dezembro 14, 2005

Hoje à noite, às 23h15, na RTP...

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Um filme belíssimo para o pós-debate fratricida (que é às 20h45 na TVI). De Alejandro Amenábar, com Javier Bardem no protagonista, conta a história real de Ramón Sampedro, um homem que esperou 27 anos para morrer. Não o recomendo por ser - que não sou - defensor da eutanásia, assunto sobre o qual tenho grandes dúvidas. Mas porque dá que pensar. E é uma belíssima obra. Por isso, não percam. Depois até podemos debatê-lo. E um abraço para todos.

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dezembro 05, 2005

Debates assim são uma seca!

Nota ao intervalo, sem passar pelos candidatos.

O que tenho estado a ver não é debate coisíssima nenhuma. São dois monólogos, ou duas entrevistas alternadas. Debater é discutir ideias, trocar pontos de vista, confrontar o adversário, argumentar e contra-argumentar. O que exige presença de espírito e preparação. O papel do jornalista-moderador é introduzir temas, corrigir assimetrias de tempos, conter excessos de interrupções e zelar pelo nível. Não precisa de mediar toda e qualquer questão, até porque é de pessoas civilizadas e não de animais selvagens que se trata. O modelo americanizado e asséptico adoptado para as presidenciais de Janeiro retira emoção e interesse aos debates daquela que é a única eleição unipessoal. Isto não acrescenta nada ao que podíamos ouvir, em separado, a Cavaco e Alegre (ou aos outros três, for the matter). E é soporífero.

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novembro 23, 2005

Perdoa-lhes, Senhor, Eles não sabem o que dizem...

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Mais uma vez um comentário alonga-se-me e faço dele post. Menos mal, até porque tenho sido pouco assíduo. É sobre a Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) e os gays.

A ICAR que estipule as suas regras. Está no seu direito, e se quer dirigir-se para o suicídio a passos lentos, bom proveito. E a ILGA que comente o que bem entender, inclusive os assuntos da ICAR, até porque esta comenta, e está no seu direito, assuntos que lhe não dizem respeito, inclusive os da ILGA. Eu, que não pertenço a nenhuma das duas, também comentarei, sempre que me apetecer, os assuntos de uma e outra.

Fechado o círculo, quero sublinhar a tristeza com que ouvi esta manhã na TSF o padre e teólogo Joaquim Carreira das Neves, que aprendi a respeitar, por exemplo, nas páginas da revista Actual, do Expresso. Diz o sacerdote, para justificar a medida de Ratzinger et al., que os homossexuais [presume-se que homens, porque padres] tendem a ligar-se mais ao sexo masculino, pelo que a sua chegada ao sacerdócio faz com que as mulheres se sintam excluídas. E alude a alguns padres que, diz, têm essa atitude, que muito magoa as mulheres que trabalham na ICAR.

Ora, desculpem lá, mas isto brada aos céus de estupidez. Os homossexuais, como o nome indica, ligam-se mais a homens NO SEXO!!! NA CAMA!!! (ou, for the matter, na banheira, ou na praia, ou diante da lareira..., não sejamos esquisitos!). Na cama e na vida conjugal, para os que optam por ela, e ainda bem que há países que lho permitem. (nota: tudo isto vale para os homossexuais estritos; os que são bissexuais, alegre-se o senhor padre, não excluem a mulher de nada disto, incluem tudo)

Voltando à vaca fria, lembremos que na vida há muitas dimensões além da sexual (e ainda bem, mal faz a ICAR se só pensar em sexo). E dessas os homossexuais não excluem as mulheres. Relacionam-se com ambos os sexos. Homossexualidade é só preferir fazer sexo com pessoas do mesmo sexo. Negar a existência da mulher, rebaixá-la ou excluí-la, não é homossexualidade, é imbecilidade.

Os gays, padres ou não, não deixam de falar às mulheres, nem de tê-las por amigas. Ou melhor, se o fizerem, não é por serem gays. É por serem parvos. Também o fariam se não fossem homossexuais. Infelizmente, a imbecilidade a que me referia no parágrafo interior está muito disseminada neste mundo. Inclusive - e não meigamente - pela ICAR. Que se calhar até magoa algumas mulheres que nela trabalham (e outras) pela sua visão amesquinhante do sexo feminino. E do sexo, tout-court.

