê-lo, estando com ele, nos passos para a partida anunciada?
Levantou-se. Pegou num saco, pequeno. Onde, apenas, cabia alguma roupa, dois ou três livros , uma fotografia deles em S. Martinho do Porto. Devagar para não o acordar, deitou para o lixo, a seringa, a prata, o limão. Pegou num papel e escreveu “ Terás que recomeçar sozinho. Quer escolhas voltar a encontrar a prata ou a desistir dela, eu não poderei cá estar. Lamento. Creio que te amo.”.
Encontraram-se muitas vezes. Depois. Em todas teve a certeza que o caminho dele era aquele. Que nada poderia fazer. Mais tarde, acabaria por aceitar que nada poderia ter feito. Quatro anos depois viu-o chegar ao fim. Antes, teve tempo de lhe dizer que do bilhete daquele dia teria tirado o “Creio”. Tem a certeza que alcançou a paz. Que ambos alcançaram a paz. Cada vez que uma estrela cadente atravessa o Céu, reconhece-a e sorri-lhe. Não tem arrependimentos nem remorsos. Apenas saudade.
Escolheu partir no dia 1 de Maio.
Afixado por Isabel às 16:07 | Afixadelas (24)
Mãe

Mesmo nas alturas em que não me compreendeste. Mesmo nas escolhas que não aceitaste. Mesmo nos momentos em que te deslidudi ou te fiz chorar. Mesmo quando não tive tempo para te ouvir. Mesmo quando ainda me tratas como uma criança e eu fico pior que uma barata. Mesmo quando me acordas ao meio da noite a dizer que estás preocupada, porque o Menino às 10 da manhã do dia anterior tossiu enquanto te falava ao telefone. Mesmo quendo me enchias a cabeça que eu não sabia fazer sopa, como deve ser.
Foi e é assim que nos vejo, mãe.
Afixado por Isabel às 12:20 | Afixadelas (7)
1º de Maio de 1974

Devo estar ali. Não dá para encontrar, pois não? Foi a segunda vez que vim a Lisboa. Não me lembro que houvesse tanta gente.Cerca de um milhão, dizia-se, na altura. Só me lembro que havia Liberdade.
Afixado por Isabel às 12:03 | Afixadelas (4)
abril 30, 2005
Uma tarde na Mouraria

Uma tarde de fado, com Lisboa e o Tejo ao fundo. O som da viola e da guitarra portuguesa, nas mãos e na alma de dois miúdos de 16 anos. A voz forte, limpa, linda de uma jovem de 17 anos. O fado vadio das vozes roucas de fumo e de bagaço, mais velhas e muito vividas. O fado que já não é só tristeza, desânimo, ciúme, traição, mas que, ainda sendo tudo isto, é também alegria, juventude, desafio e muita garra. Uma desgarrada a sério, com vozes, viola e guitarra. Muita cerveja. Muitos amigos. Um café e um bagaço, só mesmo para acabar de aquecer o coração e ter força para descer uma colina de Lisboa e subir outra. Uma tarde perfeita.
Émièle, amanhã devo estar pronta para te ajudar na árdua tarefa de falar no Governo e no Isaltino.
Ah, é verdade já alguma vez vos disse qua adoro fado, o verdadeiro, o da Mouraria e de Alfama? Não disse, mas é verdade. Adoro, pá. Só não canto porque tenho medo de assustar quem por lá esteja e só não desato a chorar com aqueles dramas, com os abandonos, os amores não correspondidos, as promessas de não esquecer e de esquecer, os fins e os reconeços,o gemido da guitarra, porque uma gaja grande como eu, já não desata a chorar em público, assim, por dá cá aquela palha. Tenho uma reputação a manter...e esqueço-me sempre de comprar lenços de papel.
Afixado por Isabel às 19:18 | Afixadelas (12)
Não vejo, não falo, não ouço!

Eu agora ando a tentar esta táctica.
Há duas semanas que não me apetece falar de política. Nem do Mundo. Nem das tristezas dos políticos e das políticas, nem das tristezas dos homens. Muito menos nas do Mundo. Não é que ande eufórica, ou sequer, particularmente feliz, não ando. A situação a nível profissional está cheia de pontos de interrogação, ando com uns ataques de militância, que achei que iam passar a seguir às legislativas e que, afinal, se mantêm, e que me tiram horas preciosas de descanso e de sono (estão a ver-me acordada ao Sábado, a estas horas?...), tenho um ou dois problemas pessoais que urgem de intervenção e, no entanto, só consigo escrever em tom de festa. É como se esta fosse a forma de afastar fantasmas, fazer tangentes às dúvidas e tirar a língua aos problemas. Não sei quanto tempo se manterá, não sei, sequer, se este post é indicador de que começam a surgir pequenos rombos na eficácia da droga, mas, para já, não me apetece falar a sério. Isto deve passar e, então, eu volto a fazer as minhas crónicas do Parlamento, a falar do flagelo dos acidentes de trabalho, a contar as desgraças da lei das autarquias e do circo da referendo da IVG, eternamente adiado, a expôr problemas domésticos, a discutir o Papa e a seca... ah, é verdade e a escrever sobre homens, outro tema igualmente deprimente, para já deixem-me cá aproveitar mais um ou dois dias de pedra, antes que acabe a dose e a coisa volte às tonalidades certas. Tonalidades certas que, nesta altura do campeonato, devarão andar nos beges tristonhos, nos castanhos deslavados, nos acinzentados desbotados e nos amarelos pardacentos.
A esta necessidade de construir mundos irreais onde nos passeamos mais ou menos paulatinamente, alheando-nos do que, eventualmente, nos poderá incomodar e entristecer, creio que se costuma ( ou, pelo menos, costumava nos meus tempos áureos ) chamar alienação. Deve ser isso: por uns dias tornei-me uma alienada. Mas uma alienada como deve ser. Realizada. E feliz com isso. O que apenas abona a meu favor. Já que cá está, que seja uma coisa de jeito. Não gostaria nada de me vir a envergonhar da qualidade do meu produto.
Afixado por Isabel às 08:04 | Afixadelas (2)
abril 29, 2005
Truih U Namd

