setembro 21, 2005
O espaço num tempo
Passa um minuto, passa um segundo, o tempo escoa-se a velocidades diferentes. O momento em que rebolo com os meus filhos, no meio de ataques de cócegas, entre risos e gritos, passa mais depressa do que aquele em que aguardo ser atendida, numa sala de espera de um consultório médico, mas tem também maior duração. A meia hora na ambulância em que percorri a distância entre dois hospitais, porque o meu filho tinha uma suposta meningite decorreu há uns anos e ainda hoje dura. Quando um deles desaparece da alçada do meu olhar por breves segundos num espaço público vejo a vida inteira a ser passada à procura dele enquanto me movo com a sensação de correr em câmara lenta.
A mana tinha um blog. Falava muito nele e resolvi espreitá-lo. Foi assim que conheci a blogosfera: a princípio lia o 100nada e comentava o que lia com a mana, depois comecei a deixar comentários ali e a ler outros blogs, ao acaso. Alguns comentários mais espirituosos levavam-me a outros sítios, o que aconteceu com As Ruínas Circulares, onde, na minha primeira visita, o autor lamentava, com grande ironia, o abandono de uma comentadora minha homónima. Por graça reiterei a opinião da dita susana e, na sequência de um outro comentador replicar que uma susana não se desperdiçava fui ao Charquinho perguntar se era ali que procuravam uma susana, que eu poderia ocupar a vaga.
Foi no Charquinho que li o primeiro comentário que me trouxe ao Afixe, da autoria da Emiéle. Rapidamente me tornei uma visitante assídua, já que era habitual a Emiéle ter pelo menos um post “para mim”, a cada dia. Era muito simpática e respondia quase sempre, mesmo quando eu não estava de acordo com ela e, por vezes, entabulavamos uma conversa ou uma discussão constructiva. Progressivamente fui gostando dos outros aphixadores e com o convite ao JPC e ao Sharkinho para fazerem parte deste grupo, o Afixe ficou um “Tantos em 1” muito prático, já que eu só tinha net no trabalho e o computador era lento. E assim me diverti durante uns tempos a comentar por aqui e por ali, particularmente no 100nada, no Afixe e no Charquinho.
Foi com enorme surpresa que recebi o convite para fazer parte do Afixe. Foi mesmo. A escrita não é o meu medium e nunca me senti blogger. Continuo a sentir esta minha experiência como transitória e como um (feliz) erro de casting. Agora acabou; são várias as razões que levam à minha saída e que não cabe aqui enumerar.
Da blogosfera fica uma forte impressão: o que mais me marcou foi a intensidade das relações. Por serem virtuais (pelo menos a príncípio) há uma desvalorização do acessório; há, por vezes, uma linha de conduta muito estrita, porque apenas uma faceta do emissor é considerada, quando este se assume não em completude mas como um personagem; há equívocos pela escolha da palavra inexacta; há ódios quase de morte. Há amizades para sempre e amores de vários tamanhos.Há amores que são como casas; outros são como sombras: leves, transitórios, transparentes e em constante mutação, na forma e na densidade. São amores pequeninos, mas o amor é maravilhoso e aquilo que distingue alguma coisa não é a duração nem a importância, é o peso que um instante pode ter num dia, é o bem que a sua qualidade nos dá.
Como se mede o tempo de um beijo? Pela expectativa que o antecipa, pela duração efectiva ou pelo sabor que se demora na boca, para além do tacto? Vi um blog, pela primeira vez, no início do ano passado. Comecei a “frequentar” a blogosfera há um ano. Escrevo no Afixe desde Março. Conheci no real amigos virtuais pela primeira vez em Maio. Caramba. É impressionante que possa ter passado tanto e tão pouco tempo. No mesmo intervalo, em simultâneo. Antes da pausa quero apenas dizer: levo um doce sabor na boca.



















































Afixado por Susana às 16:10 | Afixadelas (29)
agosto 01, 2005
Até breve
Vou de férias.
Os meus dias, a partir de amanhã:
De manhã, depois do pequeno almoço, breve faxina. Preparar mochilas, encher os meninos de creme de protecção solar, lavar fruta e preparar tomate para as sandwiches.
Passar no supermercado para comprar pão e recheio para o mesmo, água e iogurtes, atirar com tudo para dentro da lancheira e seguir para a praia.
Montar o toldo (sim, eu disse toldo: quatro estacas e um lençol grande), dar um mergulho.
Praia, praia, praia, praia, praia.
Arrumar tudo e ir jantar fora, umas vezes, outras cozinhar, com amigos, uns grelhados ou umas saladas com couscous, ou outras coisas quaisquer que calhem. Noites passadas no alpendre em tranquila converseta, com música, fumos e brincadeiras. Meninos a cair redondos para dormir de um sono só.
Grande trabalheira.
Infelizmente não sei fazer aquela coisa da data adiada (estão a ver, nem sei o nome...) e tive o juízo de não perguntar, senão deixava aqui uns posts para debitar de três em três dias (hihihi).
Boas férias para os outros saloios que também partem, como eu, no dia 1 e boa quinzena para quem ficar a trabalhar na maior calma, sem os saloios à volta.
Beijos e abraços para todos.
Afixado por Susana às 10:54 | Afixadelas (21)
julho 31, 2005
SU DOKU
Bolas. Estou sempre a enganar-me.
Afixado por Susana às 16:00 | Afixadelas (26)
julho 30, 2005
A vida consequente
A morte do pai de um amigo suscitou dois eventos: um velório e um funeral - e eu compareci ao primeiro.
Os velórios são curiosos. Quando nos dirigimos para a igreja vamos todo o tempo a pensar ou, se tivermos interlocutor, a falar sobre assuntos relacionados: a morte; aquela morte específica; o sofrimento dos outros; casos semelhantes.
Chegados ao local onde se congregam os familiares e amigos de quem fica orfão temos sempre um ar compungido. Cumprimentamos uns, abraçamos outros, temos vontade de chorar vendo a dor nos rostos crispados ou apáticos de quem acabou de perder alguém que, apesar de velho, ainda se esperava com vida por algum tempo. Por vezes sorriem e conversam serenamente, como quem está de fora ou apenas anestesiado, bloqueando a emoção; é cêdo para que se tenha apreendido a certeza da morte.
Depois encontramos outros amigos, alguns afastados há anos e começamos a conversar, ainda com a fisionomia presa, mimese ou espelho do sentimento com o qual empatizamos.
Não sei como aquilo acontece, mas passado algum tempo começa a ouvir-se gargalhadas aqui e além e pode até ser embaraçoso quando nos apercebemos no meio de um grupo em franca galhofa, a participar dela, numa instância que exigia circunspecção.
Engraçado nisto tudo é no desconcerto da morte não conseguirmos deixar de celebrar a vida ou fazermo-lo ainda com maior empenho. O desgosto da certeza fica guardado para o funeral.
Afixado por Susana às 16:30 | Afixadelas (5)
julho 29, 2005
Cunhas a mais ou distracção?
Moro a cerca de 100 metros de uma Escola Secundária. Tendo ele transitado para o 7º ano, inscrevi o meu filho mais velho nesta escola, que tem boas instalações, um corpo docente estável e - segundo me dizem - um grau de exigência considerável.
Há dois dias recebi um postal da escola que estava em quarto lugar na lista das minhas escolhas, dizendo que fosse lá completar a matrícula do meu filho.
Costumo ser bastante pacífica mas, nesta instância, fiquei furiosa. Dirigi-me à escola que constava em primeiro da lista para inquirir os motivos da exclusão do meu filho. Responderam-me que se não tinha entrado era porque não havia vaga. Perguntei quais eram os motivos, ripostaram com a legislação e o elenco hierarquizado das prioridades e, ainda com uma lista de outros alunos que também não tinham sido admitidos. Apesar de eu ter salientado que aquilo não era passível de constituir justificação e de terem concordado comigo, não acrescentaram mais nada.
Na DREL, onde fui de seguida, apresentei uma reclamação por escrito da qual dei conhecimento à referida escola.
Hoje, na escola, entregaram-me uma resposta escrita à minha carta onde, mais uma vez, pespegaram com a dita legislação. Exigi falar com alguém do Conselho Executivo e ver a lista com a seriação dos alunos e os códigos correspondentes aos items de prioridade. Não sabiam, na secretaria, da existência de semelhante lista, apesar de ser obrigatório, por lei, que esta seja apresentada aos encarregados de educação, quando solicitado. Hoje a menina da secretaria já tinha perdido a agressividade com que me atendeu ontem, mas continuou a dizer-me que "isto é só secretaria, para saber essas coisas tem de falar com alguém do Conselho Executivo...". Só que o dito iria estar em reunião todo o dia (estão a imaginar?) e só posso ser recebida na segunda feira - quando eu já tinha dito que iria de férias nesse dia.
Vou agora enviar à DREL a resposta que me foi dada e a minha réplica subsequente.
Não gosto de parecer ameaçadora, mas: ISTO NÃO FICA ASSIM!
Afixado por Susana às 14:36 | Afixadelas (12)
julho 25, 2005
Dressed / Undressed


Afixado por Susana às 21:51 | Afixadelas (13)
Evolução do habitar
O meu filho mais velho tem o sonho de que os pais cheguem a ser muito velhinhos. O mais novo deseja ardentemente que todas as casas de todas as pessoas se juntem. Deve ser a visão de uma nova era digital que, como disse o irmão, se pode traduzir por digi-volução.

