abril 08, 2005

Post à Isabel

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Afixado por João Pedro da Costa às 16:01 | Afixadelas (16)

abril 07, 2005

Post à Sharquinho (Tuby prós amigos)

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Afixado por João Pedro da Costa às 21:38 | Afixadelas (14)

Post à Bernardo Motta

Caros Aphixadores: se porventura o seu post for apagado, não estranhe. Por certo, continha algum dito ou observação feminista, socialista, comunista, trostkista ou meramente proletarizante. E mulheres emancipadas, proletários e sindicalistas, como toda a gente já vai sabendo, não são permitidos no Afixe. É censura? Se estiver a pensar em censura como acto de condenação, crítica, reprovação, repreensão ou admoestação pelo nível «gauchista» dos posts em questão, então, sim: é censura! Ah, e outra coisa: se quiser igualdade de tratatamento, pague-a! De preferência, contacte a Igreja Católica ou o Partido Nacional Renovador, que bem precisam de novos militantes. Uma última chamada de atenção: apesar de eu tentar controlar o nível dos posts, alguns podem passar impunes (tenho uma vida casta e espiritual para além disto), pelo que, por cautela, se refere: todos os posts aqui afixados são da exclusiva responsabilidade dos seus autores! Atentamente, o gerente-adjunto.

Afixado por João Pedro da Costa às 19:53 | Afixadelas (13)

Post à Monty II

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Afixado por João Pedro da Costa às 14:57 | Afixadelas (34)

abril 06, 2005

Post à Jorge Morais

Olá, blá blá blá, é só para dizer que estou aqui.

Afixado por João Pedro da Costa às 16:59 | Afixadelas (79)

março 07, 2005

Team Afixe

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Mesmo os mais distraídos já devem ter percebido que, nos próximos dias, o Afixe passará a ter 11 elementos. O Gibel já abordou a questão das quotas e da paridade no que diz respeito ao sexo dos Aphixadores (6 Mulheres para 5 Homens, nada mau), mas há uma questão que me preocupa que é a da orientação sexual de cada Aphixador. Como sabem, o lobby gay aqui no Afixe é assumidamente representado pelo Tuby e por mim, o que dá um miserável 9-2 na relação de forças entre heterossexuais e homossexuais. Por isso faço a seguinte pergunta à Emiéle, à Madge, à Borboleta, às Novas Aphixadoras 1 e 2, ao Monty, ao Gibel, ao Bernardo e ao Novo Aphixador 3: algum de vocês está em condições de contribuir para o equilíbrio de forças? Pensem nisso - é tudo para o bem do Afixe.

Obrigado.

Afixado por João Pedro da Costa às 22:45 | Afixadelas (16)

março 02, 2005

A propósitto do último p+ost do Monty

Monty, meu querido benfeitor.

Emm primeiro lugarr, gostaria de te pedirr desculpapa por algum erro orttográphico, mas accontyece que estou a escrever sem ócculos (parti-os há minutos ao tentar abrir umma Super Bock com o comando da apparelhagem: o danado edeslizou e bateu-me em cheio nas fuças).

Li com muuito cuidado o teu p+psost (emborra com alhguma dificulddade por causa da fallta que me dfazem os óculos) e ficcou em mim a segguyinte dúvida: em que factos concretos, casssetes de vídeo ou testemunhos te appoias para afirmar que ttodo o VAticano é umm antro de paneleiraggem?

Respponde-me por favor que estou muito aflitoo.

Teuu aphixador semmmpre solida´+rio.