Frtyem ardsfu gu portmnd aom!
Potmlac bncvs aquetroi ...asdcz, vertdfs d acb moirbvx.O lbaxesd.
Vnxeras u tropksdr.Coca Cola itr ardvz u aplef?
Pntbz ardcs vnea Control rda nmacs?
Vmavyt eio almabs mnba iyr anvx d acb u Jack Daniels u truyi oi UAUU!!!
P'ra si também!
Afixado por Isabel às 10:20 | Afixadelas (15)
abril 28, 2005
Cavalos II

Segundo um post da Émièle, o Lidl está a vender artigos de equitação. Antes que passe dos artigos à venda de cavalos (creio que de equitadores é capaz de não ser fácil) e já que os preços dos sumos, do arroz e dos guardanapos prometem uma boa compra, aqui vão algumas notas sobre cavalos.
O cavalo é filho do cavalo e da égua.Se fôr filho dum cavalo e duma burra já não se chama cavalo e não é para aqui chamado. Há cavalos de muitas raças ou marcas.
São animais muito bonitos e úteis. Dantes puxavam as carruagens e as carroças e ajudavam nas lides do campo. Agora servem para montar (ser montados) e para fazer corridas e apostas na Inglaterra. Também servem para ir à Feira da Golegã.
Os filhos pequeninos dos cavalos e das éguas chamam-se poldros ou poldrinhos, se forem, mesmo, muito bébézinhos.
Os cavalos mais valiosos são os puros sangue, que são cavalos cujos pais decidiram não ir (ou não os deixaram ir) molhar o bico em seara alheia.
Há os puros sangue árabes, lusitanos, andaluzes, ingleses, etc. Distinguem-se uns dos outros pela cores, pelo porte, pelo tamanho e pelas aptidões – uns são melhores para o ensino, outros para as corridas, outros, ainda, para a GNR.
Mas são todos muito giros e muito nossos amigos.
Para além destes cavalos, há o cavalo marinho, o Cavalo, signo chinês e os cavalos dos motores dos automóveis. Também há “Os cavalos também se abatem” e a expressão: “És um autêntico cavalo”, que pode ser um elogio ou altamente depreciativa conforme onde e por quem é dita.
Há uns primos dos cavalos que se chamam burros, que são também muito engraçados e estão em vias de extinção (os de quatro patas).
Os cavalos têm atributos físicos unanimememnte reconhecidos e apreciados, que habitualmente exibem sem parcimónia sempre que se aproxima a esposa, a namorada, a amante, a prima, uma amiga ou qualquer outro exemplar do sexo oposto.
Devido a este e outros atributos há cavalos que são vendidos por autênticas fortunas, o que aguça a minha expectativa de que o Lidl opte por investir em equídeos.
Afixado por Isabel às 10:52 | Afixadelas (18)
abril 27, 2005
"Os meus discos" de Abril

Para terminar esta série e, porque o mês de Abril, está a chegar ao fim, guardei o último agradecimento para o amigo que me deu a conhecer, ainda de mala às costas e de batinha aos quadradinhos, todos aqueles a quem, aqui, disse Obrigado.
Na livraria que tinha em Santarém, ouvi os primeiros discos do Adriano e do Zeca, li o primeiro livro do Alves Redol e do Garcia Marquez e, a seguir ao 25 de Abril, devorei os “Clássicos”.
Uma livraria única naquele tempo, numa cidadezinha como Santarém. Com espaço para nos sentarmos, tempo para ouvirmos música e lermos e disponibilidade para nos levar à descoberta.
Ali dentro continuávamos adolescentes (ou, ainda, nem isso) mas descobríamos o prazer de acreditar em mundos novos.
Na Livraria Apolo, para além do que li e ouvi, das amizades que criei, tive o primeiro namorado. Nunca me esquecerei que foi ao som da música do Zeca que, para além de sonhar, me apaixonei. Com aquela paixão única. A primeira. Até por isso, nunca o esquecerei, amigo. Esteja onde estiver agora, obrigado pelo tempo, pala amizade, por o que me (nos) ensinou, pela palavra certa no momento de desalento, de euforia, de paixão, de medo, de dúvida (era e é assim a adolescência, não era?).Obrigado, sobretudo, pelo exemplo.
Afixado por Isabel às 22:02 | Afixadelas (6)
O peso da fama

- Boa noite, minha Senhora.
- Boa noite.
- A sra é deputada, não é?
- Deputada, eu?...não.
- Deixe-me cá vê-la bem - aproximou-se - Ah, se a menina - (que sorte...) - não é deputada é conhecida, já a vi na televisão muitas vezes (cum caraças, até ele...já não basta chegar à empresa e ter toda a gente a dizer que enquanto os “dirigentes” falam e todos ouvem eu não largo o copo da cerveja...e convencê-los que era água no copo da cerveja...) - Então é actriz...
- Actriz, eu?
- A menina não me engane, eu conheço-a e é uma pessoa famosa...Deixe-me dar-lhe um beijo que eu nunca dei um beijo a uma pessoa da televisão.
(Diálogo ontem à noite, entre esta vossa aphixadora e o arrumador da zona, algures em S.Bento).
Só pode ser...confundiu o écran.
O que faz um blog!!!???
Afixado por Isabel às 10:22 | Afixadelas (19)
abril 26, 2005
As diferenças

Um estudo divulgado pelo Instituto da Inteligência, hoje divulgado, conclui:
Os rapazes são melhores a Matemática, a Filosofia e a ver gráficos e mapas.
Acho que esta história, dos mapas, já é antiga que eu lembro-me de quando era novinha e tinha a mania que era leninista (só durou 2 meses, mas aconteceu) ter apanhado uma desilusão enorme com o Camarada Lenine, por ter visto uma reportagem na televisão em que ele dizia que os homens e as mulheres eram iguais, excepto na leitutra de horários dos combóios. Creio que foi o passo decisivo para sair do MRPP e terminou, aí, uma carreira promissora que me poderia ter levado a Primeiro Ministro de Portugal e, quiçá, a Presidente da Comissão Europeia..
As mulheres são melhores a ver no escuro, têm mais habilidades verbais e maior capacidade de concentração.
Aqui é a prática que me ensina a concordar com o estudo.
Nunca vi um homem a fazer tricot nem ponto cruz; deduzo que habilidade verbal é começar os discursos ou as simples intervençõezitas de 2 minutos, recorrendo a uma frase apuradíssima como “Então é assim...” e todas as nódoas negras que tenho nos joelhos e mais as dores de cotovelo esporádicas, por andar sempre a bater nos móveis e nas cadeiras são feitas em plena luz do dia ou da EDP.
Claro que me chateia aquela dos menos 10% de tamanho. Mas também temos um reportório emocional mais amplo. Que, presumo, seja uma coisa boa.
Para além de todos os outros dados, o Estudo acentua que os homens são mais faladores que as mulheres. O que deita por terra muita teoria e me agrada especialmente, porque, até hoje, ainda nunca consegui convencer nenhum disso.
Afixado por Isabel às 15:38 | Afixadelas (19)
abril 25, 2005
Avenida da Liberdade