Afixado por Susana às 00:30 | Afixadelas (2)
Pragmatismo
A caminho de casa:
O que é que queres ser quando fores grande?
Sei lá, aquilo que eu conseguir...

Afixado por Susana às 00:26 | Afixadelas (8)
Gosto destes fins de tarde de Verão em que as sombras ainda se recortam quando o sol já nem está à vista

Afixado por Susana às 00:24 | Afixadelas (2)
julho 21, 2005
Empatia / Simpatia
Menino de cinco anos:
Mãe, porque é que as pessoas não podem sentir os sentimentos dos outros?
(nota, em surdina: o que vale é que os meus filhos me vão ajudando a fazer um post ou outro)
Afixado por Susana às 21:19 | Afixadelas (12)
julho 17, 2005
JAM
Ontem estive numa festa de anos, evento anual ao qual raramente falto - e só por motivos de força muito muito maior.
As crianças são incluídas, dispondo de um espaço e de uma liberdade que, aliados ao modo descontraído como os meus amigos recebem grupos relativamente heterogéneos, rapidamente nos tornam livres também.
Há sempre novos conhecimentos, aqueles que vemos esporadicamente e os outros, os amigos-família. Com os encontros seguintes os primeiros passam, algumas vezes, a fazer parte dos outros grupos. E que bom termos, aqui, uma Alex tão viva no meio dos seus amigos.
Entre a música e os ruídos do campo, as vozes de todos em conversas animadas, o jantar, desenhos e pinturas novos, copos disto e daquilo, o deambular de rosto em rosto, o fim de tarde ficou de noite e a noite continuou com a saída progressiva dos convidados.
Já eramos poucos quando o meu amigo pegou no baixo. Ali, na sala, João Lucas sentou-se ao piano, Rodrigo Amado e Abdul pegaram nos saxofones, à guitarra um rapaz, ainda estudante, que é um verdadeiro prodígio: Francisco Medina. E nós tivemos o privilégio de assistir a uma sessão de improviso que durou duas horas. Obrigada, Miguel.
Assim, no estilo da redacção da quarta classe: foi uma bela noite e eu gostei muito.
Afixado por Susana às 21:10 | Afixadelas (8)
julho 16, 2005
Hoje,
acordei assim. Minto: ainda não acordei, estou só a armar.
Cheguei agora de uma festa, celebrada à beira mar. Festa anual, de aniversário de uma amiga que teve a feliz ideia de nascer nesta altura do ano. Tive encontros imediatos do primeiro, segundo e - imagine-se - até do terceiro grau. Foram todos bons encontros: não há nada que o tempo e duas ou três caipirinhas não resolva.
Dancei toda a noite e, no fim, uma sopa de cenoura e um amanhecer na praia, horizonte sem linha, mancha difusa, sobre a qual pairavam nuvens como baforadas de cachimbo. Chegada a casa com a alvorada dos pássaros que habitam a minha rua. Bom dia para todos.
Afixado por Susana às 06:20 | Afixadelas (12)
julho 14, 2005
O Sentido da Vida
A vida é um estado sexualmente transmissível com uma taxa de 100% de mortalidade,
diz um senhor que conheço, médico, oitenta anos. Como definição, está bastante completa.
Sentido pode ser direcção ou caminho e também ter o sentido do que é sentido pelos sentidos ou mesmo pelo pensamento, se extrapolarmos para o sentimento.
Temos então:
direcção;
caminho;
significado;
sensação;
emoção;
sentimento;
excitação (estarei a exagerar?)
Que sentido tem a vida? O sentido que eu lhe dou e o sentido que os outros me dão. O que sinto, ainda assim, é para mim o seu sentido: poder sentir - e com intensidade.
Afixado por Susana às 15:34 | Afixadelas (8)
julho 08, 2005
BOM FIM DE SEMANA
Hoje, à hora do almoço, sobre o Tejo.

Afixado por Susana às 17:06 | Afixadelas (10)
julho 07, 2005
O meu amigo anglo-árabe
Vivi em Londres. Foi durante os anos oitenta, quando Portugal era um sítio onde (ainda) era difícil ver uma boa exposição de arte contemporânea, os concertos de pop ou rock eram raros e ter calças Levi's ou ténis giros era um privilégio de poucos.
Passar a viver numa cidade como aquela foi uma aventura. Por vezes saía à tarde, depois das aulas, só para andar sem destino pelas ruas, com o fito único de mergulhar numa urbanidade que antes desconhecia, cosmopolita e multi-étnica.
Nas ruas de Londres respira-se cheiros com todos os paladares do mundo e vê-se pessoas vestidas com indumentárias que, tal como a arquitectura, vão do mais conservador ao mais excêntrico ou inesperado. Ao lado de um saia-casaco a condizer com um chapéu azul celeste, um chapéu preto encimando dois caracois laterais e uma barba ponteaguda, fato e gravata, um sari, uma túnica bordada, cabedal preto e cabelo colorido e camisa ás flores abaixo da cabeleira entrançada com terra.
Havia, no entanto, um passeio que me incomodava. Por vezes passava em Regents Park e, não recordo se era apenas num dia específico da semana, via mulheres de belos olhos persas. Falo dos olhos porque era a única parte do rosto que lhes via. Ou do corpo. Envergavam um pesado vestido até aos pés, muitas tinham até os olhos na sombra, por detrás de uma rede que vedava a única abertura na cabeça, como se até aquele orifício pudesse constituir uma passagem para o pecado. Outras usavam uma máscara metálica, como um cinto de castidade para as palavras e os beijos e, dessas, eu via o olhar, curiosamente não desesperado nem vago, mas duro, cheio de ódio ou raiva; porém esquivo.
Conservo da minha permanência em Londres e posteriores visitas frequentes um grande amigo, daqueles que quase nem precisam de cultivo, tão perene é a nossa amizade. O meu amigo é meio Libanês, meio Inglês. Viveu dividido entre os dois países, mas elegeu o Líbano como a sua pátria. Sentindo-se preponderantemente árabe, conhece bem o médio oriente como, de resto, conhece boa parte do mundo - muitos desenraízados tornam-se grandes viajantes. Foi ele que me ofereceu a minha primeira refeição árabe, que me falou dos costumes e relatou viagens extraordinárias, uma das quais na companhia de mujahideen, pelo Afeganistão, ainda no tempo da guerrilha contra a União Soviética.
O meu amigo foi expulso do seu país pela guerra. Vive agora em Londres. Mas disse-me hoje, quando lhe telefonei aflita com as recentes notícias, que está a pensar em mudar-se para o Dubai.
Afixado por Susana às 22:00 | Afixadelas (4)
junho 28, 2005
Fumar Mata
FUMAR MATA,
MAFU TRAMA.
ATAM, FURAM,
AMAM TRUFA,
FURAM MATA.
FUMAM TARA.
TURMA F AMA:
FARMA-ATUM
(MAFRA-ATUM?)
FAMA: MURTA.
FUMA, MARTA.
FURTA MAMA,
MAMA FRUTA.
FARTA MUMA
-E DEPOIS OUTRA.*
*anagramas encontrados a duas mãos.
Afixado por Susana às 13:47 | Afixadelas (18)
junho 27, 2005
anjo da guarda
Nos períodos da infância em que vivi em casa da minha avó, havia uma entidade que colaborava com o João Pestana na difícil tarefa de debelar a minha insónia quase congénita. O meu anjo da guarda postava-se num canto do quarto, perto do tecto e bastava-me olhar para lá para perceber que o facto de a minha avó ser uma católica convicta e de reconhecidas virtudes me conferia uma protecção particular, quando estava em casa dela.
Na configuração que elaborei do meu anjo da guarda, no entanto, predominava uma certa confusão, já que este era uma espécie de Santo António, com o seu hábito castanho-pardo, corda à cintura, halo (sempre mais brilhante quando eu dormia no quarto da minha avó) e umas discretas asas, que adejavam rapidamente para que se mantivesse naquela posição difícil de sustentar.
Recordando com saudade o meu santo anjo, pareceu-me que estava na hora de o Afixe providenciar para as suas leitoras mais desprotegidas uma nova espécie de estagiários. Claro que o perfil é diferente do anterior; digamos que é menos provido de santidade.
Afixado por Susana às 11:30 | Afixadelas (21)
junho 26, 2005
Estou a fazer um tapete









































Afixado por Susana às 23:58 | Afixadelas (8)
junho 25, 2005
O pensamento das lágrimas
Menino de cinco anos:
Mãe, sabes porque é que eu bebo água quando quero parar de chorar? Porque as lágrimas pensam que a água é o choro a vir para dentro e assim vão atrás dele.
Afixado por Susana às 17:40 | Afixadelas (12)
junho 23, 2005
serviço público
Se está com problemas na canalização, ligue para o Afixe: destacaremos para o serviço o nosso estagiário polaco.

Afixado por Susana às 19:25 | Afixadelas (10)
junho 21, 2005
caroço
Ontem comi o sol. Depois engoli a lua.