Afixado por João Pedro da Costa às 17:43 | Afixadelas (1)

fevereiro 25, 2005

As palavras (perspectiva ornitológica)

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Afixado por João Pedro da Costa às 15:35 | Afixadelas (10)

fevereiro 24, 2005

Cenas da vida real II

Há uns valentes anos, os acasos da vida (don't ask) quiseram que eu estivesse numa festa popular em Famalicão. Estou a falar de uma daquelas festanças rijas e rurais, com carrinhos de choque, bifanas e música pimba, nas quais um gajo tem sempre a impressão de estar a assitir a um filme de Fellini em câmara lenta. Confesso que estava bastante abroado (única forma de conseguir suportar aquilo), quando ouço um feirante aos berros num alto-falante a anunciar que iria começar O Sorteio, cujo Primeiro Prémio seria Um Carneiro Vivinho da Silva. O feirante tinha o animal ao seu lado e devo aqui dizer, em abono da verdade, que o carneiro, não obstante o facto insólito e pouco digno de ter os cornos cortados, parecia bastante ciente e orgulhoso de ser o centro das atenções. Passo a citar, com a fiabilidade possível, aquilo que o feirante disse, alto e bom som, perante uma boa centena de pessoas:

«Amigos e amigas, façam o fabor de se chegarem práqui que bai começar o sorteio para a entrega do carneiro. Bem, debo aqui dizer que este ano este vicho me deu um travalhom dos diavos. Nom sei se todos o saverom, é natural que nom, mas a berdade é que todos os anos faço mais de 20 kms de vicicleta para ir vuscar à Quinta do Sr. Alfredo um carneiro para as rifas da nossa festa. Pois vem, a semana passada binha eu muito descansadinho com o carneiro amarrado na parte de trás da vicicleta, quando o caralho do vicho se lembra de espetar os cornos nos raios da vicicleta e eu, claro, dei um balente trambolhom que me fodi todo. Quando me lebantei, todo ardido das cruzes, o raio do carneiro estava morto com a cabeça birada para trás. Lá tive eu de bir a pé com o vicho morto às costas e a vicleta à mom. Para além do prejuízo e dos arranhões nos vraços e nas pernas, tive de mandar ajeitar a vicicleta e ir nobamente vuscar outro carneiro, este que está aqui ao meu lado, e é por isso que ele tem os cornos cortados, não fosse o diavo tecê-las outra vez. Façam-me entom o favor de me dar o debido balor e, claro, de estimar o vichinho, pode ser?»

Afixado por João Pedro da Costa às 12:55 | Afixadelas (3)

fevereiro 23, 2005

Para os fãs de Radiohead: Doves & Elbow

doveselbow.jpg

Eu gostaria muito de acreditar que, entre os mais de 3000 leitores diários do Afixe, haja fãs dos Radiohead (pá, aqui está a vossa oportunidade, deixem aqui um pequeno comentário, sff). Apesar dos três últimos álbuns da banda não serem nada de se deitar fora, a verdade é que um gajo anda sedento de obras-primas como THE BENDS (1995) e OK COMPUTER (1997). Para agravar as coisas, andam por aí bandas muito irritantes (falo de Coldplay, Travis, Starsailor e quejandos), que, de uma maneira ou doutra, têm feito tudo para merecerem o epíteto de «herdeiros dos Radiohead» (às vezes a culpa nem é deles, mas da imprensa musical). Ora, quem conhece essas bandas, sabe que isso é uma palhaçada. No entanto, apesar dos Radiohead serem, de facto, únicos, gostaria de partilhar convosco, duas excelentes bandas que descobri e que tenho acompanhado nos últimos dois anos e que, de certa forma, têm colmatado a minha reidioéde-dependência.

Os Dove e os Elbow são oriundos de Manchester (Smiths, Stone Roses, Happy Mondays, Inspiral Carpets, Oasis) e ambas são bandas rock que escrevem Canções (com letra maiúscula e tudo) e que elegem as guitarras como instrumento de base no seu espectro musical, apesar de alongarem as fronteiras do género para outros campos, caso da electrónica, do gospel, do trip-pop, da bossa-nova (Doves) e do jazz (Elbow).

Os Dove (nascidos das cinzas dos Sub-Sub, um mui interessante projecto de música de dança) marcaram a sua estreia em 2000 com o álbum LOST SOULS, que é um absoluto clássico do início ao fim. É o disco mais sombrio do grupo, onde vem ao de cima de forma mais flagrante as influências do «sound-system» de Bristol: um dos discos de estreia mais deslumbrantes de sempre da música pop. Nos discos seguintes (THE LAST BROADCAST, de 2002, e SOME CITIES, editado recentemente), os Doves procedem a uma interessantíssima abertura do seu universo musical e investem na simplicidade («Words» e «There Goes The Fear» de 2002, fazem muito lembrar os Smiths) na elaboração dos seus temas. Estes dois discos são dois passos seguríssimos e estou certo que 2005 poderá muito bem ser o ano de consagração da banda, tudo graças a canções como «Black & White Town» e «Snowden». Um gajo no final do ano conversa.