O que se mantém?
A disponibilidade de muitos que lá vão. Alguns rostos que se tornaram conhecidos ao longo dos anos, sem que nunca nos tenhamos falado. A memória. A festa que, ainda, teima em se querer fazer. Alguns, poucos é verdade, jovens que teimam em não a deixar morrer.
O que vi de novo?
Muitos imigrantes. Sobretudo jovens que quiseram, com a homenagem ao nosso 25 de Abril, relembrar os dias em que, nos seus países, o sonho saiu à rua. Ou sonhar com o dia, em que, nos seus países, o sonho saia à rua.
O que se agrava, ano após ano?
O aproveitamento partidário. A procura insana e obscena com que se escolhem os lugares que saem nas televisões. Este ano o PS e o PCP decidiram brigar pelos lugares da frente, para lá colocarem os seus candidatos à Câmara de Lisboa.
O que me faz lá voltar?
Os rostos que me habituei a ver. O cheiro que não quero perder. A memória. Os amigos (cada vez menos, eu sei) que lá vou reencontrando.
O que me faz achar que estou no lugar certo?
O facto de nenhuma das pessoas que comigo percorrem estes momentos de caminho terem lutado para aparecer na televisão. Nem brigado pelos lugares da frente no desfile. Mesmo, também, tendo eleições à porta.
O que me faz escrever este post, apesar da promessa feita a mim própria que não o faria?
Só terem passado 31 anos. Querer reencontrar a festa.
Afixado por Isabel às 22:09 | Afixadelas (8)
"Os meus discos" de Abril

José Afonso
Tive o privilégio de lá ter estado. Nunca irei esquecer esta imagem. Não me lembro do Zeca a quem a voz já faltava, como se ouve no CD, então, gravado. Lembro-me da força. Do brilho de utopia e de esperança no olhar. Posteriormente, ao ver o filme do Concerto pela 1ª vez, creio que algumas lágrimas teimosas teimaram em cair. No Coliseu, não. Não havia lágrimas que chegassem para tanta emoção. Para quem lá esteve não foi uma despedida. Foi um reencontro. Como é hoje, cada vez que o ouvimos.
Obrigado,Zeca! Até já!
Afixado por Isabel às 00:50 | Afixadelas (3)
Aqui, posto de comando do Movimento das Forças Armadas....
Numa manhã cinzenta, enquanto, a caminho do colégio, o som das canções do Zeca, do Sérgio, do Adriano nos acordavam do pesadelo, enchendo-nos de sonhos e de alegria, ouviamos pela primeira vez esta música. Ouvi-la-iamos centenas de vezes ao longo dos tempos que se seguiram. Sabe-me bem recordá-la, aqui.
Afixado por Isabel às 00:40 | Afixadelas (13)
Tem um bom dia, amiga!

Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,
Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,
Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,
Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o amor tem asas de ouro.Ámen.
Natália Correia, Sonetos Românticos, 1990
Afixado por Isabel às 00:02 | Afixadelas (15)
abril 24, 2005
Sem título...
...sem texto!

Afixado por Isabel às 22:48 | Afixadelas (2)
Não fui eu
Estão a ver a data? E a hora? É a prova que não estive no Congresso a consolar o meu Nuninho, que, agora, coitadinho já não quer brincar mais com este mauzão que veio de Estrasburgo.Claro que ele vai querer brincar outra vez, que o Nuninho é danado p'rá brincadeira, mas agora tá chateado.Pronto.
A prova, também, que não tive nada a ver com o empate do Sporting.
À hora em que ocorriam acontecimentes tão marcantes para o futuro de País (a propósito de País, alguém me sabe dizer onde posso encontrar o Gov...desculpem lá, o cartaz oficial do 25 de Abril de 2005, para oferecer à Émièle, para a colecção dela?), eu estava a tirar fotografias à Lua. Não tive culpa nenhuma.Juro, sem figas.
Afixado por Isabel às 18:16 | Afixadelas (8)
abril 22, 2005
Gafanhotos e afins

Vir a pé para o emprego tem muitas vantagens. Poupa-se o dinheiro do autocarro, faz-se um bocadinho de exercício físico, apanha-se um pouco de ar (ok, não ar puro, mas ar) e assiste-se ou encontra-se sempre coisas novas.
Esta manhã, para além dum filme a ser rodado mesmo à porta de casa, com câmaras, actores, realizadores, espelhos e barraquinha de comes e bebes, encontrei um carro amarelo.
Vinha a andar calmamente (apesar de não ser muito madrugadora, faço questão no calmamente de manhã) quando vejo aproximar-se um automóvel amarelo, giríssimo, com duas orelhinhas pretas e redondinhas, em cima do capot. Visto, assim de frente, via-se o amarelinho rodeado das orelhinhas. Pensei com os meus botões, se um dia encontrar a marcha atrás, hei-de comprar um carro com orelhas.
Quando o carro se aproximou e eu me aproximei do carro, que isto de encontros tem piada é a dois, vi que tinha pintado na parte lateral “controlo de pragas”.
Depois de ter posto de parte que estavam cá para o fim-de-semana, visto que foram mais ou menos controlados a 20 de Fevereiro e, pelo pouco que sei de pragas, não me parece que já estejam a precisar de nova acção, cheguei à conclusão que se eu fosse barata, ratazana ou gafanhota, (sei que é mau, as baratas são feias e assim, mas também não se pode partir do príncipio que no Mundo só há joaninhas, Fs e gajos/as bons/boas), gostaria de ser controlada com um carro amarelo com orelhinhas pretas. Talvez preferisse que tivesse bigode...mas antes assim do que um carro cinzento sem qualquer orgão vísivel.
Afixado por Isabel às 09:21 | Afixadelas (24)
abril 21, 2005
"Os meus discos" de Abril