Afixado por Susana às 15:20 | Afixadelas (5)
para o BIN
Ontem à noite, pensava distraidamente no desafio do Bin, estando na companhia de um profissional destas matérias. Quem desenvolve este tipo de trabalho no âmbito da publicidade é geralmente tomado por uma pulsão para o brainstorming quando surge à frente uma ideia. Não foi muito demorado, mas aqui ficam os resultados, que ele te oferece.
Alguns são piadas tout court, mas há pelo meio outros com piada.
Afixado por Susana às 12:05 | Afixadelas (9)
junho 18, 2005

Hoje repeti a dose. Com caipirinhas, amigos e a promessa de um magnífico dia de praia, amanhã.
Afixado por Susana às 00:41 | Afixadelas (3)
junho 17, 2005
resposta pronta
Hoje estive reunida com a Directora de Turma do meu filho.
Disse-me que tinha ficado muito aborrecida por ter percebido que, em uma instância, ele lhe tinha mentido. Quando o confrontou com a mentira, ele respondeu Sabe, é que a minha cabeça, por vezes, faz-me dizer coisas que a minha consciência condena.
Afixado por Susana às 14:02 | Afixadelas (16)
junho 16, 2005
Aragem
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Lentidão nos gestos, induzida por um calor asfixiante.
Depois de um penoso dia de trabalho, imperial e pizza, enquanto os meninos jogam à bola e fazem pinos na areia.
Juro que não estou a tentar fazer inveja a ninguém.

Afixado por Susana às 23:10 | Afixadelas (25)
junho 09, 2005
BOM FIM DE SEMANA


Afixado por Susana às 21:21 | Afixadelas (8)
maio 29, 2005
Vitriolica
Todos os dias vou espreitar o que tem feito a nossa aphixadora Madge. Como toda a gente sabe, a Madge é a ilustradora mais talentosa da blogosfera e é uma resourcefull girl (como é inglesa, até pode ficar assim). Bom, ontem chego ao ite e encontro uma explicação, em dois posts, do modo como a autora procede à execução e transformação das suas imagens. Fabuloso. Não só a descoberta do processo (ainda estou na dúvida: será que faz tudo manualmente e consegue convencer-nos de que não é assim? Deixá-lo, o mistério da produção artística é sempre um argumento a favor), mas também o modo como é apresentado. Para mim é tão claro como um truque de magia. Vão lá e lá ver. Vá, vão...
Afixado por Susana às 14:13 | Afixadelas (14)
Receita da semana
Quando, ontem, procurava um pãozinho para a Isabel, apareceu-me esta beterraba. Daí até à sopa de beterraba fria foi o tempo de uma associação. É deliciosa, no sabor como na côr.
Descacam-se e cortam-se em pedaços duas batatas médias, duas cebolas, duas cenouras, um tomate, dois dentes de alho e quatro beterrabas. Coze-se a mistura com água, temperada com sal. No fim junta-se azeite e passa-se com a varinha mágica. Depois de arrefecer coloca-se a sopa no frigorífico.
Mistura-se um iogurte com meio pacote de natas.
A sopa serve-se gelada, com o molho de iogurte e cebolinho picado.
Afixado por Susana às 13:28 | Afixadelas (7)
maio 28, 2005
DIÁLOGO
Mãe, não percebo porque é que tu podes contrariar-me, quando eu não te posso contrariar agora.
Faz parte do ser pai.
Deves compreender que quando há autoridade e a necessidade de se tomar decisões, é natural que estas por vezes agradem a uns e outras desagradem aos mesmos. Uma contrariedade não é razão para te pores a bater com as portas e a ser mal educado.
Olha, mãe, se é uma questão de títulos, Mãe / Filho, devo dizer-te que nós nos formámos no mesmo dia.
Afixado por Susana às 18:23 | Afixadelas (8)
Parabéns, Isabel
Comecei por procurar uma écharpe vermelha, porque ela me disse há algum tempo que não tinha nenhuma e eu assim não saberia como reconhecê-la pelo desenho da Madge.
Entretanto já lhe conheço a voz e a cara, para além do feitio e do coração gigante. A voz foi o mais importante. É uma diferença significativa ler a Isabel quando podemos "ouvi-la" numa voz limpa e suave. Com aquela mistura de franqueza e doçura que por vezes podem parecer resultado de cozinha de fusão, numa dicotomia agridoce (ou não me fugisse o pé prá cozinha...).
Acabei por me decidir por um pão. Sabia que tinha por aí uns pãezinhos, que apesar de terem uns vinte anos ainda estão livres de bolor, macios e quentes. Achei que um pão era a coisa para oferecer à Isabel no dia de aniversário: faz-me lembrar o que conheço da vida dela, o apego à essência, à simplicidade, à saciedade mesmo com pouco. E à partilha do muito que tem.
Afixado por Susana às 16:25 | Afixadelas (3)
maio 25, 2005
Trocada por outra?
Mãe, sabes que eu já não vou casar contigo? Agora vou casar com o... ranho.
É sempre bom para uma mulher ter a noção de que teve uma substituição condigna.
Afixado por Susana às 23:35 | Afixadelas (8)
Senhor Feliz

Bastou um jogo por ele (bem) escolhido e eis a mão do meu filho mais novo, subitamente, a estender ao domínio do rato a sua habitual perícia manual. O jogo interactivo da Porto Editora coloca as personagens em diferentes espaços exteriores e domésticos, com tarefas a cumprir através de instruções muito claras faladas em português. O grau de dificuldade é pautado pelo tamanho e idade do animal escolhido no início do jogo. As animações são tranquilas, lentas, como convém a pessoas pequenas. A progressão do jogo não é linear, tendo aventuras transversais e mistérios pontuais para solucionar. E provocam gargalhadas.
Recomendo.
Afixado por Susana às 16:59 | Afixadelas (6)
maio 23, 2005
E o que é que se faz ao piano?
No caminho deixei que o sol me anestesiasse o rosto, absorvendo a luz laranja que, intensa, penetrava as pálpebras fechadas. Tinha acabado de assistir às lágrimas de quem se dispunha a visitar pela última vez, depois de tanto tempo, a casa onde tinha vivido todas as experiências iniciáticas da puberdade, o risco da juventude e a aflição dos primeiros apontamentos da idade adulta: a casa que fora dos pais.
Abrindo os olhos, vi um adolescente que quase caiu do passeio à nossa frente, equilibrando-se no último instante; um guarda-chuva castanho emergindo sob um contentor do lixo; uma rapariga loira que empurrava um carrinho de bebé vazio.
Passado o portão (sem cancelas), transpondo o declive pela subida pedregosa de sempre, constatei que continuava o mesmo paraíso para os incautos coelhos que escapavam às rodas dos carros e à mira do ocasional caçador furtivo que por ali passava.
Em frente da casa, vi os pequenos edifícios contíguos já em ruínas, cobertos pela hera e preenchidos pela vegetação. Na passagem estreita que acedia à porta de entrada, de um lado esculturas contemporâneas portuguesas, partidas e cobertas de pó; do outro, os pinheiros caídos da colina adjacente tinham espantado o aloés que antes ali triunfava e que agora persistia em aparecer todo esticado por entre alguns dos ramos carregados de pinhas caídos a monte. O cheiro era o mesmo.
Lá dentro salas e quartos quase vazios, mobília fora do espaço e do contexto em que foi usada, objectos dispersos, pilhas de papéis e fotografias (poucas) e uma luz serena. Nas janelas e varandas a paisagem está agora pontuada de edifícios e, tranlúcidas em frente do rio, as árvores por podar. Olhava em volta esperando rever o passado naquela casa, antecipando a memória “olha, daquela vez namorámos mesmo ali na escada”, “fizemos amor na varanda”, “zangámo-nos no teu quarto” – e nada: filmes que tiveram outro cenário e, já agora, uma personagem que não sou eu.
Depois de calar mais lágrimas e de nos abraçarmos no hall onde tantas vezes dançámos, pegámos nas coisas (muitas eram minhas) e partimos. No regresso falámos do crescimento caótico dos prédios naquela zona, do Presidente da Câmara e de coisas que não recordo. Olhando para o sol rasante que descia de frente para mim numa curva da estrada, deliberadamente, deixei-me cegar.
Afixado por Susana às 23:26 | Afixadelas (12)
maio 21, 2005
Catarina
Com um belíssimo texto, a autora do 100nada completou dois anos de existência em blog. Disse-lhe na altura que, havendo tantos personagens que pontualmente ressaltam nas manifestações parcelares da pessoa que ela é, naquele texto era ela, "sem tirar nem pôr", que me aparecia.
O terceiro ano do 100nada já começou. E começou bem.
A minha irmã, sei-o, conhece poucas pessoas "de corpo presente" no meio blogoesférico. As outras, suponho que se perguntem como é a Catarina, configurando uma qualquer cara imaginada. De quem a conhce bem, aqui fica o retrato: o sorriso da Catarina é pelo menos assim :))) quando se ri é praí assim :DD e quando se zanga, é mais isto >:[ - e bolos.
Parabéns por começares o ano a todo o gás, Catarina.
Afixado por Susana às 13:43 | Afixadelas (15)
maio 19, 2005
o devir na essência
Este meu isqueiro não tem um pingo de gás. Essa é a sua condição imanente. Como eu não o sabia, peguei nele e consegui acendê-lo.
Qualquer objecto pode ter um momento de transcendência.
Afixado por Susana às 17:27 | Afixadelas (6)
maio 18, 2005
Receita do dia
Cerveja, tremoços, bolachas de água e sal e brie.
Assim como para muitos cinema é com pipocas, cá em casa, a bola tem os seus ingredientes. Só falta a vitória.