Os Elbow surgem em 2001 com ASLEEP IN THE BACK, que, contrariamente à estreia dos Dove, é ainda um disco que promete mais do que aquilo que verdadeiramente oferece. Sobressaem no disco três absolutas pérolas: «Any Day Now», «Newborn» e, sobretudo, este autêntico hino que é «Powder Blue». Os tiques floydianos e progressivos detectáveis na abordagem musical do primeiro álbum da banda, desaparecem quase totalmente no segundo disco CAST OF THOUSANDS de 2003 e, apesar de lá haver no meio um incompreensível tema chamado «Not A Job» (perigosamente semelhante à cartilha dos Status Quo), não hesito a dizer que está aqui um dos meus discos favoritos de todos os tempos: façam o favor de ouvir canções como «Ribcage» (muito Spiritualized), «Fallen Angel», «Fugitive Motel» ou «Buttons & Zips» e depois digam lá se eles não partem a loicinha toda.

Tudo isto venha a propósito dos Radiohead e, enquanto esses senhores não lançam um novo disco, vão por mim e ouçam os Dove e os Elbow, que são, actualmente, a melhor metadona disponível no mercado.

Afixado por João Pedro da Costa às 18:00 | Afixadelas (19)

Rasta Surprise

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Miam.

(Recebido por e-mail)

Afixado por João Pedro da Costa às 02:14 | Afixadelas (6)

fevereiro 22, 2005

O meu coelho suicida

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Motivado pela leitura deste post do Bernardo Motta, com a devida vénia ao Andy Riley e à Madge Webb (entretanto, vou ali cortar os pulsos e morro já).

Afixado por João Pedro da Costa às 15:00 | Afixadelas (13)

fevereiro 21, 2005

Post Cut & Paste

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(É uma chatice, mas o botão de «Cancel» não funciona...)

Afixado por João Pedro da Costa às 14:14 | Afixadelas (14)

fevereiro 20, 2005

Post à esquerda

postesquerda.jpg

Afixado por João Pedro da Costa às 20:26 | Afixadelas (14)

fevereiro 19, 2005

Post à Nietzsche

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(Amanhã é dia de festa.)

Afixado por João Pedro da Costa às 10:51 | Afixadelas (24)

É só para dizer

que fico fodidíssimo quando há dois belíssimos posts (do Tuby e da Emiéle) no Afixe e eu não consigo comentar.

Afixado por João Pedro da Costa às 10:44

fevereiro 15, 2005

Pá: tá feito - podem tirar uma pessoa do grupo dos indecisos

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Afixado por João Pedro da Costa às 22:15 | Afixadelas (9)

Post à Jerónimo de Sousa

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Afixado por João Pedro da Costa às 21:01 | Afixadelas (8)

Josh Rouse: NASHVILLE

joshrousenashville.jpg

Quem já conhece Josh Rouse pode finalmente respirar fundo e descansar. A avaliar pelas primeiras audições de «Nashville», o sucesso comercial do seu anterior disco, «1972», passou-lhe ao lado e o nosso rapaz oferece-nos mais dez pérolas pop absolutamente intemporais. Apesar de ficarem para trás as suas incursões na música soul e de recuperar neste disco a simplicidade folk que era a imagem de marca dos seus primeiros discos, a verdade é que as suas canções, até mesmo as mais melancólicas, continuam paradoxalmente dançantes. Tenham muito cuidadinho com «Sad Eyes», a oitava faixa do disco, se não querem empenar o botão de REPEAT da vossa aparelhagem.

Se não conhecem Josh Rouse, bem... estão à espera de quê?

Site oficial

Afixado por João Pedro da Costa às 17:02 | Afixadelas (2)

fevereiro 14, 2005

Tá bem abelha e eu sou um pónei

«Sendo Salazar um ditador católico e benévolo, a Irmã Lúcia tinha por ele uma grande admiração e mantinha com ele uma estreita correspondência».

Responsável pelo Museu dedicado à Irmã Lúcia, há minutos, em entrevista à SIC.

(Pergunta imediata do repórter para interromper o delírio do senhor: «A Irmã Lúcia tinha bom feitio, não tinha?»)

Afixado por João Pedro da Costa às 21:18 | Afixadelas (10)

fevereiro 12, 2005

Era suposto ser involuntária?

Nobre Guedes acusa Jorge Sampaio de "interrupção voluntária da governação"

Afixado por João Pedro da Costa às 20:28 | Afixadelas (6)

fevereiro 11, 2005

Para os mais distraídos (como o Monty)

gostaria apenas de ilustrar o que disse no post anterior. A Natalie Portman é esta

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menina. Ups, enganei-me. Esta é a Scarlett Johansson. Momento. (Como é que se apaga uma imagem, caneco? Olha, deixa lá, agora fica.). A Nathalie Portman é esta

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menina. Era mesmo só isto: peço desculpa pela confusão.

Afixado por João Pedro da Costa às 14:19 | Afixadelas (16)

Sugestões para o fim-de-semana (e não só)

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Dois discos e dois filmes.

«The Secret Migration» dos Mercury Rev e «Push The Button» dos Chemical Brothers. Ou como duas bandas que andam nisto há mais de 10 anos, conseguem ainda editar os seus melhores álbuns (que me desculpem os fanáticos de «Deserter's Songs» e «Dig Your Own Hole»). Se quiserem aguçar o apetite, tentem fazer o download de «Vermillion» e de «Surface To Air», que são as duas coisas mais fantásticas que ouvi este ano.

Quanto aos filmes, a gravidade mantêm-se: Mike Leigh, o genial Mike Leigh de «Naked» e «Secrets & Lies», consegue estoirar todas as escalas - «Vera Drake» é dos filmes mais assombrosos que já vi em toda a minha vida e, como sempre na obra deste senhor, estupidamente actual. No que diz respeito a «Garden State», a estreia do actor Zach Braff como realizador, temos um belíssimo objecto cinematográfico como só o cinema independente americano sabe fazer: cheio de defeitos e de passos em falso, mas de uma frescura estonteante (e depois, caneco, temos lá a Natalie Portman a partir a loicinha toda, imensamente melhor do que a sua prestação no medíocre «Closer»).

2005 promete.

Afixado por João Pedro da Costa às 13:41 | Afixadelas (13)

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Afixado por João Pedro da Costa às 12:58 | Afixadelas (21)

fevereiro 02, 2005

O homem que está sentado à minha frente

O homem que acaba de se sentar à minha frente numa esplanada da Praça do Cubo, na Ribeira, é um senhor de idade, estatura média, e até o confundiria com o meu pai, não estivesse ele tão bem vestido, mas tudo bem. É uma da manhã.

O homem que está sentado à minha frente procura há já algum tempo o empregado da esplanada. Está frio e o homem esfrega as mãos. As outras três cadeiras da mesa estão vazias e começo, secretamente, a desejar a chegada de alguém. O homem consegue finalmente captar a atenção de um empregado e pede-lhe algo que não consigo perceber, apenas vejo a forma educada como faz o pedido, e, pela primeira vez, perco o fio à conversa da minha mesa. Passaram vinte minutos e é uma e vinte da manhã.

O homem que está sentado à minha frente recebe um fino e paga com moedas que tira do bolso. Não recebe troco. O homem está bem disposto, vê-se pelo forma como molha os lábios na bebida e pelo sorriso com que olha para tudo o que está à volta dele. De vez em quando, passa a mão pela gravata e tosse. É uma e meia da manhã.

O homem que está sentado à minha frente pega na bebida e resolve mudar para outra cadeira, talvez para poder ver melhor o rio ou para se proteger do vento, não sei bem. A praça começa a encher e uma rapariga pede educadamente ao homem se pode pegar numa das cadeiras da sua mesa. A rapariga é muito bonita. Ele levanta-se, diz algo afirmativo e sorri. Eu sorrio também. São duas e cinco da manhã.

O homem que está sentado à minha frente, agora de perfil, torna-se menos visível. A praça está cheia, muitas pessoas passam entre mim e ele e isso, não sei bem porquê, irrita-me. Vejo que um rapaz leva mais uma cadeira e o homem de pé, num gesto de quase absoluta reverência. Alguém da minha mesa pergunta-me pela primeira vez para onde estou sempre a olhar. Um par de mamas, respondo. São duas e meia da manhã.

O homem que está sentado à minha frente tem o copo vazio e mais nenhuma cadeira na sua mesa (não consegui ver quem levou a última). O homem está vagamente triste e quase me apetece agora escrever que essa tristeza vaga lhe fica bem. Mas não escrevo. Percebo finalmente que ele não espera ninguém, senão teria com certeza invocado o facto como desculpa para não ceder a última cadeira. Ele veio só, está só e não espera por ninguém. Um empregado levanta-lhe o copo vazio e o meu olhar desvia-se. São quase três da manhã.

O homem que está sentado à minha frente é uma ilha. Ele está sozinho, virado para o rio, numa mesa vazia. O ruído na praça atinge o seu zénite, todas as mesas estão cheias de pessoas e de uma animação um pouco estúpida: ouço risos agudos e vidros que se partem - há gente sentada no chão. Os empregados começam a olhar de uma forma pouca simpática para o homem e vejo um rapaz de pé a apontar para ele com o dedo em riste. Dou por ela que não faço a mínima ideia do que se está a falar na minha mesa. Por duas vezes, o amigo que está sentado ao meu lado irá estranhar-me o silêncio. Apetece-me muito beber. São três e um quarto da manhã.

O homem que está sentado à minha frente está a olhar para a sua mesa. E tem agora um ar só e triste que não lhe fica nada bem. Começo a pensar em oferecer-lhe um cigarro, em pagar-lhe um copo ou em convidá-lo para a minha mesa (é só puxar a cadeira, um gajo chega-se práqui), mas não consigo ensaiar o gesto com naturalidade e temo pela sua reacção. A praça começa a ficar vazia e apetece-me ir embora. São três e quarenta da manhã.

O homem que está sentado à minha frente não se mexe há mais de meia hora e começo a acreditar que ele vai morrer ali. Não sinto pânico: apenas penso na sua morte com muita força como para anular qualquer probabilidade de ela acontecer. Quando abro os olhos, a praça está quase vazia e o senhor que estava sentado à minha frente levanta-se e vai buscar, uma a uma, três cadeiras para compor a sua mesa. Quando se senta, vejo que está novamente contente. De repente, olha para a minha mesa e repara que estou a olhar para ele fixamente. Sorri, meio embaraçado, e pergunta-me pelas horas.

Raios me fodam: não lhe soube responder.

Afixado por João Pedro da Costa às 02:14 | Afixadelas (37)

janeiro 29, 2005

Post para animar o Monty que anda meio tristonho e eu não gosto mesmo nada disso

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(Quando estiver pronto, passas por cá?)

Afixado por João Pedro da Costa às 00:41 | Afixadelas (9)

janeiro 25, 2005

Cenas da vida real

- João, só tens Ben-u-ron em supositório.
- Nem pensar.
- João: 'tás com 39 de febre, caneco, deixa-te lá de paneleirices.
- É exactamente por causa disso que nem pensar.
- João...
- Não.

(...)

- Anda lá, João, ou vais-me obrigar a ir a uma farmácia de serviço?
- Não é preciso, já estou melhor... [mentira]
- Ou tomas o raio do supositório ou vou à farmácia agora mesmo, sozinha, pró meio do frio.
- Ok, ok, eu tomo a merda do supositório...
- Lindo, é assim mesmo, toma lá um. Um chega ou...?
- Nem pensar.

(...)

- Vês, não custou nada.
- Não custou nada, o caralhinho, tenho o cu a arder.
- Que exagero, João...
- Exagero nada, dói-me mesmo.

(...)