Ary dos Santos
Possivelmente faltaram muitos. E, seguramente, é injusto que tenham faltado. O mês só tem 4 semanas e, às vezes, falta tempo, faltam dias às nossas semanas.
Não falei no Luís Cilia, nem no Francisco Fanhais. Não recordei o Ary dos Santos, o Vitorino ou o José Jorge Letria. De todos os que não falei e daqueles que não recordei, há momentos, músicas, poemas, que ficarão, para sempre ligados ao que hoje sou. Com eles construí sonhos e fiz dias. Porque, para além de poetas e cantores, são homens, deles muitas vezes me lembro de discordar. Mas nunca isso significou desencanto. Apenas me lembrou que crescer é escolher e que, também, graças a eles, isso me foi a mim e a todos permitido fazer em Liberdade.

Vitorino
Para os próximos dias, ficarão o Zeca e a pessoa que, pela primeira vez, me deu a ouvir a Grândola e o Bairro Negro. Porque foi com eles que mais aprendi.
Afixado por Isabel às 21:31 | Afixadelas (8)
Passatempo - Conclusão

Quando vim viver para Lisboa, o meu filho foi para o 2º ano, na Escola Primária nº 29, no Jardim do Torel.
Tinha aulas à tarde e, devido ao meu horário de trabalho, ia sempre sozinho para a escola. “Compensava-o”, indo buscá-lo à saída.
No primeiro dia, enquanto subiamos as escadinhas que nos levam ao jardim, ouvimos um som, como que vindo do Céu. Parámos entre o assustados e o maravilhados. O som enchia o Jardim, enchia o ar, enchia-nos a alma.
Era o som das gaitas de foles, vindo da casa da Galiza.
Viria a saber que os “gaiteiros” da Casa da Galiza de Lisboa tocavam as suas gaitas, diariamente, ao pôr-do-Sol.
Tornámo-nos “clientes“ habituais. Quer chovesse quer fizesse vento, quem passasse no Jardim, ver-nos-ia de nariz no ar, olhos esbugalhados, coração escancarado.
O mistério dos castelos da Escócia, o verde dos vales da Irlanda, as cores dos campos floridos da Galiza e do Minho, o castanho e azul da costa da Bretanha invadiam-nos, diariamente, e nós não abdicávamos da “invasão”. E o Nós é mesmo Nós.O João Pedro, apesar dos seus 7 anos, "curtia" aqueles sons tanto ou mais que eu.
A música Celta tem sido uma paixão duradoura....e foi o primeiro passo para o Passatempo de ontem à tarde que um fantasma desconhecido acabaria por ganhar.
Afixado por Isabel às 14:06 | Afixadelas (31)
abril 20, 2005
Edgar Correia

Filipe Moura, escrevia esta tarde no BdE sobre a triste sina de uma geração de que fizeram parte João Amaral, Luís Sá, Lino de Carvalho, José Barros Moura e Edgar Correia. Em comum foram, duma forma ou de outra, obreiros da tentativa de abertura e de renovação do Partido Comunista Português, uns, abertamente, tomando partido por transformar o Partido, outros, não fechando nunca a porta a essa necessidade. Todos eles acabaram os seus dias afastados, expulsos ou simplesmente ostracizados dentro do Partido a que dedicaram a vida e deram os sonhos.
Edgar Correia que hoje faleceu, aos 60 anos, foi expulso do Partido (creio que no léxico do PCP a expressão correcta não é “expulso” mas, confesso que, neste momento, me estou um bocado borrifando, para o léxico do PCP) juntamente com Carlos Brito.
A maioria dos membros desta geração, de que fala o Filipe, morreu de cancro. Talvez fazendo jus à definição que Vinicius de Morais dava da doença: “O cancro é a tristeza das células”.
Afixado por Isabel às 21:58 | Afixadelas (4)
Passatempo II
Nem assim?

Afixado por Isabel às 17:57 | Afixadelas (12)
Passatempo
Diga o nome do objecto comum a esta imagem e à imagem do campo da Galiza, publicada uns posts abaixo.
O prémio do 1º concorrente a acertar, pode ser levantado hoje, entre as 15.00 e as 16.00h, na porta superior esquerda do Afixe ( a que tem o letreiro verde).
P'la Gerência
Isabel
Afixado por Isabel às 12:58 | Afixadelas (28)
Flores
Porque hoje é dia 20 de Abril, porque a Primavera começou há um mês e por mais uma série de razões que não vêm ao caso, um campo coberto de flores, em Sta.Irene, algures, na Galiza.

Afixado por Isabel às 00:10 | Afixadelas (13)
abril 19, 2005
Será que sabem que ganharam as eleições?

A leitura do post da Émièle “Encostado à parede” levou-me a deixar aqui estas notas.
A incapacidade ou a falta de vontade do PS em querer apresentar propostas concretas, que foi uma característica da campanha eleitoral socialista, parece ter criado raízes, vindo a prolongar-se, agora, que é Governo e tem maioria absoluta no Parlamento.
Ouvidos pelo Presidente da República, ontem, sobre a data da realização dos dois referendos agendados – Constituição Europeia e IVG, os Socialistas escusaram-se a apresentar uma proposta de data para o último, sendo que quanto ao primeiro foi proposta a simultaneidade com as Autárquicas, aquando da tomada de posse do Governo (valha-nos isso, se não nem essa proposta concreta, hoje, haveria).
O PS afirmou que deixava nas mãos do Presidente a calendarização, pois esta era uma das suas funções constitucionais. O que não constitui novidade para ninguém, mas é sintomático que o PS sentisse necessidade de relembrar, antes que mais tarde lhe venham pedir contas de alguma coisa.
Não me parece natural que o PS não tenha opinião ou não a queira manifestar.
Afinal, o PS sabe que a realizar-se o referendo sobre a IVG antes do Referendo sobre a Constituição Europeia, este terá que ser realizado em Junho.
As Autárquicas serão em Outubro, têm que ser convocadas pelo Governo, três meses antes, isto é, em Julho, e nesse intervalo que medeia a convocação e as eleições, o Referendo não se poderá realizar.
Se tem que ser em Junho, porque não propõe o PS que seja em Junho? Se o PS pensa dar prioridade ao Referendo do Aborto, porque não o diz claramente?
Se pensa que a prioridade é o da Constituição Europeia e que o da IVG pode ficar para as calendas gregas (com o calendário eleitoral que se segue, se não for este Verão, e com as presidenciais e mais o prazo constitucional em que o Presidente não pode convocar referendos, ainda fica para depois das eleições para a Presidência da República, e com um bocadito de sorte pode ser que haja um Presidente que não queira convocar o Referendo e, aí está, menos uma preocupação para os socialistas...) porque não o assume?
Como é que o Partido pode dizer que “não tem posição” sobre qual deverá ser realizado primeiro e quando deverá ser realizado?
Há alguém que diga ao PS que o Partido ganhou as eleições, que não está a fazer campanha eleitoral, que é tempo de tomar posições, de fazer opções, que não precisa de, diariamente, tentar agradar a gregos e a troianos?
Afixado por Isabel às 10:26 | Afixadelas (28)
abril 18, 2005
O Génio