Afixado por Susana às 19:32 | Afixadelas (16)
Depois não se queixem
Este é um aviso apenas para aqueles que estão agarrados às caixas de comentários a ver se os seus posts foram comentados ou se os seus comentários foram respondidos.
Está um dia lindo, um céu kodakchrome blue (ou quase), há esplanadas por todo o lado, em qualquer canto de passeio - e se vocês têm tempo livre, o que é que estão a fazer em frente ao computador?!
Afixado por Susana às 17:24 | Afixadelas (11)
maio 17, 2005
Os meus amores
Quem esteja à espera de um relato emocionado sobre as aventuras amorosas de alguém, é melhor sintonizar outra frequência.
Venho falar de David Hockney. No século passado (o XX, pois, o nosso) este artista evidenciou-se como um génio: inventiva maravilhosa e extraordinária capacidade de trabalho.
Já nem falo de pinturas mais conhecidas, como o Splash, ou dos seus desenhos perfeitos, em que os diferenciados graus de acabamento exibem a história da construção do mesmo objecto.
Falo das suas investigações sobre a representação, a teorização em torno do Cubismo e subsequente desenvolvimento em pintura e, sobretudo, em fotografia, nas montagens em que um espaço surge da acoplagem dos seus fragmentos num diferido não só de tempo, mas também de ponto de observação. O mais estranho é que se revestem de uma aura de hiper-realidade para qualquer observador.
Falo das paisagens do Grand Canyon, "filhas" das montagens anteriores, em que há uma partição da imagem em múltiplas perspectivas individuais, atendendo a que o olhar não só não é ciclópico, como também comporta movimento e deslocação.
Falo das suas intervenções para espectáculos, nomeadamente cenários em que é explorada a possibilidade de mutação radical da percepção espacial através da incidência de luzes coloridas sobre (as mesmas) superfícies pintadas.
Não subscrevo a ideia tão em voga nos anos noventa de que a Arte deva ser feita para as massas, mas acredito que as massas possam aceder à Arte e ter uma vida mais feliz. Neste ponto, o papel dos artistas é fundamental, deve ser um papel pedagógico. David Hockney desempenha-o na perfeição. Vejamos:
AO longo da sua carreira tem divulgado o seu pensamento em escritos perfeitamente acessiveis, entrevistas e documentários em que expõe a sua prática sem usar uma linguagem hermética tão comum a muitos artistas. Dos muitos livros produzidos sobre, por e com David hockney, destaco um: Secret Knowledge (editado pela Thames and Hudson), verdadeira tese decorrente de uma investigação científica em que o desenho se assume como trabalho de laboratório contíguo à investigação documental, conseguindo demonstrar que as descobertas no campo da óptica começaram a ser usadas pelos artistas, secretamente, muito antes do que a história nos contava.
E ainda, como nas Paper Pools, aqui reproduzidas, cuja génese nos é detalhadamente relatada num livro, as suas técnicas são divulgadas abertamente. Trata-se simplesmente, de generosidade.
Afixado por Susana às 15:00 | Afixadelas (24)
maio 15, 2005
momento de rara beleza
Irmão mais velho:
-Mãe, já sei quem me gamou o gameboy advance. Ter-lhe-ia dado um pontapé, se ele não estivesse com a perna partida: não sou cobarde.
Irmão mais novo:
-Então porque é que não deste na outra perna?
Afixado por Susana às 23:43 | Afixadelas (12)
maio 14, 2005
Relato
Ando sempre a leste de hierarquias, sitemeters, listas afins de blogs mais visitados. Um dia destes, quando me perguntavam como é que essas coisas se sabiam, procurei uns sites e uns links para mostrar e não consegui encontrar nada.
Vou sabendo como andam essas coisas atrvés de posts por aqui e por outros blogs, como este.
Parabéns à Catarina, ao Xupacabras e ao João Pedro: sei que o destaque que têm merecido é já antigo; num blog singular, vejo ainda melhor agora, é um feito (como dizia Donald Trump, The difficult thing is staying at the top).
Mana, quando acabares, já que estás com a mão na massa, podes mudar a parafernália para aqui? É que com os três cá em casa, enquanto eu estou aqui, vão aproveitando para mudar todo o conteúdo do quarto e do sotão para a sala!
Entretanto, ouvindo a introdução ao relato de hoje no rádio, apetece-me ter sportv; que raio de democracia é esta?!
Afixado por Susana às 19:21 | Afixadelas (10)
maio 13, 2005
receita da semana
O conceito de fast food apropr
Não.
Se é dia de mandar vir pizza, não vou estar com textos introdutórios.
Pega-se no telefone, liga-se para a Pizza na Brasa (a Telepizza é mais barata, mas esta é muito melhor) e encomenda-se uma Pizza Componha, com os seguintes ingredientes: pepperoni, cogumelos (são frescos), tomate às rodelas, queijo feta, alcaparras e azeitonas.
E não tem nada a ver, mas não se esqueçam do paradoxo de Zenão (acho que este era dele): se para irmos de um ponto A a um ponto B, percorrermos sempre metade da distância que nos resta, nunca lá chegaremos.
Por acaso reparo agora que até tem alguma pertinência, para orientar o corte da pizza se forem muitos a dividi-la.
Afixado por Susana às 18:45 | Afixadelas (21)
maio 12, 2005
ANJOS
Então ele disse-me: existem dois tipos de anjo; uns são os anjos da Guarda, os outros, da PSP...
Afixado por Susana às 21:01 | Afixadelas (12)
maio 10, 2005
A FRUTA E O VERÃO
Na refeição, cresci a associar a fruta aos epílogos. Surgia à sobremesa, quando a fome estava saciada; já não era um alimento, era uma obrigação com vitaminas.
Da minha infância em Angola, lembro-me de pouca variedade: bananas e ananás (as de que eu gostava), papaia, mamão e manga (que a minha mãe insistia em fazer passar por pêssego, para que nós a comêssemos, suscitando a reclamação “estes pêssegos são uma grande porcaria!”).
Nas férias em Portugal, contactava com uma enorme variedade de frutos e suas aplicações. Para além da fruta que pendia madura das árvores da quinta da minha avó, faziam-se as mais variadas compotas, geleias, aguardentes e licores. Todos os dias vinha á mesa uma compoteira com um doce, geralmente com pedaços, ficando a fruta da génese bem identificada. Da minha vida na quinta, onde morei depois de regressar de Angola, ficou-me o hábito de comer fruta fora das refeições.
Subíamos às árvores e saboreávamos pêssegos, cerejas, tangerinas e nêsperas. Ríamos à gargalhada ao sermos perseguidos depois de apanhados em flagrante roubo de morangos ou framboesas, que comíamos escondidos depois da corrida. Fazíamos caretas com as ginjas deixadas a secar em cima do telhado, que no seu vermelho profundo se tornavam irresistíveis e nos faziam esquecer o sabor que já conhecíamos.
Lembro-me particularmente das uvas: nos longos passeios de bicicleta ou a pé pelos carreiros que quadriculavam os vinhedos, parávamos frequentemente para as provar. Apreciávamos a côr, o tamanho, a pele. Algumas deixavam-se apertar como um tremoço e trincar a polpa já despida, outras tinham a casca áspera e espessa, ficando um travo amargo sobre a língua. Reparávamos nos perfumes, apesar da pouca consciência de como estes afectavam os nossos apetites. No meio das vinhas, no calor de uma tarde de Verão, cheira a uvas e vinho, a mosto e a álcool. Devia ser isso o que me faz relembrar esses passeios como uma doce embriaguez.
Afixado por Susana às 15:12 | Afixadelas (10)
maio 09, 2005
Sem Título
Que grande surpresa, és exactamente como te imaginava.
Escolho esta frase.
Ao conhecermos as manifestações do pensamento através do modo como este, deliberada ou involuntariamente se desvenda, numa infinitude de possibilidades entre a dissimulação e o simulacro, imaginamos pessoas inteiras, com corpo, rosto, escala, voz, gestos, comportamentos, roupa.
Parte-se para um encontro com expectativas tão bem definidas que conhecemos à partida a improbabilidade de estas se confirmarem. Encontrei muitos detalhes diferentes das imagens que tinha antecipado com a consciência de que estariam erradas. Não encontrei, nas atitudes, nos comportamentos e nas conversas, qualquer diferença no que eram para mim as suas cabeças. Só adendas felizes.
As interrogações com que parti para os meus primeiros encontros com quem já conhecia virtualmente foram substituídas pela confirmação do meu discernimento: pessoas com corpo têm mesmo muito mais piada.