- Dóimuku-dóimuku-dóimuku-dóimuku-dóimuku-dóimuku.
- Vá vá, tá caladinho que já passa.

(...)

- Esses gajos são uns brutos, pá, podiam fazer assim uma cena mais... mais... ergonómica.
- Tá caladinho, já disse, isso passa num instante.

(...)

- DÓI-MU-KU!!!
- tss, tss...

(...)

- João?
- Sim?
- Chegaste a tirar o plástico?

Afixado por João Pedro da Costa às 23:11 | Afixadelas (26)

O país real

Recebi, via animal, um e-mail que dizia mais ou menos o seguinte:

Há cerca de um mês, funcionários da Câmara Municipal de Almodôvar cercaram um cão e, em plena via pública, mataram-no por enforcamento. Pelos vistos, várias pessoas assistiram e até houve crianças que, assistindo a este caso, exortaram os funcionários para que não continuassem aquele morticínio. Ainda assim, estes foram por diante e mataram o cão. O Presidente da Câmara Municipal de Almodôvar anunciou, na altura, que iria abrir um inquérito, mas nunca mais deu conta de resultados do mesmo.

Eu já mandei um e-mail ao Presidente da referida Câmara a perguntar pelo andamento do suposto inquérito e deixo aqui humildemente um convite para fazerem o mesmo, que é para ver se faço pelo menos uma coisa verdadeiramente útil ao longo do dia.

Obrigado.

Afixado por João Pedro da Costa às 16:06 | Afixadelas (6)

janeiro 24, 2005

Tudo sobre a música rap

Os leitores norte-americanos d'As Ruínas Circulares, coitados, continuam a comentar no blog como se nada fosse. Não sei se será por não dominarem bem a língua de Camões, mas a verdade é que eles ainda não perceberam que o blog fechou e, por isso, continuam alegremente a deixar (às dezenas) comentários engraçados e divertidos (eu, como é óbvio, fico enternecido).

Acontece, no entanto, que um deles deixou ontem um comentário (com link e tudo), no qual se podia ler a seguinte descrição:

«Fantastic rap, gang rap, fantasy rap, forced rap, incest rap, rap movies, rap history, rap survivors, rap video, brutal rap, rap websites with screams, rap bondage, rap fantasy, stories of rap, boy rap, girl rap and dog rap. All free.»

Por isso, se há amantes da música rap nos leitores do Afixe (e estou certo que sim), penso que este website exaustivo que aborda todas as vertentes do rap será do vosso interesse («dog rap» só pode ser uma referência ao Snoopy Doggy Dog, mas fiquei sem perceber o que será o «incest rap»...). O único problema reside no facto do rapaz que me deixou o comentário se ter enganado no link, pois quando lá clico vou parar a um site estranho onde uma série de jovens (bastante mal encarados) se despem de forma ruidosa e frenética. Como é óbvio, fiquei inconsolável, pois gostaria mesmo muito de ter acesso a essa enciclopédia virtual da música rap. Desta forma, e com a autorização dos meus colegas do Afixe, vou deixar aqui uma mensagem a esse gentil comentador das terras do Tio Sam:

Hey man, thanks a lot for the comment you wrote in the round-shapped ruins, but it happens that you mistyped the link. Could you send it again to me? (By the way: you also constantly mispelled a word: you wrote «rape» instead of «rap», but hey, don't worry - keyboards are slippy objects and it's damn easy to make a mistake when you use them.)

(Quando receber a resposta, prometo deixar aqui o link).

Afixado por João Pedro da Costa às 18:29 | Afixadelas (15)

janeiro 22, 2005

Post básico e recursivo

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Afixado por João Pedro da Costa às 23:11 | Afixadelas (7)

janeiro 21, 2005

Post seco, dobrado e passado a ferro

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Obrigado, Emiéle, ficou im-pe-cá-vel (eu depois devolvo a cruzeta).

João Pedro da Costa

Afixado por João Pedro da Costa às 15:31 | Afixadelas (37)

janeiro 20, 2005

Post molhado

postmolhado.jpg

Afixado por João Pedro da Costa às 14:46 | Afixadelas (82)

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