Afixado por Isabel às 21:58 | Afixadelas (4)
Tou com dúvidas
Já dormi a sesta. Já estou cansada de comer papas. Decidi ver notícias na Net, para tentar animar e estou a fazer canja de Galinha, que, espero, não saiba a leitão.
Nas notícias de hoje do Público on line, houve 2 que me chamaram a atenção e me levantaram dúvidas e -1 que me chamou a atenção e me levantou dúvidas.
1) O Nuno Melo (vocês desculpem a fixação, mae eu gosto da franja do homem e do estilo e curto as boas maneiras) disse que o lider do PP tinha que vir do Grupo Parlamentar (isto eu percebo) e ter sentido de Estado (aqui, é que são elas...)
Preciso que alguém me explique se isto se compra na Fnac ou no Continente ou se o Sr. Virgílio da Mercearia da Calçada é capaz de arranjar. Queria poder ajudar o meu Nuninho fofo. Alguém me pode dar alguma informação?
2) O Éfe Cê Pê comprou 50% do passe dum jogador argentino.
Émièle, tu que percebes de futebol, isto quer dizer que só metade do homem é que vem jogar? E pode-se escolher? Como é para jogar futebol, o Sr. vem sem a cabeça? E se custa 3,6 milhões de Euros (as pernas, presumo) quer dizer que o homem com braços, cabeça, cabelo e maçã de Adão, custava 7,2 milhões? Já agora podias aproveitar e dizer-me quanto é que isto é em dinheiro normal???
-1) Não vi nenhuma notícia do Governo. Alguém me pode ajudar? Por favor, esta aqui é importante...qualquer coisita. Quem é que me arranja uma notícia sobre o Governo para ver se, com a emoção, a cara desincha???
Afixado por Isabel às 18:50 | Afixadelas (5)
"Os meus discos" de Abril

Fausto
Para além de tudo o resto, Fausto é, para mim, o criador dum dos melhores discos de sempre da música portuguesa (propositadamente, apenas, mono-adjectivada): "Por este rio acima".
Afixado por Isabel às 08:37 | Afixadelas (3)
Tudo ficou dito
“Estou em Portugal a 15 de Maio. Vamos comer uma tosta?”
Tinham passado horas a conversar. Desceram a Avenida, passaram no Terreiro do Paço, entraram na Sé. Cansados de tanto andar acabaram na Cerca Moura. Pediram duas tostas mistas e duas imperiais. Era como se tudo tivesse que ser dito, naquele dia. Que ficar dito.
“Vens a minha casa?”. Não respondeu.
Da pequena janela das águas furtadas da ruela de Alfama, via-se o Tejo e a outra Margem.
Até lá, os olhos podiam descansar da cerveja, do fumo, das palavras, pousando, preguiçosamente, sobre as telhas vermelhas.
Ele enrolava um cigarro na mesinha quadrada ao lado da janela.Da rua vinha o som de uma música de Caetano Veloso. "Apetece-te ouvir música?" "Eu gosto de Caetano Veloso.Deixa,apenas,a janela aberta...". Parecia que as palavras começavam a não sair.
Dirigiu-se-lhe devagarinho, colocando a mão no seu ombro. “É melhor ir-me embora“. ”Por favor fica. Tens o resto da vida para te ires embora”, disse-lhe, baixinho, sem se voltar.
Ele tinha razão.Ficou.Fumaram em silêncio.As palavras teimavam em não voltar.
”Vamos fazer tempo que amanheça”.
Sentiu a sua mão quente no braço nu...
O Sol entrava pela janela, deixada aberta. Sentia um frio a invadi-la. Faltavam duas horas. Tinham que ir.
“Se ontem não tivesse sido o último dia, terias vindo?” “Não”, respondeu. ”Porquê?” “Não queria ter tempo para sentir falta de nós” “Assim não vais sentir?” “Não sei”.
Não falaram até chegar ao Rossio. Ela pegou na mala. Beijar-se-iam rapidamente, pensou. O carro não podia estar ali parado. E, então, poderia fugir. “Quando eu voltar...”. Pousou-lhe um dedo na boca e disse “Agora, é hora de partires!”.
Saiu do carro. Não virou a cabeça. Não viu o carro arrancar. Apenas o ouviu.O som rapidamente se misturou com o som da cidade.
Olhou para o Tejo e sentiu a cara húmida.Deve ter parado no meio da rua, porque uma senhora aproximou-se e perguntou ”Precisa de alguma coisa, menina?”. “De tempo”, disse. E começou a subir a calçada.