Afixado por Susana às 01:10 | Afixadelas (20)
maio 06, 2005
Receita da semana
Todos sabemos que Afixe rima com fixe.
E já repararam que rima também com fétiche e com haxixe?
Théophile Gautier é o nome de uma rua em Paris, abaixo de Passy, perto do Sena. É uma rua tranquila e soalheira, com aquela luz difusa que existe em toda a cidade, enfatizada junto ao rio. A luz que impregnou o Impressionismo.
Quem deu o nome a esta rua escreveu um texto intitulado Haxixe, publicado no livro O Clube dos Fumadores de Haxixe. Este último é o relato da sua primeira visita às sessões de degustação de haxixe, num hotel em Paris, em meados do séc XIX, onde os fundadores do clube, um grupo de intelectuais parisienses, se reuniam secretamente para experimentar um novo estado alterado. Nestas reuniões participavam Delacroix, Daumier, Balzac, Dumas e Baudelaire (que se dedicou fervorosamente aos paraísos artificiais...).
Um estado alterado é uma experiência que sabe sempre melhor quando é partilhada, quer decorra do vinho, da cerveja, da adrenalina, do excesso de oxigénio ou do haxixe.
Para degustar com os amigos - e sem crianças - aqui fica:
Mousse de chocolaxe
Derrete-se o haxixe com a manteiga e o chocolate. Juntam-se as gemas e o açúcar (opcional) e bate-se até se obter uma mistura homogénea. Acrescentam-se as claras em castelo et voilá.
Divirtam-se...
Nota: agora punha aqui o Paris Fétiche, AAVV, desde Serge Reggiani, a Ute Lemper e DePhazz - todas evocando Paris. Mas sofro de um problema comum: ainda não aprendi.
Afixado por Susana às 18:02 | Afixadelas (6)
maio 05, 2005
BOM DIA!

Afixado por Susana às 12:41 | Afixadelas (7)
maio 03, 2005
Hoje não posso

Hoje armei-me em dona de casa. Fui ao talho e abasteci-me para uma quinzena (pelo menos). Em casa separei as carnes todas, arrumei bifes espalmados em saquinhos de congelação, etiquetei e tudo. Também fui à frutaria, onde adquiri os legumes e frutas que me hão-de chegar para uma semana (pelo menos). Fui nadar para compensar as mazelas decorrentes de tanto acarretar sacos. À noite ficou a jantar, como é habitual às terças feiras, um amigo do meu filho. A mãe do rapaz tem uma pequena quinta onde cultiva produtos biológicos. Trouxe-me uma caixa de morangos - deliciosos e vermelhos como não via há muito - um balde de favas e um saco de lixo (não estou a brincar) com agriões. As favas terão que ser debulhadas, os morangos escolhidos, os agriões limpos. Já tenho com que preencher as minhas horas de ócio (hahaha) até ao fim de semana (pelo menos). Por isso é que eu hoje não tive tempo de escrever nenhum post.
A imagem não tem rigorosamente nada a ver com isto tudo. Alguém quer agriões?
Afixado por Susana às 23:58 | Afixadelas (8)
maio 01, 2005
Receita da semana
Fiquei consternada. Então ela não sabe fazer sopas?!
A base da nossa alimentação?! Sempre o soube: a sopa, o pão, a fruta. Acrescentei-lhe o vinho.
[Há dias, um amigo lamentava o facto de a sua mulher não gostar de vinho. Dizia que não era só por ter pena de ela estar a perder um prazer como é o do vinho, era também porque... - porque é um prazer partilhado, comer e beber com outros", acrescentei eu. Sim... aquiesceu embaraçado.]
Na refeição, a sopa tem tido diferentes papeis. O alimento dos pobres. O alimento que educadamente se punha de lado, porque comê-la significaria que não se teria ficado saciado com os pratos precedentes. O primeiro alimento, depois do leite materno. A sopa, na refeição - que é um momento "convivial" por excelência -, é o princípio primeiro desta partilha; não se dá sempre uma sopinha a quem precisa?
Então como é que alguém não sabe o que é uma sopa? Uma cenoura, uma cebola, uma batata, um dente de alho, água, sal e azeite e está a andar - temos uma sopa.
Mais: os filhos têm que aprender a fazer sopa. O meu filho já me pediu para lhe ensinar umas coisas simples, ovos, arroz, uma sopa (que, no caso dele, seria de cabidela, certamente). Já viram alguma coisa de mais sedutor do que um homem que oferece as estrelas e faz a sopinha? (E que pai maravilhoso para se ter em casa!)
Gosto de cozinhar e de o fazer de improviso. Às vezes exploro a possibilidade cromática das sopas. Sopas bicolores, por exemplo. Aqui, é preciso atentar aos ingredientes, para que se articulem: cenoura/espinafres, tomate/cebola, por exemplo.
Hoje temos sopa branca:
Cozem-se uma couve flor pequena, dois alhos franceses, duas cebolas e duas batatas em água com sal. Liquefaz-se a cozedura. Tempera-se com um fio de azeite, pimenta branca e noz moscada.
Nota: depois percebi que ela estava a brincar.
Afixado por Susana às 21:15 | Afixadelas (13)
Mães

Esta sou eu, vista pelo meu filho mais novo, que adora fazer o que ele chama "desenhos cortados" (e um monte de coisas que envolvam papel, canetas, tesoura e fita cola). O meu filho mais velho costuma escrever e, entre outras coisas, costuma dizer que eu sou bonita e que gosta muito dos meus cozinhados.
Quando fui mãe passei a olhar a minha mãe de outra maneira. No dia da mãe penso mais nela do que em mim e, quando me penso como mãe, penso sobretudo nos meus filhos. Talvez por isso ainda tenha alguma dificuldade em sentir este dia como "meu". (Hoje, por acaso, é diferente: sendo o dia do trabalhador, gera maior identificação...).
Noutro dia, conversando com a minha mãe sobre um menino que conheço, que foi posto de lado pela mãe numa nova relação (com outro filho) e, dizendo eu que o miúdo, que vive com a avó, era muito querido e muitissimo bem educado, respondeu-me impulsivamente: "claro, foi educado pela avó!"
No entanto, um dia antes, comparando as duas avós, o meu filho concluiu, acerca da minha mãe: "não sei, mãe, a tua mãe é diferente; é que ela é tão igual a ti que não é bem uma avó, é como uma segunda mãe!"
Afixado por Susana às 13:30 | Afixadelas (12)
abril 29, 2005
Kuruaya II
Consegui entrar em contacto por video conferência, com um dos Kuruayos. Eis a mensagem que ele enviou:
Monty do céu.
(a imagem do céu é maior porque é dada preponderância á adjectivação, relativamente ao nome)
Isto vai tudo por água abaixo
(abanou freneticamente a cabeça em negação)
sem a bolsa.
Tinha um recado para o Monty(é que eles são uns grandes visionários):

Depois de uma jornada difícil
o Sporting
Vai chegar à luz na hora da verdade.
Afixado por Susana às 15:53 | Afixadelas (26)
abril 28, 2005
Kuruaya
Patrão, patrão, eu sei que é quase meia noite, mas o dia foi duro e ainda fui a uma pequena festa ao fim do dia. Só soube da missão Kuruaya há pouco tempo e lancei-me logo ao trabalho. Consegui encontrar um tradutor na net e quando expliquei o que pretendia, responderam-me em Kuruaya:
Isto significa "Ó Monte" (és tu)
Agora ainda vou ter que decifrar o resto.
Mas se calhar vou ter que me deslocar ao local e precisava de saber como é com as despesas de representação (a viagem já paguei com o número do cartão de crédito da Isabel).
Afixado por Susana às 23:48 | Afixadelas (5)
abril 25, 2005
Rossio, 25 de Abril 2005:
flor cansada, mas ainda fecunda e persistente.

Afixado por Susana às 23:59 | Afixadelas (6)
O mundo
Cêdo constatei que o que mais me interessa na vida são as pessoas.
Posiciono-me essencialmente como observadora e cruzo-me diariamente com dezenas de indivíduos que em mim suscitam sempre alguma curiosidade.
E conheço-os geralmente um pouco mais do que seria de esperar em cada circunstância. Porque gosto de conhecer pessoas. Gosto desse processo.
Extraio desta experiência alguns amigos. Dispersos. Penso em alguns dos meus amigos;
Um é de longa data. Convivemos regularmente durante alguns anos e a seguir a geografia separou-nos. Desde então ficamos anos sem nos vermos, comunicamos esporadicamente, mas quando isso acontece percebemos como a nossa amizade é intemporal. Um dia, depois de estarmos uns dois anos sem notícias, telefonou-me. "Estou aqui à espera que o meu carro fique pronto e resolvi telefonar-te." Assim, entre dois países, conversámos e rimos, como se nos tivessemos visto na véspera.
Outro, celebra este ano os seus oitenta anos. Amizade curiosa, nascida de empatias várias e de um amor genuíno. Já me disse que deve ser difícil para mim uma amizade assim com um velho e eu anuí, com um nó na garganta, a pensar que o mais difícil é a noção de como esta amizade está condicionada pelo tempo de cada idade, a priori.
Uma das minhas amigas é muito próxima, nas preocupações, profissão e preferências; mas não tem filhos.
Outras duas partilham comigo a experiência da maternidade, vivências comuns, como férias em conjunto, mas os nossos interesses, em geral, não coincidem.
Todas as pessoas têm alguma característica que me espicaça e com a qual eu posso aprender.
Em todas as relações, para mim, o mais estimulante é conhecer o outro em profundidade, adivinhando-o intuitivamente, observando o pensamento e comportamentos, as nuances da fisionomia, as discrepâncias entre as palavras e os gestos.
Vejo os meus filhos como entes autónomos e autênticos, no sentido em que a individualidade se expressa com maior vigor do que a hereditariedade ou as minhas projecções.
Vou conhecendo os meus pais a par e passo, aumentando a revelação na medida em que a progressão da idade vai obrigando a deixar o testemunho.
Às minhas irmãs, conheço-as em constante transformação, como elas também me verão, com afinidades e amores profundos e mantendo algumas reservas, na diferenciação de vidas autónomas.
Olho os meus amigos como pessoas que conheço (sempre) mal, mas que vale a pena (sempre) conhecer melhor. Mas, ao mesmo tempo, é como se os conhecesse desde sempre.
A noite passada dormiu cá em casa um amigo do meu filho.
Quando procurava uma escova de dentes extra e finalmente a descobri, disse-me "sabe, Susana? Acho que a língua deveria ter uma cena que se passasse pelos dentes e removesse automaticamente a placa bacteriana".
As pessoas são mesmo giras.
Afixado por Susana às 01:29 | Afixadelas (3)
E TU,
onde é que estavas no 25 de Abril?
Afixado por Susana às 00:31 | Afixadelas (8)
Vôos


