dezembro 22, 2005

E antes que alguém pergunte

porque é que andam a aparecer posts intermitentes no Afixe, não é por eu ter inventado uma nova moda ou técnica...
É que sou uma tótó, troco-me toda no Movable Type (sinceramente, depois de quase dois anos não se compreende!), e nem sei muito bem o que fiz...
Obrigada, Monty, por teres sido o salvador do post perdido!!!
E agora sim, vou-me embora!
Feliz Natal!

Afixado por M. Butterfly às 16:26 | Afixadelas (3)

Feliz Natal!!

Vou de férias (yes, yes, yes!) e só volto no próximo ano!
Felicidades para todos.

Afixado por M. Butterfly às 16:01 | Afixadelas (6)

Vocês fazem ideia...

... do quão destabilizador é para uma pessoa que não pode ver nenhum debate ler isto, e logo a seguir isto (fora outros, estes são só dois pequenos exemplos)?

Para alguém como eu, que se recusa terminantemente a votar Cavaco, e que acha que há muita gente que precisava de um passeiozinho down Memory Lane para se deixar de o apresentar como o novo D. Sebastião, mas que tem muitas (muitas, muitas...) dúvidas em votar Soares, só aumenta a confusão.

Já que parece ser impossível encontrar alguém perfeitamente imparcial (desconfio sempre dos absolutos), nem nos jornais nem nos blogs, acabei de tomar uma decisão: a partir de agora só acredito nas descrições de debate dele (no meio está a virtude, sempre ouvi dizer), e nestas eleições, se votar (reparem bem, eu, a colocar em causa saber se voto ou não - já nem me reconheço... A Alemanha deve fazer-me mal... ou então estas eleições são mesmo uma pobreza franciscana), há-se ser por indução, feeling, sexto sentido... chamem-lhe o que quiserem. Para alguma coisa há-de servir ser gaja!

Afixado por M. Butterfly às 13:51 | Afixadelas (4)

dezembro 19, 2005

Um Óscar para o Afixe

O Patrick Blese do Anjos e Demónios, atribuiu um óscar ao Afixe - obrigada, Patrick!!
Na categoria Óscares Especiais, por Inovação no Funcionamento.
Toda a gente sabe que no Afixe gostamos imenso de prémios!
Mas deste gostei em especial, porque embora seja para o blog, a assim acabe por nos premiar a todos, na verdade, e para ser justa, o Óscar é todo para o nosso Monty, que tem passado incontáveis horas de canseira a verdadeira inspiração a fazer do Afixe aquilo que é, a lidar com uma data de coisas chamadas templates e esoterismos afins, de que eu não percebo nada.
Obrigada Monty!!! E parabéns pelo Óscar!!!

Afixado por M. Butterfly às 15:39 | Afixadelas (5)

dezembro 08, 2005

Colónia vista do ar I

P1010029.JPG

A torre que se vê na margem direita do rio, logo depois da ponte ondulada, é onde eu trabalho. Mesmo em frente à catedral...

Afixado por M. Butterfly às 14:30 | Afixadelas (8)

Colónia vista do ar II

P1010028.JPG

Já não é bem a cidade... É mais para sul, mais perto de onde eu vivo, entre Colónia e Bona.

Afixado por M. Butterfly às 14:23 | Afixadelas (0)

dezembro 01, 2005

Absolutamente fascinada

Com este livro.
Não é para toda a gente, suponho. Quam não gosta de Jane Austen, Tolkien, e da Marion Zimmer Bradley d'as Brumas de Avalon não vai gostar deste também. O livro é diferente, claro, mas os estilos são parecidos.
Quem gostou, vai passar umas horas (e ainda são algumas, que o livro tem 1005 páginas) muito agradáveis com este livro.

Afixado por M. Butterfly às 13:59 | Afixadelas (6)

novembro 29, 2005

Post Secret

Um dos blogs mais geniais que andam por aí acaba de publicar o primeiro livro.
Já está à venda aqui.
Vem mesmo a calhar. É a prenda de Natal perfeita!
Estão a ouvir, amiguinhos? ; )

Afixado por M. Butterfly às 15:34 | Afixadelas (17)

novembro 24, 2005

Continuando na mesma onda...

Acabo de regressar de uma semana em Amsterdam.
Não sei se já aqui o disse, mas é uma das minhas cidades preferidas. Por muitas razões (como sempre, aliás, é raro haver só uma razão para o que quer que seja...), mas que desconfio estão mais ligadas às coisas que ali vivi do que ao facto de a cidade ser genuinamente bonita e as pessoas verdadeiramente acolhedoras (pelo menos a maior parte das vezes...).
Lembro-me da primeira vez que cheguei à estação central, com os ouvidos cheios de conselhos (-Olha que aquilo é perigoso, só drogados e pickpockets e gajos preparados para te vender por meia dúzia de camelos!), e depois de ter dado uma vista de olhos pelo guia American Express, que não só me avisava para não comprar drogas de quem mas viesse oferecer na estação (Valha-me Deus!!) mas também me informava que o hotel que me tinham reservado (bom trabalho, pessoal!) ficava mesmo no início do Red Light District. Saí portanto do comboio ostentando a minha melhor imitação de um olhar blasé, e a tentar dar a ideia de não ser uma turista (apesar do óbice do trolley que se arrastava atrás de mim e do facto de, mesmo depois de ter visto o mapa, não ter muita certeza de onde era o hotel). Lembro-me de ter desistido de fingir que sabia para onde ia depois de um certo tempo a andar ao frio, e de ter decidido entrar um café qualquer para perguntar onde ficava a rua do hotel, e da sensação de isto-não-me-está-a-acontecer quando percebi que os únicos cafés à vista eram Coffee Shops (que na minha ignorância imaginava serem antros de devassidão e festas hard-core – e não os sítios sossegados de casais a beberem café com leite e a fumarem descansadamente o seu charrinho que descobri serem depois). Devo dizer-vos que fui especialmente azarada, porque o Coffee Shop onde acabei por entrar (era o mais perto e tinha uma mulher ao balcão, coisa que na altura me pareceu indicar que seria mais seguro) era um exemplar particularmente sórdido da espécie. Mas acabei por saber, depois das dificuldades habituais resultantes da impronunciabilidade da língua holandesa (a sério, há anos que vou a Amsterdam regularmente e ainda não consigo pronunciar correctamente o nome das ruas), que o hotel ficava na rua ao lado. Chegar ao hotel e perceber que aquilo era mesmo o início do Red Light District (indescritível, a primeira impressão) foi outro choque, e quando me deram um quarto sem janelas (só assim umas nesgas de luz junto ao tecto) pensei que não ia sobreviver à experiência. Mas acabei por conseguir mudar de quarto, e logo a seguir saí para jantar com um amigo (um holandês que tinha conhecido em Paris), dei o meu primeiro passeio pelos canais à noite (é lindo, o reflexo das luzes na água, visto numa das pontes sobre os canais!), e comecei uma relação amorosa que já dura há 5 anos com a cidade.
Mas isso são tudo pormenores.
Amsterdam foi a cidade em que enfrentei os meus medos e tive as minhas primeiras reuniões com gente que sabia trinta vezes mais do que eu e percebi que não me iam ridicularizar, a cidade onde tive os jantares mais loucos da minha vida, a cidade onde provei que os vinhos portugueses são os melhores da Europa, quiçá do mundo (estava um vinho californiano em competição), a cidade em que fumei (boa) erva pela primeira vez, a cidade onde testei com sucesso os limites de uma amizade muito importante para mim, a cidade onde tive o meu primeiro one night stand, a cidade onde ultrapassei tantos dos meus limites.
Por tudo isto, também esta cidade faz parte de mim, como se lá tivesse vivido. E é sempre bom regressar, mesmo para uma semana de all work, no fun. Volto a Colónia revigorada.

Afixado por M. Butterfly às 22:14 | Afixadelas (10)

novembro 19, 2005

Ás vezes, sinto-me a viver a vida de um saltimbanco.

Mas sinto, só. Como um facto. Não sou capaz de fazer julgamentos sobre ele. Ou melhor, os julgamentos que faço mudam a cada dia, não consigo perceber aquilo que realmente sinto. Por um lado, anseio pela mudança, por outro lado temo-a.
Esta semana já passei pelos dois extremos de me sentir finalmente em casa em Colónia, pela primeira vez, e de odiar a cidade e a minha vida aqui. Porque é tão difícil. Tão difícil abrir a caixa do correio e encontra-la cheia de cartas que não consigo ler (a maior parte são contas, qualquer dia vou presa), um esforço tão grande tentar comunicar, tão difícil ter uma vida normal. Não devia ser assim tão difícil. Depois há um vizinho que me diz bom dia, saio de casa num dia gelado de sol e o rio está mesmo ali, a noite chega com uma lua vermelha e tiro fotografias do reflexo na água, o transito na ponte embala-me com a sua tonalidade aquática, e sinto-me em casa.
Já tenho saudades para quando partir, e já penso no alívio que vai ser. Não sei.
Esta semana estive em Bruxelas, e passei pelo meu velho apartamento. Foi uma sensação estranha, como reencontrar o meu velho eu. Como voltar a casa. Como se todos estes lugares de alguma forma fizessem parte de mim, como se me ficassem gravados, e eu, ou uma impressão minha, gravada neles. Como se a minha memória de mim tivesse uma dimensão espacial.
Olho para trás, e parece-me que é assim. Todos estes sítios são ainda parte de mim. E sinto-me dividida, espalhada por todos eles. Dentro e breve não saberei onde ir para encontrar-me.
Quantas casas se pode ter? Quão perdida estou de mim se me encontro em todo o lado?

Afixado por M. Butterfly às 23:36 | Afixadelas (6)

outubro 28, 2005

Em resposta ao post do Bernardo

Bernardo, não pretendo defender o Louçã, nem quaisquer políticos – longe de mim tal ideia, como adiante se verá.
Mas não posso deixar de realçar, mais uma vez (já várias vezes se falou no Afixe neste assunto), que se não se fala em ética e filosofia em relação ao referendo do aborto é provavelmente porque o referendo não incide sobre um problema nem ético nem filosófico, mas pura e simplesmente jurídico.
Porque o referendo não é sobre se somos contra o aborto, ou a favor (questão, quanto a mim, impossível de responder, porque não me parece que qualquer pessoa normal possa dizer que é a favor do aborto em termos absolutos. Tudo depende das circunstâncias, em minha opinião).
É sobre se somos a favor ou contra a penalização do aborto. Ou seja, se achamos que uma mulher que aborta e quem a ajuda a abortar deve ser condenado a uma pena de prisão. Mais nada.
Se votares contra, não vais estar a dizer que és contra o aborto, e condenas moralmente, ou eticamente, ou religiosamente, seja o que for, uma mulher que aborta. Vais estar a dizer que achas que uma mulher que aborta deve ser penalizada, julgada por um Tribunal e condenada a uma pena de prisão.
Repara que são coisas completamente diferentes...
Eu também acho que os políticos não lidam bem com este assunto. No primeiro referendo certamente que lidaram com o assunto de forma desastrosa. Andou toda a gente envolvida em discussões completamente inúteis e estéreis sobre a bondade / maldade do aborto, e não me lembro de um que tenha tentado explicar o que verdadeiramente estava em causa. O resultado foi o que se viu. As pessoas votaram alegremente sobre um juízo moral, baseadas nas suas convicções pessoais, e ninguém percebeu o problema e as consequências.
Porque para votar neste referendo é perfeitamente irrelevante saber se, pessoalmente, se faria ou defenderia o aborto.
A única coisa que deve ser considerada é se se concorda com o facto de quem o faz sofra uma pena de prisão.
Apenas isto.
E espero sinceramente, que desta vez, aprendendo com o triste caso anterior, os políticos deste país se lembrem de discutir o problema jurídico, e deixem de fazer campanha e de tentar parecer bem, e tenham a coragem de dizer que o que está em causa não tem nada a ver nem com ética, nem com religião.
Para os que insistirem em fazer disto um problema religioso... Bem, só uma coisa a dizer...
Quem não tem pecado, que atire a primeira pedra.