Afixado por Isabel às 08:00 | Afixadelas (23)
abril 17, 2005
Os estados, os temas e os registos

Nos comentários a um post sobre o meu professor de Português, o nosso Tubarãozinho, num tom simpático escrevia “E admiro a forma como consegues mudar de registo consoante o estado de espírito ou o tema “. Para além de ter ficado inchadíssima com o verbo escolhido, fiquei a pensar nisso.
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Consoante o estado de espírito, parece-me habitual. E, creio, que todos fazemos o mesmo. Se estou feliz, notar-se-á, de certeza, na forma risonha como escrevo os As e na forma entusiástica como soletro um qualquer K. Se estou melancólica, é claro, que os Rs sairão com ar de planície alentejana e não haverá um C que se preze que não traga à mistura um qualquer pozinho de pôr-do-sol. Se estou danada, penso que os meus Ls aparecem vermelhíssimos e sempre que escrevo um N, deve-se notar a espuma a sair p’la boca.
Agora, por temas. O meu registo mudará conforme o tema? Nada como aproveitar uma tarde de Domingo cinzenta, com os comentários do Afixe bloqueados, para tentar verificar se tens razão, Sharky.
Fui consultar a minha produção (até fiquei banzada com a minha produtividade!) e creio que começo a entender o que queres dizer. Não é linear, mas há alguns traços predominantes.
Sempre que falo de politica, não consigo evitar um certo gozo – nos dois sentidos: gozo, porque alguns dos nossos políticos me dão uma enorme vontade de rir; gozo, porque me dá prazer.
Quando falo do meu filho, sou uma mãe babosíssima, e isso sai em cada frase. O tom predominante é de orgulho.
Quando recordo o passado, não dá para evitar a nostalgia. Por isso, creio, raramente ousei falar no futuro, antes que acontecesse o mesmo, e aí me assustasse um bocado. O tom é, parece-me, sempre um bocadinho p’ró dramático.
Quando escrevo sobre pessoas que gosto, toda a gente fica a saber que gosto e que quando gosto, gosto e não há nada a fazer. E fico toda feliz não só por gostar, como por elas, se vierem ao Afixe, ficarem a saber que eu gosto.E o tom é de festa.
Quando falo do F, volto a ter aquela idade em que passei dois dias a chorar porque o Limpinho (um gatinho castanho que passava o dia a “tomar banho”) morreu e que eu obriguei o meu pai a fazer uma cruz de madeira para colocar na campa (esta característica religiosa haveria de a perder, com a idade). Aqui o registo deve ser, mesmo, tipo pré-crescida e pré-responsável.
Quando falo de homens, no geral, deve dar para perceber, a léguas, que as letras saem entusiasmadíssimas e que o teclado até desliza entre os dedos. O registo é eufórico.
Quando escrevo, sobre alguns homens, em particular, as coisas saem um bocado menos risonhas e deslizantes, não por culpa deles, coitados, mas porque sempre fui, um bocado, exagerada nas paixões e depois quando acabam é sempre um drama, quanto mais não seja porque a paixão é viciante e uma pessoa passa sempre por um período de ressaca, quando termina a dose. E as ressacas são más e dão dores de cabeça. E eu detesto ter dores de cabeça. Claro que o tom sai sempre um bocado para o melodramático.
Ainda há outra espécie, a daqueles que a dose foi marada e não chegou a bater, logo não houve ressaca, mas ainda não fiz nenhum post sobre eles. Logo, não dá para tentar analisar o registo.

Depois de acabar de escrever isto, vou tentar perceber em que registo encaixo um post sobre mim. E aqui deve prevalecer o estado de espírito, quando o reler, no futuro. Entre o “que parva”, até ao “que presunçosa”, passando p’lo ”que giro, concordo comigo” e o “é o que faz não ir passar o fim-de-semana à terra”, deverá caber tudo, consoante chova, haja vento, faça sol ou neve, cá dentro.
Afixado por Isabel às 16:26 | Afixadelas (24)
Mas porquê II ???

Não começou a funcionar, quando entrou o teu post, Émièle. Nem funciona agora.Será que vamos ficar sem comentários??? Socorro!!! Há por aí alguma alma caridosa que devolva o Afixe ao Mundo e o Mundo ao Afixe?
Afixado por Isabel às 00:41 | Afixadelas (4)
abril 16, 2005
Parece-me que...

...tenho uma nora nova.
Para aí desde a semana passada que o telemóvel começou a dormir debaixo da almofada. Esta noite, às duas da manhã indicou a chegada duma mensagem escrita e a luz acendeu-se para responder. Já durante o serão tinham chegado e partido umas 4 ou 5.
Há uns dias que começou uma luta aguerrida contra as borbulhas e outra, ainda mais violenta, para fazer uma poupinha de jeito no cabelo. Já deve ser o terceiro Gel de marca diferente que compro, para ver se funciona.
A outra nora anterior, eu ainda soube. Até fui consultada para dar uma opinião sobre uma prendinha para o Dia dos Namorados.Parece que esses tempos já lá vão.
Se bem que, a semana passada, me tenha chamado para ver um anexo a um Email que estava a enviar a “uma amiga”. Perguntou-me, se fosse eu, se iria gostar. Era a imagem duma constelação qualquer com um nome esquisito...uma imagem muito bonita com muitas estrelinhas luminosas...lembrei-me que no meu tempo oferecíamos uns postaizinhos a dizer “Amigo é...”, agora o meu filho oferece o céu...ou é muito mais romântico que a mãe, ou a Internet é mesmo um uma invenção preciosa para quando se está apaixonado. Claro que disse que era uma imagem linda e que, se fosse para mim, iria adorar. “Ainda bem”, disse ”é que ela é um bocadinho maluquita como tu”.Presumi que era um elogio duplo, a mim e à nova nora.
Émièle, posso oferecer a tua imagem romântica de ontem dos dois pinos, ao João Pedro? Pode ser que alguma vez, nesta onda de Emails, ele queira enviar um anexo com uma imagem uma bocadinho mais terrena.
Afixado por Isabel às 11:22 | Afixadelas (7)
abril 15, 2005
28 de Março de 1974
Num cinema de uma vila ribatejana, tradicionalmente ligada às lutas contra o Regime, um grupo de jovens apresentava uma peça de Teatro, baseada em textos de Gil Vicente e António Aleixo.
Eram jovens de 17 ou 18 anos, alguns, poucos, universitários em Lisboa, e comemorava-se o Dia Mundial da Juventude, o último que haveria de ser comemorado sob a Ditadura.
Não fazia parte do Grupo de Teatro, às vezes sentia que me olhavam de lado e que pensavam “que é c’a canita anda aqui a fazer?”, mas estava perdidamente apaixonada por um tipo 7 anos mais velho e, além disso achava que tinha um papel a desempenhar na luta anti-fascista e anti-colonialista e naquela idade ninguém tem paciência para esperar que cresça.
Antes de começar a peça e enquanto se afinavam papéis e sons, a “canita” estava a uma pequena varanda, com um olho na rua e outro na paixão.
A música tocava aos berros. Um gira-discos passava o Zeca, o Zé Mário, o Sérgio...
O sargento da GNR que, por um qualquer acaso do destino, também pertencia à Pide, subiu as escada e avisou em voz alta para se sobrepôr à música “Fazem favor de mudar de música? Não quero ouvir mais essa gaita ou não há teatro para ninguém...”.
Do fundo sa sala uma voz disse “Ok, tira-se o Zé Afonso”.
Trocou-se o Zeca pela Internacional e cá em baixo, bem juntinho à porta principal do Cinema,o sargento da GNR e respectivo ajudante, assobiavam alegremente ao som da música, enquanto o pezinho batia no chão a acompanhar.
Da varanda, com o olho direito virado p’rá rua, devo ter pensado “Nã, pode ser que me engane, mas tanta estupidez não dura p’ra sempre”. Não chegou a durar mais um mês.
Afixado por Isabel às 15:12 | Afixadelas (8)
"Os meus discos" de Abril