junto ao céu e rente á terra.
Afixado por Susana às 00:16 | Afixadelas (3)
abril 22, 2005
receita da semana

imagem roubada à Duende
pronto, sei que o pato não tem crista, mas este frango tem mesmo ar de pato (ainda não foi desta que fiz o leitão com asas, mas primeiro tenho que me ir aproximando das aves de capoeira!)
Assa-se o pato até a carne se soltar dos ossos. Refoga-se - com uma porção da gordura do pato - cebola, alho e uma parte do chouriço, tudo bem picado. Junta-se o arroz e mexe-se até ficar transparente. Acrescenta-se o sumo de duas/três laranjas e a água necessária. Tempera-se com sal e dois cravos de cabecinha (adoro este nome). Depois de cozido distribui-se num prato de ir ao forno (vulgo, pyrex), em camadas, alternando com a carne desossada. As rodelas de choriço, bem finas, colocam-se por cima, antes de tostar no forno. Acompanha-se com uma salada de alface frisada, cogumelos frescos em lâminas e laranja às meias-rodelas, temperada com sal, pimenta, azeite e coentros frescos picados.
Afixado por Susana às 17:59 | Afixadelas (14)
abril 20, 2005
HOJE
A primavera em Lisboa, no dia 20 de Abril, para quem gosta de pontes.




Afixado por Susana às 16:15 | Afixadelas (21)
abril 19, 2005
Separados à nascença?

Um dia destes vi-os, em cima da bancada da cozinha, lado a lado.
As semelhanças entre ambos eram assinaláveis, embora, como em qualquer relação gemelar, a vida e os diferentes papéis que nela desempenham os tenha tornado cada vez mais distintos, com a passagem do tempo. Um acende fogos ardentes, o outro, por vezes, ajuda a apagá-los.
Curiosamente, o que mais fogos acende é o menos glamoroso; é talvez compreensível que tenha ficado marcado pelo desgaste. Ao outro, na sua vida morna e doce de quem apenas amansa o seu mano inconsolável, achei-o com bom aspecto.
Afixado por Susana às 17:15 | Afixadelas (7)
abril 17, 2005
mentiras
A verdade só o é sob cada luz particular.

=

Afixado por Susana às 21:12 | Afixadelas (7)
Shhh, shhh... it´s oh so quiet
Infelizmente, o último parágrafo da Emiéle não se verificou: continuamos sem comentários.
Não tinha era reparado nos spams, mas já apaguei os dos meus posts. Talvez todos pudessem fazer o mesmo, não vá a Emiéle estar certa e ser isso o que nos bloqueia.
Entretanto ficamos à espera de uma aberta...

...Monty!
Afixado por Susana às 01:20 | Afixadelas (3)
abril 16, 2005
Na ilha antes deserta
Toda a gente diz mal, mas toda a gente arranja um pretexto para afixar.
Eu, sempre quis fazer uma entrada estendida!
O questionário da moda, que a mana me invectivou a responder:
Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Preferia não ser queimada viva, por isso, talvez um livro de receitas, já que o meu lugar é na cozinha.
Já alguma vez ficaste apanhadinho por um personagem de ficção?
Todos aqueles por quem me apaixonei eram personagens de ficção quando me apaixonei por eles.
Qual foi o último livro que compraste?
O Ar e os Sonhos de Gaston Bachelard, para oferecer a alguém que o perceba.
Qual foi o último livro que leste?
Do princípio ao fim?
Que livros estás a ler?
Assim, no plural, não posso responder.
Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
Um de primeiros socorros, outro de plantas e insectos tropicais (sim, que eu não iria para uma ilha deserta num sítio frio), um sobre a produção de arroz, vários com instruções para fazer sushi e dois ou três homens para lidarem com essas aprendizagens necessárias e com os meus humores.
A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
Não conheço ninguém com endereço electrónico.
Afixado por Susana às 12:27 | Afixadelas (18)
abril 15, 2005
O regozijo supera a inveja
Lou Reed afirmou-se impressionado com a Casa da Música. Disse mesmo que nunca tinha tocado num espaço com tão boas condições acústicas.
Podemos demitir a questão se quisermos embirrar (não é o meu caso, são objectos destes que marcam uma cidade; vejam o Guggenheim de Bilbao).
O melhor que pode acontecer a uma sala de espectáculos é tornar-se um espaço onde se queira actuar. Porque qualquer artista deseja sempre explorar o potencial de uma ainda melhor performance.
Ir à Casa da Música - e ainda por cima para ver o Lou Reed!
Afixado por Susana às 10:51 | Afixadelas (7)
abril 14, 2005
Ontem
Instalada a calma na minha noite, li o post da Isabel sobre a perda de apetite do F, respondi a algumas missivas e sentei-me na sala a ler um texto. A televisão ainda ligada emitia sons que não registei, como um anódino ruído de fundo.
Subitamente ouvi um som que não encaixava na ordem habitual. Primeiro parecia uma criança a gemer perto do meu ouvido, o que não era possível. Depois o som ganhou nitidez e a conclusão era inequívoca: um gato lamentava-se ali perto. Desligada a televisão, apagaram-se os miaus. Ou miais.
Lembrei-me da Mia, da Mignone, do F. Os animais de estimação que já fazem parte deste espaço. Cá em casa temos um canário.
Quando chegou, vinha acompanhado: uma suposta fêmea, de penas laranja, tencionava constituir família com ele. Afinal a canária era um macho (metrossexual, portanto). Durante umas férias em que falhou a alimentação deles (compromissos não cumpridos de outrém) travaram uma dura luta pela sobrevivência e o laranja pereceu.
O amarelo, com feridas e magrito, começou a cantar furiosamente, coisa que antes não fazia. Os canários aprendem a cantar no isolamento. Bem se diz que quem canta, seus males espanta. Gosta de música, mas não de clássica. Responde aos assobios, estalidos e trauteios. Por vezes interrogo-me, quando põe a cabeça de lado como se procurasse discernir quem , que não eu, pia daquela maneira, se estarei a produzir algum som que o seu ADN lhe permita reconhecer. Quando chega a Primavera, penso que lhe arranjarei uma companhia feminina. Ainda não foi desta.
Ontem á noite, ocorreu-me que nunca tinha falado do canário. E que gostei de ter tido notícias do F, aguardo as da Mignone e tenho saudades da Mia.

Afixado por Susana às 11:56 | Afixadelas (6)
abril 12, 2005
cinzento não temos
Ofereceram-me um lápis. E não descansei enquanto não consegui arranjar um lápis para cada aphixador.
O meu é o vermelho.
Quem irá ficar com o lápis azul?
Afixado por Susana às 17:07 | Afixadelas (21)
Fixe

Foi no domingo. Mas amanhã o dia estará também assim.
Para o Afixe.
Afixado por Susana às 01:31 | Afixadelas (14)
abril 11, 2005
Post à
Embora antiga, natural e incontrolável, uma ventosidade anal é, em geral, considerada repelente, uma falta de educação, havendo mesmo quem a considere o cheiro do diabo. «The Merck Manual», num divertido e inesperado capítulo sobre «Doenças Funcionais do Intestino» com o subtítulo «Gases», descreve as suas possíveis causas etratamentos, os seus diversos sintomas e sinais, acrescentando esta informação:
“Entre aqueles que sofrem de flatulência, a quantidade e frequência da emissão de gases pode atingir proporções assombrosas. Um estudo cuidadosamente elaborado registou um paciente com uma frequência diária de 141 flatos, incluíndo 70 emissões num período de quatro horas. Este sintoma, que provoca grande angúistia psicossocial, foi classificado, de forma não oficial, de acordo com as suas características proeminentes: (1) a “bufa” (tipo ‘elevador em hora de ponta’) que é libertada lentamente e sem estrondo, por vezes com um efeito devastador; (2) o tipo “esfíncter aberto”, ou “pum”, que se diz ser de temperatura elevada e mais aromático; e (3) o tipo “traque” ou “rufo de tambor”, facilmente ouvido em privacidade.»
O pum e o traque no congresso do PSD todos sabem quem são. Quem é a bufa?
in Ackerman, Diane, “Uma História Natural dos Sentidos”
Afixado por Susana às 22:52
abril 10, 2005
BEU-BÉU
O animal que Nuno da Camâra Pereira mais aprecia e considera mais belo é a mulher. Para ele, a mulher é mesmo o melhor amigo do homem. Para ele, provavelmente, a mulher deve ser tratada com grande estimação.
Eu diria que ele até poderia ter tido a ousadia de dizer que é a melhor amiga do homem, assim, no género feminino. Mas ele teve a nobreza de colocar a designação no género universal, para não nos deixar dúvidas acerca da sua devoção.
Não me é difícil admitir a veracidade desta afirmação do fadista, apesar da sua imensa originalidade. De repente oferece-me matéria interessante de reflexão: pensar que, reciprocamente, é possível que o homem seja o meu melhor amigo; tem é que ter um pedigree diferente do de Nuno da Camâra Pereira...
Afixado por Susana às 00:39 | Afixadelas (9)
abril 08, 2005
RECEITA DA SEMANA
Reiterando o ponto de vista das minhas colegas, venho atestar que os homens são seres sensíveis e do maior comedimento, protegendo a nossa integridade e procurando nunca nos objectualizar.
Quando lhes mostramos a nossa lingerie nova durante um jogo da taça, agem dentro da atitude mais respeitosa e, por melhor que ela nos assente, nunca nos saltam para cima naquele momento.
E não há ocasiões em que eles mais nos apreciem do aquelas em que nos sentimos menos atraentes, como ao lavar a louça, ou postadas em frente do fogão, alturas em que lhes custa – os queridos - tirar as mãos de cima de nós. Isto porque, como todos sabemos, o lugar onde a mulher fica melhor é mesmo a cozinha.
Sendo assim, gostaria de partilhar com todas uma receita para agradar aos nossos docinhos:
Salteiam-se com um pouco de azeite cogumelos frescos laminados num tacho largo e baixo. Retira-se o líquido, junta-se bacon aos cubos e deixa-se tostar ligeiramente. Entretanto cozem-se os gnocchi em muita água a ferver. Escorrem-se e passam-se por água fria. Junta-se ao preparado anterior o líquido dos cogumelos, natas e alguns ramos de tomilho fresco. Deixa-se ferver, junta-se os gnocchi e no fim o queijo ralado em fios, retirando-se imediatamente do lume. Tempera-se com bastante pimenta.
Para acompanhar, uma salada: descasca-se um pepino e, com o descascador das cenouras, retiram-se fatias finas da polpa, deitando fora as sementes (desde que existe a clonagem, deixaram de ser precisas). Adicionam-se lascas de maçã verde, com casca, coentros (pela sonoridade) e tempera-se a gosto – o deles, bem entendido.
Afixado por Susana às 16:09 | Afixadelas (9)
abril 07, 2005
Um presente para a mia

Sei que não é um persa, Mia, mas olha que é um gato cheio de recursos e usa umas lindas botas.
Feliz aniversário!
Afixado por Susana às 13:17 | Afixadelas (12)
Eu hoje acordei assim...

Afixado por Susana às 10:29 | Afixadelas (18)
abril 06, 2005
Férias no campo
Nestas férias os primos jogaram ás escondidas e os meninos esconderam-se nas árvores, como eu fazia em criança. O mais velho já trepava, mas agora perdeu o mêdo e afoitou-se em ascensões mais ambiciosas. Os outros foram atrás, embora os seus corpos pequenos só lhes permitam transpôr intervalos mais modestos.
Antes das minhas férias falou-se aqui da (im)possibilidade da re-visita de lugares e pessoas. Passo férias num lugar que tem sofrido muitas alterações desde que me conheço. Está sempre em mutação. Já não existe o velho e frondoso salgueiro chorão onde me escondia e de onde saltava para o chão, disfarçando o temor, para ser como os grandes. A vinha desapareceu quase por completo. Há árvores novas. O território é o mesmo e é o meu. Entre a permanência e a alteridade consigo sempre encontrá-lo no mesmo tempo. Creio que é precisamente porque ele também cresceu com as minhas idades que continuo a poder senti-lo como na minha infância. E vendo os meus filhos a brincar com os primos consigo voltar a ver os meus primos a brincar comigo.
Já não estou de férias, mas as minhas férias ainda estão comigo.
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Afixado por Susana às 16:03 | Afixadelas (8)
abril 05, 2005

Subir a uma árvore. Perceber o desenho que dispõe os ramos em volta do tronco, para discernir o percurso adequado. Ganhar balanço. Agarrar a árvore com o corpo todo, uma mão a atravessar a distância para o próximo apoio. Os pés assentam nos pontos mais resistentes impulsionando o corpo para cima. Nas mãos é sentida a aspereza um pouco pegajosa da superfície que apertam.
Pausa. Descanso no meio do som aquoso que o vento sopra nas folhas da copa. Olhar para baixo e para cima. A respiração traz o perfume das folhas aquecidas pelo sol, outro adocicado e quente da resina e ainda o de uma leve transpiração.
Chegar ao cimo sem olhar para baixo. O corpo oscila quando o tronco, ali mais flexível, se agita com o seu peso em desequilíbrio, embora pareça que é agitado pelo vento.
Antes da temerosa descida fica uma sensação de triunfo.
Afixado por Susana às 15:12 | Afixadelas (11)
março 24, 2005
Vou de férias
...mas não sem antes experimentar o pop-up
imagem gentilmente cedida pelo autor
Afixado por Susana às 17:23 | Afixadelas (4)
março 23, 2005
Miscigenação

O HERÓI
O realizador angolano Zezé Gamboa, residente em Portugal, recebeu em Janeiro o prémio do júri para o melhor filme dramático estrangeiro no Festival Sundance (EUA), o mais importante festival de cinema independente, no qual o cinema português tentava debalde participar desde há alguns anos.
“O Herói”, filme tornado possível com o fim da guerra em Angola e através da co-produção portuguesa, angolana e francesa, vai ser o filme exibido na abertura de um evento cinematográfico a decorrer proximamente no MOMA, em Nova Iorque.
Rui Vilar, presidente da Fundação Gulbenkian disse, quando tomou posse, que era fundamental virarmo-nos culturalmente para a nossa diáspora, o que ficou patente na recente exposição de arte africana contemporânea apresentada pela instituição.
Na música portuguesa têm surgido manifestações das mais interessantes nas segundas gerações de imigrantes de países africanos e no decurso da cumplicidade com a música brasileira. Na relação com o Brasil, nas artes plásticas, arquitectura e literatura, cada vez há maior cooperação e interpenetração nos respectivos mercados.
A miscigenação é uma possível solução para os racismos, preconceitos e intolerâncias que grassam pelo nosso país. Culturalmente, torna-nos mais ricos, abrangentes e largos: aumenta o mundo cá dentro. E a cultura, no seu significado mais lato, é o que melhor define e divulga uma nação.
Por tudo isto, fiquei chocada quando li no “Vox Populi”, no Público, que uma senhora consultada considera que o governo não devia deixar cá entrar mais estrangeiros.
Afixado por Susana às 18:25 | Afixadelas (5)
março 21, 2005
HAHAHA
Chegada á cuboesfera (parcela para já bem delimitada de um espaço pluricircular em que me movimento), rapidamente constatei que o meu riso era diferente do da maioria dos outros transeuntes. O meu riso começa com um som aspirado: “hahaha” ou, em versão mais maldosa, “hehehe”. O riso da maior parte das pessoas com quem me tenho cruzado começa com um “A” de surpresa ou com um afirmativo “E” e só depois se abre numa gargalhada. Há ainda aqueles que riem com um D maiúsculo. Será o meu riso – e o dos poucos que riem como eu – gutural?
Ainda a propósito do sentido das expressões do sentir: gosto de elementos da escrita como os parentesis (rectos ou curvos), os dois pontos, o ponto e vírgula, o travessão. Mas agora, quando uso, por exemplo “;” fico a pensar que alguém vai crer que lhe estou a piscar o olho.
Afixado por Susana às 23:15 | Afixadelas (4)
Prognósticos
Só no fim?
Spooooortiing!!!
já ganhou.
Afixado por Susana às 22:22 | Afixadelas (3)
fim de semana

O céu de hoje estava um tecto quase uniforme. Fui para o terraço jogar volley com o meu filho (taxonomia do murro na bola) e, quando me perguntava quantas nódoas negras iria contar no meu pulso amanhã, começou a caír uma fina chuva.
Espero que a chuva se instale, mas considero o timing dos céus pouco apropriado, com as férias da Páscoa das crianças aí a chegar.
Ontem, antes do fim de tarde passado na Fnac de um centro comercial, ainda pude, de passagem, ver isto:

Afixado por Susana às 01:12 | Afixadelas (2)
Afixado por Susana às 01:08 | Afixadelas (4)
março 20, 2005
Receita da semana
Cortam-se quadrados de massa folhada com 10 cm de lado e põe-se no meio de cada um uma colher de sopa bem cheia de espinafres descongelados num tacho com uma noz de margarina. Por cima assenta uma rodela grossa de chèvre. Unem-se os cantos dos quadrados no topo. Vai a cozer no forno. Para acompanhamento, uma salada de tomate, com rúcula, uma mão cheia de pinhões e uvas brancas peladas, sem graínhas e cortadas ao meio; tempera-se com sal grosso e azeite.
Quem não gostar de legumes pode debicar os pinhões e as uvas da salada, afastar os espinafres para o lado e comer o chèvre com a massa.
Afixado por Susana às 18:44 | Afixadelas (17)
março 19, 2005
O dia de S. José
Há muita gente que passa na nossa vida e por qualquer razão muda-a com as coisas que diz ou faz. Algumas ficam cá estacionadas, outras são como dados adquiridos e é bom que assim seja com os nossos pais.
O meu pai diz sempre que não gosta da escolha do dia 19 de Março para o dia do pai, porque celebra o dia do pai mais famoso da nossa história cujo filho não era realmente seu. Eu digo que por outro lado há a parte da escolha, a noção de pai voluntário e não casual, que está implícita e que é bonita.
O meu pai está a milhares de quilómetros e não se lembrava que hoje era dia do pai. Ficou contente quando recebeu o meu telefonema.
Afixado por Susana às 17:58 | Afixadelas (1)
março 17, 2005
Maternidade
Ando há dias a pensar escrever isto e hoje (não sei porquê), calhou.
Tenho dois filhos. Quando nasceu o primeiro eu ainda não era mãe e passei a sê-lo. É uma circunstância para a qual estamos preparadas sem qualquer preparação.
Como se constata coincidir com os relatos emocionados de “mães pela primeira vez” em tantos babyblogs, vivi aquele fenómeno que mistura paixão, enlevo, angústia, mêdo, uma felicidade imensa e uma inquietação quase permanente. Sempre a achar que não era ainda a mãe que queria ser, ia sendo mãe como conseguia.
Progressivamente fui percebendo que apesar de não cumprir ideais que para mim eram a essência do ser mãe (a partir de modelos entre os quais o da minha mãe seria preponderante) também revelava capacidades inesperadas e vantagens para o meu filho que nunca tinha verificado em mais ninguém.
Quase seis anos depois nasceu o meu segundo filho. Agora eu já era mãe, “às custas” do primeiro. Esteve doente muitas vezes no seu primeiro ano e, todavia, porque eu já era mãe, tudo decorreu com naturalidade e com muito menos esforço. Com grande surpresa minha, conhecer e criar um filho já não era difícil e pude disfrutar desta maternidade de um modo mais livre.
O primeiro foi uma conquista, o segundo um presente. O meu amor pelos meus filhos é diferente. Porque eles são pessoas distintas e o amor é relacional.
Com a passagem do tempo e com os meus dois filhos tornei-me mais descontraída nas expectativas que me colocava. Não é preciso muito: amor, atenção, saúde, segurança e, como diz um tio meu, muitas lambidelas. Paciência? Varia. Os meus filhos sabem que não sou perfeita e que, também por isso, reconheço que eles não têm que o ser.
É verdade que a maternidade faz de nós pessoas diferentes. E também que pessoas diferentes acrescentam sempre qualquer coisa ao conceito de maternidade.
Afixado por Susana às 12:02 | Afixadelas (27)
março 13, 2005
A mala
Desapareceu uma mala que Yasser Arafat costumava transportar, com um milhão de dólares lá dentro. Apesar de nesta instância toda a gente saber quanto dinheiro estava lá dentro e ninguém conhecer o seu paradeiro, talvez se pudesse mesmo assim tentar ligar para a Rádio Renascença e perguntar ao António Sala.
Afixado por Susana às 15:39 | Afixadelas (3)
Equívocos pré-adolescentes
1. O meu filho fez um gesto feio a um colega e este disse-lhe "quem não tem faz com o dedo". Ficou convencido que o outro lhe tinha dado uma resposta inteligente.
2. Vendo-o a jogar no pc, reparei que um carro atravessava perpendicularmente uma estrada em que circulavam carros nos dois sentidos. Ao mesmo tempo o meu filho dizia "Bem, sou o melhor condutor desta cidade!"
3. No mesmo jogo, quando notei que o condutor era uma mulher, respondeu "claro, porque é que pensas que se chama Crazy Taxi?". E eu que pensava que era pela qualidade da condução...
Ainda disse "o que falta aos taxistas é bom senso, pra ver se aprendem a não cuspir prá rua". Aqui não estava equivocado.
Afixado por Susana às 15:09 | Afixadelas (1)
Hoje saí à rua
O dia estava assim:

de um lado.
Do outro era mais ou menos isto:

Soube-me bem.
Afixado por Susana às 01:07 | Afixadelas (6)
março 12, 2005
E aqui vai mais um porque dois é pouco
Contaram-me esta noite:
Quando era miúdo fui a uma festa de anos e o aniversariante recebeu um baralho de cartas. Passou o tempo todo a conversar e a baralhar, incessantemente.
Gesto vulgar na minha geração. É cada vez mais raro, mas quando há um baralho ao pé há sempre alguém que distraidamente lhe pega.
Nas festas de anos que pontuam a vida social dos nossos filhos quantas vezes já vimos oferecer um baralho de cartas?
Alguns gestos vulgares perdem-se com a passagem das idades. Com eles, alguma destreza.
Afixado por Susana às 03:34 | Afixadelas (3)
março 11, 2005
E a seguir vai outro
Ontem o meu filho foi operado. Entrámos no hospital ás 8 da manhã, com ele sempre a refilar que tinha muita fome. Foi complicado tratar do internamento com ele na disposição de ver os arredores do átrio, mais o preenchimento e transporte dos sacos preparados para a eventual pernoita. Entrou para o bloco operatório ao colo do cirurgião e na melhor das disposições. Eu fui lá fora fumar um cigarro em vez de ficar a angustiar-me à porta do bloco; sempre faz menos mal.
No recobro, ao meu colo, chorava:
- Eu não gostei nada.
- São todos muito maus!
E vociferava raivosamente:
-Os médicos daqui são uma ganda pucaria!
O que durou uns 20 minutos.
Durante a tarde era suposto dormir bastante. Mas não: entre a televisão, o comando da cama cujas possibilidades ele explorou exaustivamente, uma compressa em banda circular com a qual ele prendeu as mãos uma à outra (sem conseguir tirar), depois o pescoço à perna direita (tipo perna ao peito) e as suas próprias meias, esteve sempre muito ocupado (e eu também). Teve alta às 10 da noite.
Adormeceu tardíssimo. Parece que a anestesia teve um qualquer efeito paradoxal e o raciocínio dele estava muito rápido. Sempre a fazer associações falou, fez perguntas e especulações que me deixaram atónita pela capacidade de estruturação do pensamento numa cabecinha pré-escolar. Podia contar alguns dos exemplos mais interessantes, como pensei que faria, mas afinal prefiro guardar essa longa conversa só para nós.
Afixado por Susana às 23:26 | Afixadelas (21)
Ora cá vai um
Posiciono-me, preponderantemente, como observadora. Comecei a ver blogs porque o entusiasmo que a mana demonstrava teria que ter fundamento (ela não é tola). Fui-me dispersando por diferentes sítios e, ao fim de algum tempo, comecei a comentar. Não pensava ser mais do que uma turista por aqui, mas comecei a reparar que de vez em quando pensava “se tivesse um blog, agora escrevia sobre isto” (e como é fácil qualquer coisa dar um post!) e logo a seguir vinha a réplica “mas eu não tenho o tempo nem a vocação para um blog”. Aceitei participar no Afixe (a primeira reacção foi “não sou capaz”) porque ao ser um blog colectivo e com um ritmo acelerado, não só não estou debaixo da spotlight, como a obrigação é mais leve; disto decorre um certo conforto no que concerne a minha natural discreção e o respeito pelos compromissos assumidos.
Os primeiros posts que pensei e não tive tempo para escrever eram quase todos em torno das minhas reflexões sobre este habitat. Mas constato que o tempo da vida, ao contrário do que acontece com outros projectos, é fulcral para mim, neste caso. Só faz sentido escrever aqui quando o pensamento está fresco, acaba por ser como um diário ou um espelho do momento em que as congeminações vão surgindo. Não consigo projectar um post.
Afixado por Susana às 22:59 | Afixadelas (10)
março 08, 2005
Sem título
A primeira ideia é a de uma árvore. Imagem banal, essa, cuja primeira acepção é a da blogosfera enquanto tronco, que se divide em diferentes servidores e se fracciona indefinidamente pelos bloggers, até chegarmos aos ínfimos ramos representando cada comentador que aparece nas respectivas caixas.
Prefiro pensar nos troncos como indivíduos, que absorvem pela raíz tudo aquilo que lhes alimenta o pensamento e se desdobram numa multiplicidade de intervenções “para fora”, envergando uma copa tanto maior e frondosa quanto mais alargada e interactiva for essa actuação.
Entre as muitas coisas que fui e que fiz ao longo do tempo, toquei com os meus ramos mais diminutos em outras árvores e a minha copa alargou-se.
Cheguei aqui via mana (agora até punha um link, só que ainda não domino) e fui comentando devagarinho aqui e além. Sempre achei curiosos os relacionamentos por aqui. Quando vou nadar cruzo-me com dezenas de mulheres no balneário, vejo a sua nudez física exposta com maior ou menor despudor; raramente falo com elas, mas quando acontece é sempre uma breve conversa sorridente e trivial. Aqui sucede o inverso: expõe-se o pensamento, de modo geralmente despudorado e, por vezes, comportamentos. É uma estranha identidade, incorpórea e idealizável, esta que hoje, mais plenamente, assumo.
susana
Afixado por Susana às 20:13 | Afixadelas (16)