Afixado por M. Butterfly às 13:53 | Afixadelas (11)

outubro 26, 2005

Copos cheios, e outras coisas

Morreu na segunda-feira Rosa Luise Parks , a afro-americana que, em 1955, ganhou um lugar na história ao recusar ceder o seu lugar num autocarro a um branco. Rosa Parks estava sentada na secção ‘negroes’, mas perante um branco que não tinha lugar na ‘sua’ secção, o motorista do autocarro ordenou a 4 (quatro! O senhor precisava de espaço...) pessoas sentadas na ‘negroe section’ que se levantassem. Rosa Parks foi a única que não se levantou. Por causa disso, foi imediatamente presa, julgada e condenada por desobediência e incumprimento da lei. Este acto solitário acabou por ser a pedra de toque para a declaração de inconstitucionalidade da lei que decretava o segregacionismo em autocarros pelo Supremo Tribunal dos E.U.A. em 1956.
Foi só há cinquenta anos, no país das oportunidades e da liberdade e justiça para todos.
Foi ‘’ uma pessoa que recusou levantar-se para dar o lugar a outra no autocarro.
Foi um acto de coragem, ninguém o pode negar – o tipo de coragem que se manifesta no dia em que o copo finalmente se enche.
Mas não tenhamos ilusões. O acto de coragem, apesar de corajoso em si, só teve as repercussões que teve porque aconteceu na altura certa. Porque muita gente tinha o copo quase cheio.
Pouco tempo antes, uma outra mulher tinha feito o mesmo, e tinha também sido presa e julgada. Mas tinha 15 anos, e estava grávida. Este facto fazia dela um ‘símbolo inadequado’ para a causa da NAACP. O próprio Martin Luther King fez a comparação entre este caso e o de Rosa Parks com as seguintes palavras: "Mrs. Parks, on the other hand, was regarded as one of the finest citizens of Montgomery -- not one of the finest Negro citizens -- but one of the finest citizens of Montgomery."
Revelador, não?
O que só serve para podermos dizer que até os mais livres pensadores têm preconceitos. Todos os temos, não podemos fugir deles, são-nos incutidos pela sociedade em que vivemos. Há-de haver um dia em que uma pessoa se revolta contra um deles. Hão-de haver outros dias em que mais pessoas acordam. Há-de haver um dia em que haverá uma inversão das maiorias, e o preconceito começará a morrer.
E assim, talvez um dia, um por um, nos livremos de todos eles.
E para dizer também que muitas vezes, a maior parte das vezes, um acto de coragem solitário não passa disso, de um solitário acto de coragem – por isso, apenas isso, merece ser reconhecido e apreciado. Só numa pequena, ínfima percentagem das vezes, esse acto solitário se tornará num símbolo e numa bandeira. É tudo uma questão de timing.
E nem sei muito bem se esta realização nos deve dar esperança ou nos deixar desencorajados. Provavelmente ambos. Provavelmente apenas aliviados e um pouco amedrontados, por percebermos que o peso da responsabilidade individual se torna, em certa medida, colectivo.

Afixado por M. Butterfly às 11:12 | Afixadelas (10)

outubro 17, 2005

Dear Ms Butterfly,

"I am pleased to inform you that the Selection Board for the above mentioned competition has now completed its work and, on the basis of your results in the tests, your name has been placed in the first merit class on the list of successful candidates. "
Um ano e meio de stress (não posso dizer "trabalho", porque não seria bem verdade, mas o stress também cansa...) todo resumidinho nesta frase. Tenho um sorriso estúpido na cara e não o consigo tirar.
Felizmente, todas as lágrimas, todos os sentimentos de culpa, todas as crises existênciais dos últimos meses valeram a pena.
Agora desculpem lá, mas vou festejar!
Ah, já agora um recado para certas pessoas...
Quem ainda quiser aproveitar para conhecer Colónia é melhor despachar-se. Dentro de uns meses volto de armas e bagagens para Bruxelas!

Afixado por M. Butterfly às 13:21 | Afixadelas (8)

outubro 05, 2005

Felizmente, há dias assim...

Dias em que se conduz pela primeira vez o nosso novo carro, o primeiro que compramos sozinhos, com o nosso próprio dinheiro.
Dias em que se sabe, ainda não oficialmente, mas de fonte segura, que os nossos esforços dos últimos tempos vão ser recompensados, e novas perspectivas de carreira se abrem.
Dias de sol numa cidade geralmente cinzenta, depois de uma noitada com os amigos.
Dias em que se diz adeus a uma colega de trabalho que se tornou uma grande amiga, mas já com um bilhete de avião comprado para a visitar daqui a 15 dias.
Dias em que sentimos que tudo é possível, e o mundo inteiro borbulha de possibilidades.
Dias assim, felizmente, compensam os outros, cinzentos e rotineiros

Afixado por M. Butterfly às 16:11 | Afixadelas (5)

A sério, alguém dê a estes senhores alguma coisa para fazer...

O Vaticano considera uma publicidade da Playstation "blasfema", e vai de lá a campanha é proibida em Itália.
Serei eu a única a achar isto ridículo, para dizer o mínimo?

Afixado por M. Butterfly às 10:33 | Afixadelas (5)

outubro 04, 2005

Últimas notícias da Comissão Europeia...

"The European Commission has just announced an agreement whereby English will be the official language of the European Union rather than German, which was the other possibility.

As part of the negotiations, the British Government conceded that English spelling had some room for improvement and has accepted a 5-year phase-in plan that would become known as "Euro-English".

In the first year, "s" will replace the soft "c". Sertainly, this will make the sivil servants jump with joy.

The hard "c" will be dropped in favour of "k". This should klear up konfusion, and keyboards kan have one less letter.

There will be growing publik enthusiasm in the sekond year when the troublesome "ph" will be replaced with "f". This will make words like fotograf 20% shorter.

In the 3rd year, publik akseptanse of the new spelling kan be expekted to reach the stage where more komplikated changes are possible.

Governments will enkourage the removal of double letters which have always ben a deterent to akurate speling.

Also, al wil agre that the horibl mes of the silent "e" in the languag is disgrasful and it should go away.

By the 4th yer people wil be reseptiv to steps such as replasing "th" with "z" and "w" with "v".

During ze fifz yer, ze unesesary "o" kan be dropd from vords kontaining "ou" and after ziz fifz yer, ve vil hav a reil sensibl riten styl.

Zer vil be no mor trubl or difikultis and evrivun vil find it ezi tu understand ech oza. Ze drem of a united urop vil finali kum tru.

Und efter ze fifz yer, ve vil al be speking German like zey vunted in ze forst plas."

A quem achar que este texto é perfeitamente surreal - tem toda a razão. Não tem nem um fundinho de verdade, mas fez-me rir... Só estou a avisar porque depois de fazer o forward a umas quantas pessoas recebi e-mails indignadíssimos com a Comissão e a Europa em geral, e não quero que o Afixe seja acusado de propagar informação falseada.

Nota: Como já devem ter percebido, recebi isto por mail, e não conheço o autor...

Afixado por M. Butterfly às 15:14 | Afixadelas (7)

setembro 22, 2005

Acabadinha

de chegar de Helsínquia, ainda nem desfiz as malas nem nada. Vinha cheia de vontade de escrever este post, no avião as palavras fluíam. Era para ser assim meio engraçado, umas bocas acerca de recolher obrigatório, hábitos finlandeses de diversão, relações peculiares com o álcool e as suas relações ao protestantismo, mais as maiores gaivotas que já vi, e o sabor a pouco que me ficou, por a cidade ser tão incaracterística. Estava à espera que fosse parecida com Estocolmo, e esperava reviver um pouco a impressão que me causou, quando a visitei há cerca de 15 anos atrás – nunca lá voltei, e agora que penso nisso, nem sei se a impressão se ficou a dever ao facto de a cidade ser realmente bonita, ou se foi só porque foi a primeira cidade do norte da Europa que visitei, a primeira vez que vi aqueles edifícios de tijolos de todos os tons de castanho e vermelho, os telhados pontiagudos... Desilusão total nesse aspecto. E um mar castanho sem ondas a piorar as coisas.
Mas agora que estou aqui, já não consigo escrever.
Tenho medo de algures, sem perceber como, ter deixado todas as minhas palavras.

Afixado por M. Butterfly às 18:19 | Afixadelas (5)

setembro 16, 2005

Finalmente, a Sky News percebeu...

Bush.jpg

Afixado por M. Butterfly às 13:41 | Afixadelas (4)

agosto 31, 2005

Lição de álgebra aplicada e lógica invertida.

Na vida, o quadrado da hipotenusa nunca é igual à soma dos quadrados dos catetos.
Logo, a vida é um triângulo esquisito.

Afixado por M. Butterfly às 13:11 | Afixadelas (5)

agosto 29, 2005

Passagens

Existem várias teorias sobre o momento em que uma pessoa afectua a passagem para a idade adulta e provavelmente cada um terá a sua e assinalará esse momento para si próprio de acordo com ela.
Para mim, o que foi marcante foi o momento em que percebi que a idade adulta não existe.
Não existe nenhum momento mágico em que deixamos de ser crianças e passamos a ser adultos, nenhuma epifania pela qual subitamente compreendemos o mundo de forma diferente, em que deixamos de ter dúvidas.
Ou seja, senti que me tornava adulta (de acordo com os meus padrões anteriores), quando percebi que nunca ia deixar de ser uma criança (pelos meus novos padrões). E quando isso deixou de me incomodar – esse é que foi o momento fundamental.
Isto posto assim parece confuso, paradoxal até, mas garanto-vos que faz perfeito sentido.

Afixado por M. Butterfly às 16:03 | Afixadelas (5)

agosto 22, 2005

A coisa mais chata da vida...

... é não estar à espera de nada.

Afixado por M. Butterfly às 09:50 | Afixadelas (6)

agosto 18, 2005

On the road

"But then they danced down the streets like dingledodies, and I shambled after as I've been doing all my life after people who interest me, because the only people for me are the mad ones, the ones who are mad to live, mad to talk, mad to be saved, desirous of everything at the same time, the ones who never yawn or say a commonplace thing, but burn, burn, burn like fabulous yellow roman candles exploding like spiders across the stars and in the middle you see the blue centrelight and everybody goes 'Awww!'"
John Kerouac
Só ainda não consegui perceber se os sigo porque secretamente quero ser como eles, ou apenas porque os opostos de atraem.

Afixado por M. Butterfly às 11:15 | Afixadelas (8)

agosto 15, 2005

Uma pessoa mete-se num avião

E em 3 horas parece que está noutro mundo.
Deixei Portugal sob um sol abrasador, com os ouvidos a zunir com as notícias dos incêndios e de criancinhas/velhinhos/estropiados que salvaram parentes dos incêndios e chego a Colónia em pleno Inverno, com chuva e frio, e fico logo com os ouvidos a zunir por causa da visita do Papa, e os bloqueios de estradas por causa do Papa, e dos milhares de peregrinos por causa do Papa.
No meio disto tudo, o único factor em comum é a falta de descanso dos meus tímpanos.
De resto, o meu Verão parece que acabou bem mais cedo que o vosso, e o meu descanso também.
Olá a todos.

Afixado por M. Butterfly às 12:58 | Afixadelas (3)

julho 22, 2005

Variações gramaticais...

"Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice.
De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: óptimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos.
Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a movimentar-se: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo.
Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto.
Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a insinuar-se. Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo directo. Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente. Abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois.
Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula. Ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo.
É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois géneros. Ela totalmente voz passiva, ele voz activa. Entre beijos, carícias, parónimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objecto, ia tomando conta. Estavam na posição de primeira e segunda pessoas do singular: ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjectivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tónica, ou melhor, subtónica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história.
Os dois olharam-se, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto.
Foi-se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objectos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que, as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.
O substantivo, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva."

* Recebida por e-mail. Não conheço o autor. No e-mail vinha a indicação que se trata de uma redacção "feita por uma aluna do curso de Letras, da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco - Recife) e que obteve vitória num concurso interno promovido pelo professor titular da cadeira de Gramática Portuguesa".

Afixado por M. Butterfly às 11:11 | Afixadelas (8)

julho 21, 2005

Londres, outra vez...

Tão pouco tempo depois...
Aparentemente, desta vez não foi tão sério.
De qualquer modo, nem sei que dizer...
Alguém consegue imaginar como se sente neste momento quem mora em Londres?

Afixado por M. Butterfly às 17:36 | Afixadelas (2)

julho 14, 2005

The meaning of life...

Ou,

a vida é bela, a gente é que dá cabo dela...

Afixado por M. Butterfly às 09:50 | Afixadelas (10)

julho 12, 2005

(...)

Às vezes ponho-me a pensar e acabo por não pensar nada, que o meu curso de pensamentos é demasiado aleatório.
E depois há outros dias em que não penso em nada, até porque não estou em condições para isso, sinto o cérebro parado no meio do nevoeiro, e é nessas alturas que me parece que sinto, mais do que penso, alguma coisa importante, com significado, que não devia esquecer.
Mas mal penso isto o pensamento, ou a intuição dele, já se foi.
E a única coisa que fica é a recordação do pensamento e a impressão das sensações despertadas pelo que me rodeava no momento.
Deste fim-de-semana guardo um pôr do sol sobre o lago, com um daqueles céus enevoados que dão à água uma tonalidade meio metálica, brilhante e sombria, que me deprime e me enche o peito de ar, numa inspiração mais profunda, ao longe as montanhas ainda cobertas de neve, o ferry a chegar, dois ou três cisnes lá em baixo, ao pé da água. Mais uma quantidade de pensamentos inúteis, desses nunca me esqueço. E a sensação de que ele, o pensamento importante, está mesmo, mesmo ali, se me esforçar um bocadinho, se me concentrar, chego lá.
E agora acabo de me aperceber que a maior parte das minhas memórias, daquelas que ficam, são assim.
Uma espécie de coito interrompido.

Afixado por M. Butterfly às 09:10 | Afixadelas (25)

julho 07, 2005

Londres

Nunca, nunca vou conseguir compreender isto.
Não é só cruel, desumano, nojento, brutal, chocante... É profundamente estúpido.
Mas haverá alguém que ainda pense que vai conseguir alguma coisa com isto?
Mesmo que tentem "justificar" ou explicar os seus actos com "o fim justifica os meios", será possível que haja quem pense que este é um meio para conseguir seja o que for? Desde o início dos tempos que a violência e o terror só geram mais violência e mais terror. Nada mais.
O que se passa na cabeça destas pessoas para pensar que alguma coisa, seja lá o que for, justifica isto?
Nada, nada justifica.
Não passam de pervertidos a masturbarem-se com o sangue dos outros, débeis mentais que nem sequer percebem que isto só pode ter o efeito contrário ao que alegadamente pretendem.
Apetece-me chorar pelas vítimas, pela absoluta estúpidez e inutilidade do seu sofrimento.
E quase compreendo quem queira pagar os responsáveis na mesma moeda.
Felizmente, daqui a umas horas já me acalmei e o "olho por olho, dente por dente" deixou de fazer sentido.
Provavelmente é aí que me distingo da corja de vampiros de que o mundo, de repente, parece estar cheio.

Afixado por M. Butterfly às 13:51 | Afixadelas (9)

julho 01, 2005

Alergia

Juro que nunca pensei que fosse possível (desculpa amiga, mas palavra que achava que estavas a exagerar...), mas quando a vi começar a coçar-se sem parar assim que chegámos à festa e ficar toda coberta de manchas vermelhas, tive de aceitar os factos...
Tenho uma amiga que é alérgica ao francês.
Não tem nada a ver com os franceses, se falarem outra língua, não há problema.
É a língua em si.
Ontem, numa festa em que 70% dos convidados falavam francês, a minha amiga ia ficando sem pele. Tivemos de sair ao fim de meia-hora.
É ou não é a coisa mais estranha que alguma vez ouviram falar?
"There are more things on heaven and earth...", e é bem certo.
P.S. - Émiéle, tu que és a psi, não tens nenhuma teoria?

Afixado por M. Butterfly às 13:44 | Afixadelas (5)

junho 29, 2005

30

Hoje devia ser um dia de balanço, penso eu. De olhar para o passado e para o que se prevê para o futuro, e tentar perceber se fiz um bom trabalho ou não.
Mas não me apetece.
E acho que não faz sentido.
Estou aqui, sou eu, claro que fiz um bom trabalho.
E isso basta.
Quanto ao resto, ao futuro, bem... nunca liguei muito a previsões, mais a intuições. A minha diz-me que ainda vão haver muitas mudanças na minha vida, tantas que não vale a pena fazer balanços.
Há 10 anos atrás pensava que aos 30 o barco seguiria em velocidade de cruzeiro, piloto automático.
Hoje sinto que a viagem mal começou.

Afixado por M. Butterfly às 14:31 | Afixadelas (19)

junho 23, 2005

O teu aniversário.

De cada vez que fazemos amor, penso que vai ser a última. Deixo-te a dormir, desço as escadas do prédio, de sapatos na mão para não acordar vizinhos curiosos, ando pela rua deserta arrepiada com o friozinho da madrugada, e tenho a certeza que foi a última vez.
Nem sei muito bem de onde vem essa certeza. Há sempre uma razão. Outra pessoa. Um desejo meio inconsciente de deixar o passado para trás, com medo que ele não me deixe viver o presente.
E houve Aquela noite. A noite em que estivemos juntos como um “velho casal”. Despimo-nos enquanto conversávamos, deitamo-nos na cama nus, a apreciar a brisa que vinha da janela e a rir com um qualquer programa estúpido de televisão. Assustei-me, nessa noite. Pensei que nem nós podíamos fugir à maldição do hábito.
Tu deves ter sentido a mesma coisa. Mas numa noite qualquer depois daquela que devia ter sido a última, o telefone apitou com uma mensagem tua às duas da manhã, e voltei a sentir uma montanha russa do estômago. E foi outra vez como é sempre entre nós, como uma primeira vez melhorada pelo conhecimento de todos os gostos, de todos os cheiros e de todos os poros do corpo do outro.
Por isso não sei muito bem porque continuo a sentir que é a última vez. Já devia saber que não vai ser assim. A última vez será tão irresistível e impensada como foi a primeira. Talvez esta seja a minha forma de proteger a nossa relação da monotonia, do tédio do sempre igual, que acaba por destruir tudo.
Não sei.
Só sei que há dois dias foi o teu aniversário (no dia do solstício de Verão, claro, não podia ser outro dia, o dia mais longo do ano, o dia mais mágico do ano, o meu dia preferido) e apesar de tudo, apesar da distância, não me esqueci.
E apesar de há muito tempo não conseguir escrever, nem mesmo pensar, tive de escrever isto.
E levantar um copo à tua saúde, amigo. E a nós. Que a última vez, seja ela quando for, seja como as antecedentes.

Afixado por M. Butterfly às 13:57 | Afixadelas (16)

junho 02, 2005

É por estas e por outras que não compreendo como é que se admiram dos Nãos...

"COMMUNICATION AU PERSONNEL

Objet: Salon de coiffure dans les locaux du Parlement à Strasbourg

Il est rappelé que pendant les périodes de session à Strasbourg, un salon de coiffure est à la disposition des Membres et du personnel du Parlement européen.
Ce salon de coiffure est situé au rez-de-chaussée du bâtiment WIC, à proximité du Bar des Cygnes, dans les locaux M-1742 pour le salon Dames et M-1720 pour le salon Hommes.
Le service est accessible sur rendez-vous aux numéros suivants:
75033 (salon Dames) et 75034 (salon Hommes).
Les heures d'ouverture sont les suivantes:
Le lundi: de 11h00 à 17h00
Du mardi au jeudi: de 8h30 à 17h00.

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NOTICE TO STAFF

Subject: Hairdressing salon on Parliament premises in Strasbourg

Staff are reminded that during session weeks in Strasbourg a hairdressing salon is available for the use of Members and staff of the European Parliament.
It is situated on the ground floor of the WIC Building, near the Bar des Cygnes, in Room M-1742 for Ladies and M-1720 for Men.
The service is available on an appointment basis. Please ring the following numbers for an appointment: 75033 (Ladies) and 75034 (Men).
Opening hours are as follows:
Mondays: 11.00-17.00
Tuesdays to Thursdays: 08.30-17.00"

Afixado por M. Butterfly às 09:00 | Afixadelas (9)

junho 01, 2005

Cuidado com as letras pequenas!! III

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Sempre ouvi dizer que a curiosidade matou o gato!!!

Afixado por M. Butterfly às 19:05 | Afixadelas (6)

Cuidado com as letras pequenas!! II

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Afixado por M. Butterfly às 18:02

Cuidado com as letras pequenas!!

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Afixado por M. Butterfly às 16:57

maio 30, 2005

Estou apaixonada!!

Acabo de voltar de um fim-de-semana grande (aqui também foi feriado Quinta-feira) neste sítio:

Laveno, no Laggo Maggiore, norte de Itália. E é um caso grave de amor à primeira vista!
Sem palavras para vos dizer como aquilo é lindo, como o fim-de-semana foi espectacular, principalmente ontem, o passeio de barco pelo Lago, e o aperitivo em Cerro, num barzinho à beira da água.
Sem palavras...
Não sei se já vos aconteceu estarem num sítio qualquer e sentirem-se tão bem, tão bem, como se estivessem em casa? Eu costumo sentir isso sempre que vou a Itália (devo ter sido italiana noutra encarnação, ou então é influência subliminar do meu nome de família...), mas desta vez foi realmente o apogeu da coisa.
Só posso dizer a todos: vão lá, assim que puderem!
E se alguém está a pensar numa carreira nas instituições comunitárias, concorram para o Centro de Ispra, que fica a 10 minutos do Lago. Não têm nenhuma desculpa!
Não façam como eu, que com a mania da "coerência" na carreira e da "especialização" vim parar a Colónia! Balelas! A vida é para ser vivida como eu a vivi este fim-de-semana, e mais nada!
Enfim...
De volta a Colónia, com 15° e chuva... mas um bronzeado fantástico, já é menos mal.

Afixado por M. Butterfly às 10:57 | Afixadelas (7)

maio 25, 2005

Tou a ficar fartinha

de todo de vos ouvir a falar do bom tempo, quando aqui as minhas janelas ainda estão assim

e o meu humor também, como é bom de ver.
Eu sei que a dor de cotovelo é uma coisa muito feia, mas que dói, dói!

Afixado por M. Butterfly às 12:52 | Afixadelas (5)

abril 29, 2005

Puruborá I

Pronto, respondendo ao desafio do Monty, cá estou eu a dar a minha contribuição ao M.S.U.L.
Mas desde já devo dizer que fico ofendida com a insinuação que sou uma calinas e não respondi ao desafio (esta é para o Monty) ou de que a minha missão era mais fácil porque tinha um casal inteiro para me ensinar, e não apenas um índio bebedolas (esta é para a Isabel)!
E nem penses que me adoças, Monty, com essa de que me salvaste dos boches! Poso não compreender o que os boches dizem, mas não me dão tanto trabalho como os tipos de Puroburá!
Até porque a culpa foi toda tua, quando quiseste que eu os observasse durante o coito e visse que tipos de expressões de anunciação orgásmica utilizam.
Só te esqueceste de me dizer que o tal casalinho de Puroborá tinha um problema mais grave do que o facto de falarem uma língua em vias de extinção. Os orgasmos por aqueles lados estavam extintos há muito tempo (se é que alguma vez existiram).
Depois de me tentar armar em Júlio Machado Vaz, com bastante dificuldade e sem resultados que se vissem, visto que ainda não dominava o Puroborá, decidi tentar uma outra táctica, inspirada naquele programa que dava na SIC há uns tempos atrás, que tinha aquela menina apresentadora que estava sempre cheia de soninho, mesmo a ir deitar-se e até apresentava o programa na caminha em camisa de dormir. Debalde! Depois de longos minutos a contorcer-me em trajes menores, a arrastar as vogais e a suspirar arrebatados “Hummms!” e “haaaaaas”, o casalinho continuava sem perceber a mensagem. Diria mesmo que estavam ainda mais confusos quanto aos meus objectivos científicos.
Depois tive uma ideia brilhante, que salvou a visita de estudo!
Saquei do laptop, liguei-me à internet (sim, existe internet em Puroborá, e segundo percebi depois, essa era uma das razões para o déficit orgásmico do casal) e fui directa ao blog do nosso colega Sharkinho! Depois de uma leitura atenta dos arquivos, vi que começavam a ficar entusiasmados, e quando chegaram à Posta 69, foi um delírio!!! Obrigada, Shark, por esta importante contribuição para a causa da ciência!
Não vou dar mais pormenores acerca da minha investigação, mas posso desde já dizer que os resultados foram excelentes!!
E passo a partilhar convosco.
Os puroborianos começam o coito com manifestações moderadas de índole sonoro muito parecidas com as das línguas não em vias de extinção. Mais ou menos na onda do “hummm” “haaa”, com diferentes graus de entoação e emoção.
Conforme cresce o entusiasmo, a coisa torna-se mais característica do Puroboriano, com vários “zstroflduuuuuu”, “embtionodbjdaaaaaaaaa”, “groflllliiiaannuyhb”, abundantes sons guturais do tipo “ouummmpf” “eãããããoonnnnn”, guinchos :“iiiiiiiiihiiiiiiiiiiihhhhhhhhh”, e mesmo algo que parece uma interjeição entre uma expressão de júbilo e um uivo: “uuaaaaauuuuuuuu”. Foi aqui que consegui retirar uma das mais interessantes conclusões do meu estudo, que o Puroborá se aproxima muito do Máku. Penso que este aspecto merecerá, certamente, estudos mais aprofundados.
Não posso deixar de referir que a certa altura estes sons foram interrompidos por vários sons abafados, como “mmmmfffff” e “uuummmmmpppf”. Mas tendo em conta a particular actividade a que o casal se dedicava na altura, estou em crer que não se tratava de verdadeiras manifestações da língua Puroboriana.
Para o fim, a coisa ficou verdadeiramente interessante, com uma variedade de sons certamente muito característicos do Puroborá mas que, se calhar por isso mesmo, infelizmente, não consigo repetir.
Mas o estudo não está acabado. Nas próximas semanas procurarei dedicar-me a reconstituições detalhadas da experiência observada, na tentativa de conseguir reproduzir os sons que agora me escapam, por certo por falta de prática nestes lidas do M.S.U.L.
Assim que tiver mais resultados, comunicá-los-ei à Direcção (a propósito, também posso pagar as despesas das experiências com o cartão de crédito da Isabel?)
Rastuloiieeeiin zimmnanieenttt thjuuullloi, em português, bom fim-de-semana a todos!


Afixado por M. Butterfly às 18:53 | Afixadelas (7)

abril 27, 2005

Et c'est parti!!!

O Airbus A380 acaba de descolar no seu primeiro voo de ensaio! Acabo de o ver na televisão, em directo de Toulouse!
É lindo! É enorme! Voa!

É o maior avião comercial jamais feito, com capacidade máxima para 800 (oitocentos!!!!) passageiros. A configuração normal vai ser de cerca de 500, no entanto.
Vai obrigar os aeroportos a procederem a algumas alterações: é tão grande que as zonas de táxi vão te de ser alargadas (no entanto, as pistas não vão ter de ser aumentadas, porque descola no mesmo espaço que um avião comercial médio. É extraordinário!), tão pesado que as pistas vão ter de ser reforçadas para prevenir a erosão, e como tem dois andares, é preicso construir mangueiras com dois níveis.
A Singapure Airlines é o primeiro cliente, e a primeira rota vai ser Singapura - Londres. E a companhia vai usá-lo com uma configuração de luxo, com zona de bar, lounge, quartos com camas full-size, tudo o que possam imaginar. Vi imagens de projecçõs do interior - é espectacular!
A partir de meados de 2006 já o vamos ver passar!

Afixado por M. Butterfly às 10:10 | Afixadelas (6)

abril 18, 2005

O relatório Kinsey.

Tal como a maior parte das pessoas, penso eu, já tinha ouvido falar no relatório Kinsey. Sabia que tinha sido feito nos EUA, com base em inquéritos, e que era o maior estudo feito sobre a sexualidade masculina e feminina. Muitas vezes tinha ouvido o nome mencionado a propósito de masturbação e homossexualidade.
Mas não sabia muitos mais pormenores, nem que tinha sido publicado, pela primeira vez, em 1948!
Na minha ideia, tinha aparecido muito mais tarde, nos anos 60, 70.
Bem, este fim-de-semana fui ao cinema ver um filme que conta precisamente, a história da vida de Alfred Kinsey, o biólogo que foi responsável pelo estudo.
O filme é muito interessante, e deixa-nos a pensar...
Primeiro, na coragem do homem. Publicar, em 1948 (o estudo sobre o comportamento sexual no homem) e 1953 (na mulher), um estudo em que apresenta dados segundo os quais 92% dos homens e 62% das mulheres já se masturbaram, que 46% dos homens e entre 6 e 14% das mulheres tiveram experiências heterossexuais e homossexuais, que 50% dos homens e 26% das mulheres casadas tiveram sexo extra-marital – e a lista continua por aí fora, como podem ver melhor no site do Kinsey Institute – é, no mínimo, corajoso. Basta ver que, hoje em dia, alguns dos assuntos tratados pelo estudo são tabu – quantas pessoas conhecem vocês que admitam que se masturbam, ou que o fizeram nalgum momento das suas vidas, embora as percentagens sejam esmagadoras e não deixem muita margem para dúvidas? Eu não conheço muitas...
Depois, como é difícil ultrapassar os tabus que nos são incutidos pela moralidade judaico-cristã de que estamos todos (europeus pelo menos) ensopados. Seria de esperar que, 50 depois da publicação de um estudo como este, já ninguém pensasse que a masturbação causa cegueira, que a homossexualidade é uma aberração, e que o sexo em geral é uma coisa vergonhosa, de que não se fala, muitas vezes nem com o parceiro. Infelizmente, todos sabemos que não é assim.
Se é verdade que a tradição já não é o que era, certas coisas continuam dolorosamente na mesma.

Afixado por M. Butterfly às 16:01 | Afixadelas (8)

abril 15, 2005

Muito obrigado!

Hoje de manhã acordei e tinha 14.317,17 euros a mais na minha conta.
Telefonei para o Banco e disseram-me que é uma transferência de um país estrangeiro.
Como não fiz nenhum negócio, nem estava à espera de receber esta soma, só pode ser um admirador secreto!!
Como não sei quem foi, quero deixar aqui o meu agradecimento público!
Muito obrigado!
Mas escusava de se incomodar...
Qualquer ramozinho de flores bastava.

Afixado por M. Butterfly às 10:36 | Afixadelas (15)

abril 13, 2005

As leis de Murphy aplicadas aos homens.

1 - Os homens simpáticos são feios.

2- Os homens bonitos não são simpáticos.

3 - Os homens bonitos e simpáticos são gays.

4 - Os homens bonitos e simpáticos e heterossexuais estão casados.

5 - Os homens que não são lá muito bonitos, mas são simpáticos, heterossexuais e que não estão casados, não tem dinheiro.

6 - Os homens que não são lá muito bonitos, mas são simpáticos, heterossexuais, não estão casados, mas têm dinheiro, pensam que andamos atrás deles pelo dinheiro.

7 - Os homens bonitos, simpáticos, heterossexuais mas sem dinheiro andam atrás do nosso dinheiro.

8 - Os homens bonitos que não são lá muito simpáticos mas são heterossexuais e não ligam ao dinheiro, acham que não somos suficientemente bonitas.

9 - Os homens bonitos, simpáticos, heterossexuais, não casados, com dinheiro e que acham que somos lindas, são cobardes.

10 - Os homens ligeiramente bonitos, algo simpáticos, não casados, com algum dinheiro e, graças a Deus heterossexuais, que nos acham lindas, são tímidos e Nunca Dão o Primeiro Passo.

11 - Os homens que nunca dão o primeiro passo, perdem logo o interesse quando as mulheres tomam a iniciativa.


Sim, a coisa é complicada...
* Texto recebido por mail. Não conheço o autor.

Afixado por M. Butterfly às 13:37 | Afixadelas (15)

Mania das grandezas...

Para o Sharkinho, a propósito da sua posta sobre o tamanho da testa

maniadegrandeza.jpg

*Recebida por mail. Não conheço o autor.

Afixado por M. Butterfly às 13:27 | Afixadelas (13)

abril 12, 2005

O Afixe faz um ano...

E também faz um ano no fim deste mês que saí de Portugal, mais a minha malinha de cartão, para me juntar aos eurocratas (o nome é feio, eu sei, mas acreditem que descreve bastante bem as coisas por aqui).
O tempo é uma coisa relativa, toda a gente concorda. Umas vezes parece ter pesos amarrados aos pés, estende-se e espreguiça-se como um gato ao sol. Outras vezes, tal como Mercúrio, os mesmos pés parecem adornados de asas, e passa ainda mais rapidamente que um aguaceiro de Abril.
Foi assim este ano. Nem quero acreditar que já passou.
No fim deste ano que tenho a certeza será sempre um marco na minha vida, em que deixei tudo o que me era familiar para trás para começar uma nova vida é, apesar de tudo, fácil fazer um balanço.
Foi com certeza o ano mais difícil da minha vida. Não é fácil começar tudo do zero, mesmo quando se emigra já com um emprego em bolsa e sem problemas de dinheiro. Não menosprezando os problemas práticos (encontrar um sítio para viver, transformá-lo num lar, habituarmo-nos aos costumes e práticas de outro país, tudo isso é complicado, principalmente quando se está sozinha), é o lado humano que é sem dúvida mais difícil.
É durante a fase inicial da nossa vida que criamos a maior parte dos laços que nos vão acompanhar e apoiar durante toda a sua duração: a família, em primeiro lugar, claro, mas também (e, neste caso, talvez sobretudo) os amigos. Enquanto as temos e as vivemos, existem uma série de coisas às quais até nem damos muito valor, que tomamos por garantidas, e que só quando nos faltam conseguimos avaliar. Uma amizade verdadeira, até mesmo apenas uma convivência diária, contam-se entre essas coisas.
Quando, de uma assentada, nos encontramos separados de todas as nossas bases afectivas, o sentimento não é agradável. Sentimo-nos perdidos, desorientados. Foi assim que me senti a maior parte deste ano.
A restante, passei-a a tentar encontrar o equilíbrio entre os velhos e os novos afectos. Não é fácil também. Não podemos prender-nos ao passado, sob pena de não aproveitarmos o presente, mas também não o podemos esquecer ou negligenciar. Muitas vezes um leve sentimento de culpa me alertou para o facto de me estar a deixar cair num dos dois caminhos.
Apesar de todas as dificuldades, tenho de reconhecer que o balanço é claramente positivo. Aprendi muito, construí muito, cresci muito este ano. E com a ajuda de alguns factores de estabilidade, fui vivendo menos mal. Com altos e baixos, acabei por atingir aquilo que hoje penso ser uma fase de estabilidade. Já não choro no aeroporto quando volto para aqui. Já não me sinto perdida se não telefono para casa todos os dias. Já não sinto a solidão como um peso e uma sombra enorme no meu dia-a-dia. A velha questão de saber onde pertenço, o sentimento de me sentir estrangeira em toda a parte, se não foi resolvido, pelo menos perdeu importância, já não me envenena os dias.
Consegui construir aqui uma nova vida, criar novos laços, novas bases afectivas, e ao mesmo tempo penso que consegui não negligenciar demasiado as antigas – ainda lhes posso chamar actuais, de hoje.
Constante a tudo isto, um dos factores de estabilidade mais importantes para mim este ano foi o Afixe. Tem sido assim como um cordão umbilical, que me liga aos velhos afectos – eu, o Monty e o Gibel somos velhos conhecidos -, que me permitiu sentir a realidade do país durante todo este tempo, de uma forma que nenhum canal de televisão, revista ou jornal poderia equiparar, que me proporcionou a oportunidade de conhecer muitas pessoas, a maior parte delas interessantes, algumas mesmo fabulosas (e não posso aqui deixar de realçar a Émiéle, que me ajudou muito numa das minhas piores fases ao longo deste ano, de forma absolutamente desinteressada e simultaneamente empenhada que nunca poderei esquecer – obrigada, amiga!). O Afixe fez-me menos emigrante, fez de mim uma estrangeira em casa.
Tudo isto para tentar explicar por palavras o que o Afixe tem sido para mim este ano, uma casa, um cobertor, o melhor momento do meu dia, canja de galinha para a alma (não havia um livro com este nome?... Humm...).
Isso é algo que nada nem ninguém poderá mudar. E que eu espero sinceramente que não acabe.
Estamos todos de parabéns neste primeiro aniversário – Afixadores e comentadores.
Um grande obrigado a todos.

Afixado por M. Butterfly às 22:31 | Afixadelas (11)

abril 08, 2005

Post à JPC

pic17673.jpg

Afixado por M. Butterfly às 12:24 | Afixadelas (7)

abril 07, 2005

Coitadinha....

(reflexão despertada pela notíca do Publico a correr alí em cima)
Já agora, algum dos machos presentes me pode explicar porque é que consideram esta rapariga (coitadinha, nem tem amigas nem nada) uma trollop, e a mana não?
É que olhando para uma e para a outra, sei lá, faz-me confusão...


Afixado por M. Butterfly às 16:56 | Afixadelas (5)

O Lobo Antunes, O Frutuoso França e o meu avô

Sim, eu sei que é um título estranho, mas passo a explicar...
Ando a ler um livro de crónicas do Lobo Antunes. Surpreendentemente, identifico-me muito com as descrições que ele faz da sua infância. Surpreendentemente, porque o meu background é muito diferente do dele: sou umas décadas mais nova, a minha família nunca foi rica, nunca tivemos criadas, ninguém me chamava “a menina”, nunca quis ser cowboy ou actriz de cinema e o Tarzan Taborda nunca me provocou inquietações existenciais. E a lista continua por aí fora...
Talvez seja melhor dizer o que temos em comum...
Até à idade de seis anos vivi com os meus pais em casa dos meus avós. Basicamente, porque os meus pais trabalhavam, e eram os meus avós que tomavam conta de mim durante o dia. Os meus pais ainda usaram o esquema de me levaram a casa dos meus avós de manhã e voltarem para casa deles à noite, mas parece que eu era uma terrorista que não deixava ninguém dormir de noite, e a casa dos meus pais ainda era longe (para os padrões da altura), e assim eles foram ficando, ficando, e ficaram durante seis anos. Ainda bem que foi assim. Tive uma infância muito melhor desta forma.
Os meus avós moravam em Palma de Baixo, mesmo ali entre a Católica e Sete Rios, encostada à Rua das Laranjeiras. Quem lá for agora se calhar não se apercebe, mas aquele sítio, há quase 30 anos, era como uma ilha no meio da cidade, um retiro quase bucólico, uma pequena aldeia mesmo no meio da urbe. Palma de Baixo era basicamente um largo e uma rua que descia até ao campo de futebol do Palmense. No largo havia um pequeno parque infantil (um sítio com areia no chão e dois ou três baloiços) e estendais, onde as senhoras vinham estender roupa (tipo aqueles anúncios foleiros do Omo sabão natural, não sei se estão a ver...). Havia uma pequena mercearia (onde ainda me lembro de a minha avó me mandar às compras com uma nota de 20 escudos!!) e uma taberna, conhecida pelo Carvoeiro, por razões que nunca cheguei a perceber bem mas que acho que tinham a ver com o facto de, noutros tempos, antes do gás e da electricidade, ser ali que se vendia carvão, que era usado para muito mais coisas do que para os nossos churrascos modernos.
Algumas das casas de Palma ainda se organizavam à volta de pátios, como podemos ver nos filmes antigos. Lembro-me bem da casa onde morava a Menina Júlia (todas as senhoras de Palma de Baixo eram meninas, desde que nasciam até morrerem, depois de casadas, mães, avós e até viúvas. A minha avó continua a ser a Menina Maria), que ficava num pátio que dava para o Largo de que falei. Passava por lá sempre que ia à mercearia, e se ia com a minha avó a Menina Júlia (que invariavelmente estava sentada no pátio, à porta de sua casa, a coser ou a bordar) e a Menina Maria ficavam durante algum tempo a trocar banalidades, às vezes histórias de pessoas que conheciam desde miúdas, e que, vá-se lá saber porquê, tinham sempre vidas complicadíssimas e estavam sempre muito doentes ou muito tristes (pelo menos era isso que me parecia, na altura). E a Menina Júlia fazia o mesmo que todas as Meninas de Palma de Baixo faziam nesse tempo: dizia que eu era linda e fazia-me festas no cabelo, e dizia que eu era uma boa menina, o orgulho dos meus avós. Eu levava o título muito a sério...

A casa dos meus avós ficava na rua que ia dar ao Palmense, com o lindo nome de Rua Direita de Palma de Baixo (não sei se ainda se chamará assim...). Do lado direito da Rua Direita existiam vários prédios, um deles onde moravam os meus avós, e do lado esquerdo existia um velho solar, que devia ter sido muito bonito, mas que estava há muitos anos votado ao abandono. Parece-me lembrar que era habitado por um casal de velhotes que morreu ainda eu era muito pequena, mas não tenho a certeza se ainda os conheci, ou se eles até morreram antes de eu nascer, e só me lembro deles pelas descrições que me fizeram – as minhas memórias de infância são assim, não tenho bem certeza quais são reais e quais são fabricações da minha imaginação, depois de ter ouvido as histórias serem repetidas tantas vezes...
Bem, esse solar tinha um jardim que parecia uma verdadeira selva e que era território proibido (os meus avós não queriam que eu andasse a invadir propriedade privada), todo vedado com um muro de pedra quase a cair, mas que estava completamente coberto daquelas trepadeiras que têm umas flores azuis/lilases que parecem trombones – sabem quais são? Acho que se chamam campainhas (são parecidas com as da fotografia, mas não exactamente iguais)... De qualquer maneira, seja qual for o nome, era lindo na Primavera, e essas flores ainda são as minhas preferidas. Cada vez que as vejo parece que estou de novo à janela do rés-do-chão dos meus avós, a olhar para o muro. Ou sentada no chão do passeio, encostada a ele, entretida a fazer bolos de lama com a minha irmã (desde muito cedo que tive um especial pendor pela culinária...). De qualquer forma, nem o solar, nem o jardim, nem o muro existem ainda. Foi tudo demolido e construíram um prédio tipo caixote, pintado de um lindo amarelo canário. Coisas do progresso, segundo dizem.
Ao fundo da Rua Direita, antes de chegar ao campo do Palmense, existiam uns terrenos baldios onde o meu avô tinha feito a sua horta. O meu avô era, por natureza, um homem do campo, estava-lhe nos genes o mexer na terra, e embora tenha acabado a viver em Lisboa - em grande parte, penso eu, porque se apaixonou pela minha avó, uma perfeita Lisboeta, embora tenha nascido no Fundão (mas somente por acaso; mas isto é uma outra história, e longa, por sinal, por isso, adiante) – nunca prescindiu, até morrer, de cultivar a sua própria comida.
Aquela horta era um País das Maravilhas, só vos digo. O meu avô tinha todo o tipo de vegetais e frutas, e coelhos, e galinhas, e até fazia a sua própria água pé! Lembro-me de o chatear até à medula para ele me deixar “ajudar”, e de ele me dar um sacho minúsculo para as mão e de eu estar entretida durante horas a “cavar”. Hoje penso que ele perdia depois bastante tempo a tapar os buracos que eu tinha feito. E lembro-me de no Verão comermos, sentados debaixo da parreira, tomates maduros e pepinos com sal, e no Inverno batatas e cebolinhas novas assadas numa fogueira que o meu avô preparava. E lembro-me dele, sorridente, manchado de escarlate até às coxas, a pisar uva para fazer água pé – e garanto-vos, aquilo era uma pinga de primeira!
Bem, mas já me estou a desviar muito do assunto do post... isto era só para vos dar uma ideia da razão pela qual eu me identifico com as descrições do Lobo Antunes: eu vivi a minha infância, como ele, numa aldeia no meio de Lisboa, num sítio parado no tempo, igualzinho à trinta anos atrás.
Como se já não bastasse isto, descobri que a identificação é ainda maior, e foi esta revelação que suscitou este post. É que ambos partilhamos (ou partilhámos) um forte temor reverencial pelo Frutuoso França
Para quem não sabe quem é o Frutuoso França (o que é perfeitamente normal, não é uma figura pública, nem uma imagenzinha dele consegui encontrar no Google, e há anos que não lhe ouvia o nome), ou melhor, quem era, era um fadista, e acho que o Lobo Antunes põe a descrição perfeita do seu estilo na boca do sapateiro da sua crónica, quando diz que ele é o fadista da “moral”. Por moral aqui entenda-se aquela mistura de virtudes católicas e salazarentas que os Meninos e as Meninas desses tempos deviam seguir para serem considerados gente de bem (Deus, Pátria, Família, respeito pela propriedade privada e sobretudo pelos seus proprietários, os comunistas comem criancinhas ao pequeno almoço, as meninas devem ser puras, ajudar as mãezinhas e ficar em casa e os rapazes são marialvas, iniciam-se com as mulheres de má vida e depois dividem-se em dois grupos: os que procuram uma fada do lar que lhes saiba lavar as ceroulas e casam, têm muito filhos e vivem felizes para sempre, com umas ocasionais incursões pela taberna, e os que são sempre marialvas e dedicam a vida a desgraçar a vida a meninas donzelas, que se deixam seduzir e depois são abandonadas com um bastardozinho nos braços, coitadinhas, mas que se há-de fazer, um homem não é de ferro, mas uma mulher honesta deve resistir às tentações – estão a ver o género?).
Bem, o Lobo Antunes ouvia o Frutuoso França na oficina do sapateiro do Bairro, eu ouvia em casa. O meu avô gostava muito dos fados dele, e eu, claro, sentava-me com ele a escutar. Não me lembro de nenhum fado dele excepto um (embora tenha imensa pena de não me lembrar de um em particular que o Lobo Antunes menciona, chamado Desgraçada Rússia Comunista, que deve ser uma pérola!) que me fazia chorar todas as vezes e que me fez perceber pela primeira vez o conceito da morte (depois disto o meu avô nunca mais pôde ouvir o Frutuoso França à minha frente, que eu abria imediatamente as goelas e fazia um escândalo).O fado era sobre uma menina (claro!), muito pobrezinha mas muito boazinha, que tinha a mãe muito doente, quase a morrer, e não tinha pai. Para poder comprar os medicamentos para a mãe, a menina, toda esfarrapada, vendia laranjas todo o dia pelas ruas de Lisboa, e ninguém a ajudava nem lhe comprava as laranjas (gente horrorosa!!). ao fim do dia a menina só tinha dinheiro para os medicamentos da mãe e para um pouco de comida para ela, e por isso, esfregava a boca com cascas de laranja, para a mãe pensar que ela tinha comido. No fim da história, a mãe cura-se com os remédios, mas a menina morre de fome e de frio. Uma desgraça, como vêem, e para a minha cabeça de menos de seis anos, um trauma para sempre. Ainda me arrepio, só de estar aqui a escrever isto! Lembro-me de passar horas sem conseguir dormir com os pensamentos mais aflitivos – “E se a minha mãe fica doente e eu tenho de ir vender laranjas para a curar? E se eu não tiver nada para comer? E se a menina morre, eu também posso morrer. Nunca mais, nunca mais ver a minha família. Mas os meus pais são mais velhos, podem morrer também e ainda mais depressa? Oh, meu Deus, Oh meu Deus... E os meus avós? São velhotes, podem morrer a qualquer momento! Nunca mais ver os meus avós! Ai, Ai...” - estão a ver a extensão do drama...
Escusado será dizer que se seguiram uns tempos em que eu não queria dormir sozinha, tinha pesadelos e chorava durante a noite. Acho que nunca ninguém percebeu porquê, porque eu nunca contei – não queria afligir ninguém com a notícia da sua morte iminente. Depois acabou por passar, mas ainda hoje sou incapaz de ouvir o Frutuoso França...

Afixado por M. Butterfly às 10:35 | Afixadelas (15)

março 23, 2005

Finalmente, a Primavera!!!

Uma das coisas engraçadas (ou nem tanto...) que uma pessoa adquire com o estatuto de emigrante, é uma obsessão com o tempo. Compara-se o tempo que faz aqui com o que fazia em Portugal (claro que aqui é sempre pior...), sempre que se telefona à família ou aos amigos o tempo é sempre um assunto recorrente, culpa-se o mau tempo pela depressão, o sol pelos dias de boa disposição, uma pessoa queixa-se do tempo, admira-se do tempo, começa as conversas a dizer "sabem quantos graus estão hoje em Portugal?" e delicia-se com a inveja dos nórdicos.
O mais interessante é o misto de sentimentos que nos atingem quando, por alguma razão insuspeitável, o tempo aqui até está melhor do que no "cantinho à beira-mar plantado": por um lado, é uma vitória, mas por outro é a ruína de um sistema de crença arreigado, cujos alicerces firmes levaram muito tempo a contruir. No mínimo, desconcertante!
Por isso, nem sei que vos dizer hoje... Falei com a minha irmã e parece que aí o céu está meio nublado e chuvisca, e aqui está um lindo, fantástico, magnífico dia de Primavera. Almocei numa esplanada (!!!!!!), e as árvores em frente à minha janela acordaram hoje cheias de folhinhas verdes e flores cor-de-rosa exactamente como estas:

Vai com certeza ser uma bela noite primaveril, e vou sair!! HAHA! Sinto que os tempos de hibernação estão a acabar!!

Afixado por M. Butterfly às 16:18 | Afixadelas (6)

março 22, 2005

E hoje é assim que me sinto...

Depois de uma reunião com representantes dos 25 Estados Membros.

Só três notas, depois vou para casa que tenho a cabeça em água...

É impressionante com aquela expressão "todos diferentes, todos iguais" reflecte mesmo a realidade.

Depois de já ter estado do outro lado, compreendo que seja difícil pôr de lado interesses individuais para atingir o bem comum. Compreendo. Mas não aceito a pura má vontade de alguns. E a total mesquinhez e a ausência de estratégia global, de visão de conjunto.

O mais difícil de explicar aos outros é o óbvio. Curiosamente, é sempre aquilo que suscita mais dúvidas.

Afixado por M. Butterfly às 16:14 | Afixadelas (7)

março 21, 2005

Sinto exactamente a mesma coisa...

será que a última tirada funciona com o meu chefe?...

Afixado por M. Butterfly às 16:14 | Afixadelas (2)

março 14, 2005

E como este stress todo me deixou assim...

vou mas é para a caminha!
Boa noite!

Afixado por M. Butterfly às 22:54 | Afixadelas (3)

Primeiro compra-se um computador...

E até se tem dinheiro para o comprar e tudo, e pensa-se que o mais difícil já foi.
Mas não... não podia ser assim tão simples...
Primeiro, o sistema operativo está todo em alemão, e não se percebe uma palavra, e os tipos não vendem a porra de um sistema operativo noutra língua.
Depois, faz-se um sorriso dengoso aos tipos do IT do trabalho, e eles até dizem, OK, traz o computador, que a gente instala-te tudo em inglês.
E pensa-se que o problema está resolvido...
Mas não, porque depois quer-se aceder à internet, até se faz o contrato e tudo, recebe-se o modem e uma quantidade de CDs e outras coisas esotéricas pelo correio, mas depois a porcaria dos manuais e a porra dos CDs estão todos em alemão, e não se percebe uma palavra, e os tipos não têm instruções noutra língua!
Pronto, convida-se um dos tipos do IT para jantar, passa-se 2 horas na cozinha de volta das panelas, e a internet funciona.
Fim dos problemas, poder-se-ia pensar...
Mas não!
Porque o computador até tem um gravador de CDs e DVDs, mas quando se tenta gravar uma porcaria de umas fotos num CD, a coisa não funciona. A desgraçada da drive pura e simplesmente diz que não está acessível!
Depois de uma hora ao telefone com uns amigos que até enviam programas para gravar CDs pela internet, a porra da drive continua inacessível, e lá se tem de convidar o tipo do IT para jantar outra vez.
Depois de 2 horas na cozinha e comido o bacalhau à Zé do Pipo e a mousse de framboesa, fica-se a saber que afinal tem de ser o outro tipo do IT que instalou o sistema operativo a tratar da porcaria da drive, caso contrário podem criar-se incompatibilidades (uhhhhhh...).
E fala-se com o primeiro tipo outra vez, diz-se que se tem um problema com a drive e ele responde, pois claro, tens de fazer o dowload da drive da internet!, assim, como se fosse a coisa mais evidente do mundo!
E eu juro que tentei fazer o dowload da porcaria da drive, fui ao site e tudo, escolhi o modelo certo, li as instruções, e o diabo a sete, mas só se abre a porcaria dum ficheiro zip que juro que não tem nada a dizer install. Clica-se em todos os ficheiros .exe, mas nada acontece.
E andou uma pessoa a estudar 17 anos, fez um estágio de mais 2, fez especializações e pós-graduações e sabe-se lá mais o quê, e continua a sentir-se ignorante por causa de uma estúpida de uma máquina que só funciona a 0 e 1.
Pronto... OK... respira...
Deixa lá ver quem é que eu vou convidar para jantar desta vez...

Afixado por M. Butterfly às 22:33 | Afixadelas (8)

março 04, 2005

ATC

“While taxiing at London's Gatwick Airport, the crew of a US Air flight departing for Ft. Lauderdale made a wrong turn and came nose to nose with a United 727.
An irate female ground controller lashed out at the US Air crew, screaming:
"US Air 2771, where the hell are you going?! I told you to turn right onto Charlie taxiway! You turned right on Delta! Stop right there. I know it's difficult for you to tell the difference between C and D, but get it right!"
Continuing her rage to the embarrassed crew, she was now shouting hysterically:
"God! Now you've screwed everything up! It'll take forever to sort this out! You stay right there and don't move till I tell you to! You can expect progressive taxi instructions in about half an hour and I want you to go exactly where I tell you, when I tell you, and how I tell you! You got that, US Air 2771?"
"Yes, ma'am," the humbled crew responded.
Naturally, the ground control communications frequency fell terribly silent after the verbal bashing of US Air 2771. Nobody wanted to chance engaging the irate ground controller in her current state of mind.
…Tension in every cockpit out around Gatwick was definitely running high…
Just then an unknown pilot broke the silence and keyed his microphone, asking:
"Wasn't I married to you once?"

* Piadinha recebida por e-mail... Não conheço o autor.

Afixado por M. Butterfly às 14:59

fevereiro 17, 2005

And now for something completely different...

Aqui vai o lema do dia!

aproveite.jpg

Também recebida por e-mail...

Afixado por M. Butterfly às 10:22 | Afixadelas (6)

Hi, Hi, Hi!

Cerveau.jpeg

Recebida por mail. Não conheço o autor.

Afixado por M. Butterfly às 10:15 | Afixadelas (1)

fevereiro 16, 2005

Post (quase) político.

Tenho evitado escrever aqui sobre a política nacional, por várias razões, estando a falta de informação causada pela distância física à cabeça e, sempre subjacente, a ideia que a minha participação neste blog não tem por objectivo fazer política, nem este blog é um blog político.
No entanto, perante o estado das coisas, acho que também não me sentiria bem se não desse a minha opinião.
No dia 20 vou votar PS, como aqui já disse várias vezes. Noutras eleições já votei de forma diferente (mas não, não fui das que lá o puseram o PSD e o PP nas últimas eleições). Isto só para deixar claro que o meu voto no PS nestas eleições não se trata de uma questão de correlejionarismo. Nem de uma questão de convicção no que se refere a uma determinada opção política. Não sou socialista, assim como não sou social-democrata, nem bloquista, nem nada. Sou parte daquela massa de pessoas que desloca o seu voto, mais à direita ou mais à esquerda (embora geralmente dentro dos limites do que é conhecido pelo "centro") consoante as circunstâncias da política e do país.
Neste momento, estou plenamente convencida que a única solução para a situação em que o país se encontra é o PS ganhar as próximas eleições com maioria absoluta.
E reparem, nem sequer sou defensora acérrima das maiorias absolutas, como ideia ou modelo, em si. Mas conheço suficientemente os políticos que temos para saber que qualquer tentativa de governação do PS seria inviabilizada pelos outros partidos por uma simples questão de picardia partidária. A noção de um bem comum maior que os interesses partidários é algo que, infelizmente, é raro nos membros da nossa classe política.
É o sistema que está mal? Seja, mudemo-lo. Até lá, temos de viver com ele.
Já que os nossos políticos parecem incapazes de olhar para lá dos seus umbigos, tentemos nós faze-lo.
E vamos lá entender, de uma vez por todas, que as eleições legislativas não são "Os Ídolos", não são um concurso de popularidade, nem vamos eleger o mais simpático, nem o mais jeitoso (escolha que, de qualquer modo, se me afiguraria muito difícil, para não dizer impossível ; ), nem o que fala melhor.
Vamos eleger novos deputados para a AR e, em ligação, um novo Governo, que nos deverão dar a hipótese de retirar o país da espiral de desgraça em que caiu nos últimos anos. É nisso que temos de pensar, em quem reúne as melhores condições para tal e no que podemos fazer para viabilizar a sua actuação.
Só mais duas coisas, para acabar.

Para aqueles que hesitam em votar PS ou Bloco de Esquerda, devo dizer-vos que há cerca de um ano, ainda com o desastroso Governo do Durão Barroso, e face à total ausência de uma oposição digna desse nome por parte do PS, eu pensava votar Bloco nas próximas eleições. Porque o Louçã ainda era o único que dizia alguma coisa de jeito, face ao mutismo ou ao histerismo da restante oposição. Se mudei de ideias, não foi por mudar de opinião em relação ao Louçã. Foi porque estou convencida, como já disse, que perante o cenário nacional não há outra hipótese se não ter um Governo forte, que possa tomar medidas.
E sinceramente penso que o PS aponta na direcção certa, quando fala em revitalizar a economia e esquecer o fantasma e o bloqueio do défice, quando faz um discurso optimista e a apostar no futuro, em vez de vir com a velha história do país de tanga. Esse foi o grande erro do PSD, e cometeram-no ainda em campanha eleitoral (sinceramente não compreendo como podem ter votado nos tipos, mas enfim...). Ainda em campanha acabaram com um dos factores mais importantes, a confiança dos actores económicos, e isso, via-se logo, era óbvio, que seria fatal para o país. Mas não adianta chorar sobre leite derramado...
Só para acabar, quanto aos que defendem o voto em branco, eu consigo perceber a atracção da ideia e até acho que o efeito de um aumento exponencial do número de votos em branco teria provavelmente efeitos imediatos interessantes na nossa vida política, principalmente tendo em conta o significado e a leitura que esse tipo de voto acarreta depois do livro do Saramago. Mas sinceramente, acham que vai ter algum significado, acham que vai mudar alguma coisa? Quando muito teremos uns quantos comentadores a falar do descontentamento em relação à classe política nos dias a seguir à eleições, umas quantas declarações sobre a necessidade de mudar o sistema, mas vai acabar tudo “em águas de bacalhau”, à boa velha maneira portuguesa, nada vai mudar, nada de positivo sairá daí.
E depois disto tudo, sei que não disse nada de novo, nada que outros não tenham dito antes de mim. Não trouxe ideias revolucionárias, nem argumentos esmagadores. Também sei que o que aqui escrevi provavelmente não mudará o sentido do voto de ninguém, a esta hora todos temos as nossas certezas. Mas enfim, disse o que penso, e isso já me satisfaz a consciência.
Dia 20 vamos a votos e logo se verá o que acontece.

Afixado por M. Butterfly às 11:34 | Afixadelas (15)

Snobismos

Acabo de ler no Público este texto do Eduardo Prado Coelho, de que destaco os últimos parágrafos - parecem-me importantes face ao que aqui e um pouco por todo o lado se tem dito acerca da campanha, dos debates e dos seus intervenientes.
Aqui fica a transcrição:
"Neste contexto, embora à última hora possa surgir um sobressalto, há uma reticência em relação a Sócrates que não beneficia a ideia de uma maioria absoluta. Tal como se tornou moda dizer que não apetece votar porque os políticos são todos iguais e nossa classe política só quer é encher a barriga, à esquerda encontra-se hoje um discurso que marca os grupos bem-pensantes: Sócrates igual a Santana, Sócrates sem alma, sem ânimo, sem entusiasmo, Sócrates cinzento e repetitivo.

Parte-se de uma ideia de que precisávamos de uma esquerda purificada, imaculada, transportando todas as virtudes. Ora essa esquerda não existe e o snobismo de a querer encontrar leva a perder em todos os terrenos.

Não, não existe a esquerda perfeita. E provavelmente José Sócrates não corresponde à ideia que nós fazemos da esquerda de sonho. Compreende-se que se procure um modelo irrepreensível e que haja uma certa tendência para a frustração porque a que existe não é a que gostaríamos que existisse. Mas ir para além disto acaba por ser de um idealismo estéril. O Partido Socialista pode não ser aquele que mais desejávamos. Mário Soares não se cansou de o dizer: é o Partido Socialista que temos e é aquele que queremos que governe. Não ver as coisas com este pragmatismo acaba por servir a direita. Não lhe dá a vitória mas dá-lhe condições para complicar a vitória do PS. Podemos não gostar de maiorias absolutas (pessoalmente nada tenho contra), mas só a maioria absoluta permitirá governar de um modo determinado e seguro num período particularmente difícil. Não ver as circunstâncias em que estamos é um snobismo que pode ter desastrosas consequências."

Afixado por M. Butterfly às 10:33 | Afixadelas (4)

fevereiro 15, 2005

Este post devia ter sido escrito ontem.

Mas não tive tempo.
De qualquer forma, vem na onda dos posts da Madge e da Émiéle sobre o São Valentim.
Não aprecio particularmente o dia, embora no meu tempo já se festejasse. Talvez porque, enquanto adolescente, estava sempre à espera que um admirador secreto qualquer me deixasse umas flores ou um cartão, e o desgraçado do tipo nunca se lembrou de fazer tal coisa (Madge, não estás sozinha!)
Mais tarde, nas poucas vezes que calhou estar acompanhada no dia fatídico, foi sempre um stress, porque se tinha-MESMO-de-fazer-qualquer-coisa, e eu odeio ter datas fixas para festejar, e os restaurantes, cinemas, bares estavam todos cheios de casalinhos lamechas e acabava sempre a jantar nuns sítios manhosos onde nunca iria nos outros dias, e nunca sabia o que devia oferecer ao desgraçado (mau sinal, aos meus amigos sei sempre o que oferecer...). Uma desgraça!
Acho que o único dia de S. Valentim em que realmente me diverti foi para aí há dois anos quando uma amiga minha teve a excelente ideia de fazer aquilo que ela chamou um “jantar de encalhados”. Divertimo-nos p’ra caraças, e aí, posso dizer-vos, o amor andou mesmo no ar: desse jantar já resultaram dois casamentos (os meus amigos estão a atingir aquela idade fatídica em que começam todos a cair que nem tordos nos laços do matrimónio – acontece a todos!)
Escusado será dizer que eu, depois de desencorajar o galã decadente e bêbado do costume (há sempre um em todos os grupos e eu tenho tendência para levar com eles) acabei por ir sozinha para casa a pensar com os meus botões que há coisas que nunca mudam (e se calhar ainda bem...). Comigo é o dia de S. Valentim.
Mas este ano estou contente. Ou melhor, estava contente ontem!
É que acabei de descobrir que o dia 14 de Fevereiro, além de ser dia de S. Valentim, é o Dia Mundial da Disfunção Sexual! Aposto que não sabiam...
Pois é, nada como um pouco de humor tortuoso para animar a malta!
Mas só vos digo, não sei quem são os tipos que decidem essa treta dos dias mundiais – mas que têm um sentido de humor esquisito, têm. Ou então também nunca receberam flores no Dia de S. Valentim!

Afixado por M. Butterfly às 08:05 | Afixadelas (11)

fevereiro 03, 2005

É Carnaval, ninguém leva a mal...

Embora eu saiba que vocês por aí de mascaradas, piadas de mau gosto e palhaçadas várias já devem estar fartos, não posso deixar de assinalar aqui que começou hoje a maratona do Carnaval. Ou melhor, começou a época da loucura, porque aqui em Colónia o Carnaval começa no dia 11 de Novembro, às 11h11 (o número 11 parece ter um significado especial para os nativos, que ainda não consegui vislumbrar qual seja). Nesse dia só se viam mascarados pela rua, agarrados a grades de cerveja (não, não estou a exagerar. Eles aqui até têm um coisa muito prática que são uns barris portáteis) e a cidade à noite tinha aquele cheiro característicos de bares e quejandos resultante de quantidades astronómicas de cerveja entornada no chão – estão a ver, assim estilo Festa da cerveja no castelo de S. Jorge.
Hoje, é o “Weiberfastnacht” ou “Wieverfastelovend” (antes que perguntem, sei estes nomes porque pedi a uma colega alemã para os escrever), também conhecido pelo dia das Mulheres Malucas. Basicamente, mulheres mascaradas vão “atacar” a cidade para tomar o poder. Esta manobra é acompanhada por um encantador costume: depois das 11h11, as mulheres andam pela cidade a cortar a gravatas dos homens mais incautos que não se tenham lembrado de as deixar em casa, funcionando a gravata como um símbolo da dominação masculina. Depois, para compensar, beijam o cavalheiro, que lá terá de andar todo o dia com metade da gravata.
Este dia marca o início do Carnaval de rua. À mesma hora (11h11), o equivalente ao presidente da Câmara (não me perguntem como se diz isto em alemão – o meu curso só começa daqui a 15 dias!) da cidade de Colónia vai oferecer as chaves da cidade ao Triunvirato, o mais alto representante do carnaval de Colónia: o Príncipe, o Lavrador e a Virgem – que, só por acaso, também é um homem, disfarçado (aposto que esta parte havia de agradar ao pessoal aí), para os “dias loucos” (“fuer die tollen Tage”). Os dias loucos vão durar até à próxima quarta-feira (“Aschermittwoch”), e durante esse tempo a cidade está em circunstâncias especiais (“im Ausnahmezustand”). Parece que vai haver gente mascarada e louca por todo o lado, festas em todos os restaurants e bares e no meio da rua, e os Hospitais estão de alerta para receber o pessoal em coma alcoólico – nice touch!
Eu, vou trabalhar hoje e amanhã e espero sobreviver ao fim-de-semana…

Afixado por M. Butterfly às 12:14 | Afixadelas (11)

janeiro 27, 2005

Para a Émiéle e a Catarina

Keep smiling!

Afixado por M. Butterfly às 15:33 | Afixadelas (12)

janeiro 24, 2005

Esteve a nevar.

E está tudo muito branquinho e silencioso.
Agora aparece o sol, e o céu está todo cor-de-laranja, rosa, púrpura - azul e cinzento nos intervalos.
É estranho como basta um céu assim para nos fazer sentir que tudo vai ficar bem...

Afixado por M. Butterfly às 15:47 | Afixadelas (2)

janeiro 22, 2005

O tempo aqui está assim... e eu sem guarda-chuva, como de costume...

Afixado por M. Butterfly às 16:28 | Afixadelas (7)

Os perigos da lógica.

Parece que este paradoxo foi inventado em 1951 por um matemático inglês chamado Merril M. Flood. Encontrei-o num livro, Tertúlia de Mentirosos, de Jean-Claude Carriérre.
Um polícia prende dois indivíduos suspeitos de roubo à mão armada. Não há provas suficientes e precisa da confissão do culpado. Manda vir os dois homens ao seu gabinete, um após o outro, e diz-lhes:
- Se confessar, está livre e o seu cúmplice apanha 10 anos de prisão.
- E se o outro também confessa?
- Apanhais cada um 5 anos de prisão.
- E se ninguém confessar?
- A única acusação que tenho contra vós é o porte de arma proibida. Um ano de prisão.
Os suspeitos têm de reflectir sem poderem comunicar um com o outro. Que fazer?
Primeiro, parece a um que a melhor solução é não confessar e cumprir um ano de prisão.
Contudo, do ponto de vista de cada individuo, a melhor solução é confessar, faça o outro o que fizer.Com efeito, se A confessa e B persiste em negar, A fica livre, o que é para ele a melhor solução. Se B confessar também, A devia ter confessado, uma vez que, nesse caso, cumpriria apenas 5 anos de prisão (em vez de 10, se não tivesse confessado).
Podemos fazer o mesmo raciocínio para o segundo suspeito.
Assim, se ambos os suspeitos se comportam desta maneira inteligente e racional, confessam ambos, o que os levará a cumprir uma pena mais pesada do que se ambos tivessem negado.

Tudo muito bonito...
É por isso que confiar noutra pessoa nunca é a escolha racional. Mas pode ser aquela que nos liberta, com um mínimo de danos.

Afixado por M. Butterfly às 16:15 | Afixadelas (4)

Caminhar à chuva.

Um homem caminhava lentamente à chuva.
Um outro, que ia a passar depressa, perguntou-lhe:
- Porque não andas mais depressa?
- Lá à frente também chove – respondeu o homem.

Adaptado do livro Tertúlia de Mentirosos, de Jean-Claude Carriérre.

Afixado por M. Butterfly às 15:48 | Afixadelas (3)

janeiro 21, 2005

Eu sei que nada sei...

Mas mesmo assim, custa-me um bocado quando fico na dúvida se sou eu que sou ignorante, ou se me estão a fazer de parva...
Ontem fui a um concerto de um flautista famoso, de seu nome Emanuel Pahud. E fui, não porque seja grande amante de flauta transversal, confesso, mas porque uma amiga minha o é e me disse que este tipo era assim o supra-sumo dos supra-sumos. E lá fui, para uma noite com Bach no repertório, assim a modos que à mistura com compositores contemporâneos. E confesso que até achei piada ao conceito de se misturar música barroca com contemporânea, achei que seria interessante.
Isto, claro, até o tipo começar a tocar. Porque os connaisseurs vão-me desculpar, mas aquilo, pá, não é música. A primeira coisa que me veio à cabeça foi que o tipo tocava ainda pior do que eu, que mal sei soprar na porcaria da flauta para extrair um som – só que eu, como sei que não sei tocar, tenho vergonha dos sons desafinados que extraio, e prontamente paro de soprar; ora o gajo esteve naquilo para aí meia hora, só fííùi-prrronnn-fíu-fíuiui-pron-pon-PON, e no fim o pessoal fartou-se de aplaudir.
Quando eu estava ainda a recuperar, e a pensar se estaria no filme errado, lá começaram a tocar uma peçazita de Bach, e pronto, lá me convenci, o rapaz sabe tocar... Mas por cada meia hora de música, lá vinha mais meia hora de fííùi-prrronnn-fíu-fíuiui-pron-pon-PON e eu já não sabia bem onde me havia de meter.
Resultado, saí do concerto duas horas e meia depois, com uma dor de cabeça descomunal, e toda descadeirada, que as cadeiras destas salas de concerto só são confortáveis quando estamos a gostar e nem nos lembramos que estamos todos tortos.

A minha colega diz que o gajo é genial. Seja.
Também diz que estes compositores modernos estão a tentar levar a música para novas dimensões, qualquer coisa sobre o facto de a harmonia ser centrífuga e estas composições serem centrípetas (acho que isto era quando me parecia que cada um estava a tocar para seu lado, com pautas completamente diferentes mas igualmente desafinadas). Seja.
Eu só me conseguia lembrar daquelas “obras de arte” modernas que consistem assim numa parede branca com um borrão preto no meio (a imensidão do vazio!) ou numa sala cheia de caixotes do lixo a transbordar (o consumismo da sociedade moderna!).
E pergunto-me se não andaremos a deixar que nos enfiem assim um g’anda barrete!
A coisa deve funcionar mais ou menos desta maneira: há um tipo qualquer que numa noite qualquer, abusa dos copos ou fuma umas ganzitas a mais. Vai de lá, já não consegue tocar flauta com tino e fogem-lhe os dedos quando quer escrever na pauta, mas mesmo assim tem um delírio qualquer e escreve uma coisa que soa assim a fííùi-prrronnn-fíu-fíuiui-pron-pon-PON. No dia seguinte, chega o amigalhaço, que nos dias em que bebe uns copitos a mais ou abusa das ganzas tem a mania que é crítico musical, e pergunta-lhe o que tem andado a fazer. O outro, ainda meio com ressaca, diz-lhe que escreveu qualquer coisita na noite anterior. O crítico começa a ler a pauta, assim meio intrigado com o fííùi-prrronnn-fíu-fíuiui-pron-pon-PON, e pergunta ao nosso músico o que é que ele pretendeu exprimir com aquilo (que é uma pergunta muito em voga entre artistas e críticos, assim a modos que um must). E o outro, em vez de lhe responder, “olha, ‘tava com uma grande broa”, atira-lhe com um nome qualquer em latim (tempus loquendi, era o nome da de ontem) e diz-lhe que pretendeu exprimir a evanescência do tempo na era pós-industrial ou uma cegada qualquer do género. Ora o nosso crítico não percebe nada do que o outro está para ali a dizer, mas como é, como todos os críticos, um artista falhado, tem vergonha de dizer que não tem tanta sensibilidade como o outro. E vai de lançar louvores em público ao delírio do artista. Os outros críticos e artistas, seguindo um raciocínio semelhante, juntam-se à aclamação.
E nós, pobres inocentes, que não temos culpa nenhuma, e quando abusamos dos copitos ou fumamos umas ganzas a mais dá-nos é para disparatar e vamos dormir mais cedo, temos de levar com estas xaropadas!
Estas coisas indignam-me, é o que vos digo...

P.S. Tive de tirar a foto, que isto estava a escorregar...

Afixado por M. Butterfly às 14:36 | Afixadelas (15)

Você sabia...

Que aqui pelas alemanhas a estética portuguesa é muito apreciada? E que somos um produto raro?
Sim senhor!
Ontem à noite, num canal qualquer alemão, estavam a anunciar a venda de uma magnífica colecção de moedas de euro portuguesas (estão assim a imaginar ao melhor estilo Colecções Philae, com muita moeda brilhante a revoltear pelo ecrã, pespegadas em estojo de veludo azul, pois então, apoiado numa daquelas mesinhas falso estilo Eduardo ou Jorge qualquer coisa, muito chique!!).
Parece que a raridade e a beleza estética das mesmas vale a módica quantia de 10 euros! O que, pelas minhas contas, proporciona ao génio que inventou isto, um lucro de 6,62 € em cada colecçãozinha!
Sempre gostava de saber se alguém vai comprar semelhante coisa...

Afixado por M. Butterfly às 13:55 | Afixadelas (4)

janeiro 19, 2005

Correndo o risco de vocês acharem que eu estou maluca...

Não só pelo que vou dizer, mas porque este é o meu 2° (segundo!) post hoje, só para dizer que estou farta de ouvir as pessoas dizerem que gostos não se discutem!
É que eu cá acho que os gostos, as opiniões, são precisamente as únicas coisas que se pode discutir.
Ou querem discutir o quê? Verdades absolutas?

Afixado por M. Butterfly às 15:54 | Afixadelas (8)

Post sem título (já dei voltas à cabeça, e não sei o que lhe hei-de chamar)...

No outro dia, por causa de uma coisa pequenita, tive um daqueles momentos de revelação acerca de nós próprios que só acontecem verdadeiramente quando não estamos à espera deles. Desde esse dia que ando à procura das palavras para expressar o que descobri, sem muita sorte. Hoje tem de ser, por isso aqui vai, mesmo que não saia grande coisa.
Bem, como estava a dizer, um destes fins-de-semana acordei cedo mas cheia de preguiça, e pus-me a ler um livro que uma amiga minha me tinha emprestado no dia anterior. Disse a mim mesma que era só um bocadinho, porque tinha muita coisa para fazer. Acabei o livro por volta das 4 da tarde, quando já estava a anoitecer, e escusado será dizer que não fiz nada do que tinha programado nesse dia. Ler o livro foi um prazer, mas quando acabou fiquei com um travo amargo na boca, porque esse prazer teve custos. E nesse momento, assim em jeito de projecção cinematográfica, tive uns flashes de várias situações semelhantes que me aconteceram há pouco tempo e de outras que me aconteceram há anos, porque eu sempre fui assim.
Há quem lhe chame procrastinar, que é uma palavra feia o suficiente para se adequar ao sentimento que a acção nos deixa.
Mas acho que a mim não se aplica exactamente. O meu problema não é exactamente esse, porque as únicas coisas que eu adio – mas adio sempre - são as que não me dão prazer.
O meu problema é uma espécie de sofreguidão, quero o prazer todo, agora, já, não consigo adiá-lo e dividi-lo em doses pequeninas, para durar mais, como se faz com os doces que se comem em colheradazinhas de café.
E isto acontece-me com tudo, com as coisas mais absurdas, como ler um livro de rajada, ou ver um filme, e deitar-me às 4 da manhã para o acabar e andar o dia seguinte como um zombie, em vez de deixar o resto para amanhã.
Eu sei que nem toda a gente é assim. Ainda há tempos, em conversa com uma amiga minha sobre o facto de ter visto numa noite todos os episódios da Série 5 do Sexo e a Cidade que ela me tinha oferecido no Natal, ela me dizia que eu era maluca, e que o que ela gostava era de ver um episódio hoje, e saber que tinha outro para ver amanhã – colheradazinhas de café.
Claro que isto me cria problemas, porque é uma espécie de vício. É como nunca conseguir parar antes de beber aquele último copo fatal, e passar metade da vida de ressaca, à espera da próxima dose.
Mesmo no trabalho sou assim; sou capaz de trabalhar como uma moura num projecto que me interesse, sem olhar a horas extraordinárias, fins-de-semana ou feriados, mas sou quase incapaz de me forçar a fazer algo que não me interesse. Mais, revolto-me por ter de o fazer, procuro todos os pretextos para me escapar e enraiveço-me com os energúmenos que me pedem semelhante coisa. Ou seja, no meu interior sou uma miúda mimada.
O pior, no meio disto tudo, e que, apesar de ter identificado o problema, apesar de sofrer com as consequências deste meu feitio, sinto, sei, que não vou ser capaz de mudar – o que transforma a minha revelação pessoal em algo de profundamente inútil . E não vou ser capaz, muito simplesmente, porque a mudança não me daria prazer.