Sérgio Godinho
Que força é essa
que força é essa
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo
que força é essa, amigo
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo
Que força é essa, amigo
Os Sobreviventes - 1972
Não sei falar do Sérgio. Só aprendi a ouvi-lo.
Afixado por Isabel às 10:17 | Afixadelas (3)
Oferta de emprego
Procura-se candidato dos 20 aos 80 anos, solteiro, casado ou viúvo.
Dá-se preferência a quem saiba andar de camelo, goste de feiras e consiga usar a expressão “direito à vida”, pelo menos, 8 vezes em cada frase.
Oferece-se bom vencimento, carro, subsídio de refeição, boné e botins.
Os candidatos poderão enviar as suas candidaturas até ao próximo dia 24 de Abril às 17.00h, para o Largo do Caldas em Lisboa.
Não é necessário CV, bastando enviar número de telemóvel.
Nota: Dada a absoluta necessidade de ocupar o lugar, se tiver menos de 20 ou mais de 80 anos, fôr divorciado mas achar que ninguém sabe, não gostar de feiras, não souber andar de camelo e apenas conseguir usar a expressão “direito à vida” 4 vezes por frase, podrá enviar-nos, na mesma, a sua candidatura.
Afixado por Isabel às 09:12 | Afixadelas (12)
abril 14, 2005
O meu Professor de Português
O meu professor de Português nos dois últimos anos do Liceu, deveria ter, na altura, uns cinquenta e cinco ou sessenta anos. Tinha-se formado muito tarde, enquanto trabalhava como marceneiro.
Era uma figura indescritível,com um enorme carisma e misteriosa. Nunca falava dele. Nunca soubemos se era casado, se tinha filhos, onde vivia. Em dois anos, creio que nunca faltou a uma aula. Era calvo, na parte de tràs da cabeça. Fazia-nos lembrar o St. António. Um dia caiu a subir para o estrado. Éramos putos de 15 ou 16 anos e não contivemos uma gargalhada geral. Levantou-se, olhou-nos de frente e disse-nos “Não, está tudo bem. Não me magoei, não se preocupem”. Fez-se um silêncio enorme na sala. Quando, mais tarde, se falava neste episódio, ninguém conseguia evitar um momento de constrangimento.
Eu detestava ir ao quadro. Adorava escrever, mas o quadro era uma tortura. Um dia chamou-me, no fim duma aula e perguntou-me “Isabel de que cor é este quadro?”. Olhei para ele espantada e respondi “Claro que é preto, Stôr”. ”Olha bem, Isabel, não vês que o quadro é branco, tal qual a folha de papel onde, em cada teste, escreves histórias muito bonitas? Começa a ver o quadro branco, vais ver que há-de resultar”. Nunca o quis contrariar, mas, creio, que ele haveria de ter entendido que não resultou.
Pensei nas suas palavras muitas vezes, anos mais tarde, quando necessitei de me levantar para falar em público e teimava em ver o quadro negro como breu.
Voltei a encontrar o meu professor de Português apenas uma vez, alguns anos depois. Já se tinha reformado. Estava sentado a uma mesa, numa pastelaria de Santarém.
Na altura eu vivia lá e passava, sem dúvida, os piores momentos da minha vida. Falámos do Liceu, do meu medo em ir ao quadro e deixou-me sem fala quando me disse que eu tinha feito o melhor texto que algum dia tinha visto sobre os Gaibéus, do Alves Redol, o livro que escolhi como tema livre no último teste.Claro que lhe dei um desconto na apreciação. Ele sempre tinha gostado das minhas composições e eu sempre me tinha deliciado com as suas palavras de incentivo.
Com a voz pausada mas vibrante com que nos tinha posto a gostar de estudar os Lusíadas, perguntou-me porque tinha voltado para Santarém.”Querias tanto sair daqui, na altura”.
Pensei nos sonhos, entretanto desfeitos. No que queria fazer. No que não tinha feito. Na razão porque ali estava de novo.
Os momentos de hesitação, talvez algum brilho inesperado nos olhos, levou-o a levantar-se devagarinho e a dizer baixinho “Tenho que me ir embora, Isabel. Lembra-te que o quadro da sala é da cor que que lhe quiseres dar”.
Nunca nos voltámos a ver. Os tempos maus passaram. Saí de Santarém. Voltei a ver quadros de diferentes cores. Continuo a gostar de escrever. Voltei, até, a reencontrar muitos dos sonhos, que julgava, perdidos. Só não consegui nunca falar com a mesma facilidade com que escrevo. Mas sempre que o tenho que fazer revejo os olhos brilhantes do meu Professor de Português, enquanto nos lia Camões. E sei que sou capaz.
Obrigado, Stôr pelo café.E por me ter relembrado que o meu quadro poderia ser da cor do Tejo que, enquanto namorávamos, espreitávamos diariamente dos muros do Liceu.
Afixado por Isabel às 09:38 | Afixadelas (16)
abril 13, 2005
Este rato mata-me!
Peço desculpa a todos os leitores deste blog pela insistência com que falo do meu ratinho. Mas eu não tenho dinheiro para o levar ao psicólogo, cada vez que anda deprimido, nem ao veterinário, cada vez que se constipa. E, nestas alturas, fico, mesmo, à rasca. Não sei nada de ratinhos. Lembro-me, sempre, da primeira vez que foi preciso que o João Pedro fizesse có-có, 24 horas depois de nascer...uma autêntica vergonha na enfermaria do hospital(mas isso conto noutra ocasião).
Tal como o JP era o primeiro filho, este é o primeiro rato da minha vida.
Hoje, depois de ter chegado a casa, quando já tinha tirado os sapatos e os brincos (acho que um dia destes também hei-de perceber porquê...) reparei que a comida do F tinha acabado.
No fim do ano passado estive em Viena com o meu filho.O F ficou em casa dos avós e, como é normal, trouxemos-lhe um presente. Uma caixinha de alimento para ratinhos, com um ratinho austríaco giríssimo na embalagem.
Assim que chegámos, apercebemo-nos que aquilo não lhe agradava muito, mas como havia alternativa, não ligámos. Coisas de rato mal agradecido, pensei.
Hoje tentei mais uma vez a papa austríaca. Qual quê? Chegava perto, cheirava, dava meia volta e lá ia ele pior que estragado, e presumo, que esfomeado. Relembrando as tácticas que costumava usar quando o João Pedro não queria comer a sopa, falei-lhe no Mozart, tentei trautear uma valsa...e ele continuava de costas para o prato, a tentar desesperadamente comer-me o dedo. Até a história da Sissi lhe contei.Nada. As olheiras cresciam a olhos vistos. A comida continuava intacta.
Voltei a calçar os sapatos e a pôr os brincos e lá fui eu ao Pingo Doce,isto é,lá tive que andar mais de 10m a pé para cada lado.
Voltei há bocado...o gajo tinha comido mais de metade do que havia no prato.
Alguém que entenda de ratinhos me poderá explicar o que aconteceu? Foi a Sissi ou a minha voz melodiosa? Ou o chato do rato decidiu, mesmo, rir-se na minha cara?
Afixado por Isabel às 21:38 | Afixadelas (9)
Atenção aos vossos PCs
(Recebido por Email)
Afixado por Isabel às 13:00 | Afixadelas (9)
"Os meus discos" de Abril
José Mário Branco
De José Mario Branco recordo...
A sua maneira única de cantar Camões ou Natália Correia: “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”; “Queixa das almas jovens censuradas”...
O GAC, dos anos quentes.Um concerto do GAC na Carregueira, onde fui às escondidas dos meus pais...eles achavam que eu era “um cachopo” e que não tinha idade para essas coisas. Eu achava que a Revolução não podia esperar que eu crescesse.
Recordo o FMI, escrito de “um jorro” em 1979.
As palavras finais deste disco único:
“Sou o Zé Mário Branco, 37 anos, do Porto, muito mais vivo que morto, contai com isto de mim para cantar e para o resto.”...
Afixado por Isabel às 11:21 | Afixadelas (7)
abril 12, 2005
Blog
Um dia, entrei aqui, vinda directamente do Barnabé. Estava lá, na coluna dos blogs, um link para o Afixe e aparece-me um post da Émièle sobre a proibição de símbolos religiosos nas escolas públicas francesas.
Fiz um comentário.Obtive uma resposta e nunca mais saí daqui. Até que o Monty me convidou a entrar como Aphixadora. E cá estou.
Fazer um post é um acto de prazer. Pequenino, mas prazer. Incomparavelmente pequenino comparado com falar com o meu filho, almoçar com os meus pais, namorar, sair com os amigos, brigar com a Administração da empresa, distribuir papelinhos aos pobres passantes para ajudar o Bloco a crescer, comprar um livro ou uma camisola nova. Mas prazer.
Quando deixar de ser prazer, acaba. Quando lhe passar pela cabeça (ao blog) que eu tenho que deixar de falar,de almoçar, de namorar, de sair, de brigar,de distribuir papelimhos ou de ir às compras para lhe dar atenção, tenho muita pena mas lá terá que ir à vida dele.
Não tenho paciência para namorados possessivos.
Por enquanto o gajo tem-se portado bem E eu tenho gostado muito de cá estar
Afixado por Isabel às 09:55 | Afixadelas (12)
abril 11, 2005
Ligeiramente à esquerda, SFF
Não me perguntem porquê que eu não faço a mínima.
Cada dia e, pior, cada hora, sou confrontada com a minha profunda ignorância em termos Afixianos em tudo o que ultrapasse colocar um post, colocar uma fotografia no post e fazer comentários ao post...
...mas como ia dizendo os comentários desta coisa só entram pelas horas. Isto é, clica-se no "Ninguém diz nada,pá" e é a desgraça. O vazio total. Clica-se na horita e eis a Caixa de Comentários que se abre ávida e radiosa.
Portanto, caros leitores e comentadores, até que algum Aphixador mais entendido do que eu, consiga resolver o problema...se quiserem comentar...cliquem ligeiramente à esquerda, em cima da hora.
Obrigado pela vossa atenção.
Afixado por Isabel às 12:40 | Afixadelas (9)
"Os meus discos" de Abril