Aos clérigos que receiem a exclusão da mulher pelos maléficos homossexuais, sugiro um tira-teimas: averiguem se os padres homossexuais actualmente já ordenados e em funções (que também não são poucos), que tanto magoam as mulheres, levam essa atitude a extremos e excluem das suas preces a Nossa Senhora.

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novembro 20, 2005

Um postal madeirense

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Para todos os ilustres aphixadores, em directo do Funchal, um abraço com os aromas do chá tomado no Santo da Serra ou do bolo do caco da Madalena do Mar. Até breve!

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novembro 11, 2005

Resposta a um post de Ana Gomes

Olhe que não, sôtôra, olhe que não!

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outubro 24, 2005

Lembrando o intragável Carrilho e o pequeno Dinis Maria...

... eu gostava de ter escrito este post.

Afixado por Pedro Cordeiro às 17:08 | Afixadelas (2)

Sugestão no grande ecrã

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Golpe a Golpe (Le Couperet, no original francês) é uma comédia negra sobre os dramas laborais da Europa. Deslocalizações, procura de emprego, excesso de qualificação, meia-idade, estão todos lá. Costa-Gavras - cujo último filme, sobre a cumplicidade de Pio XII com os nazis, creio não ter passado em Portugal, o que é pena - assina uma bela obra sobre os nossos tempos. Com direito a gargalhadas. Apressem-se a vê-la no Londres ou no Vasco da Gama. Infelizmente, os filmes franceses não costumam demorar-se muito tempo por cá.

Afixado por Pedro Cordeiro às 15:40 | Afixadelas (2)

outubro 09, 2005

Carrilho é um esterco

e isto não é um insulto gratuito. Quem tiver dúvidas que releia na imprensa de amanhã o discurso q acaba de proferir.

Afixado por Pedro Cordeiro às 23:09 | Afixadelas (3)

outubro 03, 2005

A não perder

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O IX Festival de Música de Mafra, que arrancou na noite de Sábado com a divina Maria Cristina Kiehr a cantar compositoras e compositores (mais elas do que eles) do século XVII, acompanhada pelo Concerto Soave. Tomem nota: todos os fins-de-semana de Outubro (ainda há quatro, portanto), no Convento de Mafra (a visitar!!!), concertos a 6 e 10 euros. Dia 22 há um gratuito, na Basílica do Convento. Na senda da bonita entrada sobre o Dia Mundial da Música, deleitemos os tímpanos!

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setembro 29, 2005

Barros Moura

Quem fala de Felgueiras devia lembrar-se de José Aurélio Barros Moura. Nascido no Porto em 1944, foi militante do PCP até 1991, alistando-se depois no PS. Barros Moura foi eurodeputado, deputado à AR e presidente da Assembleia Municipal de Felgueiras. Deste último cargo demitiu-se antes das autárquicas de 2001, devido a suspeitas de corrupção e gestão pouco transparente por parte da então presidente da Câmara, Fátima Felgueiras, de cuja recandidatura (Fátima fora eleita em 1997) discordava. O PS - leia-se Guterres, Jorge Coelho e todos os que, com o seu silêncio, disto foram cúmplices - preferiu manter uma autarquia a mais na contabilidade eleitoral, em detrimento da transparência. Por ter criticado o partido de viva voz, Barros Moura foi excluído das listas de candidatos a deputado nas eleições de Março de 2002 (convocadas na sequência da demissão de Guterres). Foi, portanto, a então nova direcção do PS - a de Ferro Rodrigues - que decidiu esta punição ignóbil.

Barros Moura morreu de cancro a 25 de Março de 2003, sem nunca ter visto reparada esta injustiça. O tempo veio a dar-lhe razão e é pena que, face ao regresso de Fátima Felgueiras e à sua eventual vitória, poucos sejam os que se lembram deste homem. Curvo-me perante a sua memória.

PS: É, por exemplo, inconcebível que a Visão de hoje faça de Felgueiras tema de capa e não mencione Barros Moura uma única vez.

Afixado por Pedro Cordeiro às 14:36 | Afixadelas (3)

setembro 20, 2005

NOVO DEBATE CARMONA-CARRILHO NA TVI...

...diz o DN. Gostaria de propor Júlia Pinheiro para moderadora.

Afixado por Pedro Cordeiro às 10:26 | Afixadelas (7)

setembro 14, 2005

Soares porquê?

Isto era uma resposta a uma afixadela ao post do Costa Pereira sobre o MASP (onde cita o artigo de Vasco Pulido Valente, que recomendo). Na dita afixadela, uma tal de Maria da Fonte interpela-me. Posto a responder-lhe, vi que o texto era demasiado longo e, em formato de comentário, tornar-se-ia ilegível. Aqui vai, portanto, esperando que não se torne ilegível por outros motivos, vide as limitações deste vosso amigo.

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Diz Maria da Fonte: «Nem ele (Soares) sabe bem porque se candidata»

Olhe que sabe, sôtora, olhe que sabe... quanto mais não seja, Soares avançou por não suportar a ideia de ver a passadeira vermelha estendida a Cavaco e a esquerda a conformar-se com uma candidatura de Alegre ou outro qualquer, destinada a perder. Não é a melhor motivação para uma candidatura presidencial, mas não sei sequer se foi a principal. Há outras e o discurso de apresentação, se não foi brilhante, apontou algumas e boas. A supracita, só não vê quem não quer.

Pergunta Maria da Fonte: «Será por ser um bocadinho torcido ou pelas ‘torcidades’ que ele fez ao Dr. Alegre?»

Quem é um bocadinho torcido? O Mário Soares ou eu? A pergunta assim parece... torcida, mas respondo-lhe já que acho que, salvo as devidas distâncias, um e outro devemos ter um certo grau de «torcedura», como qualquer pessoa normal. Já quanto a Manuel Alegre (que, não é que isso importe, mas não tem «Dr.»), há versões demasiado contraditórias da história, a começar pela(s) do próprio poeta, cujas intervenções líricas – e algumas políticas, que não as últimas – muito aprecio. Quanto ao que aqui nos traz, Alegre começou por dizer que não foi avisado da candidatura de Soares antes da declaração de Sócrates ao «Jornal de Notícias». Esta semana já admitiu ter sido contactado antes para um almoço. Em que ficamos?

Exorta Maria da Fonte: «Diga lá porquê»

Voto em Mário Soares porque se enganou muitas vezes no acessório, mas poucas no essencial. Porque combateu a ditadura fascista do Estado Novo e a tentativa de ditadura comunista do PREC. Porque foi estupenda a campanha que fez junto de dirigentes europeus e americanos nos primórdios da nossa democracia. Porque eliminou, na primeira volta de 1986, o projecto pouco realista de Pintasilgo e a candidatura inquinada de Zenha, utilizado pelo oportunista Eanes. Porque foi um excelente Presidente da República, que soube interpretar e aplicar os seus poderes – julgo que não devem ser alterados – e esteve à altura em momentos-chave (decidiu bem ao não nomear de um Governo PS-PRD em 1987, convocando eleições e abrindo a porta à primeira maioria absoluta de Cavaco; decidiu bem ao não dissolver a Assembleia da República de maioria laranja nos anos 90, apesar de muitas pressões nesse sentido). Porque estabeleceu uma relação extraordinária com o povo português e soube auscultar-lhe as preocupações e as perplexidades. Porque instituiu as Presidências Abertas, em que, sem se sobrepor ao Governo, pôs a nu situações que o «oásis» cavaquista parecia não querer ver.

Mas, sobretudo, voto em Mário Soares por pensar que ele pode ser de novo um excelente Presidente da República. Respeitará a fronteira entre os seus poderes e os do Governo – este ou outro –, sem contudo cair na sonolência do primeiro mandato de Jorge Sampaio, que tinha o dever de ter falado mais durante as bacoradas guterristas (limianas, totonegociais e outras). Soares fará por transmitir ao país o seu proverbial optimismo (que a economia também dele precisa, mais do que megalomanias como o aeroporto da Ota) e é um melhor embaixador do que Cavaco, quanto mais não seja pelo prestígio de que goza no estrangeiro (cf. artigo do «Financial Times», não propriamente um jornal de extrema-esquerda, publicado também no «Courrier Internacional» português). E está como ninguém em sintonia com o país.

É ideal Mário Soares voltar a Belém? Não. Pessoalmente, preferia que houvesse alguém mais novo no lado esquerdo do panorama político com perfil presidenciável e hipóteses de ganhar (coisas que Soares tem). Não digo isto por causa da idade de Soares (concordo com Pacheco Pereira, é o argumento mais estúpido que se pode usar e o homem está óptimo, lúcido, arguto e cheio de energia), mas pela saudável renovação da democracia. Ora, nesse ponto, há que recordar que Cavaco não foi Presidente, mas até já concorreu a Belém e, em termos políticos, é da mesma época que Soares, embora tenha chegado mais tarde (nota de humor: onde é que o senhor professor estava no 25 de Abril?…, atenção que eu disse de humor!!!). Foi um primeiro-ministro globalmente bem sucedido, provavelmente o mais bem sucedido dos que tivemos, mas o seu modelo depressa se esgotou e ele, ao adivinhar isso, saiu. O mito do rigor nas finanças já foi quebrado e o «monstro» que tanto tem verberado também foi concebido com genes seus.

E à esquerda? Apareceu alguém mais novo e capaz de ganhar as eleições? Guterres podia ganhá-las em circunstâncias que não as actuais, mas não com o meu voto, e além disso foi para a ONU. Vitorino também podia ter hipóteses e nele votaria, mas prefere esperar e falta-lhe algum currículo. Freitas não me serve. De Alegre já falei, e por boa que tenha sido (foi) uma parte do seu discurso no célebre jantar de Viseu, candidaturas resignadas à derrota honrosa não me servem. Não tinha hipótese, e isto pesa mais do que quaisquer «torcidades» reais ou imaginárias.

Outros nomes podiam ser mencionados, mas não apareceram! Pelo que a escolha para Belém é entre Soares e Cavaco. Sem complexos, prefiro Soares. A discussão sobre quem poderia ter sido torna-se académica. A discussão política, essa acaba de começar. Obrigado pelo repto!

Afixado por Pedro Cordeiro às 18:39 | Afixadelas (42)

setembro 09, 2005

SIM, ESTÁ DIFÍCIL...

...Mário Soares ganhar as presidenciais. Pelo menos é o que dizem as sondagens da Católica e da Aximage, que valem o que valem mas não são despiciendas (a este respeito leiam três comentários pertinentes de Pedro Magalhães).

Ora, os resultados dos estudos de opinião hoje divulgados não surpreendem; confirmam as impressões da maioria dos analistas e são os esperados na actual conjuntura.

Que é como quem diz que o meu candidato sabia, quando aceitou ir a jogo, o que o esperava. Goste-se ou não dele, sabe bem, em democracia, ver um homem de 80 anos que já foi Presidente arriscar-se a encerrar a carreira com uma derrota quando, como lembram vários dos seus críticos, não precisava disto para nada.

Mas Soares é assim e eu gosto disso nele.

Ah, e acho que vai ganhar.

Afixado por Pedro Cordeiro às 13:02 | Afixadelas (7)

setembro 02, 2005

Aqui me tendes...

...e por favor não liguem aos encómios demasiado generosos do meu querido amigo Bernardo. Esta primeira posta serve para me apresentar: sou Pedro Catanho de Menezes Cordeiro, nasci em Lisboa há 26 anos e trabalho como jornalista no Courrier Internacional. Leio o Afixe há muito tempo, com o prazer redobrado de nele encontrar assuntos que percorri em conversas e debates com o Bernardo e outros. Que nessa parte podem crer, ao longo desta longa amizade temos sido o dia da noite no que à política e à religião diz respeito (que não noutras coisas fulcrais da vida, provavelmente mais importantes do que a religião e a política).

Indispensável, contudo, nestas lides, a «declaração de interesses»: sou socialista, republicano e laico. Maçon não, nem lá perto. Sou ateu mas não anticlerical. Assaz terra-a-terra, gosto de ter nascido neste bocado de chão atlantico-mediterrânico, mas não consigo amar ideais intangíveis de pátria e nação. A Península Ibérica parece-me uma unidade algo mais que física, embora não a imagine, como outros, a quebrar pelos Pirenéus e navegar por aí. Sou europeu com sangue muito mestiço, talvez por isso os meus sítios preferidos vão de Toxofal de Baixo a Seven Dials, com Beguinhoff, Katajanokka, San Vicenç de Sarrià e Hydra de permeio. E mais que venham.

Amo a língua portuguesa, que é a mais bonita de todas, mas gosto muito de falar, ler, escrever ou cantar (mal) noutras. De outros gostos e desgostos, ideias e loucuras, irritações e epifanias, falaremos mais tarde. Dito o essencial, o resto irá escorrendo no diálogo iterativo com afixadores e leitores. Acho que vou gostar disto.

Afixado por Pedro Cordeiro às 16:19 | Afixadelas (10)

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