Afixado por M. Butterfly às 14:08 | Afixadelas (15)

dezembro 15, 2004

How to write good... in 48 simple lessons

"Always remember:

1. Subject and verb always has to agree.

2. When dangling, watch your participles.

3. Do not use a foreign term when there is an adequate English quid pro quo.

4. If you must use a foreign term, it is de rigour to spell it correctly.

5. It behoves the writer to avoid archaic expressions.

6. Do not use hyperbole; not one writer in a million can use it effectively.

7. Mixed metaphors are unstable foundations for flights of fancy.

8. Placing a comma between subject and predicate, is not correct.

9. Parenthetical words however should be enclosed in commas.

10. Consult the dictionary frequently to avoid mispelling.

11. Don't use tautological pleonasms.

12. Don't repeat yourself and avoid being repetitive.

13. Puns are for children, not for readers who are groan.

14. Use the apostrophe in it's proper place and omit it when its not needed.

15. Don't use no double negatives.

16. Proofread carefully to see if you have any words out

17. Hopefully, you will use words correctly, irregardless of how others use them.

18. Never use a long word when a diminutive one will do.

19. Avoid colloquial stuff.

20. No sentence fragments.

21. Always finish what you sta

22. Prepositions are not words to end sentences with.

23. Avoid clichés like the plague. (They're old hat.)

24. Employ the vernacular.

25. Eschew ampersands & abbreviations, etc.

26. Parenthetical remarks (however relevant) are unnecessary.

27. It is wrong to ever split an infinitive.

28. Contractions aren't necessary.

29. One should never generalise.

30. "Don't use unattributed quotations"

31. Avoid quotations. As Ralph Waldo Emerson said, "I hate quotations. Tell me what you know."

32. Comparisons are as bad as clichés.

33. Never use two words where a single expression will do.

34. Be more or less specific.

35. Understatement is always best.

36. One-word sentences? Eliminate.

37. Analogies in writing are like feathers on a snake.

38. The passive voice is to be avoided.

39. Who needs rhetorical questions?

40. Exaggeration is a billion times worse than understatement.

41. It is recommended that measures should be taken to ensure that the length of sentences is not excessive and that the complexity of said sentences is reduced.

42. Refrain from being indirect.

43. Never insult the bunch of morons that make up your readership.

44. Abstraction is to be avoided.

45. The writer should not annoy half of his readers by using gender-specific language.

46. The recommendation is for the use of verbs rather than nouns.

47. Spelling chequers all ways get it write.

48. Finally ... Always cite the sources of any material you have lifted.
(i.e. we apologise to the author(s) of most of the maxims above, but we don't know your name(s)...)"

Retirado deste site.

Afixado por M. Butterfly às 17:03 | Afixadelas (3)

E viva o ajuste directo!

Parece que é nova moda por terras lusas... pelo menos, é o que leio aqui e aqui.
'Bora lá todos aderir!

Afixado por M. Butterfly às 16:48 | Afixadelas (2)

dezembro 08, 2004

Convite!

Acabo de receber este convite, e não podia deixar de o publicar aqui. Desde já os meus agradecimentos à autora, que o permitiu. És uma g’anda maluca!
Mas digam lá se não merece um prémio de criatividade?

“Pois bem meus caríssimos comparsas,
Digamos então que a alheira é o vetusto antepassado da germassassinada salsicha, por vós certamente reconhecida/ou melhor conhecida por “WURST”.
Aos paladares mais requintados lanço então o desafio de vir testar o príncipe do chouriço no BurgochamadoENtraSerasBEmRecebiGo.
Não tem nada que enganar:
Deutz – A 4 direcção OLPE, saída 18 para BurgochamadoENtraSerasBEmRecebiGo. Sempre em frente subindo, Estacão de metro e autocarros à direita, semáforos em frente e Estacionar! Para chegar ao prédio têm de descer umas escadas e é o ultimo edifício.

Agradeço que me confirmem ainda hoje até às 17h30, para saber a quantos vou abrir a porta por volta das 8h00 (não há como a delicadeza, hem?!)

Para terminar e não querendo que qualquer de vós fique sem perceber este CONVITE, aqui vos deixo as merecidas traduções, que não fazem senão prova do quão desconhecida é a nossa senhora língua portuguesa..................



Then mine we caríssimos accomplices,
Let us say then that the alheira and the very old ancestor of the germassassinada sausage, for certainly reconhecida/ou you better known for "WURST".
To the palates more requintados throwing then the challenge to come to test the prince of the chouriço in the BurgochamadoENtraSerasBEmRecebiGo. It does not have nothing that to be deceptive: Deutz - the 4 direcção OLPE, exit 18 for BurgochamadoENtraSerasBEmRecebiGo., Always in front going up, Station you meter and autocarros the right, traffic lights in front and To park! To arrive at the building têm to go down stairs and and I finish it building. Agradeço that still confirms me today ties 17h30, to know how many I go to open the door for return of 8h00 (não ha as the delicacy hem) To finish and not wanting that any is without perceiving this INVITATION to you, you I leave the deserved translations here, that do not make senão prove of the unknown quão and ours lady Portuguese language..................

Ensuite mes car?imos comparses, Dire ent?que l'alheira et le vétuste ancêtre de la germassassinada saucisse, vous certainement reconnue/ou mieux connue par wurst.. aux goûts plus requintados lan?ent?o défi de venir expérimenter pr?ipe de la chouri?no BurgochamadoENtraSerasBEmRecebiGo. N?tem nage que trompera : Deutz. À 4 direc ? OLPE, sa ? 18 pour BurgochamadoENtraSerasBEmRecebiGo., Toujours tout droit en montant, Estac?te mètre et autobus la droite, les sem?ros tout droit et Garer ! Pour arriver à la pr?o te^m de descendre des escaliers et et lui je finis edif?o. Agradeco qui me confirme encore aujourd'hui attache la 17h30, pour savoir combien vais ouvrir la porte par retour de la 8h00 (nao ha comme la délicatesse hem ? !) Pour finir et n?querendo que quiconque reste sans de vous percevoir cette INVITATION, ici vous je laisse mérité tradu?s, que n?fazem sen?prova de la qu?desconhecida et nôtre Mme l?ua portugaise.................. «

P.S. – Escusado será dizer que vou aceitar o convite... Amanhã vos digo que tal eram as alheiras e se os destinatários não portugueses do convite conseguiram chegar a Bensberg...

Afixado por M. Butterfly às 15:35

novembro 30, 2004

Tudo em grande!

* recebida agorinha mesmo por e-mail... Não sei quem é o autor, mas aqui fica, desde já, a devida vénia (sempre adorei esta expressão!).
“O que aconteceu foi que eu estava em Belém na inauguração da maior árvore de Natal da Europa, sim, repito, da Europa, porque nós quando fazemos as coisas é em grande, e virei-me para um turista que lá estava e disse-lhe:
- Lá na tua terra não tens disto pois não? A maior da Europa, a MAIOR!
E o gajo vem com uma conversa: Não sei quê, no meu país preferimos gastar dinheiro em outras coisas, por exemplo a evitar que rebentem condutas de agua, que levam ao abatimento do solo, e dessa forma prejudiquem milhares de pessoas...mais não sei que mais e o camandro!
E eu, que até sou um gajo que, é pá, tenho uma facilidade na exposição de argumentos, não me fiquei e disse-lhe logo:
- A maior da Europa! Toma! Embrulha!
E o gajo começa a falar que não sei quê, lá no país dele quando começa a chover as zonas ribeirinhas não ficam inundadas, e que talvez fosse melhor que, em vez da árvore, o dinheiro fosse canalizado para evitar essas situações.
Eu comecei a enervar-me e disse ao gajo:
- Mau, tu queres ver que nos temos que chatear! Eu estou aqui a expor argumentos que... é pá, sim senhor, e tu vens com essa conversa de não sei quê. Eu nem quero começar a falar na feijoada em cima da ponte, nem no desfile de "pais natais", porque senão nem sabias onde te metias, pá.
O gajo começa a falar de uma coisa qualquer, tipo túneis que são construídos e ficam a meio, e não sei que mais, e eu virei logo costas. Porque quando eu vejo estes gajos que não conseguem aceitar a superioridade de um país e ainda falam, falam... falam, falam... falam, falam... e não dizem nada de jeito, eu fico chateado, claro que fico chateado!!”

Afixado por M. Butterfly às 15:54 | Afixadelas (13)

novembro 29, 2004

Fora do mundo...

É como me sinto ultimamente.
Como se de repente os meus horizontes tivessem diminuído drasticamente.
Sem internet em casa, e primeiro sem televisão, e agora com ela, mas sem um canal sequer que possa ver (o único canal estrangeiro que apanho é a CNN, e de cada vez que a sintonizo apanho o Bush em discurso à nação! Não há paciência que aguente...), sem tempo no trabalho para sequer entrar na internet, quanto mais para ler jornais, e juntando a tudo isto o facto de a única imprensa portuguesa que se consegue comprar em Colónia ser a Maria, a Nova Gente e a Mulher Moderna na Cozinha (acho que também vi a Ana e a Telenovelas, mas não tenho a certeza...), estou completamente por fora de tudo o que se passa. O que me vai safando é o resumo diário da Émiéle...
De qualquer maneira, as coisas vão mudar! Para a semana já devo ter internet em casa, e espero que as coisas mudem a partir dai. Já não aguento mais este universo limitado ao trabalho e à minha vida pessoal. É mesmo muito pouco interessante!

Afixado por M. Butterfly às 17:10 | Afixadelas (3)

Os estereótipos

No outro dia, entro no elevador de um grande centro comercial aqui da urbe, imediatamente seguida por um grupo de pessoas que empurraram toda a gente que estava no cubículo já bastante cheio até se conseguirem espremer todas lá para dentro.
Por causa de toda a comoção comecei a observá-los. Eram obviamente uma família, todos parecidos. Todos extremamente morenos. Todas as mulheres tinham bigode e compridos cabelos castanhos e oleosos, presos elegantemente com molas com flores falsas. Os homens estavam vestidos de preto, tinham bigode e a barba por fazer, e o mais velho tinha um boné que já tinha, definitivamente, visto melhores dias.
Não sei porquê, lembrei-me logo dos desenhos que o alter ego of our very own Madge tem postado no seu blog, numa serie sobre estereótipos portugueses (quem não viu, vá ver. Os desenhos estão brilhantes!).
E pensei: - He!He! Estes podiam ser estereótipos do Portugal profundo (não do blog, evidentemente...).
E já me ia lançar numa divagação altamente filosófica sobre como os estereótipos são falíveis, enganadores, injustos (sim, porque geralmente não são muito simpáticos) quando o senhor do boné lança, cheio de propriedade: - Caralho, que isto está cheio!
Ao que o resto da família responde, cheia de propriedade, com risinhos e gargalhadas de-quem-está-no-estrangeiro-e-pode-dizer-as-alarvidades-que-quiser-que-ninguém-entende.
Não vos chateia quando os estereótipos estão correctos?

Afixado por M. Butterfly às 17:05 | Afixadelas (6)

novembro 26, 2004

Navegação segura...

GRAVAÇÃO DAS MENSAGENS TROCADAS NA FREQUÊNCIA DE EMERGÊNCIA MARÍTIMA, CANAL 106, NA COSTA DE FINISTERRA (GALIZA), ENTRE GALEGOS E AMERICANOS, A 16 DE OUTUBRO DE 1997

Galegos: (ruído de fundo).... Fala-lhes o A-853. Por favor, desviem o vosso rumo quinze graus sul para evitar colidirmos... Estão a aproximar-se directamente de nós, distância 25 milhas náuticas.

Americanos: (ruído de fundo) ... Recomendamos que desviem o vosso rumo quinze graus norte para evitar colisão.

Galegos: Negativo. Repetimos, desviem o vosso rumo quinze graus sul para evitar colisão.

Americanos: (outra voz americana)</