Carlos Paredes
O Movimento Perpétuo da alma da Guitarra Portuguesa. E da nossa alma.
Afixado por Isabel às 11:07 | Afixadelas (4)
Ganda nóia!

Porque é que eu não sou capaz de ouvir o novo lídder do PSD a dizer que com ele ”O PSD inicia uma nova caminhada de fundo para voltar a ser o maior Partido de Portugal” sem me lembrar do Contra Informação?
E oiço-o a dizer ”Vamos ser uma oposiçao firme e exigente”, “Segunda Feira o Governo deixa de estar á solta” e só me lembro daquele bonequinho simpatico e amoroso a dizer “Ganda nóia!!!”.
Isto tem cura?
Afixado por Isabel às 10:37 | Afixadelas (3)
abril 10, 2005
Quem me ajuda?
Venho só aqui desabafar. Ando à procura dumas imagens no Google, para um trabalho urgente e importante. Preciso de encontrar a imagem dum homem. Coisa normal, parece-me. Vou ao Google,escrevo homem (também já tentei com maiúscula, mas dá no mesmo) e descubro uma porrada de imagens que nada têm a ver com o assunto. Encontro mulheres, ursos de peluche, o Santana com um cacho de bananas, uma chávena e respectivo pires e, até, a imagem que vos ofereço aqui:



